quinta-feira, novembro 15, 2007

970.ª etapa

E, DE REPENTE, O PAREDES É EQUIPA
EXPORTADORA DE VALORES

Há aqui meia dúzia deparei, na minha caixa de correio electrónico, com uma mensagem oriunda da Fercase-Paredes Rota dos Móveis. O meu caro Jorge Gonçalves – a quem aproveito para mandar um abraço – não saberá que ainda não regressei ao serviço e eu fiquei com aquelas três folhas sem saber muito bem como ajudar.

Pensei que tivesse, e é mais do que certo que o fez, enviado a mesma mensagem a outros jornalistas, responsáveis, eles tanto como eu, pela divulgação – dentro daquilo que é possível – das notícias sobre as equipas do nosso pelotão.
Mas não era uma notícia fácil para os jornais. Sem que isto signifique que a mensagem não tivesse razão de ser. Tinha, claro que tinha. E ainda tem.
A verdade é que não vi nada nos jornais desportivos.

Mas, como já confessei, até eu levei este tempo todo para encontrar, digamos… uma razão para relatar aquele press-release.
Encontrei-a há pouco, quando visitava um novo espaço que se propõe discutir o Ciclismo. (Para quem não saiba, aqui vai:
www.rodalivre.pt.vu).

Passei por lá e o que é que encontrei à discussão?
Como é que a CS pode ajudar mais o Ciclismo. Mais coisa menos coisa é este o tema.


E eu respondi: primeiro é preciso que as equipas percebam que têm de fazer chegar notícias às redacções.

E justifiquei: Se estão todos à espera das corridas, como só um é que ganha e na maioria das vezes os jornais não tem mais espaço do que aquele para colocar os cinco primeiros… então há equipas que correm o sério risco de não verem o seu nome – nem o dos seus patrocinadores – escrito uma única vez em toda a temporada.


E é isso que “vendem” aos patrocinadores… visibilidade.

E estava a escrever no Roda Livre quando me veio à memória o mail do Jorge Gonçalves. Repito, não era fácil a abordagem do tema que nos enviaste Jorge. Mas enviaste. E como eu aqui não sofro de problemas de espaço, se é verdade que não me referi à tua mensagem logo na altura, agora achei um motivo para o fazer.

O Paredes é uma daquelas equipas que não custa nada gostar-se dela.

O trabalho que transparece para fora é que há ali gente interessada em apoiar o Ciclismo.
Isto é notícia.


Depois, há uma certa empatia fácil de constatar entre o seu director/técnico/director-desportivo… o Mário Rocha - que faz o favor de ser meu amigo - é um homem talhado para as relações públicas. De fácil abordagem e discurso claro e fundamentado.

Como comecei por dizer, o Paredes é uma daquelas equipas que não custa nada gostar-se dela.

E o Jorge Gonçalves cumpriu de forma profissional aquilo que se propôs fazer: divulgar o nome da equipa. O nome dos patrocinadores...
Insisto, porém, que o assunto não era fácil de “pegar” pelos jornais.
Mas o VeloLuso não é um jornal.

Entretanto, e pelo meio ficaram referências não concretizadas, em que é que consistia esse tal press-release?

Chama a si o Paredes – e aviso já que ponho algumas reticências mas… vou mesmo divulgá-lo – a mais valia de, em dois anos ter “exportado” três corredores para o pelotão internacional.
É notícia! Claro que é.

Há dois anos o Hugo Sabido – que conquistara para a equipa duriense a Volta ao Algarve – saiu para a Barloworld e este ano a Fercase-Paredes-Rota dos Móveis vê sair dos seus quadros o Ricardo Martins, para a italiana Cerâmica Flaminia, e o jovem André Cardoso para a madilista Relax.

Não é muito normal a saída de Corredores portugueses para equipas estrangeiras e até sou capaz de relevar alguma sobranceria do Paredes, nomeadamente em relação ao Hugo e ao Ricardo que tiveram passagem efémera pela equipa onde já chegaram Corredores formados. Mas a verdade, e essa é inquestionável, é que foi graças aos resultados conseguidos com a camisola da equipa de Paredes que acabaram por suscitar o interesse das novas equipas.

Só depois do triunfo na Volta ao Algarve, em 2005, é que Hugo Sabido “saltou” para a Barloworld, e o facto de Ricardo Martins se ter sagrado campeão nacional de contra-relógio, com as cores da Fercase-Paredes-Rota dos Móveis, não terá sido alheio ao interesse manifestado e concretizado por parte dos italianos da Cerâmica Flamínia.
Já o André Cardoso – e se estiver errado que mo perdoem –, ao contrário dos outros dois que já tinham mostrado, ao serviço de outras equipas, o seu real valor, deu mesmo nas vistas com a camisola da equipa de Paredes. Foi o Rei da Montanha, este ano, na Volta a Portugal.

No fundo, no fundo… o Paredes não teria legitimidade para reivindicar responsabilidades na formação, nem do Hugo, nem do Ricardo, mas a verdade é que, depois de terem passado por outras formações, foi com a camisola laranja, e sob a orientação do Mário Rocha que atingiram resultados que os levaram a ser notados por equipas estrangeiras. Logo, não posso escamotear à Fercase-Paredes-Rota dos Móveis a “responsabilidade” de ter contribuído para a visibilidade destes três atletas.

Como consequência disto, os três corredores – os últimos três portugueses a ganharem lugar no pelotão Profissional Continental (onde só há uma equipa lusa, o Benfica) – saíram mesmo da formação de Paredes. E mais ninguém pode reivindicar o que os durienses reivindicam: tê-los promovido de forma a suscitarem o interesse de equipas estrangeiras.

Jorge Gonçalves, explicar isto seria muito difícil – quase impossível – numa pequena notícia num jornal, mas o caminho é esse.

Estás certo.
Continua a mandar notícias…


Crédito das fotos:
1. Do meu inesquecível amigo Carlos Vidigal
(onde quer que estejas, amigo, aquele abraço...)
2. Da Maria João Gouveia
(Super Ciclismo - http://www.superciclismo.pt/)
3. Da PAD/JLS

quarta-feira, novembro 14, 2007

969.ª etapa

O REGRESSO DO “INFERNO” DO ANGLIRU EM 2008

O Director-Geral dos desportos, do governo autonómico do Principado das Astúrias revelou esta semana que a próxima edição da Vuelta, a correr entre 30 de Agosto e 21 de Setembro de 2008, terá chegada ao Angliru e uma outra, também em alto e ainda no Principado, esta a estrear, será na desconhecida Estação de Inverno de Fuentes de Invierno.

“Parece-me uma forma muito interessante de publicitar esta nova infra-estrutura na Região, aproveitando a cobertura global da Vuelta”, disse Micael Fernández Porrón que aposta forte tendo em vista um retorno positivamente capitalizável e que se enquadrará no plano da promoção turística das Astúrias.

A subida até ao Alto de el Angliru, nos montes la Gamoral, muito perto de Oviedo, a capital da região, é uma subida íngreme que parte desde La Vega-Riosa, uma pequena cidade que é um dos centros mineiros das Astúrias e é uma das escaladas mais exigentes do ciclismo mundial de estrada, tendo sido usado na Vuelta a España por três vezes.

Nem sequer é muito alto o monte. Fica a cerca de 1570 metros acima do nível do mar e o desnível, a partir do início da subida é de apenas 1256 metros, mas a escalada, com 12,55 quilómetros e uma inclinação média de 10,04 % é a mais difícil que eu conheço.





Subi-a duas vezes.

Em 2000, na companhia do meu querido e eternamente presente Bruno Santos;
depois, em 2002, com o Fernando Emílio, acompanhando, por alturas da Volta às Astúrias, o Manel Zeferino que levou junto o Manel Neves, o seu 1.º mecânico, num “apalpar” das dificuldades que haveriam de encontrar cinco meses depois, na Vuelta.

Nos primeiros cinco quilómetros da escalada a subida engana. Tem uma inclinação média de 7,6 %, é verdade, mas ainda me lembro das palavras dos dois homens da então Milaneza-Maia. Tanto o Fernando como eu já tínhamos falado da singularidade desta subida e eles – tal como acontecera comigo, na primeira vez que a subi – tiveram a mesma reacção: “Subidas destas temos nós em Portugal!”



Não temos!

Nem nada que se aproxime e eles perceberam isso quando, depois de uma ligeira “baixada”, por alturas do parque de merendas, então a coisa se tornou séria.
Desde a marca dos 6 km até ao topo a inclinação média é 13,1 %. A parte a mais íngreme, que tem uma inclinação incrível de 23,6 % e é conhecida como Cueña les Cabres a, aproximadamente, três quilómetros do topo.
E desengane-se quem pensa que a escalada é mais fácil após este ponto, pois ainda há mais duas rampas mais com inclinações de 18 a 21 %.

Os organizadores da Vuelta procuraram durante muito tempo por uma montanha que poderia rivalizar com d'Huez de Alpe ou o Mont Ventoux, do Tour de France. E aceitaram o desafio lançado alguns anos antes pelo jornalista José Enrique Cima – ex-Corredor que foi contemporâneo de Joaquim Agostinho na segunda metade da década de 70 e primeira da de 80, no século XX – que escrevera um livro a partir dos dados que lhe chegaram através dos Cicloturistas que já usavam a espécie de estrada que leva até ao alto.

Depois… depois foi a felicidade de ter encontrado nas autoridades locais - ao nível das nossas câmaras municipais - a vontade de investirem. Foi asfaltado o caminho até ao topo e criada no alto uma zona plana capaz de albergar as infra-estruturas de uma máquina como a Vuelta e a subida fez-se pela primeira vez em 1999.

Depois disso foi-o por mais duas vezes.
Venceram lá no alto, primeiro o já falecido José Maria Jimenez, depois o italiano Gilberto Simoni e, finalmente, Roberto Heras.

De assinalar que, desde a primeira subida sempre tivemos equipas portuguesas no pelotão. E para o ano, quando já é certa a quarta subida, anuncia-se que poderemos ter o Benfica – que foi a primeira equipa lusa a subir o Angliru – na Vuelta.
Faremos, então, o pleno.

Subida de 1999

O moldavo Ruslan Ivanov chegou ao início da subida com cerca de 1 minuto de avanço, mas o russo Pavel Tonkov atacou forte perto de Ablaneo e pouco depois alcança-o. Em Viapará, Tonkov tem 40 segundos sobre um grupo formado por Rubiera, Heras, Jiménez e Ulrich e um minuto sobre Casero e Olano.
A 8 km de meta Olano alcança o grupo de Ullrich e pouco depois Heras lança um ataque ao qual apenas Jiménez consegue responder. Tonkov passa a 4 km da meta com 57 segundos sobre o duo formado por Heras e Jimenez e com 1.19 minutos sobre Olano e Ulrich. Beltran alcança Olano e este aproveita para deixar Ullrich para trás.

No Avirú, Jiménez deixa Heras para trás e começa a aproximar-se de Tonkov que já acusa o esforço e só tem 45 segundos de vantagem sobre o corredor da Banesto. Nas últimas curvas Jiménez alcança o corredor russo da Mapei e assegura a vitória… ao sprint.

Lá cima a grande surpresa era que Olano, apesar de uma queda e da grande dureza da etapa, foi quinto e manteve de forma explêndida a Camisola Dourada, aumentando a vantagem sobre Ullrich em um minuto.

Classificação final da etapa:
1.º, José Maria Jiménez (Esp/Banesto), 4.52.04 horas
2.º, Pavel Tonkov (Rus/Mapei), m.t.
3.º, Roberto Heras (Esp/Kelme), a 1.01 m
4.º, Manuel Triqui Beltrán (Esp/Banesto), a 1.13 m
5.º, Abraham Olano (Esp/ONCE), a 1.44 m
6.º, Leonardo Piepoli (Ita/Banesto), a 2.03 m
7.º, Jan Ullrich (Ale/Telekom), a 2.45 m
8.º, José Luís Rubiera (Esp/Kelme), m.t.
9.º, Davide Rebellin (Ita/Polti), a 3.00 m
10.º, Igor González de Galdeano (Esp/Vitalício Seguros), a 3.09 m
… e os portugueses?
30.º, Melchor Mauri (Esp/Benfica), a 9.07 m
37.º, Orlando Rodrigues (Banesto/Esp), a 11.12 m

61.º, Joona Laukka (Fin/Benfica), a 17.12 m
63.º, Oscar Lopez Uriarte (Esp/Benfica), a 17.32 m
64.º, Quintino Rodrigues (Benfica), a 17.57 m
101.º, Daniel Bayes (Esp/Benfica), a 27.54 m
108.º, Luís Sarreira (Benfica), a 29.20 m
127.º, José António Garrido (Esp/Benfica), a 30.47 m
161.º, Jorge Silva (Benfica), a 34.50 m


Subida de 2000

A 60 km da meta o pelotão estava esgotado devido ao trabalho da Kelme. Somente os melhores estavam no grupo de trinta corredores que seguia na frente depois da penúltima montanha do dia. A Kelme já não contava com Oscar Sevilla, que tinha o seu dia mau, nem com Chechu Rubiera que fez uma grande selecção na parte final da subida a La Colladiella, bem como na decida e também na subida ao Soterraña, onde o terceiro da geral, Igor González de Galdeano, descolou e abandonou a Vuelta antes da subida ao Angliru.

O grupo já só contava com uma dezena de corredores no topo de La Soterraña, grupo esse que continuo na frente até La Vega-Riosa. Dois quilómetros depois de Viapará, Escartín lança um ataque e Casero sente muitas dificuldades. No contra-ataque de Tonkov e Heras, em Les Cabanes, com 21 % de inclinação, Casero perde o contacto.

A 6,5 km da meta Heras toma a iniciativa de ir para a frente, tentando conseguir a maior vantagem possível sobre Casero. O seu forte arranque deixa Casero a 2.09 minutos, a 3 km para o topo. Entretanto, Casero começa a acusar o cansaço e tanto Rumsas como Escartín deixam-no para trás. Começa então o seu calvário até a meta, onde acaba por perder 3.41 minutos para Heras, o seu maior rival.

Este também passava mal, mas tinha obtido uma vantagem maior do que a que pensava. Heras não ganhou a etapa porque Simoni esteve incrível nos últimos 3 km, mas deu um passo de gigante rumo à vitória final em Madrid.

Classificação final da etapa:
1.º, Gilberto Simoni (Ita/Lampre), 4.37.34 horas
2.º, Jan Hruska (Che/Vitalício), a 2.19 m
3.º, Roberto Heras (Esp/Kelme), a 2.58 m
4.º, Thomas Brozyna (Pol/CCC), a 3.11 m
5.º, Pavel Tonkov (Rus/Mapei), a 4.27 m
6.º, Roberto Laiseka (Esp/Euskatel), m.t.
7.º, Laurent Brochard (Fra/Domo), a 4:44
8.º, Raimondas Rumsas (Lit/Fassa Bortolo), a 5.16 m
9.º, Gorka Gerrikagoitia (Esp/Euskatel), m.t.

10.º, Fernando Escartín (Esp/Kelme), a 5.46 m
… e os portugueses?
45.º, Segis de la Torre (Esp/LA-Pecol), a 14.06 m
47.º, Andrei Zintchenko (Rus/LA-Pecol), a 14.38 m
50.º, José Rosa (LA-Pecol), a 15.01 m
65.º, Fernando Mota (LA-Pecol), a 20.52 m
66.º, Saulius Sarkauskas (Lit/LA-Pecol), m.t.
72.º, Youri Sourkov (Mda/LA-Pecol), a 21.21 m
85.º, Rubén Oarbeaskoa (Esp/LA-Pecol), a 22.52 m


Subida de 2002

Na aproximação ao Angliru, José António Flecha e Oscar Pereiro seguiam na frente após mais de 150 km de fuga. A Kelme toma a comando para proteger o seu líder, Oscar Sevilla, mas a Saeco responde, tentando garantir a vitória para Simoni e no Cordal o seu companheiro Di Luca adianta-se com um grande ataque. No início do Angliru acaba a aventura de Flecha e Pereiro e Aitor Osa toma a dianteira.

O basco fez um grande trabalho mas foi neutralizado após o Viapará pelo ritmo alucinante imposto por Tauler, que arredou da luta muitos favoritos. Na rampa de La Cuesta les Cabanes (de 21,5%) surge um inesperado ataque de Aitor González que deixou ko o seu companheiro e líder da prova, Oscar Sevilla.

Roberto Heras aproveita a ocasião para contra-atacar e segue em solitário para a meta. Em La Cueña les Cabres (23,5% de inclinação) Heras teve um momento mau, mas recuperou de imediato. Beloki esteve brilhante nos últimos 3 km e conseguiu ser segundo, a 1.35 minutos de Heras.

O italiano Casagrande também demonstrou muita força e foi 3.º, a 1.41 minutos. O então jovem Iban Mayo deslumbrou ao ser quarto, a 1.54 minutos, à frente de Aitor González, Di Luca, Simoni e Casero

Classificação final da etapa:
1.º, Roberto Heras (Esp/US Postal), 5.01.02 horas
2.º, Joseba Beloki (Esp/ONCE), a 1.35 m
3.º, Franceso Casagrande (Ita/Fassa Bortolo), a 1.41 m
4.º, Iban Mayo (Esp/Euskatel), a 1.54 m
5.º, Aitor González (Esp/Kelme), a 2.16 m
6.º, Danilo Di Luca (Ita/Saeco), m.t.
7.º, Gilberto Simoni (Ita/Saeco), m.t.
8.º, Angel Casero (Esp/Team Coast), a 2.22 m
9.º, Fabien Jeker (Sui/Maia), a 2.34 m
10.º, Feliz Garcia Casas (Esp) Bigmat a 2.42 m
… e os (outros) portugueses?
15.º, Rui Sousa (Maia), a 3.48 m
17.º, Claus Möller (Din/Maia), a 4.08 m
29.º, Joan Horrach (Esp/Maia), a 8.53 m
46.º, José Azevedo (ONCE/Esp), a 12.16 m
53.º, Rui Lavarinhas (Maia), a 13.13 m
66.º, João Silva (Maia), a 18.52 m
133.º, Angel Edo (Esp/Maia), a 28.07 m
134.º, Melchor Mauri (Esp/Maia), m.t.

Portanto, o melhor representante de uma equipa portuguesa é ainda o suiço Fabien Jeker (Maia-2002), o único que terminou no top-ten na etapa; e o melhor português Rui Sousa, também dessa equipa da Maia, que foi 15.º, a menos de quatro minutos do vencedor.

Textos sobre as etapas a partir da Wikipédia

terça-feira, novembro 13, 2007

968.ª etapa

A VOLTA AO ALGARVE JÁ ESTÁ NO CALENDÁRIO
E EU FICO MUITO CONTENTE!...

Não sei se houve mais quem se tenha proposto a visitar diariamente o sítio da União Ciclista Internacional (UCI) - à falta de outros meios -, mas eu fi-lo. Porquê? Porque ansiava - estava cada vez mais nervoso até - pela reintegração da Volta ao Algarve no Calendário do Circuito Europeu da UCI, para o ano que vem.

Já aqui o escrevi antes, sem pruridos, muito menos com complexos: sou amigo daquela gente - pessoal da Direcção da Associação de Ciclismo do Algarve -, reconheço-lhes um grau de honestidade que não pode ser posta em causa. Questionada sequer...
São gente boa!, escrevi eu.
E são.

E fazem mais pelo Ciclismo Português do que muita gente que também terá responsabilidades.

Custou-me muito vê-los expostos na praça pública com a etiqueta de "maus pagadores".
Porque sei que o não são.

Custou-me ler - e ainda há menos de um par de horas o li num conhecidíssimo sítio dedicado ao Ciclismo - que seriam menos honestos (as palavras utilizadas não são estas) porque, cito: "... assumiam compromissos contando com o ovo nu cú da galinha".
Não é o caso. Definitivamente não é.

Aliás, todos os Organizadores sofrem com o mesmo problema. A dificuldade em cobrar verbas que, muitas vezes sem dificuldade nenhuma, lhes são prometidas.

O que é que os não iniciados pensam em relação às dificuldades em montar uma corrida?

Acham que é possível só avançar depois de as Organizações terem cobrado os contratos - porque, apesar de tudo, são contratos assinados e reconhecidos juridicamente?
E, acontecendo o que agora saltou para o conhecimento público, o que é que se faria?

Chegados ao dia do início da prova sem o total do dinheiro que ela vai custar... anulava-se? Mandavam-se as equipas para casa?
Mas as equipas têm que correr...
Não há equipas sem haver corridas.

Por isso as Organizações assumem riscos. Às vezes, muito para além daquilo para que estão preparadas. E quando estamos a falar de gente de bem, temos que perceber que essa gente de bem confia nos outros, acreditando que corresponderão aos seus compromissos como eles próprios, porque são gente de bem, o fariam numa hipotética troca de lugares.
E há uma coisa a que se chama dead line. Ou ponto de não retorno.

Uma Organização chega a um ponto em que não pode voltar atrás. Porque aquilo que se propôs fazer, até porque envolve terceiros, não pode mesmo voltar atrás.

Claro que as equipas e os Corredores têm toda a legitimidade em querer ser paga(o)s dentro dos prazos que contratualmente ficaram estabelecidos.
O problema está a montante de tudo isto.

Só quem não percebe como as coisas funcionam é que pode, ignorando ostensivamente tudo o eu escrevi atrás - e que quem sabe como as coisas funcionam sabe tão bem quanto eu o sei - acusar as Organizações.

Por isso, na altura, eu escrevi - e não tenho problemas em voltar a escrevê-lo - que havia uma certa má vontade concretamente contra esta Organização. Contra a Associação de Ciclismo do Algarve. Quiçá, contra o seu presidente.

E o Rogério Teixeira não merecia, não merece, tal falta de consideração.

Até porque a Associação de Ciclismo do Algarve aproveita os "trocados" - no melhor dos sentidos - dos ganhos com a Volta ao Algarve para montar mais três ou quatro corridas. E avisou, desde logo, que sem Volta ao Algarve não poderia assumir os demais compromissos.

E porque se trata de gente séria, e à falta de quem os ajudasse, a Direcção da Associação de Ciclismo do Algarve não teve pejo em, provavelmente empenhando o pescoço dos seus próprios elementos - o que, traduzido, quer dizer, dando garantias pessoais, já que a associação não tinha dinheiro -, pedir um empréstimo bancário para suprir as suas dívidas. Que nunca negou... Apenas disse que não tinha, na altura, como pagar.
Mas já pagou!...

E, dia após dia, tenho vindo a espreitar ao sítio da União Ciclista Internacional, a cada dia com a mesma esperança: reencontrar a Volta ao Algarve no Calendário.
Já lá está, como mostro junto.

Vai haver Volta ao Algarve em 2008. E vão acontecer as outras corridas que a Associação de Ciclismo do Algarve se propôs montar. Este ano.
Provavelmente, e se voltar a acontecer o que aconteceu agora, para o ano os seus responsáveis já nem arriscarão.
E quem poderá levar-lhes a mal?

O incompreensível foi que, num momento de clara aflição, o Rogério Teixeira e os seus pares não tenham tido uma manifestação sequer de boa vontade por parte das outras instituições do Ciclismo, FPC à cabeça.
A quem é que não interessa que haja Volta ao Algarve?

domingo, novembro 11, 2007

967.ª etapa

É UMA QUESTÃO QUE ME ATORMENTA
(Se a vontade é MESMO a de recuperar

a confiança em relação ao Ciclismo actual,
a quem interessa revolver o passado?)

Continua a ser assunto do dia e, infelizmente, é de dentro do Ciclismo que vão surgindo novas notícias perfeitamente suicidas.
Esclareço já: estou a falar das últimas notícias que pretendem destruir a imagem de Jan Ullrich.

Um massagista que, naturalmente, teria contrato assinado com a equipa T-Mobile (ou Telekom, para ser mais preciso) e responsabilidades em relação ao empregador, vem agora à praça pública revelar que Ullrich terá tomado EPO (na casa das 30 mil unidades/quinze dias) em 1996, quando foi segundo no Tour, atrás de Bjarn Riis que já havia confessado ter recorrido à Eritropoietina pelas mesmas datas.

O alemão ganhou o Tour no ano seguinte e foi segundo em 1998, 2000, 2001 e 2004.

E foi terceiro em 2005.
Quem, de facto, acusa este auxiliar?

O Corredor ou… a estrutura médica da equipa?

É que de médicos, e como já referi em entrada anterior… parece que só existe o senhor Eufimiano Fuentes...

E – e é o máximo que arrisco – o médico levantava-se às 4 da manhã para “tratar” dos seus corredores? Ou delegava isso nos seus… (assumamos a figura num sentido muito lato) massagistas?

Quem quer transformar o Ciclismo num “Caso de Polícia” – e há tantos, tantos por aí (que nem fazem ideia do que estão a falar) – aceita ou não a possibilidade de os objectivos da equipa (qualquer equipa) deixarem de fora os… exactamente! Já perceberam!… os Corredores.
Entendem isto, ou não?
Qual das partes não perceberam?

Têm – têm que ter – ao menos dúvidas.
Então, pergunto eu que não sou ninguém, porque insistem em tentar cruxificar os Atletas?
Não vos passou nunca pela cabeça que os Atletas podem situar-se numa posição na qual não têm voz? Nunca passou mesmo?

Quer dizer... acreditam que uma equipa é cada Corredor por si. É isso?
Pois! Não percebem mesmo nada.

Mas não se calam!
E apesar deste facto – é um facto mesmo –, saltaram à praça para, em nome de sua pretensa mas insana “luta” pela verdade, cruxificar vários Corredores. SÓ os Corredores!...


Não vos passou (nunca) pela cabeça - nem uma vez? - que o jogo se jogava num tabuleiro um pouco mais acima?
Eu sei a resposta.
É Não!... Não pensaram.

Volto ao princípio para que compreendam. E suplico aos “heróis” da “verdade”: não tentem mais fingir que estão a defender o Futuro do Ciclismo quando o que está à mostra é que não param de escavar para trás e a trazer à superfície os males do passado.
Não há escapatória!
Ou uma coisa… ou outra!

O Jan Ullrich foi acusado de ter recorrido a produtos proíbidos.

Em 1996! No mesmo ano em que ficou em segundo, atrás do dinamarquês Bjarn Riis que já antes havia confessado ter recorrido a práticas proíbidas.
O acusador não falou de 1997.

Exactamente quando o alemão ganhou o Tour.
Estranho, não é?
Mas podia tê-lo feito.


Quem recorre a práticas interditas na sexta-feira à noite… no Sábado podemos considerá-lo imune? Limpo?...
Quão grande é a hipócrisia?!!!!

Mas, pelo menos até agora, a vitória do Ullrich no Tour não está em causa.
Só terá recorrido a métodos proíbidos… no ano anterior.
E quem o confessou foi um antigo massagista.

Um dos que – tal é a sua convicção – lhe injectou algo que não era permitido.

E o Ullrich sabia o que lhe estavam a dar? De certeza?
Há alguém que o possa provar?

Insisto… o Corredor saberia o que raio que fosse que o massagista (agora delator – quanto terá valido a “entrevista") lhe dava ao fim do dia? Ou cedinho, pela manhã seguinte?

Espero que os que, despudoradamente – as tais públicas virtudes que escondem os mais esconsos e privados vícios – que não hesitam em saír com acusações aos Corredores, consigam – mesmo que o seu cérebro seja tão pequeno como uma ervilha – perceber que HÁ UMA (uma pelo menos) hipótese de os Corredores, apesar de tudo, serem inocentes.


Ninguém parece interessado em considerar essa hipótese...

Mas, para terminar e em relação ao Tour, mantendo-se a linha que já todos perceberam, de começar a “escavar” para trás… espero que os descendentes de Maurice Garin, vencedor do 1.º TOUR, não se importem que o corpo do seu ancestral seja exumado de forma a que lhe façam controlos.

Mesmo que ele tenha morrido há 50 anos.
Passou para o lado de lá a 19 de Fevereiro de 1957…
Talvez ainda possam provar que ganhou a corrida… dopado.

E depois apaguemos o Tour da História do Ciclismo.

PS: Não se queiram preocupar com o futuro e continuem empenhados na caça às bruxas, pretendendo desmascarar antigos vencedores...
A Caixa de Pandora, ao pé disso, não passa de uma caixinha de pó de talco...

Nota

O QUE É QUE ACONTECEU NA PASSADA 5.ª FEIRA?

Sinceramente, estou com, como se diz, a pulga atrás da orelha.
O que é que aconteceu na passada 5.ª feira?

Monitorizo diariamente as visitas ao VeloLuso; recebo diariamente um relatório com o número de visitas, de páginas vistas e a localização dos visitantes... Já teve, o VeloLuso, períodos melhores, não o escamoteio...

De repente, na passada 5.ª feira sou "arrasado" com um número de páginas vistas que ultrapassou as... 500. Com o período - só esse - entre as 19 e as 20 horas (60 minutos apenas) - a equivaler-se aos números dos melhores dias. Mais de 200 páginas vistas... numa hora!!!

Pronto! Para mim, fica o registo histórico de mais de 500 páginas vistas num só dia. Mas não páro de me perguntar: o que terá acontecido na passada 5.ª feira quando, numa só hora, foram vistas tantas páginas como a média diária desde que controlo as visitas?

Mistério!...

sábado, novembro 10, 2007

966.ª etapa

(DUAS) NOTAS SOLTAS

Podemos achar curioso, engraçado – podemos rir-nos, isso pode acontecer –; podemos achar triste e até… trágico. Aconselha o bom senso que, como dizem os brasileiros… relevemos (não demos importância…).
Mas não nos esqueçamos delas porque dizem algo (muito) com o qual teremos que contar.
Infelizmente.

1.ª nota – O Tiago Machado será ouvido, no âmbito do inquérito que lhe foi levantado por causa da Volta a França do Futuro – e que o deixou de fora dos Mundiais –, no próximo dia 15… Dois meses depois de lhe ter sido cassada a licença!...

2.ª nota – Há aqui uns dias atrás um grupo de Corredores do Norte combinou com um grupo de companheiros da região da Feira uma joguito de futebol, para descontrair. Juntaram-se vários. Os suficientes para fazerem duas equipas e transpirarem um pouco a correr, para variar, atrás de uma bola.
Até aqui nada de novo!
Acontece quase todos os anos, no defeso.
Mas o motivo desta nota vem já a seguir…

Para espanto de todos, quando se preparavam para a jogatana quem é que aparece?

Uma equipa do CNAD!...
Exactamente!

Souberam do encontro e aproveitaram o facto de poderem ter ali à mão um grupo significativo de Corredores… Não!
Ah, pois não foi isso não...

Deslocaram-se, os senhores do CNAD à Feira, a um encontro de Corredores que por acaso tinham marcado uma partidinha de futebol, para controlar… um Corredor.
Um só.

Toda a gente sabe que os homens do CNAD podem aparecer em casa de qualquer Corredor profissional quando bem entender – (ainda) não se chegou à questão dos Direitos, Liberdades e Garantias que não pode deixar de fora um Cidadão só porque é Corredor de Ciclismo – e não digo que eles, entre si, não comentem que foram controlados.
Que saibam todos, portanto, quem e quando foi controlado…
Mas a pergunta que deixo é esta:

Não é, quase diria… enxovalhante, chegar-se a um grupo de amigos que se reuniu para confraternizar durante um par de horas e chamar um à parte - com todos os outros a olharem-se entre si - para proceder a um controlo que poderia ter sido feito em qualquer outra altura?

O direito desse Homem à sua privacidade não foi absurdamente ignorado, vilmente atropelado, ignobilmente abusado?
Estaremos todos a endoidecer?

sexta-feira, novembro 09, 2007

965.ª etapa


ACENTUA-SE O DIVÓRCIO
E não há como perceber porquê…


A notícia que aqui trago, com alguns dias de atraso (mas terei os meus motivos), é uma boa notícia. O Centro de Ciclismo de Loulé, que infelizmente já anunciou o abandono do pelotão de sub-23, terá garantida a continuidade da equipa profissional.

Uma notícia A BOLA.
Com a assinatura do costume.
E quanto eu gostaria de não me sentir penalizado nas vezes em que as notícias não são o que parecem ser… e por isso eu reajo. Principalmente, para que estas, as que merecem destaque, pelo menos estas, pudessem ter o seu peso próprio e não parecessem um mea culpa. Não o é. Não tenho vocação para ser Egas Moniz e apresentar-me de corda ao pescoço. In medio stat virtus

Assim o percebam. Embora não me demita de o explicar… se isso for necessário.
Mas voltemos ao que interessa. Não antes de sublinhar que é uma notícia de A BOLA!

O Centro de Ciclismo de Loulé está praticamente certo no pelotão profissional com o apoio de uma empresa… irlandesa!
Recordo que o Clube de Ciclismo de Tavira parece ter estabilizado desde que passou a contar com um patrocinador… espanhol!
E, claro, não posso de deixar de recordar as dificuldades por que passa a Associação de Ciclismo do Algarve (ACA).

A Semana Algarvia ainda não recuperou o seu lugar no calendário do Circuito Europeu. Malgrado as notícias que já li de que teve de recorrer à banca para fazer face a dívidas que não devia ter para com as equipas e corredores.
Bastava que, quem disse “sim” na altura em que foi contactado para apoiar, depois tivesse cumprido esse compromisso fazendo chegar à ACA as verbas acordadas de forma a que esta tivesse, por sua vez, podido cumprir os seus próprios compromissos.

Infelizmente, o Algarve, ou a maioria das instituições ou empresas com sede ou delegações importantes no Algarve, virou as costas ao Ciclismo.

Apesar de a modalidade – ainda por cima com o futebol ausente da primeira Liga – sempre ter sido uma montra importante em termos de publicidade.
Ou se calhar não foi.
Poderemos ter sido todos enganados durante muitos anos.

“Culpa” – espero que percebam aquelas aspas – de um dos mais importantes nomes do nosso Ciclismo nas últimas três décadas, falo, concretamente do engenheiro José Manuel Brito da Mana, e depois, na mesma via, do trabalho hercúleo que, ano após ano, o Zé Marques assumia, de forma a manter na estrada o CC Tavira. Entre eles, durante anos "enganaram-nos" no que respeita ao apoio que o Algarve deu ao Ciclismo. Um, dando tudo o que tinha para dar. O segundo, batendo a dezenas de portas, levando com dezenas de "negas" até à hora feliz de... uma resposta positiva.

Porque, na verdade, depois da Coresa – empresa que teve muitos anos unidades fabris em Tavira -, não há registo de mais apoios genuinamente algarvios ao Ciclismo.
Uma ressalva para o Loulé Jardim Hotel que apoiou o regresso da cidade de António Aleixo ao principal pelotão nacional.
(Às vezes convém que não se descure a memória…)

Mas, e abreviando, o Algarve – e tudo o indica – irá manter os seus dois principais clubes no pelotão profissional, mas graças a apoios de empresas não portuguesas, logo, muito menos algarvias ainda.
(Os mais jovens não se lembrarão disso, mas o Algarve já teve, em simultâneo, quatro equipas profissionais, o CC Tavira, o Louletano, o Campinense e o Olhanense…),

E ainda está – pelo que me é dado constatar – presa por um fio a acção da ACA na organização das provas que se propusera montar. Espero, sinceramente espero, que as coisas se “arrumem”. E depressa…

quinta-feira, novembro 08, 2007

964.ª etapa

APOSTA ESTÁ A SER GANHA

Volto ao último número do Jornal Ciclismo… porque só agora acabei de o ler. E quase tudo.
Está a ser ganha a aposta, pelo menos em termos de produto – espero que a adesão, em termos de assinantes, também tenha sido a contento – e, apesar de quinzenário (mais os atrasos do correio… já é a segunda vez que passam três semanas entre a sua saída e o chegar-me às mãos) consegue o feito de… dar notícias.

Claro que um jornal é para dar notícias, mas a sua periodicidade é uma limitação. Que não amedronta quem o faz. E dão-nos mesmo notícias e escaparam a outros…

Também notei que alargou o espaço dedicado a outras vertentes do Ciclismo e isso – e vocês sabem-no melhor do que eu – alargará o universo de interessados.

Enfim… Também me parece bem melhor arrumado.
Por tudo isto… sente-se que a aposta está a ser ganha.
Força aí e não fiquem melindrados com alguma crítica que eu faça…

quarta-feira, novembro 07, 2007

963.ª etapa

DIGO-O COM ALGUMA MÁGOA:
NÃO GOSTEI DE NADA!
(Mas quem sou eu…)


Digo-o desassombradamente: é má a entrevista ao Cândido Barbosa que sai neste último número do Jornal Ciclismo. O que não implica que eu mude de ideias em relação ao jornal e não deixe, como fiz no artigo anterior a este, de o recomendar.
Mas fiquei extremamente decepcionado. A valer!

Neste género de entrevistas longas é normal saltar-se de assunto em assunto e voltar-se atrás e, por vezes – muitas vezes, digo eu que já fiz muitas –, surgem declarações desfasadas do contexto próprio. É muito exigente e pede muito ao(s) jornalista(s) perceber isso. E não se deixar enganar. E não enganar o entrevistado.

A entrevista que acabo de ler baila aqui, algures, entre uma coisa e outra.
O mau da coisa é que acaba toda a gente por sair mal na foto.

Toda a gente conhece o Cândido. Quero dizer… toda a gente que anda no Ciclismo o tempo suficiente para o conhecer. Percebem onde quero chegar…

É extremamente penalizador, para o próprio Cândido, e é preciso conhecê-lo bem para não se cair neste tipo de tentações – “Fui contratado para ganhar” –, e o jornalista não deve aligeirar as suas responsabilidades.
Há coisas que têm que ser lidas dentro de determinados contextos. O que me parece, sinceramente me parece, não foi tido em conta.
Para além do facto de uma entrevista não deixar, nunca, de ser – pelo menos em algumas passagens –, também notícia. E esta exigir sempre confirmação.

Conheço o Cândido desde muito jovenzinho. Na verdade, a primeira corrida de Ciclismo que cobri foram uns nacionais de juniores, que ele ganhou. Ele tem 33 anos, por isso, há mais de 15 anos que o conheço. E sempre foi assim. Explosivo nas declarações. Sem verdadeira intenção de atropelar seja que fôr… mas também sem o cuidado de medir as palavras.

Nas mãos de jornalistas menos cautelosos… é uma bomba.

Mas, depois de tudo o que já fez pelo Ciclismo nacional… não merece ser assim exposto.

Disse-o logo a abrir, não gostei nem um bocadinho da entrevista.
Aliás, e ao contrário do que já lera em números anteriores deste jornal, desta feita houve muito pouco cuidado. Ao extremo de se lerem, por mais de uma vez, as (não feitas, pelo menos não escritas…) perguntas nas respostas que o Cândido terá dado.

Aquela do “passar por espanhol” é de morrer…
Mesmo que tenha sido o próprio Cândido a dizê-lo.

Nessa altura, por muito que custe ao Cândido – mas os jornalistas deveriam sabê-lo – ele não era identificável no pelotão. E, em tantos anos que levo de Ciclismo, não acredito que o tenha ouvido; não acredito que o adepto à beira da estrada grite para o meio do pelotão – porque, de facto, o Cândido nunca andou (ou se aconteceu foi uma vez e isso é irrelevante) - assim tão isolado… atrás, a ponto de merecer esse… incentivo. E depois porque não acredito que da berma da estrada alguém identificasse, naqueles dois segundos que um corredor leva a passar, a camisola de uma equipa a ponto de saber (e aqui acresce outra questão, conhecerão todos as camisolas?) que era espanhola.
Foi uma pequena efabulação. Desnecessária.

Mas o cerne da questão assenta noutro ponto.
Exactamente naquele que, lá atrás, eu identifiquei como, no meio de uma entrevista pode acontecer… notícia. E, repito, as notícias são para serem confirmadas, confrontando as partes.

O Cândido – e repito-o, correndo o risco de ser repetitivo – é uma pessoa, não um Corredor, mas uma pessoa que funciona a partir de um elevado grau de auto-estima. De auto-convencimento. Por isso eu disse que é preciso conhecê-lo bem. O que vai muito além de vê-lo só nas transmissões televisivas da Volta e dos flash-interview, etapa a etapa… sendo que, é verdade, nos últimos três anos ele esteve em 30 desses espaço-relâmpago onde se colhem as declarações a quente. Logo, esteve em todos.

É verdade. Mas isso não chega para que diga “Fui contratado para ganhar”, e, mais à frente, que acha que vai ser o chefe-de-fila da equipa, na Volta, sem que isso nos seja confirmado, ou não, pelo responsável da equipa.
E não esqueçamos que, só por acaso, essa equipa tem nos seus quadros um senhor chamado José Azevedo.

A esse ninguém jamais ouviu, nem vai ouvir, dizer que é ele o candidato-mor e “a”, “b” ou “c” estarão como “reserva”.
O Cândido disse-o? Não duvido.
Mas também é nosso (do jornalista) dever ler o que se diz, como se diz, como se quereria ter dito e, pesando isto tudo… escrever de forma a não deixar mal nenhuma das partes.

Mas para isso é preciso saber-se muito bem do que se está a escrever.

Grandes pulos… grandes quedas!
Acho que posso sintetizar assim o trabalho com o Cândido.
Por exemplo… se ele diz, claramente, que prefere a Volta aos Jogos Olímpicos, seria interessantíssimo ter lido, nem que fossem só duas linhas, o que o Seleccionador nacional teria a dizer sobre isso.

Ainda por cima depois do que aconteceu este ano em relação aos Mundiais.

Como, mas isso já ficou implícito lá atrás, seria obrigatório ouvir o director-desportivo do Benfica a confirmar que o Cândido é a aposta para a Volta e que o Zé Azevedo não será mais que um aguadeiro de luxo…
Se o Cândido já tivesse ganho três Voltas… aí eu nem poria a questão.

Para terminar.
O Cândido é um rapaz que fala com o coração.

É emotivo e por isso conquistou os adeptos do Ciclismo em Portugal.

O que ele disse, eu compreendo. Só que o jornal não é escrito para mim…

962.ª etapa

A ESTRUTURA QUE PENSA
SUSTENTAR TODO O CICLISMO DEIXOU
CAIR OS CORREDORES... E AGORA NÃO VAI SER CAPAZ DE SE SUSTENTAR
.
Culpa, primeiro do feriado da última quinta-feira (na 2.ª feira ainda não o tinha) e ontem, por definitiva impossibilidade da minha parte em ir buscá-lo, só esta tarde tive nas mãos o n.º 8 do Jornal Ciclismowww.jornalciclismo.com (assinem que vale a pena!).

Ainda não li o artigo de fundo, a entrevista com o Cândido Barbosa, mas logo no editorial e num outro artigo que o acompanha na página 3 encontro motivos suficientemente sugestivos para serem discutidos.

Não vou contrapôr convicções em relação, nem ao editorial, nem à outra peça.

Apenas reforçar algo que há muito tempo aqui venho a defender no VeloLuso.

Em relação ao facto de a empresa de advogados liderada pelo belga Luc Misson ter assumido a defesa do cazaque Andrei Kaschekin e, tudo o indica, estar a preparar argumentação que fará, de facto, explodir tudo o que até hoje prevaleceu como… justiça, na altura limitei-me a scannar uma notícia de O Jogo e republicá-la aqui (etapa 946.ª).

Sem uma linha que fosse de comentário.
Mas toda a gente sabe o que é que eu penso sobre o assunto.

E não tem nada a ver com qualquer diabólico plano de branqueamento das tristes situações de doping (provadas) que têm vindo a massacrar uma modalidade que não é nem mais nem menos prevaricadora que todas as outras. Mas que, e isso é algo para o qual eu não consigo encontrar resposta, se revelou penalizadoramente permeável à devassa, não em relação aos nomes comprovadamente culpados, mas de toda a classe, genericamente.

Hoje em dia, e não há hipótese de o contornar, ser Corredor profissional de Ciclismo é quase sinónimo de ser dopado.
Acho que já aqui o referi – há muito tempo, é verdade – que sou adepto, mais do que incondicional… sou quase impulsivamente adepto dos filmes sobre tribunais e causas e juízes e advogados poderosos.

Já vi muitos.
São filmes…
Não! São mais do que isso... São pequenos retratos do real.

E quem é que ainda não viu – ainda que ficcionado – a força que uma grande empresa de advogados pode ter?

E já vi histórias mostradas de ambos os lados.
Umas em que os advogados são os bons… e outras em que são os maus.
Que conseguem livrar o vilão que, se nós pudéssemos, mesmo sabendo que não passa de um filme, dávamos um tiro sem problemas de consciência.

A Lei – no genérico – é um labirinto que só os iniciados conseguem interpretar e toda a gente sabe que há sempre uma escapatória.


É evidente que não me sinto nem um bocadinho culpado por isso. As leis são feitas por quem, em princípio, percebe de leis e se deixam “buracos” que podem ser aproveitados, a culpa não é nossa, do comum dos cidadãos.

E repito aquilo que já aqui escrevi uma boa dezena de vezes:

eu não entendo nada de leis, mas tento saber as linhas com que me coso.
E acho, por isso o defendo, que há – de facto há – uma tábua de Leis que se sobrepõe a todas as outras leis em avulso.

Uma Lei universalmente reconhecida.

Entroncam aqui as “leis” desportivas.

A FIFA, por exemplo, soube – e isto aconteceu há mais de 50 anos – marcar a distinção entre as leis gerais e aquelas que impõe nos seus regulamentos. O que a UCI, por exemplo, não fez. Ainda assim, a hiper-poderosa estrutura do futebol mundial estremeceu, abanou mesmo e caiu quando do Caso-Bosman.

Haja dinheiro para pagar a um bom grupo de advogados e nenhuma “regra” desportivamente aceite como correcta sobrevirá.
Porque os desportistas são, antes de mais, cidadãos.

Estes são homens e mulheres.
E estes estão superiormente protegidos por aquilo a que eu chamaria de Super-Lei.

Reduzindo a “coisa” ao seu estado mais simples – que, ao contrário do que parece ser, é o mais complicado – tudo cai na rede (apertada) dos Direitos do Homem.

Tábua à qual ninguém tem força suficiente para fugir.

Há cerca de 20 anos – acho eu… francamente não dato a coisa –, esta mesma empresa de advogados dinamitou a super-estrutura da FIFA.

Agora é uma questão de prestígio.

Se o escritório de Luc Misson aceitou o Caso-Kaschekin vai ganhá-lo.
Não tenham dúvidas…
A UCI não soube ler os antecedentes, pior… não foi capaz de perceber que tanto caso teria que desaguar num grande caso.

Logo, não soube antecipar uma solução que não abanasse toda a instituição.
Mas isto é dos livros.

Há meses que eu ando aqui a escrever que estavam a ser, de uma forma cada vez mais preocupante, violados os direitos mais primários dos cidadãos que, por acaso, são profissionais de Ciclismo.
E lembro-me de ter escrito que a defesa da minha liberdade começava na defesa das liberdades do meu vizinho.

Vingou, até agora – e não tenho esperança nenhuma de que a coisa se inverta – a mais primária das reacções.


A dos que – mesmo que à luz dos regulamentos, que não desdenho – saltaram em frente, bateram tachos e panelas de forma a tentar ser ouvidos, argumentando com algo que, hoje em dia, é perfeitamente naïf.
Porque não é assim que se combate o flagelo do doping.
Não é assim...

Acredito que o Caso-Kaschekin vá até ao fim, que é como quem diz, que retroceda até chegarmos aos Direitos Fundamentais do Cidadão.

E, chegados aí, ninguém tem dúvidas de quem ganhará o processo.

E lamento saber da opinião de uns quantos – que acredito pode ser multiplicada por muitos mais – que acham “justo” que se aperte o torniquete sobre os profissionais de Ciclismo. Esquecendo que… apoiando a alienação dos Direitos Fundamentais de uns poucos, são tão poucos, caramba!, comparados com o universo que nos representa a todos, estão a ceder no que respeita à sua própria Liberdade.

Por isso, creio que até os Corredores profissionais comungarão desta opinião, e usando uma imagem caricaturada… antes a morte que tal sorte.

961.ª etapa

EU SÓ GOSTAVA DE LER
UMA OPINIÃO HONESTA!...
(Despida de falsos preconceitos...)

A segunda questão que me proponho comentar – em relação à última edição do Jornal Ciclismo (insisto, que nada tem a ver com a justeza da opção editorial do Jornal, definitivamente, uma grande, mas muito bem vinda! pedrada no charco, no que respeita à causa-Ciclismo) – é a da famigerada Operação Puerto.

Caramba!, tentemos ver a coisa tal como ela se nos apresenta (pelo menos isso).


Será que o Ciclismo, mesmo em Espanha, tem tal poder que consiga interferir em decisões judiciais? Sim? Porquê?

Eu não consigo, sinceramente não consigo, completar o puzzle que nos querem impingir. Claro que não consigo porque nunca há respostas às numerosas questões que nos pomos a nós próprios, se estivermos de boa fé.

Eu sei – claro que sei, poucos haverá que saibam tão bem quanto eu – que falta espaço nos jornais para se discutir estes assuntos.

Mas… digam-me honestamente.
Em Espanha aconteceu a famosa “Operação Puerto”, na qual, como é evidente, à cabeça aparecia o nome de um médico...

Por acaso, a esse nome apareceram ligados Corredores não espanhóis mas… e o senhor doutor Eufimiano Fuentes será ele mesmo um “mago” isolado, o únigo "mago" no meio do Ciclismo? Acreditam nisso?

Não haverá mais clínicos a fazer exactamente o mesmo?
Mais espanhóis, mas também italianos, alemães, belgas, holandeses, estadunidenses… russos (ou de qualquer uma das nacionalidades que nasceram do desmembramento da antiga URSS)… Não?!

O doutor Eufimiano Fuentes é o único mau da fita?
Que pensamento mais redutor!...


Coitadas das pobres mentes que acham que, primeiro, só o Ciclismo faz batota; segundo, que só o Fuentes é que sabe fazer batota…
Vá lá! Querem ser respeitados como comentadores ou não?
É que o Zé [povinho] não é tão parvo como a maioria julga que é.


Mas o que eu leio há quase dois anos é que há uma Operação Puerto (há, de facto há… mas perguntem-se a vós mesmos porque é que não anda nem desanda) e ninguém, mas ninguém mesmo, revelou a lucidez de aparecer em público a dizer: “Espera lá… mas se em Espanha há um médico (há mais, há mais…) a puxar estes cordelinhos todos (e ganhando muito dinheiro, muito dinheiro, não deram por isso?), não haverá outros médicos, noutros países, a fazer o mesmo?"

Como se diz “Puerto” em francês?
E em italiano?
E em alemão?
Acham que não há?
Tchi, tchi, tchi… e no Pai Natal? Acreditam?

Finalizando…
… acho – é a minha opinião e tem o peso que tem – que continuar a bater na tecla da Operação Puerto é um tão triste como credor de piedade acto de onanismo.
Aquilo a que só se recorre quando não há… mais nada.
Procurem com quem se entreter.

[Este artigo tem a ver com o pudor que algumas mentes ainda pesam quando é preciso saber se devemos, ou não, aceitar nas nossas equipas Corredores que NÃO FORAM ACUSADOS DE NADA... apenas estão numa tal lista de uma tal Operação Puerto.
Que deus os encaminhe nas restantes decisões que a vidas nos obriga a tomar, quase dia-a dia!... Amém!]

segunda-feira, novembro 05, 2007

960.ª etapa


ENTRE O CÉU E O MAR, SOMOS UM PAÍS
DE VÁRIOS TONS DE AZUL

Ponto primeiro: todos terão reparado no grave erro que cometi no artigo anterior.
Até pode ser que venhamos a ter três equipamentos azuis no pelotão… mas o azul da Riberalves não será de certeza.
Explicações… não tenho. Confusão. Culpa minha, que assumo.

Acontece…
Lamento esta demonstração de… ignorância.
Que o não é.

Eu sei que a Riberalves saiu do pelotão.
Foi um erro por simpatia. Estava ainda a “olhar” para o pelotão deste ano.
Peço, humildemente, desculpa.
A todos.

Ponto segundo: não sou especialista em marketing nem em publicidade.
O artigo anterior não foi mais do que uma constatação.
Para o ano, vamos ter duas equipas (das quantas?... oito? seis?) no pelotão profissional – a usarem a mesma cor nos equipamentos (muito, demasiado parecidas) – sendo que, não o tendo eu dito, até porque não sei que alterações podem vir a ter os equipamentos da Liberty Seguros-Würth, sendo que, dizia, só falei de azul.
E deixei o azul-marinho da DUJA-Tavira de fora porque, definitivamente, não se confunde.

Um dos meus melhores amigos no pelotão, rapaz que conheço há 17 anos, director-desportivo arguto e que (sem pôr em causa as equipas que representou até hoje) já justificou ser merecedor de um grande, mesmo grande, projecto, dizia-me um dia – há pelo menos dois anos, o tempo que levo de fora… – que a sua primeira preocupação era a escolha das cores do equipamento da sua equipa.
Estou a falar de um jovem, não de um dos consagrados.

Lembro-me das suas palavras.
“Houve um ano que, contra a opinião do patrão defendi, e acabei por levar a minha ideia por diante, apostar em calções vermelhos, coisa que não se via na altura (depois disso já houve outras equipas a apostar nisso) e a verdade é que, só pelos calções, os nossos corredores eram identificados com a equipa à distância.”

Perceberam esta parte?
Identificados à distância.
Imaginemos… – e isto é apenas um exercício académico – há quatro fugitivos na Volta a Portugal, as primeiras imagens são do helicóptero, três vêm de azul e o narrador não arrisca, para não se enganar. Mas há um de calções vermelhos… ah!, esse é identificável e, antes do nome do corredor, sai o nome da equipa.
Básico. Acho eu.

Um outro técnico, há bem mais tempo e também numa conversa informal, dizia-me que, mesmo não gostando especialmente das cores, apostara fortemente no amarelo e rosa-choque, cores que, durante vários anos identificaram uma equipa algarvia.

Dizia-me ele, e tinha – tem – toda a razão, que de longe era possível identificar de imediato a equipa.
Por acaso as latas de atum – cuja marca dava o nome à equipa – eram amarelas. O rosa-choque era mesmo para… dar nas vistas. Como os calções vermelhos da ASC-Vila do Conde, no seu primeiro ano no primeiro pelotão.

Eu comecei por ressalvar que não sou especialista em marketing, mas depois afirmei estar de acordo com estes dois amigos. Porque se eu fosse especialista em marketing… quereria era, em primeiro lugar, dar nas vistas.

Que a marca que eu defendesse fosse identificável ao primeiro olhar.

Mas há mais. Os equipamentos das equipas têm, obrigatoriamente, que ser caucionados pela UCI. Falo das equipas que têm de estar inscritas na UCI. O que parece é que os serviços desta instituição, que teriam que estar atentos a estes pormenores, assinam de cruz os projectos de equipamentos que lhes são apresentados. E não é preciso sair da realidade portuguesa para chegar a tal conclusão.

O ano passado tínhamos a Liberty Seguros e – agora sim – a Riberalves, ambas a usarem azuis muito confundíveis mas tínhamos mais. A Madeinox e a Fercase a usar laranjas que, no meio do pelotão são indecifráveis.

E, a nível internacional, não me lembro de ter visto tantos vermelhos no pelotão.

Que fazer? Também não sei – ao certo – qual o poder dessa comissão na UCI para dizer que não, a equipa “X”, que é patrocinada pela marca “Y”, cuja cor institucional é o amarelo, não pode usar o amarelo…
Não sei.

Mas fui desviando-me do essencial.
Para o ano que vem vamos ter duas equipas no pelotão nacional com equipamentos (demasiadamente) parecidos.

Benfica à parte, as duas outras equipas com mais aspirações.
Com mais potencial.
Com mais hipóteses de ganhar etapas, ou corridas, logo, com mais hipóteses de estar todos os dias nos pódios onde, nas fotos e nos “close-up” das tv’s serão facilmente identificáveis.
E sou capaz de olhar o “caso” a partir do outro lado.
Tipo… diz o Luís Almeida (ou o Manel Zeferino), "não nos identificam no meio do pelotão, mas no pódio vão ver quem somos".

Exactamente o mesmo que o Vítor Paulo Branco e os responsáveis pela Liberty Seguros pensarão…

Ok… só quem sai a perder é o adepto anónimo que, à beira da estrada não tem tempo para destrinçar quem é quem.

E bastava uma raia de outra côr, uma “brincadeira” com a palete de cores para que cada um fosse identificado à primeira.

Já agora, e mesmo que ninguém mo tenha pedido… sabem qual foi o equipamento de que mais gostei nestes 17 anos que levo de ciclismo?
Foi o da MSS-Maia, em 2000.
A camisola que o Zé Azevedo envergava quando ganhou a 3.ª etapa da Volta às Astúrias.
Mas isto é um àparte.

E volto a pedir desculpas pelo facto de aquele artigo que escrevi esta tarde estar ferido de grave inverdade.
Não há mais Riberalves no pelotão.
E não foi com o fito de fazer publicidade…

Para mim, bacalhau é seco mesmo, à maneira tradicional.

959.ª etapa

PELOTÃO MAIS… AZUL

Eu compreendo porquê. Compreendo que os patrocinadores queiram ver as suas cores nas equipas que pagam, mas em Portugal está a acontecer uma verdadeira onda… azul!

Há dois anos que já vínhamos a ter problemas, quer os espectadores à beira da estrada, mesmo nas transmissões televisivas, principalmente nos planos gerais, quer os jornalistas à boca da meta a tentar adivinhar quem é que vinha na frente porque, à Liberty Seguros se juntou a Riberalves, ambas com equipamentos azuis que, vistos ao perto são perfeitamente identificáveis, mas assim ao longe…

Aliás, creio que foi por ir ter 18 corredores de azul no pelotão que a organização da Volta a Portugal mudou este ano a cor da camisola do Rei da montanha para verde, que não se confundia com o verde da Maia porque esta também tinha… azul!

Entretanto, e não vou repetir a história. Para o ano vamos ter uma nova equipa no pelotão, a LA Alumínios-MSS-Póvoa e adivinhem de que côr vão apresentar-se…
Exactamente: de azul!
Como disse, compreendo e temos todos que aceitar que os patrocinadores queiram a sua imagem transportada para as camisolas das suas equipas… siga portanto o pelotão azul.

Ah!, permitam-me uma pequena brincadeira que não ofende ninguém.A quem ainda não arranjou patrocinador, procurem empresas/marcas que tenham como côr predominante… o azul. Aparentemente são as que mais disponíveis estão para ajudar o Ciclismo.


(foto Ciclismo Digital)

958.ª etapa

PREOCUPANTE, MUITO PREOCUPANTE

É preocupante a notícia que ontem nos foi dada por A BOLA. Cinco das equipas que este ano formaram o pelotão de sub-23 poderão – nalguns casos parece que é mesmo definitivo – abandonar o Ciclismo.

E é preocupante porque este é o escalão-charneira, o mais importante na pirâmide de todo o Ciclismo. Fundamental para dar experiência aos jovens corredores que aspiram a vir ser profissionais.

Preocupante porque não vejo hipóteses de que estes, sei lá… assim por alto, 60 jovens corredores consigam encaixar-se nas restantes formações, o que significa o fim da linha para eles. Quantos não poderiam ainda vir a revelar-se certezas no nosso Ciclismo?

Corremos o risco de ficar sem saber.

De entre estas equipas, agora anunciadas, lamento – sem desprimor para as outras – especialmente o possível fim do Lourinhanense, há uns anos Fonotel, mas que conheceu vários patrocinadores ao longo dos tempos. Aliás, António Marta começou, há para aí uma dúzia de anos com uma equipa em Loures (se a memória não me atraiçoa), para no ano seguinte se mudar para a Lourinhã e pelas suas mãos passaram vários corredores que depois viriam a destacar-se. Entre eles, o filho mais novo, o Nuno, que foi campeão nacional em praticamente todos os escalões jovens.
Resta-me a esperança de que nas próximas semanas ainda seja possível a alguma – gostaria que fossem todas – encontrar apoios suficientes para que aconteça o volte-face e as continuemos a ter no pelotão.

(foto Super Ciclismo)

Nota1

Pronto! Desta vez parece que consegui.

Eis o VeloLuso com uma nova cara.
À entrada para o terceiro ano de vida, achei que estava na hora de mudar.

Vai acontecer ainda uma outra alteração, como, por certo, já repararam.
A minha cara deixa de estar constantemente presente.

Comentários que entenda fazer, pequenas notícias, divulgação de notícias que às vezes amigos me fazem chegar, sairão normalmente, sem foto que só aparecerá em artigos de opinião pura.
Aí, continuarei a dar a cara.

Obrigado a todos os que acreditam neste projecto.

sábado, novembro 03, 2007

957.ª etapa


DIFÍCIL DE ENTENDER

Os The Gift, banda de Alcobaça onde pontua a voz quente da Sónia Tavares têm um álbum do qual logo se destacou um dos poucos temas que interpreta em português: Fácil de Entender. Estava a ouvi-lo quando a vontade de escrever me puxou para este artigo que justifica o título.
Mas, antes dos finalmentes, permitam-me um ou dois entretantos

Imaginemos que, de um momento para o outro, o Benfica – ou o FC Porto, até porque a comparação tem mais sentido feita com os dragões – anuncia que deixa de jogar futebol a nível dos seniores…

Imaginemos que, no andebol, por exemplo, o ABC de Braga dissolve a sua equipa, que já nos representou ao mais alto nível europeu, em termos de clubes...
… ou que a Ovarense anuncia, de um dia para o outro, que decidiu acabar com a equipa profissional de basquetebol.

Imaginemos que, ao fim de décadas sempre em plano superior, emblema do nosso voleibol, o Sporting de Espinho diz que acabou. Não há mais…

Imagine-se agora o que aconteceria na sequência de qualquer destas situações puramente inventadas.

Pois!...
E imaginemos que a mais vitoriosa equipa portuguesa de Ciclismo na última década… subitamente acaba.

O que é que diferencia esta notícia de qualquer uma das outras inventadas por mim?

Há quase um mês – se é que não passaram já 30 dias – que foi anunciado o fim da Maia. Independentemente dos patrocinadores… o fim da Maia no principal pelotão nacional.

Tenho vindo a tentar perceber, mas não há meio de me convencer.
Porque é que o fim da equipa que ganhou quatro voltas a Portugal nos últimos sete anos não mereceu mais do que a notícia crua do seu fim nos jornais desportivos nacionais?

Ainda por cima, quando se adivinha que nem tudo terá sido pacífico.
Que haverá razões, cada uma delas defendida por cada uma das partes interessadas, que os amantes do Ciclismo mereciam conhecer.

Será que é mesmo verdade que os três desportivos não fazem mais do que… tolerar as modalidades?

Mas isso significaria que também não acreditam no produto que têm que vender.

Ninguém achou oportuno explicar aos adeptos do Ciclismo o porquê do fim do Ciclismo na Maia.

Do Ciclismo profissional. Nenhum dos três desportivos, porque se um tivesse avançado, os outros dois, muito provavelmente te-lo-iam seguido…
A União Ciclista da Maia era uma instituição.
A equipa mais consistente no universo luso do Ciclismo.

Anunciou-se o seu fim e… depois mais nada!
Mas não é assim.
Mais nada não. Mais nada nos desportivos de cobertura nacional…

Há três dias recebi um email a dar-me conta de um trabalho publicado pelo quinzenário MaiaHoje, o mais completo e elucidativo que pude ler até hoje.
Este jornal regional fez aquilo que os nacionais – principalmente os desportivos – menosprezaram… ignorando-o.

Ouviu todas as partes envolvidas.
Num trabalho jornalístico sem defeito.
Parabéns a eles.
Não foi pacífico o fim da Maia...
Basta ler as declarações do presidente da UC Maia.

E muita gente aparece metida no barulho.

É acusada a Câmara Municipal da Maia – por duas das partes – que, isso é do conhecimento, pelo menos dos jornalistas mais próximos da modalidade, prometeu, prometeu… mas há já uns anos que não passava disso, das promessas…

A falta de cumprimento por parte da edilidade maiata cavou o fim da equipa.
Ainda assim, há mais dados no trabalho do MaiaHoje.

Que o Manel Zeferino estava cansado de viver no fio da navalha…
Que o presidente do clube ficou sentido com a debandada de Zeferino que levou todo o grupo de trabalho para a Póvoa de Varzim…

Que o principal sponsor, este ano, ficou mesmo "muito desagradado" com a falta de cultura ciclística da esmagadora maioria dos OCS que, e cito palavras suas avançadas pelo quinzenário MaiaHoje "leu mais vezes a designação de Maia-Milaneza (esta empresa desinvestiu muitíssimo!) do que LA-Maia".
O Ciclismo é - não é entregue, é mais... atirado - para quem não percebe pévia disto. Aliás, ía-mos quase no fim desta temporada quando os comentadores da EuroSport (Portugal) "descobriram" que não havia mais equipa das "Ilhas Baleares"...
Levaram seis meses a perceber que a equipa se chamava Caisse d'Épargne...

E por cá, aconteceu o mesmo.
E o Luís Almeida não gostou.
E, como é ele quem investe o seu dinheiro... e à falta de melhor solução...
Mas voltemos atrás...
A Maia acabou...
Nenhum jornal se deu ao trabalho de ir saber, junto de cada um dos interessados, o porquê deste corte radical...
E o primeiro trabalho com princípio, meio e fim, que pude ler... foi no MaiaHoje.
Nesse trabalho do MaiaHoje avançava-se com a decisão definitiva de que a União Ciclista da Maia não acaba de todo a actividade.

Vai prosseguir no pelotão dos Sub-23.
Já tem corredores, já tem técnico…
É o Paulo Couto, segundo o MaiaHoje.

Mas esperemos pelo trabalho de fundo - que falta fazer - para que todos compreendamos o que realmente aconteceu e que ditou o fim da equipa da Maia.
Houve motivos, pesados, significativos, preponderantes, decisivos… para que o Luís Almeida tenha decidido – e foi ele, definitivamente foi ele – que não queria mais ficar na Maia.

Eu compreendo-os e não me custa nada aceitá-los.
Mas… e a esmagadora maioria dos adeptos do Ciclismo?
Dos adeptos da Maia?
Não merecem uma explicação?

Mas dou ainda outro exemplo.
Há cerca de uma década atrás, e assim, também tão surpreendentemente como agora a Maia, a Sicasal deixou o pelotão.
Contudo, se um dia destes alguém resolver recordar o quão importante foi a equipa de Vila Franca do Rosário para o nosso ciclismo basta ir-se aos arquivos dos principais jornais, ou à Biblioteca Nacional, procurar na data certa e recolher os dados que então se publicaram.
Os anos que a Sicasal esteve no pelotão, como evoluiu de patrocinadora do Torreense até ter uma equipa própria, quantas voltas ganhou, quantas vitórias somou, quantas vezes esteve na Vuelta ou no Giro...
Mas daqui a dez anos, se se quiser fazer o mesmo em relação à União Ciclista da Maia vai-se às colecções de Outubro de 2007 e o que é que se encontra?
Nada. Uma notícia apenas. A Maia acabou!...
Percebem?

956.ª etapa

JÁ NÃO VAI HAVER A "TAL" NOTÍCIA

A corajosa – mas penalizadora – decisão da Associação de Ciclismo do Algarve (ACA), dinamitou aquele que era o meu argumento em relação à continuidade da Volta ao Algarve no Calendário Europeu da UCI.
Onde não consta ainda.
Uma questão de pormenores, acho eu.

Subescrever um empréstimo bancário para fazer frente às suas obrigações, é penalizador para a ACA. E penalizador como, e porquê?
Porque, conhecendo tão bem como conheço, tanto o Rogério Teixeira como o Bernardino Caliço, homens de bem (não o ponham em causa!), acreditaram.
Acreditaram naqueles que aceitaram ser seus (da ACA) parceiros na organização do evento. Um acordo comercial. A pagar…
Mas houve quem não tivesse pago.

Daí a ACA ter tido que contar as moedinhas, uma a uma, para fazer aquilo que nunca terá sequer previsto ser tão difícil: cumprir a sua parte do compromisso.
Pagar aos artistas que protagonizaram o espectáculo.

De uma forma um pouco minimalista, concordo, sintetizo: há um espectáculo, que conta com alguns dos principais nomes na sua especialidade; há uma entidade que se propõe montar o espectáculo mas que precisa de apoios financeiros; há contactos e consegue-se o apoio de algumas outras entidades (algumas delas, institucionais, em termos nacionais), apoio que, contas feitas ao cêntimo, chegam, apesar de tudo, para ir em frente com o tal espectáculo e… mesmo sem o contado no bolso, a ACA – como qualquer outra organização – chegou a um ponto sem retorno.
The Show Must Go On.

Mas para quem está mais ou menos por dentro de como funcionam as organizações de corridas em Portugal nem se espanta - nem tem motivo para isso -, nem fica chocado.

É assim…
Meia dúzia de homens de boa vontade que, em prol da causa que abraçaram e pondo, inclusivé, em risco o seu bom nome perante a sociedade, acreditam.
São honestos e acreditam que os demais o serão também.

Eu acho bem que a Associação Portuguesa de Corredores Profissionais pressione as organizações no sentido de pagarem o mais depressa possível aquilo a que se comprometeram pagar.
E não advogo excepções.
Há-de ser igual para todos.

O que aconteceu à ACA… há-de ter já acontecido – se é que não está a acontecer – com outras organizações.
Infelizmente, se fosse o caso de ter que se sair à rua e perguntar…
“Porque é que a Volta ao Algarve saiu do calendário?”.
A resposta, porque foi o que saiu nos jornais, seria:
“Porque não pagaram os prémios…”

E devia ser, mas para isso o público em geral tem que ser informado da verdade, “porque a Organização aceitou como honesto o compromiso de alguns patrocinadores que, afinal de contas, depois roeram a corda! ou, pelo menos, tentam prolongar o prazo do acerto de contas quando a ACA não tinha mais espaço de manobra”.

Por isso, também por isso, eu há alguns dias falei aqui em “boa Imprensa” e “Imprensa hostil”.

A haver a primeira, na notícia teria indicado no primeiro parágrafo aquilo mesmo.
Que a organização não tinha pago porque não tinha recebido...

O que lemos põe a descoberto aquilo a que eu chamo "Imprensa hostil" em relação ao Ciclismo. A quase todo o Ciclismo...

A ACA, já que não teve quem a ajudasse antes, não vai ficar a dever favores a ninguém, depois… Pediu um empréstimo bancário e, como qualquer um, vai ter de pagar com juros.
Está bem. E de cabeça erguida.
Sem ficar refém de ninguém.

sexta-feira, novembro 02, 2007

955.ª etapa

DESCONHEÇO O MECANISMO, CONFESSO!

Em relação aos oito Corredores “escolhidos” como potenciais representantes de Portugal nas próximas Olimpíadas… que 24 horas depois passaram a três, o Carlos Flórido explica – de forma exemplarmente clara – como as coisas funcionam.

Confesso que não estou assim tão por dentro do maquinismo olímpico… e o Carlos explica-o no Cyclolusitano (
www.cyclolusitano.com) de uma forma perceptível. Infelizmente eu não posso escrever naquele sítio.

Mas chamo o assunto aqui porque não posso pôr de lado a hipótese de que nem todos os leitores do VeloLuso o são também do Cyclolusitano

O Carlos deixou aqui uma mensagem. Mas é curta, Carlos.

Podes deixar aqui a mesma explicação… ou permites-me que copie para aqui o escreveste no Cyclolusitano?

Entretanto deixo um “cheirinho”… os integrantes da lista do Projecto Olímpico têm direito a um subsídio mensal.

E, como deves saber, Carlos, eu ainda não estou bom – da cabeça, então, estou cada vez pior – e estou condicionado (literalmente) ao que leio.

É impossível o Tiago Machado ser hipótese para Pequim?
Mas ele está na lista dos oito… (perdoem a ignorância do macaco, como se dizia num velho programa televisivo do Jô Soares…)
.
P.S.: Em relação ao que deixaste na mensagem, Carlos... eu acredito que a FPC cative os subsídios... (mas isto sou eu a dizer...)

954.ª etapa

PRONTO! BATEMOS NO FUNDO
(A boa notícia é que não se pode descer mais!)


“O australiano Michael Ashenden, especialista encarregue do projecto Ciência e Indústria contra o doping, propôs a implantação em todos os ciclistas de um sistema GPS de modo a ser possível localizá-los em cada minuto todos os 365 dias do ano!” [in A BOLA]

Li três vezes e não me enganei a copiar.
Manter sob vigilância terroristas?
Assaltantes?
Assassinos?
Violadores?
Não!
Corredores profissionais de Ciclismo.

Mas reparem… nem tudo é mau.
Nos anos bissextos – que aparentemente foram esquecidos – os Corredores terão um dia sem vigilância.

Claro que nos próximos dias vou vasculhar tudo o que seja jornal que eu saiba ler (escrito numa língua que eu entenda) e não ficarei descansado enquanto não ler que o senhor Michael Ashenden foi apanhado e recolocado no hospício de onde, é evidente, fugiu.