[Acordo Ortográfico] # SOU FRONTALMENTE CONTRA! (como dizia uma das mais emblemáticas actrizes portuguesas, já com 73 anos, "quem não sabe escrever Português... aprenda!») PORTUGUÊS DE PORTUGAL! NÃO ESCREVEREI, NUNCA, NUNCA, DE OUTRA FORMA!
sábado, julho 28, 2012
MAUrinhozinho
É UMA COISA! FALTA DE RESPEITO E MÁ EDUCAÇÃO, OUTRA
E olhem para mim a 'aventurar-me' na chafurdeira que é o futebol.
Não vou ficar muito tempo que o estômago está doente e as náuseas frequentes.
A... 'Eusébio Cup' - à falta de dominarem a língua portuguesa, as 'cup's' estão a ser um must, principalmente este ano - foi criada para homegear o Grande Eusébio que é tão grande que, como vou lendo, até jovens, de toda a parte do Mundo, cujos pais ainda nem eram nascidos quando ele derramava talento pelos relvados dessa Europa fora (e não só) o admiram; esperam por ele em qualquer lugar onde ele vá e fazem fila para conseguirem um autógravo e, oh! glória das glórias, uma foto a seu lado.
Pelo quinto ano consecutivo o Benfica convidou uma equipa de renome internacional para a discutir - à 'cup' - opondo-a à sua melhor equipa no momento. Nem sempre pode ser mesmo, mesmo a melhor...
Em 2008 perdeu a partida (0-0, 4-5 nos penalties) frente aos italiano da Internazionale de Milano (Itália);
em 2009 venceu, da mesma maneira e com números exactamente iguais, os também italianos do AC Milan;
em 2010 terá convidado o menos forte - e de menor historial - dos cinco adversários já defrontados, os londrinos do Tottenham. Perdeu por 1-0;
o ano passado, o oponente veio, outra vez, de Londres. Foi o Arsenal. O troféu ficou em casa após vitória benfiquista por 2-1.
Este ano, com a melhor das intensões - e porque era um velho sonho do 'velho' Eusébio e todos sabiam disso - o convite foi dirigido a uma equipa do Bairro de Chamartin, no coração de Madrid.
E, porque há, há sim, pormenores que definem uma pessoa e que ficam mais expostos quando a figura julga que ninguém está a olhar, ele, que jamais admitiu que houvesse alguém que, dentro do 'seu' grupo de trabalho mandasse mais do que ele (ok, deixa passar a imagem de que 'só obedece' ao presidente, mas faz deste uma caricatura da 'raínha de Inglaterra'), esse mesmo, deixou as 'prima donas' ter... mais um dia de descanso. E perdeu... de goleada!
«Acima de mim... o Sol! Eusébio? Quem é?»
(Honestamente, depois das declarações finais espero que tenha, pelo menos, tido a sereedade de se ter 'esquecido' do troféu que o Benfica lhe ofereceu, na cabina!)
Ainda assim, 'sardinha' ou 'choco' há uma coisa que lhe quero agradecer:
Como 'fanático' adepto e simpatizante, tanto do VALADARES, como do AT. CACÉM faço minhas as suas palavras:
«NOS TREINOS NÃO HÁ DERROTAS PESADAS!»
Já agora, que o Benfica não volte a convidar o 'Grupo de Excursionistas de Chamartin', nem qualquer outra equipa treinada pelo tradutor de Sir Bobby Robson. Nem que seja em memória deste. Esse sim, um Gentleman...
quarta-feira, julho 11, 2012
ANO VII - Etapa 42
Porque é que estamos a dar maior destaque à Volta à Polónia, e ao 13.º lugar do Tiago Machado [nada contra o Tiago, antes pelo contrário] do que à VOLTA A FRANÇA... o TOUR, a terceira maior manifestação desportiva em termos globais onde, por acaso, o Rui Costa resiste e manteve o 11.º posto na geral ???!!!!!!!
Embora já reduzida a simples 'chamada' - mas com a foto do Tiago - a Volta à Polónia continua, por esta hora, na 1.ª Página da edição on-line...
Já a foto (eu sei que é má) que reproduzo tive que ir 'cavá-la' à sub-secção do 'Mais Desporto'. Mas, lá está o Tiago em destaque... Quanto ao TOUR... é o que vêem aqui.

Um verdadeiro mistério!
ANO VII - Etapa 41
ANO VII - Etapa 40
OU OS INCONFESSÁVEIS INTERESSES DOS 'JORNALISTAS'
No dia 10 de Julho de 2011, passou ontem um ano, numa etapa do Tour, uma viatura com ‘convidados’ da televisão francesa ‘viajava’ pelo interior do pelotão aproveitando o facto de haver um pequeno grupo de fugitivos. O que está previsto e é aceite pelos Regulamentos. Às viaturas ‘oficiais’, como as dos ‘convidados’, que não aos jornalistas!
A estrada não era larga e as bermas inexistentes – quem segue o Giro, o Tour e a Vuelta sabe que é assim; só em Portugal quase se exige que as etapas decorram todas nos IP, SCUTS (agora é mais difícil) e não nas Auto-estradas porque é, definitivamente, proíbido! -, o motorista distraíu-se por um segundo e quando olhou em frente tinha um tronco de árvore para aí com 80 centímetros a um metro de diâmetro pela frente. Guinou, instintivamente, para a sua direita não dando conta que, a escassos centímetros rolavam, alheios às vistas panorâmicas e às conversas de circunstância, três Corredores: Thomas Voeckler, Juan António Flecha e John Hoogerland.
O primeiro, passou, apenas com o susto; o segundo deixou parte do equipamento – e da sua própria pele – no rugoso asfalto de uma estrada de 3.ª categoria, perdida num meio rural profundo.
John Hoogerland que, para além do impacto do carro, ainda levou, por arrastamento, com Flecha em cima, foi… de ‘costa-a-costa’, isto é, até à outra berma – não existente – ostensivamente limitada (acontece, nas propriedades privadas, possivelmente pastagem para gado que não convém que invada a estradada) por uma cerca de… arame farpado.

O pobre até poderia ter batido de lado contra as ‘farpas’, mas não, esbarrou num poste de suporte da vedação e ‘escorregou’ por ali abaixo. Como podem ver, ‘não falhou’ uma das farpas sequer.
Resultado… o que a foto mostra.
Ao que acrescento mais de cem pontos de sutura que foi necessário levar para coser aqueles rasgões todos.
Ah!... No dia seguinte apresentou-se, todo ‘agrafado’ e ligado, mas apresentou-se à partida.
Imaginem como terá passado a noite.
Terá dormido?
Sentado?...
Não sobraram histórias sobre isso para a qui recordar.
A foto, juro, e peço desculpa ao Jornal Ciclismo por a ter ‘piratado’ (também não é deles e não atribuem o crédito…) não é um sádico exercício de manipulação no ‘photoshop’… É mesmo real!
E sabem uma coisa?
Quando vejo um futebolista [ohhhhhhhh, eu sei que estou a pisar terrenos ‘sagrados’ e basta olhar para os jornais ‘desportivos’…] rebolar-se no chão agarrado à perna direita quando o – eventual (que na maioria das vezes não vislumbro nem na repetição, três segundos depois – ‘toque’ só poderia ter sido na esquerda, e berra que nem um bezerro que não sabe da vaca-mãe e obriga à entrada dos bombeiros com maca, para a qual sobe sem ajuda e da qual salta ainda antes de ter saído das quatro linhas, ficando depois a verberar com o 4.º árbitro porque não o deixa entrar de imediato…
Quando vejo isto, e no dia seguinte não leio nesses mesmos jornais – que são os três – a, mais que descarada… desonesta atitude do ‘artista’ que os ‘jornalistas’ e ‘comentadores’ respaldam… apetece-me esfregar-lhes esta foto nos narizes.
Mais, gostava mesmo era de lhes esfregar as ligaduras que este pobre usou até ao fim. Depois de retiradas, claro.
Vemos, em filmes históricos – e aceitamos, porque não sabemos se era mesmo assim – que os reis, na Idade Média, tinham ‘bobos’ para fazerem palhaçadas e os entreter. E davam-lhe qualquer coisinha em troca.
Hoje, no futebol, são os ‘bobos’ quem, de bandeja, dão de comer aos ‘reizinhos’. Encobrindo as suas trafulhices, fechando os olhos e, pior, ‘garantindo’ que aconteceu uma coisa que MEIO MUNDO TEVE OPORTUNIDADE DE VER QUE NÃO ACONTECEU…
Tenho pena dos dois.
Nem um, nem o outro, são bons oficiais nos respectivos ofícios. Pior... são desonestos!
terça-feira, julho 10, 2012
ANO VII - Etapa 39

(Há 2.10 que lá está, o que NUNCA ACONTECEU com o Rui Costa, no Tour, muito menos na Volta à Suíça)
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Não há muitos meses ainda alguém... grande, escreveu que há quase 30 anos as reportagens do Tour deixaram de ter interesse. Respondi-lhe pessoalmente, por email, considerando essa afirmação uma afronta e uma incomensurável falta de respeito por todos os Jornalistas da casa que o fizeram depois dessa data. Posso divulgar o email publicamente! Por mim...
Alguém pode responder a estas simples perguntas?
segunda-feira, julho 09, 2012
ANO VII - Etapa 38
ASSINO POR BAIXO...
30 de Junho de 2012, por LEONOR PINHÃO, Jornalista... no
No ciclismo não há penaltis
Enquanto decorria o Europeu de futebol, entre a vitória de Portugal sobre a Holanda e a vitória de Portugal sobre a República Checa, aconteceu que um outro compatriota nosso, um rapaz franzino chamado Rui Costa, ciclista profissional, ganhou a Volta à Suíça que não é brincadeira nenhuma. O feito consagra-o como o primeiro português a vencer uma prova do World Tour, coisa que nem o fabuloso Joaquim Agostinho atingiu.
Em Portugal ninguém ligou peva à proeza de Rui Costa porque as atenções estavam a mil por cento concentradas na campanha da selecção nacional de futebol. E como é do conhecimento geral, bicicletas são apenas bicicletas e o desporto-rei é o desporto-rei. A aventura portuguesa no Europeu acabou na quarta-feira de maneira dramática e, como não podia deixar de ser, com direito a requerimento em papel azul de 25 linhas, aquele mesmo dos antigos procedimentos burocráticos, em favor da nossa velha conhecida Vitória Moral, que é o consolo possível e recorrente quando estas nossas andanças desportivas ao mais alto nível não terminam como era desejado.
Agora que o futebol acabou em desilusão, espelhando as frustrações da pátria que são muitas e de natureza variada, temos, finalmente, tempo para nos dedicarmos às bicicletas. O país precisa de heróis por causa da auto-estima, dizem os sociólogos, quer os amadores quer os profissionais, e está a chegar a Volta à França que conta no seu pelotão com o tal portuguesinho franzino chamado Rui Costa.
No ciclismo, felizmente, não há penaltis. Mas Rui Costa bem pode começar a pedalar tendo por certo que os olhos da nação estão postos nele. Atreva-se ele a ganhar uma etapa do Tour, como fez no ano passado, e logo teremos o país em peso a pedir-lhe, encarecidamente, que vá mais longe, que chegue em primeiro, que não caia da máquina, que desfaça a concorrência nas subidas dos Alpes e que nos devolva o orgulho perdido no momento em que Bruno Alves acertou com a bola em cheio na trave da baliza guardada por Casillas.
Rui Costa, à partida para França, estabeleceu com modéstia os seus objectivos: "Gostava de chegar bem a Paris."
Não aborreçam, portanto, o rapaz com exigências mirabolantes.
Estivessem todos mais atentos à Volta à Suíça.
O sublinhado é da minha responsabilidade
sexta-feira, junho 29, 2012
segunda-feira, junho 25, 2012
terça-feira, junho 19, 2012
quinta-feira, maio 03, 2012
ATÉ JÁ!...
Hoje passei o dia ali, para o Alto de Santo Amaro, em Lisboa, a fazer uma interminável bateria de novos testes... o tratamento em Santa Maria foi adiado até que surjam resultados destes testes e eu... espero.
Já sem stress, sem ângústia. Há-de ser o que... vier a ser.
Ok, amigos - e os outros também - vou ficar uns dias 'off-line'.
É preciso...
Soubesse eu o resultado final e acabava já com isto, mas vou esperar.
Para vos entreter, porque sei que adoram ler-me, deixo aqui os links para as duas últimas coisas que escrevi... salvo seja! Porque ainda penso tirar alguns 'escalpes'!
Fiquem bem e, isso não vos perdoaria jamais, não tenham pena de mim.
quarta-feira, maio 02, 2012
ANO VII - Etapa 34

TAMBÉM CONTIGO MORRI EU MAIS UM POUCO...
Porquê, Gonçalo? Porquê tu?
Ao longo de tantos anos, e todos perceberão isso, fazemos muitos Amigos mas, há sempre uns mais amigos que outros; as nossas Amizades, mesmo as mais sinceras, são sempre radiais e concêntricas. Um pequeno grupo mais próximo, depois outro, exterior a este, depois outro... e assim por diante até a última circunferência que, sem limite definido, alberga os conhecidos mas onde também moram amigos. A nossa relação nunca terá chegado a ser tão forte assim...
O Gonçalo esteve sempre naquele círculo mais pequeno, mais próximo; o dos Amigos-amigos, quase incondicionais... e por lá o guardei sempre, apesar do distanciamento físico que, pelo motivo que todos conhecem, começou a 'cavar-se' desde há quatro anos, mais coisa, menos coisa.
E estes Amigos-amigos-mesmo acabavam, por arrasto, trazer-me mais amigos. Familiares seus, por exemplo. O pai do Gonçalo, o sr. Júlio - passaram já tantos anos sem... notícias mas quero querer que ele ainda aí esteja - com quem, aqui, agora, partilho um forte abraço de solidariedade, nesta hora que é de dor para todos.

Ao Gonçalo - um Homem Bom, um profissional exemplar, um Amigo que levarei comigo, no meu coração - recordarei para sempre assim, como nesta foto que escolhi para pôr aqui. Alguém que assumia sempre as suas responsabilidades dentro dos vários grupos que representou e que não deixava para os outros aquilo que achava ser o seu dever: dar a cara ao vento... e levava aquele sorriso!. Foi sempre um líder e é assim que te recordarei.
quarta-feira, abril 25, 2012
ANO VII - Etapa 33
Trinta e oito anos depois da nossa emblemártica 'Revolução dos Cravos' nos ter devolvido a Liberdade de decidir e de Pensar pela nossa própria cabeça - o mal é que se passaram mais de 30 anos até percebermos que não foram suficientes para muitos (e ainda há alguns, que eu posso apontar a dedo), que o não perceberam... o Dia de Hoje está tão distante daquilo em que, por breves meses acreditámos, que ainda ontem, dia 24, li no insuspeito 'Correio da Manhã? - página 26, em roda-tecto, mais ou menos 'escondido' - que o, hoje, general Pires Veloso, uma das principais figuras do contra-golpe de 25 de Novembro de 1995, na altura ainda coronel e chamado... e reconhecido como o 'Rei do Norte', líder assumido na luta contra os radicais [nessa altura, a palavra ainda não tinha sido inventada] obedientes a Otelo Saraiva de Carvalho.
Ora, há aqui umas semanas - não sou capaz de precisar, agora, mas fazendo as contas, mais de quatro passam a ser um mês, mais de oito... meses - Otelo defendeu publicamente que é precisa uma nova Revolução! Todos estão lembrados, não vou aqui repetir as suas palavras...
A sociedade portuguesa dividiu-se.
Chegou a correr no espaço net uma petição para levar, de novo, o Otelo à presença da justiça. A mesma que se esfalfa para livrar o Sócrates da prisão? Provavelmente.
Mas, ao mesmo tempo, houve quem lhe desse razão.
Estou a falar de Otelo Saraiva de Carvalho.
Primeiro, ídolo de TODOS. Incontestado e inconstestável logo após os acontecimentos que hoje deveríamos estar a comemorar;
depois, quando os políticos, como o inefável Mário Soares - a mais perversa figura da nossa História contemporânea - ou o esfingico Álvaro Cunhal (mil vezes mais inteligente e clarividente do que o 'bochechas', pelo que «o perigo de Portugal tornar-se a 'Cuba' da Europa» nunca lhe passou pela cabeça), ou ainda Francisco de Sá Carneiro - eu sei reconhecer o mérito a quem, honestamente 'se dá', mesmo sem concordar com as suas ideias, e ele não morreu por acaso...
Mas voltemos um pouco atrás, para concluir.
Na sua edição de ontem, o 'Correio da Manhã' - mesmo que discretamente - deu voz ao general Pires Veloso, um dos principais 'culpados' - mesmo a esta distância temporal não faço juízo de valores - pela queda em desgraça do Otelo.
E o que diz Pires Veloso?
Isto:
terça-feira, abril 24, 2012
ANO VII - Etapa 32
Pobres coitados dos que não imaginam sequer do que estou a falar...
Numa situação normal... teria pena de vó. Agora só consigo ter aquela 'raiva que se sente nos dentes'...
Não fizeram nada para justificar os riscos assumidos por poucos, que, mesmo sendo poucos, eram TODO UM POVO.
Todos vocês, e falo dos que têm menos de 35 anos, 'mamaram' na 'teta' de uma LIBERDADE recém conquistada.... Depois, a maioria, fincou-lhe o dente. Os 'filhos da Revolução' nada sabem dela... abominam-na, a maioria. Deviam ter a minha idade, ou mais cinco ou seis anos...
Há 38 anos, por esta hora, ultimavam-se os derradeiros preparativos para soprar para longe o cizentismo em que os vossos pais viviam. Ou escravos dos senhores da terra, no interior do País, ou, na mesma escravos, das cinco ou seis famílias que 'davam um melhor emprego', na Cintura Industrial de Lisboa, até pagavam melhores - muito melhores - ordenados, que depois 'recuperavam' de imediato numa súbita e liberalista 'politica' de oferecer [é uma maneira d dizer, claro] andares, imaginem, andares novinhos em folha - aos que ganhavam mais - isto enquanto avalanches de imigrantes deixavam o interior e vinha para os arredores de Lisboa, para os mesmíssimos 'bidonvilles' - famosos nos suburbios de Paris, e das grandes cidades alemãs, onde o portuga, anafalbeto, trabalhava 14 horas por dia pago a preço de escravo, ainda assim, MUITO MELHOR que no Barreiro, na Amadora, em Cabo Ruivo ou nos terminais de contentores do Poço do Bispo ou de Alcântara.
SIMMMMM... a 'cinco tostões' [vocês não sabem o que é...] reconstruiram a mesma França e e a mesma Alemanha que agora nos atiram para a valeta e, os mais 'corajosos', ainda nos dão uns valentes pontapés.
Post Scriptum
Eu sei perfeitamente que não foi na noite de 23 para 24 de Abril de 1974 que as coisas aconteceram!
Não me tomem por tolo.
Mas tinha que dividir este tema em duas partes.
Não, não sou do partido do '25 de Abril Sempre'!
Não tenho deus, não tenho partido, não tenho dono...
mas...
SEMPRE COM O 25 DE ABRIL.
terça-feira, abril 03, 2012
ANO VII - Etapa 30
Senhor Ezequiel!
Meu Caro Amigo,
escrevo-lhe esta Carta com a maior das dores dor por saber que já não vou a tempo que o meu Amigo a lei-a.
A Vida é assim. Dizem!
A Vida...
'Sacudido' pela mensagem que me chegou ao telemóvel paralizei.
A Vida... é assim! Num instante vai-se sem que alguém [ou alguma coisa, na qual, peço-lhe desculpa, não acredito] nos pergunte se queremos, ou estamos preparados. E é sempre a mesma questão que me atormenta: Porque é que os Bons terão de partir primeiro?!
Sei que na sua imensa e desconcertante humildade se bateria na defesa de que não era melhor do que ninguém. Isso sempre fez de si um Homem diferente e, indissossiável disso, um Homem querido por toda a gente. E como não?
Conhecemo-nos há mais de 20 anos, a nossa amizade foi-se cimentando e, como sempre foi desinteressada, era genuína. O Ezequiel, aliás, não era Homem para ter amigos a 'fingir'. Eu sei disso. E lembro-me das muitas e longas conversas que tivemos. Segredos que guardarei em nome dessa amizade.
Calcorreámos milhares de quilómetros por essas estradas fora. Desde o 1.º Grande Prémio 'A Capital', em 1991, até... que interessa? Não será a morte física que nos separará. Quando muito, e porque não acredito em mais nada, até que eu me vá igualmente. Até lá, como se diz, "ninguém morre enquanto houver quem o recorde" a isso, meu Caríssimo Ezequiel, estou irredutivelmente comprometido. O Ezequiel há muito que faz parte do restrito grupo de Amigos - que foi minguando, confesso-o - que escusa de "fingir" que já cá não está. Claro que está! E estará sempre enquanto eu o recordar.
.
.Como recordo aquele jantar - num GP Correio da Manhã - no Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes)...
Como recordo aquela etapa de uma Volta ao Alentejo que fiz a seu lado, no Carro Vassoura, desde Valência de Alcântara, em Espanha, ao Alto da Pena, em Castelo de Vide onde chegámos quase duas horas depois do vencedor da etapa. (E aqueles moços espanhóis que não andavam!... E o almoço de sandes compradas à beira da estrada!)
E as Voltas a Portugal? Das 15 que eu fiz só me lembro de uma que o Ezequiel faltou. A 'máquina' pregou-lhe uma peça, mas logo, logo voltou para junto da Grande Família.
Do desgosto que sempre calou por ser preterido no Troféu Joaquim Agostinho àquela 'confissão' por alturas da passagem - muito especial, porque não está aberta ao trânsito comum - pelo paredão da luso-espanhola barragem de Cedillo [Volta ao Alentejo]...
«Sabes Manel quanto venho ganhar este ano? Pois digo-te: o dobro do que ganhei o ano passado; ora, se o ano passado não vim ganhar nada... faz tu as contas. Mas não estou a queixar-me. Eu até nem cobro o combustível que gasto. Arrangem-me uma caminha para dormir, almoçar não posso... venho pelo jantar, para estar juntos dos amigos.»
.Conheci largas dezenas de pessoas - estiquemos até às centenas - durante os 15 anos que andei na estrada. Nenhuma como o Joaquim Ezequiel.
Há anos que a saúde - a falta dela - ameaçava que, mais dia, menos dia, mais ano, menos ano, a morte no-lo havia de roubar, mas ele foi resistindo e ensinando-nos a resistir. Com a bonomia e com um espírito de juventude interior - que nada tem a ver com a idade - que muitos, com um terço da idade dele jamais saberão demonstrar, soube ser feliz.
Há já alguns anos - 'mea culpa' - que não falávamos.
Desde que que fui 'cuspido' do Ciclismo por egozinhos medíocres, que nunca deixaram de o ser... mesmo vendo a sua vontade cumprida.
Não chegou para que a minha Amizade pelo Senhor Ezequiel fosse 'mordiscada'.
Nem mesmo depois, quando egos ainda maiores tudo fizeram para me manter afastado da Minha Família [mas falharam redundamente na sua OBRIGAÇÃO de dar esta notícia].
Família que, para que conste, não era, nunca foi, a dos doutores mas as dos Homens simples.
Como o Joaquim Ezequiel.
Amigo, não choro a sua partida porque sei que prefere assim.
Agarro-me à sua memória.
À memória de uma Família que já não existe - pelo menos por cá - e espero que... esperem por mim. Onde quer que estejam!
Até breve e um Abraço apertado.









