segunda-feira, maio 14, 2007

538.ª etapa


BASTA ORDENAR - CONSCIOSAMENTE - AS PRIORIDADES

Em relação à – muitas vezes (quase sempre) – cega caça, por parte da CS e de que os corredores são vítimas, lembro-me de um episódio que me aconteceu numa Subia al Naranco, essa, que há oito dias atrás teve mais uma edição. Terá sido em 2001, digo eu – começa a faltar-me a memória… indício que estou mesmo a ficar velho – e justifico isto com o facto de o Vítor Gamito (que ganhara a Volta no ano anterior) ter sido o alvo preferencial dos jornalistas portugueses que estavam a cobrir a prova.

O Vítor não teve um dia bom. Digamo-lo assim. Contudo, o colectivo de jornalistas luso esperava – e cada vez me vejo mais identificado com esta expressão – como bando de abutres para tentar sacar-lhe umas palavras. Ele escusou-se a falar.
Num ápice se decidiu que se ele não falava… não falava mesmo, perdera a derradeira oportunidade.
Quando digo se decidiu… foi o que aconteceu num mini-plenário feito logo ali, com os mais antigos a imporem a sua lei.

Vão desculpar-me a imodéstia… eu não fiquei convencido.
Tinha feito a subida de carro e visto – até porque já a conhecia – as dificuldades que apresentava. E num flash achei que ele tinha razão. Caramba… rebentado, aborrecido com a prestação que ficara aquém do que ele próprio esperava… recusou-se a debitar os chavões do costume e disse que não. Que naquela altura não falava. E os jornalistas, armados em juízes, condenaram-no ao silêncio. E qual carrascos, estavam dispostos a executar a pena.

Não sei se o Vítor se lembra disto, mas a minha consciência abanou-me e, contrariando a corporativista decisão, aproximei-me da caravana da equipa, vi o Vítor, fiz-lhe um sinal, ele pediu um pouco de tempo e eu esperei.
Depois explicou-me o que acontecera. No outro dia só o meu jornal trazia declarações do Vítor e, quando retornei ao grupo de colegas, não me livrei de um valente puxão de orelhas por ter quebrado o pacto. Pacto que, só por intencional inércia eu adoptaria. Mas pensei mesmo que o Corredor tinha direito, pelo menos, ao mesmo tempo para pensar a resposta que aquele que eu tinha tido para a alinhar.

A partir daí estreitou-se a minha relação com o Vítor.
Há que haver um respeito mútuo… E são eles, os Corredores, quem deve definir, porque eles é que estão sujeitos ao esforço, a decidir quanto tempo precisam para falar sem ser só para dizer o “foi muito difíci, esperava mais…”

Por acaso, no Ciclismo e nos últimos anos – nomeadamente na Volta – foi institucionalizada a Conferência de Imprensa… que tem lugar alguns minutos (largos minutos) depois do final da etapa. Mas isto, do ponto de vista da verdade, só pode ser positivo.

domingo, maio 13, 2007

537.ª etapa


DANAIL PETROV TERMINOU EM SÉTIMO
NA CLÁSSICA DE ALCOBENDAS

Luis Perez, da Andalucia-CajaSur venceu hoje a Clássica de Alcobendas. O triunfo na primeira etapa foi crucial. Hoje correram-se duas etapas, na de manhã ganhou o sul-africano Robert Hunt (Barloworld) e Pedro Lopes (15.º, com o mesmo tempo) foi o melhor benfiquista.

À tarde, no crono individual, o vencedor foi Alejandro Valverde (Caisse d'Épargne), Petrov foi o melhor dos encarnados (22.º) e caiu um lugar na geral individual tendo terminado na sétima posição. Rui Costa foi 25.º, Pedro Lopes 52.º, Bruno Castanheira 72.º e Hélder Miranda 73.º.

sábado, maio 12, 2007

536.ª etapa


MAUS EXEMPLOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES
SOBRE UMA SOCIEDADE QUE TRESANDA A PODRE

A única coisa que verdadeiramente admiro no chamado campeão da Liberdade, que são os Estados Unidos da América, é a possibilidade de cada um se expressar livremente. É verdade que na velha Londres, no vestuto Hyde Park, o speaker’s corner onde, desde 1885, qualquer um pode subir ao palanque e botar discurso, há-de ser o mais democrático dos acres quadrados de todo o Mundo, ainda assim, e em termos colectivos, os Estados Unidos consagram desde há muito essa liberdade na própria constituição.

Por isso não ponho sequer em dúvida a denúncia vinda a público de que a Agência norte-Americana para a luta contra o Doping (USADA) tenha proposto a Floyd Landis que denunciasse qualquer coisa por onde se pudesse pegar na figura de Lance Armstrong, tendo isso como contrapartida a atenuação de eventuais futuras penalizações ao corredor amish, vencedor por confirmar do último Tour.

Se mantém nas veias algum do sangue que o fez nascer amish, Landis calar-se-á.

Depois, e se durante 10 meses clamou a sua inocência, não iria – digo eu – fraquejar agora, caindo na armadilha, o que seria quase a mesma coisa que confessar o que até agora – malgrado as várias análises e contra-análises – negou.

Que credibilidade tem, seja que autoridade fôr, para acusar, seja quem fôr, e, passados dez meses, ainda o não ter conseguido provar?
Aqui, em Portugal e desde 1938 a 1975 tivemos uma, que começou por chamar-se PIDE e depois se travestiu em DGS.

Sei, pelo que li, porque me interesso pela História recente do meu país, que esta era uma das habilidades mais utilizadas por essa famigerada organização. Denuncias meia dúzia de camaradas e a gente perdoa-te o crime de ousares teres convicções.

Eu, a partir deste momento e seja qual fôr o veredicto final, em relação a Floyd Landis, vou ficar sempre desconfiado.

Mas, e aqui, enquanto – e assumo-o – analista do fenómeno ciclismo, desqualifico desde já toda e qualquer que seja a tal decisão final.
Quando, quem tem responsabilidades reais na luta contra o flagelo do doping, e perante um, alegadamente, suspeito, melhor não acha para atingir os seus meios do que propôr uma troca de favores… está tudo dito.

Se houvesse, de facto, provas concretas, paupáveis, plausíveis, contra Landis, há muito que a decisão teria sido tomada. CULPADO!

Sem remissão.

Se ainda não foram capazes de o provar… já o não serão.
E, se por acaso isso vier a acontecer, alguém, de boa fé, vai acreditar?

E espero, ansiosamente, pela véspera do arranque do Tour deste ano para ver o que a ASO vai fazer. Assume-se ou claudica perante as autoridades responsáveis pela luta contra o doping?

E eu que pensava que só em Portugal é que era possível alguém passar três anos preso sem culpa formada.

Mas depois vem outra coisa que me magoa profundamente enquanto cidadão. E jornalista.
Esta notícia só veio num dos jornais desportivos.

E só falo nos desportivos porque são os que compro diariamente.

A velha A BOLA não deixaria, cumprindo um caminho que trilhou à custa de tantas dificuldades – chegou a cumprir castigo e ficar impossibilitada de sair –, de se centrar neste caso. Eu sou funcionário da casa, orgulho-me muito de o ser, tanto que sofro com estas situações.
Mas... nem uma linha.

Cândido de Oliveira esteve no Tarrafal porque, enquanto alto funcionário dos CTT, fez uso dessa sua posição para ajudar os Aliados na II Grande Guerra Mundial. Os bons, foi o que se aceitou sem pestanejar, na altura, embora tenham sido esses mesmos que depois viriam a gerar os actuais Blair e Bush que, incapazes de se oporem ao poderoso cartel do fabrico de armamento, atiraram os respectivos países – e os filhos (das classes inferiores, claro) – para uma guerra sem saída.

Os jornais estadunidenses – a América é muito grande; a América do Norte compreende também o grande (enorme, em superfície) Canadá e o México, por isso, o nome Estados Unidos da América já pressupõe, por si, uma criticável predominância sobre territórios que não juraram a sua bandeira –, dizia eu, os jornais estadunidenses denunciaram esta proposta aberrante e que – será preciso mais? – retiram à USADA o último átomo de credibilidade.

Existem, e não é de agora, problemas com o ciclismo? Claro que existem. Como existirão com todas as outras modalidades. Até no desporto para deficientes – que deveria ser uma forma de reabilitação social para quem perdeu terreno aos olhos de um Mundo que se julga perfeito – sofre desse mal.

Continuo, contudo, a ler, dia-a-dia, quase todos os dias, textos de quem nada percebe de ciclismo a querer também – por vaidade, só por vaidade – mandar a sua pazada de terra sobre a tumba de algo que ainda nem sequer morreu, muito menos pode estar a ser enterrado.

Reconheça-se – o mal é nosso, dos jornalistas de ciclismo; devíamos impor-nos, mas não faltam os exemplos de quem se venda por um punhado de lentilhas – que de ciclismo só deve falar e escrever quem sabe alguma coisa de ciclismo. Quem vive de perto, porque sofre com a agonia da modalidade que ama, a sua realidade.

E que seja capaz de, com o mínimo de lucidez, separar o trigo do joio.

Há dois ou três artigos atrás escrevi sobre a hipócrisia da associação de equipas que agora resolve passar para o lado dos acusadores, num caso que aparentemente, e é só aparentemente, envolve alguns – muitos! demais, mesmo – corredores.

Como leio opiniões hipócritas de quem já está de pavio aceso para atiçar a fogueira onde queimar os culpados, mas se regozija com os traçados desumanos das grandes corridas. Os mesmo que aplaudem as diferenças de cotas de 22% numa montanha, bramem depois contra presumíveis batoteiros.

No meio de tudo isto, estão as autoridades.
As desportivas, definitivamente coniventes com todo o sistema, e as judiciais que não são capazes de decidirem em tempo real as supostas acusações.
Será porque estas não se sustentam por si?

E que dizer, fechando o círculo, de quem, mesmo não conseguindo acusar um sujeito lhe promete benesses se este as ajudar a apanhar um terceiro?

E por mais nomes que me chamem, eu insisto: as leis em vigor na maior parte do mundo Ocidental – o auto-denominado primeiro mundo – já dão, às milhentas autoridades que devem zelar pela verdade desportiva e (embora me soe a eufemismo) saúde pública, dentro do círculo dos desportistas profissionais, onde se enquadram os corredores de ciclismo, uma liberdade que, às vezes, a mim, me parecem raiar o atentatório à própria liberdade individual do cidadão, então estas que façam o seu trabalho.

Já não chegam os controlos em competição. Alargou-se isso aos controlos fora de competição. Obriga-se cidadãos livres a comunicarem que vão passar um fim-de-semana fora da sua habitual residência, porque também têm direito a férias, porque fazem anos de casados, porque… lhes apetece e ninguém teria nada a ver com isso, e agora já oferecem perdões a quem denuncie um companheiro.

Não fosse o caso demasiado sério e eu estaria a rir-me.
Mas é esta a forma de funcionar deste novo Mundo.

Aliás, mesmo aqui em Portugal convida-se trabalhadores a denunciar colegas menos diligentes; obriga-se profissionais da restauração, por exemplo, a denunciar um fumador que puxe de um cigarro no seu estabelecimento…
Pede-se a profissionais que classifiquem a prestação de colegas, mesmo os que estão no mesmo ranking, em termos de hierarquia.

Fico por aqui porque me veio à memória um velho ditado chinês.
“Se já estás num buraco… pára de escavar.”

535.ª etapa


GIRO ARRANCOU HOJE
COM UM CRONO POR EQUIPAS

A edição 2007 do Giro de Itália arrancou hoje com um contra-relógio colectivo, disputado na região norte da ilha da Sardenha. Enrico Gasparotto (Liquigas) é o primeiro maglia rosa desta edição.

Deixo-vos a alegria do líder, no pódio, e uma bonita imagem numa zona em que os corredores tinham que atravessar uma estreita e... desprotegida ponte...








534.ª etapa


DANAIL PETROV (BENFICA)
SEXTO EM NAVACERRADA

Danail Petrov, o chefe-de-fila do SL Benfica na Clássica de Alcobendas, que hoje teve a primeira etapa, classificou-se na 6.ª posição, a 26 segundos do vencedor Luís Perez, da Andalucia-CajaSur. Destaque também para o interessante 25.º posto alcançado pelo jovem Rui Costa.

Os portugueses - e volto a frisar que, para mim, são portugueses TODOS os que representam equipas lusas - até começaram por se mostrar e, logo aos 10 quilómetros, na primeira grande fuga do dia estiveram o Hugo Sabido (Barloworld) e o Hélder Miranda (SL Benfica). Esta escapada durou 16 quilómetros mas, mais à frente, ao km 56 registou-se outra fuga onde ia Bruno Castanheira (SL Benfica). Ao grupo que então liderava a corrida juntaram-se, mais à frente ainda, outros quatro corredores. Entre eles, Didac Ortega (SL Benfica). Luís Perez, o vencedor da etapa, já ia neste grupo de escapados.
Quando a corrida endurece, as coisas começaram a definir-se. O pelotão aproximou-se e houve corredores que não tiveram já força para lhe acompanhar o ritmo.
A testemunhar a dureza da tirada ficam os 20 abandonos, entre eles a de um dos favoritos, Juanmi Mercado (Agritubel) e de três dos portugueses: Hugo Sabido, Didac Ortega e Javier Benitez, do Benfica, que assim ficou reduzido a cinco corredores.

Amanhã disputam-se duas etapas. De manhã a ligação Collado de Vilallba-Collado de Villalba (79 km), sem dificuldades de maior, e depois, à tarde, o crono individual de 9,7 km traçado numa das principais avenidas de Alcobendas.

533.ª etapa


EQUIPAS QUEREM SER PARTE ACUSADORA
DEIXANDO A PARTE ODIOSA DO CASO
APENAS NOS OMBROS DOS CORREDORES

Num comunicado assinado pelo seu presidente, Yves Bonnamour, a Associação Internacional dos Grupos Desportivos Profissionais (AIGCP, do nome em francês) comunicou aos directores-desportivos e managers dos seus filiados que “acaba de ver-lhe reconhecido [após petição enviada às entidades competentes] o desejo de ser aceite como parte interessada no caso Operação Puerto” e que “deste modo, passará a ser considerada como parte de pleno direito [nas eventuais acusações]”.
E acrescenta o referido comunicado: “Mas, como a instrução do processo foi mandada arquivar pelo juíz, a AIGPC (em sintonia com as outras partes interessadas que já o tinham feito) ira apelar para que se reabra o processo e se avance com a instrução.”
E finaliza: “Quando o processo for reaberto, a AIGCP terá acesso a todos os documentos que dele fazem parte, sem prejuízo da intenção de poder a eles ter acesso já nos próximos dias.”

Na leitura que dele faço, este comunicado não deixa de ter o seu quê de âmbiguo.

Primeiro: A AIGCP, embora representante das equipas – e aqui podíamos pensar nos patrões – é constituída, pelo menos na sua larga maioria, exactamente pelos managers e directores-desportivos dessas mesmas equipas. Então… estão a admitir, ao quererem assumir-se como parte do colectivo de acusadores (serem mesmo juízes) em relação aos Corredores que integram as suas formações, que eles contrataram, que eles treinam e dirigem, que não sabem que espécie de atletas (de Homens) contrataram, dirigem e… treinam ao longo da temporada!
Segundo: Numa altura em que a turbulência à volta do Ciclismo é cada vez maior, o que deixa prever poder a vir a ser cada vez mais difícil segurar ao actuais patrocinadores ou encontrar novos, os responsáveis – os verdadeiros responsáveis – pela gestão das equipas pretendem mostrar que estão acima de quaisquer suspeitas. Pelo menos tão surpreendidos quanto os demais com as convulsões por que passa a modalidade!
Numa frase, curtinha: querem salvar a pele.

E, claro, TODO O ODIOSO da questão fica, a partir deste momento, apenas e só sobre os ombros dos CORREDORES.
Ao contrário do célebre dito, que o capitão é o último a abandonar o barco, ei-los a tentarem pôr-se rapidamente a salvo. Também há outro dito e em relação ao naufrágio de embarcações e dá um nome que todos conhecem aos primeiros a tentarem saltar borda fora.

O curioso é que isto contraria, em tudo, o descarado baixar dos braços por parte da mais alta Instituição que gere o ciclismo mundial. Mas já vou referir-me ao excelente Editorial assinado pelo director da Meta2Mil, Jorge Quintana, na edição desta semana daquele semanário espanhol.

Agora sinto-me na obrigação de voltar um pouco atrás.
Acho indecente que se abandonem os Corredores numa altura destas, até porque teriam que me explicar, muito bem explicadinho, como é que haverá – e refiro-me à Operação Puerto – equipas com vários corredores presumivelmente implicados e nem directores-desportivos nem managers nunca desconfiaram de nada.

Li hoje no generalista espanhol El Pais (depois de ver a chamada que para ele fez o José Carlos Gomes no seu Pedaladas) que não passam despercebidas as viagens de vários corredores a determinada cidade onde exerce um determinado médico e dos numerosos grupos que tomam um vôo charter, em Pisa, com destino a Madrid. Mais, pondo o dedo na ferida – eu acho que o jornalista não errará muito – não colocando de lado a possibilidade de, em Itália (o artigo é a propósito do Giro), poder existir também uma qualquer organização em tudo semelhante àquela que, em Espanha, tinha como rosto o doutor Eufimiano Fuentes.

E, no meio disto tudo, deixo a pergunta: qual o papel, há um ano quando tudo isto se espoletou, do senhor Manolo Saiz – presidente da AIGCP à altura – que foi apanhado com uma mala cheia de dinheiro junto a uma das clínicas do Fuentes, e, pouco depois, na posse de produtos ilícitos?

E obrigo-me a uma reflexão. Quase todos – se não todos – os nomes de corredores já citados são de primeira linha. Já conquistaram muitos triunfos, já estão em grandes equipas, já conseguiram bons contratos financeiros. Terão sido movidos pela ambição? Quereriam ganhar mais corridas, conseguirem bons, e mais bem pagos contratos em equipas ainda mais poderosas?

Não evito, contudo, deixar de pensar que a grande pressão – principalmente desde a criação do ProTour – se centra, não nos corredores mas nas equipas. Estas sim, precisam de resultados para conseguirem mais e melhores patrocinadores para conseguirem segurar os seus principais corredores.
Ou não será assim?

532.ª etapa


NÃO HÁ 20 MINUTOS POR DIA
PARA ESTUDAR RELATÓRIO
DA OPERAÇÃO PUERTO

Em relação ao Editorial do semanário especializado em ciclismo, a Meta2Mil. O seu director, Jorge Quintana não hesita em chamar mentiroso a Patrick McQuaid, o presidente da União Ciclista Internacional (UCI). E desmonta o argumento deste que, há poucas semanas atrás, afirmou já ter na sua posse o dossier de 6000 páginas referente à Operação Puerto, sublinhando que seria humanamente impossível ler aquilo tudo em tempo útil. Precisaria de, pelo menos, um ano.

E escreve o Jorge Quintana: “É um dos males do jornalismo actual. Uns atiram para o ar números que impressionam e ou outros não se dão ao trabalho de reflectir um pouco sobre o que foi dito.”

E desmonta, de forma simples, a tese do impossível. Assim:
“Se McQuaid pedir aos advogados da UCI que só trabalhem no horário normal de expediente, de segunda a sexta-feira, ainda assim teriam [no argumento do presidente da UCI] 150 dias úteis para o fazer. Tendo em conta que qualquer comissão de competição tem, pelo menos, três membros, fazendo as contas, daqui até ao fim do ano [meta traçada por McQuaid] cada um deles teria que ler 13 folhas por dia.”
Depois brinca: “O que daqui se tira é que não se dedicam mais do que 20 minutos por dia ao caso Operação Puerto. Sensivelmente o mesmo tempo que levam para tomar um cafézinho.”

E acrescento eu, se na UCI se está a entravar o processo – é o que parece –, qual será a verdadeira motivação da AIGCP?

531.ª etapa

ALTO DA TORRE NA ROTA DO PELOTÃO
AINDA ANTES DA VOLTA A PORTUGAL

A terceira etapa do VII Grande Prémio CTT-Correios de Portugal, a disputar no dia 16 do próximo mês (um sábado), vai terminar no Alto da Torre, o que significa, a confirmar-se o que há muito anda no ar - que a Volta este ano regressará ao Alto da Torre (Serra da Estrela) - levará o pelotão a subir por duas vezes ao ponto mais alto de Portugal Continental, na que sempre foi considerada como a Rainha das chegadas de qualquer corrida que se realize em território luso. Ainda bem. O Ciclismo só tem a ganhar e, quem gosta do verdadeiro Ciclismo-espectáculo terá este ano dose a dobrar.

O VIII Gande Prémio CTT-Correios de Portugal, que terá quatro etapas - entre 14 e 17 de Junho -, num total de 703,8 quilómetros, arranca de Santo Tirso e tem finais de etapa na Póvoa do Varzim, de onde sairá a segunda jornada, Oliveira do Bairro, Torre - com a etapa a iniciar-se em Aveiro - e terminará em Águeda, com a partida para a derradeira tirada a acontecer em Viseu.

É o seguinte o quadro
completo das etapas,
para melhor compreensão:


Dia 14 - 1.ª etapa, Santo Tirso-Póvoa do Varzim, 197,6 km
- Partida às 11 horas, da Praça 25 de Abril/chegada às 15.30, na Av. dos Banhos
Dia 15 - 2.ª etapa, Póvoa do Varzim-Oliveira do Bairro, 196,1 km
- Partida às 11 horas, junto ao Estádio do Varzim/chegada às 15.30, junto à Câmara Municipal
Dia 16, 3.ª etapa, Aveiro-alto da Torre, 153,2 km
- Partida às 11 horas, junto ao Centro de Congressos/chegada às 15 horas
Dia 17, 4.ª etapa, Viseu-Águeda, 156,9 km
- Partida às 11 horas, da Av. Europa/chegada às 15 horas, na Av, Calouste Gulbenkian

Recorde-se que, a última vez que se chegou à Torre, na Volta, no dia 6 de Agosto de 2004, e o vencedor, lá no alto, foi o espanhol David Arroyo (LA-Pecol-Bombarral) que cinco dias antes tinha também ganho na Senhora da Graça sendo, até agora, o único corredorer que venceu as duas mais importantes etapas da Volta na mesma edição.

sexta-feira, maio 11, 2007

530.ª etapa


O "CASO" UNIBET.COM

Tenho lido "desabafos" de vários amantes da modalidade que, sem pensarem no que dizem, se insurgem contra o veto, nomeadamente da francesa ASO, à formação belga Unibet.com.

Não são mais, creio, que manifestações apaixonadas de quem gosta de ciclismo, toma partido por uma equipa que pensa estar a ser descriminada mas, mais ou menos desonestamente, ignoram o fulcro da questão.

Em França, como noutros países - incluindo Portugal - está proíbida por Lei a publicidade a, neste caso, sítios na internet que promovem os chamados jogos de azar. O que é que, neste pequeno período de escrita não perceberam?

A Unibet.com já teve tempo mais do que suficiente para, pela sua parte, resolver a questão mas, o que a mim me parece, é que, sendo exactamente a publicidade o objectivo da empresa, esta está satisfeita com a que lhe tem sido feita ao longo destes meses. Muito mais do que se tivesse que esperar pelos resultados desportivos. E não acham que é por isso que nada fizeram ainda?

Chegou a ser anunciada a troca de nome, para as corridas em França e na Bélgica, por exemplo. Foi mesmo apresentado um equipamento em tudo diferente e ostentando um outro patrocinador. Mas se o facto de, sistematicamente serem notícia - por causa dos boicotes - até está a servir os seus intentos... que se danem os interesses dos corredores. A empresa está a atingir os seus objectivos.

Curiosamente esta equipa já se apresentou em Portugal, nomeadamente na Volta ao Algarve, desrespeitando as leis nacionais que, tal como em França, proíbem a publicidade a este tipo de organizações. Como somos um país de gente fixe... ninguém deu por isso.

Aliás, e para os mais ecletistas, temos um caso, na I Liga do futebol nacional em tudo semelhante. O Sporting de Braga tem um contrato com a similar Sportingbet.com e - pese embora a Liga tenha conseguido manter a BWin como patrocinadora - os bracarenses ainda hoje ostentam nas suas camisolas faixas horizontais azuis escuras no lugar onde deveria estar o nome do patrocinador. A Lei portuguesa não o permite.

Onde é que está então a dúvida? E porque é que a Unibet.com é sempre olhada como vítima?

Nem a Sportingbet.com, nem a Unibet.com - sítios na internet onde se pode apostar em quase tudo - nem, noutra variante, uma equipa que se chamasse Malboro, SG Gigante, Camel, Licor Beirão, Macieira ou Brandy Constantino seria também aceite uma vez - outra vez - porque a Lei portuguesa proíbe a publicidade ao tabaco e a bebidas alcoolócas!

Mas isto é - ou devia ser - do conhecimento público. Continuar a clamar a favor da formação belga é, apenas, teimosia. Ou ignorância. Ou as duas coisas. Não sei é como é que ela já correu este ano em Portugal!

529.ª etapa


GP INTERNACIONAL
PAREDES-ROTA DOS MÓVEIS

Entretanto foi a presentada a segunda edição do Prémio Paredes-Rota dos Móveis, este ao promovido a Internacional. Aquele que o ano passado conquistou os mais rasgados elogios por parte da crítica volta a começar na Galiza, com a primeira etapa a ligar,
no dia 17, Santiago de Compostela a Vigo (191,7 km);
seguem-se-lhe:
dia 18, Vigo-Maia (194,4 km)
dia 19, Maia-Rebordosa (148,3 km)
e dia 20, Porto-Lordelo (149,3 km),
com a chegada naquela bem conhecida subida, capaz de decidir a corrida.

O pelotão contará com a presença das nove turmas nacionais mais as espanholas Extremadura-Spiuk, Grupo Nicolas Mateos, Orbea, Karpin-Galicia, Relax-GAM e Euskaltel-Euskadi, a francesa Agritubel, de Junma Mercado, a britânica Barloworld, de Hugo Sabido, e a italiana Flaminia.

528.ª etapa


BENFICA NA CLÁSSICA DE ALCOBENDAS

Disputa-se, entre amanhã e domingo, a nona edição da Clássica de Alcobendas - arredores de Madrid - que contará com a presença da equipa do SL Benfica - com apenas sete corredores - e do português Hugo Sabido, da Barloworld

É uma corrida interessante, de dois dias, mas com três etapas, todas elas muito diferentes entre si. Uma, a de hoje, com a chegada ao alto de Navacerrada - já lá se chegou este ano, na Volta a Castela e Leão -, logo, talhada para os trepadores; e com mais duas amanhã. A primeira, curta e sem dificuldades de maior, desenhada à imagem dos sprinters e, finalmente, a fechar um contra-relógio individual de 9,7 quilómetros, a correr na principal avenida desta cidade-dormitório situada um pouco para além do Aeroporto Internacional de Barajas. A pouco mais de 20 km do centro da capital espanhola.
É o género de provas que me agrada e que poderíamos, perfeitamente, ter em Portugal. Imagimem só uma corrida entre Castelo Branco e as Penhas da Saúde, outra entre o Fundão e a Covilhã e o crono dispotado no eixo TCT. É apenas um exemplo, o que me parece, fisicamente mais próximo daquilo que o Benfica - e Hugo Sabido - vão encontar a partir de amanhã. Uma corrida que, em 1999, teve um português no pódio. Cândido Barbosa, então ao serviço da Banesto, terminou em terceiro.

Ainda não sei - vamos todos ter que procurar amanhã - se a corrida pode ser vista cá, em Portugal, via internet, por exemplo, mas aqui ficam os dorsais dos corredores do Benfica, mais o do Hugo Sabido:

38 - Hugo Sabido (BAR)
41 - Pedro Lopes (SLB)
42 - Didac Ortega (SLB)
43 - Javier Benitez (SLB)
44 - Danail Petrov (SLB)
45 - Rui Costa (SLB)
46 - Hélder Miranda (SLB)
48 - Bruno Castanheira (SLB)

A propósito do Benfica, interessante a entrevista que A BOLA hoje publica com o valenciano Javier Benitez. Interessante e a propósito. Claro que ficaremos à espera, no caso de, no final deste mês mudar o líder do ranking APCP, pudermos ter depois uma entrevista com o novo líder. Já que, concerteza por impossibilidade, o mesmo não fou feito com os anteriores melhores classificados.

527.ª etapa


AS "GRANDES"...
UMA A UMA
AS SEMELHANÇAS
E AS DIFERENÇAS

Num curioso estudo – repescado na Interet – encontro a comparação estre as Três Grande Provas, que deixo a seguir:

Giro de Itália (12 de Maio/3 de Junho)


- 21 etapas. Quilómetros aproximados: 3442

- Finais em alto: cinco etapas c/uma cronoescalada (13.ª etapa, Oropa)

- Média montanha: cinco etapas

- Cronos: três (78 quilómetros)

- Dois dias de descanso

- Prémios: 2,5 milhões de euros


Tour de França (7 a 29 de Julho)

- 20 etapas. Quilómetros aproximados: 3547

- Finais em alto: três, mais três consideradas de média montanha

- Cronos: três (117 quilómetros, incluido o prólogo)

- Prémios: 3,2 milhões de euros

- Dias de descanso: dois



Vuelta a Espanha (1 a 23 de Setembro)

- 21 etapas. Quilómetros aproximados: 3241

- Característica das etapas: 11 consideradas planas; 7 de montanha (quatro de com final em alto) e duas na modalidade de contra-relógio individual

- Finais em Alto: Lagos de Covadonga (4.ª etapa), Cerler (9.ª), Arcalís (10.ª) e alto de Abantos (19.ª)

- Cronos: Cariñena-Zaragoza (8.ª etapa, 49 km) e Collado Villalba (20.ª, 25 km)

- Média montanha: três jornadas. 5.ª etapa, Cangas de Onis-Reinosa; 15.ª, Villacarrillo-Granada e 18.ª, Talavera-Avila

- Total de contagens para o PM: 4 chegadas em alto, três de Categoria Especial, seis de primeira categoria, 15 de segunda e 18 de terceira

- Prémios: 2,5 milhões de euros

- Jornadas de descanso: duas, (11 e 17 de Setembro)

526.ª etapa


OS ADEPTOS DIVIDEM-SE (MESMO NO INTERIOR DE SI)
APLAUDEM A DURESA DAS CORRIDAS E PERORAM
CONTRA AO QUE CHAMAM DE "BATOTEIROS"

Começa hoje a primeira das Três Grandes Voltas. Como é tradicional – desde 1995, quando a Vuelta mudou de Abril para Setembro – cabe ao Giro de Itália abrir as hostilidades.

Vivem-se tempos conturbados no ciclismo mundial. E se há alguém que recusa tapar o sol com uma peneira… sou eu. O que não significa que tenha alguma vez usado este espaço para fazer julgamentos públicos.

A forma como o Desporto, e dentro deste, o Ciclismo, está estruturado, faz com que eu espere que as Autoridades responsáveis – nomeadamente ao nível da hercúlea luta contra tudo o que possa vir (por, beneficiando uns quantos deixando os restantes em clara desigualdade de oportunidades) desvirtuar a chamada Verdade Desportiva.

Há uns artigos atrás tentei demonstrar que essa desigualdade o não será assim tão vincadamente fracturante. Se o sumo de laranja ajuda a ganhar corridas, metade do pelotão anda, deduzo-o dos números, bem vitaminado. Descodificando: não há assim tantas desigualdades no pelotão a este nível e que não se tente cruxificar meia dúzia quando os presumivelmente implicados serão mais de uma centena.

Depois, há outra coisa que é válida para todo o cidadão, corra ou não de bicicleta: prove-se a sua culpa e actue-se em conformidade. Para isso há, na minha opinião, até Instituições a mais e é cimentada na guerrilha latente, entre essas organizações de per si, a tentar conquistar visibilidade e protagonismo ao nível da Comunicação Social, o que tem vindo a impedir que se cheguem a resultados concretos.

Depois, e se chegarmos à conclusão de que se está na presença de um autêntica pandemia, não me parece que aniquilando todos os pretensos implicados seja a solução mais adequada.

E, sempre que, entendidos, gente com pretensão a isso e outros que nem sabem sobre o que é que escrevem – todos caíndo no mesmo erro anterior, que é o de, antes de mais, e sem ligar às consequências que daí adviriam, não quererem mais do que conquistar o seu pequeno e efémero momento de protagonismo – vêm defender o corte cerce, do fenómeno a que – erradamente, também já o tentei explicar – ainda chamam de doping, não estão a fazer mais do que a apelar para a aniquilação total do espectáculo que é o Ciclismo dos nossos dias.

Eu escrevi Espectáculo. Desporto é o que fazem os que, ao fim-de-semana, agarram numa bicicleta para dar uma volta ao bairro onde moram, ou calçam as sapatilhas para tentarem queimar calorias e esvaziar o pneuzinho que sobra sobre o cós das calças, depois de apertado o cinto.

Os profissionais já há muito ultrapassaram esse estádio. São artistas, fazem-se pagar como tal e são disputados pelas diversas organizações como tal. Quem conseguir o melhor cartaz, parte com vantagem.

Metam, de uma vez por todas, na vossa cabeça que aqui já pouco ou nada há de desporto. O que o público pede são espectáculos e, para que estes acontecem, os artistas têm que se superar. E havendo vários artistas de topo numa mesma corrida – e são os organizadores que tratam de tudo para que isto aconteça, de forma a valorizarem a sua prova que já venderam, a patrocinadores, às televisões… – estes são quase obrigados a florear o número que o público espera ver sobre o palco da corrida, usando o que lhes está permitido.

Repito: está permitido. Ou porque é que julgam quem de há uns anos a esta parte todas as equipas dos escalões Profissionais são obrigadas a ter médicos em permanência, nos seus quadros? E porque é que têm de manter actualizada uma Caderneta de Saúde?

Para que mais seria senão para que possam beber as bicas que poderem, sendo que o seu médico controlará o nível de cafeína dentro dos parâmetros definidos como legais pelas tais entidades que se dedicam, depois, a tentar apanhar quem tenha dado um passo em falso?

Doping, era aquilo a que, entre os anos 30 e 70/80 do século passado, todo o pelotão recorria. As célebres pastilhas que, tomadas pontualmente, faziam de um mero equipier herói por um dia.

Falar de doping, hoje em dia, é revelar, pelo menos, um desfocado olhar sobre o real problema. O que hoje está em causa são os famosos métodos que só são ilegais se ultrapassarem os parâmetros definidos como limite, pelas autoridades encarregues de vigilar – num eufemismo – pela saúde dos corredores, e de castigar os que, por descuido ou ingenuidade se arriscam a ser apanhados para além da linha vermelha.
Ora, e isto é o que escapa aos observadores pontuais, aos puristas que, na sua grande maioria, nunca andaram dentro do grande pelotão.

Se, por exemplo, foi definida a taxa de glóbulos vermelhos no sangue em 50 por cento/unidade, só por si destapa a grande verdade que os não iniciados não sabem e recusam a aceitar. É que, utilizando os métodos que os responsáveis médicos por cada equipa entenderem, podem fazer subir aquele nível – por forma induzida – até aos 49%, a quem, endogenamente, tenha como padrão esta taxa demasiado baixa.

Quando o Código da Estrada determina como velocidade máxima, numa auto-estrada, a velocidade de 120 km, está, implicitamente, a aceitar que se pode rolar à vontade a 119,9 km/hora.

Mas, e no seguimento das várias notícias que vieram a lume nos últimos dias, quem se quiser dar ao trabalho de voltar a lê-las, cohabitando com a púdica repulsa, em relação a quem, alegadamente, tentou tratar, medicamente, do melhoramento das suas performances recorrendo a métodos que poucos compreendem – não deixando, mesmo assim, de opinar, fazendo-o de forma ridícula, cada um deles reivindicando para si a reincarnação do barão Pierre de Coubertain e do seu desejo de uma competição limpa, não deixando, contudo de, escondido sob o lema de mais rápido, mais forte, mais alto – mesmo que não tenha sido essa a intenção – de propôr a que cada um fizesse o que tivesse ao seu alcance para mostrar que era o melhor, levando o público a vibrar com as dificuldades que, de ano para ano as organizações põem nas suas corridas.

Porque querem que elas sejam um espectáculo. Um grande espectáculo. Que se venda bem este ano de forma a que, no ano que vem, a possam vender ainda melhor.

No meio de tudo isto, os atletas são os únicos que merecem as várias tentativas de cruxificação.

Toda a gente acha normal – e justifica-o com o amor ao clube, à camisola e, não raro, com algum puxão de orelhas, por parte dos treinadores, ao intervalo – que uma equipa de futebol que, nos primeiros 45 minutos de arrastou penosamente no relvado volte das cabines com vontade de comer a relva.

Só os ciclistas são, à priori, suspeitos, sempre que logram entrar numa fuga, festejada, na hora, como grande espectáculo, mas que depois logo acarreta a suspeita de que os flocos de cereais, mais as massas (hidrocarbonetos) que tomaram ao pequeno almoço deveriam ter estado temperados com aditivos que, pelo menos, levantam suspeitas.

Vamos ver se este Giro chega ao fim.

E se chega ao fim limpo de especulações e acusações veladas.

quinta-feira, maio 10, 2007

525.ª etapa


AO JOAQUIM AGOSTINHO:
A MINHA HOMENAGEM

Nunca vi o Joaquim Agostinho correr.
Sobram-me, contudo (sendo que o "sobrar" é sempre valorizar o que sei...) as memórias de quem sempre andou com ele.
E que jamais me cansarei de ouvir.

Não sou orgulhoso - no sentido de vaidoso - mas tenho o privilégio de ser amigo pessoal, amigo mesmo, naquele sentido que o mais mesquinho não pode entender - de quatro dos homens que mais perto estiveram do Joaquim Agostinho.

O doutor Artur Moreira Lopes, que foi seu médico, no Sporting;
o Manuel Graça, que foi seu director-desportivo (treinador, dizia-se à época...);
e dos dois amigos que se se seguem...

... o Francisco Araújo...
(perdoem-me, mas perguntem-lhe - e será ele a responder - se não sou dos seus amigos mais próximos)...


e o meu querido Bruno Santos
que acompahou TODA a carreira internacional do Jaquim.

Também por isso, o Bruno Santos ficará para sempre na História de A BOLA.

Contudo, este post, e já que mais ninguém - a nível da Comunicação Social - deste pobre País se lembrou dele...
... visa apenas recordar que PORTUGAL teve um dos maiores corredores de todos os tempos...

Joaquim Agostinho!...

Os nossos jornais "desportivos" deixaram escapar a data!

524.ª etapa


PERDOA-LHES "JAQUIM"
NÃO TE MERECERAM!...

Estou cru.
Estarei!
Assumo-o e neste momento tanto se me dá mandar badamerda seja quem fôr. Sou eu. Cru.

Sim, talvez, mas não perco as minhas memórias.
Aquilo que me sustenta.
Aquilo que valho. O que sou.

Assisto, arredado dos bastidores, à fácil etronização de novo(a)s deuse(a)s.
Mandam as agendas.
Falham as memórias.

Mas porque são frágeis os alicerces daqueles que não têm memória, nem pena deles tenho.
Há uma História, e essa não se pode apagar.

Houve uma época em que a palavra "operário" - que fez história no Jornal do qual me orgulho de pertencer - significava fazer, honrando o passado dos seus fundadores.
Caiu em desuso.
Operário era aquele aquele que dava o que tinha e um pouco mais ainda.
Porque, por trás dele, havia um historial de trabalho de outros que, antes, tinham feito do Jornal aquilo que ele é.
Que ELES pensaram deveria vir a ser.

Devemos aceitar que uma hérnia inguinal hoje "vale" a primeira página?
Porque não? Quem sou eu?
Mas insisto, teimoso, em agarrar-me às memórias.
Nem um artigo, nem uma notícia, nem uma breve... recordou que
passaram hoje 23 anos desde a morte de Joaquim Agostinho.

E como é que TODA A IMPRENSA DESPORTIVA o ignorou?
Ah!... Efemérides, são giras... é só nos anos redondos!!!... Ok...

JOAQUIM AGOSTINHO, morreu, faz hoje 23 anos.
Não me interessa quem se lembra dele, ou não, nesta nova plataforma de informação que é a internet.
Quem, há 23 anos, vendeu dezenas de milhares de jornais à custa da sua morte...
... hoje esqueceu-o.

E não há outra forma de pôr a coisa. Não estamos a falar de um qualquer (por mais valoroso que fosse) atleta.
É do JOAQUIM AGOSTINHO!...

E é triste que a data da sua morte tenha passado despercebida.

523.ª etapa


NÃO VIRAM? NÃO SABEM?
AS DUAS COISAS? QUAL DAS TRÊS A PIOR?
Entretanto, na pesquisa que fui obrigado a fazer para responder ao amável (eu devia chamar-lhe cobarde) e-mail anónimo que recebi, acabei por descobrir outras coisas.
E sou obrigado a fazer um mea-culpa. Se calhar não foi um Jornalista.
Porque este tem, obrigatoriamente, que saber uma série de coisas que (tendo sido esse o caso) puramente atropelou.

Mas, ao folhear o meu arquivo dou de caras com estas duas situações:
Primeira: segundo A BOLA (29 de Abril) e o Record (4 de Maio), a alemã T-Mobile suspendeu dois dos seus médicos por alegada conexão ao esquema de dopagem (presume-se, nas notícias) generalizada na equipa.
Lá se vai a teoria do exclusivo do doutor Fuentes!
(Mas ninguém ligou a isso).
Segunda: (de bradar aos céus) – cito: "Amostras de sangue de Ivan Basso terão sido entregues ao CONI [Comité Olímpico Nacional Italiano], amostras essas recolhidas no laboratório do doutor Fuentes".
Pergunta: Mas que Comité Olímpico tem autoridade para agir desta forma?
E prossigo: "A Procuradoria do CONI… [a Procuradoria… do Comité Olímpico?] teve também acesso a um sms enviado do telemóvel de Basso..."
Mas estamos a falar de um comité olímpico… ou de um departamento policial?
Policial não, Judicial… Era a sério a notícia?

522.ª etapa


FAÇAM CONTAS...
E DEPOIS OPINEM GENERICAMENTE
(PORQUE HÁ, NO MEIO, QUEM
NÃO VOS RECONHEÇA COMO OPINADORES)

Os portugueses são MAUS a matemática. Não sou eu quem o diz. Dizem-no, por aí, à boca cheia, altos responsáveis pelo ensino em Portugal.

Porque é que começo assim este artigo?
Porque recebi um simpático email (anónimo – pelo menos não identificável até porque foi-me devolvida a resposta, que não calei, porque o servidor usado não o reconheceu) a mimosiar-me com algumas acusações que, para não lhes chamar outra coisa, direi apenas que são levianas.

Não!... É claro que não sou a favor do doping – mas quem é que poderia pensar uma coisa dessas?!!! – nem, usando a expressão utilizada, que me estou “cagando” (sic) para a verdade desportiva. Logo na modalidade que mais prezo. Mas isso parece ser irrelevante para este critíco anónimo.
Que, concerteza, não me conhece suficientemente bem.

Contudo, esta da “verdade desportiva” mexeu comigo.

E - por acaso esta manhã passei-a no Centro de Saúde, para mais uma etapa da via-sacra que venho a cumprir desde há mais de um ano - com tempo para pensar, preferencialmente noutras coisas que não no que verdadeiramente me apoquenta, comecei a fazer contas de cabeça.

Não, nunca fui grande espingarda em matemática e, por acaso, no meu currículo académico, a única nota vergonhosa que tive – um quatro (de 0 a 20) - foi mesmo nessa discplina, por isso, chegado a casa fui vasculhar o meu arquivo recente de forma a encontrar os números em causa e não foi difícil chegar a esta conclusão:

Somando os recém anunciados novos 49 casos – ainda não nominados (no sentido de se lhe terem dado nome) - aos 58 iniciais, avançados, com nicknames, claro está, que as autoridades não conseguiram ligar a nomes concretos, temos, pelo menos, 107 implicados SÓ na Operação Puerto.

Em frente então com a matemática:

107 corredores, divididos por equipas de nove corredores dá… 12 equipas.
55% dos maiores dos pelotões (Giro, Tour e Vuelta).
80%, se falarmos nas corridas da segunda linha que só levam 15 equipas…

Então, digo eu, de que verdade desportiva estamos a falar se (não sou eu… não sou eu…) se aceita que TODOS aqueles presumivelmente implicados andam aí a correr?
Caramba! É MAIS de metade do pelotão que anda... mamado!

Ah!... Mas há mais.
Quem é que será tão ingénuo assim que acha que o famigerado mago dr. Ferreri só deixou um discípulo… o Fuentes?

Em Itália, como em França, a Lei Geral do país já penaliza o recurso a produtos e métodos potenciadores das prestações desportivas – o uso da palavra doping é tão inadequado ao caso, como o seria chamar remédio ao chá de tília! (mas vá-se lá esperar que teóricos e comentadores encartados, mas sem o mínimo de conhecimentos do fenómeno, o compreendam), daí a bronca ter estalado em Espanha. Com o dr. Fuentes.

E será que é só em Espanha? Será?
Nos “gloriosos” – e aqui vai mesmo entre aspas – anos 80, Portugal era o maior fornecedor de Eritropoietina do pelotão mundial e nem sequer lá tínhamos equipas.

Quando eu apareço a defender – e é isso mesmo, a defender! – o Ivan Basso, limito-me a juntar os conhecimentos que tenho, tanto da legislação desportiva, como o que vou aprendendo (e isso nunca fez mal a ninguém) das leis gerais dos diversos países.

Para o meu caro, e anónimo detractor:
O Ivan Basso, como o Jan Ullrich, como o Lance Armstrong… como o Miguel Induain, como o Eddy Merckx, não foram apanhados pelos organismos que (e para isso têm apoios financeiros dos diversos Estados) alimentam os ordenados mensais de vários técnicos especializados no combate contra… ok, pronto, condescendo mais uma vez… doping.

E, socialmente, é atentatório ao seu bom nome o apontarem-lhe o dedo como… batoteiros.

E como não sei quem me enviou o mail… posso pensar em tudo.
Então, se foi um JORNALISTA (mesmo que não mereça a caixa alta), como percebo que ele não percebe… só tenho um concelho a dar: fique calado.
Eu sei quem em Itália não se lêem jornais portugueses, mas… quem é que cala a nossa consciência?

quarta-feira, maio 09, 2007

521.ª etapa


(MAUS) SAPATEIROS INSISTEM
EM OPINAR PARA ALÉM DA... CHINELA

Primeira confissão: sinto-me confuso, em relação às últimas novidades sobre o ciclismo – sem bicicletas – que nos últimos dias reconquistou páginas nos diversos jornais. E, vá lá saber-se porquê, a coisa começou mal.

Dizendo, sem o dizer – ai as traduções dos serviços de agência são de tal modo deturpadas que, partindo do princípio que nada move ninguém, em particular, contra o ciclismo em si… não é só o ensino da matemática que está a falhar entre nós. E para se ser jornalista dever-se-ia provar, com diplomas, que se está minimamente qualificado para entender e, principalmente, interpretar, pelo menos, o inglês e o francês.

Dizia eu…
dizendo, sem o dizer, o CONI – Comité Olímpico Nacional Italiano – antecipou aquilo que, mais do que, sendo a verdade, era o que o seu desejo de protagonismo aspirava, que o corredor Ivan Basso “viria a reconhecer o seu envolvimento no caso da Operação Puerto”.

Bastou isso para se maquetarem páginas de jornal – em Portugal e não só – com textos de pré-acusação em relação ao vencedor da última edição do Giro.
Não vá o sapateiro além da chinela. É um dos mais populares adágios da nossa histórica sabedoria popular. Tão menosprezado por quem, no seu palanquinho, acha que sabe de tudo...

Vinte e quatro horas depois, em Conferência de Imprensa, o corredor italiano desmontou a pretensão do CONI. Confessou o que não pode ser desmentido – o seu nome consta nos “arquivos” do famigerado doutor Eufeminiano Fuentes mas logo a seguir jogou um trunfo que não pode ser rebatido. Nos últimos anos foi dos corredores mais controlados e a sua ficha desportiva está limpa.

Uma espécie de – e os mais novos não o compreenderão – “Sim, investi dinheiro na Dona Branca, mas não tirei disso quaisquer dividendos. Pelo menos ninguém o pode provar pelos meus extratatos bancários (que aqui, neste caso, são os controlos anti-doping) e o que nem sequer seria... ilegal. Ilegal era a actividade da provecta senhora.
Para os que se lembram… a julgada, e considerada culpada, foi a Dona Branca.

Quem lhe entregou as suas economias apenas… perdeu tudo.

Falta cultura geral – entre outras coisas – a quem se julga capaz de opinar sobre assuntos que não domina. Nem sequer tem uma ideia, o que é ainda mais grave pois não se abstêm de opinar.

O que, neste momento, está em causa, são mesmo as diferenças legal-incriminatórios, de país para país.

A Lei espanhola – em vigor à altura da Operação Puerto – era omissa no que respeita, não só à intenção mas mesmo em relação ao recurso a métodos, chamemos-lhe assim, anti-desportivos a que qualquer atleta possa ter recorrido. Dizendo-o e forma clara – para que até os não iniciados o percebam – o doping, em actividades desportivas (e em todas as outras nas quais, mais dia, menos dia, há-de vir a estar regulamentado) não era punível por qualquer Lei.

Mesmo em relação aos senhores Eufeminiano Fuentes e Manolo Saíz – isso não foi desmentido – que foram apanhados a trocar dinheiro (o segundo) por produtos que a sociedade (e não a Lei) rotulam de menos éticos, só poderiam, e eu escrevi isso na altura, ser acusados de atentado à saúde pública. Sendo, ainda assim, necessário que alguma entidade conseguisse provar aquilo. Que era um atentado à saúde pública.

Mas a Operação Puerto não deu em nada e não pode jamais ter consequências. O Direito da maioria dos países ocidentais é claro. Provas (reparem que eu nem escrevo eventuais provas) recolhidas por uma entidade, numa investigação própria, não podem ser usadas por segundos de forma a prejudicar terceiros.

A Operação Puerto foi mal montada e pior conduzida. E bastava ter lido os principais jornais espanhóis, na altura – recordo que, nesse mesmo momento, o Executivo espanhol se preparava para fazer aprovar um novo quadro jurídico – para o ter percebido de imediato.
À distância de um ano parece-me fácil de entender. Uma força policial quis mostrar serviço. Ignorando – é o que dá a entender – que os seus esforços não tinham enquadramento jurídico.

Mas já havia (naquela altura, porque, entretanto, a Lei espanhola actualizou-se) países cuja legislação estava um passinho à frente da espanhola.

Eu não sou formado em Direito e não tenho pretensões a, só pelo que leio, vir aqui esgrimir argumentos. Mas há coisas tão lineares que até eu percebo.
Se há quem não percebe, nem faz o mínimo esforço para o entender – porque “sangue” sempre ajudou a vender jornais – se aventura a transcrever tudo e qualquer coisa que as agências noticiosas colocam em linha… isso a mim não me diz respeito.

Eu não o faria.

À luz da legislação espanhola – à altura da Operação Puerto, repito – mesmo que as autoridades judiciais (o que não aconteceu) tivessem posto nomes às dezenas de nicknames que constavam das fichas do doutros Eufiminiano Fuentes, nenhuma consequência daí adviria porque o “crime” não estava previsto no Código Penal Espanhol. Mas porque é que insistem em ignorar isto?

E aqui questiono a legalidade da transmissão desses dados a terceiros. Como, por exemplo, o Ministério Público alemão. Como é que este… refraseando: assente em que espécie de protocolo é que uma informação vazia de ónus penal, no país onde terá sido detectada, pode ser facultada a outros que, aqui sim, com uma Lei mais avançada, pode, a partir daqueles dados inválidos à nascença, serem usados contra terceiros?

Porque se quer, a todo o custo, "verter" sangue. E será este sangue - e quanto mais sonante for o nome envolvido melhor - que vingará a falta de engenho de todos os intervenientes. A polícia espanhola que não soube agir, e as autoridades desportivas competentes que, neste caso concreto - ai não sabem de nada? - ficaram sentadas à espera que outros fizesse o trabalho sujo. Mas agora querem tirar diviendos do que foi apurado. Mesmo que não o possam fazer. Por Lei não podem.

Dou um exemplo, daqueles parvos, como eu tantas vezes gosto de lhes chamar. Numa hipotética viagem à Holanda, numa qualquer ruas de Amesterdão, eu compro, para consumo próprio, uma dose de cannabis. Coisa perfeitamente legal naquele país. Pode algum Promotor Público, em Portugal, e na posse de provas inequívocas de que eu comprei cannabis – proíbida em Portugal – prender-me e tentar condenar-me mal passe a fronteira de regresso ao meu país?
Claro que não!... Então os mais lerdos que me digam directamente o que é que não perceberam no que atrás ficou escrito.

Recupero, para ajuda desses mesmo, os mais lerdos, a questão fulcral neste imbróglio todo. À data da Operação Puerto, em Espanha não havia legislação que previsse sanções a quem recorresse a meios ilícitos para melhorar o seu desempenho desportivo.

Mas voltemos ao caso do Ivan Basso (e ao do Michelle Scarponni que, para mim, são em tudo idênticos).

Não vão ser as autoridades, nem judiciais, nem policiais espanholas a revelar, mais dia, menos dia, os nomes de todos os implicados. Vão ser os media. Alguém, desinteressadamente, vai permitir, estou certo, a conveniente fuga de informação. (QUEREM APOSTAR QUE É O DIÁRIO "AS"?)

E em Itália a prática do recurso aos tais métodos ilícitos para o melhoramento do desempenho desportivo é punível por Lei.

Cientes, porque estas coisas, e por muito que custe aos media – que invariavelmente chegam atrasados e servem apenas de caixa de ressonância – já se sabe, bem mais atrás, ao nível dos bastidores, que algo está para rebentar, Ivan Basso e Scarponni já saberão que um destes dias – a aproximação do início do Giro potencia essa possibilidade – a lista, pelo menos dos italianos implicados, sairá a público.

E que fazem?

Claro… o mea culpa, antes da condenação virtual pelos media e adeptos.

Quais os riscos? À luz da legislação italiana são culpados mas, e porque nunca as autoridades desportivas responsáveis os apanharam em flagrante, isso serve de atenuante. Em vez dos dois anos de castigo apanharão 12 meses e já só faltam sete para o início da nova temporada na qual aparecerão completamente limpos.

Só a falta de vontade de reflectir sobre todos estes dados justifica as páginas gastas nos jornais numa coisa que, vamos esperar… mas eu tenho a certeza de que estou certo, não passará de um fait divers.

Curiosamente, há dois dias recebi um comunicado – que as redacções de todos os desportivos portugueses também receberam (eu vi a quem foi endereçado o comunicado) – da Associação dos Corredores Profissionais Italianos que, em defesa dos seus associados, se manifesta, e com toda a razão, contra a diferença de tratamento, neste caso dos italianos, em relação a corredores também presumivelmente implicados mas que, porque nos seus países – estamos a referir-nos aos espanhóis, não há como escondê-lo – as leis são diferentes, aí estão, no pelotão, correndo e ganhando corridas.

Que culpa têm os corredores espanhóis?

Nenhuma.

Legalmente ninguém os pode impedir de correr porque – na falta da tal Lei nacional – as autoridades desportivas com a obrigação de zelarem pela verdade… desportiva, não lhes podem pegar.

E então? Pagam só os italianos?
O caso de Ullrich é diferente e bem mais complexo.

Insurge-se contra isso a Associação dos Corredores Profissionais Italianos… como poderia ser o caso da portuguesa, porque a nossa Lei ainda não foi ratificada e estamos em igualdade de circunstâncias com os espanhóis.

O seu comunicado foi distribuído pelas três redacções dos três jornais desportivos. O que é que se leu?
Eu sei… nada!

Mas num caso que é UM SÓ… e por mera falta de objectividade, pequenos Torquemadas apressaram-se a acender as fogueiras e festejaram, de véspera, a queima dos impuros. No dia seguinte vinham as notícias de que – falo de Basso – sim senhor… (e ele lá sabe porque teve que se antecipar ao que, sabe-se lá, aí vem) há bolsas de sangue com o seu nome no espólio do famigerado Fuentes mas, adiantou, e a isso ninguém poderá contrapor seja o que for, foi sujeito a dezenas de controlos anti-doping e nunca nenhum deu positivo.

E agora?
Houve uma altura em que o direito ao bom-nome – de quem quer que fosse – valia, quando posto em causa, inclementes penas a quem dele se tivesse aproveitado.

Mas hoje em dia é o que vemos.

E já não se espera que o corpo esteja por terra, sangrante, para se lambuzarem os dedos com o seu sangue. Faz-se a festa de véspera. Sem esconder a hedionda (e sádica) propensão para… artigos que, esprimidos… só visam um propósito: derramar sangue.

Sei que tenho, cada vez mais indelevelmente associado ao meu nome, um estigma. Sou pelo ciclismo. Não me apanhem a escrever artigos infantilmente desmontáveis, não me acusem de escrever sem, antes disso, tentar – pelo menos tentar – informar-me o mais rigorosamente possível, e não será por aí que deixarei de dormir de consciência tranquila.

Sem nunca ter tido pretensões a qualquer tipo de poder, não ignoro que de facto usufruo de um que me é dado pela profissão que abracei por paixão. Tenho, todos os dias, uma página em branco onde posso escrever o que me apetecer. Pior do que isso, posso, sem medir as consequências, apenas transcrever o que outros escreveram (mesmo que não resista à vaidade de lá apôr o meu nome) mas, o facto de amar demais a minha profissão de Jornalista servirá sempre de travão na hora de usar da minha premissa de ter um espaço à minha disposição para acusar, levianamente, seja quem for.

(E não abdico da minha opinião de que, noutros casos – envolvendo outras modalidades – estes casos serem, sistematicamente minimizados.)