[Acordo Ortográfico] # SOU FRONTALMENTE CONTRA! (como dizia uma das mais emblemáticas actrizes portuguesas, já com 73 anos, "quem não sabe escrever Português... aprenda!») PORTUGUÊS DE PORTUGAL! NÃO ESCREVEREI, NUNCA, NUNCA, DE OUTRA FORMA!
sexta-feira, dezembro 28, 2007
1017.ª etapa
O grande trabalho de fundo que nos é oferecido no último número do Jornal Ciclismo, e que acabei de ler com toda a atenção, podia servir de base de partida para uma interessantissima sessão de terapia colectiva no que respeita ao problema do doping.
Espero que todos o tenham lido.
Claro que, desta vez, tivemos apenas as perspectivas de um dos lados. Mas são por demais importantes para serem menosprezadas.
Fica a faltar o testemunho dos médicos das equipas porque há, de facto, métodos e processos para ajudar os atletas a recuperarem, o mais rapidamente possível, dos tremendos esforços a que são diariamente submetidos, nomeadamente nas corridas de três semanas.
Métodos e processos – reposição de sais, reforço de vitaminas e outros – que nada têm de pernicioso. É, fica a faltar ouvir um – ou mais do que um – médico que explique aos leitores do Jornal Ciclismo, tão bem quanto o doutor Artur Moreira Lopes e o professor Luís Horta o fizeram em relação às contra-indicações e consequências nefastas trazidas pelo uso insistente de doping.
E o que mais gostei foi mesmo da forma, quase diria didáctica, que ambos adoptaram e que ficou bem traduzida no trabalho. Apesar de uma ou duas acusações mais ou menos veladas que convinha fossem concretizadas de forma a que a suspeita não se estenda a todos. Todos os Corredores e todas as Equipas…
Tem sido nesta área que eu me tenho batido.
É – tem sido – fácil, assente, é verdade, em casos concretos, cruxificarem-se os Corredores. Apenas os Corredores.
Juntando este documento – que o é – que o Jornal Ciclismo nos ofereceu, a uma ou duas outras entrevistas lidas noutros jornais onde, por exemplo, ficou vincada uma certa fractura entre as opiniões destes mesmos dois entrevistados (no caso, com o presidente da FPC a ser veemente em relação ao facto de o pelotão português estar inquinado, com o director do LAB a defender a sua dama, esgrimindo que os números desmentem aquela acusação), e não esquecendo que no meio disto tudo, continua a aprovar-se legislação que esbarra, de facto esbarra, nos mais elementares direitos dos Corredores, enquanto Cidadãos, poder-se-ia chegar a conclusões que, pelo menos, minimizassem os estragos colaterais que apenas estão a ajudar a destruir o Ciclismo.
Que é o que normalmente acontece, em relação a qualquer assunto, quando se generaliza, metendo toda a gente no mesmo saco.
Mas, e sem querer imiscuir-me nas opções dos responsáveis pelo jornal, creio que depois deste trabalho é quase obrigatório e urgente ouvir o que têm os médicos das equipas.
Que são profissionais, como todos os seus colegas formados para ajudar e não para pôr em risco a saúde dos seus pacientes. Com um Código Deontológico à prova de bala e que, adivinho daqui, não terão ficado muito satisfeitos com algumas passagens deste trabalho.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
1016.ª etapa
Vou tentar pesar, palavra a palavra, o que a seguir vou escrever.
Por respeito.
Respeito em relação a muita coisa.
Porque, antes de tudo, devemos ser honestos perante a verdade, embora – e não serei eu a dizer o contrário – aconteçam situações em que TAMBÉM nos vemos obrigados a defender a imagem de pessoas que nos dizem muito.
Que temos como amigos.
Jamais condescerei num caso para proteger o outro…
Tentarei não ser demasiado duro para o segundo, mantendo como objectivo mais importante o primeiro.
Somos nós, os jornalistas que se entregaram de corpo e alma ao Ciclismo, quem tem o dever de o defender. Protege-lo até… em relação a arrivistas que nem sabem quantas rodas tem uma bicicleta (não, não são duas… nem lá perto) e parecem ir firmando carreira com o porfiado esforço de o destruir.
Por isso, tudo o que se diz e se escreve com a veleidade de contar a História não pode escamotear os factos.
Porque, e já escrevi isto num outro artigo lá atrás, a História não se discute.
Aconteceu.
Para o mal e para o bem, aconteceu.
Os – cada vez menos, infelizmente – jornalistas que hoje podem defender o Ciclismo, usando, para isso, não só o que estudaram mas também, e principalmente, o que tiveram oportunidade de testemunhar, não podemos ficar-nos pelas meias palavras.
Não!
Não podemos.
Digamos que é a dívida que temos a pagar por termos sido abertamente acolhidos na Família do Ciclismo.
O recém aparecido Jornal Ciclismo – pelo qual, embora alheio ao projecto, mas se for a bem do Ciclismo, estou disposto a deixar a pele – abalançou-se a contar a História do maior Corredor Português de todos os tempos.
O Joaquim Agostinho.
Começou por aceitar textos inquinados no sentido de que parecia ser uma história de raíz quando – e a prova de que estou certo (claro que estou certo, li todas as biografias do Agostinho) é que arrepiou caminho – o que nos foi dado não era mais do que um trabalho suportado por outros trabalhos já anteriormente publicados.
Jornalisticamente a forma não está incorrecta desde que, no final, se refira toda a bibliografia que foi consultada.
Incluindo artigos de jornais. Não o foi.
Por acaso e, acho eu, logo após a primeira publicação, depois de eu próprio ter chamado a atenção para isso, os textos passaram a referir onde é que o signatário ia buscar as informações.
Ainda bem.
Embora reconheça ter sido um preciosismo da minha parte.
99 % dos leitores do Jornal Ciclismo assumiria a informação prestada como da autoria de quem assinava.
Mas isso era batota.
Estendeu-se a “biografia” do Joaquim Agostinho ao longo de oito edições do jornal para terminar com… meia página.
Faz-me lembrar um anúncio de televisão que passou há uns anos e no qual uma suposta guia turística dizia: “Era um rei de cabelos compridos e um dia morreu!...”
Sem delongas e indo directo ao que importa… ninguém é capaz de resumir a história - não num espaço de 13 anos - do Joaquim Agostinho em meia página.
A culpa não é só a de quem assina o trabalho.
Eu senti-me defraudado.
E sabem os dois principais responsáveis pelo jornal como se sentiu o Xico Araújo? O português que melhor conheceu o Joaquim Agostinho?
Perguntem-lhe…
E se o Fernando Emílio barafustou a pedir mais espaço, aqui estou com ele.
Não se faz isto com o Joaquim Agostinho.
Reparem… não é por mim, não é por quem há muito segue o Ciclismo…
a vossa responsabilidade é para com os actuais fãs.
Para quem não sabe nada do Agostinho.
Terminar da forma como terminaram a sua história foi, mais do que uma falta de respeito, um erro terrível.
E se querem impõr o jornal, e se querem que tenha alguma credibilidade… prestem atenção.
Erraram!
Mas ainda sublinho mais um pormenor…
… o Jornal Ciclismo TEM que ganhar o respeito e a confiança dos adeptos do Ciclismo a quem se dirige.
Certo?
Eu sei tão bem o que é o rush do fecho de uma edição… diariamente.
Mas deixar passar isto, e cito:
“Recordo algumas palavras que me marcaram como jornalista e amigo pessoal de Joaquim Agostinho…”…
E a seguir virem citações a A Capital e de uma revista da época…
Eu, por mim, não tenho – já não tinha – dúvidas…
Há por aí grandes fraudes.
Mas a mensagem não está completa: amigos João, e Zé Carlos…
podem pedir aí a alguém que nos conte, de facto, a história dos últimos anos de vida do Joaquim Agostinho?
Não é por mim, que a sei de trás para a frente…
É para os mais novos saberem quem foi, e como foi, o nosso maior nome de sempre na modalidade…
Para que saibam, por exemplo, que no dia do seu funeral, que saiu da Basílica da Estrela, uma dúzia de avenidas de Lisboa estiveram cortadas ao trânsito…
Poucos desportistas justificaram tanto.
Mentira… nenhum.
Até hoje.
E isso não nos foi transmitido com o vosso trabalho.
quarta-feira, dezembro 26, 2007
1015.ª etapa
Na entrevista que o presidente do Sporting Clube de Portugal, Filipe Soares Franco, deu ao Record e hoje publicada, lá se volta a falar do Ciclismo.
Vai longe o tempo em que os Grandes – os três grandes – se afirmavam pelo seu ecletismo.
Hoje, a fornalha do futebol queima todos os recursos e… não chegam.
É evidente que a opinião dos associados – e muito menos a dos simples simpatizantes – há muito não conta. E isso ficou claro na entrevista...

À expressão recentemente introduzida no léxico desportivo, e que fala de clubes-empresa (vulgo sociedades anónimas desportivas - SAD), manifesta-se errada por defeito.
O correcto seria mesmo algo como SAF – Sociedade Anónima de Futebol -, tal a forma como o seu aparecimento coincidiu com o desinvestimento nas outras modalidades.
O discurso, uniformizado, é sempre o mesmo: modalidades, sim… mas auto-suficientes.
Isto é… desde que alguém assuma a responsabilidade, os clubes não se importam de capitalizar os proveitos daí advindos.
Contribuir para a inversão do processo que reduziu os grandes clubes a futebol e pouco mais é que não.
Também… com os ordenados que pagam, mesmo a “futebolistas” dos quais, após dois meses, só querem ver-se livres porque não passam de pontapeadores de bola, com as inconfessadas – porque inconfessáveis – ligações aos chamados Agentes FIFA, das quais brotam negócios que tornam estes muitíssimo ricos, os presidentes muito ricos e os jogadores… demasiado ricos, ao mesmo tempo que os clubes se afundam (algo que a maioria dos adeptos não consegue entender) e escorregam, de forma – em muitos casos – irreversível, para a falência… com o futebol a sugar tudo, e sendo que apenas com o futebol podem esperar fazer negócio, às malvas com o ecletismo.
Mas Filipe Soares Franco, mal confrontado (por ignorância de quem perguntou?) sobre o Ciclismo – porque é verdade que João Lagos, sportinguista militante, ofereceu ao clube as mesmas condições que o Benfica aproveitou –, lá foi dizendo que se algum sportinguista aparecer com vontade de fazer uma equipa de ciclismo, desde que isso não custe um chavo ao clube, até seria engraçado, porque, cito de memória, “a Volta a Portugal vai a todo o País e pode ser uma boa propaganda para o clube”.
Ninguém – muito menos a minha insignificante pessoa – porá em causa as opções do vice-presidente do Sporting, para as modalidades, o professor Moniz Pereira, que há muito descartou, sem deixar espaço para discussão, o regresso do Ciclismo a Alvalade. Mas a História não se discute.
Os mais velhos ou, sendo mais novos, são indefectíveis da modalidade, não se esquecerão de Marco Chagas, Leonel Miranda, João Roque, Alfredo Trindade…
O senhor-atletismo não gosta do Ciclismo.
Está no seu direito mas, como homem inteligente que é… já deve ter percebido o que toda a gente percebeu.

Cheira-me a hipocrisia a garantia de Filipe Soares Franco de que há uma modalidade que nunca acabará no Sporting: o atletismo.
Infelizmente, o professor Moniz Pereira não é eterno.
Mas os mais novos cá estarão para testemunhar o que vai acontecer um dia – que espero, sinceramente, venha ainda muito longe – em que o professor nos deixar…
Mas voltemos ao Ciclismo.
Parece que em Alvalade – aliás, como aconteceu com o Benfica – só voltará se alguém der um passo em frente.
Que apareçam então as vontades.
De quem queira trabalhar, e de quem queira investir.
Eu sempre defendi que Benfica, Sporting e FC Porto são imprescindíveis para que o nosso Ciclismo dê um pulo qualitativo. Falta de Corredores profissionais no mercado não será desculpa…
Embora para 2008 já seja tarde, ninguém perde nada se alguém, de coração de leão, aparecer já a pensar numa equipa para 2009.
E que o dragão não se fique…
E não tentem contradizer-me com o argumento de que os grandes clubes de futebol europeus não têm Ciclismo.
Pois não!
Mas nem Real Madrid, nem Barcelona, nem Liverpool, Arsenal ou Chelsea, Bayern de Munique ou Juventus ou Milão ou Inter devem um avo da sua popularidade, nos respectivos países, ao Ciclismo…
Benfica, Sporting e FC Porto já não podem dizer o mesmo.
Pois não?!...
segunda-feira, dezembro 24, 2007
A Melhor Prenda de Natal
Há alguns minutos atrás, algures, no Mundo, alguém clicou no endereço do VeloLuso e fez rodar o conta-visitas para os seis dígitos.

Cem mil visitantes, em pouco mais de dois anos. Isto não é um site... é apenas um Blog, ainda por cima, muito específico.
Aqui escreve-se sobre Ciclismo.
Em menos de 26 meses... 100.000 visitas.
Que melhor prenda de Natal podia eu desejar?
Obrigado a todos.
E um Bom Natal.
1014.ª etapa
Esgrimem-se argumentos, cada uma das partes acena com diferentes leituras de um mesmo documento, bate-se continuamente nas mesmas teclas e, às vezes, traz-se à luz do dia notícias que caiem sempre para o mesmo lado.
Mas eis que descubro uma que não nos foi dada a ler, na altura.
Refere-a o Público, na sua edição de ontem, e aqui a cito:
"Quando a FPC ordenou aos ciclistas profissionais para preencherem o formulário de localização do Conselho Nacional Antidopagem (CNAD), através do qual devem ser comunicados trimestralmente os locais de treino ou estágio, a APCP apresentou queixa junto da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), que multou a federação em quatro mil euros, por antecipadamente não ter feito um pedido para recolher os dados."
Afinal... havia uma ilegalidade!
Quem sabia?
É que, quanto maior fôr o número de dados na nossa posse, melhor podemos discutir um problema. Seja ele qual fôr.
E sem beliscar opiniões... mas sem cartas escondidas.
domingo, dezembro 23, 2007
Boas Festas

aproveito para desejar uma quadra feliz.
Um Bom Natal
e um Melhor Ano Novo.
Àqueles que já me fizeram chegar os seus votos de Boas Festas,
agradeço e retribuo, com um grande abraço.
Obrigado...
Guita Júnior
PMG
Paulo Couto
José Augusto Silva
José Azevedo
Vivex
Ana Luisa Jesus
Clube de Ciclismo de Tavira
Tomé Gomes
Paulo Sousa "Paulão" (2W)
Nuno Veiga (ElvasPress)
Equipa do Crédito Agrícola
Fernando Mota
Maria João (SuperCiclismo)
Sérgio Ribeiro
Rui Quinta (Ciclismo Digital)
Armando Ferreira
Carlos Barreiros
e Elisabete (Anuário do Ciclismo)
João Fonseca
Paula Martins (Comissária Internacional)
e Fernando Gregório (Rádio Oeste)
1013.ª etapa
CRÉDITO AGRÍCOLA INICIOU HOJE
A VOLTA AO MAR DO SUL DA CHINA

1012.ª etapa

quinta-feira, dezembro 20, 2007
quarta-feira, dezembro 19, 2007
1011.ª etapa
ALGUMA COISA DE CICLISMO…
O ANDRÉ CARDOSO NÃO PODE FICAR SEM EQUIPA
Quem é que já se esqueceu da última Volta a Portugal? Quem é que não se lembra daquele jovem, de uma equipa pequena que, visivelmente esvaziado, ainda foi buscar um sopro de vontade e sprintar para pontuar numa meta de montanha, o seu objectivo na corrida?
É jovem? É!
É inexperiente? Será…
Mas é Corredor? Definitivamente… SIM!
André Cardoso mostrou ter aquilo que é preciso para vingar enquanto profissional de Ciclismo… um enorme espírito de sacrifício. Aquela coisa que os não iniciados não conseguem interpretar. Não conseguem perceber.
Quando um homem atinge os seus limites físicos mas, porque é a cabeça que manda, das tripas faz coração e alcança os seus objectivos.
É assim o André Cardoso, um jovem, de 23 anos apenas…

Um jovem que – tal como o escrevi na altura – fez bem em apostar no salto, em termos de ir correr numa equipa estrangeira. Olhando ao histórico do ciclismo luso, não foram assim tantos os que tiveram essa coragem e foram ainda menos os que conseguiram impor-se.
O André cabia neste pequeno grupo.
Demonstrou-o na última Volta a Portugal.
Porque para ser-se Corredor profissional é preciso um grande, um enorme espírito de sacrifício… e quando se tem apenas 23 anos e nele se lê claramente ser credor de toda a confiança possível, não é por acaso.
Mas o André Cardoso – com os problemas na Relax – corre o risco de ficar sem equipa.
Seria um crime lesa-Ciclismo.
Atirem-me à cara com o que seja que fôr.
Que é que eu percebo disto?
Percebo alguma coisinha. Pouco, mas percebo…
Percebo, por exemplo, que um jovem assim, voluntarioso, capaz de sofrer, capaz de se agarrar a um objectivo, merece uma oportunidade extra.
Percebo que, voluntarioso e capaz de sofrer, pode ser um Bom Corredor de Equipa.
O Benfica precisa de mais um corredor para o lugar do Pecharroman. Um corredor com o perfil do André. E quase de certeza não sairia mais caro que o espanhol.
Desculpa lá Orlando eu estar a meter-me onde não sou chamado.
É por defeito. Em caso de dúvida, sou sempre pelo… Ciclismo.
Mas o André – que não conheço pessoalmente e que não me encomendou nada – é um corredor que encaixa perfeitamente naquilo que o meu grande amigo Manel Zeferino gosta. Alguém com espírito de sacrifício e que seja capaz de por os interesses da equipa acima dos seus próprios interesses…
Sinceramente… espero que o André Cardoso não seja obrigado a retroceder, em termos de carreira. Mais do que isso… espero que não tenha que cumprir um ano sabático.
O seu agente, o António Vaquerizas, há-de estar a tratar do seu futuro…
Quem puder – porque eu sei que as coisas não estão fáceis – por favor, não se deixem ficar como simples cúmplices de um abrupto corte de carreira de um jovem pleno de potencial.
1010.ª etapa

MORREU HOJE UM HOMEM BOM
O Ciclismo português ficou hoje mais pobre. Muito mais pobre.
Só o soube há pouco e, embora a notícia fosse esperada, não deixou de me tocar profundamente. Morreu o Senhor Engenheiro.
O eng.º Brito da Mana, durante vários anos director do Ginásio Clube de Tavira para o ciclismo, quando a colectividade se decidiu pela extinção da secção, em 1979, fundou, juntamente com outros tavirenses, o Clube de Ciclismo de Tavira que, ininterruptamente tem vindo a fazer parte do pelotão nacional, ostentando o título de mais antiga equipa profissional do Mundo. E até há quatro anos sempre sob a sua direcção.

Natural de Loulé, onde nasceu a 4 de Janeiro de 1937, mudou-se para Tavira quando terminou o curso de engenharia agrária e foi na cidade do Gilão que se dedicou – como poucos – ao Ciclismo. Mas foi uma entrega quase total, com paixão. Uma paixão que lhe traria, ao longo dos anos, nomeadamente nos últimos do Século passado, muitas amarguras e, digo-o sem qualquer espécie de hesitação, se o Clube de Ciclismo de Tavira ainda existe a ele o deve. Apesar de, já nessa altura, ter evidentes e muito limitadores problemas de saúde.
Sempre senti pelo Senhor Engenheiro um carinho muito especial. Na verdade, a minha carreira enquanto jornalista de ciclismo arranca exactamente com uma pequena entrevista ao eng.º Brito da Mana, em 1991, ali para os lados da Terrugem, durante uns nacionais de júniores, ou cadetes, já não me recordo.
Poucas semanas antes do I Grande Prémio A Capital – jornal onde eu então trabalhava –, para a cobertura do qual já tinha sido escalado, confessando que não sabia nada de ciclismo, o chefe mandou-me cobrir aquela prova de miúdos e a única pessoa que reconheci foi o eng.º Brito da Mana, por isso mal o vi, lá fiz a pequena entrevista.
Depois fiquei militante do Ciclismo e vimo-nos muitas vezes, aliás, ainda n’A Capital durante cinco ou seis anos fui de propósito a Tavira fazer um trabalho de pré-temporada. Só fazíamos a Sicasal, que ficava aqui perto de Lisboa, e o Tavira, quase por tradição.
Nunca fomos íntimos, é evidente – até porque, e sem falsas modéstias, sempre me senti pequenininho ante aquele grande homem, em todos os sentidos –, mas cultivámos e mantivemos uma boa amizade ao longo dos anos.
Para mim, o eng.º Brito da Mana é, foi-o e merece ser lembrado como isso, o Senhor-Ciclismo.
Sofria muito com as dificuldades que a equipa experimentava, ano após ano e a partir de dada altura – quando a marca Bom Petisco abandonou –, mas o seu nome e o seu reconhecido empenhamento lá iam conseguindo abrir portas de forma a que a equipa, embora pobrezinha, acabou por se aguentar e ultrapassar essa fase difícil.
Até que ponto essas constantes preocupações, essa necessidade imperiosa de não poder deixar de estar, não contribuiu para uma progressiva debilidade física? Mas ele não era homem para abandonar a sua equipa. Chegou mesmo a sofrer um acidente feio, durante uma corrida, acidente que o atirou, mais ao Zé Marques, para o hospital. Numa outra altura, outro acidente, no hotel – fracturou uma perna após uma queda – voltou a afastá-lo, mas por pouco tempo, da equipa, em plena Volta a Portugal. Voltaria antes do fim, apoiado num par de canadianas. Entretanto, a doença minava-o.
No início de 2003 deixou o cargo de presidente do Clube de Ciclismo de Tavira, que sempre ocupara, mas não de andar por perto da equipa.
Lembro-me de vê-lo numa Volta ao Algarve, há dois ou três anos, no seu velho carro, a aparecer em quatro ou cinco pontos estratégicos de cada uma das etapas. Ele que conhecia todas as estradas, caminhos e atalhos.
Creio que foi a última vez que falámos.
O desfecho, conhecido hoje às 9.30 da manhã, adivinhava-se há já algum tempo, mas não deixou de ser com inegável constrangimento que tomei conhecimento da sua morte.
Como ainda há alguns – poucos – meses eu aqui escrevia, adiar uma verdadeira festa de homenagem a este grande homem do ciclismo nacional significava poder já não o ter entre nós quando, finalmente se lembrassem disso. Infelizmente… eu tinha razão.
Não que ele, tanto quanto julgo tê-lo conhecido, se tenha importado muito com isso. Foi sempre um homem de dar muito, e habituado a pouco receber.
Em 1991 foi agraciado pela Associação de Ciclismo do Algarve, pela Câmara Municipal de Tavira e pelo Estado, que o agraciou com a medalha de Mérito Desportivo, mas faltou o tal reconhecimento concreto, tangível e inegavelmente merecido, por parte da Família do Ciclismo.
Hoje, claro, multiplicaram-se as palavras bonitas…
Eu curvo-me, respeitosamente, ante a sua memória e daqui envio, à família e ao Clube de Ciclismo de Tavira, os meus mais sentidos pêsames.
Embora acredite que o Eng.º vai continuar bem vivo para todos os que realmente amam esta modalidade.
terça-feira, dezembro 18, 2007
1009.ª etapa
domingo, dezembro 16, 2007
1008.ª etapa
NA XXII VOLTA AO MAR DO SUL DA CHINA
A convite da Associação de Ciclismo de Macau, a equipa de ciclismo Crédito Agrícola vai participar de 23 a 30 de Dezembro na 22.ª Volta ao Mar do Sul da China.
A prova será repartida por 3 sectores - Hong-Kong, Cantão e Macau - num total de oito etapas.
Para esta participação, Fernando Mota treinador da equipa, escalou os ciclistas Sérgio Ruas, Fábio Ferreira e Nélson Sousa.

Apesar de reconhecer que a altura da realização da prova "não é a mais indicada", Fernando Mota sublinha que "esta é uma oportunidade unica de intercâmbio desportivo, vamos confiantes em conseguir boas prestações, mas o mais importante é que a nossa participação possa abrir caminho a outras equipas”.
A Crédito Agrícola viajava hoje pois, para além da necessária adaptação ao diferente fuso horario, a equipa marcará presença no dia 20 de Dezembro nas comemorações do dia da RAEM (Região Autonoma Especial de Macau).
A 22.ª Volta ao Mar do Sul da China terá as seguintes etapas:
Etapa 1
Hong–Kong - Hong-Kong
Etapa 2
Shenzhen - Shenzhen
Etapa 3
Dongguan - Dongguan
Etapa 4
Guangzhau - Guangzhau
Etapa 5
Foshan - Foshan
Etapa 6
Zhongshan - Zhongshan
Etapa 7
Zhuhai - Zhuhai
Etapa 8
Macau - Macau
1007.ª etapa
Não é por nada, mas eu próprio já aqui escrevi – perdoem-me a imodéstia – que, mais dia, menos dia, mesmo que ninguém pense, ainda, a sério nisso, poderemos vir a ter uma segunda entidade a supervisionar o Ciclismo de Alta Competição.
Isto face à teimosia da União Ciclista Internacional que insiste no cada vez menos credível ProTour, uma ideia que até poderia ter sido engraçada mas que nasceu torta.
E quem torto nasce…
A verdade é que, de há três anos para cá, ao invés de ter acontecido alguma evolução na modalidade, é que temos vindo a assistir ao fim de corridas – algumas delas com muitas décadas de história – e à fragilização do pelotão, com o desaparecimento de várias equipas.
E os problemas de doping não explicam tudo, embora tenham vindo a ser aproveitados exactamente para desviar a atenção de problemas tão preocupantes quanto aquele.
À guerra, antecipadamente perdida, com os três mais fortes organizadores, pretende a UCI fugir em frente e já se fala de corridas para o calendário ProTour na China, nos Estados Unidos, na África do Sul ou na Malásia, isto quando no próximo ano já iremos ter uma na Austrália.
Ninguém parece ter-se ainda preocupado com o facto de que a esmagadora maioria das formações ProTour são europeias. As marcas que as sustentam são europeias. Interesar-lhes-á um obrigatório aumento de orçamentos – as viagens serão muito mais longas e implicarão deslocações de material logístico via-aéria – para mostrar-se em mercados que não são os seus?
Com isto a UCI parece não se preocupar.
É preciso é haver um Grupo ProTour, receber as superiores taxas de inscrição e poder ter uma boa fatia do lucro que cada organização consegue.
A verdadeira razão pela qual ASO, RCS e Unipublic deixaram o tal quadro de élite.
Por isso a UCI, que ainda não atreve a ameaça, advertiu, por carta, seis federações europeias, acusando-as de tentativa de secessão.
“Ao mesmo tempo que argumentam estar a proceder em nome da defesa da unidade do ciclismo, assinam, à nossa revelia, acordos de cooperação que levarão à amputação do quadro federativo e histórico uma parte importante do património do ciclismo e preparam uma saída da UCI, negando-se a reconhecer e a aplicar os seus regulamentos”, diz, em certo passo a missiva assinada por Patrick McQuaid e dirigida aos presidentes das federações da Áustria, Bélgica, Espanha, França, Itália e Luxemburgo.
E lança uma farpa aos franceses quando escreve: “Esses acordos visam retirar parte do património ciclista à família do ciclismo para, mais tarde, colocar toda a família sob a tutela da ASO”.
Podem ler a notícia completa no espanhol El Mundo.
sábado, dezembro 15, 2007
Nota
É óbvio que eu também falho, mas neste caso, ainda bem.
Melhor assim.
Mas o artigo que aqui estava (1007.ª etapa) deixou de fazer sentido.
Oxalá falhasse mais vezes...
Já agora, até porque a coincidência não deixa de ser curiosa, no Diário de Notícias de hoje, na página do Provedor, contam-se duas estórias que emparelham na perfeição com a minha argolada.
1. Num pequeno jornal de aldeia, ainda practicamente artesanal, a necessidade de entregar na gráfica, também ela artesanal, o material para o próximo número, que sairia para a rua no dia seguinte às festas da terra onde pontuava, todos os anos, uma grandiosa procissão, o director/editor e único jornalista (tudo a mesma pessoa) decidiu arriscar e descrevia de forma eloquente como fora bonita a festa. Apontou os nomes das autoridades civis e eclesiásticas presentes, como estavam bonitas as janelas enfeitadas por colchas bordadas e a fé que juntara tanta gente na procissão. Ora bem... no dia da festa caiu uma tempestade do outro mundo e não houve a mínima hipótese para que a procissão saísse. Mas no dia seguinte "ela" lá vinha "contada" ao pormenor...
2. Esta reporta a apenas um argumento de um filme inglês. Mas também vale. Um crítico de teatro, na ânsia de ser o primeiro a sair com a crítica a uma peça que estreava uma dada noite, e porque tinha visto o ensaio geral, resolveu também antecipar-se e entregou no jornal para o qual trabalhava o trabalho no qual elogiava tudo e todos. Nem reparou na balbúrdia que ia pela redacção. Nem se preocupou. Nem os editores, no rush do fecho ligaram as coisas e no dia seguinte na primeira página vinha a notícia do terrível incêndio que devorara completamente o teatro - onde a tal peça deveria ter sido representada - enquanto nas páginas interiores lá estava... a crítica à peça que não fora estreada.
A minha 1007.ª etapa falava do estágio que a Fercase-Rota dos Móveis fez, à imagem do ano passado, em Tancos, com o agrupamento pára-quedista e que hoje terminou. O ano passado a equipa nem publicitou este estágio mas este ano mandou um press-release a comunicá-lo e a dizer que haveria um dia aberto à CS. Foi ontem, e hoje, tanto A BOLA como o Record fazem disso notícia de abertura de página quando eu... criticava os jornais por não darem importância ao acontecimento.
Estava enganado. Peço desculpa. Desculpas que reforço em relação aos que ainda leram o texto. Que me sirva de lição!...
sexta-feira, dezembro 14, 2007
1006.ª etapa
Mais duas notícias – felizmente vai havendo notícias sobre Ciclismo, e nem todas são negativas – que hoje nos são oferecidas pelos desportivos merecem-me uma pequena reflexão. No primeiro caso, aliás, não é mais do que sublinhar o que já antes tinha escrito, mas antes que a habitual turma de vigilantes se ponha em campo quero reforçar a minha opinião de que é bom para o Ciclismo português podermos ter no pelotão corredores com o estatuto de Koldo Gil, Oscar Sevilha ou Paco Mancebo. Melhor ainda quando estes atletas, já sem nada para provar, se espalham por equipas diferentes.

Concretizando-se as novidades hoje avançadas por A BOLA, e não havendo, por alturas da Volta a Portugal, problemas físicos a atormentarem nenhuma das principais figuras do novo pelotão nacional, já repararam que poderemos ter quatro equipas, pelo menos, com capacidade para lutar, por exemplo, onde o espectáculo é sempre maior, na subida da Torre?
E continuo a defender que toda a gente é inocente até que um tribunal reconhecido prove o contrário. Mais… tendo, por que razão fosse, contas com a justiça (desportiva, ou outra) mas cumprida a sua pena, toda a gente merece uma segunda oportunidade. E em Portugal, e no Ciclismo, nunca isso foi sequer questionado.
E se um deles, até pelo feitio muito… singular, talvez nem tenha conseguido conquistar totalmente o coração dos adeptos, do outro despedimo-nos este ano com enorme e justificada saudade. É um grande homem, foi um enorme corredor e, depois do deslize que cometera em finais da década de 80 do Século XX, não mais teve problemas do género.
Antecipando-me à confirmação oficial da notícia, daqui envio as boas vindas ao Oscar Sevilha e ao Paco Mancebo.
A segunda notícia, confesso-o desde já, fez-me franzir o nariz.Certo que a equipa em causa tem um plantel recheado de grandes valores e que os seus responsáveis terão ponderado a temporada com um único e bem definido objectivo: ganhar. Ganhar o mais possível.
Mas ao ler que “o Vítor Rodrigues será resguardado”, porque será que me vêm, de imediato à memória uma frase gémea, só que com o nome de Luís Pinheiro no lugar do Vítor?
O Luís Pinheiro veio para a Charneca do Milharado muito jovem, é verdade, mas com predicados que o colocavam a um nível bastante superior aos Corredores da sua idade e parecia que bastava ganhar o essencial calo para se bater de igual para igual com os mais velhos para, rapidamente atingir um estatuto de primeira figura.
quinta-feira, dezembro 13, 2007
1005.ª etapa
TIREM AS VOSSAS CONCLUSÕES
Um dia destes eu vou vir aqui explicar qual é a diferença entre o NÚMERO de uma LICENÇA DESPORTIVA e o CÓDIGO UCI dado a cada um dos Corredores do pelotão internacional.
Acho é estranho que o Secretário-Geral da Real Federação Espanhola de Ciclismo o não saiba!... Isso acho!
Confesso...

Mas depois explico.
Tudo!...
Não há nenhuma licença - nem em Espanha, nem em lado nenhum - identificável como ESP19780616 (isto é o Código de Identificação UCI)... A licença do Corredor em causa é identificável pelo número... 5678853, da Real Federação Espanhola de Ciclismo, do mesmo modo que a licença do José Azevedo é a número 8885, da Federação Portuguesa de Ciclismo... O Secretário-geral de uma federação não cometia um erro tão primário!...
1004.ª etapa
DE UMA EQUIPA PROFISSIONAL
Vou repetir-me. Com as reconhecidas dificuldades que, ano após ano, a maioria das equipas tem em conseguir garantir, atempadamente, os necessários apoio de forma a que os respectivos projectos saiam para a estrada minimamente consistentes, uma solução - para não ser drástico e dizer: A SOLUÇÃO - passa pelo arregimentamento, em termos regionais, quer seja dos apoios autárquicos, quer seja na malha empresarial dessa mesma região.
Minho Verde ou Alentejo Dourado; Terras de Feira ou Região Oeste, como nome da equipa.
Em vez de dois patrocinadores a darem 200 mil euros cada... 20 parceiros comerciais a darem 25 mil euros cada (o que somaria 500 mil euros)...
Vem isto a propósito à sempre dolorosa despedida de uma equipa do pelotão.
Não sei quanto o Vitória Sport Club de Guimarães investiu nestas duas últimas épocas no Ciclismo. Sei é que a empresa ASC vinha a ser sobrecarregada. Não tinha possibilidade de manter a sua própria equipa... mas viu-se quase sozinha a suportar... o Vitória. Saiu.
É pena.

E, tal como eu já aqui avançara, antes de acabarem com a equipa, alguém - seu eu soubesse exactamente quem, colocava aqui o seu nome - se apressou a afastar o único homem que se mexia, de forma a tentar encontrar uma solução para salvar... o seu emprego? Também, porque não? Mas salvaria o de mais 20 pessoas.
Agora estão todos no desemprego.
Oiçam aqui as suas palavras.
terça-feira, dezembro 11, 2007
1003.ª etapa
Enfiarei as “orelhas de burro”; aplicar-me-ei o respectivo castigo de ficar duas horas sentado virado para a parede, sem falar com ninguém e até confessarei publicamente que “sou mais ingénuo que uma criança de 2 anos de idade!”.
Porquê?
Passo a explicar.
Li, hoje, a, interessante, como sempre foram as anteriores, notícia que ontem saiu no Público e onde se insiste que, e cito: “[O] ciclismo português sob suspeita de manipulação sanguínea”.
Esta ideia é defendida, nada mais, nada menos, que pelo presidente da União Ciclista Internacional, o senhor Patrick McQuaid, em declarações ao próprio Público.
No artigo fala-se do que é a hemoglobina e o que são os reticulócitos e volta a sublinhar-se que Corredores portugueses e espanhóis fogem aos padrões estipulados, o que os coloca sob suspeita. E, apesar dos múltiplos problemas que tem entre mãos, a primeira figura do Ciclismo mundial assume ele próprio a preocupação em relação a este assunto particular. E está de olho nos Corredores ibéricos, só não sabe [o senhor Patrick McQuaid] é se os registos irregulares recentes (?) – quais?, de quem?, recentes de… quando? – estão ligados ao médico Eufemiano Fuentes que, héllas!... se suspeita ter-se mudado de Espanha para… Portugal!
Só que no meio de todo o longo folhetim que envolve o galeno canário se foram perdendo dados. À memória dos homens não se pode fazer um upgrade nem acrescentar bites… mas eu recordo que, na fase quente da Operação Puerto, logo quando a coisa rebentou, na primeira acção material da Guardia Civil espanhola, o senhor Manuel Sáiz, que alegadamente ia às compras foi apanhado com uma maleta onde havia dinheiro que quase dava para cobrir o orçamento de cada uma de meia dúzia de equipas portuguesas.
E depois há a questão dos ordenados que se pagam em Portugal. Isto apesar de eu próprio ter escrito aqui, transcrevendo declarações de um Corredor que para o ano vai representar uma equipa portuguesa – vindo de uma espanhola – e que confessou que vinha ganhar mais do que ganharia em qualquer das espanholas que se tinham mostrado interessadas no seu concurso. Ainda assim.
O que me anda a chagar os miolos é uma questão muito simples: com ordenados médios que não fugirão muito aos 1500 euros mensais (eu disse médios), como é que os Corredores portugueses recorrerão ao doutor Fuentes? Ou este anda a fazer promoção nos seus serviços? Se calhar tem um acordo com a Caixa…
É que, e isso saber-se-á dentro de poucas semanas, iremos ter a maioria das equipas portuguesas com orçamentos a rondar os 400 mil euros… para um plantel de 10 corredores, um só técnico, dois mecânicos e dois massagistas, se o dinheiro fosse só para vencimentos e se todos ganhassem o mesmo, dava… ora, 400 mil… a dividir por… façam as contas…
Só que o dinheiro não é só para pagar ordenados, pois não? Quanto é que sobrará para isto? Dois terços? Então aquele número baixa para os 1.481,48 euros mês… como eu referi que será a média no pelotão nacional.
Quando assisto ao desaparecimento de equipas, quando percebo que outras vão sair (sairão?) para a estrada sem patrocínios... quando todos sabem de prémios em atraso - de ordenados não se fala, mas não ponho as mãos no lume -, pergunto-me: serão de borla as transfusões ou manipulação do sangue?
É que não se diz: há quatro ou cinco Corredores portugueses sob suspeita; a coisa é generalizada e de dimensão tal que parece ser o primeiro problema do presidente da UCI…
1002.ª etapa
Dois pesos... duas medidas;
São todos iguais... mas há uns mais iguais que outros,
ou simplesmente...
... má sorte ser-se português?
segunda-feira, dezembro 10, 2007
1001.ª etapa
Duas notícias, em dois dias consecutivos, com a segunda a parecer um simples decalque da primeira: o Vitória-ASC ficou pelo caminho…
O meu grande – e fiável – amigo António da Silva Campos já há muito me tinha dito que, nos moldes em que a equipa funcionou esta temporada não estaria disponível para continuar a investir no Ciclismo.
A sua empresa agarrou na sub-23 do Guilhabréu há uma meia dúzia de anos (não estou certo do número, mas isso é irrelevante, aqui…) e, com Sérgio Paulinho como figura de proa, trilhou o caminho na direcção da profissionalização.
Investiu muito.
Para os mais esquecidos, lembro aqui que, a então equipa de Vila do Conde venceu por dois anos consecutivos uma das mais importantes provas do calendário espanhol para Elites, o Circuito Montanhês, na Cantábria.
Da freguesia de Guilhabréu – através do seu clube mais representativo – arriscou e apostou mais alto. E apareceu o Clube de Ciclismo de Vila do Conde.
E logo a seguir, a profissionalização da equipa.

A camisola amarela na Volta a Portugal, com o Victoriano Fernandez, em 2003, depois de uma chegada a Castelo Branco (2 dias); depois, outra vez a liderança da Volta, em 2004, com o Cláudio Faria (1 dia), numa chegada a Viseu, e a vitória na primeira etapa da Volta a Portugal de 2005, com o colombiano Jeobany Chacón que levou a Camisola Amarela até ao Fundão, ao quarto dia, quando Vladimir Efimkin a conquistou para não mais a despir, mantiveram a equipa da ASC no noticiário do ciclismo luso durante três épocas consecutivas.
Quantas equipas portuguesas podem disto fazer bandeira nos últimos cinco anos?
Eu sei!... Nenhuma!

Mas, e ainda assim, a ASC, do António da Silva Campos, viu-se e desejou-se para conseguir um parceiro suficientemente forte de forma a poder continuar no Grande Pelotão.
E encontrou, há dois anos, o Vitória Sport Clube, de Guimarães.
Mas, e porque é uma questão inultrapassável, recuemos até 2000.
Quem é que andou de amarelo nas primeiras sete etapas da Volta?
Um espanhol completamente desconhecido chamado Miguel Manteiga, então ao serviço do Paredes!
E quem era o director-desportivo do Paredes então?
E quem era o director-desportivo da ASC (com os diferentes parceiros) quando a equipa de Vila do Conde andou de amarelo na Volta a Portugal?
Pois!...
Entretanto, e aqui há uns dias, escrevia eu aqui mesmo, no VeloLuso, que a equipa de Vila do Conde/ou Guimarães, parecia ter herdado a malapata do “velho” Tavira que, durante uma década bem medida sempre nos apareceu na corda-bamba. Sai ou não sai?
Sempre o Zé Marques conseguiu, de uma forma ou outra, arranjar os meios necessários para que a turma algarvia não tivesse deixado de estar entre os grandes. Mesmo que tenha havido um ano em que apareceu como amadora, num pelotão de profissionais.
E quando escrevi aquilo sabia que o Zé Augusto Silva estava a fazer o papel do Zé Marques. Era ele, e só ele, quem tentava, de todas as formas possíveis, encontrar uma solução para a equipa.
Três meses – disse-me ele, aqui há uns dias quando falámos –, três meses a correr de porta em porta a apresentar o projecto em que acreditava. Só ele acreditava, é a conclusão a que chego agora.
Ciente de que estavam em causa mais de dezena e meia de famílias, cujo sustento vinha apenas da equipa de ciclismo, o Zé Augusto não desistiu. E todas as semanas, três ou quatro vezes por semana, lá conseguia entregar o seu “dossier” a algum potencial investidor.
Depois… era aguardar.
No sábado, um jornal desportivo escrevia que o Vitória-ASC acabava.
Ontem, domingo, outro jornal desportivo “copiava” quase ipsis verbis a notícia que o outro publicara.
Nenhum deles, aparentemente – o que escreveu a notícia no domingo, de certeza que não, até pelo próprio texto da notícia –, sabia nem fez nada para saber que AQUELE DIRECTOR-DESPORTIVO de que falei lá atrás… já estava no desemprego antes do anúncio do fim da equipa.
ANTES – atenção que isto é importante – ANTES de deitarem a toalha ao chão e virem publicamente reconhecer que a equipa não vai poder sair (ainda não consegui falar com o António da Silva Campos, atenção…) em 2008, os directores do Vitória de Guimarães já tinham descartado o anterior DD e colocado outro no seu lugar.
Quem?
O Paulo Barroso, que ainda o ano passado era corredor da equipa.
Ao, a partir dessa decisão, ex-DD, foi-lhe proposto o lugar de… massagista!
domingo, dezembro 09, 2007
1000.ª etapa
999.ª etapa
CLAUS MICHAEL MÖLLER
Chegou a Portugal em 2000 e, confesso, era para mim um perfeito desconhecido. Veio para a Maia. Aconteceu num ano extraordinário para mim, em termos profissionais e de ligação – cimentação – em relação ao Ciclismo. Contas por baixo, nesse ano somei mais de 150 dias de Ciclismo. Cinco meses na estrada. Nas últimas duas décadas acho que só o Fernando Emílio fez mais.
Logo no ano em que chegou à Maia, o Claus Möller somou sete vitórias e foi segundo na Volta a Portugal, atrás do Vítor Gamito. E ganhou a Volta ao Alentejo numa festa que foi feita junto ao Rossio de S. Brás.
Bem em frente do hotel onde mais vezes dormi.
O D. Fernando.
Em 2001 o Claus proporcionou-me um dos mais emocionantes momentos da minha carreira, ao qual só comparo a vitória do Zé Azevedo (ainda na Maia), na etapa que acabou no alto do Viso (na Volta às Astúrias) quando vestiu a camisola amarela e, claro, o triunfo de outro nome que já abandonou as estradas, o de Andrei Zintchenko (LA-Pecol), no mesmo ano de 2000, quando venceu nos Lagos de Covadonga, na Vuelta.
Em 2001 o Claus ganhou uma das etapas mais difíceis da Vuelta, com meta no alto de Aitana.

Provavelmente (quase de certeza) já aqui escrevi sobre isso, mas nunca será de mais relembrar aquela tarde, ali, para os lados de Alicante, em Espanha, quando o Claus ganhou essa etapa. Feito que só foi testemunhado, no local, pelo Teixeira Correia e por mim.
O Teixeira lá fora, na estrada, correndo uns bons quilómetros para aceder às declarações.
Eu, sozinho na Sala de Imprensa – montada numas instalações militares, com soldados de metralhadora à ilharga (o ataque ao WTC, em Nova Iorque, tinha acontecido meia dúzia de dias antes), gozando com o desespero dos colegas jornalistas espanhóis por nem Heras, nem Sevilla… ninguém, ter conseguido evitar a vitória na etapa de um corredor de uma equipa… portuguesinha.
Em 2002, o Claus volta a deixar indelevelmente marcada em mim mais uma “estória”.
Quando ganhou a Volta a Portugal, no crono final, em Sintra, quando destronou o maiorquino Joan Horrach, seu companheiro de equipa.
Aliás, nesse ano a Maia fez o pleno no pódio, com o Rui Sousa a ser terceiro.
Mas volto atrás.
O Claus é um rapaz extraordinário, humilde, que sempre se apresentou despojado de qualquer tique de vedetismo.
E volto a recordar a forma como me concedeu a entrevista no dia seguinte à vitória em Aitana, dia que era de descanso. Os dois sentados no lobby do hotel, em Alicante, as constantes interrupções – o seu telemóvel não parava – e ele a desmultiplicar-se em desculpas.
Mas, tanto da Dinamarca – e era perceptível, porque eu não percebia nada do que ele dizia – como, inclusivé, de jornais portugueses directamente concorrentes de A BOLA – o único jornal português que acompanhou a corrida (e ele fez questão de me avisar a dizer que pediria para lhe ligarem mais tarde) – foram mais do que muitas as solicitações…
Mas o Claus tinha combinado comigo uma entrevista de fundo, logo a seguir ao almoço da equipa, e cumpriu religiosamente o prometido. Com as tais duas ou três interrupções para falar em… dinamarquês.
Que eu entendi perfeitamente.
Ainda com as cores da Maia, ganhou em 2001, o GP da Região de Lisboa e a Subida al Naranco (Astúrias, em Espanha). E foi 8.º na geral final da Vuelta.
E em 2003 ganhou a Volta ao Algarve.

Depois acelerou-se a queda da equipa da Maia e ele saiu para a italiana Alessio para, em 2005, regressar a Portugal, pela mão do Carlos Pereira. Para a Barbot.
Nesse ano ainda ganhou o crono final, na Volta a Portugal.
Agora, creio que se decidiu, em definitivo – fez 39 anos em Outubro –, pelo fim da carreira.
A História é escrita por homens vulgares, na maioria das vezes. De certeza, sempre menos importantes que os historiados. Por isso aqui estou eu a sublinhar, dentro daquilo que me é possível, a carreira portuguesa de um grande Corredor e de um excepcional ser humano.
Tenho 17 anos de pelotão (mesmo que tenha estado de fora nos dois últimos anos) e só encontro, em termos de corredores portugueses, dois nomes que podem equiparar-se – no que respeita às relações com a CS – com o Claus.
São o Joaquim Gomes e o Orlando Rodrigues.
Mas houve tantos Corredores os que correram com o Claus que, espero sinceramente, o seu exemplo não tenha caído em saco roto.
Entretanto, Claus, daqui te envio um forte e apertado abraço.
Não será possível escrever a história do Ciclismo em Portugal, nos seus últimos 10 anos, sem que se fale do teu nome.
sábado, dezembro 08, 2007
998.ª etapa
ASSINARAM CONTRATO DE PATROCÍNIO (*)
A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim e o Cycling Clube da Póvoa assinaram, na passada quarta-feira (5 de Dezembro), nos Paços do Concelho da cidade, o contrato de patrocínio para a época desportiva 2008. A autarquia vai apoiar o novo clube de ciclismo – LA-MSS-Póvoa de Varzim - com 200 mil euros.
O director-desportivo, Manuel Zeferino, prometeu lutar pela vitória na Volta a Portugal, contando para isso com um orçamento total de 900 mil euros, montante que será suportado com a ajuda dos dois principais patrocinadores.

O nome da Póvoa será levado aos quatro cantos de Portugal, mas a equipa irá estar também no país vizinho para participar em quatro provas, tendo em vista uma futura participação na Volta a Espanha.
A época começa em Fevereiro com a Volta ao Algarve, estando já confirmada uma etapa da Volta a Portugal com partida na Póvoa de Varzim.
Refira-se que, a partir de Março, o Cycling Clube da Póvoa arranca com uma escola de ciclismo para jovens atletas.
quinta-feira, dezembro 06, 2007
997.ª etapa
COM ORGULHO QUE ME ASSOCIO
- MESMO À POSTERIORI - À FESTA (*)
Desde há vários anos que os clientes do café/snack-bar Descobrimentos, auto-denominados Amigos do Ciclismo, prestam homenagem aos nogueirenses presentes na Volta a Portugal em bicicleta, nomeadamente ao treinador José Augusto Silva, ao massagista Paulo Silva e aos ciclistas Bruno Neves e Pedro Costa.

A homenagem teve como parceira a Junta de Freguesia que promoveu o evento em duas vertentes, ou seja, uma tarde desportiva e um jantar convívio.
Durante o dia, o recinto das ruínas da Mina do Pintor recebeu um circuito destinado a crianças, de forma a fazer nascer o gosto pela modalidade nos mais jovens. Em paralelo, aconteceu um passeio de BTT, cujo slogan foi Saúde sobre Rodas.
A prova teve a participação de uma centena de praticantes, que percorreram cerca de 13 quilómetros, por estrada, caminhos, montes e vales da freguesia.
Do pelotão fizeram parte alguns ciclistas no activo. Oito dezenas de pessoas em convívio.
Já à noite, no salão da Churrasqueira dos Prazeres, o convívio decorreu em franca harmonia.
José Augusto Silva salientou a importância do encontro, congratulando-se com a parceria do executivo e agradecendo a colaboração da gerência do Café Descobrimentos e da Churrasqueira dos Prazeres.
Prestou, ainda, homenagem a Otão Rebelo, por ter sido o pioneiro do ciclismo em Nogueira do Cravo.
O presidente da Assembleia de Freguesia, José Manuel Amaral, felicitou a organização do evento, referindo a simpatia e simplicidade de Xavier Tondo - o vencedor da última edição da Volta a Portugal esteve presente - que salientou a amizade que nutre por Paulo Silva e Bruno Neves, com quem gostou muito de trabalhar, agradecendo a simpatia de todos.
Paulo Silva não deixou escapar a oportunidade para referir o apoio prestado pelo público aos ciclistas, aquando da passagem por Nogueira do Cravo, durante a Volta a Portugal.
A encerrar as intervenções, Otão Rebelo recordou os 20 títulos nacionais conquistados pelos ciclistas do Centro Ciclista Nogueirense, desejando que o ciclismo regresse a Nogueira do Cravo.
No final, Xavier Tondo ofereceu a Agostinho Tavares a camisola amarela, símbolo de vencedor da prova rainha do ciclismo. É de referir que Cândido Barbosa e José Azevedo também foram convidados, mas por motivos de agenda não puderam estar presentes.
(*) - Porque o Zé Augusto, o Paulo e o Bruno são verdadeiros amigos; muito bons amigos. Em relação ao Pedro, apenas falta estreitarmos laços, não é? Porque nos conhecemos há tantos anos...
996.ª etapa
O cazaque Alexander Vinokourov (ex-Telekom; ex-Liberty Segutos; ex-Astana), castigado na sequência de um controlo
realizado na última edição do Tour por alegada transfusão sanguínea, e que poderia - segundo os regulamentos - retomar a actividade em finais de Julho de 2008, não mais voltará a competir, tendo anunciado, em definitivo, que encosta a bicicleta.Pelo meio, o anúncio de que se vai dedicar, tomando-o como objectivo primeiro, inteiramente à limpeza do seu nome.
Ele que continua a achar-se inocente.
995.ª etapa
Para os que ficaram a cismar como raio é que - sem o dizer - eu aqui disse logo ontem que o Benfica gozará de tratamento de previlégio aquando da escolha das equipas a convidar pela Organização para disputar a Vuelta... eis como foi que soube:
994.ª etapa

Uns, são-no e provam-no - sem necessidade de recorrer a fogos de artificio - sentados frente a um teclado e construindo, conscientemente, uma crítica séria e honesta.
Outros presumem sê-lo, mas a única maneira que encontram para que neles se repare é fazendo de tudo o que é lugar, seja qual for a situação, um "circo" do qual assumem ser a principal vedeta.
Mesmo que falte, a quem assiste, pachorra para os ouvir, muito menos levar a sério.
Leiam. Sem pré-conceitos. Façam-no honestamente.
PS: Trata-se do Editorial do Meta2Mil
(Clicando na imagem, esta abre legível, numa nova janela)
993.ª etapa
E DÁ NOME A EQUIPA ESPANHOLA
É!, às vezes somos surpreendidos e foi isso que me aconteceu há pouco quando folheava mais uma edição do Meta2Mil.
Num anúncio em rodapé, no destacável anual sobre o ciclismo de formação, no país vizinho, descobri que uma das equipas, no caso a Sociedad Ciclista Laukiz (província de Alava) – ligada à Euskadi Fundación Ciclista –, se denomina… naturgas.
Mas foi o logótipo da empresa que me chamou a atenção.Depois, foi só procurar e não há cantinho onde a internet não nos leve.
A naturgas energia é uma empresa do Grupo edp.
Só a cor do logótipo é diferente, mas revelador.
naturgas energía prestaba servicio al cierre de 2006 a 641.000 puntos de suministro en el mercado regulado y a 248.000 clientes de gas en el mercado liberalizado, así como a 37.000 de electricidad.
El Grupo está presente en seis Comunidades Autónomas: País Vasco, Asturias, Cataluña, Castilla y León, Murcia y Navarra. Con una facturación de 1.032 millones de euros en 2006 -según contabilidad NIIF/IFRS -, y una red de gasoductos de más de 5.000 kilómetros, naturgas energía es líder en gas en el País Vasco y Asturias, y el segundo operador de electricidad del País Vasco; emplea a más de 290 personas y está integrado en el Grupo HC Energía, del Grupo edp.
Numa altura em que ainda há equipas profissionais em Portugal aflitas, na busca de apoios financeiros, quando há muito foi anunciado o fim de cinco formações do escalão sub-23, sempre pelo mesmo motivo: falta de patrocínios, não deixa de ser curioso ver uma empresa de um grupo empresarial português a dar a mão a uma equipa estrangeira.
Certo, a edp já apoia o Ciclismo em Portugal, nomeadamente como parceiro de excelência na organização da Volta a Portugal…
Só trago este assunto aqui porque o achei… curioso.
Nota: É evidente que compreendo a estratégia de divulgação para a implementação desta empresa que terá, com certeza, feitos grandes investimentos para poder, primeiro, penetrar num novo mercado, depois para atrair clientes. Tratando-se, no caso, de uma região do País Basco – onde o Ciclismo é assumido com verdadeira paixão – percebe-se o porquê da aposta. Nada contra!...
quarta-feira, dezembro 05, 2007
992.ª etapa
Foi hoje apresentada a edição de 2008 da Vuelta a Espanha, em Madrid.
Durante quatro anos marquei presença no Recinto da Feria de Madrid. Aproveitando o convite da Organização – que voltou a não se esquecer de mim – mas pagando do meu bolso porque o acto não era reconhecido como relevante.
Não lamento o dinheiro gasto, antes pelo contrário.
Fui sempre com o mesmo amigo.
Ele pagava – do seu bolso – o combustível gasto, eu o alojamento na noite que tínhamos que permanecer em Madrid.

Levava-me, e foi, a pouco e pouco apresentando-me a mais e mais pessoas.
Gente do cimo da pirâmide, organizadores, por exemplo, mas, a princípio, também a outros colegas jornalistas.
Entretanto, e com as seis Vueltas que constam no meu currículo, mais as outras corridas que acompanhei em Espanha, os colegas de profissão passaram a ser amigos.
Mas não negarei nunca que obtive, da parte desse amigo que repartia comigo as despesas desta anual viagem a Madrid, mais do que aquilo que lhe dei.
Não quero acreditar que terminaram as minhas visitas à Feria de Madrid e, já para o ano, quero lá voltar. Mesmo que EU tenha que continuar a pagar do meu bolso essa viagem.
De resto, e em relação à prova, já se sabiam as principais novidades.
Parece-me que a corrida está equilibrada, mas habituei-me ao cioso trabalho levado a cabo, ano após ano, pela Unipublic.

Li as declarações de gente directamente interessada, e constatei que todos eles também gostam do traçado. Falta ler, mas amanhã sabê-lo-emos, se o Benfica conseguiu já algum compromisso por parte da Organização…
Estamos todos a torcer para que sim.
991.ª etapa
(sem excepções, por favor!...)
Facto: dois maratonistas de nomeada faltaram, aqui há uns meses já, a controlos surpresa levados a cabo pela Comissão Nacional Anti-dopagem (CNAD);
Facto: apesar disso, e com o beneplácito da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), ambos os atletas participaram nuns… Mundiais da sua especialidade;
Facto: o Conselho de Disciplina da FPA decidiu-se pelo arquivamento dos respectivos processos.
Pergunta: objectivamente, qual é a diferença entre um filiado na FPA e um outro na Federação Portuguesa de Ciclismo?
Opinião: recorreu, e bem – não basta ser sério, também é preciso parecê-lo –, a CNAD.
Expectativa: vamos lá ver no que isto tudo vai dar.
Curiosidade: há, no quadro do Desporto nacional pesos e medidas diferentes, consoante a modalidade?
E porquê?
Mas ressalvo ainda um outro pormenor.
Leiam-se os três desportivos na sua edição – a esta hora, já de ontem – e verifique-se que o mais consistente da notícia (mais ou menos a mesma em todos os três) assenta em declarações do presidente do… IDP, ouvido pela… LUSA.
Nenhum dos especialistas, em nenhum dos três desportivos – e todos eles os têm –, a assina.
Aliás, em O Jogo e no Record, a notícia não vem sequer assinada.
É evidente que não estou, nem um pouco, de acordo com este exemplo de corporativismo, da mesma forma que não posso concordar com a exposição – diria mais… tentativa de execução – na praça pública de, pelo que me recordo, dois Corredores profissionais de Ciclismo que este ano (um deles, pela primeira e, provavelmente, última vez na sua carreira) mereceram uma página inteira num deles [jornais desportivos].
Ainda por cima, depois de ter lido o que, supostamente o presidente da FPC disse em entrevista ao mesmo jornal. Que tinha havido quatro casos positivos no Ciclismo.
Não defendo, não quero mesmo, que os outros dois sejam sujeitos ao mesmo julgamento público.
Mas pergunto-me… porque é que aqueles dois – o que é que terão feito? – foram atirados para a fogueira?
Têm os olhos menos bonitos?
Voltando ao princípio… espero que – e não tenho nada em particular contra as pessoas – os dois maratonistas sejam castigados da mesma forma que o seriam de certeza se fossem… Corredores profissionais de Ciclismo.
Quanto ao resto… e corporativismo – é feio, é mau, mas existe – à parte, eu até sou capaz de adivinhar as razões…
sábado, dezembro 01, 2007
990.ª etapa
Paulo Couto foi eleito este sábado vice-presidente da Associação Internacional de Ciclistas Profissionais (ACP). O representante português foi eleito com quatros favoráveis, um voto contra (Espanha) e uma abstenção (Bélgica).

Além de Portugal participaram na eleição mais cinco países (França, Itália, Alemanha, Bélgica e Espanha), ou seja todas as delegações que estiveram presentes na reunião do comité director da CPA que decorreu na Póvoa de Varzim.
O encontro que elegeu a vice-presidência que vai trabalhar directamente com Cédric Vasseur, o antigo ciclista eleito recentemente para a presidência da ACP, serviu também de preparação para uma outra reunião que vai acontecer no próximo dia 12 ao mais alto nível na União Ciclista Internacional (UCI) na Suíça.
Nessa ocasião serão tratados temas como o passaporte biológico, o aumento da tabela de prémios para os ciclistas profissionais e o aumento da segurança das provas.
Paulo Couto de 40 anos é desde 1996 o responsável máximo da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais entidade que ontem, no Casino da Póvoa, entregou os prémios relativos ao ranking APCP.
