quinta-feira, março 24, 2011

ANO VI - Etapa 33

GRANDE PRÉMIO CA/COSTA AZUL

Parte amanhã para a estrada mais uma edição, a 4.ª do Grande Prémio Caixa Agrícola, este ano com o apodo de Costa Azul, uma outra 'marca' que, passe a redundância, deixou... marca (positiva) no Ciclismo Nacional.

Como diz o Joaquim Gomes [abraço Jaquim], não terá as 'trutas' da Volta ao Algarve mas é por demais importante no preenchimento do calendário e foi antecipada de Setembro para agora porque havia um enorme fosso e a 'indústria' Ciclismo não se pode dar ao luxo de ficar mais de um mês parada.

Claro que aquilo do 'indústria' ainda não é rigoroso, mas todos os que amamos a modalidades desejamos que, ainda que em 'carreto grande' lá cheguemos.

Aqui - e ainda há meia dúzia de horas, arrumando os meus recortes de jornais deparei com uma entrevista com quase três meses do Senhor João Lagos, límpida, honesta, pura... - quero deixar a minha solidariedade para com aqueles que, apesar do mundo parecer ter começado a girar ao contrário, ainda assim não desistem.

Cá estarei para, dentro das condicionantes que gerem o actual momento da minha vida, ajudar a organização naquilo que posso, e que não é mais do que fazer eco do que se for passando dia-a-dia.

E, porque o VeloLuso é um espaçozinho pessoal na blogosfera que, desde há seis anos, não serve mais do que para deixar alguns desabafos, ou estados de alma, OBRIGADO, por não se terem esquecido de mim.

Outros houve, que devendo-me muito mais, me apagaram das suas memórias.
Ainda assim desejo-lhes toda a sorte do Mundo.

ANO VI - Etapa 32

PARABÉNS MANEL,
ESTAMOS ORGULHOSOS DE TI
.

Manuel Cardoso, no momento em que cortava, em primeiro lugar, a meta em El Vendrell, final da 4.ª tirada da Volta (é assim mesmo que se escreve em catalão) à Catalunha.

Fora dos gabinetes, na estrada, onde 'explodem' e se confirmam os Campeões, Portugal não está assim tão atrás, em relação ao Grande Pelotão internacional...

(Foto: RadioShack)

quarta-feira, março 23, 2011

ANO VI - Etapa 31

ESPEREMOS QUE TENHA
'REGRESSADO' À TERRA

Ponto prévio: é evidente que a ADoP é importante no quadro da chamada 'verdade desportiva' no, passe a redundância, Desporto nacional. No Desporto Nacional. Em todo ele, não enquadrado naquela 'estranha' imagem de apenas funcionar, mais ou menos 'emboscada' em cima do Ciclismo. Não há nem mais nem menos recurso ao doping no Ciclismo do que em qualquer outra Modalidade. E, como se viu, não passou ainda uma semana, basta aumentar o número de controlos sobre praticantes de outras disciplinas para que esta constatação seja sublinhada como verdade.

Escrevi, aqui, uma vez, que o director (então ainda era CNAD) da ADoP tinha enorme dificuldade em conviver com derrotas em sede de Justiça Desportiva. Ganhei o direito de, pela primeira vez na minha vida de 50 anos e de 23 de Jornalista, pisar o espaço de um Tribunal.
Mas eu sou insignificante. Formiguinha que se esmaga com um dedo. Valeu-me uma defensora experiente mas, ao mesmo tempo, com enorme capacidade de negociação. Sou-lhe eternamente grato.

Por essa altura já 'este' caso decorria. De um lado, a mesma figura; do outro... Carlos Queiroz. Muita capacidade financeira capaz de reunir uma equipa de advogados quase imbatível, até porque a argumentação era tão frágil que desde sempre soubemos quem iria sair vencedor.

Quatro dias depois de nos dizer que o maior número de casos positivos de doping, o ano passado, ter acontecido no 'intocável' Futebol... a ADoP é vencida, em sede de Tribunal Arbitral Desportivo, por um homem do futebol. Sem apelo nem agravo.

Salvaguardando as devidas proporções e sem, nem de perto nem de longe, me querer comparar a quem quer que seja, quem conhece ambos os processos pode pesar a 'gravíssima ofensa' que me valeu uma queixa judicial àquela que o ex-seleccionador nacional proferiu, em público, durante a concentração da Selecção Nacional de futebol e ouvida por tudo o que era CS.

A minha foi escrita aqui. Teve como testemunhas os 50 amigos que, nem todos os dias, vêm ver o que escrevo.

Repito que o meu caso já corria em Tribunal quando o outro aconteceu e não posso compará-los.

Mas nunca duvidei da minha razão. Também não vou cair no ridículo de pretender que a outra queixa se enquadrou naquela que me levou a Tribunal. Só no essencial, e isso foi hoje demonstrado: não gosta de perder. Desta feita teve de se reduzir à sua real dimensão e só lhe restou 'demonstrar que aceita mas não concorda'.

E, inevitavelmente, isto leva-me a retroceder no calendário e a relembrar tudo o que já disse e escrevi, mas que pouco, ou nenhum eco teve nos grandes meios de CS. E porque não deveria ter? Hoje estarei esquecido mas, à altura não abdico de reinvidicar que a minha opinião teria que ter um peso global.

A operação que levou à extinção do PCC foi, desde o princípio, de génese ilegal. O CNAD não podia, ainda por cima 'em cima da hora' ter acesso a 'provas' descobertas por uma instituição policial como a Polícia Judiciária e não falta na PJ quem, sem conhecimento de ao que ia tenha mais tarde confessado que aquilo não poderia ter acontecido.

Os elementos do CNAD iriam fazer controlos surpresa. Batiam à porta. Esta eras-lhes franqueada. O Corredor, mais o médico, dirigir-se-iam à casa-de-banho, aquele disponibilizaria o líquido orgânico, este etiquetálo-ia e só tinha que abandonar o local.

Não podia ficar, como espectador - o que nem sequer foi o que aconteceu - a assistir à revista da casa legalizada por um mandado judicial. Muito menos tirar notas de maneira a formalizar um relatório oficial!

O que a polícia viesse a descobrir abriria um processo judicial, a ser levantado pelo Magistério Público mas de cujos resultados nem o CNAD nem a FPC se poderiam aproveitar. 'Vide' a Operatión Puerto.

A operação conjunta foi programada, logo, legal? Sancionada por quem?
Seriam precisas três assinaturas: a do ministro da Administração Interna, que tutela as polícias convencionais que têm como obrigação controlar a entrada, circulação e consumo de drogas - chamemos-lhe assim, para facilitar -; a do ministro da Justiça, que tutela a Polícia Judiciária, a única com poderes para concretizar mandados de busca domiciliária (que também precisam da assinatura de um Juíz) e a do ministro-adjunto do Primeiro Ministro que tutela a secretaria de Estado da Juventude e dos Desportos cuja figura não tem autonomia para tal, apesar do impecável penteado.

Alguém se preocupou em procurar certificar-se se todos estes trâmites foram cumpridos?
Eu respondo: não!

E depois houve avençados da FPC que se deram ao luxo de por todo o processo em causa.
Nem perceberam o porquê da decisão dos Juízes.

Depois surge o 'caso Queiroz'.
(Não posso arriscar a ser processado outra vez... passemos à frente!)

O CQ não é o MzM. Mesmo tendo sido inconveniente, até mal educado, quando chegou a hora avançou com tudo o que tinha, e pode ter muito, e hoje saiu a resolução do TAS: ILIBADO.

Berrou, gritou chamou nomes... mas não interferiu com o controlo. Não escondeu jogadores, não trancou portas... não atirou os frasquinhos com o mijo ao chão...

... do que é que os médicos tiveram medo? Porque se esqueceram de preencher aqueles autocolantes que identificam de quem é a amostra? E, quando isto foi detectado, já em Lisboa, porque alteraram relatórios. ainda por cima da forma mais patética que foi rasurando-os?

Porque na altura e, naturalmente, já conhecedores do acontecido, os figurões do desporto nacional, governantes incluídos, 'avisaram' que era a Selecção Nacional de futebol que estava em causa... eram 45 dias de boa vida na África do Sul que não poderiam, de forma alguma, ser postos em causa.

E ninguém tugiu nem mugiu.
Recordo que isto aconteceu ANTES, ainda na Covilhã.

As coisas correram mal no Mundial e 'conveniente' fuga de informação pôs toda a história cá fora. 'Fuga de informação'?, mas alguém acredita que naqueles dias todos nem um, um só jornalista soube do que acontecera? Souberam todos e todos concertados abafaram o escândalo. Com um bocadinho de sorte jamais se saberia...

Mas a sorte é madrasta. E bateram a má porta. O Homem não se ficou.
E ganhou, pelo menos, este processo.
Agora pede uma indemnização milionária à ADoP.
E a demissão do homem que não gosta de perder processos em tribunal.
O seu 'patrono' foi hoje, há aqui algumas horas, 'despedido'.
Provavelmente vai safar-se.

sábado, março 19, 2011

ANO VI - Etapa 30

FUTEBOL
É A MODALIDADE
COM MAIS CASOS
DE DOPING

No desporto em Portugal foi o futebol que registou o maior número de casos de doping durante o ano de 2010, mais de metade dos quais relacionados com o consumo de drogas sociais.

De acordo com a Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), registaram-se, em 2010, sessenta violações, no total de 26 modalidades. O número de casos agora [ontem] apresentado representa um aumento em relação a 2009, quando foram detectadas 47 infracções, em 23 desportos.

No futebol, que em 2009 tinha registado quatro casos positivos, regista-se um aumento no ano em análise para 15, seguindo-se o ciclismo, com um total de 11 casos, três dos quais por outras violações não relacionadas com o consumo de substâncias dopantes. [1]

Luís Horta, presidente da ADoP, destacou o aumento de casos no futebol, mas considerou que o facto de oito deles estarem relacionados com consumo de drogas sociais é apenas um reflexo da sociedade. [2]

O total das amostras analisadas ultrapassou, em 2010, pela primeira vez a barreira das 4 000, verificando-se um aumento das análises ao sangue e uma diminuição das de urina.

Pela primeira vez foram realizadas em Portugal análises de detecção de eritropoetina (EPO), facto que o responsável da ADoP considerou "bastante positivo e importante".

No mesmo sentido, Horta destaca que mais de um terço das amostras recolhidas foram obtidas fora do periodo de competição, o que vai ao encontro de um dos objectivos da ADoP.

"É cada vez mais necessário realizar controlos inteligentes, realizados na altura certa, no dia certo e adaptados a cada caso", afirmou Luís Horta. [3]

O secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, considerou que se o ligeiro aumento nos casos de doping não estivesse relacionado com as chamadas drogas sociais "teria mais razões para ficar preocupado". [4]

No entanto, o governante e o director da ADoP consideraram ser essencial manter e, se possível aumentar, os controlos fora de competição. Laurentino Dias garantiu ainda que a área da luta contra o doping "não vai ser afectada por eventuais cortes orçamentais".

*******************************************************************************

Acima, ficou o despacho... oficial, da LUSA, posto esta tarde a circular.

Agora concedo espaço de comentário a um tipo que já anda há tanto tempo afastado do Ciclismo que nem se lembra mais quantos carretos tem um 'cassete' de 11/25.
Eu.

[1] -- O futebol teve 15 casos, seguido do Ciclismo que teve 11... TRÊS DOS QUAIS não relacionados com o consumo de substâncias dopantes. Então... não serão APENAS OITO?
(ressalvo que nunca fui bom a matemática)

[2] -- Recordo, faço questão de o fazer, que um dos principais argumentos, não só do Senhor Professor Doutor Luís Horta, como do Senhor Doutor Artur Moreira Lopes, presidente da FPC [ambos médicos], como do figurante nestas coisas - só aparece quando há uma câmara de televisão por perto - o Senhor Laurentino Dias, sempre foi,cito de memória o que me fartei de ouvir, "em primeiro lugar a saúde do atleta"...

Não preciso que me expliquem que eu percebi sem quaisquer dúvidas. Cocaína, heroína, crack, e todos aqueles comprimidozinhos de todas as cores... são coisas de somenos.

Um Corredor de Ciclismo... vá lá, um praticante de atletismo também, exigem apertada vigilância, não vão perder-se com tonterias...

Os jogadores de futebol, é claro para nós todos, têm um outro estatuto.
Caramba... ganham dinheiro que se fartam, são figuras públicas, pelo menos na 'imprensa cor-de-rosa', os seus casa-descasa dão capas de revista, as suas fêmeas, saltam do nada para o mesmo patamar de figuras públicas, nivelam-se pelo mesmo diapasão dos 'actores de aviário' que preenchem as novelas televisivas, que se casam e descasam semana sim, semana não, que t~em de ser internados para desentoxicação de alcool e drogas, que - veio ontem no CM - chefiam gangs de tráfico de drogas que reinam em bairros como Chelas e a Curraleira... antes que se percam... a esses concede-se que sejam consumidores de cocaína, de heroina, de crack e daqueles tais comprimidinhos de todas as cores que os fazem felizes.

Aos Corredores de Ciclismo é preciso estar atentos não vão tomar um suplemento vitamínico que os faça voar na estrada. É perigoso. Podem magoar-se se a aterragem correr mal.
Mas fiquemos descansados... há quem, de facto, se preocupe com eles.

Coitados dos futebolistas adictos às drogas duras...

[3] -- (Peço desculpa, já não se lembram, mas eu recordo aqui: "É cada vez mais necessário realizar controlos inteligentes, realizados na altura certa, no dia certo e adaptados a cada caso", afirmou Luís Horta).

Eu sou amigo de Corredores já retirados, conhecido de outros que chegaram depois, mas com os quais já não tive tanto contacto e, tenho que confessar, não conheço, nem eles me conhecem, o grosso do pelotão actual.

Mas estou preocupado com eles.
'Controlos inteligentes' (seja lá isso o que for), 'realizados na altura certa, no dia certo' (o que quer dizer que estão permanentemente monotorizados) e... 'adaptado a cada caso' só significa uma coisa: estão nas mãos do sistema. Perderam a sua privacidade, um direito do qual não podem abdicar. E se há uma Lei que permite isto, esbarra na Lei Geral do Estado, que é a Constituição, hoje por hoje a única coisa que nos sobrou de Abril de 1974.

[4] -- Pois! Que se snif cocaína, que se injecte heroína, que se empaturrem daqueles comprimidinhos de todas as cores...
.
MAS LIVREM-SE DE SER
CORREDORES DE CICLISMO!...
.
ISSO SÓ É TOLERADO ÀS ESTRELAS DO FUTEBOL

Exagero meu?... Voltem a ler o despacho da LUSA acima reproduzido.
Já agora, gostava muito que o IDP abrosse uma 'janela' na internet para que a ADoP pudesse publicar os seus próprios comunicados...

******************************************************************************
Vamos ver com que espécie de pinças os jornais mais logo aparecem a tratar o caso! Todos sabemos que o futebol é intocável...

sexta-feira, março 11, 2011

ANO VI - Etapa 28


CADÊ A IMPLACÁVEL MÁQUINA
QUE DESTRUIU O CCP, A CARREIRA
DE UMA DÚZIA DE CORREDORES
(e outros elementos que compunham
a equipa), APESAR DE A JUSTIÇA
TER ILIBADO A TODOS OS QUE
FORAM PRESENTES A JULGAMENTO?

Saiu hoje no Correio da Manhã (prova aqui ao lado). isto quando os 'desportivos' continuam a tratar o assunto com pinças, o que se nota, principalmente, se não há um nome de um Corredor de Ciclismo directamente envolvido.

Parece que não há! Pese embora um enigmático caso de uso de hormonas de crescimento detectado (sei que corro o risco de vir a ser desmentido pelo anunciado, e, já agora, ansiosamente aguardado, desde hoje, 'balanço de 2010' que será (cito aquilo que podem ler aqui ao lado) revelado na próxima semana.

A pronta tomada de posição do presidente do COP (junta) leva a que todos os olhos se virem para outra modalidade.

O nosso Ciclismo, com o respeito que devo a todos os seus actores, morreu. Ninguém lhes disse ainda e eles lá vão fingindo que estão vivos. Deixemo-los acreditar que sim.

O insensato 'saltar a terreiro' do comandante Vicente Moura penaliza o atletismo. Todos ainda estamos lembrados das... chamemos-lhe (para que não sejamos acusados de difamação) 'insinuações' a propósito de três ou quatro nomes do atletismo nacional.

Areia para os nossos olhos.

A EPO - e a maioria dos 'experts' nem disso fala porque para isso não está preparada (e quem mais fala é quem se limita a transcrever o que lhe sopram ao ouvido) - não é doping para uma prova de 100 metros. Porquê? Desafio as editorias de desporto dos vários OCS a avançarem com a orgamização (pelo menos patrocínio) de um debate sobre o assunto.

Ora, se de Corredores de Ciclismo não se trata, senão os seus nomes seriam escarrapachados em corpo 48, se na velocidade, no atletismo - e quem tem o mínimo de conhecimentos sobre isto, sabe-o - a EPO é inutilizável... o que é que sobra?

O que é que sobra para que o Professor Doutor Luís Horta, assim por assim, a figura mais alta no combate ao doping, se fique, nas suas declarações, pelas meias palavras?

Pois é!
O Futebol.
Que é intocável.

Mas eu não li só este artigo no Correio da Manhã.
Ouvi, ontem, na RTP, as suas declarações à Antena 1.

"É claro que estamos preocupados com o crescimento do doping em algumas modalidades..."
... e mais à frente...
"A longo prazo há desportistas que podem perder a vida..."

Cenário absolutamente tétrico mas... não impossível.

Jamais poderia desejar que um ser humano viesse a morrer por causa do consumo de 'doping', contudo, e dentro deste cenário que o Professor Doutor Luís Horta nos 'atirou à cara', e sem falsos moralismos, não posso deixar de aqui... deixar (passe a redundância) de esperar, sinceramente, que, a seguir à primeira morte anunciada, o Professor Doutor Luís Horta se demita emediatamente do cargo que ocupa.

E socorro-me do 'lead' da notícia que aqui vai junta, e que diz...
'Luis Horta, presidente da ADoP, garante que há atletas nacionais a utilizarem Eritropoietina'

Quando se sabe de um ilícito e este não é denunciado...

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

ANO VI - Etapa 27

AGORA, AMIGO...
É MOSTRARES QUE NÃO FORAM
CAPAZES DE TE DESTRUIR...

Não posso dizer que não tenham havido, antes, mais casos de tão profunda insistência, mas estes dois são paradigmáticos.

Na tristemente 'célebre' operação PCC - cuja legitimidade eu ainda hoje questiono, e gostaria que mo provassem que não foi 'legalizada' só após a denúncia que SÓ eu fiz (e tinha razão, o, à altura, CNAD, NÃO PODIA beneficiar de uma busca policial pois a sua intervenção limitava-se, o que hoje continua a ser verdade para a ADoP, a recolher amostras fisiológicas, não a vasculhar, seja debaixo da cama, seja na casa de banho, garagem ou mesmo carrinhas de apoio das equipas) - que um dia destes valerá uma comenda ao seu mentor, o João Cabreira nem sequer foi alvo de buscas em sua casa.

Solidário com os companheiros de equipa fez questão de se sujeitar aos mesmos testes. Resultado destes... a memória já me atraiçoa, não estou velho mas estou doente, não foi tudo negativo?

Os Corredores castigados foram-no por terem sido apanhados na posse de produtos dopantes. Não que tivessem dado positivo em qualquer controlo.

Mas o João Cabreira vinha a ser 'marcado em cima' já há algum tempo, na altura. Até porque, negativo o seu controlo e apenas com um companheiro de equipa, poucos dias depois se sagrou Campeão Nacional de Estrada. Título que lhe roubaram.

No meio tempo, 'faltou' a um controlo surpresa que lhe foi montado... no País Basco. Mau grado ele sempre tivesse garantido que, embora fosse verdade que tinha alugado aquela casa, NAQUELA altura ainda lá não tinha chegado porque viajara - após uma corrida ali realizada pela equipa - para Portugal e que, só depois de ter tido autorização para ter uns dias de férias, já combinadas, mas que o obrigaram, de qualquer dos modos, a viajar com a equipa para Portugal - regressou a Espanha.

NINGUÉM procurou reconstituir essas viagens. Falo da CS.
NINGUÉM, da mesma CS, esteve naquela localidade e procurou saber se, de facto, alguém por lá apareceu à procura do João... Não é estranho?

Não duvido que a equipa do CNAD tenha apresentado quilómetros e recibos de portagem de auto-estrada - aqui afirmo, com conhecimento de causa, que se atravessa toda a Espanha em vias-rápidas sem custos para o utilizador, logo, é mais do que provável que não haja recibos.

Então, como foi dado como provado - com todo o respeito pela idoneidade da equipa do CNAD - que este lá esteve? Disse que esteve. E que não encontrou a casa. E que perguntou onde era e ninguém soube explicar...

Ao mesmo tempo, o João explicou que, no dia e à hora que o CNAD afirma lá ter estado, ele ainda lá não chegara, ia em viagem. Não atendeu o telemóvel? Quem conhece aquela zona de Espanha, 'escondida' pelos asturio-cantábricos Picos da Europa que vão além dos 3 mil metros de altitude?
Eu conheço. E podia o aparelho estar desligado. E poderia ter-se esgotado a bateria...

Porque se escreveram notícias como se fossem reais sem que ninguém se tenha dado ao trabalho de lá ir... Toda a gente soube a localização da casa. Eu próprio aqui coloquei fotos dela. Se lá tivessem ido poderia, pelo menos, ter sabido duas coisas: perguntando no tal café - e não deve lá haver muitos - se, de facto, algum português tinha aparecido a perguntar por aquela morada (o que também seria insuficiente porque se trata de uma zona de casas dispersas, para aluguer temporário como turismo de habitação - ninguém ligou a isto), depois, verificando se havia, ou não sinal de rede de telemóvel sendo que isto seria, em todo o caso, relativo. Podia não haver no local onde o João circulava naquele momento.

Sabem quantos quilómetros e túneis tem a auto-via desde a entrada nas Astúrias, saindo de Portugal por Bragança, até Bilbau?

Mas nem foi (só) por isso que o João Cabreira levou dois anos de castigo. Provavelmente não sabem, como eu sei, que eu Lausana os próprios 'julgadores' se sentiram defraudados. Obrigados a serem, como devem ser, imparciais perante os factos apresentados e defendidos por cada uma das partes, desabafaram, no final da audiência, garantindo que se o João tivesse tido hipóteses (financeiras, é claro), de ter apresentado um especialista técnico (que não jurídico, que não o pode ser) teria saído ilibado.

Ainda hoje, aquilo que, pretensamente - e também aqui o então CNAD, não poupando o nosso dinheiro não 'largou o osso' -, o João terá acusado não consta no index dos produtos proíbidos.

Ensurdecedor o silêncio da CS em Portugal.

Mas terminou hoje o castigo de dois anos imposto ao João.
Não falo com ele há já alguns meses, mas espero que se sinta, animicamente, com forças para voltar a mostrar, onde ele é bom, na Estrada, que podemos contar com ele para a nova temporada.

Caro João,
Um forte e sentido abraço de solidariedade. Eu acredito em ti. Nós, acreditamos em ti...

E, como disseste aos jornais que procuraram ouvir-te... aposta nessa! Uma vitória na Volta a Portugal humilharia quem tudo fez para te destruir e reduziria ao seu estatuto de 'zé-ninguém' quem se absteve de te defender.

Apesar da descarada perseguição de que foste alvo.


VOLTEMOS AOS PITOGRAMAS

O último tem a ver com Contador que, apesar de absolvido pera RFEC, ainda não está livre da canina vontade da UCI mas, principalmente, da AMA, de vir a sofrer um penalizador revés.

Tenho lido comentários de arrepiar porque há quem não tenha a mínima vergonha de botar opinião sem saber do que está a escrever. Aquele número com DEZ zeros depois de uma vírgula, seguidos de um 5, que está na base de toda a polémica reduz esta por terra. Para aceitarmos qualquer espécie de penalização a Alberto Contador seria ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO que TODOS os controlos a TODOS os Atletas, que não só aos Corredores de Ciclismo, fossem 'esmiuçados' até à mesma profundeza. Fazer passar as amostras de uns pelo laboratório de análises que fica aqui na esquina da minha rua, e a de outros, escolhidos a dedo, sujeitos a uma tecnologia de ponta é desonesto!

(Salvaguardando as devidas diferenças, vem-me à memória a forma como, mesmo com TODA a polícia de Chicago sabendo que Al Capone era o Senhor do Crime na cidade, para o prenderem tiveram que recorrer a um 'manga de alpaca' de um funcionário das finanças. E foi por fuga ao fisco que ele foi parar à cadeia.)

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

ANO VI - Etapa 26

DESGRAÇADO PAÍS QUE NEM SABE
HONRAR AQUELES QUE LHE DÃO NOME!

Albertina Dias nasceu em 1966, tendo crescido na zona ribeirinha do Porto. Começou a correr aos 12 anos ganhando quase todas as provas populares que havia na época. Aos 17 anos, depois de uma curta passagem de três meses pelo FC Porto, ingressou no Boavista de onde só sairia em 1991 para ir para o Maratona Clube da Maia, tendo como treinador Bernardino Pereira.
Durante todo este percurso conquistou várias medalhas, quer a nível individual, quer colectivo pela, Selecção Nacional.

Em 1990, no Campeonato do Mundo de Corta-Mato, Albertina Dias, individualmente, obteve a sua primeira medalha em competições internacionais. Em 1992, em Boston (EUA), conquistou uma medalha de bronze e, no ano seguinte, no Campeonato do Mundo de corta-mato de Amorobieta (Esp), alcançou finalmente a medalha de ouro.

Pela Selecção Nacional obteve a medalha de prata nos Campeonatos do Mundo de Estrada em 1986, em Lisboa; a medalha de ouro em 1987, em Monte Carlo; a medalha de bronze em 1988, em Adelaide (Austrália); e a medalha de prata em 1989, no Rio de Janeiro.
Nos Campeonatos do Mundo de corta-mato obteve a medalha de bronze em 1990, em Aix-Les Bains (Fra), duas medalhas de ouro no campeonato de Budapeste (Hun), em 1994, e no de Ferrara (Ita), em 1998, respectivamente.

Albertina Dias esteve também presente nos Jogos Olímpicos de Seul (Coreia do Sul), em 1988, nos de Barcelona (Esp), em 1992, e de Atlanta (Gre), em 1996.
Esteve presente em vários campeonatos do Mundo (de pista, de pista coberta, de corta-mato, de estrada, de meia maratona); em campeonatos Ibéricos e Ibero-americanos; em campeonatos da Europa de corta-mato e em cinco Taças da Europa.

Em Portugal, Albertina Dias foi campeã nacional de 3 mil metros, em 1986, 1989 e 1991, tendo sido recordista nesta distância entre 1991 e 1994.
Foi campeã dos 10 mil metros, em 1993, e de corta-mato em 1995 e 1996. Além disso, foi recordista nacional dos 5 mil metros entre 1993 e 1995 e, em pista coberta, na distância de 3 mil metros deteve também o primeiro lugar do ranking nacional de 1991 a 1994.

.
[in' Infopédia]

.
Ok, pela segunda vez, num curto espaço de tempo, fujo ao Ciclismo e atrevo-me a opinar sobre outra modalidade. Primeiro foi em relação à Vanessa Fernandes (triatlo), agora à Albertina Dias (atletismo).

Foi o Correio da Manhã – e não consigo compreender inentendíveis, para mim, complexos, de um Jornalista em citar o trabalho de um colega de profissão, mais atento, ou melhor informado – que na segunda-feira passada no-lo revelou.

A Albertina Dias, aquela mulher que levou o nome de Portugal aos quatro cantos do Mundo, não por ter conseguido resultados jeitosos mas por ter… GANHO títulos vive hoje com os magros proventos de um ordenado de mulher-a-dias que faz limpezas em duas casas particulares.

Para, e cito palavras dela, ‘dar uma vida melhor à minha filha’, Albertina Dias que enviuvou há sete anos, está disposta a vender as medalhas que conquistou porque ajudas não as conseguiu de entidade nenhuma.

Conta o meu caro António Simões, mais do que especialista em atletismo, provavelmente o melhor ‘jornalescritor’ da actualidade (a palavra inventei-a eu, mas quem sabe do seu trabalho compreenderá), pegou hoje no tema (lá está, ‘esquecendo-se’ de dizer que lera a mesmíssima notícia que eu li ontem, no CM) e acrescenta que, com a ajuda da Rosa Mota e de Pompílio Ferreira, Albertina Dias conseguiu um ‘simpático’ part-time a ganhar… 400 euros por mês! Que já chegou ao fim.

Depois, arrisca o António: «Não haverá por aí organismo do Estado que as compre [as medalhas] da Albertina e as vá depositar no Museu do Desporto?

É aqui que discordo de ti António.
As medalhas são da Albertina.
Ganhou-as ela.
Com o seu suor, as suas lágrimas… sei lá se com sangue.
São dela!

Como ela diz, são tão dela como um rim ou um pulmão… ou as pernas que a levaram a conquistá-las.

Será que o abandono – pelo menos a falta de ajudas – a que foi sujeita a Albertina Dias pode ser ligado ao facto de sempre ter sido militante comunista?

O Museu do Desporto – ignorava que tal existisse, é responsabilidade de que ministério? – só devia fazer uma coisa, e estou-me nas tintas para a crise (o título desta Etapa é claro): comprar, pelo seu justo valor, as medalhas à Albertina Dias, fazer delas réplicas que guardaria como espólio, e deixar as originais com a atleta. Por exemplo, com a assinatura de um documento que a impediria de as vender de verdade.

Mas se as coisas são tão simples de resolver…

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Ano VI - Etapa 25

HOMENAGEM AO DR. BARREIRO DE MAGALHÃES
À MEMÓRIA DE UM HOMEM BOM
.
(Impossibilitado de estar presente, é desta forma, divulgando o apelo dos Organizadores, que dou o meu singelo contributo)
.

Tendo o Sr. Dr. Barreiros de Magalhães (já falecido) sido Médico do Ciclismo do Futebol Clube do Porto. Médico amigo de todas as pessoas ligadas ao Ciclismo incluindo antigos Corredores, Médico das Voltas a Portugal, Médico dos Mineiros das Minas do Pejão, na Freguesia de Pédorido, Castelo de Paiva, Médico e Benemérito toda a População da Freguesia prestando assistência gratuita a todos os que dele necessitavam...

... por tudo isto a Junta de Freguesia de Pédorido, juntamente com as Freguesias da Lomba, Paraíso e Raiva, decidiram prestar-lhe Homenagem, tendo também solicitado ajuda aos Homens do Ciclismo.
.
.
Pelo facto do Busto da sua imagem ter ultrapassado o orçamento previsto, faltando pagar ao escultor 5.000 €, decidiu a Comissão de Angariação de Fundos, composta pelo sr. presidente da Junta de Freguesia de Pédorido, Artur de Sousa, Mónica Rocha (secretária), António Miranda (tesoureiro) e mais sete elementos que representam o Povo de Pédorido, assim como a Comissão dos Amigos do Ciclismo composta por Joaquim Leite, José Luís Pacheco, Mário Silva, Alberto Carvalho, Manuel Fernandes, Onofre Tavares, Moreira de Sá e Amândio Cardoso realizar um Almoço para Angariação de Fundos contribuindo conforme as possibilidades de cada um, almoço que terá lugar no Restaurante dos 5 Amigos, em Pedroso V. N. de Gaia, Estrada Nacional 1 (inicio da subida para Grijó do lado direito).

A data do almoço será dia 5 de Março sendo o preço de 30 €, e a Inauguração do Busto tem lugar na Freguesia de Pédorido (Castelo de Paiva) no dia 30 de Abril de 2011 pelas 15 horas.

Pedimos que faça parte da lista daqueles que se lembraram de prestar homenagem a um homem bom.

As Inscrições podem ser efectuadas para telemóvel 91.763.54.36 (Joaquim Leite).

Aceitem os nossos Sinceros Cumprimentos.

Joaquim de Magalhães Leite

domingo, fevereiro 20, 2011

ANO VI - Etapa 24

ATÉ SEMPRE, 'DOUTOR'...
.

.

.
Como explico na nota anterior, soube da notícia no sábado, pelas seis da tarde. Daí, até agora, desdobrei-me na busca da confirmação. Infelizmente, para toda a Família do Ciclismo, é verdade.

Faleceu, na passada sexta-feira, o Amândio Louro. Todos nós o tratávamos por Doutor. Não sei porquê... nunca procurei saber. De certo que tinha direito ao título.

Conheci-o há 20 anos. Foi, durante muitos anos, o responsável pelo som de animação de quase todas as Corridas de Ciclismo.

Mas fazia mais. Nos últimos quilómetros das etapas, quando era possível 'apanhar' a limitada propagação da Rádio Volta, punha-a no ar dando, a todos os que se encontravam nas zonas de chegadas das etapas, o relato vivo - para além dos das rádios - do que stava a acontecer na estrada.

Íntimos nunca fomos. Amigos, com certeza.
Chegou a por-me a comentar o desenrolar da corrida nesses últimos quilómetros, eu, um enviado de um jornal como 'A Capital', fugindo às 'guerras' entre os 'desportivos'...

O seu estúdio móvel era convidativo. Não havia ar-comdicionado, mas havia ventoínhas. E dezenas de CD's com as músicas que prendiam os espectadores...
Era um grande profissional.

E, como 'speaker' oficial tinha previlégios... como a lista oficiosa dos primeiros classificados em cada etapa em primeira mão.
À qual não negava, nunca, o acesso dos profissionais da CS.
Por isso fazíamos fila por trás do seu Estúdio Móvel. Para a ela ter acesso.
E, sempre que possível, ele trazia - da zona dos Comissários - mais do que uma folinha...

Não acredito que o doutor Amândio Louro tivesse um único 'dissidente' do concensual batalhão de Amigos. E, embora sempre me tenha afastado - porque o meu feitio não dá para isso - dos momentos de convívio extra-desportivo, complemento natural da jornada de trabalho, sei que ele era sempre um dos maiores animadores.

Ontem, sábado, recebi a notícia sempre cruel e fria.
O Amândio Louro deixou-nos. Mais pobres num momento em que o Ciclismo está quase, quase, a caír no 'estatuto' dos Sem Abrigo, comparando-o com a realidade Social do País.

Atrasei a divulgação da notícia - que, entretanto, mais ninguém deu - até ter uma confirmação fiável. Infelizmente confirma-se.
.
.
Com pouco mais de 50 anos, profisional da publicidade - terá sido por isso que os 'jornalistas' que tantos anos conviveram com ele se escusaram a noticiar a sua morte? -, piloto encartado da aviação civil (que era, afinal, a sua principal actividade), Amândio Louro deixou-nos no passado Sábado.

Morreu, tanto quanto mo disseram, ao fim de muitos contactos que fui fazendo para confirmar o seu passamento, de causa natural. Imprevisível e fulminante, quando trabalhava no seu escritório.

Que descanse em paz!

(mais dois ou três anos e estará extinta uma passagem da História do Ciclismo Nacional, quando este beneficiou de uma autêntica família de colaboradores, a começar pelos Jornalistas)

O futuro, não é preciso ser bruxo, é negro.
Fica nas mãos de quem não percebe nada da Modalidade.
Mas os Torquemadas também não durarão muito tempo.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

ANO VI - Etapa 23

VOLTA AO ALGARVE

Começa hoje mais uma edição daquela que tem tudo para ser a mais importante Corrida do Calendário português.

O que lhe falta?
Antes de mais... divulgação e terá de ser paga porque a Imprensa não lhe dá mais do que as seis linhas que faltam para encher a coluna de 'breves'.

Àparte isto, um desabafo pessoal.
Não sei que 'estórias' te envenenaram - mas sei quem foi - meu caro Rogério Teixeira.
A verdade é que não tive uma única notícia sobre a prova.

Serei sempre teu amigo, companheiro! E, mais tarde ou mais cedo, vais perceber que há figuras que há muito já deviam ter sido escorraçadas do Ciclismo. Andam, ainda andam, aí para se servirem da Modalidade à qual deram... ZERO!
Pelo contrário, aproveitam tudo, desde os 'packs' de água, que as organizações pagam, aos caixotes de laranjas (e ajudei a carregar alguns, mas sempre, sempre senti vergonha de ser dependente e, mesmo angustiado, achei que devia 'pagar' a, e isso jamais porei em em causa, disponibilidade em me 'carregar').

E, mais logo, vou recordar-me daquele ano em que, seguindo à tua frente um par de horas, bati a portas, fui buscar chaves, alinhei cavaletes, puz-lhe os tampos em cima, estiquei extensões de corrente e, quando todos os demais chegavam... a Sala de Imprensa que NÃO EXISTIA estava montada.
Não te estou a cobrar nada.
Fi-lo em nome da Volta ao Algarve.
Que perdurará para além de nós.

Um abraço e que tudo corra bem.
Que seja uma grande Corrida.
Fico a torcer por fora.

Manuel José Madeira

ANO VI - Etapa 22

"IN DUBIO PRO REO"

Chamo a título uma expresão jurídica, normalmente intocável, pese embora o assunto em causa não tenha chegado aos Tribunais. Também não sou assim tão ingénuo que acredite que a 'coisa' fique por aqui. Pode lá chegar, até porque, e não é só por cá, as instituições que têm como objectivo a luta contra a dopagem no Desporto já mostraram, por diversas vezes, que não sabem perder. Não aceitam, diria... não admitem, serem postas em causa.

Como se fossem as donas da Verdade Absoluta. E isto não existe, como todos sabem, logo... há dolo nos seus recorrentes recursos.

Os 'centuriões' de guarda à 'verdade desportiva' - que montaram tenda à porta do 'acampamento do Ciclismo', com a preciosa ajuda da CS que, rapidamente, se não branqueia, apaga da agenda casos idênticos noutras modalidades - não se vão ficar.

A foto ao lado já desvendou que estou a falar do 'caso' Alberto Contador.

O natural de Pinto, arredores de Madrid, foi envolvido num processo com o seu quê de kafkiano.

Na última edição da Volta a França viu várias amostras suas recolhidas durante a prova, não foram só aquelas naquele espaçozinho de três/quatro dias...

Infelizmente, como o grande objectivoda CS é o de criar 'casos', sempre e só em relação ao Ciclismo, aquelas foram parar ao ÚNICO laboratório mundial com equipamento capaz de de, héllas!, detectar isto: 0,000.000.000.05 gramas/mililitro de uma substância com nome de supositório - o Clembuterol - no seu organismo.

Sim! são DEZ zeros depois da vírgula até chegarmos ao primeiro algarismo não redondo.
50 picogramas, li hoje. E aprendi uma palavra nova.

E foi com... ISTO TUDO (recupero, detectado numa análise, depois de todas as anteriores terem sido limpas, embora tenham remanescido vestígios nos três controlos seguintes) que se criou um 'caso'.

Caramba... então ia terminar um Tour sem que houvesse 'casos'?

Há uma faixa da CS, que chega aqui, à nossa, que das corridas não acrescenta mais nada àquilo que todos podem ver na televisão.
Porquê?
Porque escrevem as crónicas exactamente a partir do que veem na tv.
Qualquer coisinha que apareça a mais 'vale' uma página de jornal.
É boato? É rumor?
Não interessa. Enche a página.

Este ano coube ao Contador, com uma desonesta margem de dúvida em relação aos casos anteriores. O Landis, recordo, 'morreu' num dia e no seguinte 'deu um banho' a todo o pelotão.

Não somos todos parvos, e o controlo travestiu-se da famosa imagem do algodão... não enganou!

Eu nunca disse que não havia batoteiros no Pelotão. Mas não tomenos a núvem por Juno.

O 'caso' Contador foi, claramente, um 'facto' criado fora do pelotão e que contou com a ajuda da CS menos cuidadosa.

Já admiti que as instituições que foram criadas, a expensas públicas, para o combate contra a fraude desportiva, não tenham ficado satisfeitas e que não vão deixar morrer, de imediato, o assunto. Num quadro judicial isento e imparcial, isso não me apoquenta.

E, pondo-me na pele de um decisor, é evidente que dormirei sempre mais descansado se tiver deixado na rua um hipotético transgresor do que ter condenado um inocente.


Já agora, leiam isto...
(XXX)

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

ANO VI - Etapa 21

É A TUA VIDA VANESSA!...
VIVE-A E SÊ FELIZ

Já tinha visto a notícia, ontem, nas headlines das edições electrónicas de vários jornais. A Vanessa Fernandes, num grito silencioso, disfarçado de comunicado, pedia: 'Deixem-me viver a minha vida. Deixem-me ser aquilo que sou. Mulher!'
.

.
Tenho praqui, algures, gravado ainda numa velhinha cassette VHS um 'especial', creio que da RTP, um programa que nos mostrava o retrato, na altura, de uma jovem que teria 17 ou 18 anos e que, apesar da natural encenação para a realização do documentário, acordava todos os dias no Centro de Alto Rendimento do Jamor às 5.30 da manhã com um sorriso rasgado, que às 6 horas estava a fazer piscinas, que às oito calçava os ténis e ia para a estrada até às dez e que depois montava a bicicleta e pedalava, pedalava... até à uma da tarde.

Após uma ligeira refeição, de uma reunião com o seu técnico e duas horas estirada na cama de um quarto impessoal, com a família lá tão longe, às quatro da tarde voltava à piscina, às seis à estrada e, já com o sol a afundar-se no Atlântico, voltava a montar a bicicleta. Vinham as massagens, o jantar, meia hora na internet para falar com os pais e alguns amigos e eram 11 da noite, hora de fechar as persianas, desligar o rádio e a televisão e dormir. Faltavam seis horas e meia para se levantar.

Sem estes pormenores, pese embora saiba que os companheiros que hoje assinaram as crónicas do seu... até já, também terão lembrado esse documentário, emocioei-me.

E foi quando 'ouvi' o seu silencioso grito: 'Quero ser o que sou. Mulher!'

Já vão perceber onde quero chegar...

Toda a gente que contribuiu com algum depoimento não deixou de relembrar o que a Vanessa Fernandes já fez. O seu palmarés, desde os 15 anos, quando se lançou - ou foi lançada?! - no triatlo é impressionante. Não quero polémicas... mas teremos alguém, no Desporto nacional, com um palmarés parecido?

Emocionei-me com as palavras do seu pai, o velho e grandíssimo Vensceslau Fernandes.
'Talvez a culpa seja minha, por a ter deixado ir tão novinha...'

Quantos exemplos eu poderia apontar agora, aqui, de pais que, sem duvidar que na melhor das intensões, 'roubaram' parte da vida dos filhos à custa de os querer ver ser estrelas...

De todos os depoimentos - sendo que técnico e seleccionador nacional foram incapazes de ver o que é para todos nós óbvio, e percebe-se, embora a ideia que deixaram tenha sido a de uma insensibilidade desumana, deixando a descoberto que, ainda que inconscientemente, estão a pensar mais neles do que na Vanessa - o mais tocante, porque se adivinha sentido e se revela clarividente, foi o do presidente do COP, Vicente Moura.

'A Vanessa cresceu, hoje tem corpo de mulher, sonhos de mulher...'
E, acrescento eu, a coragem de uma Mulher, assim, com inicial maiúscula.

E sabem de quem me lembrei? Claro que sabem.
De quem se deixou instrumentalizar. Conscientemente... ou não.
Não aconteceu por acaso que os homens que tiveram (?) tenham sido aqueles que, à sua custa, ganharam fama e tiraram proveito. Os seus 'treinadores'.

Ah, não estou a por em causa o seu valor enquanto atletas, que foram das maiores, não só de Portugal como do Mundo, onde são reconhecidas. Mas pagaram um preço insuportável.

E hoje, ao lerem as peças jornalísticas publicadas, aposto que não contiveram as lágrimas.

E recupero aquela frase de Vicente Moura:
'A Vanessa cresceu, hoje tem corpo de Mulher, sonhos de Mulher...'

E uma Vida da qual decidiu não abdicar.

É a tua Vida, Vanessa! Vive-a e sê feliz...
... nenhum de nós merece que lhe passes ao lado só para nosso 'orgulho'.
Já fizeste o que tinhas a fazer.

E, navegando a onda, a minha solidariedade, sincera, porque sou capaz de compartilhar a vossa dor, para com a Rosa Mota e a Fernanda Ribeiro.
...

Se há coisa que eu raramente faço é voltar atrás.
Não gosto de me ler.
Acho sempre que podia/devia estar melhor.

Mas agora - depois de publicar esta Etapa - fiquei a pensar... eu escrevi-a conhecedor de dados que nem todos os que, entretanto já me leram e os que ainda virão a fazê-lo, sabem. Fará sentido tudo o que escrevi antes deste 'aditamento'?

E com esta 'chamada' de 1.ª página de O Jogo?

ANO VI - Etapa 20

VINGOU O BOM SENSO

Em nome de todos os que ainda são capazes de Sofrer pelo Ciclismo, sem outro objectivo que não seja o de ver a Nossa Modalidade Bem Tratada por quem a rege - já bastam os bitaites da cáfila de ignorantes e/ou mal intencionados que se pelam por a denegrir - Obrigado.

Obrigado ao Conselho de Justiça da FPC por ter sido capaz de fazer juz ao nome e, mesmo desautorizando-se [é evidente que é apenas e só um recurso literário], fazer... Justiça.

Refiro-me, se ainda o não perceberam, ao levantamento do castigo aos irmãos Costa. Ok... não foi levantamento do castigo e esse ficará marcado (injustamente) nas suas cédulas, mas retirar-lhes o impedimento de correr durante um ano, reduzindo o castigo aos cinco meses que já cumpriram, acaba por ser um mal menor. Mas, atenção, zurrarei aqui [é o que dizem quando se referem às minhas intervenções mais acutilantes... 'deixem-no zurrar!'] com a amplitude que for necessária, e em sua defesa, se os Corredores acharem por bem serem ressarcidos de um castigo que o próprio acto do CJ reconhece ter sido injusto.

Quando foram punidos já se sabia que a substância que acusaram - um ingrediente comum a vários suplementos vitamínicos que os atletas, não só do Ciclismo, tomam normalmente - deixaria de fazer parte do Index das substâncias passíveis de serem consideradas proibidas.

Bastava, na altura que, quem de direito viesse a público e explicasse isto mesmo - porque sou visceralmente contra o encobrimento de situações ilícitas (e, insisto, ainda há um caso de hormonas de crescimento por explicar!) - e tinha-se evitado que o nome de dois jovens valores (e se é assim que a FPC trata as promessas, fica explicado o castigo a um Corredor que tanto deu à modalidade e que, no ano em que se despedia da competição, foi punido com... 15 anos de castigo) tivesse sido beliscado.

Adivinho que haja quem diga... só quem está no convento sabe o que se passa lá dentro.
Eu contraponho... estamos fartos de públicas virtudes que encobrem, há anos, privados vícios.

...

Porque se situa, mais ou mesmo (salvaguardando as devidas proporções), dentro dos mesmos parâmetros lamento o arrastamento do 'caso-Contador'. É líquido que sim, é possível a ingestão de produtos proibidos através de uma simples refeição.

Todos sabemos como os pintos, os cordeiros, as vitelas ou os leitões ficam al dente num terço do tempo em que naturalmente ficariam. A quantidade do produto detectado em Alberto Contador é doentiamente ridículo. Ninguém será capaz de defender outra tese que não a que, por mais fundo que tivessem que escavar, o queriam tramar.

Há meias decisões tomadas. Uns dizem que fizeram o que lhes competia, logo outros se apressam a dizer que não há - e não há, de facto - ainda uma decisão oficial. Neste meio tempo um profissional está sem saber qual vai ser o seu futuro e, mais importante ainda, um Homem sem saber qual vai ser a sua Vida!

E isto acontece... no Desporto!

Os franceses já impediram uma primeira vez Alberto Contador de tentar vencer o Tour duas vezes consecutivas, deixando a Astana de fora; a prova perdeu interesse! No ano seguinte Contador venceu de novo mas os franceses não gostam dos espanhóis (o inverso também pode ser verdade mas é inaceitável numa competição desportiva) e o ano passado repescaram Lance Armstrong para cartaz. Voltou a ganhou o Contador e eles repetem a cena...

... antes um luxemburguês, ainda que germanófolo, que um espanhol.
É a única coisa em que a organização pensa.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

ANO VI - Etapa 19

QUEM NÃO LEU NA ALTURA...
LEIA AGORA ATENTAMENTE
.
Não é um 'manda bitaites' qualquer, todos o conhecem...
Interessou-se por um caso no Ciclismo.
Lê-se bem na foto ao lado, mas eu não resiste em repeti-lo:
'






















HOJE FALAMOS DE CICLISMO E DE UM CASTIGO
PESADO NOS CENÁRIOS DA DOPAGEM'
.
É um artigo assinado por um Jurista e Docente Universitário nesta área...
Espero que se leia bem, mas há uma parte a reter:

O Pedro Lopes foi afastado, por castigo federativo, por 15 anos.

Argumento chave: por faltar a um controlo fora de competição, o que à luz da legislação em vigor é equiparado a controlo positivo... no que seria reincidente depois de um caso em 2004, como adianta o parecer do Conselho de Disciplina da FPF.

Contudo, como sublinha neste artigo o Doutor Ricardo Costa, o quadro legal, à altura (em 2004) era substialmente menos severo do que o actual, mesmo para casos de reincidência.

E se ele, que é doutor em Leis acha que não é lógico 'colar' as duas situações, eu, leigo na matéria, fico-me por aqui...

Na minha inocência lembro, contudo, que há 45 anos atrás o meu avô só acendia o cigarro com um velho isqueiro, que usava petróleo doméstico como combustível, depois de se certificar que não havia nenhum agente da autoridade a testemunhar tão criminoso acto.
Era proíbido! Pelo menos na via pública.

Agora imaginemos... tinha sido apanhado uma vez.
Pagaria a multa (porque era gente de bem, e temente à autoridade, como convinha nesse tempo) e ficava sem o isqueiro. Morreu velho, e de velhice, há mais de 30 anos. Mas imaginemos que ainda era vivo e perfeitamente autónomo. Estava no seu cafezinho favorito a beber uma bica e, com a complacência do proprietário, acendia um cigarrinho sendo que no espaço, hoje em dia, não se pode fumar. E aparecia uma brigada da ASAE.

Se alguém que percebe de Leis me lê, explique-me, por favor, se a multa a aplicar ao senhor Manuel José (herdei dele o nome) seria passível de ser agravada pelo facto de ser... reincidinde, uma vez que em 1966 já havia sido multado por usar um isqueiro na via pública, o que era proíbido, por muito que os mais jovens achem estranho.

ANO VI - Etapa 17

ESTA JÁ É VELHA...
MAS SEMPRE ACTUAL

Em relação aos atletas - de atletismo - espanhóis envolvidos na Operación Galgo, o que ainda continuamos a ler é que... 'se consideram inocentes'. Pois... mais ou menos 'inocentes' que o Contador, por exemplo. Estão, coitados, é a perder espaço na CS em relação aos colegas que andam de bicicleta...

Os 'especialistas' lusos na modalidade aceitam, portanto, que os primeiros são mais 'tótós' que os Corredores de Ciclismo, 'malandros' que sempre estiveram de conluiu com os 'malvados dos médicos' que, por acaso, até são praticamente os mesmos.

Dos quatro que se falou, dois, os manos Fuentes são os mesmíssemos!
E eu a morder a língua!...

Quanto aos portugueses, mesmo que de origem nigeriana, nem pensar que possam estar envolvidos - e quem é que já fez alguma coisa para tentar demonstrar o contrário? Ah! há medalhas mundiais e olímpicas em jogo!... pois!, e que valem mais do que a vitória numa Volta a França?

E a pobre anémica que, em três meses, chegou a Campeã Europeia???
Ok... chiuuuuu!
Isso não é para se falar...
Eram ambos treinados pelos médicos agora acusados?
Mero pormenor sem qualquer tipo de interesse. Nomeadamente para a ADoP que, depois das incursões ao País Basco na peugada do João Cabreira, ficou sem verbas para ir a Madrid...

Posso oferecer 800,00 €?

ANO VI - Etapa 16

QUE TRISTEZA... QUE INDIGNIDADE...
COMO DIZEM OS ESPANHÓIS...
QUE FALTA DE COJONES

Profundo conhecedor da Modalidade, analista isento e, demonstra-o uma vez mais, completamente contra 'intifadas' ou julgamentos à moda de Linch, em pouco mais de uma dúzia de linhas o Carlos Flórido escreveu o que muitos de nós, apaixonados pelo Ciclismo, pensamos. Tal e qual.
.

.
Eu, com menos juízo, em vez do 'suicídio' teria sido bem capaz de escrever... 'assassínio' do Ciclismo.

Admirador confesso da História Universal, com uma certa predilecção pela Idade Média, é enorme a tentação que sinto em comparar o que vem a passar-se com o Ciclismo com aquilo que a 'insana Inquisição', com a igreja a assobiar para o lado, prepertou no Século XVI. Bastava um tipo qualquer estar de mal com o vizinho, procurava o Torquemada lá do sítio e denunciava-o como feiticeiro ou bruxa... o final era o mesmo, ardia, vivo, numa pira fe fogo.
Já não se vai tão longe mas, salvaguardando as devidas diferenças - e apesar ainda não valer pena de morte, pese embora a prisão já esteja prevista - a Informação globalizada tem muito mais impacto. Os 'autos de fé', porque individualizados, pouco mais longe iriam do raio de influência do local onde eram consumados. Numa pequena aldeia, talvez, talvez... até às aldeias mais próximas... e levava tempo a chegar.

Hoje a notícia corre mais rápido que o movimento da terra, escreve-se e divulga-se em todas as línguas. No centro do alvo... um nome; um Homem.

E tem vindo a ser assim desde há pouco menos de dez anos para cá.

Os argumentos do acusado são sempre... desculpa!
E isto revela o preconceito que se instalou e vinga: os Corredores são todos uns dopados.


(Faço um parentisis: como posso ter eu a certeza de que uma Brigada Médica, digamos... da ADoP, vai mesmo a casa de um Corredor? Leva papel que será assinado... Ok., agora, pressuponhamos que vêm a minha casa; tocam à campaínha. Eu, estando ou não, abro ou não a porta. E depois? O Pedro Lopes garantiu que estava em casa numa das datas em que foi acusado de faltar a um controlo. Quem me impede de pensar que... pura e simplesmente, a Brigada Médica não chegou a ir ao seu destino? Vão à tasca da esquina... náaaa, não vou dar ideias de borla!)

Mas foquemo-nos neste caso concreto do Alberto Contador.
(E porque é que eu escreveria assassínio em vez de suicídio...)

.
.
Tal como o Carlos escreve, em ano de definitivo adeus de Lance Armstrong - e ele foi, até agora, suficientemente Homem para guardar para si o 'segredo' que todos adivinhamos: só voltou ao Tour a CONVITE (mesmo que sigiloso e a obrigar a silêncio eterno), para SALVAR a prova raínha do Ciclismo Mundial.

Para que hei-de estar eu com 'rodriguinhos'... para SALVAR a organização e a própria UCI.


Voltou integrado na mesma equipa daquele já já dera indícios de ser o único a poder batê-lo. E perdeu. Um Campeão não sai assim... no ano seguinte criou a sua própria equipa e voltou à prova. Já não perdeu por ter estado parado demasiado tempo mas porque os anos pesam e o adversário era de valor. Era Alberto Contador.

Voltou a perder. 'Dever' cumprido, há dois anos, reconhecimento de que o seu tempo passou, o ano passado... Armstrong disse adeus.

E o que fazem a Contador? Envolvem-no numa história que terá - teria, se a opinião pública, no Ciclismo 'pesasse' tanto como no Futebol, não que não se tenha feito ouvir - de ser muito bem explicada.

É que há tantas pontas soltas que eu não consigo visualizar de que forma pretendem atar este nó à volta do Contador. E não nos esqueçamos da primeira regra do Direiro 'in dubia pro reo'.

O espanhol foi 'apanhado' depois de uma recolha para controlo ter sido enviada para o ÚNICO laboratório do Mundo que consegue atingir um algarismo, que não o ZERO, depois deste, sequido de vírgula, ser seguido por um notável 'pelotão' de outros zerinhos. Creio que foi depois de nove zeros após a vírgula que encontraram um algarismo não redondo... e é nisso, nesse resultado, que assenta toda a acusação que levou à já divulgada suspensão ainda que passível de recurso...

Alberto Contador explicou que o produto detectado, mais fundo do que aquilo que os mineiros chilenos ficaram presos, só podia ser derivado à contaminação de algo que comera.

E todos sabemos como é que aos animais, cuja carne consumimos, os engordam até ao matadouro num terço do tempo em que, normalmente, coitados, poderiam andar a pastar nos campos. Todos menos, aparentemente, os doutores das agências anti-doping.

Mais... o responsável pela compra da carne, em Espanha, no País Basco, aproveitando uma etapa do Tour que terminava perto da fronteira franco-espanhola, não comprou um bife para o Alberto Contador. Comprou uma peça de carne para servir ao jantar da equipa.

Alguém leu, ou ouviu que outros Corredores - mesmo que não tenha, na altura, sido controlado - tivesse sido chamado para, voluntariamente, se sujeitar ao mesmo teste? Ok, 0,00000000000x não deve ser coisa fácil de descobrir um mês, mês e meio depois...

E um saltinho a Espanha, ao mesmo talho a comprar carne do mesmo fornecedor?...
Se os bichos são engordados com... 'potenciadores de massa moscular', não terá sido apenas aquele que, coitado, acabou grelhado no prato de Contador.

Pois, não há autoridade ant-doping com poderes para ir ao talho, comprar (quer dizer, para isto não são preciso poderes, basta ter um cartão de crédito) mas depois usar os resultado de análises à carne.

Mas disto... dependia, não só o Bom Nome como a Inocência, não de um atleta, mas de um Homem!

Os 'polícias sanitários' do Desporto, com inegável maior e mais picuinhas actividade para quando em causa estão Corredores de Ciclismo, são os Torquemadas do presente. Quantos mais corpos 'incenerados' teremos?

- Deixo uma sugestão, os inspectores anti-doping podiam muito bem ser suporte de publicidade que ajudaria, não digo a instituição que representam, que já é paga por todos nós com os nossos impostos - mas, pelo menos, as organizações. A ServiLusa era capaz de estar interessada...

E, tirando este texto do Flórido... só vejo telexes 'picados'...