quinta-feira, agosto 23, 2007

818.ª etapa



TAÇA DAS NAÇÕES (SUB-23) - 1.ª ETAPA
Só dois portugueses aguentaram o ritmo



Não se pode dizer que a primeira etapa em linha do Grande Prémio Tell (5.ª prova, das seis que compõem a Taça do Mundo das Nações, para sub-3) tenha corrido da melhor feição para a Selecção portuguesa.

Apesar de ter apenas duas contagens para o Prémio da Montanha – ok, uma era de 2.ª categoria – e não ter chegado aos 150 km (a ligação Litau-Litau fez-se em 148,7 km), ainda assim o jovem pelotão deve ter-lhe dado com força uma vez que o pelotão chegou cortado em vários grupos. No da frente, chegaram apenas dois portugueses, Carlos Sabido (na foto) e César Fonte que passou a ser o melhor luso na geral.

Mas esta competição é para eleger selecções para o próximo Tour de l’Avenir (Volta a França do Futuro) e Portugal, que foi para a Suíça na segunda posição ao fim de um prólogo e da primeira etapa já está na 11.ª posição, a mais de quatro minutos das principais rivais, França e Itália.

Vamos esperar na que a jornada de amanhã, a cumprir entre Oberkirch e Bettisholz (141,2 quilómetros, três contagens de 3.ª categoria para o PM), os jovens portugueses possam dar um ar da sua graça.




Recordo que a primeira corrida, o Grande Prémio de Portugal, foi ganha por Vítor Rodrigues e que depois Rui Costa foi ganhar a Itália, nas duas outras provas por etapas, antes desta.
As outras duas foram corridas de um dia.

Classificações, da etapa e gerais
Etapa
1.º, Manuele Boaro (Ita), 3.39.23 horas
(
média de 40,668 km/hora)
2.º, Jérôme Coppel (Fra), m.t.
3.º, Michael Markov (Din), a 5 s
21.º, Carlos Sabido (POR), m.t.
35.º, César Fonte (POR), m.t.
55.º, Edgar Pinto (POR), a 4.23 m
83.º, Henrique Casimiro (POR), a 8.25 m
89.º, Cláudio Apolo (POR), m.t.
94.º, Bruno Saraiva (POR), m.t.
Geral Individual
1.º, Manuele Boaro (Ita), 3.42.12 horas
2.º, Jérôme Coppel (Fra), a 4 s
3.º, Tony Gallopin (Fra), a 11 s
16.º, César Fonte (POR), a 18 s
45.º, Carlos Sabido (POR), a 29 s
56.º, Edgar Pinto (POR), a 4.36 m
92.º, Cláudio Apolo (POR), a 8.39 m
98.º, Henrique Casimiro (POR), a 8.44 m
99.º, Bruno Saraiva (POR), a 8.45 m
Geral Equipas

1.ª, França, 10.58.19 horas
2.ª, Itália, m.t.
3.ª, Áustria, a 5 s
11.ª, PORTUGAL, a 4.23 m


Foto editada a partir de um original
de Maria João Gouveia

quarta-feira, agosto 22, 2007

817.ª etapa


TAÇA DAS NAÇÕES (SUB-23) - PRÓLOGO
Estes gauleses são loucos!...

Não começou bem, nem mal, a prestação da Selecção Nacional Sub-23 na quinta prova da Taça das Nações onde, recordo, ainda ocupamos o 2.º lugar.

O prólogo do GP Tell (Suíça) foi ganho pelo dinamarquês Casper Jorgensen que gastou 2.55 minutos para cumprir - à média de 45051 km/hora -, em sistema de contra-relógio individual, os 2,180 quilómetros nas ruas de Lucerna. Tony Galopin (Fra) e Yvo Kusters (Hol) foram, respectivamente, segundo e terceiro, com o mesmo tempo do vencedor.

O melhor português foi Edgar Pinto, 32.º, a sete segundos.

O grande destaque vai para a equipa francesa, que está na terceira posição, a apenas quatro pontos de Portugal, que colocou dois corredores nos primeiros cinco; três, nos primeiros dez e todos os seus seis elementos ficaram nos primeiros... 14!

A classificação dos portugueses foi a seguinte:

32.º, Edgar Pinto, a 7 s
38.º, César Fonte, m.t.
45.º, Cláudio Apolo, a 8 s
91.º, Henrique Casimiro, a 13 s
97.º, Bruno Saraiva, a 14 s
114.º, Carlos Sabido, a 18 s

Cumpriram o prólogo 118 corredores em representação de 20 selecções sendo que, tal como aconteceu na manga portuguesa, a Suíça participa com duas equipas mas só a Suíça.1 pode pontuar para a Taça.

Amanhã corre-se a 1.ª etapa, a ligação Littau-Littau, na distância de 148,7 quilómetros.

Foto editada, a partir de um original
de Maria João Gouveia

Reduzir nas despesas...e nas receitas


Li após o final da Volta – se calhar até foi no VeloLuso – que nos próximos anos a prova mais importante do nosso País não vai chegar a Lisboa, nem passar pelas proximidades. Acho que foi isto.

Como dizia o Gato: “Fico chateado, é claro que fico chateado”.

Levando a democracia ao extremo, acho que todos os portugueses têm o direito a reivindicar que os ciclistas passem à sua porta. Porque é que só alguns é que podem ver a caravana sem ser na televisão?

Claro que eu sei que para ter uma chegada na nossa terra alguém tem que desembolsar uma carrada de euros. Mas que raio, em mais de metade do País, onde não passa a Volta, porque não se reúnem vontades para que tal aconteça?

Alguém imagina o Tour a não terminar em Paris?

Recorrendo aos meus poucos conhecimentos de economia, talvez se possa encontrar uma solução.

Em vez de encher as estradas com várias equipas estrangeiras – como a Slipstream que apenas vêm ganhar o cachet, aproveitando o nosso sol para fazerem umas férias diferentes – poupava-se neste lado do balanço, possibilitando que fosse possível levar a Volta a outros pontos de Portugal, baixando o custo das chegadas e de outros pontos de interesse.

Pode ser que alguém pense nisso.

816.ª etapa


TAÇA DAS NAÇÕES SUB-23
PORTUGAL DEFENDE 2.º LUGAR

Portugal defende o seu 2.º lugar actual na Taça das Nações (Categoria de Sub-23), no Grande Prémio Tell (Suíça) que arrancou hoje e que é a quinta, de seis provas, que contam para esta competição.

A prova começa com um prólogo e terá depois mais quatro etapas.
É este o Programa:

Hoje, Prólogo - Lucerna-Lucerna, 2,19 km (cri)
amahã, 1.ª etapa - Littau-Littau, 148,7 km
6.ª feira, 2.ª etapa - Oberkirch-Bettisholz, 141,2 km
sábado, 3.ª etapa - Zell-Zell, 148,2 km
domingo, 4.ª etapa - Chur-Arosa, 137,9 km

Serão no total 578,19 Km, de dificuldade média, com contagens de montanha quase todas de 3.ª categoria. A excepção surge na última etapa, que promete ser decisiva, com a escalada o alto de Arosa (1728 metros), contagem de 1.ª categoria a escassos 1200 metros da chegada, que logicamente irá produzir naturais estragos no último dia de competição.

Portugal está representado pelos seguintes atletas:
Edgar Pinto (Benfica)
Carlos Sabido e Bruno Saraiva (Casactiva-Quinta dos Arcos-Madeilongo)
César Fonte (SM Feira-E. Leclerc-Moreira Congelados)
Henrique Casimiro (Tavira-DUJA)
e Cláudio Apolo (DUJA-Tavira)

«Para muitos esta selecção poderá constituir uma surpresa, mas há que fazer uma rotatividade num escalão em que, felizmente, estamos bem servidos em termos humanos», referiu o Seleccionador Nacional, José Poeira, que adiantou: «O nosso objectivo é defender o segundo lugar que ocupamos. Não vamos para a Suíça assumir a corrida, mas sim para estarmos atentos às oportunidades e, se elas surgirem, não as desperdiçar, como sucedeu nas anteriores provas. Dadas as características da competição, incluímos corredores que sobem bem para poder estar na discussão na montanha.»

Estão inscritas 20 equipas, das quais 19 são selecções nacionais e uma é mista, num total de 120 corredores.

À partida do GP Tell, a classificação da Taça das Nações está assim ordenada:

1.º, Eslovénia, 89 pontos
2.º, Portugal, 67
3.º, França, 64
4.º, Dinamarca, 55
5.º, Holanda, 36
6.º, Alemanha, 35
7.º, Federação Russa, 33
8.º, Espanha, 24
9.º, Bélgica, 24
10.º, Itália, 22

terça-feira, agosto 21, 2007

815.ª etapa

(Vou deixar a ASNEIRA, até para que possam gozer-me à vontade. Já me retractei, nos comentários mas justifica-se que o faça também aqui. Na sua edição da passada 2.ª feira, O Jogo deu... meia página, com foto e tudo, sobre o acidente na Malveira. E até adiantou os primeiros classificados! Como é que não vi? Sei lá! Olha, adopto a teoria do Carlos Flórido... às vezes andamos à procura de uma breve e não vemos... meia página! As minhas desculpas a O Jogo e em especial ao João Santos.)
.
PARECE MENTIRA... PEQUIM
FICA MAIS PERTO QUE A MALVEIRA

Aconchegado o estômago com o jantarito, opção feita pelo café em casa, subo aqui ao meu escritório/biblioteca a pensar no que haveria de escolher como tema de um movo artigo e, a meio das escadas está decidido: onde é que terei de ir “pescar” os resultados dos Circuitos de fim-de-semana?

Abro a página do VeloLuso e deparo-me com o artigo do Jorge. Pois é!...

Põe o dedo na ferida e lança-me outro tema.
Vamos a isso.

Primeiro o que tem de ser primeiro.
Os Circuitos. E o alheamento da CS em relação ao Ciclismo, finda a Volta.
Entretanto, uma declaração, não de voto mas de facto.

Ao contrário do Jorge eu sou jornal-adictivo. E compro 365/6 dias por ano O Jogo e 363/4 dias por ano A BOLA e o Record.

* 2.ª feira, dia 20 de Agosto (quando no domingo se disputou o velhinho e respeitável Circuito da Malveira)…

A BOLA = ZERO de informação (para além do acidente dos corredores da Fercase-Rota dos Móveis); uma FOLTOLEGENDA acerca de uma brincadeira que aconteceu em Pequim onde um pelotão de veraneantes testou o percurso das corridas Olímpicas;
Record = 12 linhas onde se juntam os resultados da Malveira mais os do GP de Mortágua, a contar para o Troféu RTP/Sub-23 (realizado no sábado); e a notícia do acidente do Joaquim Andrade; mais a notícia da brincadeira de Pequim; mais outra notícia sobre a Astana;
… O Jogo = ZERO. Nada de nada! - (Não é verdade, mas já está explicado!)

* 3.ª feira, dia 21 de Agosto (quando na 2.ª feira se disputou o Circuito de Alcobaça…)

A BOLA = Sequência da notícia sobre o Joaquim Andrade (embora no texto se escreva Joaquim… Sampaio!!!); notícia de que Benfica e Liberty Seguros correrão a Clássica de Los Puertos (arredores de Madrid); o escalonamento dos corredores de equipas portuguesas no ranking do Europe Tour da UCI. Embora separe destes o… Xavier Tondo (LA-MSS-Maia) e o… Cândido Barbosa (Liberty Seguros) ???; outra notícia sobre a Astana;
Record = Insiste na Astana; notícia sobre a evolução do estado de Joaquim Andrade e… três linhas sobre o Circuito de Alcobaça;
O Jogo = ZERO. Nada de nada! Os leitores (só) de O Jogo ainda não sabem do acidente violento que um dos mais carismáticos corredores do pelotão nacional sofreu… no domingo! (Não é verdade, mas já está explicado!)

Mas a questão não é essa.
A questão que é pertinente é esta: se todos, sem excepção, todos os anos assumem que o Calendário Nacional está desequilibrado, que faltam provas que justifiquem as equipas terem de continuar a pagar ordenados aos seus profissionais até Dezembro quando a temporada “acaba” em meados de Agosto, não será uma falta de respeito para com quem, entre provas por etapas, se empenha em montar corridas? Mesmo que sejam “só” Circuitos?

Mas estes acontecem em todo o lado.
Ainda não há muitos dias o Marco Chagas nos recordava que, terminado o Tour, ele e o Agostinho tinham, no mês e meio (45 dias) a seguir mais de 40 corridas a que tinham de acorrer por contrato.

Aliás… daqui a um mês, mais dia menos dia, termina a Vuelta.
Logo a seguir vão acontecer uma série de Circuitos, critérios… chamem-lhe o que quiserem.
É só ficarem atentos para ver se vai ou não haver noticiário.

Tem havido sempre.
A justificação é fácil – mas longe de ser aceitável –, de Espanha os resultados chegam via agências. Papinha feita.

Aqui, e em relação à Malveira, a Alcobaça, aos futuros circuitos da Moita (Marinha Grande) e mais um ou dois que verdadeiros carolas põem de pé… seria preciso a chatice de um telefonema para saber os resultados!

Os jornais acham que não vale a pena, malgrado a falta de respeito para com os tais carolas que só conseguem montar as corridas vendendo rifas durante 11 meses; arredondando as bicas, vendidas no bar das suas sedes, dos 35 para os 40 cêntimos metendo os 5 cêntimos remanescentes na caixinha à disposição dos donativos voluntários…

O jornal acha que estas provas não têm expressão.
Não paga quilómetros nem o almoço…
Consequência: não há notícias.

814.ª etapa


SE NÃO FORMOS NÓS, OS MEDIA,
A DEFENDER O NOSSO CICLISMO...
QUEM O FARÁ?

Em relação à segunda parte do artigo do Jorge…
Ah, pois é!
Já aqui o destaquei algumas vezes e até já assumi nas páginas do meu jornal que iria adaptar-me ao “método” espanhol.

Já cobri seis vueltas a Espanha. E sabem o que acontece? Se o vencedor da etapa for norueguês, francês, chinês, português ou seja lá de onde for… vai, por obrigação à Sala de Imprensa, mas tirando as duas perguntas regimentais (Como foi? Está satisfeito?), mais ninguém se interessa por ele.
E, mesmo que o primeiro espanhol na etapa tenha sido o 18.º, é ele o herói do dia.

Não estou a dizer que está bem ou mal. É um facto!

E, não há muitos dias ainda, li num outro espaço dedicado ao Ciclismo uma crítica violenta em relação aos media portugueses que o articulista não se absteve de etiquetar como… xenófoba.
Porquê?
Porque “fazia campanha” pelo Cândido Barbosa quando quem até quem ia sair de amarelo para o crono final era o Eládio Jimenez que – e verdade se diga – por acaso até foi praticamente ignorado.

E eu próprio já recebi aqui comentários criticando – porque eu andei lá e fiz isso, sim senhor, numa opção que tomei, com todos os riscos disso inerentes – toda a CS portuguesa por, em 2005, se ter mostrado pró-Cândido e contra o Vladimir Efimkin.

Deviam ver os jornais espanhóis!

Não estou nada arrependido de ter “feito campanha” pelo Cândido em 2005 e tenho a exacta noção da responsabilidade que TODA a CS portuguesa teve – TEMna reaproximação do público em relação ao Ciclismo.

É que em cada uma das etapas só estavam as pessoas das localidades por onde ela passava e, na chegada, de quem morava mais ou menos perto.

É que a televisão (e a rádio), mostrando e dando voz, é verdade, não deixam de ser meios perecíveis. O que quero dizer com isto? Que se vai esfumando a sua informação. Quem viu ou ouviu, viu ou ouviu… os outros ouviram dizer que tinha sido assim e assado.

Mas a Imprensa – e Imprensa são os Jornais em papel, os únicos em que a informação é impressa (dizer Imprensa escrita é uma redundância e chamar Imprensa à comunicação rádio ou televisiva uma tremenda baboseira!...) –, dizia, a Imprensa, sem nunca o ter reivindicado, foi a grande a responsável pela recuperação de adeptos para o Ciclismo, exactamente quando escrevemos grandes títulos a puxar pelo Cândido.

Pela minha parte, isso nunca foi uma opção inocente.

Sabia o que estava a fazer. Sabia que apresentando a Volta como uma “guerra” entre um corredor português e um estrangeiro – o que aprendi em Espanha – ia acicatar os indecisos e leva-los, fosse a ficar frente à televisão, fosse – os que geograficamente estavam mais próximos – positivamente invadissem os locais de partida e chegada.

Ou acham que foram as presenças do Zezinho Castelo Branco e outras figuras dessa – essa sim – mentira que é o jetset nacional?

Mas porque o leit motif desta crónica era a observação do Jorge em relação à informação nos jornais espanhóis… à terça ou quarta feira lá apanhava os resultados do campeonato português de futebol, num quadrinho pequenino onde NUNCA falha o Sporting de Lisboa, ou o Oporto.

Por cá… nós damos apresentações completas dos principais campeonatos europeus, com emblemas, quadro técnico… e até crónicas de ¾ de página de jogos… vistos na televisão!

E no Ciclismo também vamos pelo mesmo.

Se uma prova (em Espanha, por exemplo) dá na televisão… escrevemos uma página.
Se acontece na Malveira… ignoramos.
Infelizmente… é assim.
Mesmo sem ter responsabilidades nisso… peço desculpa aos leitores do meu jornal.
A BOLA!

813.ª etapa


ORGANIZADORES: TENTEM FAZER
MAIS ALGUMA COISA EM NOME
DO VOSSO PRÓPRIO TRABALHO

Mas, já agora, é evidente que os promotores destas iniciativas – os Circuitos de final de temporada – também têm a sua parte de culpa.
Hoje em dia, a comunicação, ou a falta dela, não é desculpa.
Provas como o Circuito da Malveira, ou de Alcobaça, não podem continuar – embora continuem a ser financiadas pelas tais rifas – a comportarem-se como se vivêssemos em meados do Século XX.

“não há ninguém” que não tenha um computador.
Encontrar os contactos certos, também não é tarefa impossível.

Por isso, não estão isentos de culpa.

E dou dois ou três exemplos.
O meu grande amigo – perdoem-me quando sublinho isto, mas de facto, quando os amigos começam a faltar-nos, é de todo justo que sublinhemos aqueles que ainda se lembram de nós –, dizia, o meu grande amigo Jorge Soares, da Associação de Ciclismo do Algarve, faz-me chegar ao meu mail, regularmente, os resultados de TODAS as corridas que se disputam sob a égide da sua Associação.

Mea Culpa, por nem sempre os transcrever para aqui…

Continuo a tentar equilibrar-me na corda que separa o VeloLuso de um espaço prioritariamente dedicado à opinião e um espaço de informação.

Outro exemplo, outro grande amigo, o Paulo Sousa, dá-me todos os resultados de todas as corridas do Troféu RTP (sub-23). A minha desculpa é a mesma.
Outro grande amigo ainda, o Fernando Mota, director-desportivo da Crédito Agrícola-Pombal nunca deixa de me informar, nem das iniciativas da sua equipa, nem dos resultados que ela consegue.
Enquadram-se todos naquilo que atrás escrevi.

Eu quero continuar a receber os vossos mails.
Peço que compreendam quando selecciono os que publico…
Não é má vontade.

Mais de cá, por favor


O VeloLuso já escalpelizou pormenorizadamente o acidente que vitimou Joaquim Andrade – ficam os meus votos de uma rápida recuperação – na pista Túlio Pereira na Malveira.

Soube da notícia pelo jornal A Bola, o único jornal diário que leio, excluindo as escapadas que vou dando na Net, quando o tempo chega. Na última página lá vinha a descrição do que tinha acontecido, de forma muito sucinta.

Como habitualmente a página final é a primeira que leio, só mais tarde me apercebi que sobre o Circuito da Malveira... nem uma linha.

Recordo que este circuito é dos mais antigos que se realiza em Portugal, pois iniciou-se em 1942, chegando este ano, sem qualquer interrupção, à 66ª edição, e que além da prova em linha, junta várias provas de pista, tão do agrado do público.

Mas mesmo assim não foram motivos suficientes para merecer duas palavras no jornal A Bola.
E só soubemos que houve Circuito na Malveira devido à infelicidade dos dois ciclistas da Fercase.

Mas houve espaço para falar do teste ao traçado dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008.

Recordei-me que há dias estive em Saragoça. Comprei lá a Marca, na esperança de saber algumas novidades desportivas do nosso Portugal. Nem pó.
Fiquei irritado. Só notícias dos acontecimentos espanhóis ou de seus conterrâneos.
Já lhes começo a dar razão.
Por cá, enchemos páginas a falar do desporto de lá.

Já agora fiquem a saber que na estrada, em Elites, venceu Tiago Machado (Riberalves-Boavista) e em Juniores o mais rápido foi Fábio Silvestre (ACD Milharado).

812.ª etapa


VUELTA: SÉRGIO LEVA O DORSAL 67

A Organização da Vuelta mandou fora todas as tradições e, na falta, na edição deste ano, do vencedor em 2006 e também da sua equipa, foi salomónica. Para a atribuição dos dorsais ordenou as equipas inscritas por ordem alfabética - a primeira é a AG2R - impondo também que o alinhamento de cada um dos corredores, em todas as equipas, fosse definido alfabeticamente pelo apelido.

E a solução até acabou por conseguir ser vista como... uma homenagem.

Uma homenagem aos gregários de todas as equipas. É que o número 1 vai ser levado por José Luís Arrieta - ainda por cima um espanhol!...

Mas opções são opções e esta até nem choca.
Aliás já havia equipas que alinhavam os seus corredores alfabeticamente e uma delas era exactamente a Discovery Channel, por isso e em relação ao Sérgio Paulinho, seria sempre o ...7 da equipa. É o 67. O 61 é o esloveno Janez Brajkovic.

811.ª etapa


COMO RECONHECIMENTO
PARA COM A UM GRANDE AMIGO...

Há c'anos qu'ando p'ra por aqui esta foto...

Foi tirada no Grande Prémio Internacional de Paredes-Rota dos Móveis, em Santiago de Compostela, capital da Galiza.

Por quem?, ora... pelo Nuno Veiga, pois atão!
E é uma piquena obra d'arte.

Eu pelo menos gostei logo dela.
E ainda gosto.
A mensagem subliminar que nos dá é de uma grandeza extrema:
o Homem sobrepõe-se sempre à máquina.
É todo o Ciclismo numa imagem só.
Genial!!!...

Com um grande e forte abraço de alentejano para alentejano.
Goza as férias, companheiro!...

Ah!... podem ver esta e muitas mais, mais bonitas ainda, clicando aqui ao lado no link... do Meu Alentejo!

810.ª etapa


DESTA É QUE EU NÃO TINHA SABIDO MESMO!...

Não sabia eu, nem ... ninguém porque não o li em lado nenhum.
É a silly season do antes da Volta a Portugal... está tudo recolhido a fazer suplementos!

Mas está bem...

E depois disto? Quem é que acredita ainda no ProTour?
Não... não é na fada dos dentinhos...
É mesmo no ProTour...
:-)





segunda-feira, agosto 20, 2007

809.ª etapa

ELE VAI CONTINUAR A TENTAR...

Que querem? Ele há Alentejanos assim!
O meu bom amigo Teixeira Correira ainda não conseguiu colocar um post que fosse no VeloLuso... então? Se toda a gente consegue?!!!
Mas pronto, enquanto continuas a tentar, eu prometo que vou colocando aqui as tuas colaborações...

Meu caro Manel;
Só hoje, depois da Volta, vasculhei o VeloLuso e, sem me colocar em bicos dos pés, permite uma pequena correcção, quanto ao Minuto de Silêncio recordando o nosso camarada João Carlos Garcia (JCG).
Na sala de imprensa e após o prólogo, foi informado pelo responsável do Gabinete de Imprensa, Carlos Raleiras, que no outro dia à partida da etapa de Portimão seria guardado um minuto de silêncio, pelo Bruno Santos e Rayn Cox. Levantei-me e lembrei que tínhamos perdido um colega (JCG) que grande ligação tinha à Volta a Portugal, que deveria ser englobado nessa cerimónia.
Perante todos os jornalistas presentes foi-nos respondido que era um assunto que teria que ser apresentado à Organização.
No dia seguinte, entre as 10 e as 11 horas, recebi uma chamada no meu telemóvel, feita pelo responsável do Gabinete de Imprensa a dizer que "a tua proposta foi aceite. Vai também ser respeitado um minuto de silêncio em memória do João Carlos Garcia".
Sem tirar mérito ao nosso amigo João Santos (O Jogo) esta é a realidade dos factos.
Cumprimentos.

808.ª etapa


JÁ SÃO AZARES A MAIS!...

O Telejornal da RTP tinha imagens da Malveira!
Ok… não o registo do incidente em si, mas imagens da Malveira.
Depois fizeram o que mandam as regras. Ouviram o Ricardo Martins que, felizmente, pode falar, ouviram o Joaquim Andrade (pai) e ouviram ainda o senhor Júlio Machado – que não foi identificado na reportagem – e que, pelo menos quando há 11 anos nasceu a LA-Alumínios, era o presidente do Atlético Clube da Malveira.

Estou, já perceberam, a falar do incidente de ontem, na pista Túlio Pereira, naquela vila saloia, incidente que foi, ponha-se-lhe o nome correcto, ACIDENTE.

Acidente do qual resultaram sequelas mais ou menos graves no Joaquim Andrade (filho), corredor da Fercase-Rota dos Móveis. Tal como o é o Ricardo Martins.

Factos: uma “torre” com cinco ou seis metros de altura, assente numa base que não fugirá ao metro por metro, foi, arrastada pela forte ventania, cair em plena pista instantes antes dos dois corredores que rolavam a cerca de 60 km/hora atingirem o local, não lhes dando a mínima hipótese de evitar o embate. De resto, quem pode ver as imagens há bocado ter-se-á disso apercebido, tal como do estado em que ficou o Joaquim Andrade (verdadeiramente azarado, este ano).

Era de todo imprevista a queda da “torre”? Seria! Mas com a ventania que se tem feito sentir, aposto que, mesmo quando os comissários lá tiveram que estar sentiram que aquilo não estava seguro.

(E se a dita “torre” tem caído com três ou quatro homens lá em cima?)

Mas estou a escrever este artigo porque, num Comunicado da equipa – o terceiro, em 24 horas (obrigado Jorge Gonçalves) – se dá conta, para além de afastar em definitivo cenários mais preocupantes (o Joaquim está bem, dentro daquilo que se pode estar) é que, por parte da Organização não tinha havido até ao final da tarde de hoje qualquer espécie de preocupação visível em relação ao estado dos acidentados.
Nomeadamente, ao estado do Joaquim Andrade.

Lúcido – e conhecedor de Ciclismo –, o responsável pelo Comunicado, o Jorge Gonçalves, reconhece que por estes dias todos os organizadores fazem falta. Os corredores e as equipas precisam de provas, mas não deixa de tocar no ponto fraco: as organizações têm responsabilidades.

Primeiro, de garantir a segurança dos Corredores, e se estava muito vento… se calhar teria sido conveniente segurar a “torre” com algumas espias; depois, e após o acidente, o mínimo que poderiam fazer era o de tentarem inteirar-se do estado físico dos acidentados o que, segundo o mesmo Comunicado, não aconteceu. Está mal.

Mas já sei que a Associação Portuguesa dos Corredores Profissionais não vai deixar de pedir responsabilidades.

Aproveito para daqui enviar um forte e solidário abraço ao Quim. E que se restabeleça o mais rápido possível.

Lá se vai por água abaixo a tal “teoria” de que um raio nunca cai duas vezes no mesmo sítio… ou então, Quim, tens de ir à bruxa!
Um forte abraço. E rápidas melhoras.

Nota: Há alguns meses atrás, e porque, sendo um amante do Ciclismo e porque acompanha muitas provas e as regista em fotografia, escrevi um e-mail ao senhor António Costa a pedir-lhe autorização para usar pontualmente as fotos de sua autoria, que ele disponibiliza sem qualquer restrição num sítio que é dedicado ao Ciclismo; respondeu-me afirmativamente, não exigindo nada em troca (eu tinha posto a hipótese de as pagar, guardo os e-mail que envio). Entretanto, pude ler, se bem que não estivesse lá o meu nome, um comentário dirigido a “quem se aproveita das minhas fotos”…
Como, desde o e-mail que recebi em resposta ao meu pedido, não recebi mais nenhum do António Costa, uso, neste artigo, uma foto sua.
Se aquele… recado, era para mim, então que se decida.

Maldição...mas pouco


Dentro das minhas disponibilidades, assisti a algumas transmissões em directo da Volta a Portugal.
Apesar de terem o monopólio da transmissão, via RTP, mesmo quando tenho escolha, caso do Tour e Vuelta, opto pelo canal nacional.
E não o faço apenas por uma questão de ser de cá, mas porque acho que o João Pedro Mendonça e o Marco Chagas fazem uma dupla que se complementa, sendo uma mais valia para quem vê.

Numa das etapas, já não sei precisar qual, Chagas afirmou qualquer coisa como isto: “vamos ver se a maldição do vencedor do Troféu Joaquim Agostinho, não conseguir ganhar a Volta, no mesmo ano, se mantém”.

Registei... desconfiado.

Quando terminou a edição deste ano, com a vitória de Xavier Tondo, concluí que a maldição tinha terminado, porque o espanhol também ganhou em Torres Vedras.

Pois é... mas antes de escrever, fui confirmar. E não é que o Chagas estava enganado.

A tal maldição já tinha terminado em 1995, quando o actual DD do Benfica, Orlando Rodrigues, ganhou ao serviço da espanhola Artiach as duas provas.

Pelo caminho até 2007, já David Bernabéu, com o jersey da Milaneza/Maia, tinha conseguido esta dobradinha portuguesa, em 2004.

É caso para dizer que no melhor pano cai a nódoa.

domingo, agosto 19, 2007

807.ª etapa


QUANDO O "CHARCO" É PEQUENO...
AS LINHAS ENLEIAM-SE E NINGUÉM GANHA O PEIXE

Não. Não sou pescador. Mas gosto destas frases que transmitem imagens.
Estaria eu a escrever o artigo anterior quando o Jorge publicou o seu artigo. E, por outras palavras, venho reforçar o que ele disse.

Foi, exactamente o facto de toda a gente - leia-se Benfica, DUJA e, até a Liberty - ter deixado para a penúltima, ou última, como queiram! - oportunidade que as coisas teriam, obviamente, que sair mal a alguém, Só ganha um.

E ganhou aquele que, mais do que uma equipa, tem um grupo tão unido que, quando cerra o punho tem todos os seus corredores na palma da mão.

Mas, e isto creio que ainda não foi escrito, o Manel Zeferino superou... o Manel Zeferino. Nenhum outro director-desportivo poderia ter feito o que ele fez. Porque não tinha equipa para isso.

Curiosamente - ok, confesso! estive a ver a etapa da Torre do ano passado! mea culpa! - o ano passado o Vidal Fitas tinha o Nélson Vitorino na frente e depois dinamitou tudo e todos com o ataque conjugado do Ricardo Mestre e do Krassimir Vasilev! Mas não era para ganhar a Volta, era para chegar à Camisola Azul (o ano passado, o símbolo do Rei da Montanha). E ganhou-a.

E deixou o Ricardo a um passo do Prémio da Juventude, que também viria a ganhar.

Mas o que a LA-MSS-Maia (custa-me a acreditar que o município da Maia apenas tenha 150 mil euros para ajudar quem mais e melhor divulga o nome do concelho!) tem é um técnico que é dos melhores estrategas do pelotão mundial!

Bah!... "lá está ele a exagerar outra vez", dirão alguns dos leitores.
É verdade.
E, de alguma forma há aqui uma ligação em relação ao que o Jorge escreveu.
Dêem ao Zeferino aquilo que o Jorge Jesus reinvidicou há pouco mais de oito dias.

Disse o técnico do Belenenses, referindo-se à equipa do Real Madrid (com a qual perdeu por 0-1, nos últimos instantes da partida): dêem-me o plantel que ele tem e eu dou-lhe três de avanço a acabar aos cinco.

O Manel Zeferino à frente de uma equipa que ele pudesse escolher, uma equipa com dois milhões de euros - hoje em dia não é nada e nem chega para entrar no ProTour - e ganhava uma em cada três provas que corresse.

Agora, adivinho eu... há quem se pergunte, porque é que, tendo assim tanta segurança na sua equipa, o Zeferino não atacou antes?
Ninguém percebeu?
A LA-MSS-Maia é uma equipa... apenas razoável.

E só se distingue das outras que lhe podem ser equiparadas em duas coisas. Na capacidade, enquanto estratega, do Manel, e no espírito de grupo que só ele sabe incutir aos seus corredores. Esta parte é redundante. É claro que não ia incutir aos corredores de outras equipas. Mas perceberam?

O Orlando, e também o Vidal Fitas, esperaram pela Torre, cada um deles esperando que os seus chefes-de-fila fizessem a diferença. O Manel aguardou, calmamente, SABENDO que a SUA EQUIPA faria a diferença.
Podia ter corrido mal.
Nunca ninguém o saberá.

E volto a chamar a atenção para aquilo que eu, que não sou técnico, que de tácticas só sei o que fui aprendendo com os puros estrategas, que eu já aqui deixei.
A Volta a Portugal é uma corrida única. E tão bonita que ela é...

Diferente do Troféu Joaquim Agostinho - como mero exemplo - porque não se decide numa etapa. Diferente da Vuelta - como mero exemplo - porque não há assim tantos momentos onde se marquem diferenças.
A Volta tem só onze dias.

Esteve bem a Liberty quando "fingiu" que não tinha hipóteses de ganhar a primeira etapa.
Estiveram mal todas as outras candidatas quando deixaram para o último dia, antes do crono final, para tentar ganhá-la.
E isto serve para a próxima edição da Volta.

Ou se tem uma super-equipa e se assume a corrida desde o primeiro dia - como, às vezes, acontece nas corridas de cinco dias - ou se dinamita a mesma corrida antes do dia em que TODA a gente está à espera.
A não ser que tenha um ou dois camikazes que deixem a pele na estrada.
Como o fez o João Cabreira.

806.ª etapa


BENFICA: MAL OU BEM?
NEM SIM, NEM NÃO… ANTES PELO CONTRÁRIO!


Perguntou-me há um par de dias atrás o Armando, leitor assíduo do VeloLuso, o que é que eu pensava da temporada do Benfica. Adiantando que, “lá fora até esteve bem, mas cá dentro…”

Pois é Armando. Obrigaste-me a ir ver todos os resultados que compilei e, sinceramente… lá fora até esteve bem?
Ok… ganhou, colectivamente a Volta ao Luxemburgo, o Javier Benitez somou três segundos lugares, o Dani Petrov mais um, o Benitez ainda foi mais três vezes terceiro…
Não me parece que tenha, de facto, havido UM Benfica lá fora e OUTRO cá dentro.
Ficou no… ela por ela.

No total, até agora, o Benfica conseguiu dez vitórias, oito com o Benitez, uma com o Zé – no GP Correios de Portugal - e a décima, colectivamente na Volta ao Luxemburgo; somou 11 segundos lugares, mais seis terceiros e ainda ganhou – sempre com o Benitez – quatro classificações da regularidade (pontos).
No total da época – até agora, repito, e não sei que a equipa principal se vai apresentar em mais alguma corrida (regulamentarmente não pode, pelo menos intramuros) – subiu 31 vezes ao tal pódio virtual onde caberiam os três primeiros classificados, dia-a-dia, mais no final, e ainda os primeiros lugares nas classificações secundárias.
Liberty Seguros, Riberalves-Boavista, LA-MSS-Maia e… a Madeinox-Bric-Loulé fizeram melhor. Mas estas puderam correr as provas internas interditas aos encarnados. E faz alguma diferença sim senhor.

É evidente, e para quem gosta de estatísticas, o ano de 1999 foi melhor.
O Benfica ganhou a Volta ao Algarve, com o Mauri, a Volta a Portugal, com o Plaza, o Porto-Lisboa, com o Quintino…

Mas eu acho que percebi onde querias chegar.
Terá sido assim tão negativa esta temporada para o Benfica?
Acho que não.
E sustento a minha opinião.
Há uma grande diferença entre aquele Benfica de 1999 e este, de 2007. A começar pela viabilidade do projecto.
Digamos, e creio que todos o compreenderão, há oito anos tivemos na estrada um Benfica à Vale e Azevedo, mais peito que barriga, muito fumo e pouco fogo...
Agora estamos perante um projecto muito melhor fundamentado e ao qual, como é evidente, é necessário dar algum tempo. Nunca muito, porque pesa, e de que maneira, o historial do clube, mas mais algum tempo.

Em 1999 o Benfica correu a Vuelta a Espanha sem carros de apoio, sem dinheiro…
Não me vou alongar nisto mas deixo um exemplo que fala por si.
Na Vuelta de 1999 um dos auxiliares da equipa técnica teve que “inventar” uma espécie de… cana de pesca para (vergonha, não para ele, coitado, de quem até sou muito amigo, mas para o nome do clube) para recolher os bidons de água que as outras equipas deitavam fora. Apenas porque o Benfica não tinha bidons.
É verdade… uma vara com uma espécie de laço e o homem pendurado da janela do carro a tentar pescar o máximo número de bidons possível… senão, no outro dia não havia como dar água à equipa.
Uma situação impensável, hoje. Já para não falar de outros casos extremamente vergonhosos e que, só por si, arrastariam o nome do Benfica na lama.
Mas O Benfica não teve culpa disso…

Agora, as coisas são totalmente diferentes.
É verdade que, em termos de resultados, a época terá ficado àquem do que, principalmente os seus apaniguados esperavam.
E recordo, o Benfica só andou um dia de Amarelo.
Quando o Javier Benitez venceu a 1.ª etapa da Volta ao Distrito de Santarém…
É pouco? É!

Mas atentem a uma coisa. Se o Benfica tem decidido inscrever-se apenas como equipa Continental… o que teria acontecido? O Benitez só tinha ganho oito etapas? Nas etapas de montanha da Volta a Trás-os-Montes o Zé não teria tido oportunidade de ganhar? De chegar, inclusivé, à Camisola Amarela?

Mais dia, menos dia, a Imprensa vai publicar, cada um à sua maneira, o balanço da temporada e o Benfica vai ser penalizado. Porque, durante metade da temporada não correu com as outras equipas portuguesas. E o que fez lá fora também não foi por aí além…

Mas foi muito importante para o Ciclismo português – e sei de, pelo menos, uma pessoa que não vai estar de acordo (e não, não é jornalista) – ter estado na Volta à Baviera e na Volta ao Luxemburgo. E aqui quase, quase que corriam em casa.
Mas no ciclismo não existe essa coisa do factor casa.
Ganha quem tem melhores pernas.

E o Benfica não tinha?

Voltemos atrás, à formação da equipa. Tenho aqui à minha frente o plantel inicial. Teoricamente é bastante equilibrado. Roladores q.b., o Benitez para o sprint, o Pedro Lopes para lançador… faltou, na minha opinião, o acautelar de ter dois ou três homens para ajudar o Azevedo na montanha.
Ainda por cima, soube-se ainda o ano passado que a Volta este ano ia à Torre.
Mas também não acho que tenha sido por aí… na Senhora da Graça, mais um pouco e a vitória era discutida ao sprint.

Aliás, e fugindo um pouco ao tema, eu acho que já não faz mais sentido ter a Senhora da Graça todos os anos na Volta. Ou fará, porque os directores desportivos das diversas equipas vão deixar de a considerar etapa-chave.

Uma sugestão: use-se a senhora da Graça numa qualquer outra corrida do calendário.
Para ajustar forças.
No alto do Viso, por exemplo, não há condições para fazer uma chegada de etapa?
Ou então, se é que se quer mesmo dar animação à volta, a Senhora da Graça como final de uma etapa com mais duas ou três contagens de 1.ª categoria.
Como já aconteceu.

Voltemos a Benfica.
O Justino Curto, mais o Orlando Rodrigues vão ter que reformular quase a cem por cento a equipa. Não sei o que aconteceu com o Danail Petrov… provavelmente chegou mais cansado do que devia à Volta, mas outros corredores houve que não cabem nesta equipa.
Como acho que os contratos, com a excepção do Zé e de mais um ou dois, eram apenas de um ano… não haverá problemas em reformular o grupo.
E 14 corredores não chegam. Para mim, 17 é o mínimo aconselhável. Para poder, de facto, apostar em dois ou três – não no mesmo – para atacar algumas corridas do calendário e depois poder ter um nove musculado para a Volta. E atendendo ao traçado da Volta.
Meter o Benitez na equipa da Volta – porque é que o Renato Silva ficou de fora? – foi idiotice. A não ser que se tivesse uma equipa tão forte que conseguisse levar o Zé às vitórias em Santo Tirso – continuo a dizer que foi… é um flop –, na Senhora da Graça e na Torre.
Então, faria sentido meter o Benitez para evitar que o Cândido ganhasse etapas - e bonificações - da forma como ganhou.

Está respondido, Armando? Ou nem por isso?

Vencedor justo


Começo por referir, para quem não sabe, até porque acho que é importante, que sou benfiquista.
Não faz parte da minha forma de estar, esconder-me atrás de pseudonónimos ou deixar no ar a dúvida sobre a minha inclinação clubística, daí esta explicação inicial.
Com a Volta terminada há poucos dias, deixo a minha opinião, em jeito de balanço.
Xavier Tondo foi um brilhante vencedor.
O espanhol da LA-MSS soube aproveitar as limitações dos seus principais adversários, dando-se ao luxo de guardar para o derradeiro dia a decisão final.

É fácil depois da vindima estar feita, procurar os culpados das uvas não terem produzido um bom vinho.
No entanto, parece-me mais ou menos evidente, considerando que os directores desportivos das equipas com candidatos, conhecem todos os que concorrem pelo lugar mais alto do pódium, que não será boa política guardar tudo para o fim.

Porquê não atacar mais cedo? O Benfica tentou logo na primeira etapa, a caminho de Beja, mas depois do fosso cavado, depois de Manuel Zeferino ter dito em directo, que já seria difícil anular aquele corte, as outras equipas interessadas ficaram à espera da Torre.

E depois desse dia? Mais alguém assumiu, na estrada, que a discussão não deveria ser deixada para o fim? Penso que não.

Agora não se queixem.

Além de gostar muito de ciclismo, o meu desporto preferido é o futebol. Por isso, provavelmente, vou utilizar, alguns jargões da modalidade.
Este fica bem a encerrar.
Quem só pensa no empate, geralmente perde.

sábado, agosto 18, 2007

805.ª etapa


OLHEM-SE AO ESPELHO
E TENHAM VERGONHA!...

Pouco mais de 24 horas após o final da Volta a Portugal, uma entidade que desconhecia de todo – calma aí!... não estou a dizer que não existiam, apenas que eu desconhecia! E eu não conheço tudo, nem a isso tenho pretensões – outra vez e sempre com o patrocínio da RTP, teve direito de antena para perorar contra o Ciclismo.

Neste caso, contra a Volta a Portugal.

Porquê?
Porque os visitantes daquilo que é um Parque Natural – à custa do qual uns maduros arrecadam algum dinheiro do orçamento do Estado – ficou com uns sacos de lixo por recolher?
Acusou-se a Câmara Municipal de Seia, que tem a jurisdição sobre aquele espaço?
Não.
Não senhor…

Mas a RTP, quando manda sair uma equipa de reportagem, sabe ou não sabe se está a fazer um “frete” a alguém?
Eu acho que sabe.
E se não sabe… devia saber.
E digo mais… se amanhã eu ligar para a agenda da RTP denunciando os meus vizinhos de não porem os sacos do lixo no contentor… a RTP vem aqui ao bairro fazer uma reportagem?

Aquela reportagem sobre os lixos deixados – dentro dos respectivos sacos de plástico – na Serra vale ZERO, uma vez que não tiveram a coragem de descer e perguntar ao responsável da Câmara de Seia porque é que não foram recolhidos.

O mau é que o que fica é sempre a última imagem...

É mais fácil acusar, ainda que através da Organização, o Ciclismo, no seu todo, do que marcar uma posição em relação a uma autarquia.

Mas o odioso do caso está – outra vez, caramba! Daqui a pouco sou eu que pareço um fundamentalista!!!! – no desonesto aproveitamento da situação por – mais um – grupo fundamentalista.
Mas aqui eu corto a direito:
GOSTAM TANTO DA SERRA DA ESTRELA…
TIVESSEM-SE ORGANIZADO PARA RETIRAR O LIXO!

Porque é que organização nenhuma veio ainda a queixar-se dos estacionamentos fora do sítio, do lixo, dos embriagados… à volta de um estádio de futebol?
De um dos famosos Festivais de Verão onde a Droga e o Alcool são reis?
Onde FICA MUITOOOOO MAIS LIXO do que na Torre?

Pois a verdade é que esta "organização" não só saiu do seu casulo como ainda teve o patrocínio da RTP numa situação em que se pretendeu penalizar... o Ciclismo!

Espero que os “amigos” dessa organização se desloquem sempre com umas garrafitas de água vazias para não mijarem no ambiente natural da serra...

804.ª etapa


AGORA, SENHORES INVESTIDORES,
FAÇAM AS CONTAS, OU PEÇAM A
QUEM AS SAIBA FAZER QUE AS FAÇA…

Oportuníssimo o trabalho hoje apresentado por O Jogo.
Oportuníssimo porque a memória dos homens é curta e porque é, a partir de agora, que os responsáveis pelas equipas têm que reiniciar a habitual via-sacra mendigando um apoio publicitário que lhes permita sobreviver.

Terá sido apenas coincidência – mas eu não acredito nisso – o facto de o trabalho ter sido feito por um homem que, embora há meia dúzia de anos – são mais, não são Carlos? – afastado da estrada continua a respirar ciclismo.

Nem sempre estivemos de acordo. Antes pelo contrário. Mas prevalecerá sempre o respeito mútuo que ambos cultivamos. E o que nos une é o Ciclismo.

Por falar em não estarmos sempre de acordo – e apesar de divergências não ultrapassadas – eu continuo a achar que o Carlos Flórido não é um fundamentalista. Pelas mesmíssimas razões que eu nunca o poderia ser.

Abomino os fundamentalistas. Todo e qualquer tipo de fundamentalista.

Desviando-me um pouco (ok, muitooooo…) do tema, chamo aqui a atenção para a acção criminosa de um grupo de auto-denominados ecologistas que, pura e simplesmente, ontem entraram em propriedade alheia e destruíram uma cultura de milho transgénico.
Onde alguém tinha investido – vamos lá saber quanto, e como, todo o seu dinheiro (provavelmente contraiu um empréstimo que agora não poderá pagar) – parte da sua vida e, porque um bando de fundamentalistas, com as televisões (o que dá sempre jeito) a aproveitarem a ocasião para lhes dar um protagonismo que não merecem, a tratarem-nos quase como heróis.
Na próxima vez que aquele homem conseguir ver mantida de pé a sua cultura, provavelmente vai balear alguém que só queria surripiar meia dúzia de espigas.

E acarretar com todas as culpas.

Voltemos ao Ciclismo.
Em Agosto, com ¾ da população de férias, ainda assim foi possível à empresa que auditora as audiências televisivas contabilizar, nos onze dias da Volta, uma média de 570 mil espectadores/etapa.

Não há mais nada para ver na televisão?
Mentira!
Aliás… as etapas decorriam à hora de se estar na praia.

Estes 570 mil espectadores estavam em frente da televisão por opção.
Quanto vale este número em termos de publicidade?

Não vou falar de shares, que isso apenas serve às estações para venderem espaços. Refiro-me a VISIBILIDADE.
Percebem isto, senhores investidores?

Dou só um exemplo, porque depois da queda abrupta, em relação à etapa com chegada a Beja, a de Castelo Branco perdeu quase metade de espectadores, no dia da chegada a Gouveia quanto valeu, amigo António da Silva Campos, aquela meia hora em que o Paulo Barroso andou sozinho na frente?
E a atenção fixa nos últimos quilómetros da etapa, quando o André Cardoso chegou parecer que ia chegar sozinho?
Quanto valeu à Fercase-Rota dos Móveis?

Na verdade, e como bem escreve o Carlos Flórido, apesar de a RTP não ter encontrado maneira de fazer por no ar o avião-antena que nos teria dado as imagens dos principais protagonistas no crono final… quanto vale o facto de, entre os cerca de 90 canais de televisão à sua disposição – só falando no caso do serviço por cabo – 46,6% dos espectadores estarem sintonizados na RTP?
Quase um em cada dois portugueses.

A RTP cimentou a sua posição, o que lhe permitirá, em 2008 arriscar ainda um pouco mais. Mas… e os patrocinadores das equipas?
Têm, nas vossas empresas quem traduza isto em ganhos?

A Volta a Portugal – que seria obrigatoriamente, por Decreto-Lei, transmitida pela estação do Estado – proporcionou ganhos, eu diria… quase astronómicos, em termos de publicidade. Quatro ponto sete de aumento, no share – que significa o número de espectadores a ver um programa à mesma hora.

É evidente que não tenho nada contra a RTP.
Ok… terei, mas não é para aqui chamado…
A verdade é que a “obrigatoriedade” de a Volta ser transmitida em canal aberto está a proporcionar receitas bem gorduchas ao canal do Estado.

Mas o que mais me interessa é que, pelo menos quem lê o VeloLuso perceba que mais de metade das etapas da Volta a Portugal teve maior audiência que mais de metade dos jogos de futebol da SuperLiga.
Chega para perceberem quantos portugueses gostam mesmo de Ciclismo?
E não posso deixar de… deixar a mensagem para quem seja um pouco mais duro de cabeça: VALE A PENA APOSTAR NO CICLISMO.


Agora virão aí os de sempre com os mesmos argumentos de sempre.
Ou ficam calados e... contra a sua vontade avalizam a minha opinião.

803.ª etapa


OBRIGADO, GAIZKA LASA LARRAYA

“Se pusessem à prova a minha capacidade de síntese, com uma dessas perguntas que exigem a resposta numa só palavra, não teria dúvidas em como referir-me à Volta a Portugal: OBRIGADO.”

Esta é a primeira frase da crónica do corredor basco Gaizka Lasa (Karpin-Galícia) numa coluna de opinião que assina na última edição do semanário Meta2Mil.
E o “Obrigado” o título da mesma crónica.

(*) - “Aqui somos desportistas aplaudidos e respeitados, para não dizer adorados, como é o caso do Cândido Barbosa. Os olhares e os comentários fazem-nos crer que somos importantes, o que ultimamente não tem vindo a acontecer em muitos outros países.
Não sei se aqui (escrevo de Guimarães) não chegaram as notícias dos múltiplos casos obscuros que maculam a nossa reputação ou se a forma de estar dos portugueses ultrapassa os preconceitos e os leva a acreditar naquilo que, com sacrifício, fazemos. A verdade é que as pequenas aldeias, as pequenas cidades, lugares de dimensão ainda maior, saem em massa à estrada, às ruas, e as chegadas transforma-se num mar de gente, amante do Ciclismo, completamente entusiasmada. O barulho, nos últimos quilómetros, é ensurdecedor e a onda de populares que se junta logo a seguir à meta atrasa a nossa chegada ao autocarro da equipa.
Seria até ofensivo, que mais não fosse pelo respeito com que nos tratam, pensar outra coisa que não… é esta gente anónima que está a ajudar a salvarmos a modalidade. Que dá sentido ao que fazemos e ao esforço dos patrocinadores de uma modalidade que jamais morrerá se todas as corridas tivessem, fosse onde fosse, um apoio tão espectacular como o protagonizado pelos adeptos portugueses.
A verdade é que nós, corredores, só passamos… são eles quem faz a festa.
Obrigado.”

Este não é único manifesto pró-Portugal, na última edição do Meta2Mil.
Poder-me-ão responder que, atacados para além dos Pirinéus, os espanhóis estavam a namorar-nos. Não creio. Nem faria sentido.
Em relação ao interesse do Meta2Mil pelo que se passa em Portugal… é bom.
Quanto às palavras do Gaizka Lasa… retribuo: Obrigado.
É verdade! No fundo, gostamos mesmo de Ciclismo.

(*) – A tradução do castelhano é livre, da minha exclusiva responsabilidade.