sábado, outubro 13, 2007

931.ª etapa


QUEM TEM MEDO DE DISCUTIR O CICLISMO?

Falta um espaço – digno – onde, aproveitando o que as novas tecnologias nos põem debaixo dos dedos, se abrisse um Fórum de discussão do Ciclismo Nacional.

O VeloLuso É uma página pessoal! Minha. Que vai navegando, não ao sabor da(s) onda(s) mas do meu estado de espírito. Que, sou o primeiro a reconhecê-lo, nem sempre é recomendável.
Caramba, todos temos dias…
E depois, eu falei num Fórum. Não num outro qualquer Blog.

Fórum que só deveria obrigar a uma coisa: a identificação clara e sem traumas, dos seus participantes.
Identificação real.
Tal “Big Brother”, não o da TVI, o do George Orwell.
Com nome, foto, impressão digital e “pulseira electrónica” para que TODOS soubessem quem eram, de facto, os seus interlocutores.
Com moderadores equidistantes.

Não censores, mas moderadores que todos respeitassem.

Não como “polícias” para expulsarem, mas com autoridade para deter… qualquer exuberância no discurso.
É uma ideia. Até porque, e esta é uma verdade que se teima em subtrair, alargou-se bastante o leque de adeptos do Ciclismo. E alargou-se à “custa” dos mais jovens.

É bom.

É muito bom, que o Ciclismo veja a sua massa de adeptos quase radicalmente rejuvenescida.
Que coisa melhor poderíamos querer, os que gostamos de Ciclismo?

E o rejuvenescimento dos adeptos é o primeiro passo para a renovação do edifício Ciclismo. De entre estes mais novos, se se conseguir alimentar convenientemente a sua paixão, ainda em flor, até que nasçam os frutos, poderemos vir a ter futuros técnicos, futuros dirigentes…

É que, principalmente neste campo, começa a ser preocupante a falta de ideias.

Nota-se, cheiram-se, compromissos, trocas de favores. Para não dizer certas promiscuidades.
O que não deve ser usado – depois de lido aqui, que, creio, é onde se escreve pela primeira vez – como arma de arremesso. Atenção!...

Uso a crítica, uma ferramenta que, acho eu, conquistei o direito de usar.

Mas não sou ingrato. Nunca o fui.

Ou talvez tenha sido…
Aceito críticas, desde que assinadas com o nome próprio.
Quem tem medo de, publicamente, me afrontar?
(Até porque foi muito mais fácil do que eu pensava – embora tivesse tido que pedir ajuda – identificar, pelo menos, em que computador foi escrita uma recente tomada de posição em relação a uma opinião minha.)

E é aqui que se centra parte do mal que vai minando o Ciclismo nacional.
As pessoas, nas pequenas tertúlias espontaneamente formadas no fim de um dia de trabalho, à mesa do jantar, ou em qualquer outra situação semelhante, são capazes de, abertamente, dizer o que realmente pensam perante aquele grupo de mais três, quatro ou cinco convivas.

E depois desgrenham-se na procura de justificações, mais ou menos credíveis, quando confrontados com quem merecera acintosa crítica.

Chamem-me naïf.

Apesar das muitas críticas que tenho vindo a deixar espalhadas ao longo de quase mil posts no VeloLuso, sinceramente, acho que os visados não chegarão ao ponto de recusar a mão que lhes estenderei na primeira oportunidade que tivermos de estar juntos.
Se estiver errado… Então serei o primeiro a reconhecer que, afinal de contas – e de tudo o que sei – não me sei mover naquilo a que terei de chamar… submundo do Ciclismo.

Dei a cara, dei mais… dei tudo, com a certeza (mas posso estar enganado!) de que, entre Homens com os mesmos interesses, que formamos uma pequena Comunidade cujo objectivo é elevar o Ciclismo português, não será um qualquer desvio de opinião que “matará” uma relação que sempre foi boa e a contento das duas partes.

Sem “truques” escondidos.
O… “a contento” significa que, desacordos à parte, existe mesmo o reconhecimento de que TODOS visam o mesmo objectivo: “empurrar” – salvo seja – o Ciclismo Português.
Para a frente. Passe o pleonasmo.

Mas algo vai mal, não no reino da Dinamarca [Shakespeare] mas mesmo no Ciclismo Nacional…
Há uns dias atrás, no Cyclolusitano – continua a ser o melhor sítio a consultar sobre o Ciclismo Português, embora confesse, em consciência, que o aborto de um outro que esteve quase, quase para aparecer e… morreu na praia e (desculpa lá Rui) dava muitas mais garantias em termos de credibilidade, porque não estava previsto nenhum pátio de recreio – pude ler críticas tão veementes como aquelas que eu aqui produzi.
Que não mereceram contestação.

Por um lado, fico contente. Mesmo que se trate apenas de um Blog – ou se calhar por isso – há quem asseste as suas baterias sobre ele.
Também pode ter a ver com o facto de ninguém saber quem é o XPTO, ou o “arco-da-velha”, porque é permitida, no Cyclolusitano, a fuga à identidade.

Com os anos que tem de “pantalha”, como dizem os espanhóis – o teu sítio já deveria ter separado as águas.
Recreio para quem é de brincadeira…
Registo sério e fiável para quem quer mesmo discutir o Ciclismo.

Porquê esta conversa toda?
Já vão perceber…

930.ª etapa


VOLTEM!... VOLTEM AGORA OS PURITANOS
QUE ACHAVAM QUE O CICLISMO ERA... SUJO!

Convenientemente, certos apóstolos de uma verdade que é só deles desapareceram da discussão nos fórums do Ciclismo. Que não aguentavam mais. Que este desporto os desiludira...
No meio tempo, a Fórmula 1 entra em "guera aberta".
Ele são manobras de espionagem - leia-se: roubo das ideias dos outos -, ele são equipas que manipulam as corridas dos seus próprios elementos, prejudicando um - diz ele - em benefício do outro, que se defende e diz que não.

No atletismo, uma das "grande campeãs" que já foi casada com DOIS OUTROS ATLETAS excumungados pela repectiva federação internacional por recurso ao doping - só ela é que não sabia das trafulhices! - veio chorar baba e ranho para as televisões, confessando que, desde que deixara de mamar o leite materno, não fizera outra coisa que não fora o dopar-se.

E agora o ténis.
Que, por enquanto, conseguiu subtrair o nome do espanhol Rafa Nadal (e quem sabe quantos mais?) à lista do mesmo doutor Fuentes que, só por si, chega para "condenar", mesmo que mais nenhuma prova fosse produzida, meia dúzia de corredores.
E é sobre esse mesmo ténis que repesco esta notícia:

Corrupção ameaça ténis mundial
As autoridades que regem o ténis mundial, ITF, ATP, WTA e o comité do "Grand Slam", assegurou hoje uma dura vigilância contra os jogos viciados, após uma reunião realizada em Londres. Embora não admitam os rumores que têm surgido após as polémicas declarações do tenista inglês Andy Murray, que assegurou a existência da corrupção no mundo do ténis e que todos estão ao corrente da situação, foi emitido um comunicado conjunto onde é expresso o reconhecimento para o facto que este grave problema pode colocar em causa a "integridade" do ténis munial.

Gostava, sinceramente gostava, que o paladino-mor na queixoteca luta contra a "sujidade" que grassa no Ciclismo voltasse e se pronunciasse sobre estas realidades.
Sim, esse!...
O que já deixou de ser Administrador - do Cyclolusitano - e voltou logo a seguir a se-lo de novo mais vezes do que aquelas que eu já de lá fui expulso.

Confesso que é agora o meu grande objectivo: conseguir ser expulso tantas vezes como esta figura se demitiu e depois se auto-readmitiu...

sexta-feira, outubro 12, 2007

929.ª etapa


É PRECISO MUDAR O FIGURINOS DOS MUNDIAIS
(Tal como o dos Campeonatos Nacionais)

Eu sei o quanto difícil é mexer com a tradição e os Campeonatos dos Mundo SEMPRE foram assim. Sei também que, entretanto e acima da tradiçãom, se elevaram instituições que me parecem bem mais difíceis de abalar... Mas!...
Com um calendário - falo do Internacional - riquíssimo, com corridas como as das Clássicas da Primavera e esse monstro - no bom sentido - que é o Paris-Roubaix, com as Três Grandes Voltas mas também com outras corridas emblemáticas, como o Paris-Nice, por exemplo, com um naipe tão alargado de dificuldades a vencer ao longo da temporada, será mesmo justo que o Campeão do Mundo seja encontrado numa corrida... atípica?

Atípica, porquê?

Porque é uma corrida de um dia apenas, porque se corre em circuito, porque tem uma quilometragem assassina.

Que já não é permitida em mais nenhuma corrida.
Lembram-se do Porto-Lisboa?

E, como li num destes dias, a verdade é que... desde 1999 (?) - pelo menos - que o título mundial é discutido... ao sprint.
Sem pôr em causa a justiça de o Paolo Bettini ser campeão do Mundo...

Aguenta o carrossel das 20 e tal voltas - onde ficam, invariavelmente, os principais sprinters - e onde em subidas, com 17% sim... mas de 600 metros, os trepadores nem conseguem chegar a meio do grupo quando elas são atacadas... porque antes se rolou a bom rolar... onde fica a VERDADE de um Campeão assim achado?

O que é, então, o Campeonato do Mundo actualmente?
Uma corrida para roladores onde a única coisa que fará a diferença será o sentido de posicionamento na corrida. E isso chega para definir quem é o melhor corredor do ano?

Refraseio porque, de facto e todos nós sabemos isso, não há maneira de saber quem é o melhor corredor do Mundo. Ano após ano...
Seja lá a "solução" que se queira inventar.

Mas eu acho que os Campeonatos do Mundo, bem como os nacionais - pela equivalência - deveriam oferecer algo mais aos corredores potenciais candidatos.

Mas é que não é preciso inventar nada!
Está tudo inventado!...

O Campeão do Mundo devia - mesmo que isso tenha de ser decidido em três dias - ser o corredor mais completo do pelotão.
Evidentemente, tendo em conta os objectivos e os os compromissos de cada um.
Mas devia-lhes ser dada a possibilidade de demonstrarem que são, de facto, os mais completos. Os melhores.

Mais ainda... E aqui é que eu acho que reside o busilis da questão... os Campeonatos do Mundo deveriam ser uma prova tão aberta que não fosse possível ter - falo jornalisticamente, por defeito - já preparado o currículo do vencedor pré-anunciado.
Eu seiiiii...
Estou a ser naïf.
Toda a gente espera pelo currículo do homem que a France Presse envia nos cinco minutos seguintes ao final da prova.

Mas, que por mais não fosse... para obrigar os colegas da France Presse a prepararem meia dúzia de currículos na esperança de acertarem.

Então... como é que eu acho que deveria ser encontrado o Campeão do Mundo?
Pondo toda a gente em pé...mais ou menos de igualdade, e deixando-os marcar a diferença que são capazes de marcar, nos seus terrenos. Sofrendo depois nos outros.

É preciso um desenho? Cá vai ele...
Três dias de corrida. Três... "etapas".

A primeira, com menos de 180 quilómetros - seja em circuito ou não - para que os roladores e o "jogo" de equipa se imponha.

Ia proporcionar aventuras "loucas" de quem, provavelmente, não tem a mínima hipótese de ser Campeão, mas isso contribuiria para que, quem tivesse, de facto, um candidato a campeão, não ficasse adormecido no pelotão.

A segunda, um contra-relógio - que definiria o Campeão do Mundo na especialidade.
O que não é exactamente a mesma coisa que acontece hoje em dia.
Que se preparam com um objectivo bem definido... Pois, o crono!

Na minha proposta, teriam que fazer as três corridas...

Quem almejasse vir a ser Campeão do Mundo, mesmo na etapa só para roladores, para as fugas e para uma mais que previsível chegada ao sprint... tinha que fazer por estar entre os primeiros...

Finalmente... segundos ganhos na etapa a rolar, segundos ganhos no crono, TODOS teriam que se apresentar para o derradeiro teste: uma etapa - curta, de preferência - mas de montanha. Com uma ou duas contagens de dificuldade significativa... antes do ataque à meta num final em... alto.

Ia tudo mexer.
Quem não se dá bem com a montanha tinha que tentar ganhar tempo na primeira etapa; quem tem dificuldade nos cronos, teria que dividir os seus esforços nas outras duas etapas e... e aqui vem o principal...
As coisas ficavam "penduradas" entre os especialistas nos cronos e os nas chegadas em alto.
Nem uns, nem os outros, poderiam facilitar no crono. Todos teriam que ir a fundo...
E era esta a parte individual.
Depois... depois, as equipas podiam fazer a diferença.
Logo na primeira etapa... ou na derradeira.

Leram tudo bem?
Não me interessa se concordam ou não...
Leram?
E conseguem ver o factor "espectáculo" nisto, ou não?

É que NINGUÉM fica a ver sete horas de Ciclismo para ver os búlgaros, os sul-africanos, os bolivianos e etecetera, a lançarem-se como loucos em "fugas" nas duas primeiras voltas... de um Campeonato do Mundo.

O pessoal vai almoçar, vai fazer a digestão num passeio pelo jardim e, por volta das cinco e meia da tarde aproximam-se da televisão para ver que ganhou o que todos já sabiam que ia ganhar.

E não é impossível de fazer isto que eu disse.
Tanto que não é que, se alguém tiver dúvidas... eu explico.
Ainda por cima com TODA A GENTE A GANHAR DINHEIRO.
Não sei porquê, mas acho que esta parte interessa a muita gente...

Eu explico como.
E nos Campeonatos Nacionais fazia exactamente o mesmo.

928.ª etapa


OS TESOURINHOS ESTÃO E VOLTA
(Desta vez corados de vergonha até à raiz dos cabelos!...)

Ele acontecem coisas assim e eu, pela minha parte, só tenho que confessar que fico... ENVERGONHADO. Vai assim, porque é mesmo MUITO envergonhado.
Há quê? Dois dias? Que eu recordava aqui uma efeméride que toda a gente esquecera, a da realização dos Mundiais de Lisboa, em 2001 e dei-me até ao "luxo" de acrescentar que, ao 5.º lugar então conseguido pelo Sérgio Paulinho, no ano seguinte ele chegaria ao bronze...

Estou a arrumar os jornais por anos... de trás para a frente e acaba de me passar pelas mãos o recorte - que podem ver ao lado - que celebrava... o 3.º lugar do Sérgio, em Zolder, no dia 8 de Outubro de 2002.

Foi A PRIMEIRA MEDALHA do ciclismo português nuns Mundiais e todos nos esquecemos. EU incluído!

Desculpa Sérgio. Não te merecemos!...

Mas, já agora, e porque é justo que se diga... comemorar, TODOS os anos a efeméride... seria um pouco... provinciano, convenhamos.

Mas nem é o caso.

É uma daquelas a que eu chamo "datas redondas" (os 5, 10, 15, 20... anos!) e passaram EXACTAMENTE 5 ANOS desde esse princípio de tarde fria, mas com sol, em Zolder, em que o Sérgio conquistou a medalha de Bronze nos Mundiais, na versão crono, para sub-23.

(A minha mãe tinha falecido 5 dias antes, apesar disso, eu fiz o que achei ser mais importante, seguir para a Bélgica 24 horas depois de ela ter sido enterrada.)

E ainda, todos os jornalistas - éramos cinco (infelizmente o João Carlos Garcia já nos deixou) - nos deveríamos lembrar do sofrimento por que passámos, porque o Sérgio esteve durante bastante tempo com o segundo melhor tempo. E nós, como ele, a roer as unhas... Acabou por conseguir ficar nas medalhas.

Deveríamos, mas não fomos capazes de o lembrar.
Infelizmente.

E a FPC... lembrou-se que passaram cinco anos sobre a conquista da primeira - e única, até agora - medalha que ganhámos num Mundial?
Pois!...
Também não.

Muito sinceramente, Sérgio, eu, em nome pessoal peço-te desculpa!
Sentidas desculpas.

Fez, na passada 2.ª feira, CINCO ANOS que o Sérgio Paulinho conquistou a medalha de bronze nos Mundiais para sub-23, na vertente crono.

Mais vale tarde do que nunca. Poderia eu escrever.
Mas não me conformo por o não ter lembrado na data correcta...

927.ª etapa


ACABOU A UC MAIA

Já não há como camuflar este facto. Não, depois de um jornal local o ter anunciado.
Acabou a União Ciclista da Maia.

Não estou a falar da equipa de ciclismo patrocinada pela LA, do Luís Almeida, e pela MSS, do senhor Marcelino da Silva Santos, mas da União Ciclista da Maia.
As novas hão-de surgir nos próximos dias.

O que faria todo o sentido era não atirar para a valeta a importância da equipa formada em 1996 por José Santiago com o falecido Vieira de Carvalho, então presidente da edilidade maiata.
Não se esquecerem de quem, um dia apostou com "alma" no Ciclismo.

Como se esqueceram, entretanto, do engenheiro Luís Silva que, com a empresa Vale de Lobo por trás, sustentou uma das primeiras equipas verdadeiramente profissionais na História do Ciclismo português, o Louletano.

Ou o senhor Álvaro Silva que, com a Sicasal, mudou, em definitivo, a agulha, no que respeita a esse mesmo profissionalismo do Ciclismo em Portugal.
Não sejamos ingratos.

Mas, já agora, aplaudamos a mãos ambas quem tem a coragem de assumir o relevo de uma equipa com o estatuto como a que a de Manuel Zeferino tem.

Quero ser o primeiro!...

926.ª etapa


O ÚLTIMO A SAIR... APAGUE A LUZ, POR FAVOR!...

Começo com uma confissão que, fosse eu professante do catolicismo (que ninguém se ria porque não o sou de NENHUMA religião), mereceria para aí, pelo menos, um par de avés-marias como penitência.
Há algo que não bate certo, eu sabia e não o disse...

Mas tenho que acrescentar mais um pequenino dado de forma a que seja - pelo menos por vocês, meus leitores - julgado o mais justamente possível.
E espero sair absolvido.

Esta história tem "n" estórias associadas e quem não segue a "novela" desde o princípio nem vale a pena tentar perceber o que ficou para trás.

Estabeleçam um ponto de partida e tente, ao menos, perceber o que se está a passar.

Mas ainda há mais um... "entretanto" antes de poder, definitivamente, chegar aos "finalmentes".
Porque imponho a mim mesmo padrões de credibilidade em, seja o que for que escreva.
E a alínea primeira manda que revele que a questão que vem a seguir NÃO É MINHA.

Podia ter sido... Mas, de facto, não é. Já explico a primeira parte.

FACTO: a alemã T-Mobile anunciou há já um bom par de dias - para não dizer semanas - que acabou a sua temporada pelo que faltará, nomeadamente, à Volta à Lombardia, corrida do calendário ProTour;
diz o regulamento da UCI que TODAS as equipas têm que participar em TODAS as corridas do calendário ProTour.
O que é que irá acontecer?

Até agora, e por parte da UCI não houve reacções.
Nem tinha que haver.
Enquanto não se concretizar a ausência da T-Mobile (será só a T-Mobile que não vai comparecer em Itália?), não se justifica qualquer tomada de posição...

Este é o primeiro ponto.

O segundo, e ainda relativamente a equipas ProTour, tem a ver com o facto de a espanhola Saunier Duval estar a disputar uma corrida 2.2 no México, o que atropela os regulamentos em vigor.

As corridas 2.2, no Circuito Americano - aliás... como em qualquer outro - são para EQUIPAS CONTINENTAIS.

Como é que a Saunier Duval está a correr a Volta a Chihuahua, no México?
E nem sequer o está a fazer discretamente... anda lá por cima a discutir a corrida.

É aquilo... uma cowboyada?
Não?

Então porque é que não li anda que a Saunier Duval NÃO PODIA ESTAR A CORRER no México?
Quantas escapatórias há, no fim de contas, nos regulamentos?
Porque estou certo que alguém vai apresentar uma explicação...

Eu só tenho à minha disposição... os regulamentos:

uma equipa ProTour NÃO PODE correr provas 2.2, em nenhum dos circuitos continentais;
lizando.

Com equipas ProTour que baixam os portais antes de terminado o calendário e com outras a correr indevidamente provas que NÃO PODIAM correr... em relação ao ProTour, O ÚLTIMO A SAIR QUE APAGUE AS LUZES. POR FAVOR...

quinta-feira, outubro 11, 2007

925.ª etapa


EXPLICAÇÕES COM… SEIS ANOS DE ATRASO

Eu sei que o António Costa me desculpará por transformar aquilo que seria, em princípio, passível de resposta ao comentário que ele colocou há dois artigos atrás, num novo artigo. E sustento, em minha defesa, que este artigo NÃO É UMA RESPOSTA ao António Costa, antes o acrescentar de alguns dados – que não podem ser novos, seis anos depois – aos quais muito boa gente se furtou.

Gente com responsabilidade nomeadamente quem, usando as páginas de um jornal preferiu jogar “escondendo” cartas que eram de todo obrigatório lançar na mesa da discussão.

Não, meu caro amigo – tu sabes que me refiro a ti –, não pretendo exumar o que está morto e enterrado. Deixá-lo estar. Gastámos, eu, tu, a maioria dos nossos colegas, tinta de mais no assunto.

Calhou que eu me lembrasse de assinalar a efeméride.
E que o António Costa, pessoa que respeito (muito) como homem, que cumprimento, mas com quem já mantive várias polémicas (o que nos iliba, aos dois, de estarmos “feitos” neste “reacender” de uma fogueira há muito dada como extinta e com rescaldo e tudo) lhe juntasse um comentário.

E porque há coisas que, puxando pela memória, revendo os jornais da altura, ainda assim acho que – todos (eu incluído) – conseguimos não ver.
Assim, à distância torna-se mais fácil.

E não passará nunca de um exercício académico porque não há maneira de voltar atrás.
Está feito, está feito…

Costa, espero que compreenda as minhas razões e não leve a mal o puxar para aqui o assunto. É verdade que em 1999 se testou aquilo que viria a ser o percurso dos Mundiais nos Europeus de sub-23. É verdade que foram transmitidos pela RTP tal como o foi, por exemplo, a chegada ao mesmíssimo local da 2.ª etapa da Volta a Portugal de 2006.

Aqui, vão todos perdoar-me o que pode ser interpretado como um auto-elogio. Juro que aconteceu. Juro que não estava à espera, nem sequer preocupado – eu já estava de baixa médica na altura – com estas questões de pormenor, mas revelo-vos que, cerca de duas horas antes da chegada da 2.ª etapa da Volta de 2006, depois de ter almoçado com um pequeno grupo de amigos – que revelo, sem problemas: o Guita Júnior, o Martins Morim, o Fernando Emílio e o, desgraçadamente, já ausente Boaventura Bonzinho – num tasco em Santo Amaro de Alcântara, acompanhei outro amigo, o Fernando Petronilho, no seu almoço. Bebi mais um café… naquele espaço que eu conheço como Espelho de Água, junto ao Padrão dos Descobrimentos.

E como tive tempo para olhar à volta… reparei que, a partir de certa altura deixámos de ter aviões a sobrevoar a zona.

Era aqui que queria chegar.

A Organização da Volta a Portugal – tal como a dos tais Europeus de 1999 – conseguiu que, num espaço relativamente curto de hora e meia/duas horas, o Aeroporto de Lisboa fechasse o corredor de acesso à pista principal, que passa exactamente pelo vale de Alcântara, vindo da Costa de Caparica.
Quem é que nunca aterrou no Aeroporto de Lisboa?

O problema, e aqui já entram as críticas nunca fundamentadas, é que para os Mundiais de 2001 esse corredor teria que estar fechado entre as 9 da manhã e as seis da tarde durante… quatro dias.
Era impossível. Foi impossível.

O meu caro amigo Manuel Amaro, director-executivo dos Mundiais, era (não sei se ainda é) funcionário da ANA – Aeroportos e Navegação Aérea. Não podia a organização ter ninguém mais bem posicionado. E era impossível desviar dezenas (centenas de vôos) até porque a outra pista, à qual se acede de Norte, sobrevoando a Arruda dos Vinhos e passando aqui, à minha vista, em Alverca, é a pista mais curta…
Mas não era, não foi uma questão de… comprimento.
Estava em causa a operacionalidade do Aeroporto de Lisboa.

Por isso, e só por isso, uma eventual passagem – que também nunca passou disso – do circuito pela Avenida de Ceuta foi “chumbado”.

Céus!... Eu acho que nem eu expliquei isto. Eu que estive com o Manuel Amaro na sede da organização dos Mundiais, no Estádio Universitário, que com ele vi os mapas, os planos… acho que nem eu escrevi isso.
Mas é esta a explicação simples, tão simples… para que o circuito final fosse ligeiramente arrastado para poente.

Porque os vôos de carreira não sobrevoam o Parque de Monsanto, logo, a presença, sobre ele, dos hélis de recolha de imagem e dos aviões-antena não interferiam com o corredor de acesso à Portela dos vôos comerciais.
Isto não foi mesmo explicado?
Já não sei.

Depois, e já que chamei para aqui a resposta, diz o António Costa que a EuroSport transmitiu na íntegra a prova final. E sublinha que tem as gravações.

Mas o António Costa também deve saber que a EuroSport NÃO TEM, nunca teve… uma produção própria.
O que o António Costa viu na EuroSport, o que os espanhóis viram na TVE, os franceses na TF1, os holandeses na NOS e por aí adiante… foram as imagens que a… RTP – Rádio Televisão Portuguesa colheram e difundiram para todas as associadas na União Europeia de Televisão e a quem tinha comprado os direitos.

SÓ PORTUGAL é que não viu. Na RTP.

Agora, amigo Costa, em relação aos estacionamentos e acessos.
Nós somos como somos e, acho eu, já nem vale a pena tentar sequer desejar que mudemos.
Se pudessem, os portugueses estacionavam o carrinho, não em frente à porta do prédio – onde moram mais, em média e para um prédio de três andares, sete famílias – mas no patamar do respectivo andar. Assim o pópó subisse as escadas!

Só falando de Mundiais.
Estive em 1999 em Treviso e em Verona. Ambos os circuitos eram citadinos. Lugares para estacionar? À vontade!... nos parques de estacionamento subterrâneos das duas cidades.
Não houve abébias para ninguém.
Aliás, e em Treviso então, onde o traçado dos contra-relógios foram desenhados assim numa espécie de… Bairro Alto lá do sítio… nem bicicletas podiam ser estacionadas junto ao percurso.
E em Verona foi mais do mesmo.

Em 2002, em Zolder, com é habitual – acho eu – o circuito automóvel terá de ter um parque de estacionamento para quem vai ver as corridas… Terá, acredito, porque não o vi. Deve ter sido ocupado com os camiões da TV, pela produção... pela Organização...

O que sei é que a CS tinha o seu parque de estacionamento a cerca de três quilómetros do local. E havia meia dúzia de “shuttles” que faziam a ligação entre aquele… campo ervado, junto a um canal, e o Circuito propriamente dito.
Íamos de carro e escolhíamos…
Chegávamos cedo e deixávamo-lo o mais perto possível da saída (logo, o mais afastado do ponto onde se apanhava o “shuttle”, percurso que era sensivelmente de 800 metros – que é algo parecido ao entre o Marquês e os Restauradores – que tínhamos de fazer quatro vezes (porque também almoçávamos) – ou junto ao ponto do “shuttle” e, quando acabássemos o trabalho, ficávamos 40 a 50 minutos “entalados” à espera que os que tinham estacionado lá atrás, mais perto da saída, aparecessem.

SÓ o português é que fica irritado porque não pode levar o pópó para o átrio do 5.º andar onde mora (subindo escadas e tudo!).

Ah!... Em relação às bancadas…
Em todo o lado são pagas a “peso de ouro” e metade está reservada a “convidados” e convidados dos patrocinadores…
Não foi só em Lisboa. Garanto-lhe!...

924.ª etapa


PARABÉNS (OUTRA VEZ) AOS EDIS DE PAREDES

Já aqui tinha falado nisto e os meus leitores mais atentos já terão visto o anúncio que passa - há já vários dias - pouco depois das 19 horas, na RTP1, como "publicidade institucional".

Descodificando, como serviço público, logo - isso ao certo não sei e inventar não vou -, se não de borla (em nome do tal serviço público), pelo menos a preço muito convidativo.

O Município de Paredes "usa" - no melhor dos sentidos - a imagem de Cândido Barbosa, enquanto figura pública, para promover um evento que está a levar a cabo.

Mas o que eu aqui quero realçar é mesmo isso: houve alguém - com a colaboração, é evidente, do Cândido (que também ele sai elevado, em termos de prestígio) - que apostou forte e... acertadamente na divulgação daquele Municipio dando à campanha o rosto mais conhecido da sua região.

Parabéns!... Parabéns à Câmara Municipal de Paredes.

(Peço desculpa pela qualidade das pelas fotos... Sou daqueles que um dia, porque o velhinho aborregou, comprou um telemóvel novo mas, enquanto este durar, não há "moda" que me convença; até porque continuo a achar que um telemóvel é para telefonar... e máquinas fotográficas... não tenho!)

Porque, e como já antes referira, não tenho memória de outra iniciativa deste género assente na figura de um Corredor profissional de ciclismo.

Vasculho mais fundo e retrocedo três anos - até porque nessa altura eu próprio escrevi sobre isso, não no VeloLuso, que ainda não existia, mas n'A BOLA.

Em 2004 Portugal... refraseando, as autoridades que ocupam os lugares de cima, na estrutura desportiva nacional, a começar pelo Estado - pela Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto - e saltando para a Federação Portuguesa de Ciclismo conseguiramm um feito digno de um lugar no Guinness Book.

Conquistámos uma medalha Olímpica com o Ciclismo e NINGUÉM soube aproveitar isso, que mais não fosse, para chamar mais jovens para o Ciclismo.

A conquista daquela medalha justificava esta mesma publicidade institucional de forma a captar jovens praticantes. Com o símbolo da FPC junto, perceberam?!...
Não foi feito!...

A CS fez o que tinha a fazer, mas das instituições nem vento nem sopro.

Ficou a ideia que isso de ser medalha de prata numas Olimpíadas é coisa tão corriqueira que até tiveram vergonha de "fazer barulho" à volta disso.

Ah!... A Câmara Municipal de Cascais deu o nome de Sérgio Paulinho a 40 metros de rua que levam à vivenda onde moram... os seus pais!
Não é a casa onde ele nasceu; não é a casa que ele fará sua...
É a casa - e o impasse (a ruazinha não tem saída, vai dar ao portão da casa) - onde ele vive.
Ou vivia...

Ah!... E criou-se um Grande Prémio Sérgio Paulinho.
Foi o que de mais genial a FPC arranjou.

Por isso esta campanha de Paredes me surpreendeu.
Positivamente.

Afinal há quem saiba tirar proveito - sempre no bom sentido - daquilo que... a sorte lhes pôs nas mãos.

E o Cândido disse presente, quando precisaram dele para dar a cara.
Parabéns a ele também.

quarta-feira, outubro 10, 2007

923.ª etapa


OS TESOURINHOS ESTÃO DE VOLTA

Sei que gostam de ir recordando passagens, ainda que soltas, da história recente do Ciclismo nacional que por aqui vão desfilando. O chato há-de ser a mesma explicação que vou repetindo. Mas ela é imprescindível para evitar más interpretações. Comecei – há já uns meses, é verdade, mas de vez em quando esfuma-se-me a vontade e páro – por arrumar, ano a ano, mês a mês, cronologicamente por dias, A BOLA. Depois passei ao Record e agora cheguei a O JOGO. É o único motivo porque agora estão a aparecer recortes deste jornal.

Hoje – ainda que com um dia de atraso, ontem dediquei-me aos anos de 1998, 1999 e 2000 – recordo os CAMPEONATOS DO MUNDO DE LISBOA, em 2001.

Foi em 1998 que a Federação Portuguesa de Ciclismo viu serem aprovados os Mundiais em Portugal e a cidade candidata sempre foi Lisboa. O que gerou, vindo de diversos quadrantes, grandes polémicas.

Primeiro, e a memória dos Homens não será tão curta assim, pôs-se em causa a oportunidade de Portugal realizar os Mundiais; depois… depois iam caindo o Carmo e a Trindade pelo facto de a cidade escolhida pela FPC ter sido a Capital.

Primeiro, porque o País não precisava nada de gastar um dinheirão na organização de uns Mundiais; depois, outra vez, porque Lisboa não era o local indicado.

Escrevi muito sobre isto, na altura. Mais quando a decisão da UCI foi ratificada e eu já estava n’A BOLA.

Ui!... o que eu fui criticado por desde logo ter assumido a defesa, tanto dos Mundiais em Portugal, como da sua realização em Lisboa.

Eu sabia que havia outras localizações que poderiam atrair mais gente à estrada e devo ter falado nelas, já não me recordo. Mas testemunhei, por exemplo e em três anos consecutivos, que um dos locais que muita gente preferia, a zona de Santa Maria da Feira, nunca correspondeu em termos de público nos três Nacionais que aí se realizaram.

E sabia também, pelas vezes que a Volta a Portugal já tivera etapas da Volta – até Voltas – a terminarem em Lisboa a adesão do público não tinha sido por aí além. Etapas da Volta mas também do Grande Prémio A CAPITAL, do GP Correio da Manhã… até do Troféu Joaquim Agostinho.

O que eu sonhava era que a vinda das principais grandes figuras a Lisboa cativasse os lisboetas… Por isso me mantive na minha.

Depois, depois implicaram com a zona escolhida para palco das corridas.
Fiz entrevistas ao doutor Artur Moreira Lopes, ao Manuel Amaro, o “executivo”, ambos me mostraram planos, me falaram com tal entusiasmo que me contagiaram. E visitei, pelo menos duas vezes, o percurso, muito antes da data da prova.

Antes destes Mundiais já havia feito os de 1999, com as provas de crono em Treviso e as corridas de fundo em Verona e fiquei com poucas dúvidas que o traçado dos Mundiais de Lisboa não lhes ficavam a dever nada. Em nenhum aspecto.

Mas a polémica durou, durou, durou…
Ainda agora, quando arrumava – e relia – as páginas do jornal pude constatar que a mesma pessoa, um renomado técnico nacional que manteve uma coluna de opinião ao longo dos mesmos, “arrancou” com muitas dúvidas para terminar com o reconhecimento de que os Mundiais tinham sido um sucesso.

Lisboa não correspondeu?
Eu ainda viria a fazer os Mundiais de Zolder, no ano seguinte. Que, atenção, como sabem fica na Bélgica. E foi sempre a mesma coisa. O último quilómetro penhado de gente e, depois, ao longo do restante percurso – porque todos eles foram em circuito, com “molhinhos” de pessoas aqui e ali… Houve mais estrangeiros em Portugal do que propriamente portugueses?
Houve.
Mas eu ainda não me esqueci de figuras proeminentes do Ciclismo nacional que, a uma hora de Lisboa, de carro, fizeram questão de não aparecer.

Concluindo esta parte.
Defendi, com unhas e dentes – e vi-me envolvido numa polémica chata com um dos jornalistas que era um dos meus gurus, na altura (continuo a respeitá-lo muito, mas ele já não faz ciclismo há uns anos) – os Mundiais, em Portugal e em Lisboa e se fosse hoje tomaria a mesmíssima posição.
Porque sou teimoso?
Sim. Também.
Mas porque manda a tal regra da sensatez que se um produto se vende bem – até esgota – num ponto “x”, a obrigação de quem tem que controlar a sua venda é experimentar outros locais onde não seja tão habitual ter… clientes.
E se não se tivesse experimentado jamais o saberíamos.

Em desacordo, quanto a outros assuntos, mantenho-mo fiel ao apoio que então dei à decisão da Federação Portuguesa de Ciclismo e ao seu presidente.

De resto, e desportivamente, a prova correu de forma a ninguém botar defeito – muito devido ao trabalho de algumas dezenas de pessoas que ficaram sempre na sombra – mas aconteceram dois pequenos casos.

Primeiro, convocado para os sub-23, Nuno Ribeiro, então corredor do Gondomar, foi descartado – as palavras são dele e estão nos jornais da altura – às 23.30 da véspera do arranque dos Campeonatos.
Eu estive com ele, nessa tarde, num hotel ali para Sete Rios, onde a Selecção montou o Quartel General e, nunca o tendo conhecido como um rapaz exuberante – antes pelo contrário, sempre muito fechado –, já se adivinhava que seria ele o preterido.
E só falo neste episódio porque ainda não há 15 dias o Nuno foi o português mais bem classificado em Estugarda!

O outro caso não foi caso. Foi barraca mesmo.
No domingo, no dia da corrida principal, que haveria de consagrar Oscar Freire, pela segunda vez, Campeão do Mundo… a RTP, que garantiu a transmissão do evento para todo o Mundo, fornecendo as imagens às suas associadas e também à EuroSport… a RTP que teve mais de 150 efectivos no campo, ao longo dos quatro dias – ainda não havia dia de descanso – NÃO TRANSMITIU a corrida, passando um qualquer festival que eu, naturalmente não vi porque nas Salas de Imprensa as imagens que vemos são as de um circuito interno, sem pausas ou interrupções.

Na verdade, só soube depois de arrumar a tralha no final do dia de trabalho que fechava um ano louco, em que fiz, com pouquíssimos dias de intervalo entre elas, a Volta a Portugal, ganha pelo Fabian Jeker, da Maia; a Vuelta – onde Claus Möller (Maia) triunfou no Alto de Aitana e que foi ganha no último dia, no crono, por Angel Casero (Festina), crono no qual a camisola dourada – creio que a primeira Camisola Dourada – foi envergada até à Plaza de Cibeles por Oscar Sevilla… e depois o Mundial.

Definho – passe o exagero – só de recordar esse ano no qual, em menos de dois meses e meio fiz 50 dias de Ciclismo no exterior. Apetece-me desistir. Deitar a toalha ao chão. Morrer!...

Campeões (e medalhas) em Lisboa-2001
Elites Masculinos
Corrida de Fundo

OSCAR FREIRE (ESP)
Paolo Bettini (Ita)
Andrej Hauptmann (Esl)
(Rui Sousa, foi 24.º; Gonçalo Amorim, 37.º, Rui Lavarinhas, 63.º e Nuno Alves, 64.º)
Contra-relógio individual
JAN ULLRICH (ALE)
David Millar (GB)
Santi Botero (Col)
(Joaquim Andrade foi 26.º e Joaquim Gomes, 31.º)
Sub-23 Masculinos
Corrida de Fundo
YAROSLAV POPOVICH (UCR)
Gianpaolo Caruso (Ita)
Ruslan Gryschenko (Ucr)
(Sérgio Paulinho foi 23; Gilberto Martins, 57.º; Hugo Sabido, 61.º; Hernâni Brôco, 63.º e Hélder Miranda, 73.º)
Contra-relógio individual
DANNY PATE (EUA)
– (lidera, pelo menos até hoje, a Volta ao estado de Chihuahua!...)
Sebastien Lang (Ale)
James Perru (AfS)
(Sérgio Paulinho foi 5.º - haveria de ser 3.º no ano seguinte, em Zolder -; e Hernâni Brôco, 14.º)
Juniores Masculinos
Corrida de Fundo
OLEKSANDR KVACHUCK (UCR)
Niels Scheuneman (Hol)
Mathieu Perget (Fra)
(António Jesus foi 29.º)
Contra-relógio individual
JURGEN VAN DEN BROECK (BEL)
Oleksandr Kvachuck (Ucr)
Niels Scheuneman (Hol)
(Filipe Cardoso foi 28.º e António Jesus, 32.º)

Elites Femininos
Prova de Fundo
RASA POLIKEVICIUTE (LIT)
Edita Punciskaite (Lit)
Jeannie Longo (Fra)

Contra-relógio individual
JEANNIE LONGO (FRA)
Nicole Brandli (Sui)
Teodora Ruano (Esp)

Juniores Femininos
Contra-relógio individual
NICOLE COOCK (GB)
Natalia Boiarskaia (Eus)
Diana Elmentaite (Lit)

922.ª etapa


DECIDAM-SE RÁPIDO
QUE EU ESTOU CADA VEZ MAIS CONFUSO

Confesso que, interessando-me pela “coisa-Ciclismo” tenho espírito suficientemente aberto para aceitar novidades. Mas há coisas que não entendo.
Por mais que me esforce, não entendo.

Será, não duvido, problema meu. Já vivi melhores dias…
Hoje outros problemas me apoquentam.

Leio, ao longo da temporada, os mais acintosos libelos contra os desgraçados – eu sublinho “desgraçados” e vocês hão-de perceber porquê – que são apanhados com resultados positivos nos milhentos controlos anti-doping que se fazem todas as semanas, um pouco por toda esta Europa fora.

De “cão” para baixo… vale tudo!

No Tour, depois de duas etapasde alta montanha, daquelas onde os atletas deixam suor e sangueespectaculares, claro, aconteceu a expulsão do dinamarquês Rasmussen e não houve “vira-lata” que, alçando a pernita, não lhe tivesse mijado para cima.

Porque sim.
Porque se não estava dopado… parecia!!!
(Um novo conceito introduzido este ano na corrida francesa.)

Depois, o único que lhe fez frente nesses mesmos terrenos, o espanhol Alberto Contador – que acabou vencendo em Paris – nem teve tempo para despejar o copo de vinho rosado com que se preparava para festejar em Pinto, sua terra natal, uma cidadezinha que está para Madrid como Odivelas está para Lisboa, e já os jornais franceses e alemães, com “especialistas” que me cheiram aos “Nuno Rogeiros” lá do sítio – sabem de tudo, comentam tudo – lhe caíam em cima lançando todo um rol de suspeitas. Ganhou o Tour? Só pode ter sido por estar dopado!!!

E, tirando os espanhóis, o resto do Mundo franze o sobrolho, põe o pé atrás e, esquecendo o institucional in dubia pro reo, rapidamente engrossa o pelotão dos desconfiados.

A seguir vem a Vuelta.
“Fraquinha! Não tinha dureza suficiente para marcar diferenças!...”

Neste ponto eu fecho os olhos e sacudo a cabeça de forma a acordar os cinco neurónios que me restam.

Querem montanha de arrasar, para depois crucificar quem chega lá acima em primeiro – “porque só o pode fazer dopado” – ou corridas com menos dificuldades que, não deixando de ser igual para todos, acabará por ser ganha pelo melhor?
Percebem?

Menos dificuldades… menos desconfianças… “talvez” até nem precisem de tomar nada…

Faço-me entender?

Mais à frente vêm os Mundiais. Uma tortura de 275 quilómetros com vinte e tal passagens por uma rampinha, é verdade, mas com 17% de inclinação…

Suspeitas sobre quem andou a maior parte do tempo na frente?
Que heresia!!!!
Claro que não…
Não… porquê?
Porque não! Ora essa… os Mundiais são sempre assim.

Ok. E o Tour não é sempre assim?

E a Vuelta não costumava ser um pouco mais exigente?

Expliquem quais são, nesta equação, os factores que mudam para que, de prova para prova se olhe com olhos diferentes?
Mas há mais.

Por mais que eu julgue que já vi tudo… debaixo da mais pequena pedra, de vez em quando lá me sai um lagarto de todo o tamanho [é um dito alentejano, não liguem…]

Agora vou citar o que li há pouco no Cyclolusitano.

O que está entre parêntesis rectos é comentário meu:

“Já há alguns dias que tenho vindo a acompanhar na net o surgimento de uma nova prova italiana denominada "l'eroica".

É disputada como antigamente, em estradas sem alcatrão, por meio de serras, olivais e descampados…. [falta acrescentar que tem 205 quilómetros de extensão, por serras e vales… 2/3 deles em caminhos de terra batida]…
Hoje correu-se a primeira edição para profissionais ganha por Kolobnev.


Quanto a mim
[o autor deste post], até pelo impacto causado na Gazzetta dello Sport e nos media italianos, estou em crer que se tornará um acontecimento parecido com o Paris-Roubaix. É uma ideia magnífica."

Duzentos e mais alguns quilómetros, maioritariamente corridos em carreiros de montanha, de terra batida… [podem ver no gráfico] mas… em nome de quê?
De que Desporto?
Não é do Ciclismo.
Não é Desporto!

O público quer – como eu estou farto de escrever – “circo”.
Quer espectáculo e está-se nas tintas para a saúde dos corredores.
Aliás… se as federações, incluindo a UCI, não tivessem parte dos seus orçamentos financiados por programas estatais de luta contra o doping… nem controlos havia.

Assim, têm que justificar os subsídios com a realização de alguns controlos.

E eu volto a pôr a mesma questão:
O Ciclismo de alta competição deve ser encarado, de vez, como um espectáculosimmmm, sim, eu não me esqueceria de repetir: como a NBA – ou cortamos-lhes as asas e mantemo-lo como uma modalidade desportiva cingida às bafientas federações que aspiram à sua parte do lucro no… espectáculo, mas que surgem qual “diácono Remédios” a cortar “cenas” mais... estranhas abanando a cabeça e dizendo… “não habia nexexidade!...”

O que é que queremos fazer com o Ciclismo de alta-competição?

Porque sobra ainda muito ciclismo para ser regido pelas normas desportivas, puras e imaculadas, como constam nos “catecismos” que as federações – a começar pela UCI – ostentam de cada vez que há um caso que foge às regras.
Que regras?
As de uma modalidade desportiva, praticada por amadores ou por jovens em formação, ou as que se enquadram na categoria de espectáculo?

Caro.

Que tem que ser pago.
E não é pelas federações.

Definam lá isso de uma vez por todas.

Ps: ah!, acabou assim aquela “espectacular corrida” de corta mato:
1. Alexandr Kolobnev (Rus/Team CSC)
2. Marcus Ljungqvist (Swe/Team CSC)
3. Mikhaylo Khalilov (Ukr/Ceramica Flaminia)
4. Manuele Mori (Ita/Saunier Duval-Prodir)
5. José Enrique Gutierrez (Spa/Team LPR)
6. José Alberto Benítez (Spa/Saunier Duval-Prodir)
7. Jure Golcer (Slo/Tenax-Salmilano)
8. Ricardo Serrano (Spa/Tinkoff Credit Systems)
9. Giairo Ermeti (Ita/Tenax-Salmilano)

terça-feira, outubro 09, 2007

921.ª etapa


QUE UMA DAS PARTES EMITA UM COMUNICADO...

Outra dúvida atroz me persegue desde há alguns meses.
Tem a ver com um corredor que correu na Maia e foi SEMPRE dos mais sacrificados, lendo isto como daqueles que mais tiveram que trabalhar para o colectivo...
Foi dispensado, ao que sei, por desacordo com a nova proposta de contrato que lhe foi apresentada em 2005.

O ano passado, correndo numa das mais frágeis formações do pelotão... destacou-se, porque sempre foi um corredor com valor reconhecido.

Este ano integrou o plantel do SL Benfica mas... a meio da época... desapareceu.

Vejo-o agora, segundo o JORNAL CICLISMO na lista de dispensas dos encarnados.

Porquê? Repito... porquê?
E pergunto... porque é que nenhum jornal se deu ao trabalho de o saber?
.
(Também assinou um documento que o inibe de contar a verdade?...)

920.ª etapa


EXPLIQUEM-ME COMO SE EU
TIVESE APENAS… 10 ANOS


Previsível, mas oportuno porque mais ninguém teve a coragem de nele pegar, o assunto do Editorial deste número 6 do JORNAL CICLISMO.

Alguém me pode explicar, assim como se eu fosse burro, muito burro, mesmooooo muito burro…
… porque é que Corredores como Paolo Bettini, o Schumacher, o Valverde, o Oscar Freire… o Fabian Cancellara ou o Laszlo Bodrogi… (agora aguentem-se aí à parada), o Danail Petrov, o Martin Garrido, ou mesmo aquele coreano que veio para o Vitória–ASC caiem NA ASNEIRA de participarem nuns Campeonatos do Mundo que, é óbvio para o comum dos portugueses, deve ser mais coisa menos coisa… como ir à barraca da feira da aldeia atirar com aquelas espingardas de pressão de ar e mira propositadamente desalinhada para ganharem… uma boneca de trapos.

Sim!... Porque se AQUILO tivesse algum “interesse”… os MELHORES PORTUGUESES TAMBÉM FAZIAM FILA PARA LÁ ESTAREM!

É evidente que sabem qual é a minha opinião.
E que percebem que o que atrás ficou escrito não passa de uma rábula pró-revisteira, tipo Parque Mayer.
Porque se fosse a sério…

… se fosse a sério tínhamos que ter a resposta, clara, sem margem para dúvidas, dos principais nomes do Ciclismo português. Alguns deles chegaram onde chegaram envergando a camisola da Selecção.

Falta de ambição. Já têm bons contratos, já construíram boas vivendas, já têm ruas com os seus nomes nas placas toponímicas…

Mas como para o ano os Jogos Olímpicos até coincidem com a Volta a Portugal… este assunto vai dar pano para mangas.
Por agora… fico-me por aqui.

(Mas, já agora, e para que não prevalecessem dúvidas, convinha que o Comité Olímpico Português divulgasse, atempadamente, qual o prémio a que cada atleta tem direito só pela presença em Pequim. Como não será difícil saber quanto é que será possível ganhar numa Volta a Portugal…)

919.ª etapa


JORNAL CICLISMO
FORÇA COMPANHEIROS!


Só hoje, terça-feira – presumo que por causa do feriado da última sexta – me chegou à caixa de correio o n.º 6 do JORNAL CICLISMO. Que ainda não li t
odo, mas que já me trouxe para aqui. Depois leio o resto e voltarei as vezes que forem precisas.

Primeiro: dada a qualidade da informação, a oportunidade dos comentários e o noticiário que, apesar de quinzenais, conseguiram adiantar aos três desportivos da praça, o JORNAL CICLISMO começa a ser uma referência.
Antes de continuar, deixem-me fazer um pouco o papel do diabo.
Ok… tudo o que for melhor que ZERO é ÓPTIMO.

Mas, acreditem, não é isso o que sinto.
Não sei como o João e o Zé Carlos reagirão aos meus comentários. Primeiro porque aceito que não me reconheçam autoridade para tanto; depois, porque, afinal de contas, serei – vou, pelo menos tentar – ser concorrente.
Não no VeloLuso. Claro que não!
Pese embora os altos e baixos por que vem a passar.
Mais baixos que altos, e seria preciso, para o justificar, expor em público faixas da minha vida privada.
O que não estou disposto a fazer.

Seremos concorrentes logo, logo que eu recupere e possa voltar à minha casa.
Riam-se, os que acharem que é para rir. Preparem-se os que julgam que me conheciam.

Há desafios – desafios não!, há provas para as quais jamais seríamos voluntários – que podem implicar de tal forma connosco que nos transfiguram.

Eu sei que há os que já não acreditam que eu volte.
E há os que pedem aos seus “santinhos” que eu não volte mais.
Mas vou voltar.
Nem que seja por meia dúzia de meses.

Neste ponto, lembro-me o que o meu querido Guita Júnior diz há anos… gostava de morrer no decurso de uma Volta a Portugal.
Provavelmente, porque há sentimentos que hoje em dia valem ZERO, o Guita não voltará – como Jornalista – a fazer mais nenhuma Volta.
Dói-me dizer isto porque, o mais certo é que o mesmo venha a acontecer comigo…

Mas – e depois deste fundo suspiro que não ouviram e é intraduzível em caracteres – voltemos então a este número 6 do JORNAL DE CICLISMO.
Eu sei exactamente como escrevo.
Sei que não tenho uma leitura fácil.
Que embrulho… Tudo características que são mais dos que suficientes para ser emprateleirado em qualquer jornal, no modelo que todos seguem.
Diz-se que em nome de uma leitura mais fácil.
Porque as pessoas não têm tempo para ler.
Falso!
Tudo porque cada vez há menos gente (jornalistas) que consiga construir um texto com cabeça, tronco e membros. Essa é que é essa!...
Os “heróis” no dia-a-dia são os que, desgravadas as declarações que todos os jornalistas de todos os jornais têm… descobrem a frase certa para uma manchete que venda.

É importante? É o mais importante?...
É… é verdade? – salvaguardando que está gravado e alguém o disse –, mas será verdade?
É. Hoje, é.
Amanhã talvez não… daqui a três dias ninguém mais se lembra.

Opsss… ainda não foi desta.
Vamos lá ao JORNAL CICLISMO.

Não reivindico palminhas, palminhas, palminhas, muito menos uma coroa de louros.
Agora, ao ler a história do percurso do Joaquim Agostinho já se refere quem disse o quê, quando, a quem, onde e porquê. A primeira versão parecia - parecia não, era - uma "nova" biografia plagiada das várias biografias existentes. Como se tivesse sido vivida pelo signatário ao a ele contada pelo falecido.
E sabem uma coisa? Eu sei que não foi por mal.
Ninguém tem culpa de ser IGNORANTE ao ponto de pensar que, lendo uma frase aqui, outra ali... hoje, em pleno Século XXI, podia até escrever a biografia - ainda que, por razões óbvias, não autorizada - do Rei D. Afonso Henriques.
Os direitos dos autores que já lhe escreveram a História é... lixo!
Foi por isso que protestei veementemente.
Perdoo aos editores do jornal – por aquilo que aconteceu na primeira parte da história do Joaquim Agostinho – porque sei que actuaram de boa fé.
Imaginem eu a agarrar na minha História de Portugal, do Alexandre Herculano, e lançar um livro novo.
Ou mesmo apontamentos em jornais.
Iam achar que eu era tão bom quanto o historiador quando eu me limitara a plagiar o que ele escrevera.

Perdoo-vos porque vos reconheço intelectualmente irrepreensíveis…
Foram enganados. Mas isso mudou.
Ainda bem.

segunda-feira, outubro 08, 2007

918.ª etapa


VOLTA À MADEIRA E PORTO SANTO

Começo com uma nota.
No primeiro terço da temporada a UCI introduziu algumas alterações ao Regulamento Geral e Técnico de Corridas. A mais vísivel - digo eu... - foi a de que acabavam as meias-etapas, ou as etapas com dois sectores.
Cada etapa é uma etapa e conta como tal, com uma excepção. Mantiveram-se os artigos relativos à distribuição das bonificações. Isto é... como exemplo, se uma etapa dá 10, 6 e 4 segundos de bonificação (quando é caso disso), e no caso de meias etapas ou etapas divididas por sectores, fazia baixar aqueles números para 6, 4 e 1 segundos de bonificação, isso mantêm-se nas situações em que num mesmo dia haja mais do que uma etapa.

A grande alteração, em termos práticos, é que no final de cada etapa HÁ mudança de camisolas. O que não podia acontecer antes, uma vez que, no final de uma... meia-etapa, era evidente que a ETAPA ainda não tinha acabado.

Pelo que só no fim do dia haveria alterações nos portadores das camisolas sendo possível que, à saída para o segundo sector (ou meia-etapa) o corredor que CONTINUARIA DE AMARELO (por exemplo) já tinha virtualmente sido ultrapassado na Classificação geral. Ou noutra qualquer, em relação às outras camisolas.

Não houve espaço para explicar isto nos jornais e, creio, que nem sequer tempo para informar as organizações. Mas está escrito.

Posto isto, só falta referir que a etapa de hoje da Volta à Madeira e Porto Santo (que teve 55 km, e não 61,4 como fora anunciado) com partida e chegada a Câmara de Lobos, na zona central/sul da ilha, foi ganha por César Fonte (Santa Maria da Feira) que cortou a meta isolado com 46 segundos de vantagem sobre um pequeno grupo de sete corredores onde se encontrava o camisola amarela, Rui Costa (SL Benfica).

A Geral Individual está agora assim escalonada:
1.º, Rui Costa (SLB), 4.18.34 horas
2.º, Edgar Pinto (SLB), a 25 s
3.º, Ricardo Vilela (SMF), a 33 s
4.º, José Mendes (SLB), a 59 s
5.º, Carlos Sabido (CAS), a 1.17 m
6.º, João Benta (CAS), a 1.56 m
7.º, Luís Romão (FON), a 3.48 m
8.º, Hector Espasandin (NAG), a 4.14 m
9.º, Samuel Coelho (SMF), a 4.22 m
10.º, Daniel Mestre (TAV), a 5.05 m
11.º, Henrique Casimiro (TAV), a 5.20 m
12.º, Alcides Almeida (SMF), a a 5.21 m
13.º, Jorge Silva (SIN), a 5.45 m
14.º, Aser Estevez (CXN), a 5.48 m
15.º, João Pereira (TAV), a 6.14 m

domingo, outubro 07, 2007

917.ª etapa


AS MINHAS PRIMEIRAS SAÍDAS, SAÍDAS…
FORAM À MADEIRA

Perdoem-me o tom saudosista desta crónica.
No artigo anterior reporto a 32.ª Volta à Madeira. Foi exactamente à Madeira que fui, pela primeira vez, enviado-especial do meu jornal, na altura – A CAPITAL – para cobrir uma prova de ciclismo. Foi em 1995. Já lá vão 12 anos!

A Associação de Desportos da Madeira – uma espécie de confederação que congrega meia dúzia de associações regionais, incluindo a de Ciclismo – fazia questão de promover a corrida a nível nacional. Muito, sejamos justos, pela força que o David Ramalho, jornalista que passou pelos principais jornais nacionais, incluindo A BOLA, e representante “diplomático” da ADM no “continente” punha isso na primeira linha.

Madeirense de nascimento, puxava a brasa à sua sardinha?

Talvez. Mas vamos discutir isso?

Mas a minha escolha – ainda jornalista de A CAPITAL – como representante da Imprensa… continental no arquipélago de inefável doutor Jardim, tem ainda uma outra explicação.
Já acontecia – embora pouca gente disso se tivesse dado conta – cobertura “nacional” (com uma breve, ou 800 caracteres) da Volta à Madeira.

Os jornalistas eram convidados e os jornais mandavam quem tinham disponível – ainda não tínhamos chegado à era de colaboradores de jornais viajarem a espensas de empresários de ciclistas mas que ninguém se abespinhe…

Fui pela primeira vez à Volta à Madeira – sem vergonhas especiais – no lugar do meu querido amigo Guita Júnior e a explicação é simples, nesse ano de 1995 a Vuelta acabara de passar de Abril para Setembro, o que coincidia com a Volta à Madeira. Indo o Guita à Vuelta, sobrava um lugar para a Volta à Madeira. O David Ramalho convidou A Capital a… “enviar-me”. E fui.

Fui em 1995 [1.ª foto, com o Pedro Andrade a “limpar” todas as classificações] e em 1996.

Em 1997, A CAPITAL escolheu a Vuelta. E já não houve a viagem à Pérola do Atlântico.

Mas foram dois anos de gloriosas experiências.
E eu, geneticamente formatado contra coisas do tipo... mexicanos, canadianos e americanos, comecei por ficar estarrecido.

Porque numa chegada com seis corredores juntos, cinco comissários de chegada não conseguiram tirar o número do dorsal de todos eles.

Eu e o David – que já fez a desfeita de nos ter deixado - tínhamos a ordem de chegada e tudo se resolveu.

Foram duas vezes oito dias espectaculares.

Atenção, que agora é a sério… Não olhem para aquelas etapas com pouco mais de 40 quilómetros e riam. Eu estive lá… Aliás, olhem para as diferenças que já há na Geral Individual.

Na Madeira, qualquer etapa de 40 quilómetros equivale a uma de 160 no continente… pior. Porque praticamente não há zonas de descanso. E são todas traçadas a subir.

E as duas voltas à Madeira que fiz foram as que mais se aproximaram das “minhas” voltas ao Alentejo de referência.
Porque havia tempo, disponibilidade e vontade para “arrastar” os repórteres… “continentais” para várias realidades da Madeira.

Umas lindas, como o arco-íris. Outras, tremendamente deprimentes como… a realidade.

Passar – não passear, mas passar (de carro) – à noite pelo centro do núcleo piscatório de Câmara de Lobos é algo de que ainda não me esqueci… Casas de duas assoalhadas – se é que se lhes pode chamar isso – para famílias de 12, 16… 18 pessoas. Buzinar, o mais discretamente possível, de forma a que, quem dormia no passeio, em esteiras – porque as famílias não cabiam todas na SUA casa – encolhesse as pernas… assistir aos mergulhos pró-suicídas dos rapazes com menos de dez anos que se atiram da muralha para ir buscar, seis ou sete metros abaixo da linha de água, a moeda de “pence” que o turista inglês lhe atira, num exercício semelhante ao que se faz com as focas no zoo, ou com o elefante que toca a sineta a troco de uma moeda…

Mas é evidente que a organização nos proporcionava tudo.
Hotel… (eu reparti, das duas vezes que lá estive, o quarto com o meu querido e admirado amigo Fernando Gomes [foto 2] – correspondente de… A BOLA, para a qual eu, na altura, bem sequer sonhava vir um dia a trabalhar), bons almoços, melhores jantares e, a partir daí… o que quiséssemos.

Que, a bem da verdade, não era nada disso que estão a pensar.

O hotel onde os… “continentais” estavam alojados tinha nos pisos térreos um bar e uma discoteca. Desta nada sei porque, como manda a boa educação, no final do dia acompanhávamos o nosso anfitrião.

Que era um homem extraordinário. Em todos os sentidos.

José António Gonçalves. Escritor, prosadista e poeta, figura de proa da política local… mais do que tudo um bon-vivent. Como já não há.
Infelizmente faleceu há coisa de dois anos.
Novo ainda.
Era homem para não ter ainda 60 anos.
“Rei” do caraokee, bebedor militante.
Boa pessoa, naquele sentido em que desaprendemos o que é uma boa pessoa.

Uma boa pessoa, que para este caso não muda nada em relação a pessoa boa, significa… EU NÃO SOU PERFEITO, MAS NÃO ME VENHAS DIZER QUE TU O ÉS…

Ao fim de dois minutos de conversa estávamos esclarecidos.
A partir daí manda a nossa consciência.

Vou “marcar” com um selo alguém que tem a coragem de viver uma vida – muito pública, muito pública… – só porque os seus padrões se desviam claramente dos meus?
Claro que não.

Aliás, eu e o José António Gonçalves, que apenas conviveremos 12 dias em dois anos até teríamos pontos em que, o que somos, para além do que temos que parecer ser, por obrigação profissional, eram inegavelmente coincidentes.

Mas também não vou deixar de dizer que era um pequeno ditador.

O que, atendendo às áreas sobre as quais tinha, de facto, poder, redundava numa (para ele) humilhante gargalhada.

A tal velha história de quem se julga com mais poderes do que aqueles que, realmente tem.

E se os tem por via institucional, então… mais pequeninos são.

Mas, para mim, é bom recordar esses dois anos de uma experiência nova.
E não vou negar que foram momentos de proveitosos ensinamentos que tentei não esquecer.
Até porque estava com jornalistas com muita mais experiência profissional do que eu.

É… Agora, neste momento, tenho saudades de há pouco mais de dez anos.
Do que aprendi, com os mais experientes…
Das conversas com o David Ramalho, com o Fernando Gomes…

Como de costume, os jornais esqueceram o David Ramalho.
O Fernando Gomes… vai dando notícias…
Nenhum dos que recebe a notícias que ele manda sabe de facto, o quanto lhe custou chegar a elas.