quinta-feira, agosto 10, 2006

194.ª etapa




OLH'Ó AVIÃO!!!...


Hoje assistimos a uma rábula que não tinha razão nenhuma para ter acontecido. Refiro-me àquele “temos-de-parar-a-emissão-por-causa-do-controlo-aério”, depois volta a emissão, passados 4 minutos para, mais à frente, com direito a “legenda” en-passant nos nossos televisores surgir mensagem idêntica à primeira e, quatro minutos depois tudo estar regularizado.

O que terá acontecido? Não sei. Mas tenho as minhas desconfianças.

Sei da impossibilidade de haver chegadas da Volta, por exemplo, na Avenida da Liberdade, em Lisboa – lá se vão os nossos
“Campos Elíseos” –, ou no Campo Grande. Esteve mesmo previsto o final da 1.ª etapa, este ano, para as imediações do Estádio de Alvalade, integrando esse final nos festejos do Centenário do Sporting Clube de Portugal, antes que aos responsáveis da PAD se lhes deparasse o problema que eu, como a maioria dos meus leitores ainda desconhece, desconhecia até meados de 2000 quando fiz uma entrevista ao Manuel Amaro (um grande abraço, amigo) no âmbito do Mundial de 2001 que se realizaria em Lisboa.

O Manuel Amaro trabalha – pelos menos trabalhava – no Aeroporto de Lisboa (creio que mesmo ligado à ANA – Aeroportos e Navegação Aérea) – e explicou-me como era preciso negociar com aquela entidade a realização dos Mundiais em Monsanto.
Explico: o Aeroporto da Portela tem dois corredores de aproximação à pista. Um, o principal, passa no eixo Costa da Caparica-Praça de Espanha-Aeroporto (quem é que ainda não aterrou na Portela? Vê-se bem aquela parte da costa portuguesa), corredor que abrange, é bom de ver, a zona leste do Parque de Monsanto: o outro, secundário, mais a nascente, sobrevoa a Baixa, mais ou menos paralelo à Avenida Almirante Reis, por isso é impossível ter helicópteros e aviões com o repetidor de sinal a circular por essa zona, que inclui a Avenida da Liberdade.

A RTP há-de ter pedido autorização à ANA para
“ocupar” o corredor ocidental de aproximação ao Aeroporto, no domingo passado, e eu, que cheguei bem cedo à Praça do Império, tive oportunidade de constatar que, ainda à hora de almoço, os aviões comerciais passavam normalmente por ali mas que, depois, quando a corrida se aproximava, deixou de haver tráfego aéreo naquele corredor. Chegaram os ciclistas, os helicópteros, o avião com o repetidor de sinal, a avioneta das acrobacias… mas aviões de grande porte, nem um. E durante bastante tempo.
O que me leva a deduzir que a RTP tenha pedido à ANA o desvio da rota de aproximação para a aviação comercial, e o pedido aceite.

Ora, hoje, por duas vezes, a transmissão da RTP foi interrompida
“porque a autoridade de controlo aéreo pediu que o avião com o repetidor do sinal abandonasse o local”, segundo a explicação da própria RTP. Ainda durante a transmissão, quem viajava no helicóptero deixava no ar a sua estranheza em relação àquela exigência, justificando-o com o facto de a zona de Felgueiras dista “cerca de 50 milhas (mais ou menos 75 km) do Aeroporto de Pedras Rubras".

O Aeroporto de Pedras Rubras tem só uma pista de aterragem, orientada no sentido S-SE/N-NO, pelo que, de facto, os aviões que viessem fazer-se à aterragem não passariam nem sequer perto da zona de Felgueiras. Ou Fafe, na etapa de hoje – (já é hoje, à hora em que escrevo) – o que me faz desconfiar que os responsáveis pelo controlo de tráfego em Pedras Rubras não faziam a mínima ideia de que teriam um avião a voar a baixa velocidade e durante cerca de 4 horas naquela área.

Mas, se o avião com o repetidor…
– Explico: o sinal recolhido pelas moto-reportagem na estrada não consegue, pelo acidentado do terreno, chegar a nenhum ponto terrestre (ou teria que ser a vários) de onde possa ser enviado (repetido) para um receptor na rede de emissores-receptores da RTP espalhada pelo País pelo que se usa um avião que sobrevoa a zona onde vão as motos, que recebe destas o sinal – quase na vertical, por isso sem obstáculos – e o reenvia, de muito alto (outra vez sem obstáculos) para aqueles receptores que o encaminham até à
“régie” onde as imagens são escolhidas pelo realizador e postas no ar…
… dizia: se o avião com o repetidor não estava, de facto, na rota de aproximação à pista de Pedras Rubras, e mesmo que estivesse, estaria sempre a uma altitude bem superior à de qualquer outro que para se fazer à pista ali já viria bastante mais abaixo, estaria praticamente no meio da
“auto-estrada” aérea que passa por ali. Quem nunca voou para Paris, ou Londres, ou para o Norte da Europa? Mesmo saindo de Lisboa, a rota dos aviões seguem a linha de costa portuguesa até alturas do Porto e depois flectem para nordeste passando, por exemplo nas viagens que têm como destino os países nórdicos e mesmo a Grã-Bretanha, por cima das Astúrias e do Mar Cantábrico… a partir da zona Minho/Galiza.

E o avião com o repetidor há-de estar a voar bem acima dos helis, que todos vemos, sem que consigamos vislumbrar o primeiro. Ora, estaria então demasiado próximo da tal
“auto-estrada” aérea que passa por ali.

Como não interferia com a aproximação a Pedras Rubras… não me admirava nada que se tivessem
“esquecido” de pedir autorização para terem ali o “passaroco”.

É que não estou a ver a autoridade de controlo aéreo a
“embirrar” só por embirrar. Nem a explicação avançada de que poderia a tal “proibição” ter a ver com a necessidade de andarem por ali meios aéreos de combate a incêndios tem lógica. Para combater os fogos, aviões e helicópteros voam muito poucos metros acima das copas das árvores. O héli da RTP até podia atrapalhar (mas os helicópteros tem uma manobilibidade tão grande, que podem estar vários numa área muito pequena) mas nunca o avião com o repetidor que, esse voa muito, mas muito mais acima, no céu.

Mas pelo que nos foi dado a perceber… houve ali uma meia hora de intensas explicações e justificações para conseguirem convencer os controladores aéreos. Esperemos que para as próximas etapas tudo tenha ficado devidamente previsto.

quarta-feira, agosto 09, 2006

193.ª etapa



O QUE FICOU PARA TRÁS É PASSADO



Cinco etapas cumpridas, 5.ª mudança de líder. Ao fim e ao cabo, o único dia em que a camisola amarela não mudou de dono foi… no primeiro, quando Cândido Barbosa, depois de ter envergadado o símbolo de líder à partida de Portimão, acabou por confirmar esse estatuto na chegada a Beja.

Já agora, aproveito para chamar a atenção – ainda não vi nada escrito sobre isto – para o facto de a existência de um prólogo evitar estas opções sempre discutíveis. Dou como exemplo o Tour. Apesar de não estar presente Lance Armstrong, a sua equipa teve direito ao dorsal n.º 1. Na Volta, e na ausência de Vladimir Efimkin, a Barloworld não teve o mesmo tratamento. Optou-se por dar o dorsal 1 ao segundo classificado o ano passado.

Sinceramente, acho que não faz sentido. Sei que há compromissos publicitários a cumprir – por isso as diversas camisolas de líder têm de ser usadas à partida -, mas é muito estranho que uma corrida comece do zero e… já com um corredor a envergar o símbolo de líder.

Reparos à parte, esta 5.ª etapa veio revolucionar tudo, em termos de gerais. Dos corredores que ontem estavam no top-10… só ficou o Cândido Barbosa. Isto diz muito.

Calando todos os críticos – onde me incluo – as equipas estrangeiras apareceram justamente na primeira etapa da qual se poderiam tirar alguns dividendos. Correr por correr é qualquer coisa que é passado. Hoje em dia há tácticas e, mesmo numa corrida só com 10 dias – ou deveria dizer: principalmente em corridas com dez dias? -, é preciso
“ler” o percurso e decidir onde atacar de forma a obter ganhos.

Claro que o exemplo das equipas portugueses – a maioria delas – não é para seguir. Isto enquadra-se na tal singular característica do ciclismo português onde, o que
“conta” é a Volta. Mas nós estamos estamos errados. E, creio, ficará explicada a não aparição das equipas estrangeiras nesse luta completamente doméstica. O tal ir atrás de uma vitória numa etapa e conseguir com isso… ganhar a temporada!?

Hoje as formações estrangeiras já tentaram a sua sorte. E a Kaiku, lançando metade da equipa na grande fuga do dia, deixou a descoberto a sua intenção. Não só buscaria na esperada indefinição no grupo da frente a sua oportunidade, como, inegavelmente podia fazer
“descansar” a outra metade no “rame-rame” do pelotão, onde mais não teriam que fazer do que acompanhar o ritmo imposto.

Depois, e antes da parte final, ficou demonstrado que só a Imoholding-Loulé terá feito mais do que apenas
“ver no que dá” na fuga. O protagonismo conseguido por Renato Silva – grande corredor e do qual me tenho esquecido (desculpa Renato) quando falo da “velha” Maia – não chegou. Nada que seja menos do que o triunfo na etapa vale nesta Volta.
E quem o conseguiu foi mesmo a Kaiku (uma das equipas espanholas com fim anunciado) com Gustavo César a aproveitar a falta de pernas dos seus últimos rivais – que na própria fuga, o somar de quilómetros acabou por fazer uma selecção – e a ser o primeiro no alto de St.ª Quitéria.

“Despachada” a questão de quem melhor aproveitou a etapa, voltemo-nos para quem teve que… controlar. E era evidente que a Madeinox não ia sequer tentar defender a liderança de Lizuarte Martins. Então quem sobrava? Pois é… a LA Alumínios-Liberty. Outra vez.

Aqui é necessária mais uma
“leitura” da corrida.
Escrevi-o logo no primeiro dia que a LA só tinha trabalhado no pelotão, e depois na parte final, porque Cândido Barbosa assim o
“exigira”. Explico: creio ter ficado claro que o corredor da Rebordosa queria mostrar a si próprio que era capaz de estar ao mais alto nível desde o início. Mas disso não terão culpa os seus adversários.

Aliás, ficou mais ou menos a descoberto que as demais formações não teriam podido pretender controlar o pelotão desde Portimão. Hoje mesmo, numa altura em que se esperavam revelações quanto às intenções das outras equipas que albergam no seu seio putativos candidatos, se percebeu que as coisas não estão tão fáceis assim. A Maia-Milaneza até atacou a subida final, com Danail Petrov que acabaria a etapa em… 13.º.

Ao contrário do que Cândido Barbosa – e o seu técnico, Américo Silva – disseram hoje, as outras equipas não estão alheadas da corrida. Têm é dela uma visão mais realista. Se a LA assumiu o seu (da corrida) controlo desde o primeiro dia, não podem os seus elementos vir agora dizer que os outros não ajudam. A verdade é que todos os analistas melhor preparados vaticinaram uma Volta a dois tempos, sendo que nenhum deles
“exigiria” a presença das equipas dos grandes favoritos a trabalhar “forte e feio” desde Portimão. A formação da Charneca fê-lo. Os outros pensarão, concerteza, que “se o fizeram é porque estão capazes de arcar com as despesas daí inerentes”. Nos primeiros dias ninguém da LA se queixou… Hoje já apareceram críticas.

Eu saio para 15 dias de férias com 500 euros para gastar… se gastar 200 nos primeiros dois dias já sei que nos restantes vou ter que por um travão aos gastos. Se um amigo que esteja comigo tiver 1500 euros para os mesmos 15 dias e gastar os tais 200 nos dois primeiros dias… não pode querer que, ao terceiro, eu vá comer marisco com ele. Não tenho dinheiro que chegue.

Concluindo, passando por cima de pormenores,
Dos candidatos à vitória final, Cândido Barbosa é o melhor classificado, Pedro Cardoso (Maia-Milaneza) está a 20 segundos de Cândido, Nuno Ribeiro (LA Alumínios-Liberty), também a 20 segundo, tal como Danail Petrov (Maia-Milaneza). Claus Möller (Barbot-Halcón), está a 39 segundos, Andrei Zintchenko (Riberalves-Alcobaça), a 52, Hugo Sabido (Barloworld), a 58 e Alexander Efimkin, da mesma equipa, a 1.00 minuto.
Nada está ainda definido e quando daqui a seis meses falarmos do resultado final da Volta já ninguém se vai lembrar quem foi que trabalhou mais na cabeça do pelotão. Mas, volto a frisar, essa opção – que todas as outras equipas de todos os outros candidatos negaram – foi assumida de livre vontade pela LA Alumínios-Liberty.

Ainda hoje José Azevedo, com a opinião que o seu estatuto respalda, reconheceu que, estando a corrida como está, é à LA que cabe controlar a corrida.
Cada um deita-se na cama que faz.


Só uma última palavra para o André Vital (Madeinox) que, vendo o Cândido a "ficar-se", festejou à passagem da meta como se tivesse ganho a etapa. Não é a primeira vez que assisto a uma situação destas. O corredor não estaria informado de que, à frente daquele grupo iam ainda três corredores e fez a festa. Falta de informação, e a adrenalina em alto. Pena que o André Vital tenha que esperar por outra oportunidade.

terça-feira, agosto 08, 2006

192.ª etapa



SÃO DE... "ALUMÍNIO", AS VOLTAS PAD?



... nas últimas 5 edições da Volta - ao fim e ao cabo, aquelas organizadas pela PAD - o corredor com mais vitórias em etapas é... Cândido Barbosa, com 11 triunfos (em 62 etapas, quase 20%)?

... quem mais se aproxima, Angel Edo (Maia) e Claus Möller (3xMaia e 1xBarbot), mesmo juntos - 4 vitórias cada - somam 3 triunfos menos que o corredor de Rebordosa?

... se falarmos das equipas às quais pertencem/pertenceram os vencedore de etapas nestes seis (já contando com este) anos, a LA Alumínios leva 18 vitórias em etapas contra 11 da Maia e 6 da Kelme?

... que Viseu (que em 2007 será final da Volta) passou para segundo lugar na tabela de localidades que receberam partidas e/ou chegadas de etapas nas Voltas/PAD (desde 2001), com 4 chegadas e 4 partidas? Fafe manter-se-á como a mais "voltista" das localidades portuguesas pois já conta com 10 recpeções ao pelotão e ainda falta contabilizar a chegada de 5.ª feira.

... amanhã teremos a primeira chegada em alto desta edição da Volta, a 16.ª nas seis voltas (contando com esta) organizadas pela PAD e que só David Arroyo (LA Alumínios) logrou repetir vitórias em alto? Foram ambas em 2004 e o espanhol, que agora corre na Caisse d'Épargne, conseguiu algo inédito até hoje, que foi o facto de ter ganho no alto da Senhora da Graça e na Torre na mesma edição da Volta?

191.ª etapa




PORTUGUESES "IN"...



Não gosto, tenho que o dizer, mas entendo. As equipas portuguesas, a sua grande maioria, assenta sobre a Volta todas as baterias. A Volta é que interessa e, tudo o que aparecer pelo meio é benvindo mas, a mesma maioria, só recolhe esses dividendos em situações mais ou menos "acidentais". Eu escrevi: a MAIORIA!

Entretanto, aqui estamos nós em plena Volta. E que vemos? Pois bem, vemos que TODAS as equipas portuguesas - há duas em menor evidência, mas já lá vou - já têm algo contabilizado a seu favor. Vejamos:

- A LA Alumínios-Liberty ganhou 2 etapas, teve dois dias a camisola amarela e mostrou que tem força suficiente para controlar a corrida... sempre que quiser. Nota alta para o bloco de "operários" e um grande destaque para Cândido Barbosa que, afinal de contas, é um dos favoritos - talvez o mais favorito - ao triunfo final.

- A Carvalhelhos-Boavista conseguiu um dos seus objectivos (ganhar uma etapa) e juntou a isso o ter tido já a camisola amarela. Entretanto, mantém-se como uma das mais bem colocadas para a vitória no Prémio da Juventude. Sendo uma das menos "sonantes" das classificações secundárias, não deixa de ser importante, tanto que merece uma camisola especial.

- A DUJA-Tavira "ganhou" moralmente a 2.ª etapa - teve um homem em fuga até 400 metros do final - e, de facto, a terceira. Como factor menos positivo o facto de ter sido a única a não meter, hoje, um corredor na fuga do dia. Mas esteve nas outras fugas, nas outras etapas.

- A Madeinox-Bric já conseguiu mais do que aquilo que esperava. Ganhar uma etapa é o mínimo que TODA a gente deseja. Chegar à camisola amarela nem todos arriscam querer, mas a formação de Gaia conseguiu-o.

- Barbot-Halcon, Imoholding-Loulé e Paredes-Beira Tâmega têm trabalhado para aparecerem nas fugas e ambas já chegaram à liderança do Prémio da Montanha. É uma classificação secundária mas é também a segunda mais importante da Volta. Certo que as maiores montanhas ainda estão para vir, mas já apareceram estas equipas no pódio.

Ainda não foram ao pódio, mas tanto a Riberalves-Alcobaça como a Vitória-ASC têm vindo a estar presentes nas fugas, cumprindo outro dos objectivos a que se comprometeram: mostrar as camisolas, facturar, em termos de publicidade. Destaque aqui, e muito merecido, para Micael Isidoro, da equipa de Vítor Gamito.

- A Maia-Milaneza... tem estado discreta. Como equipa mais ganhadora da temporada não sentia a pressão da necessidade de se mostrar e os seus objectivos são mais altos. Quer ganhar a Volta e tem mantido os seus homens-chave na quietude (?!) do pelotão. Hoje já se mostrou, com Pedro Andrade e quem percebe o mínimo disto terá entendido o porquê. Natural daquela zona - é da Feira - e, de certeza, corredor fundamental para o trabalho que a equipa pretende fazer daqui para a frente, terá tido hoje a sua oportunidade pois daqui para a frente... vai ser trabalhar, trabalhar e trabalhar.

- Em relação à Vitória-ASC, na última meia dúzia de anos o seu director-desportivo, José Augusto Silva sempre conseguiu levar um corredor seu à camisola amarela. Não tendo sido hoje, começa a faltar tempo à formação de Guimarães, mas isto ainda não acabou... De qualquer modo, e porque estou a fazer uma primeira avaliação às equipas nacionais nesta Volta, a Vitória-ASC será aquela que menos tem para mostrar.

Quanto às formações estrangeiras... Bem, a Barloworld apareceu logo na primeira etapa mas depois... esfumou-se. Até se pode compreender isto se o traduzirmos numa opção: a de pôr à frente um triunfo final, poupando o colectivo a desgastes desnecessários. "Traduzindo": não vieram cá para ganhar etapas, mas para ganhar a Volta. Atenção a esta equipa!

A Lampre apareceu hoje no comando do pelotão, como a Kaiku e a Comunitat Valenciana já tinham feito antes, nas primeiras etapas; a ELK austríaca apareceu em duas etapas, em fugas (principalmente na 1.ª), e, tanto a Relax como a Flaminia ainda não fizeram nada de registo, pese a participação de homens seus em algumas situações de fuga. Nada de significativo.

Ora, lendo isto, a primeira coisa que salta aos olhos é que a Volta está a ser dominada pelas formações nacionais. Ainda bem. Agora falta que se confirmem algumas indicações que apenas ficaram afloradas. De qualquer dos modos, quase todas as equipas já fizeram o suficiente para justificarem perante os seus patrocinadoes o investimento destes.
O que era mesmo preciso era que os apoios fossem maiores de forma a que fosse possível as equipas terem mais corredores e, desta forma, estenderem os seus objectivos por toda a temporada. Assim, estão condicionadas, e muito, levando os respectivos técnicos a "encolherem-se" na maior parte da época de forma a chegarem à Volta em condições de fazerem... isto que está à vista.

Senhores patrocinadores - os existentes e aqueles que poderão vir a entrar no ciclismo - façam as contas. Vale ou não a pena apostarem um poucochinho mais no ciclismo? Não gostariam todos de um dia ter as suas cores e nomes no pódio da Volta? Vá lá... acreditem. Vale a pena.

190.ª etapa



MAIS UM DIA DE GLÓRIA PARA "MESTRE" EMÍDIO PINTO



Mais uma estraordinária etapa e, sabendo que me estou a repetir, graças à transmissão televisiva, muitos pontos concerteza ganhos pela modalidade. Quem ainda duvidava da paixão que os portugueses sentem pelo ciclismo está a ter a prova provada do contrário. Isto é bom. Os patrocinadores concerteza que estarão atentos e podem atestar o quanto pode ser bem lucrativo o seu investimento na modalidade.

Hoje o pelotão "decidiu" permitir que uma fuga chegasse a bom termo. Claro que eu sei que as coisas não terão sido tanto assim, mas a verdade é que, com a aproximação ao Norte do País, com a chegada das primeiras verdadeiras grandes dificuldades, a corrida mudou de figurino. Ainda bem, embora reconheça que as chegadas ao sprint são sempre mais espectaculares.

Mas o público não deixa de aplaudir os esforços individuais e as gentes de São João da Madeira (outra vez uma enchente de fazer corar de vergonha o luso futebol) mostraram isso mesmo.

A fuga, iniciada cerca de 1 km depois da partida de Viseu consolidou-se com a presença de nove homens - um de cada equipa, das portuguesas, faltando apenas a representação da DUJA-Tavira - chegou a ter 14.30 minutos de vantagem, depois o grupo fraccionou-se e, já na parte final, Carlos Nozal (LA Alumínios-Liberty) logrou isolar-se e chegar sozinho à meta, com Pedro Andrade (Maia-Milaneza) a ser segundo, alguns segundos depois, e, a seguir, mais dois corredores: Lizuarte Martins (Madeinox-Bric) e José Sousa (Vitória-ASC), os dois homens que mais perto estavam do anterior líder (Lizuarte estava a 50 segundos) e o filho mais velho dessa grande figura do nosso ciclismo dos anos 70, que foi José Martins, a conseguir, também com os 4 segundos de bonificação alcançados, destronar Cândido Barbosa do primeiro lugar na geral.

Mais um dia de glória para a formação liderada por Emídio Pinto. O ano passado conseguira ali, em São João da Madeira, a vitória na etapa, com Bruno Neves, este ano, não ganhando a tirada conseguiu feito ainda maior: a camisola amarela. Mais uma página de ouro na história desse grande homem que é o "mestre" Emídio Pinto que, com 74 anos de idade é apenas 5 anos mais novo do que... a Volta a Portugal. Nasceu no ano da segunda edição da prova que até amanhã à tarde lidera com um corredor seu, ele que já tantas vitórias conseguiu tendo a primeira (na Volta, e estou a referir-me à geral final) acontecido em 1981, com Manuel Zeferino, então no FC Porto. Emídio Pinto é também o único técnico português que dirigiu uma equipa no Tour, o Sporting, também ela a única formação nacional a estar presente na corrida francesa. E ganhou uma etapa com Paulo José Ferreira. Foi em 1984, poucos meses depois da morte de Joaquim Agostinho.

De regresso à etapa - mas este pequeno momento dedicado a Emídio Pinto é de todo justificado -, o que aconteceu é bom de se perceber. Com quase todas as equipas representadas na fuga (destaque para o facto de nenhuma formação estrangeira lá estar) e com a LA desta vez a não deixar de meter lá um corredor seu, tardou a encontrar-se quem "mandasse" no pelotão. Por isso a fuga atingiu a vantagem que atingiu. Já depois da passagem pelo Caramulo lá apareceu a Lampre na frente, depois, também a LA - Nozal está muito atrasado na geral e não era, nem de perto nem de longe, o homem ideal na fuga, para as aspirações da equipa da Charneca -, mais tarde também a Barbot-Halcon deu uma ajuda e, numa altura em que do grupo, que fora de nove, já só iam 4 corredores escapados, a sua vantagem começou a diluir-se para, na meta, não chegar a ser de 2 minutos, isto para Nozal. Lizuarte Martins e José Sousa chegaram já com o grosso da coluna na sua sombra, tanto que, não fora as bonificações, Cândido Barbosa manteria a liderança. Assim está a gora a 1 segundo do corredor da Madeinox.

Destaque ainda para Bruno Barbosa, da Paredes Rota dos Móveia-Beira Tâmega, que é o novo líder do Prémio da Montanha. Das camisolas à partida, só Manuel Cardoso conservou a do Prémio da Juventude.Todas as outras mudaram de "dono". Aqui uma curiosidade. Pelas minhas contas, nas duas últimas edições da Volta, com 14 etapas disputadas, Cândido Barbosa só terá andado UM DIA com o equipamento da sua equipa...

E uma palavra ainda para as formações portuguesas. Estão "mandonas", impõem-se às estrangeiras convidadas e estão a fazer desta uma das Voltas mais portuguesas dos últimos anos. Muito à custa dos jovens valores que têm vindo a pautar a temporada doméstica. Muito bem.

segunda-feira, agosto 07, 2006

189.ª etapa




OLH'Á ROTUNDA!



Curiosamente, ontem tivemos hipóteses de ver na televisão, já na parte final da etapa, que um corredor da Imoholding-Loulé - no caso, o espanhol Alejandro Marque - a dada altura cumpiu à risca o código da estrada e contornou uma alongada rotunda, ao contrário do que fizera antes Luís Bartolomeu e viria a fazer, depois, o pelotão.

As corridas de ciclismo NUNCA atropelam o código da estrada. Mesmo quando, e isso acontece algumas vezes, rolam em contra-mão por vias de sentido único. Ou não contornam uma rotunda, seguindo sempre pela esquerda.

Como todos sabem, o código da estrada contempla a possibilidade de, tanto os sinais luminosos como os fixos, verticais ou horizontais, poderem ser "anulados" por um agente de trânsito. As indicações humanas - dadas, claro, por agentes da autoridade competente - sobrepõem-se às demais. Por isso todo o espaço entre o primeiro agente do destacamento da Brigada de Trânsito da GNR que acompanha a corrida, até ao último é considerado... neutralizado no que respeita ao código da estrada. Por isso os corredores e, principalmente, as motos que acompanham a corrida, rolam muitas vezes à esquerda da estrada. Sem que daí venham problemas legais.

Mas porquê este palavreado todo?, perguntar-se-ão os meus fiéis leitores.

Porque, sempre que isso facilite a trajectória do pelotão (mas lá está, toda a caravana está dentro do tal troço neutralizado em termos de código da estrada) e, principalmente, sempre que a situação sirva para evitar problemas mais bicudos à caravana... fazem-se, por exemplo, rotundas pela esquerda.

Mas está SEMPRE alguém com uma bandeirinha amarela a assinalar a existência da rotunda e, ou a "abana" para uns dos lados, se fôr por esse que a caravana vai ter de passar, ou para os dois, acima da cabeça do indivíduo que a segura, se a ambas as opções forem permitidas. E quantas vezes não vimos já espectaculares imagens de um pelotão "rachado" a meio para voltar a reunir-se algumas dezenas de metros mais à frente, contornando, por ambos os lados, uma rotunda?
NÃO pode acontecer é que NÃO ESTEJA LÁ NINGUÉM, que a caravana passe pelo lado mais à mão mas que, depois, haja corredores aos quais se depara um separador físico que os impede de se juntar aos demais. Aconteceu hoje.

Curiosamente, as imagens da televisão deixaram-me em suspenso até agora. Vi vários (muitos) corredores a "falharem" - não cabiam lá todos - a entrada na faixa de rodagem certa; depois vi alguns (ainda uns quantos) a subir o lancil e a atravessar a zona de relva para, descendo o lancil do outro lado, se reagruparem ao pelotão, e ainda vi pelo menos um (da Maia-Milaneza) a rolar sozinho... em sentido contrário, apesar de precedido por algumas motos. Depois mais nada até... ver trânsito a vir de frente, em relação à corrida, por essa mesma via onde instantes antes seguiam motos e corredor da Maia. Deduzo - e espero-o sinceramente - que nada aconteceu. Esse corredor terá "saltado" a divisória mais à frente (porque a maioria aproveitou uma abertura no separador, algumas dezenas de metros antes, e ele não. Continuou... em contramão!!!)

Neste caso concreto, teria sido aconselhável a indicação de que a rotunda seria para contornar pela direita.

188.ª etapa



ESTÃO LÁ E MERECEM TODO O RESPEITO



A etapa de hoje não tem muito que contar. As fugas, normais e habituais, o reagrupamento e o lançamento do sprint final para a vitória de... Martin Garrido. O triunfo ao qual era apenas candidato, na véspera, foi hoje alcançado com toda a justiça.
Mas a DUJA-Tavira soube merecê-lo. Curiosa foi a expressão de Vidal Fitas, o técnico tavirense, e muito bem aproveitada pel'O JOGO, em relação à tirada de ontem: «Perdemos a etapa duas vezes». Parece algo impossível de acontecer, mas é verdade. O Tavira, ontem, perdeu a hipótese de ganhar com Luís Bartolomeu, apanhado a 400 metros da chegada, e depois... bem, não podemos ter como "certa" a vitória de Martin Garrido em Lisboa, mas também não podemos garantir o contrário.

Mas hoje o argentino fez valer a sua força, no sprint final e bateu claramente Cândido Barbosa. Este, tal como se esperava - ele não gosta de perder nem a feijões (e isso é bom) - não deixou de lutar pela vitória por forma a mostrar, "Urbi et Orbi", que ganhará sempre que puder. Não precisava era de desculpar-se com "azares", como o de o seu lançador ter tido um problema, quando os rivais... nem lançadores têm...
Mas pronto, o Cândido é assim.

Vitória na etapa para a DUJA-Tavira e, no mesmo dia, a liderança do Prémio da Montanha para a Imoholding-Loulé, com Joaquim Gregório. Duas equipas - as duas equipas - algarvias em destaque, duas equipas pequenas a mostrarem que também estão na Volta. E estão muito bem. Como todas as outras.

Impossível de ignorar é o facto de, à excepção de Cândido Barbosa - parece que está a discutir uma corrida de... seis dias (aqueles que vão até ao descanso) - todos os outros potenciais candidatos têm estado... escondidos.
Será que estão acomodados na tal "almofada" que o facto de as respectivas equipas já terem resultados para mostrar lhes proporciona? Isso quereria dizer que a LA Alumínios-Liberty está a querer fazer na Volta aquilo que não foi capaz de fazer ao longo da temporada.
Até aqui.

187.ª etapa




E O CIRCO DESCEU À CIDADE...



Ontem visitei a Volta. Uma situação inédita para mim, habituado a, nos últimos 15 anos , fazer parte dela, no "pelotão" de jornalistas. Inédita e... estranha. Senti um enorme vazio por não ter o meu lugar à frente de um computador... Mas a vida continua e gostava de agradecer o grande carinho que os meus camaradas de lides me dispensaram.
(Eu também sinto a vossa falta, companheiros.)

Sem a preocupação de estar concentrado na corrida pude "cirandar" um pouco pelos bastidores. É significativo o esforço que a organização vem a fazer para criar um ambiente paralelo ao da corrida em si, levando à "village" figuras públicas de outras áreas, colunáveis, "habitués" das revistas "cor-de-rosa" e dos tablóides. Acontece também, por exemplo, na Vuelta - e estou sempre a falar da Vuelta porque é a corrida no estrangeiro que melhor conheço.

Foi "palpável" o interesse do público em ver de perto as figuras que só vê na televisão ou nas reportagens sobre o "jet-set" naquelas publicações. Mas atenção! Quem quer que seja que mande - e fiquei "incomodado" por ter percebido que há muita gente a mandar e nem sempre se entendem entre si - deve ter chumbado consecutivamente a geometria pois parece desconhecer a primeira, grande e ÚNICA definição de PARALELO. Que NUNCA se encontram, não é verdade?

Onde quero chegar? Pois bem, que exista uma "feira" paralela ao ciclismo - com figuras mais ou menos exóticas - tudo bem... mas levar o senhor (?) José Castelo Branco ao pódio, por todas as alminhas... Não havia necessidade.
Que, por uma questão de conveniência muito particular, tenhamos que suportar as "forças vivas" locais, ainda dou de barato. Também na Vuelta os señores alcaldes têm lugar marcado no pódio, mas figuras (???) criadas por uma dada imprensa???
Meus senhores, não misturem as coisas. Não confundam as coisas. Não se confundam e não confundam os espectadores. Mais... tenham o mínimo de respeito, que a isso eles têm direito, pelos verdadeiros e ÚNICOS heróis da Volta: OS CORREDORES.

Aquele... aquela... sei lá o quê? Aquela "coisa" de fato preto e chapéu a condizer, com fita amarela - repararam no pormenor da fita amarela? - JAMAIS cabe num pódio. Foi, mais do que provocador ou de simples mau gosto. Foi asqueroso. E quem teve a "brilhante" ideia uma coisa, pelo menos, ganhou: a minha total indignação. Minha e, de certeza, de muitas outras pessoas.

Não levem tão à letra isso de às vezes nos referirmos à Volta como o "circo". Sem qualquer espécie de desprimor por essas figuras fundamentais para o verdadeiro circo, PALHAÇOS, ali, NÃO!!! NUNCA!

E, estando misturado entre os espectadores, fui OBRIGADO a afastar-me por não suportar que as pessoas se acotevelassem, pisassem e empurrassem quem estava por perto, não para ver os corredores mas para verem a tal figura. LAMENTÁVEL. Mil vezes lamentável.

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Lamentável foi também o que aconteceu já depois de cortada a meta. Ao querer aproveitar ao máximo a excelente recta, a organização "esqueceu-se" da fundamental zona de desaceleração, ainda por cima quando se adivinhava a chegada de um pelotão compacto e bastante embalado. Aconteceu, pois, uma sempre indesejável queda colectiva, com alguns (demasiados - numa situação destas) corredores a sairem maltratados.

Lamentável também que, poucos instantes depois do acidente circular já no ar a mais "conveniente" das justificações: a culpa terá sido de um repórter fotográfico. Caramba... é preciso que aquele momento único, da vitória numa etapa, fique perpectuado através das fotos que os profissionais tiram e o seu local de trabalho é ciosamente limitado pela organização. Mesmo que tenha sido por um profissional se ter mexido para fazer o seu trabalho, estava dentro dos limites que lhe impõem para o fazer e não é ele que tem de arcar com as culpas que deveriam ter sido assumidas pela organização ao não prever a tal zona de desaceleração após a meta, sabendo que, quando os corredores da frente tivessem necessidade de travar para não entrarem pelos jardins da Praça do Império dentro, os que vinham atrás, ainda a rolar a grande velocidade esbarrariam inevitavelmente com os da frente. Mesmo que ali não estivesse ninguém...

Já gora, e porque é que estava tanta gente naquele espaço de pouco mais de 50 metros? Quem era aquela gente? Na televisão vi populares a circularem por entre os corredores caídos, um deles chegou mesmo a segurar o doutor Marcos Miranda por um braço. Era familiar de algum corredor, preocupado com este? Mesmo se fosse NÃO PODIA estar ali.

E termino com uma observação. Rápida, que fiquei farto de "ferir" susceptibilidades ou estilhaçar amores próprios e auto-estimas. Apresento só UM FACTO.
Porque é que na Sala de Imprensa da Vuelta há quatro vezes mais jornalistas que na da Volta e nas chegadas há quatro vezes menos?

186.ª etapa



AI, AQUELA ESTRADA TÃO INCLINADA!!!



A 2.ª etapa desta Volta foi, uma vez mais, uma jornada de boa propaganda para o ciclismo e veio confirmar algumas situações que aqui deixara mais ou menos previstas. Os "gloriosos malucos das fugas" não esperaram muito para se mostrarem e logo aos dez quilómetros já um grupo de seis unidades se isolara e, paulatinamente, ganhava tempo. E ninguém, é bom de ver, pensou sequer em saltar para a frente do pelotão. A equipa do líder que se preocupasse. De tal forma que Cândido Barbosa, descaíndo até ao seu primeiro carro de apoio conferênciou durante alguns momentos com Américo Silva. Presumivelmente para acertarem estratégias. Se ninguém ajudasse lá na frente, provavelmente a LA Alumínios-Liberty abandonaria a pretensão de, sozinha, assumir a perseguição.

Todos sabemos que, seja através do "passa-a-palavra" entre corredores, no pelotão, ou via rádio, entre os directores-desportivos, se trocam sempre impressões. Terá acontecido isso e foi quando a Carvalhelhos-Boavista apareceu na frente do grande grupo. Não vou dizer que não se estranhou serem os boavisteiros a dar uma mãozinha à equipa da Charneca, mas no fundo até se percebe: afinal José Santos tem na equipa um jovem que podia bater-se pelo triunfo, na chegada. Manuel Cardoso, claro, que já no GP da Costa Azul não teve receio de medir forças com o "grande" Robbie McEwen...

Mas já vamos à parte final.

Voltemos aos fugitivos que, embora, a partir da passagem por Vila Franca tenham visto a sua vantagem a ir diminuindo progressivamente, lá iam resistindo na frente, até que as forças começaram a faltar e, um a um, foram ficando para trás deixando apenas Luís Bartolomeu (DUJA-Tavira) na frente da corrida. E como o jovem algarviu lutou para chegar sozinho a Lisboa!

Mas o pelotão, entretando com os espanhóis da Kaiku a assumirem a marcação do ritmo - que foi de tal modo elevado que suscitou até "avisos" por parte de alguns adversários para "terem mais calma" - recortou distâncias e quando Luís Bartolomeu entrou nos últimos mil metros trazia já o grande grupo na cola. Foi quando presenciámos a primeira das coisas "estranhas" da etapa, agitada na sua parte final. Com Bartolomeu a gastar as últimas energias para manter-se na frente, surge na cabeça do pelotão, a puxar até "morder a língua", um corredor da... DUJA-Tavira!!! Não sabia que o companheiro de equipa ainda seguia isolado ou, ciente de que ele não conseguiria chegar na frente, "aquilo" era já trabalho para preparar a chegada de Martin Garrido? O facto de, pouco depois ter "aberto" e ficado claramente para trás faz-me inclinar mais para a primeira hipótese.

Abreviando: Bartolomeu foi apanhado com a meta à vista, o pelotão apresentou-se bem compacto para a discussão da chegada e foi quando aconteceu "aquela coisa chata" de a estrada se ter inclinado tanto para a direita que, "resvalando", o pobre do Cândido Barbosa só não foi cair ao Rio Tejo porque estava lá o argentino Martin Garrido que o "emparou" no seu ombro esquerdo...

Cândido ganharia a etapa sem grande dificuldade, creio que ficou claro, mas aquela "varredela" de estrada, duma berma à outra, valeu-lhe a desqualificação. Sem discussão, creio eu, de tão evidente a falta.

Diz-se que as dificuldades de uma etapa são os corredores que as fazem. Ontem foi a organização que se encarregou de arranjar um "caso"... Tratou-se de uma precipitação e podia não ter acontecido.
Para quem não tem acesso aos bastidores de uma etapa, explico que, muitos poucos segundos depois de os corredores passarem a meta, a pessoa encarregue do "photo-finish" disponibiliza a classificação da etapa. Para isso servem os "transponders" que os corredores levam nas bicicletas. Ao passarem a meta o sinal emitido pelo "transponder" é captado pelo sistema electrónico instalado na linha de chegada, a informação enviada a um computador e este encarrega-se de transformar os sinais em números e nomes. Automaticamente sai na impressora a lista dos primeiros 15 e o computador faz as contas com aqueles dados e alinha uma primeira versão da classificação geral individual.

Mas a apreciação técnica e disciplinar de uma chegada é feita por humanos. O computador "não sabe" as regras do ciclismo. Por isso aquelas classificações são provisórias. Apesar de a irregularidade do Cândido ter tão clara que toda a gente a viu, talvez - digo eu, que não o sei com certeza - o Colégio de Comissários tenha decidido visionar a chegada para sustentar aquela que já seria a opinião do juíz de meta e passaram alguns minutos até que a decisão de desqualificar o camisola amarela por sprint irregular fosse tornada pública. Entretanto, alguém decidiu avançar de imediato com a cerimónia do pódio, pelo que Cândido Barbosa subiu ao grande palco, recebeu a faixa de vencedor da etapa e, só não vestiu a nova camisola amarela porque a decisão do colectivo de juízes até foi rápida...

Foi... "chato". As pessoas não gostam e o "tribunal" popular não costuma ser complacente nestas situações, mas é preciso que deixe aqui uma ressalva. Não é inédito - nem sequer raro - seja em que corrida fôr, mesmo nas maiores do Mundo, que, por necessidade, muitas vezes estreitamente ligada a compromissos, nomeadamente, com transmissões televisivas em directo, que a cerimónia do pódio não possa demorar. Acontece amiúde nas grandes etapas de montanha, nas corridas como o Tour, a Vuelta ou o Giro, nas quais o líder da classificação por pontos, quase sempre um sprinter, vem muito atrasado, às vezes com mais de meia hora de atraso. A cerimónia do pódio avança logo que haja condições para se saber quem é o novo (se for o caso) camisola amarela, ou este chegue à meta.

Apesar de "nós" termos visto e "termos a certeza" da existência de uma falta passível de ser penalizada com desqualificação, não é OBRIGATÓRIO que a cerimónia protocolar espere pela decisão do Colégio de Comissários. Não consta dos regulamentos. E às vezes o colectivo de juízes demora até chegar a uma decisão.

Parece que estou a "dar uma no cravo e outra na ferradura", mas não. Acho importante que as pessoas que seguem o ciclismo saibam destas coisas. Por isso, embora tenha classificado de precipidada a decisão de se avançar com a cerimónia de pódio, não quero deixar de chamar a atenção de que, muitas, mas mesmo muitas vezes, a decisão dos juízes só chegar muito mais tarde, mesmo quando o povo já desmobilizou e terminou o espectáculo. Já me aconteceu inclusivé ter de refazer toda uma crónica porque há alterações na classificação. Por isso...

Mas falta falar do homem que, no final foi mesmo declarado vencedor da etapa e, mercê da colocação de Cândido Barbosa como último do pelotão passou a liderar a classificação geral no desempate pelos pontos de chegada.
Foi Manuel Cardoso, da Carvalhalhos-Boavista. É um dos grandes jovens valores que o pelotão nacional apresenta este ano e, recordo, já na véspera, em Beja, ousara enfrentar, ainda de longe, o consagrado Cândido Barbosa. Manuel Cardoso, na sua primeira participação na Volta logrou, não só vencer uma etapa como chegar à camisola amarela.
É bom. É bom para ele, claro, mas também para os outros (muitos) jovens do pelotão. Todos terão ontem sentido que os seus mais secretos sonhos são possíveis.

E é muito importante valorizar o triunfo de Manuel Cardoso e o facto de ter subido à liderança. Muito mais do que vincar a desqualificação de Cândido Barbosa.

sábado, agosto 05, 2006

185.ª etapa



AVISO À "NAVEGAÇÃO"




Virá atrasado, mas também não me imponho a mim mesmo grandes regras no ir preenchendo este espaço.
O que quero dizer é que, durante a Volta, sempre que puder, terei duas intervenções distintas. A primeira, ainda a quente, será a visão, até emocional, do apaixonado pelo ciclismo. Mais tarde, voltarei com um olhar mais frio sobre o que "deu" a etapa.

O meu muito obrigado a todos os que aqui vêm, gastando alguns minutos só para me lerem. Obrigado.

184.ª etapa




VAMOS PELO "ATAQUE É A MELHOR DEFESA?»



Escapa a todas as tácticas, mas do «Convento só sabe quem está lá dentro».
Socorro-me do dito popular para tentar perceber a estratégia da LA Alumínios-Liberty.
Ok... vamos "puxar a fita atrás" e fazer um exercício de enquadramento do que estou a querer dizer...

Em que grande prova por etapas é que um dos, senão o principal, candidato assume a camisola amarela no primeiro dia? Ainda por cima numa corrida com as características da Volta a Portugal?

É uma volta pequena, de apenas dez etapas e este ano com a agravante de as etapas presumivelmente decisivas serem mesmo as... quatro últimas. Ditava a lógica que os potenciais candidatos se resguardassem e que as respectivas equipas tentassem ter o menor desgaste possível até ao momento "M". A LA mandou a lógica às malvas e, não só meteu um homem - Luís Pinheiro - na grande fuga do dia (o que até se compreende, já que alijeirava a equipa de uma perseguição sempre desgastante ), como não ganhou a etapa "por acaso". Não. Foi um trabalho preparado - e bem preparado, e melhor executado - para levar o Cândido à camisola amarela.

Se fosse eu... mesmo "atropelando" a tal lógica, teria feito o mesmo. A "alma" da equipa é Cândido Barbosa e se para ter o "corpo são" tivesse que sanar eventuais faltas de afirmação da "alma", ah!, não hesitaria.

E parece-me, a mim, que foi o que aconteceu. Ciente que está devedor, provavelmente, mais a si próprio do que em relação a terceiros, de resultados, este ano, o Cândido terá imposto a si próprio provar que a camisola amarela que lhe fora investida simbólicamente... já estava no dorso certo. Isto ultrapassa, como compreenderão, as frias jogadas tácticas. E desde quando é que Cândido Barbosa é um homem frio? E como poderia o seu director-desportivo ter-lhe impôs-to outra coisa se era isto que ele desejava?

Mas, em que pé ficamos, afinal? E é isto que mais interessa. Temos que, e volto à tal lógica, em vez de uma camisola amarela quase que irremediavelmente a prazo - e não fui o único a prever uma rotatividade da liderança nestes primeiros dias - a temos já na posse de um dos mais sérios candidatos. O cenário é o seguinte (sem querer fazer futurologia): caso o Cândido Barbosa não vença esta Volta a Portugal, ao contrário do que aconteceu o ano passado - quando ele a perseguiu tenazmente - é que... a teve e a deixou fugir. É muito arriscado. Tremendamente arriscado.

Mas que consequências terá isto na etapa de amanhã? Acho, sinceramente, que quase nenhumas. Nenhumas mesmo. Em jogo estão as vitórias nas etapas, objectivo máximo de 90% do pelotão, mas a LA não se livra de ser alvo de algumas... "provocações" durante a viagem até Lisboa. O que a obrigará, prematuramente, na minha opinião, a um desgastante estado de "alerta permanente".

Neste momento da corrida não há fugas inocentes. E o facto de o líder ser mesmo um dos principais candidatos à vitória final só vem baralhar as coisas. Que fará amanhã a LA perante uma fuga... como a de hoje, por exemplo. Claro, a primeira ordem de Américo Silva será a de que, qualquer que seja a tentativa, um dos seus homens tem que lá estar obrigatoriamente. Mas já não será como a fuga de hoje. Imaginemos que nessa fuga, para além do homem da LA - que nunca será o Cândido, nem o Nuno Ribeiro - vai um corredor de outra equipa que pode ameaçar os objectivos da equipa, em termos de história global da corrida. Só há uma coisa a fazer: perseguir. E a LA não vai encontrar aliados nessa tarefa. Toda a despesa da perseguição lhe cairá sobre os ombros (ou as pernas). O que leva a um desgaste, desgaste esse que os seus principais rivais olharão de sorriso nos lábios.

A equipa está preparada para isso - senão não tinha assumido a liderança da corrida no primeiro dia? Talvez. Quem nunca ouviu dizer que a melhor defesa é o ataque? A outra única explicação para o desfecho da etapa de hoje seria a de que Cândido estava mesmo a precisar desta "injecção" de confiança. E amanhã a equipa pode deixar "cair" a liderança. Nesse caso teria sido um grande e sonoro aviso à concorrência, que significaria, mais ou menos, isto: «Não façam pela vida não, é que nós não temos sequer medo de assumir a camisola amarela logo no primeiro dia».

183.ª etapa



ETAPA PARA "AQUECER"... O TANAS!



Também, quem é que ia precisar de aquecer sob aquele escaldante sol alentejano? Tivemos foi a oportunidade para ver excelentes momentos de ciclismo que, ao dar em directo na televisão, só pode ter sido uma impagável propaganda da modalidade. Estão, pois, de parabéns os bravos do pelotão.

E começo pelo fim. Espectacular o trabalho da LA Alumínios-Liberty que, como já tive oportunidade de escrever, mais do que uma vez, é a única formação portuguesa capaz de fazer aquilo. E digam-me lá, mesmo no Tour - no Tour deste ano - quantas vezes vimos um sprint tão bem desenhado? Aliás, a LA fá-lo porque tem dois homens exímios neste trabalho: Pedro Lopes e David Garcia. E a mecanização entre os dois e Cândido Barbosa está de tal forma "oleada" que quase atropelaram o pobre do Nuno Ribeiro. E o remate final do Cândido é arrebatador. A forma como ele solta os seus sentimentos é contagiante, por isso o povo gosta dele. E hoje ficou a gostar ainda um bocadinho mais.

No resto, só tenho a sublinhar a situação apertada vivida pela Maia-Milaneza que, ao não colocar nenhum homem na fuga se viu obrigada a ter de impôr o ritmo lá atrás, mas os tempos de Gonçalo Amorim, Paulo Barroso, João Silva, Carlos Carneiro e companhia já lá vão, e hoje Manuel Zeferino tem de fazer a omolete com os ovos que tem. Mas tinha de ser... Aliás, tacticamente a etapa foi perfeita. Sendo verdade que era imprescindível não deixar que a vantagem dos fugitivos aumentasse até ser irrecuperável, também é verdade que a parte final desse trabalho é sempre bem mais dura, por isso a Maia ficou com a primeira parte da despesa, deixando para a Comunitat Valenciana e Barloworld o trabalho de levar o pelotão aos 60 km/hora para anular a fuga.

As quedas são normais nos primeiros dias de qualquer grande corrida. É o nervoso, é estar num pelotão bem maior do que o habitual... é ciclismo. Espero que não haja consequências. Infeliz esteve Rui Lavarinhas. Entrapado num dos braços, lá foi outra vez ao alcatrão, e não queiram saber o que é uma queimadela num alcatrão a ferver!

Por último, mas não o último, Hugo Sabido. Muito bem o português da equipa que veio defender a vitória do ano passado e mete logo dois homens nos primeiros três. Também é candidato.

Amanhã devo estar em Lisboa. Para matar saudades. Citando Sérgio Godinho: «Eu matar não gosto muito, mas saudades é diferente!...»

sexta-feira, agosto 04, 2006

182.ª etapa



FAFE, É A RAÍNHA DO CICLISMO?



Somando todas as corridas que este ano já se realizaram em Portugal, o pelotão visitou - enquanto local de partida e/ou chegada, 81 localidades. Nada mau. Um campeonato de futebol, da I Liga, tem 34 jornadas, por isso, os três grandes - que são as equipas que o povo gosta - não visitam mais do que 15, o FC Porto, e 14 Benfica e Sporting.

Mas, para quem se tiver dado ao trabalho de contabilizar isto, uma coisa salta à evidência: a cidade de FAFE foi aquela que mais vezes abriu os braços ao ciclismo, tendo acolhido três partidas e outras tantas chegadas. SEIS vezes os fafenses puderam apreciar de perto o grande pelotão.

Mas eu tenho mesmo o gosto pelos números. Reparem nesta que, acredito - modéstia à parte - muito poucos terão consciência: nos últimos 5 anos (este ainda de fora), nas Voltas organizadas pela PAD, só uma cidade recebeu sempre, e em "dose dupla", a caravana. Exactamente, a cidade de FAFE.

De 2001 até 2005 SEMPRE a Volta teve uma chegada e uma partida desta cidade que, assim, faz o pleno. Por acaso, este ano só com uma chegada "estraga" as contas... mas uma coisa ninguém pode negar, se tivessemos que "eleger" a localidade RAÍNHA DO CICLISMO, o título estava entrege. A FAFE, pois claro!

Já agora, este ano, Santa Maria da Feira aparece em 2.º lugar, com duas partidas e três chegadas, e Castelo de Vide e Póvoa e Meadas, no Alentejo (graças aos Campeonatos Nacionais) mais a Póvoa de Lanhoso (outra vez no Minho, tal como Fafe), ocupam o 2.º lugar (contas só até à Volta), com duas partidas e duas chegadas.

Era interessante (talvez o faça) publicar o "ranking" das localidades mais amigas do ciclismo...

181.ª etapa



3... 2... 1... PARTAM, SENHORES CORREDORES (E BOA VOLTA PARA TODOS)



Pronto, aí está a Volta a Portugal, a primeira, nos últimos 16 anos, à qual não estou directamente ligado. É estranho o que sinto... mas não vou abusar da vossa paciência, ainda que este seja um espaço muito pessoal.

À última hora ainda surgiram umas ameaças de "bronca", com a Madeinox, mas, tanto quanto sei à hora em que escrevo estas linhas, parece que tudo não passou de uma tempestade num copo de água ou... de uma muito bem pensada manobra para chamar a atenção sobre a equipa.

É claro que fico feliz por tudo se ter (acho eu) resolvido a contento de todas as partes. Corredores como, só por exemplo, Bruno Neves ou Cláudio Faria não mereceriam este "tirar do tapete" por parte dos patrões da equipa.

Vi a festa de apresentação, na televisão. Muitas gravatas, muita "palha" para se chegar ao que interessa, que são os corredores, mas pronto, a televisão é assim. Investiu-se dinheiro e qualquer coisa que traga retorno é válida. Por acaso, nos outros anos nunca vira a apresentação. Normalmente estava a trabalhar na sala de imprensa, mas era mais ou menos isto que calculava. Salvo alguns erros imperdoáveis - no nome de alguns corredores ou técnicos, como o "Severino", técnico da Maia... Mesmo que o jornalista em causa ande um ano sem fazer ciclismo, já fez tanto que a asneira não pode passar em claro. Nem tem razão para estar nervoso, ele, habituado às câmaras, nem para se ter esquecido do nome de um dos principais nomes do pelotão. Mas enfim... o que interessa é a corrida e essa só amanhã teremos na estrada.

Hoje enchi a casa de jornais. Comprei TODOS!... A BOLA só amanhã traz o destacável - uma opção arriscada (porque acaba por ser o último a apresentar o trabalho de apresentação da Volta) mas bem tomada. Será também o único que trará as informações fundamentais - como a lista dos participantes - correcta.

Hoje, apesar de ter achado "curta" - se calhar ainda sai algum destacável amanhã - a apresentação n'O JOGO, achei-a interessante. Até agora (não faço ideia de como sairá a d'A BOLA) foi a que mais informação trouxe, pena é que aqueles quadros das equipas seja quase ilegível. Eu tive de usar uma lupa! E a solução gráfica acabou por não ajudar nada.

Nos generalistas - Correio, JN, Diário de Notícias e 24 Horas - nada de novo. A mesma apreciação "chapa 4" - como costumamos chamar-lhe - as mesmas palavras, os mesmos candidatos....

A propósito de candidatos, é sempre com enorme atenção que vejo o que cada um pensa. E reconheço que é difícil fugir à... banalidade. São os mesmos de sempre.

Atento, sempre, ao que se foi passando ao longo da temporada, juntando-lhe o que tenho como mais valia por mim, que é o facto de conhecer muito bem o pelotão, e olhando o traçado da Volta, sem fugir nem um milímetro ao que escrevi na primeira vez que me referi, aqui, à Volta, acho que à maioria escapa aquele que é... o MEU candidato.

Repito, tendo em consideração o traçado da Volta, acho que na lista uniformizada, que todos apresentam, está a faltar um nome. Claro que, se eu fosse bom a acertar já tinha ganho o Euromilhões...

Mas para que depois não digam que apenas me "colei" à solução após resolvido o problema, sem dizer qual é ele, o MEU candidato, deixo uma pista... que é quase um enigma.

Para mim, por TODAS as razões (depois explico) um dos mais fortes candidatos ao triunfo final na Volta é... é... não posso dizer. Mas eis a pista: TSRBRNCNH.

Só faltam as vogais. Depois, no dia 15 ao fim da tarde, voltaremos a este... enigma. Até pode ser que eu acerte!

180.ª etapa



DE IR ÀS LÁGRIMAS!...



... a rir, claro. Sei que o assunto é demasiado sério para ser recebido com um sorriso, mas o que li hoje só me faz rir. Então, um corredor - presume-se que profissional - dá uma entrevista, que terá chegado a Portugal via agência, na qual dirá que, cito, «Sem doping ninguém vence»... Corredor do qual não se sabe o nome... nada! Como é que eu nunca me lembrei de fazer uma "entrevista" assim?... Ao menos o Jesus Manzano, que não pode sequer chegar-se ao pelotão - e levou quase ao ostrascismo o jornalista que recolheu o seu depoimento - teve a coragem de dar a cara.

Mas já estou a imaginar manchetes nos desportivos: «Jogador, que não quer que se revele o nome, garante que, sem ser em fora de jogo não se marcam golos».

É mentira!..., exclamarão quase todos. Toda a gente sabe que se marcam golos perfeitamente legais e até se marcam muitos. É verdade. E não se ganham corridas sem recorrer ao doping? Não???

E um serviço de agência com esse conteúdo, teria alguma espécie de aceitação por parte da comunicação social (agora vai em caixa baixa de propósito)? Expor-se-iam a esse ridiculo? Eu acho que não... mas isso sou eu...

A entrevista (???) foi tão bem aceite que, a dado ponto se se refere ao tal "ciclista" como o... BUFO. Pois. Mas lá saiu.

Entretanto, Jan Ullrich volta a ser notícia. Terá gasto 35 mil euros em produtos proíbidos.
Claro que não vou perder os próximos números. Pode ser que alguma agência revele quanto gastou o Justin Gattlin... ou o Ben Johnson...

E vou ver se descubro quem terá sido a "estrela" que conseguiu «seis vitórias importantes» em... 2000, passaram seis anos, mas pode ser que consiga alguma pista.

Mas porque é que nunca me lembrei de "fazer" uma entrevista destas? Será porque sou sério?

quarta-feira, agosto 02, 2006

179.ª etapa



TERRA-A-TERRA...



... Castelo Branco e Beja com, respectivamente, 26 chegadas e 26 partidas e 25 chegadas e 27 partidas, são as localidades, das que este ano recebem a Volta, que mais vezes acolheram o pelotão voltista?
... logo a seguir vem a Senhora da Graça (*), com 27 chegadas (nos últimos 29 anos), às quais, por adjacência se devem contabilizar as partidas - 24 - de Mondim de Basto vem a seguir, com 51 presenças na Volta?

Recordo então as vezes que a principal corrida do nosso calendário teve partidas e/ou chegadas nas localidades que visita este ano.

- 49 x Viseu (25 chegadas e 24 partidas)
- 45 x Guarda (22/23)
- 25 x Gouveia (15/10)
- 18 x Fafe (9/9)
- 14 x Portimão/Praia da Rocha (7/7)
- 13 x Fundão (5/8)
- 4 x Santo Tirso (2/2)
- 3 x São João da Madeira (2/1), todas nos últimos 3 anos
- 2 x Favaios (2 chegadas) e Felgueiras (1/1)
Celorico de Basto estreou-se o ano passado, com uma partida, tal como acontecerá este ano.
Ansião, Arraiolos, Gondomar e Idanha-a-Nova (tudo partidas) estreiam-se este ano no mapa da Volta.

(*) - A primeira vez que se chegou à Senhora da Graça foi em 1978 e, desde então só por duas vezes não houve etapas a terminar no alto do Monte Farinha. Em 1980, apesar de estar no "mapa" a etapa não se realizou devido a uma "greve" no pelotão e o único ano em que esta chegada não fazia parte da Volta foi em 1982.

Portimão é o regresso que acontece depois de um maior intervalo. A última vez que a Volta esteve na Cidade do Arade, com uma chegada ou partida (por acaso foram as duas) foi em 1965.
Joaquim Gomes, este ano o director-de-corrida, haveria de nascer em Novembro desse mesmo ano e Claus Möller, o corredor mais velho do pelotão, só nasceria 3 anos mais tarde.

178.ª etapa



ÍDOLOS: ADMIRAMO-LOS OU INVEJAMO-LOS?



Aproveitando os tempos livres, que têm sido muitos, nos últimos meses, vou, devagarinho, arrumando o meu arquivo de recortes de jornal. E devagarinho porque, a todo o instante acontece que descubro mais qualquer coisa interessantíssima que me faz parar para a reler. Assim se
“queima” o tempo.

Tenho aqui a meu lado, devidamente agrafadas, quatro folhas da primeira revista
SÁBADO, que andou nas bancas pelos anos 80/90 do século passado (assim ainda dá mais ideia de “velharias”) folhas da edição do dia 19 de Agosto de 1989 (está a fazer 17 anos que as tenho guardadas!) por onde se estende um trabalho sobre… o jornal A BOLA, assinado por Rogério Rodrigues que, se não estou a confundir nomes e pessoas, foi o último director da “minha” A CAPITAL, cujo derradeiro número, antes de fechar, saiu para as bancas há cerca de um ano (tal como aconteceu com o COMÉRCIO DO PORTO, outro título histórico da nossa Imprensa).

O trabalho de Rogério Rodrigues faz, sintetizadamente, a história de
A BOLA (na altura com 44 anos, ainda quadrissemanário e, nas palavras citadas do então Director, Carlos Miranda, já falecido, «recusava publicidade que faria a felicidade de muitos jornais») e complementa-a com o “retrato”/testemunho dos seus jornalistas mais emblemáticos – Vítor Santos, Carlos Pinhão e Carlos Miranda (todos já falecidos) mais Aurélio Márcio, Alfredo Farinha e ainda Vítor Serpa, na altura chefe de redacção-adjunto.

Para falar o sucesso do jornal, sublinha-se a estreita ligação entre este e os seus leitores explicando-se assim o fenómeno:
«Os desportos de massas (futebol, ciclismo, atletismo) têm n’A BOLA a sua Magna Carta. Os ídolos são geralmente jovens oriundos das classes economicamente mais débeis e socialmente desprotegidas. E grandes camadas populares reflectem-se neles, identificam-se com eles, no “transfer” do sonho. Carlos Lopes é o beirão obstinado, é o emigrante que não-chegou-a-ser, vencedor em Lisboa e no Mundo; Joaquim Agostinho é o saloio de enxada que pedalou o sucesso em estradas quentes e reinvestiu o emigrante no orgulho de ser português. São estes fenómenos sociais de que A BOLA se faz porta-voz.»

Nesta parte do trabalho a que estou a referir-me, foi muito vincado o papel de
A BOLA como elo de ligação entre os emigrantes e o País, referindo-se que Paris era, na altura, a terceira cidade onde mais se lia o jornal.

No entanto, o que me deixou mesmo a pensar foi aquela explicação do que eram os ídolos do povo.
«… oriundos das classes economicamente mais débeis e socialmente desprotegidas e as camadas populares reflectem-se neles e identificam-se com eles…»
Nem mais.

Andamos nós, hoje em dia,
“desesperadamente” à procura de novos ídolos, esquecendo aquela grande verdade. Tudo se transformou. Hoje os ídolos já não são aqueles que nos são iguais e são exemplo de que se pode chegar mais longe, com trabalho e persistência, mas são… aqueles que nós GOSTARÍAMOS de ser. Não nego que o trabalho e a persistência continuem a ser factores fulcrais para que cheguem onde chegam, mas, em definitivo, já não são nossos iguais em praticamente nada.

Admirávamos e idolatrávamos
«beirões obstinados e saloios de enxada na mão» e hoje seguimos milionários e figuras que o “jet-set” reclama para si.

No fundo, na nossa condição de simples humanos, já não os admiramos… invejamo-los. Principalmente pelo dinheiro que ganham, pelos grandes carros que conduzem… pelas mulheres que têm!

Carlos Pinhão refere, a dada altura, que havia ídolos que
«tratavam mal os putos que lhes pediam autógrafos» porque… com vergonha de o confessarem, não sabiam ler nem escrever.

De pensamento em pensamento, sou levado a outra questão que acho pertinente (desculpem a minha… impertinência).

No Cyclolusitano (que também tem coisas boas – mais do que as más, felizmente) ainda não há muitos dias se discutia a legitimidade de os organizadores incluírem nas suas corridas etapas como, por exemplo (foi dos mais citados), subidas ao Anglirú. Dividiram-se as opiniões, como está bom de ver. E ambos os lados terão a sua razão.

É desumano fazer os corredores sofrerem da maneira que sofrem nas grandes etapas de alta montanha, mas o público gosta é dessas, porque dão espectáculo.

Há espectáculo no sofrimento humano?

Se pensarmos que não fazemos mais do que acorrer para ver um grupo de milionários a sofrer a bom sofrer – eu sei que os milionários são uma pequena minoria no pelotão, mas não me estraguem a
“imagem” – se calhar está explicado porque gostamos das grandes etapas de alta montanha. Principalmente se for para as seguir confortavelmente sentados no nosso sofá.

Esta ideia, confesso, retirei-a de uma anedota que li há já não sei quantos anos. Dizia um fulano ao amigo:
«Mas tu vais ao futebol? Ainda acreditas naquilo?», ao que o outro, com um rasgado sorriso, respondia: «Estás enganado, mas que outra oportunidade tenho eu de assobiar e vaiar um “bando” de milionários?...»

Pois!...

177.ª etapa



O PONTO E A MANCHA



Separados apenas por oito dias
“estouraram”, na última semana, dois casos de violação das regras desportivas por uso de substâncias ilegais, “potenciadoras” de desempenhos dos quais os infractores terão tirado benefícios em proveito próprio.

(Repararam como eu evitei escrever a palavra doping? Ai... já escrevi!...)

Floyd Landis viveu dez dias loucos. "Caiu no buraco" de maneira que todos julgaram irrecuperável, para no dia seguinte atingir o cimo do Olimpo, de maneira ainda mais categórica; no alto, ainda conseguiu subir um pouco mais, ao topo do pódio, em Paris, para, poucos dias depois voltar a cair no abismo. Quase diria que nesse intervalo de tempo a vida do estado-unidense parecia decalcada do perfil de uma etapa alpina, sempre aos altos e baixos, um sobe-e-desce de arrasar.

É claro que, neste enquadramento, que quase parece o argumento de um filme de
"suspense", o seu caso chamou ainda mais a atenção de todos.

As pessoas que
"sentiram" o seu desfalecimento naquela etapa de La Toussouire e depois ficaram “encantadas” com a etapa que fez, com chegada a Morzine, logo no dia seguinte, ficaram incapazes de ser imparciais e Landis ganhou uma aura que só ilumina os grandes campeões. É disso que o povo gosta.
Por isso, o anúncio de que estava sob alçada disciplinar por ter revelado um positivo, num controlo anti-doping, “doeu” mais. Foi muito difícil de digerir.

Ainda por cima, porque a confirmar-se o positivo – e creio que deixaram de subsistir dúvidas logo no dia seguinte, quando a própria equipa o
“entregou” – será a primeira vez na história que o vencedor oficial do Tour não vai ser o que chegou a Paris com menos tempo. Logo no Tour!, murmura-se. Porque, ninguém o contesta, a Volta à França em bicicleta é, a seguir aos Jogos Olímpicos e aos Mundiais de futebol, o espectáculo desportivo mais visto e que mais dinheiro gere.

Por tudo isto, o positivo de Floyd Landis alimentou páginas inteiras na Imprensa, recuperando para a ordem do dia os estilhaços deixados pela
Operação Puerto, em Espanha, que acontecera pouco tempo antes do início da Grande Boucle.

E o positivo de Landis rapidamente se alargou, alastrando, proporcionando a oportunidade que muita gente adora não perder para, metendo tudo e todos no mesmo saco, rapidamente concluir que o CICLISMO está
“perdido”, que no Ciclismo “é só dopados”, que era melhor o ciclismo “fechar para balanço”. É uma opinião muito mais generalizada do que se possa pensar, e os dois ou três escritos que pudemos ler dizendo-o clara e publicamente, não são casos isolados.

Mas, como escrevi logo no início, separados por uma semana – no tempo em que se tornaram públicos – aconteceram dois casos. O outro foi com o recordista mundial dos 100 metros (atletismo), Justin Gattlin, curiosamente também ele dos Estados Unidos.

Revendo o que na última semana foi escrito nos jornais desportivos sobre os dois casos, constato claramente o uso de bitolas diferentes na aferição de cada um deles.

Gattlin é reincidente – o que não acontece com Landis – e por isso será irradiado da prática do atletismo mas, apesar de não ser (nem de perto nem de longe) caso único naquela modalidade, nunca o tratamento jornalístico do seu positivo raiou para além da sua pessoa.

Isto é, para um observador acabado de chegar, fica quase
“provado” – pelo que leu – que Justin Gattlin é só um “pontinho” escuro no todo do atletismo, enquanto Landis é, claramente, parte de uma mancha suja que enegrece a imagem do ciclismo.

Por acaso, integrado num trabalho publicado ontem n’
A BOLA, exactamente sobre estes dois casos, aparece um quadro interessantíssimo. Refere os controlos positivos acontecidos nas últimas 10 edições dos Jogos Olímpicos, do México/68 para cá, portanto. No total foram 82, dos quais, quase um terço (25) em Atenas, há dois anos.

Quem me diz quantos destes casos foi no Ciclismo?

Sim, eu também acho que nenhum!

NOTA: Nunca neguei, nem poderia fazê-lo, que existe doping no Ciclismo. Nem pretendo "desculpar" os casos que são públicos, com o facto de noutras modalidades também os haver. Bato-me é para que se deixe de falar do doping como se fosse um "exclusivo" do Ciclismo.