domingo, setembro 09, 2007

859.ª etapa


SE TIVER QUE FAZER
UM "DESENHO"... EU FAÇO!

A propósito da Etapa 856 (mesmo considerando que às vezes eu pareço um elefante numa loja de porcelanas)...

É - pelo menos para mim - evidente que não mora ali nenhuma espécie de crítica ao jornal.

A não ser que baixemos o tema da conversa ao nível de lacunas, em termos de conhecimentos, por parte dos seus editores.
Nem sequer é um ataque cego a quem assina a peça.

Não tem nada a ver com a assinatura!

Fosse o artigo assinado, fosse por quem fosse, e contendo os mesmos erros, eu teria feito exactamente a mesma coisa.

Como, aliás, farei na próxima edição se voltar a encontrar erros graves, como aqueles que sublinhei.

No que respeita a orientações editoriais - e em relação a isso só me tenho pronunciado em relação a um jornal, porque eu "devia" lá estar e dói-me muito não estar e se estivesse, pelo menos faria ouvir a minha voz porque ganhei o direito a isso - não me pronuncio.

Jamais diria que uma pergunta foi mal feita. Quando muito, que faltou uma ou outra pergunta...

Mas numa secção que se quer de História, e porque me sinto com autoridade para isso, aponto os erros sim!
Mas, repito, fá-lo-ia sempre.
Fosse qual fosse o nome que aparece como autor da mesma.

Não inventei os erros de facto.
(Disso sou ilibado, não sou?!...)
Provei-os.
E corrigi-os.

Não é má vontade contra ninguém!

(Nunca mais abusarei de um espaço público sobre o qual tenho total controlo para tentar atingir terceiros...
Porque já aconteceu e ainda hoje me arrependo disso!... Mesmo que não me acreditem!...)

858.ª etapa


MAS... DE QUEM TERÁ SIDO A IDEIA?!!!

De quem terá sido a ideia peregrina de fazer disputar um contra-relógio - falo da Vuelta, é bom de ver - numa... auto-estrada?

Foi para entrar no Guinnes Book? Foi para marcar alguma diferença, em relação à qualidade do piso que ofereceram aos corredores?
Foi porquê?

Cinquenta - ou quase isso - quilómetros num vazio constrangedor. Nunca antes, sem dúvida, um corredor se terá sentido tão só numa estrada, apesar dos quatro (!!!, porquê, se não havia tânsito) batedores que acompanharam, pelo menos os Corredores que eu vi. Mais o carro de apoio.

Nem uma pessoa, nem uma bandeirinha, nem um grito de incitamento... apenas a fita negra do asfalto, o vento que tradicionalmente sopra naquela "baixa" de Saragoça e o muito calor.
E os Corredores, um a um, sozinhos...
Alguns hão-de ter achado terrífico!

Mas... e as pessoas?
O público? As gentes que amam o Ciclismo e que quereriam estar na berma da estrada a aplaudir... fosse quem fosse?

Passem as diferenças óbvias e pareceu-me um daqueles jogos de futebol jogados à porta fechada.

Ciclismo sem povo não é Ciclismo.
Sinceramente, não compreendi - e fui absolutamente surpreendido por ela - esta escolha da organização.
Caramba!, ao menos que tivessem aberto a auto-estrada ao público!

Um contra-relógio é sempre uma etapa que não "encaixa" na festa do ciclismo porque os corredores passam um-a-um. No ponto escolhido por cada espectador para se posicionar, mesmo que e informação, nomeadamente das rádios, se supere, é sempre um espectáculo sem... cenário.
Ok... passou um corredor.
Quem seria?
Vai bem ou vai mal?
É um candidato ou não?
Quem seria?

Vêem-se todos os corredores - para quem conseguir ficar ali plantado quatro horas - mas... ok, numa etapa "normal" passa o pelotão e não se consegue identificar ninguém.
Nos cronos, se se estiver minimamente preparado, nem que seja com a página de um jornal onde esteja a classificação completa e sabendo que passam do último para o primeiro, pode-se saber quem vem lá... ou quem foi o que passou.
O resto é a festa que o povo faz sempre que se junta para assistir a uma corrida de Ciclismo.

Agora... fazer a etapa numa auto-estrada?
Nua de público, vazia de alma...
Não lembraria ao diabo.
Mas aconteceu hoje (ontem) em Saragoça.

Eu não tenho dúvidas em aqui o escrever: é para não repetir.
A não ser, claro, que abram a auto-estrada ao público, mesmo que de forma condicionada ao espaço para que se estacione nas bermas.

Foi a etapa mais fria e sem graça a que já pude assistir.

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Entretanto - não vale a pena abrir outro tópico para isto - à equipa da EuroSport (o Paulo Martins e o Luís Pissarra) deixo uma pequena indicação.
Os Regulamentos do Ciclismo prevêem penalizações para quem recorra ao doping ou à - perfeitamente definida, nos mesmos Regulamentos - práctica de métodos proíbidos.

É CLARO que as transfusões sanguíneas não são DOPING!
Mas enquadram-se na figura das PRÁCTICAS PROÍBIDAS.

E tornam-se patéticas as tentativas de "explicar" porque é que as transfusões serão... consideradas doping.
Principalmente porque não havia necessidade de passar por isso. Se era uma pergunta recebida por e-mail... e se nenhum dos dois sabia explicar... ignoravam-a.
Amanhã (hoje) se calhar já saberiam responder se consultassem os regulamentos.

Um Corredor que em Maio retire sangue, num momento em que este está enrequecido ao máximo, se voltar a injecta-lo em Setembro quando não tem mais pernas para andar... não anda!
É o único ponto de contacto com o recurso a substâncias - em contraponto a prácticas - proíbidas. Se não houver pernas...

sábado, setembro 08, 2007

857.ª etapa


VOLTA A FRANÇA DO FUTURO

Está a disputar-se, com a presença da Selecção Nacional de Sub-23, a 44.ª edição da Volta à França do Futuro, tendo hoje decorrido a 3.ª etapa. Na geral individual, José Mendes é o português melhor classificado.

Porque não me foi possível – problemas com o e-mail – ir colocando aqui a classificação dia-a-dia… vão todas hoje.
Assim, tivemos:

1.ª etapa
Belle-Île-en-Mer (148,5 km)
1.º, Stephan Poulhies (França A), 3.40.02 horas
2.º, Aleksey Kunshin (Rússia), a 9 s
3.º, Steven Knijswijk (Holanda), m.t.
17.º, Nélson Rocha (Portugal), a 1.13 m
18.º, José Mendes (Portugal), m.t.
71.º, Rui Costa (Portugal), m.t.
72.º, Vítor Rodrigues (Portugal), m.t.
118.º, Cláudio Apolo (Portugal), a 13.48 m

2.ª etapa
Quiberon-St. Jean-La-Poterie (164,5 km)
1.º, Dario Cataldo (Itália), 4.05.47 horas
2.º, Koren Kristjan (Eslovénia), a 4 s
3.º, Ivan Rovny (Rússia), m.t.
14.º, José Mendes (Portugal), a 11 s
19.º, Nélson Rocha Portugal), a 14 s
34.º, Vítor Rodrigues (Portugal), m.t.
60.º, Rui Costa (Portugal), a 31 s
81.º, Cláudio Apolo, a 48 s


3.ª etapa
Pripriac – Cholet (138 km)
1.º, Kristof Vaudewalle (Bélgica), 3.04.50 horas
2.º, Bauke Mollema (Holanda), m.t
3.º, Andre Steensen (Dinamarca), a 2 s
56.º, Rui Costa (Portugal), a 6.37 m
64.º, Vítor Rodrigues (Portugal), m.t.
68.º, José Mendes (Portugal), m.t.
79.º, Nélson Rocha (Portugal), m.t.
94.º, Cláudio Apolo (Portugal), a 6.48 m


Geral Individual
1.º, Bauke Mollema (Holanda), 10.51.50 horas
2.º, Tom Leezer (Holanda), a 2 s
3.º, Kristof Vaudewalle (Bélgica), a 3 s
29.º, José Mendes (Portugal), a 6.50 m
36.º, Nélson Rocha (Portugal), a 6.53 m
41.º, Vítor Rodrigues (Portugal), m.t.
55.º, Rui Costa (Portugal), a 7.10 m
113.º, Cláudio Apolo (Portugal), a 20.13 m

Nota

PELA SEGURANÇA DOS CICLISTAS NA ESTRADA
(INCLUINDO TODOS OS CORREDORES)

O Ricardo Silva, um leitor do VeloLuso, enviou-me uma mensagem na qual me falou de uma petição actualmente a circular para juntar assinaturas suficientes para que se peça a revisão do Código da Estrada no que concerne aos direitos mas, sobretudo, à segurança de quem usa a bicicleta como meio de transporte mas não só.

Li e já assinei.

A pensar nos utilizadores de bicicletas, em geral, mas muito particularmente nas largas dezenas (centenas, contando com os mais jovens) praticantes de Ciclismo que não têm outro palco de treino que não seja a estrada, usada por todos.

Oiçam a consciência e, se acharem que é a melhor maneira de ajudar, permitam-me que apele à vossa participação. Já há mais de 2200 assinaturas (a minha é a 2218).

Subscrevam aqui.

856.ª etapa


A ABISSAL DIFERENÇA
ENTRE HISTÓRIA E… ESTÓRIAS

Já há 15 dias que aqui tinha deixado um alerta aos editores do nóvel projecto que se chama Jornal Ciclismo acerca disto.

Jornalismo é, por definição, o reportar dos acontecimentos, se não diários (a etimologia “jorna” significa, exactamente, o trabalho de um dia), pelo menos actuais. Por isso há jornais… diários, semanários, mensais… e por aí adiante. Se bem que, a partir do mensal, o termo “jornal” já seja um tanto ou quanto forçado.

Depois, cada jornal é livre de ter as suas secções.
E se for um jornal dedicado especificamente a um único tema até pode ter a sua secção de História. Mas aqui é preciso pesar as diferenças entre História e histórias que, nos últimos anos e adaptando um termo do português que se usa no Brasil, se aceitou, sem grandes pruridos, grafar como estória.

Históriasão factos reais!
Estórias (ou histórias, grafada em caixa baixa) são acontecimentos acessórios, nem sempre confirmados, ou confirmáveis, mas que, pelo pitoresco que em si encerram, ajudam a colorir a História.

Não são – antes pelo contrário – efabulações. Aceitemo-las como… complementos à História. Até porque terão acontecido, embora sem força suficiente para fazerem parte da… História.

Tudo isto a propósito da bem intencionada ideia de no Jornal Ciclismo se recordar a História do maior Corredor português de todos os tempos.
Joaquim Agostinho.

Para além dos dados – em termos de números – que se podem consultar, à cautela, em qualquer hemeroteca, porque as transcrições para a Internet não são completamente fiáveis, já existe uma bibliografia não desprezível em torno da figura de Joaquim Agostinho.

Se, até aqui, o meu discurso nada mais tem do que retórico, passemos à prática.

Os anos áureos de Joaquim Agostinho aconteceram há três décadas atrás, o que significa que a maioria dos potenciais leitores do Jornal Ciclismo não os viveram. Resta-lhes, pois, a História. Grafada em caixa alta. Factos.

Por isso, e porque me preocupo, de verdade, com a História do Ciclismo português, não quero, nem posso, deixar passar em claro erros crassos na estória que este novo jornal está a contar tendo como “protagonista” o Joaquim Agostinho. Ou então, assumam-no como um exercício que não passa disso. Embora corra, o jornal, o risco de poder – erradamente – ficar como mais uma peça de consulta Histórica. É que são tantos os erros que corremos o risco de a actual geração de leitores ficar com uma ideia deturpada da História. Não quanto ao essencial, que esse estará lá, mas na História não há acessório. E havendo erros crassos, está-se a reescrever erradamente a História.

E já passo por cima de estilos de escrita que induzem em erros de facto.
Um exemplo colhido ao acaso: “… não faz sentido que um corredor como o Agostinho necessitasse de tomar drogas [sic] para ganhar ao pelotão chamado nacional.”

Confundir, e levar terceiros a aceitar como comparáveis, DROGA e doping é um erro que nos dias de hoje é de palmatória. Há 30 anos talvez. Mas hoje toda a gente sabe o que é DROGA e o que é doping. E a passagem não faz sentido. Terá sido copiada de algum texto de há 30 anos? Podia ser uma explicação…

Depois há os erros históricos. Dados que estão registados, que uma imensa maioria conhece mas que, quem só agora toma deles conhecimento é ENGANADO.

“Em 1971, como muitos se recordam, conseguiu 15 minutos de vantagem na etapa de Abrantes para a Figueira da Foz…”

Ninguém SE PODE recordar disso porque, simplesmente… NÃO ACONTECEU!
Mas quem não sabe que NÃO ACONTECEU e só o leu agora, vai ficar a pensar que está na posse de um dado histórico.

Foi um erro de simpatia. Daqueles que cometemos por ter escrito tantas vezes que até nós não descortinamos. Não interessa. É UM ERRO.

Em 1971 não houve nenhuma etapa a ligar Abrantes à Figueira da Foz.

Essa fuga histórica aconteceu sim senhor. Mas noutra data. Só que quando falamos de História, não é o mesmo dizer que a Revolução que implantou a República em Portugal aconteceu em 1910 ou em 1912.

Mais alguns erros.
Infelizmente há muitos.

É claro que quem sabe o mínimo sobre o Ciclismo Português há uma coisa que não pode ignorar. Aliás… aliás, a pessoa ainda está viva e, espero eu, de muito boa saúde – e aproveito para lhe mandar um grande abraçoo ÚNICO técnico português que dirigiu uma equipa… teria que ser portuguesa, dadas as circunstâncias, no Tour foi o Mestre Emídio Pinto, à frente do Sporting-Raposeira, em 1984.

Em 1975, o misto franco-português que correu o Tour sob as cores do Sporting-Sotto Mayor-Lejeune tinha como técnico o francês Raphaël Geminiani.

Em 1978, quando Joaquim Agostinho ficou pela primeira vez no pódio do Tour (3.º classificado, lugar que repetiria no ano seguinte) corria, de facto, na belga Flandria, mas Freddy Maertens era seu companheiro de equipa, foi 13.º classificado, na geral final, ganhou duas etapas e conquistou a camisola verde, o que aliás já tinha feito em 1976 (8.º na geral e oito etapas) e viria a repetir em 1981 (66.º na geral e seis etapas).
O técnico da equipa era o desde sempre “protector” de Agostinho, o francês Jean De Gribaldy.

(Não calculam o quão são proveitosas, para além de absorventes, as conversas de fim de tarde com o Francisco Araújo, meu vizinho, aqui, com casa a cerca de 500 metros da minha.)

Agora, os meus caros amigos editores do Jornal Ciclismo – que não ligaram à minha primeira advertência, há 15 dias – decidirão.

Ou mantêm o título da rubrica – FIGURAS COM HISTÓRIA – e acrescentam uma página, no final, com a correcção das imprecisões… ou mudam o título para… sei lá!... Estórias sobre o Joaquim Agostinho.

Não fechem é os olhos deixando quem pouco sabe da História do Ciclismo português pensar que estão a aprender alguma coisa.
Seria um péssimo serviço que estariam a prestar à modalidade.

De resto, excelente a entrevista ao Manel Zeferino.
Aquilo que os desportivos se esqueceram de fazer…


Notas: a imagem.1 é do livro História da Volta, de Guita Júnior;
e a imagem.2 do livro Joaquim Agostinho, Uma Lenda do Centenário,
uma edição de A BOLA com textos de António Simões.

sexta-feira, setembro 07, 2007

855.ª etapa


QUAL É, QUAL É!...

Qual é a equipa, Profissonal Continental - que pode fazer a maioria das corridas do calendário europeu, em Espanha - que este ano só ganhou três etapas (todas de montanha) e procura assinar com um corredor que lhes garanta um pouco mais de protagonismo?

E que tem praticamente garantida a presença na Volta a Portugal - onde este ano ganhou duas etapas... para nada - da qual fará, na próxima temporada, uma das suas prioridades?

Até porque a chamada Comunidade do Eixo-Atlântico, pode levar a Volta a Portugal até... um pouco acima do Rio Minho?

Esperemos... candidamente por uma resposta.

854.ª etapa


AI SE TIVESSE SIDO EM PORTUGAL!...

Ainda só pude ver quatro etapas da Vuelta.

Entre idas ao Hospital e feitura de exames... consegui ver a chegada aos Lagos de Covadonga e mais três etpas em que o sprint foi discutido por... uma dúzia de corredores. Porque o pelotão ficou SEMPRE, nas outras três, lá atrás... numa queda colectiva.

A pergunta que deixo no ar é apenas esta, tão simples quanto coerente:
E se uma coisa destas acontecesse na Volta a Portugal?
Sim.
Na Volta!...

Teriam chovido picaretas em brasa e ter-se-ia arrasado a Organização a um nível abaixo do Zero.

Já alguém leu alguma critica à organização da Vuelta e a este propósito?
Eu não li...

853.ª etapa


ESTÁ A SER MEDÍOCRE A COBERTURA DA VUELTA

Está a ser medíocre a cobertura que os OCS desportivos portugueses estão a dar à Vuelta. Que, insisto, para mim – o Giro é uma prova sobretudo doméstica, aberta às equipas ProTour –, é a segunda mais importante corrida por etapas do calendário mundial.
Já li que esta edição da corrida espanhola terá sido mal traçada.
Claro que não.

No meio – ou antevendo isso mesmo, porque o traçado há quase um ano que está definido – de tanto rebuliço que se adivinhava no seio da família ciclista, a Unipublic traçou uma Vuelta que, se as coisas tivessem corrido sempre dentro do que é possível prever à distância, por esta altura e ao fim de sete etapas poderíamos já ter um terço das equipas participantes satisfeitas porque poderiam muito bem ter acontecido vitórias de cinco ou seis equipas.

É um dos segredos que qualquer organização procura preservar.
Estamos a falar de projectos que, para além de desportivos são comerciais.
Os espanhóis – já referi que o Giro fica, definitivamente de parte – estudam, em termos desportivos, um percurso que possibilite a um espanhol vir a ser consagrado como vencedor. Mas não descuram a parte comercial – ou simplesmente de impacto (logo… publicidade) – que prenda às televisões o número suficiente de espectadores que justifique respostas positivas às sempre crescentes necessidades financeiras.

E, ao contrário do que possam estar a pensar, as três vitórias de Oscar Freire, potenciando o amor-próprio dos adeptos espanhóis penalizaram a organização.

Que preferiria ter tido italianos e belgas e franceses e, fosse quem fosse, a ser o alvo dos holofotes da CS. Porque isso iria aumentar o número de páginas que nesses países os jornais dedicam à Vuelta.
Está tudo a correr mal.

Mas não é só a organização da Vuelta que, por esta altura, estará a fazer as primeiras contas à vida.

O Ciclismo precisava – depois do que voltou a acontecer no Tour (principalmente… depois do Tour) – que uma fada boa usasse da sua varinha mágica e amparasse a sua (do Ciclismo) inexorável perda de credibilidade junto às massas.
Porque esta está a acontecer.

Mas, ao jornalismo desportivo (e não é só em Portugal) e como muito bem observou o Carlos Flórido num outro espaço na net dedicado ao Ciclismo, está já a faltar – e sem grandes esperanças de que se possa vir a inverter a situação – quem (e falo de Jornalistas) consiga, primeiro, junto das hierarquias de chefia, até às administrações, consiga “justificar” a importância de uma cobertura muito mais séria dos principais eventos.

Não vale a pena olhar para trás e relembrar nomes que tinham um peso específico que jamais foi questionado.

A BOLA foi pioneira na cobertura das chamadas corridas menores – todas, que não a Volta – graças à paixão de Homero Serpa. E havia o Zé Neves de Sousa, e o Guita (este, felizmente ainda vivo)...

As novas gerações – onde eu me insiro – não mais foram capazes de fazer a agenda.

É verdade que muita coisa – quase tudo – mudou.
A começar pela mais do que evidente falta de sensibilidade dos jovens lobos que, entretanto, assumiram posições de chefia.

Como explicar-lhes que a cobertura de uma prova de Ciclismo, porque corre estradas ao longo de várias regiões é argumento mais do que suficiente para convencer quem está imediatamente acima, para que estes tentem convencer os que estão mais acima ainda… até à administração dos jornais, que se o jornal A, B ou C… só vendem 20 exemplares/dia em Alenquer… é óbvio que fazer uma cobertura séria do Grande Prémio PAD/Vinhos da Estremadura, que aí vem, quintuplicará o número de vendas naquela região?

Eu sei como é!
É por o pescoço na guilhotina e garantir – contra a perda do próprio pescoço – que de 20 jornais vendidos em Alenquer, naqueles quatro dias passam a vender-se 100.
Não sei é se quem granjeou a confiança suficiente para mandar no jornal é capaz de arriscar, não o pescoço – que era apenas uma imagem – mas a conveniente (em proveito próprio) situação de chefe!

Arriscar é… arriscado!

E só arrisca quem tem, de facto, convicções próprias.
E depois é preciso que o trabalho final justifique o "empenhamento" - no sentido de empenhar a palavra - junto da administração.
Isso fá-lo-ia qualquer profissional que ponha acima de tudo os interesses do jornal.

Aliás, não se pode pedir ao Jornal que invista se os resultados depois são nulos.
Iguaizinhos aos outros que, sem despesas... fazem crónicas iguais.
Toda a minha teoria iria por água abaixo.

Aliás, este ano foi, na última década, aquele em que a cobertura da Volta a Portugal foi a mais fraca de todas.
E se é a Volta que serve como bitola

Mas voltemos à… Vuelta, que, afinal, é o mote para este artigo.
Como é que A BOLA embarcou numa situação de mandar um enviado-especial?
Claramente por falta de conhecimentos de quem administra as Modalidades.
Ou por subserviência em relação a influências geridas fora da sua alçada.
Há prioridades e estas têm de ser definidas.
Ir ao Tour com o Zé Azevedo – ou à Vuelta, com o Zé Azevedo – era uma coisa.
Ir com o Sérgio Paulinho, à espera que uma qualquer estrelinha do céu resolvesse iluminá-lo… é coisa que só encaixa em duas possibilidades: a ignorância total do que é o Ciclismo, por um lado; ou o oportunismo de quem tem a lata de vender gato por lebre, por outro.
Em relação ao Jornal, a emenda foi pior que o soneto.
Aposta alta – com enviado-especial e tudo – e nada para contar só pode ter uma saída lógica: reduzir a segunda maior corrida por etapas do calendário internacional a… quase nada.
Mas quem é que defende que a Vuelta MERECE - pelo menos - MEIA PÁGINA?

quinta-feira, setembro 06, 2007

852.ª etapa


MAIS DÚVIDAS

No Dia.3 do affaire Cândido Barbosa, lidos os desportivos avolumam-se-me as dúvidas.

(Estou numa posição de mero observador, à distância. Não mantenho contactos. Não falei com ninguém. Não tive acesso ao comunicado da Liberty Seguros nem – li que iria ser distribuído um – a qualquer que tenha saído assinado pelo Cândido. Só sei o que leio nos jornais. E tudo o resto que aprendi ao longo de 16 anos…)

Já apresentei aqui uma série de dúvidas, mas a verdade é que nenhuma delas parece fácil de esclarecer.

Contudo, hoje salta uma afirmação clara do Cândido. Procura uma equipa que lhe garanta uma posição privilegiada para voltar a atacar a vitória na Volta a Portugal. E o Cândido já merecia ter ganho a principal corrida do nosso calendário. Mas…

O Benfica não tem já um candidato à vitória na Volta? Não foi em seu torno que a equipa foi formada? Onde encaixa o Cândido? Rival directo e interno do Zé Azevedo? É que nem dá para construir uma equipa que sirva os dois e depois deixar ver quem está melhor… Têm características totalmente diferentes.

Para levar o Zé à vitória na Volta o Benfica terá que prescindir de outros objectivos – nesta corrida –, nomeadamente, prescindir do(s) sprinter(s) que tiver no grupo de trabalho e levar uma meia equipa (quatro corredores) para assumir as despesas do controlo das etapas e outros quatro explosivos na montanha, para fazer, em relação ao Zé, o que a US Postal/Discovery Channel - com o próprio Zé - fazia para Armstrong.

Em relação ao Cândido – e eu sou o primeiro a reconhecer que há corredores que evoluem de uma especialidade para outra, ou melhor, para um estatuto de corredor completo (e terei sido dos primeiros a compará-lo com Laurent Jalabert, que começou por ser apenas sprinter e terminou a carreira como candidato ao triunfo nas maiores corridas) –, ele evoluiu, muito, como se vê de ano para ano e aos 33 anos está longe de estar acabado. Não pensem nisso. Mas a tal evolução nas características, como o próprio termo evolução define, é algo de… progressivo.

E a verdade é que nestes últimos três anos – aqueles em que o Cândido foi mesmo candidato –, tendo perdido peso (logo, massa muscular) de forma a estar melhor na alta montanha, não deixou de se manter sempre na luta pelo triunfo na Volta graças… às bonificações com vitórias em etapas levadas a ser discutidas ao sprint.

Então a sua equipa precisaria de ter mais três homens (o que é impossível).
Os mesmo quatro para controlarem a corrida – lembram-se do João Silva, Gonçalo Amorim, Paulo Barroso e, por exemplo, porque o quarto homem variou muito, Victoriano Fernandez na mais forte das equipas nacionais da última década? -, os tais quatro para o levarem na montanha e ainda três lançadores! É impossível, claro.
E alguma das opções seria fragilizada.

Pôr o Zé a trabalhar para o Cândido?
Se o Zé Azevedo já tivesse ganho duas ou três voltas a Portugal… se bem o conheço era homem para isso. Mas o grande objectivo do vilacondense é EXACTAMENTE o mesmo.

O Benfica formaria duas equipas – é necessário que o faça –, cumpria o seu compromisso para com o Zé, na Volta, e jogava com o Cândido – como finalizador – nas corridas no estrangeiro?
São as tais minhas dúvidas.

Ontem lemos que o principal patrocinador da Maia vê com bons olhos a possível contratação do Cândido. O problema é que o Manel Zeferino está habituado a ser ele a escolher o seu ponta-de-lança. E os resultados conseguidos falam por ele. E o Cândido encaixa naquele puzzle bem montado por Zeferino, ano após ano, mesmo nos anos em que não ganhou a Volta. Sem ter, contudo, deixar de ter sido uma equipa vencedora?

Hoje, e em palavras atribuídas ao próprio Cândido, junta-se a DUJA-Tavira como hipótese. Creio que o David Blanco tem ainda mais um ano de contrato. Assim repete-se a situação que se viveria no Benfica.

Há várias equipas, por esse pelotão mundial fora, com mais do que um chefe-de-fila mas, das duas, uma: ou falamos das ProTour, que são obrigadas a desdobrarem-se num calendário exageradamente longo e diverso e os líderes são, um para as grandes voltas, outro para as provas de um dia, ou corridas de uma semana; ou então os dois chefes-de-fila têm características semelhantes e os seus técnicos jogarão com o que a própria corrida ditar.

Há-de haver um dia em que um deles se destaca e o outro passa a ser apenas o seu escudeiro de luxo. Nada que implique grandes alterações nos métodos de trabalho, durante todo o ano, muito menos a inventar soluções alternativas em plena corrida.

Uma coisa é certa, lendo nas entrelinhas tudo o que o Cândido diz, a mim parece-me que ele já sabe qual é o seu futuro e, não sei porquê – não tenho pretensões nem dotes de vidente – creio que não será nenhum destes que ele próprio vem a alimentar.

851.ª etapa


ROBERTO HERAS

Ontem lemos (pelo menos eu li no TodoCiclismo) que o Roberto Heras, cumpridos os dois anos de castigo, está pronto para regressar ao pelotão. Não sei se quiseram ser mauzinhos, escolheram logo dois destinos para o corredor de Béjar: a Relax e a Fuerteventura. Pois! As, depreciativamente cognominadas como asilo dos ex-condenados.

Hoje já li num dos desportivos que ele “foi oferecido” ao Benfica. Curiosamente, a foto que ilustra o artigo é de Alessandro Petacchi que, esse sim, daria jeito aos encarnados. E o Heras não dava jeito? Se se manteve em actividade, se se apresentar ao seu nível de sempre, é um corredor que interessa a muitas equipas.

E essa coisa de ter sido condenado, francamente, não me canso de dizer que o homem – tal como outros – se errou, já cumpriu a sua dívida para com a sociedade. Porque é que terá que ser o Ciclismo a querer-se superior à própria Sociedade?


Se nesta, quando um homem é apanhado em falso, é obrigado a cumprir uma pena, a cumpre e volta com os mesmíssimos direitos de qualquer outro cidadão (ainda por cima, o crime do doping não é exactamente comparável a um homicídio), porque é que a primeira tendência, no Ciclismo, é a de manter à margem quem, uma vez, infringiu os regulamentos?

E pagou por isso?

Claro que no cadastro de Heras – como no de todos os outros que cumpriram castigo – constará para sempre essa infracção às leis, mas tem todo o direito a refazer a sua carreira. Como qualquer cidadão tem o direito de refazer a sua vida.

Não se esqueçam disso. Por favor.

quarta-feira, setembro 05, 2007

850.ª etapa


RANKING's NACIONAIS APÓS A VOLTA

No final do mês de Agosto,
os rankings nacinaias
ficaram assim ordenados:

1.º, Cândido Barbosa (Liberty Seguros), 247 pontos
2.º, Xavier Tondo (LA-MSS- Maia), 219
3.º, Hector Guerra (Liberty Seguros), 199
4.º, David Blanco (DUJA-Tavira), 176
5.º, Tiago Machado (Riberalves-Boavista), 162
6.º, Pedro Cardoso (LA-MSS-Maia), 144
7.º, Bruno Neves (LA-MSS-Maia), 143
8.º, José Azevedo (Benfica), 136
9.º. Manuel Cardoso (Riberalves-Boavista), 118
10.º, Javier Benitez (Benfica), 106
11.º, Martin Garrido (DUJA-Tavira), 94
12.º, José Rodrigues (Vitória-ASC), 86
13.º, André Vital (Madeinox-Bric-Loulé), 82
14.º, Bruno Pires (LA-MSS-Maia), 74
15.º, Hélder Oliveira (Madeinox-Bric-Loulé), 73
16.º, César Quitério (Liberty Seguros), 65
17.º, Pedro Soeiro (Barbot-Halcon), 63
18.º, Danail Petrov (Benfica), 62~
19.º, Jacek Morajko (Riberalves-Boavista), 62
20.º, Fran. José Pacheco (Barbot-Halcon), 62

Em termos da classificação colectiva, não houve alteração no comando e está assim ordenada:


1.ª. Liberty Seguros, 598 pontos
2.ª, LA-MSS-Maia, 487
3.ª, Riberalves-Boavista, 379
4.ª, Madeinox-Bric-Loulé, 273
5.ª, Benfica, 232
6.ª, DUJA-Tavira, 224
7.ª, Fercase-Rota dos Móveis, 180
8.ª, Vitória-ASC, 170
9.ª, Barbot Halcon, 146

849.ª etapa


DÚVIDAS, DÚVIDAS... AINDA MAIS DÚVIDAS...

E não será que aquilo que escrevi no final da Volta a Portugal venha a acabar por ser a saída mais... natural?

Quando eu falei do Cândido vestido de laranja... - até porque sei da ambição das pessoas que lideram o projecto -, mas... imaginem essa equipa de azul às bolinhas....

Um investimento de 250 mil euros seria o suficiente.

Eu nem sequer hesitava...

Mas isso sou eu a adivinhar... o que alguns outros iluminados se esfalfam por tentar adiar.

Se já ganharam uma Volta ao Algarve... com mais meia dúzia de tostões são, pelo menos... candidatos à vitória na Volta a Portugal.

Não se esqueçam que fui o primeiro a pôr a hipótese.

Mas também estou a atirar no escuro... e não terei problemas em voltar ao assunto assumindo que estava errado.

Mas se estiver certo... vão ter que me aturar.
Isso vão...

848.ª etapa


DÚVIDAS - 6

Mero exercício académico - que por sua vez desmonta outros exercícios académidos - o que li noutro desportivo, acerca do futuro do Cândido Barbosa.

Há equipas estrangeiras interessadas no Corredor de Rebordosa? Aos 33 anos? Mas quem? Espanholas, onde o mercado é excedentário? A Barloworld - é a sucursal portuguesa da marca que paga ao Hugo Sabido!, não sabiam, pois não? - já tem os seus finalizadores... Quem sobra?

E há outros factores a ter em conta. Desde que deixou a ibanesto.com, em 2001 - ainda assim, em quatro anos em Espanha, o Cândido somou nove vitórias (oito delas em corridas disputadas em Portugal) -, ele só voltou a apresentar-se numa prova fora das nossas fronteira este ano.
Na Volta a Rioja.

O estrangeiro tinha sido riscado das suas prioridades. Toda a gente sabe disso no pelotão.
Era agora? Aos 33 anos que se dispunha a reeditar a tal experiência além fronteiras? Não acredito.

847.ª etapa


DÚVIDAS - 5

Se não estava em condições físicas, porque é que o Sérgio Paulinho foi convocado e alinhou em Vigo nesta edição da Vuelta?
Anunciado o fim da equipa... terá havido quem já não quis correr mais?
Que preferiu antes tratar da sua vida?
E houve quem, não estando em condiõçes, aceitou correr sabendo que não duraria uma semana?

846.ª etapa


DÚVIDAS - 4

Ultrapassado pelos demais, outro jornal desportivo achou por bem não se ficar pelo destino-Benfica - no caso-Cândido - e dá-nos palavras de um dos patrocinadores de uma outra equipa.

Ou eu não conheço o Cândido, ou não conheço o director-desportivo dessa... alternativa!
Mas alguma coisa não encaixa.

Procurem no histórico VeloLuso, logo, logo a seguir à Volta a Portugal...

845.ª etapa


DÚVIDAS - 3

O que procura a Riberalves?
Não creio que a marca se possa queixar do Ciclismo.

O facto de, nos dois primeiros anos, ter tido uma das grandes figuras do Ciclismo nacional como técnico, valeu-lhe uma exposição pública muito acima daquilo que a maioria das marcas no pelotão. Onde deixou de ter concorrência directa - no seu nicho de mercado - com a saída da Pascoal;

ter mudado de equipa, sem razão que se perceba, voltou a dar-lhe espaço extra na CS;

este ano teve "apenas" o maior número de vitórias individuais com um único Corredor, o que exponencia a força dos noticiários...
... agora abandona o Boavista!

O que procura a Riberalves?
(Para além daquilo que vem em todos os livros: falem de mim...)

844.ª etapa


DÚVIDAS - 2

... quando, e depois de já ter sabido que o Cândido Barbosa não renovaria pela Liberty Seguros, a equipa se apressa a pôr na rua um comunicado a anunciar isso mesmo.
Parece que cada um vai querer reinvidicar a iniciativa da ruptura.
E a forma como logo o Cândido foi "colocado" no Benfica!?...

843.ª etapa


DÚVIDAS - 1

... quando leio, num dos desportivos e em vésperas da subida aos Lagos de Covadonga, para se ter em atenção a prestação de Eládio Jumenez (Karpin-Galícia) porque o homem brilhou nas últimas três chegadas em alto, em Portugal.
Olho para a lista de inscritos e... o Jimenez estará em parte incerta, a gozar merececidas férias.
Na lista de participante na Vuelta não consta!

Porquê então o... Atenção a Jimenez?

Desistência e transferência


Duas notícias do dia de hoje.
A possível transferência de Cândido Barbosa para o Benfica e a desistência de Sérgio Paulinho na Vuelta.
Ambas sem grande surpresa.
Paulinho começou lesionado, talvez nem deve-se ter iniciado a prova.
Barbosa, era quase certo que não ficaria na Liberty e o Benfica, talvez, seja uma boa aposta.

terça-feira, setembro 04, 2007

842.ª etapa


PELA SEGURANÇA DOS CICLISTAS NA ESTRADA
(INCLUINDO TODOS OS CORREDORES)

O Ricardo Silva, um leitor do VeloLuso, enviou-me uma mensagem na qual me falou de uma petição actualmente a circular para juntar assinaturas suficientes para que se peça a revisão do Código da Estrada no que concerne aos direitos mas, sobretudo, à segurança de quem usa a bicicleta como meio de transporte mas não só.

Li – abaixo transcrevo a abertura da petição – e já assinei.

A pensar nos utilizadores de bicicletas, em geral, mas muito particularmente nas largas dezenas (centenas, contando com os mais jovens) praticantes de Ciclismo que não têm outro palco de treino que não seja a estrada, usada por todos.

E lembrando-me dos inúmeros acidentes que já vitimaram, mais ou menos com gravidade, muitos Corredores que, afinal de contas, no TODO do seu trabalho – que é o de profissional de Ciclismo – só têm alguma protecção nas corridas mesmo.
Mas o treino também faz parte do seu trabalho.
É mesmo a parte mais importante.
E correm todos os riscos que sabemos. Infelizmente sublinhados por casos concretos de acidentes.

Leiam. Oiçam a consciência e, se acharem que é a melhor maneira de ajudar, permitam-me que apele à vossa participação. Já há mais de 2200 assinaturas (a minha é a 2218).

Subscrevam aqui.

Eis o texto de apresentação da petição:

A última versão do Código da Estrada (Decreto-Lei nº 44/2005 de 23 de Fevereiro) constituiu uma oportunidade perdida para a correcção de algo que está mal há muitos anos no que diz respeito à regulamentação da circulação de bicicletas em Portugal. O artigo 32º, que retira expressamente à bicicleta a prioridade em cruzamentos, mesmo em circunstâncias em que seria aconselhável e intuitivo que a tivesse, constitui uma verdadeira licença para matar. A obrigatoriedade de transitar o mais próximo possível das bermas ou passeios (artigo 90º), sem deixar o ciclista fazer a avaliação subjectiva da sua segurança, é uma regra há muito abandonada pela maior parte dos códigos da estrada europeus.
Urge, portanto, para além de um intenso programa para a educação da segurança rodoviária para todas as idades, uma revisão do código da estrada, para que este proteja de forma efectiva o ciclista e nele inclua noções mais actuais e razoáveis de encarar o uso da bicicleta em Portugal.

segunda-feira, setembro 03, 2007

841.ª etapa


DUJA-TAVIRA PREPARA-SE
PARA AS ÚLTIMAS PROVAS DA ÉPOCA


A equipa DUJA-Tavira vai estar na estrada para correr as duas últimas provas da época, a Volta a Inglaterra e a Volta à Bulgária.

Para correr a Volta à Inglaterra foram seleccionados os ciclistas


Martín Garrido,
Nélson Vitorino,
Ricardo Mestre,
David Blanco,
Paul Sneeboer
e Samuel Caldeira


O Tour of Britain começa no dia 9 de Setembro (o próximo domingo), e termina no dia 15, sendo composta por um prólogo e seis etapas, num total de cerca de 950 quilómetros.

Por seu turno, a Volta à Bulgária corre-se entre os dias 8 (Sábado) e 16 do corrente mês e foram escolhidos os corredores

Krasimir Vasilev,
Daniel Petrov,
Nélio Simão,
Luís Bartolomeu,
David Livramento
e Luís Silva



(Obrigado, Ana de Jesús)

domingo, setembro 02, 2007

840.ª etapa


AO MENOS, NO CICLISMO
A PENA MÁXIMA É DE DOIS ANOS!
(A morte... é de mais!...)

"Depois do recente falecimento do internacional espanhol Puerta, do Sevilha, agora mais uma tragédia atinge o futebol, após o jogador equatoriano, Jairo Nazareno, do Chimborazo, ter morrido pouco depois do fim do jogo em Riobamba, onde inclusive tinha marcado um golo. Nazareno, de apenas 21 anos, começou a sentir uma forte dor no peito e no braço, tendo sido transportado para o hospital, onde infelizmente acabou por não resistir e faleceu." (edição on-line de A Bola, em 2/Set/2007)

Não são já mortes a mais no futebol?
Ainda por cima de... jogadores muito jovens?
E certamente saudáveis, senão... como passam todos os testes médicos a que se submetem em cada início de temporada?

Reedito este artigo, acrescentando-lhe esta notícia que vai aqui ao lado.

Sem comentários...

Nota extra

NOTÍCIAS DE VIGO

(Sinceramente... acho que não é preciso traduzir. Afinal... não somos irmão?)

Algumas notas que o sítio TodoCiclismo acrescentou à 1.ª etapa da Vuelta que hoje começou em Espanha...

La ciudad de Vigo recibió con entusiasmo a los 189 componentes del pelotón de la 62 Vuelta bajo el lema de "Primeira pedalada" con el que estaban engalanadas la mayoría de las farolas.

Los aficionados mostraron su apoyo a los ciclistas de todos los equipos, aunque especialmente a los componentes del Karpin-Galizia, cuya sede está en Vigo, a los gallegos y también a Oscar Pereiro (Caisse D'Epargne) que parte con la vitola de estar incluido entre los favoritos a la victoria final.

CASI UN MILLÓN DE EUROS EN PREMIOS: La Vuelta destina a premios en su sexagésima segunda edición un total de 981.133 euros que hoy empezaron a repartirse con la disputa de la primera etapa con salida y llegada en Vigo.

El premio mayor será para el vencedor final de la Vuelta'07 el próximo 23 de septiembre en Madrid que se embolsará 107.043,30 euros, mientras que para los veinte primeros de cada etapa cada día habrá en juego 26.989 euros.

VEINTIÚN EQUIPOS Y OCHO NACIONALIDADES: Los veintiún equipos que conforman el colorido pelotón de la Vuelta'07 representan a ocho nacionalidades, entre las que España, con seis equipos, es la que cuenta con más representantes seguida por Francia con tan solo uno menos.
Los italianos ocupan la tercera posición con tres equipos, seguidos de alemanes y belgas con dos, y Dinamarca, Holanda y Estados Unidos tienen un único conjunto en liza.

CASI TRES MIL TRESCIENTOS KILÓMETROS DE RECORRIDO: La prueba que organiza Unipublic presenta el segundo recorrido más largo de las ocho últimas ediciones con 3.291,3 kilómetros, según el libro de ruta que se reparten en veintiuna etapas, a las que se añaden dos jornadas de descanso.

Tres de estas etapas superarán los doscientos kilómetros de itinerario, la décima que además está considerada como reina entre Benasque y Andorra-Arcalís con 214 kms, seguida de la decimocuarta y decimoquinta, Puerto Lumbreras-Villacarrillo y Villacarrillo-Granada con 207 y 201,4 kms respectivamente.

Las más cortas de esta edición serán, como suele ser habitual, las dos etapas contrarreloj individuales, la Cariñena-Zaragoza con 52,2 kms en la séptima jornada y la Collado Villalba-Collado Villalba con 20 kms.

Además la decimonovena etapa, catalogada de montaña, que se desarrollará entre Ávila y Alto de Abantos será la segunda más corta, a excepción de las contrarreloj, con 133 kms.

LOS MOTORISTAS DE LA GUARDIA CIVIL ESTRENAN UNIFORMIDAD: Los motoristas de la Guardia Civil lucían en la zona del Real Club Naútico de Vigo la nueva uniformidad con la que los podrán ver los conductores por las carreteras españolas.

Si el pelotón de ciclistas está formado por 189 ciclistas, que conforme pasen las jornadas irá adelgazando algo, el de vehículos de dos ruedas motorizadas de los componentes de la Guardia Civil cuenta con 58 unidades a las que se suman otras 30 correspondientes a enlaces, organización y medios de comunicación.

TRECE SUPERVIVIENTES DEL TOUR DE FRANCIA EN VIGO: De los 189 participantes en la Vuelta'07 trece de ellos tomaron hoy la salida después de conseguir finalizar en París el pasado 29 de julio el Tour de Francia.Los más destacados son el australiano Cadel Evans (Predictor-Lotto), Carlos Sastre (CSC), Haimar Zubeldia (Euskaltel-Euskadi) y Oscar Pereiro (Caisse D'Epargne) finalizaron entre los diez primeros clasificados.
El resto son Vladimir Karpets (Caisse D'Epargne), Chris Horner (Predictor-Lotto), Manuel Beltrán (Liquigas), Juan Manuel Gárate (Quick Step), Christian Vandevelde (CSC), Stéphane Goubert (AG2R Prevoyance), Alexandre Botcharov (Credit Agricole), Markus Fothen (Gerolsteiner) y Iñigo Landaluze (Euskaltel-Euskadi).

sábado, setembro 01, 2007

839.ª etapa


MAIS DO QUE UMA QUESTÃO DE UNIFORMES,
É UMA QUESTÃO DE… UNIFORMIZAÇÃO


Agora deixo-vos uma pequena grande questão que tem a ver com as representações nacionais, ao nível desportivo e em termos de Selecções.

Há uns Campeonatos do Mundo, ou Jogos Olímpicos e eu, distraído com qualquer outra coisa, que ainda não cheguei à idade de pôr uma manta sobre os joelhos e ficar toda a tarde a olhar para o rectângulozinho (cada vez mais rectângulo e a um passo de se generalizar como rectângulozão) da televisão, só levanto os olhos para ele de vez em quando.

Levanto os olhos e descubro os franceses, nas suas cores azul, vermelha e branca (sejam quais forem as nuances), os espanhóis, pelo amarelo e vermelho, os italianos pelo azul (vá lá saber-se porquê!), os alemães pelo branco, com o amarelo e preto como cores secundárias… os holandeses, definitivamente pelo laranja!

Os britânicos pelo branco, mais o azul e o vermelho, mas em proporções e disposição que os destacam dos franceses…

Os austríacos são brancos, com uns laivos de vermelho; os belgas – fora o futebol – são de um azul bebé, com o vermelho, preto e amarelo a comporem;
os polacos têm sempre camisolas brancas e calções vermelhos;
os russos agora são brancos, outra vez com o azul e o vermelho como complemento, mas distinguíveis.
Isto, seja qual for a competição.

E o que é que acontece em relação a Portugal?
No futebol temos camisolas grená e calções verdes; no atletismo… camisolas verdes e calções vermelhos: no hóquei em patins… camisolas brancas e calções azuis…

E agora no triatlo, com a entrada de um patrocinador forte, somos prata... preto (!!!) e verdes. Esta a côr do patrocinador. Para o ano, muda o patrocinador e seremos pretos e côr de cereja. Nos outros, amarelos e côr de laranja…

É uma questão de regulamentação que tem de vir de cima, do Governo.
A secretaria de Estado do Desporto tem que arranjar dez minutos para agendar a coisa e meia-hora para a justificar e defender na Assembleia da República.

As cores de Portugal são o Vermelho e o Verde
.

São pacificamente aceites quaisquer nuances. Mas, quando eu estou a ler os semanários – que me ocupam toda a tarde – e a ver uma competição internacional, gostava de levantar os olhos para a televisão e identificar os atletas portugueses.

Independentemente da competição em que estão inseridos.

Claro que sei porque é que isto acontece.
Quando falta Estado, as federações vendem – no verdadeiro sentido da palavra – as cores dos seus equipamentos ao patrocinador que der mais.

Eu, hoje, por acaso, fiquei sem fazer nada, a olhar só para a televisão durante os mundiais de triatlo. Mesmo assim… “descobria” logo as alemãs, as estadunidenses (que têm o azul como cor dominante!) e mais meia dúzia de nacionalidades. E só depois de me lembrar – vá lá, que houve jornais que publicaram as fotos a cores – que “nós” íamos de prata... preto e verde é que começava a procurar a Vanessa Fernandes no meio da molhada.

A sorte é que ele resolveu poupar-me o trabalho e, a partir do meio da prova não havia mais dúvidas.
A PORTUGUESA era a que ia na frente!
.
(Façam um exercício. Peçam a alguém que não perceba nada de Desporto e que não saiba ler para não poder perceber o FERNANDES, o POR, mesmo o nome dos dois patrocinadores e perguntem-lhe... qual é a portuguesa!)

838.ª etapa


A NOVA ORDEM DO CICLISMO INTERNACIONAL:
JÁ AGORA... DISCUTAMO-LA AQUI

(Um habitual leitor do VeloLuso achou por bem, em vez de o discutir aqui, pegar numa minha ideia e lançá-la à discussão noutro sítio da Internet. Por mim... nada contra. Se calhar até foi melhor ter sido ele a avançar... Já lá respondi, mas não deixo, porque foi o VeloLuso (fui eu) quem lançou a ideia, que ela se perca aqui. Por isso, a resposta que lá deixei... é aqui repetida, nesta nova entrada. Vamos discutir isto...)

É a propósito de criação de uma Liga Profisional de Ciclismo externa à UCI.

Nós às vezes não vemos porque NÃO QUEREMOS ver.

A verdade é que o ProTour foi uma tentativa desesperada da UCI para manter sob a sua alçada a elite do Ciclismo mundial. E aqui incluo, naturalmente, equipas e organizações...

E, todos o sabemos, se tudo isso foi feito à pressa é porque havia indícios de que... essa mesma Liga (ou seja lá a denominação que vier a ter) não só já está pensada, como adivinho ter já adquirido uma velocidade de cruzeiro.

Terá feito um compasso de espera na sequência da criação do mesmo ProTour, mas não desesperemos porque com o fim deste... a UCI não terá uma segunda oportunidade.

Quem é que a organizará?
Evidentemente uma pool de empresas que já existe e que faz "toneladas" de euros de lucros. Quem?
A ASO, a RCS e a Unipublic... mais meia dúzia de investidores particulares.

Na questão dos controlos anti-doping, é evidente – pelo menos para mim – que, dado os recentes acontecimentos e porque, como já referi, haverá lugar para patrocinadores particulares que não quererão escândalos, que a própria estrutura da nova organização patrocinará, sei lá... uma nova estrutura de defesa da ética (chamo-lhe eu).

Como estrutura à margem das federações tradicionais... escapará, é evidente, à alçada da AMA, que – é a enésima vez que dou o exemplo – não conseguiu ainda meter nem o dedão grande do pé na estrutura da NBA.
Mas o problema do doping NÃO é o problema do Ciclismo.

Só o é nas mentes puritanas de meia dúzia de adeptos da Inquisição do século 16.

Se quiserem começar a pensar nisto, pensem-no como Ciclismo-espectáculo. Grandes investimentos em busca, é evidente, de grandes lucros.
Quem paga?
Como, ao contrário da NBA onde 40 pavilhões, com uma média de 30 mil espectadores estão SEMPRE esgotados – para além da publicidade (em cada pavilhão, mais a institucional, ligada à organização) – não há grandes hipóteses de conseguir receitas directas (mas não é impossível) terão que ser as redes de televisão a pagar.

E aí, as corridas não passarão – como em Portugal – oito dias depois.

Serão transmitidas integralmente em directo. Só assim as televisões poderão compensar o que vão ter que pagar pelo Ciclismo. E alguém vai pagar.

E as outras também vão querer, logo... funcionará a lei do mercado.

Quem der mais é que fica com as transmissões.

Quanto aos tectos salariais...
Os melhores actores no cinema são eles quem impõem os seus preços.
As melhores bandas musicais, são elas quem impõem os seus preços...
Os melhores conferencistas – aqui já fora da área do Desporto – enriquecem com o preço que impõem à concretização da sua presença...

O que é que falta explicar?

837.ª etapa


VUELTA QUASE... CLANDESTINA

Por pouco menos, e o arranque da Vuelta quase não era falado na imprensa especializada do nosso país. Juntas, as peças dos três desportivos não enchem uma página. Contudo, e não é essa a minha opinião, estamos perante a quarta maior corrida de Ciclismo do Mundo. Eu continuo a achar que a Vuelta é uma corrida muito mais equilibrada que o Giro. A segunda, evidentemente, são os Campeonatos do Mundo.

A primeira etapa - que, ao contrário do tem vindo a institucionalizar-se, não foi nem prólogo nem crono por equipas - teve partida e chegada em Vigo e ganhou-a, ao sprint, Daniele Bennati, da Lampre. Oscar Freire (Rabobank) defendeu, como pode, a honra do pelotão da casa e Alessandro Petacchi (Milram) - longe da fulgurância com que começou a temporada e que deixou bem patente, por exemplo na Volta ao Algarve - foi o terceiro, hipotecando todo o trabalho da sua equipa.

Petacchi é um grande corredor, um excetente sprinter mas esta temporada nunca mais, depois do Algarve, esteve ao nível daquilo que dele se espera. Não é, definitivamente não é, um Mario Cippolini, mas o facto de se ter visto envolvido na suja campanha contra o Ciclismo também terá pesado.

E sublinho na suja campanha contra o Ciclismo. Porque é só nesta modalidade que casos de doping são sempre esgrimidos de forma a que varra tudo e todos, transversalmente. Não importando, ao que parece, se se leva na mesma vassourada culpados e inocentes.

Há um (e já foram tantos!...) velocista, ou fundista, ou halterofilistas apanhado nas malhas do doping? O atletismo sai incólume.

Há um futebolista (e não foi só um, nos últimos anos) apanhado nas malhas do doping? O futebo, sai incólume... Até no xadrez.

Há sempre um culpado.

Com a excepção do Ciclismo - com a conivência da CS - onde cada um dos casos é uma flecha no coração da modalidade. São demasiados casos? Que alguém se dê ao trabalho de fazer contas. Na relação número de controlos/número de casos positivos, o Ciclismo cairá para uma posição ridícula... Mas transformou-se em moda cruxificar esta modalidade. A derradeira esperança que ainda alimento é que... as modas são passageiras.

Nota: Mas há uma coisa pela qual ainda espero, em nome da verdade jornalística e no da sua credibilidade. Na primeira... fuga de informação, a famosa lista de Eufimiano Fuente teria nomes de consagrados futebolistas e de figuras da primeira linha do ténis. Nomeadamente, espanhóis. Concretamente, do prodígioso... Nadal.
Este capítulo da novela-Fuentes foi totalmente branqueado pela Imprensa.
Porque os franceses não aspiram a ganhar a Liga dos Campeões, em futebol, ou não têm, actualmente, tenistas ganhadores?
Mas também não têm Corredores!
E foram sempre os franceses a liderar a caça - neste caso - aos espanhóis e italianos.
A minha única grande decepção vem da, por inerência, imparcial Agência Mundial Anti-dopagem. Mas já se manifestou esta organização supra-nacional? Não!
Têm sido os media franceses - principalmente o L'Équipe - a conduzir a cruzada anti-Ciclismo.
Os outros, incluindo a CS portuguesa, limitaram-se a traduzir despachos das agências que citavam o diário gaulês.

836.ª etapa


... E FIQUEI DUAS HORAS DE OLHOS
PREGADOS AO TELEVISOR!

Abro com uma confissão que deixará alguns… confusos.
Assisti, hoje, pela primeira vez, a uma prova de triatlo. Todinha. Desde o mergulho daquela mole de atletas – quantos seriam? – para as águas de um dos canais de Hamburgo (que, por acaso, não estavam menos sujas – assim pareceu – que as do Tejo, na zona da Expo há uns meses atrás) até que, isoladíssima, a Vanessa Fernandes parou junto à fita de chegada, a agarrou, “arrancou” e gritou um perceptível “Yessss!!!...”, embora o som da sua voz não nos tivesse chegado.

E o que é que isso tem assim de tão estranho?
É que, pelas funções que desempenho no meu jornal fui, a pouco e pouco, tentando assistir às mais diversas modalidades. Deformação profissional!
E é verdade. Do triatlo nunca tinha visto mais que os curtos segundos que, felizmente, de quando em vez os telejornais mostram, sempre pela mesma razão: mais uma vitória desta menina de ouro do desporto português.

Claro que sei da modalidade o essencial para poder medir a sua importância. E sei de cor os nomes das suas principais figuras mundiais, aquelas que podem fazer frente à nossa Vanessa. Sei que não havia motivo para ficar preocupado com o facto de, na primeira transição, a Vanessa não ter sido das primeiras porque sei que é no Ciclismo que ela se transforma na grande candidata. E hoje fiquei a saber que na corrida é também das melhores. Como fiquei a saber a forma inteligente como sabe gerir a sua prova.
Viu-se. Vi.

Fiquei de boca aberta ao ver como em menos de uma mão de segundos se desfazem do fato isotérmico – o que, sinceramente, me parecia ser tarefa para um minuto bem gordo – correm os metros regulamentares ao lado da bicicleta e depois lhes pulam em cima. Como os sapatos de ciclismo estão na bicicleta e é em andamento que lá enfiam os pés desnudados e apertam as cintas de ajuste. Como guardam nos ajustados maillots algum alimento que vão consumir nos 40 quilómetros de Ciclismo…

E aqui entra a estratégia. Sabedora de que a sua principal rival, a australiana Emma Snowsill, se atrasara, rapidamente a Vanessa assumiu o comando da “fuga” do mini-pelotão com o evidente intuito de cavar, logo ali, alguma distância, ganhando-lhe vantagem.

Da corrida de Ciclismo não esperava, de facto, uma cavalgada louca, do tipo dos gloriosos malucos das fugas impossíveis, na modalidade clássica, e não me saía da cabeça que antes, e sem um intervalozinho para descanso, aquelas mulheres tinham nadado 1500 metros. E que ainda ficariam a faltar mais 10 quilómetros de corrida. Sempre sem interrupções.
É uma modalidade dura, esta a do triatlo!

Na parte final – ainda no Ciclismo – pareceu-me que o grupo da frente acalmara de mais. E acalmou. A prova é que, a maioria das 13 que seguiram sempre na frente acabou ultrapassada por atletas que fizeram o sector do Ciclismo no grupo perseguidor. Mas não para a Vanessa Fernandes.

Surpreendi-me outra vez com a destreza com que penduram a bicicleta – antes de chegarem ao fim deste sector já os pés iam desnudados outra vez – e calçaram os sapatos de corrida que se apertaram nem deu para ver como…
E com a facilidade com que a Vanessa impôs um ritmo arrasador descolando as poucas adversárias que ainda iam na frente para, na prova de corrida fazer então… um contra-relógio. Dez quilómetros! Depois de 1500 a nadar e mais 40 a pedalar. Que a Vanessa cumpriu em menos de duas horas. Nas calmas, apesar de a australiana, mostrando que também é uma grande campeã, ainda chegou à medalha de prata.
E a forma como todas iam ficando logo após a linha de chegada, cumprimentando e, adivinho, incentivando e dando os parabéns às que iam chegando.

Por tudo isto, e apesar de, como escreveu o Jorge, só um terço – em quilómetros é mais… – esta modalidade se andar de bicicleta, também achei que este título mundial da Vanessa cabia aqui no VeloLuso.
O Jorge ganhou-me ao sprint. Também… não sei nadar nem… andar de bicicleta! :-)

A Vanessa é filha de Venceslau Fernandes, um dos nomes imortais do nosso Ciclismo. Conheci o Venceslau há dois anos, no Fundão. Naquela etapa que estava prevista para ir em direcção a Manteigas para, daí, se subir até Piornos a caminho da Torre (de passagem, porque a etapa acabou em Gouveia).
Equipado a rigor, seco de carnes, como sempre foi, levava um saco de… pão.
Estava – acampado, deduzo (senão para que seria o pão?) – na Covilhã, mas ir ao pão ao Fundão era uma boa desculpa para o treino diário de bicicleta que ainda faz.
Quase sempre – quando ela não está no Centro de Estágio da Cruz Quebrada – com a filha.
É um homem simples, simplicidade que a Vanessa herdou. Isso e os genes de campeã.
Uma grande Campeã.
E, em apenas uma semana, Portugal ganhou dois campeões mundiais.
O Outro foi Nélson Évora.
Parabéns para eles.

Nota: Ao fim de os comentadores se terem cansado (e cansado a mim) de dizer triatleta lembrei-me do dilema que tantas vezes sofri, em conjunto com o João Amaral (revisor de textos, n’A BOLA). A dúvida levantou-a ele. Em nenhum dicionário havia a palavra triatleta e a verdade é que isso de ser três vezes atleta (triatleta) se encaixa na realidade, mas não haveria outra maneira de definir o praticante de triatlo? Discutimos isto tantas vezes até que um dia ele me chamou ao andar de baixo. Tinha encontrado uma definição menos… confusa.
“Madeira –
disse-me eleTRIATLISTA. Como ciclista, ou barreirista, no atletismo… que achas? Concordas?”
Concordei. Triatlista passou a ser.

Impressionante


Apenas um terço desta modalidade faz parte do âmbito deste sítio, que trata essencialmente da beleza e dos problemas do ciclismo.
Mas depois de uma vitória categórica, de uma atleta, que se não estou em erro, começou nesta modalidade, arrastada pelo pai, deixo aqui um pequeno texto que publiquei no meu blog.

Vanessa Fernandes, portuguesa, atleta do Benfica, lutadora como o pai, o velho Lau, ciclista até ao 40 anos, conquistou hoje ao início da tarde o título de campeã do Mundo de Triatlo, em Hamburgo, Alemanha, com uma limpeza, que irrita qualquer adversária.
Agora só falta o título em Pequim.
E ainda só faz 22 anos a 14 de Setembro.
Impressionante.


A minha pequena homenagem a uma enorme atleta, genuínamente portuguesa.