sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Agradecimento


Apresentação a 14 de Fevereiro

A Direcção do Boavista Futebol Clube e a Administração da Madeinox convidam
Vª. Exª a assistir à cerimónia de apresentação da equipa de ciclismo da Madeinox-Boavista,
a realizar no dia 14 de Fevereiro, pelas 18h00, no auditório do Estádio do Bessa
(Rua Primeiro de Janeiro, Porto).

Os melhores cumprimentos

José Santos, Director-Desportivo
A todos os responsáveis pela equipa, em especial ao Prof. José Santos, obrigado por não se terem esquecido de mim. Infelizmente, e como será do V. conhecimento, não vou poder corresponder ao Convite, mas desejo-vos a todos uma excelente temporada de 2008.
Manuel José Madeira

1073.ª etapa

LA-MSS-PÓVOA DE VARZIM


Segundo o que pude ler no sítio www.superciclismo.pt, foi apresentada no últmo domingo, na cidade da Póvoa de Varzim, a nova equipa LA-MSS-Póvoa, que não é mais que a antiga Maia, só que, e com a falta de vontade demonstrada por esta autarquia, se mudou de armas e bagagens para a Póvoa de Varzim.

Assim que souber, publicarei o plantel da equipa.

(Foto SuperCiclismo)

1072.ª etapa

O SENHOR SERAFIM FERREIRA NÃO DIZ TODA A VERDADE

A Empresa Jornal de Notícias (EJN) organizou a sua primeira Volta a Portugal em 1982.
Antes dela houve, pelo menos, meia dúzia de Jornais a organizá-la, com predominância para o Diário de Notícias, e a Federação Portuguesa de Ciclismo sempre disse “presente” quando não havia alternativa.
Ler agora o senhor Serafim Ferreira dizer que as Voltas ganhas por Joaquim Agostinho, Marco Chagas, Manuel Zeferino, Fernando Mendes, etc., eram… “amadoras” é vergonhoso.

Profissionais terão, então, sido aquelas – atenção José Carlos Gomes! - em que, trazendo conjuntos italianos que competiam com patrocínios portugueses e ganharam Voltas com níveis de hematócrito de 65% (como não te lembraste de perguntar isso)?

A SportNotícias – financiada pelo Jornal de Notícias – quase conseguiu acabar com o ciclismo profissional em Portugal.
Como?
Trazendo equipas italianas, sempre do mesmo empresário que, com o apoio de marcas portuguesas que gastavam 1000 contos para a Volta – e ganhavam quase tudo – esvaziavam o esforço dos grandes investidores nacionais em equipas portuguesas. O senhor Álvaro Silva (Sicasal) ainda aí está para corroborar o que aqui afirmo.

Investia 5000 contos por época para depois a Levira, com 1000 contos só na Volta levar os louros.
Não foi o senhor Serafim Ferreira confrontado com isto. E deixaram-no falar, falar, falar…

“Agora os jornalistas não vivem a corrida por dentro…”, diz ele e o Jornal escarrapacha em destaque.
Primeiro: os regulamentos actuais não permitem a presença dos carros da Comunicação Social junto da Corrida.
Segundo: na década de 90 ÉRAMOS OBRIGADOS a ir na corrida e não nos podíamos adiantar muito porque 750 metros à frente do carro do Director da Corrida já não ouvíamos a RádioVolta e não havia outra forma de saber o que se passava…

Hoje, até sítios na internet que NÃO ESTÃO NA CORRIDA e conseguem dar-nos informações minuto a minuto.
O senhor Serafim Ferreira, provavelmente nem sabe disto porque “congelou” lá muito para trás…


Mas os jornalistas que fizeram a entrevista não o podiam ter confrontado com a nova realidade?
Na altura do JN, e até 2003, 2004, nem filme da etapa havia.

Que remédio tinham os jornalistas que não ir ali a fazer de tampão na frente da corrida?
Se se afastassem, não ouviam a rádio-volta e depois, o gozo que o senhor Serafim Ferreira – ocupando um lugar que NÃO ERA O DELE (e por isso a Volta foi, anos e anos penalizada) – tinha em “berrar” para que a Comunicação Social se afastasse…

Não acredito que ele leia o VeloLuso, mas convinha que alguém – dos velhos amigos – lhe dissesse que as coisas mudaram.

Que hoje, na Sala de Imprensa se pode seguir a corrida passo a passo… e mais, que já na altura em que ele brincava de “Hitler” à frente da corrida, já noutras paragens não havia nenhum carro de Comunicação Social integrado na grande caravana.
Mas ele sempre teve pejo em aprender.
Julgava-se sabedor de tudo.

Mas, cheio de boa vontade, ainda sou capaz de lhe dar uma segunda oportunidade.

Senhor Serafim Ferreira… Com jornalistas experimentados, o passa-e-fica-para-trás dentro do pelotão – que eu ainda experimentei – provavelmente daria uma história bonita.
Mas o senhor sabe quem é que “faz” ciclismo agora?
Em 95% não sabem sequer o que é a zona de abastecimento apeado.

Escolha outra desculpa.

Tem, contudo, razão num ponto. Acontece uma mistura que não devia de acontecer entre Ciclismo – falo da Volta a Portugal – e a “feira” do jet-set.

Aí estamos de acordo.

Mas sabe – não sabe, porque assoberbadamente sempre achou que sabia mais do que todos e não tinha mais nada a aprender -, na Volta a Espanha também há, à partida e à chegada, um espaço para a “feira das vaidades”, o que acontece é que, em termos televisivos, uma coisa não é misturada com a outra. Mas você parece estar a cumprir a promessa que fez e hoje só vê Ciclismo... do sofá! Então tem que levar com o À Volta!...

Noutra coisa que tem razão é no facto de que, durante o seu consulado, o JN ter, de facto, dado uma página de Ciclismo diária quase ao longo dos doze meses de calendário. E hoje nenhum director de marketing de nenhuma empresa jornalística perceber o quanto apoiar o Ciclismo pode ser rentável.
Aí concordo consigo.

Todos os três diários “desportivos” já foram… “jornal oficial” da Volta, mas nenhum percebeu como a coisa funciona…
E bastava, de facto, ir às colecções do JN da década de 90 do século passado para ver…

Aí, Serafim, tem a minha total solidariedade.
Porque já tentei, mas nem metendo-lhes a coisa pelos olhos…

Para terminar…
É, uma vez mais dramaticamente exposto o seu ressabiamento quando diz que o Ciclismo português é uma utopia.
O Ciclismo português não está hoje, nem de perto nem de longe, pior do que estava nos anos 90.

É desonesto pretender vender isso como verdade.
Não o é.
Nem a Volta a Portugal vai acabar daqui a 5 anos…

Claro que não.
A não ser se o Serafim Ferreira voltasse!…

Para terminar mesmo…
O seu espanto em relação ao facto de o senhor João Lagos não aparecer na Volta apenas vem comprovar que o Serafim Ferreira congelou no tempo.


Pensa exactamente como pensava em 2000. Quando, e apesar dos vários avisos, teimava em, mesmo sendo director da organização, tomar o lugar do Director de Corrida.

Não houve alma que lhe tivesse conseguido ensinar que porteiro é para estar à porta, contínuo é para estar a uma secretária à entrada do escritório e Director é para estar no gabinete do fundo.

O senhor João Lagos está certo.
É um gestor, o que o Serafim sempre julgou ser mas nunca foi.
O senhor João Lagos tem um Director para a Organização da Volta a Portugal que está sempre por perto, para o caso de vir a ser preciso…
Mas deixa a direcção da Corrida para quem a deve dirigir… o presidente do Colégio de Comissários.

O Serafim Ferreira nunca percebeu isto.


E como acredito que não tenha mudado assim tanto… fico por aqui.
Como se diz na minha terra, não vale o trabalho, o estar a ensaboar a cabeça a pretos.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

1071.ª etapa

VOCÊS TÊM O FERNANDO EMÍLIO…
ELE QUE CONTE COMO ERA A VOLTA

NO TEMPO DO JN… (*)

Insisto na figura de clown do Serafim Ferreira.
E na ingénua intervenção do Jornal Ciclismo.

O homem foi sempre o primeiro obstáculo à subida de classe da Volta a Portugal porque, sendo director da organização, sempre insistiu no papel de ser o director de corrida, parte que está destinada ao presidente do Colégio de Comissários.

E bem à… portuense, sempre pretendeu “comprar” o voto positivo daquele, à custa de favores extra-desportivos.
Sim… fornecendo até “meninas” para a satisfação do Comissário principal.

Serafim Ferreira é o exemplo chapado do “chico-espertismo” nacional.
Pudesse eu provar o que sei. Mas ele não é parvo nenhum.
Soubesse o Jornal de Notícias a diferença entre o que ele apresentava como ganho, e o efectivamente ganho, que sobrava para ele, claro.

Como é que, tal como ele o diz, um simples jornalista conseguiu amealhar – e ostentar publicamente – o que dele sabemos que tem.
Milagres matemáticos…

Depois, com dois jornalistas “tenrinhos” a fazerem perguntas, sentiu-se em “casa”.

E desbochou como lhe apeteceu, sabendo que nenhum dos dois o poderia contradizer.

Vou pegar em dois ou três pontos da “entrevista” (desculpem lá amigos, mas foram completamente comidos!).

Aliás, o Jornal Ciclismo tem um colaborador que sabe muito mais do que eu… Não sei se vai pedir para esclarecer este ponto ou se prefere ficar calado. Mas que sabe… isso sabe.

E veremos de que matéria é feito.

Há gente muito gelatinosa!...
Vamos ver se se cala ou tem a coragem de, publicamente, vir defender aquilo que eu estou aqui a defender: a acertada decisão da FPC em entregar a Volta a uma outra entidade porque dali já pouco se esperava. Vou ficar à espera…
E ele fica entalado entre o concordar comigo... ou, por omissão, deixar perceber que não concordou com a decisão da Federação Portuguesa de Ciclismo.
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(*) - E aproveito já para acabar com uma das maiores mentiras da qual todos - eu também - fomos cúmplices na última década. Porque mais experiente, uma vez que já tinha no currículo várias corridas no estrangeiro - onde, é verdade, sim!, que não se anda no pelotão - fomos todos "levados" a adoptar essa modernice porque ELE queria estar na chegada meia hora depois da partida e "tinha" que levar todos com ele para que nenhum pudesse, ficando para trás, saber mais da corrida do que ELE próprio... Não vou desculpar-me com o facto de andar à boleia. Também me deixei levar... e disso me penitencio aqui. Agora!...

1070.ª etapa

O SENHOR SERAFIM FERREIRA,
DEFINITIVAMENTE, TEM FALTA DE MEMÓRIA

[… entrevistar Serafim Ferreira teve, no final, um ligeiro travo a frustração.]

Nem mais, meu caríssimo João Santos. Sem fazer juízos de valor, concordo plenamente contigo. Foi isso que eu senti, quando concluí a leitura da entrevista. Que poderia ter sido muito boa…
Foi o que pôde ser.

Antes de vos [Jornal Ciclismo] questionar directamente, deixo, desde já, contudo, uma pergunta: se iam entrevistar alguém, endemicamente contra o actual status do Ciclismo nacional, porque saíram sem respostas concretas?

Volto atrás, ao ano 2000, à última Volta organizada pela Sport Notícias.
À última etapa, quando metade do pelotão, na aproximação à meta, em Belém, entrou para o acesso à… Ponte 25 de Abril.

Recuo um ano (ou terão sido dois?) em que numa etapa, outra vez a última da Volta a Portugal, corrida entre as Caldas da Raínha e Lisboa, o próprio Serafim Ferreira “proibiu” qualquer fuga.

E lembro-me de três corredores, entre eles o francês Armand de las Cuevas (Banesto) ter sido - depois de ter servido de alvo ao ataque com bidões de água, por parte do resto do pelotão – obrigado a desistir pelo seu director-desportivo porque da direcção da corrida viera a “ordem” que na última etapa não havia corrida (tenho isto gravado… provo em qualquer leitor de VHS)… isto enquanto no carro de Serafim Ferreira de despejavam garrafas de vinho espumante…

Entrevistas feitas, nos dias de hoje, ao Serafim Ferreira por jornalistas que não fizeram nem uma das Voltas por ele organizadas… lamento dizê-lo, mas digo-o com todas as letras… valem zero.
Repito: ZERO.

Eu fiz dez. De 1991 a 2000.

E é claro que não posso vir aqui perorar contra o João Santos ou o José Carlos Gomes. Embora saiba que o primeiro é suficientemente humilde para aceitar a minha crítica, e o segundo erradamente assoberbado para que eu não deixe de considerar que, no fundo, ainda vai reclamar razão.

Idiotice chapada.

Porque EU ESTIVE LÁ, EM DEZ VOLTAS…
Dez anos, um a seguir ao outro… sem interregnos.

O Serafim Ferreira não tem razão em nada. ZERO… N…A…D…A!...

Fazia Voltas franciscanamente pobres e só compreendo que avance com algumas declarações porque sabia, de princípio, que nenhum dos entrevistadores podia ter conhecimento de causa.

Dez anos depois mantém-se despeitado.
Não me surpreende nem um bocadinho.
Mas não me amedronto com a figura. E digo-o, clara e objectivamente: a Volta a Portugal “vegetou” durante dez anos porque esse senhor julgava que a teria para sempre.

E é preciso ter uma enorme lata para chamar à discussão o João Lagos.
Ao pé dele, o Serafim Ferreira não passa de um amador.

1069.ª etapa

A UCI FEZ A CAMA MAS AGORA
RECUSA-SE A DEITAR-SE NELA

Está excelente o artigo sobre o ACLA (Acordo Comum de Luta Anti-doping) que nos é oferecido esta semana pelo Jornal Ciclismo.
Está tudo explicadinho, como se vai desenvolver a triagem sano-desportiva dos agentes primários do Ciclismo: os Corredores.

Parabéns.

Tudo o que lerem a partir daqui, já não tem a ver com o nosso quinzenário sobre Ciclismo, mas com uma realidade que está por explicar a quem, eventualmente, possa estar interessado na história dos controlos sanguíneos. E que nunca foi contada.

E, na minha modesta opinião, não devemos apagar essa parte da história.

Tudo começou há cerca de uma década.
Como se costuma dizer – e é verdade – quem prepara, divulga (em círculos muito restritos) e disponibiliza produtos que, usados, deturparão a verdade desportiva, anda sempre um pequeno passo à frente de quem luta contra o doping.

Mas tentem seguir o meu raciocínio.
Antes de o primeiro caso, inegavelmente ligado a tratamentos sanguíneos – fosse lá sob que forma fosse – chegasse ao conhecimento do grande público, na UCI – ainda não havia AMA – tiveram disso conhecimento e, rapidamente, se tomaram medidas.

As melhores medidas? Claro que não. Foi uma medida de compromisso e quando há compromissos, há, pelo menos menos, duas partes comprometidas.

E qual foi, então, a grande medida tomada?
Foram duas. As equipas da I Divisão – ainda não tinha nascido o bastardo ProTour – passavam a ser obrigadas a indicar um clínico a tempo inteiro, que seria responsável por todas as medidas médicas tomadas no seio da equipa.


E fixou-se nos 50% a taxa máxima de hematócrito que um Corredor poderia apresentar para não ser sancionado com os tais 15 dias afastado da competição, novas medições e… aquilo que se sabe.
A ideia veio da UCI.

Foi aprovada e implementada.

E assim andámos até há dois anos quando, com o método australiano de rastreio da EPO, por exemplo, se avançou mais um passinho, com o cálculo das medidas da hemoglobina e dos reticulócitos.

Pergunta: porque é que a UCI estabeleceu os 50% como limite máximo válido, quando… ninguém apresenta, em casos normais, esse parâmetro?

E porque é que estabeleceu a obrigatoriedade de as equipas do primeiro pelotão tivessem um médico a tempo inteiro?

Não perceberam ainda?
E como descolar a UCI desta medida?

Estou de baixa médica há dois anos. Primeiro um problema diagnosticado quase por acaso, depois as repercussões que o seu tratamento teve no meu organismo, trazendo à luz do dia outros problemas… numa autêntica via-sacra.

Nestes 24 meses fui submetido a uma dúzia de análises clínicas normais.

Uma a cada dois meses.

Fui ver o valor do meu hematócrito.
É este: 41,9 – 40,7 – 46,2 – 45,5 – 41,4 – 44 – 40,3 – 42,6 – 42,2 e 41,6.


A 12.ª análise fi-la já esta semana e só para a próxima saberei os resultados.

Agora digam se concordam ou não comigo…
Quando a UCI estabeleceu os 50 como limite máximo, deixou ou não ainda uma significativa margem de manobra para que, com o devido tratamento médico, os Corredores melhorassem a sua capacidade de produção de glóbulos vermelhos?
É claro que deixou.


É o que eu quero destacar, sublinhando-o. Chegou-se aonde se chegou… com o ámen da UCI.
Por isso me irrita a sua postura de virgem brutalmente violada.
Podia – a ideia – até ser virgem, mas que se pôs a jeito, isso pôs.

Acabem com as lágrimas de crocodilo.
Mais, assumam publicamente a responsabilidade que lhes cabe.

São estas coisas que pseudo-especialistas ignoram e, em manifestações de clara sobranceria se apressam a crucificar os Corredores.
Peões, apenas, neste desaconselhável jogo de xadrês.

Mas figurinhas que disto nada sabem, estão à beira de aparecer como os grandes paladinos na luta contra o doping.

Irrita-me solenemente ver, semana sim-semana não, um (alegadamente) jornalista a cascar forte e feio nos corredores quando nem sabe sequer quantas rodas tem uma bicicleta!
(Não!, Não são duas!...)

E eis-me eu, aqui, qual D. Quixote, a espadeirar contra os moinhos.
Assumo o cognome do personagem de Don Miguel de Cervantes: sou mesmo o Cavaleiro da Triste Figura.
Paciência. Só devo obediência à minha consciência.
E, enquanto puder expressar livremente a minha opinião… vão ter que me aturar.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

1068.ª etapa

PÁREM DE FINGIR QUE SÃO CEGOS E SURDOS...
PORQUE... SEREM MUDOS JÁ VOS COMPROMETE

Posso ter os defeitos todos que alguns não perderão a oportunidade para mos colar como forma a fazer de mim, assim qualquer coisa como... proscrito, mas, e apesar de todos os problemas porque tenho passado - e obrigado por nada, aos amigos que me deixaram cair - mantive sempre a necessária clarividência em relação ao que se passa à minha volta.

Diria que, uma das vantagens de estar há tanto tempo afastado do meu meio natural - a redacção - a soube reverter em meu proveito.
Li. Li muito.
Li quase tudo o que me ajudasse a manter-me em dia com o fenómeno desporto.
A começar com a legislação.

Nunca antes sentira a necessidade de estar tão a par do legislado como nesta longa ausência.
E não comecei mais cedo porque, e apesar de tudo, nunca pensei estar tanto tempo ausente.
Talvez por isso tenha ficado satisfeito com a solução encontrada para me substituir.
O mal foi que isso se prolongou de mais.

Bem ou mal aceite (seja lá por quem fôr), a verdade é que me sinto, ainda, com plenos direitos de me pronunciar em relação à área onde me movimentava no MEU Jornal.
Não me interessa o que pensam.
É O MEU JORNAL.
Esse, onde por manifesta falta de solidariedade, tive períodos em que entrava às nove da manhã e saía às duas da madrugada.
Tantas vezes...
O que pode a toda a hora ser provado, como saberão os interessados.
Presente ante homens justos e honestos, não tenho nada a provar.

E porque é que começo este artigo vincando que não perdi o fio à meada no que respeita á legislação? Porque ainda não li a puta de uma linha sobre ela, fora do perímetro futeboleiro.
Mas a Lei não foi feita para o futebol.

Então, pergunto-me, não foi ainda citada... por falta de espaço ou por manifesta ignorância? Foi por manifesta ignorância, não tenho dúvidas.
Mesmo que os visados tenham vindo a coleccionar... notas A, nestes dois anos (a juntar à primeira avaliação...)

Quando é mais importante cair em graça do que ser engraçado... que posso eu fazer?
Sou capaz de ser engraçado, mas recuso-me determinantemente fazer o pino ou fazer rolar três bolinhas coloridas tocadas pelo nariz, como as focas amestradas.

Acreditem que gozo, antecipadamente, com o vosso desnorte. Dá-me gozo mesmo...

Mas deixamos as questínculas pessoais. Mano-a-mano chamo-vos um... "figo".

Este artigo - que já vai longo - tem a ver com a nova Lei dos regimes jurídicos das federações e com uma mensagem que recebi há pouco de um amigo na família do Ciclismo.

Caro amigo, repensa tudo o que escreveste tento em conta o novo texto da Lei.
As Associações, sejam elas de que modalidade forem, perdem de forma significativa o peso que tinham anteriormente. Acabou-se o status quo vingente até agora.
Mudou tudo.

O que eu acho estranho é que nas MODALIDADES ninguém tenha dado conta.

A base do edifício associativo passa a ser os clubes.
As associações - que sempre foram um ninho de cobras - perdem o peso que tinham.

E creio que o seu estatutro foi modificado porque já era por demais evidente que mandavam de mais.

E isto também é válido para com o Ciclismo.
É válido para todas as modalidades.
Os jornais, cujos coordenadores mais não fazem do que esperar pelos registos das agências, FALHARAM COMPLETAMENTE.

Porque digo isto?
Porque vou, já de seguida, citar a Agência Lusa.
O que é que podemos retirar deste caso?
Que quem leu não percebeu a importância da matéria em causa.
Agora... façam pela vossa vida.
Aqui vai ficar escarrapachada a vossa incompetência.

Diz a Lei...

Regime Jurídico das Federações
Mais democracia, representatividade e transparência
(Laurentino Dias)
Lisboa, 18 Dez (Lusa) - O secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, defendeu hoje em entrevista à Agência Lusa que o novo Regime Jurídico das Federações vai trazer mais democracia, representatividade e transparência, permitindo uma renovação do associativismo desportivo.

A proposta da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto (SEJD) foi apresentada segunda-feira ao Conselho Nacional do Desporto (CND), que deverá apresentar alterações na próxima reunião do organismo, a 25 de Fevereiro.

"Entendemos que as federações desportivas, sendo a entidade mais importante em qualquer modalidade em Portugal, têm que ter consciência que a base de qualquer actividade desportiva são duas entidades, os atletas e os clubes", afirmou Laurentino Dias.

Para o secretário de Estado, "uma federação tem de reflectir nos seus órgãos principais, sobretudo em Assembleia Geral, a importância da base da sua modalidade, os atletas e os clubes".

A ponderação de votos das associações de clubes será de 70 por cento, com metade a ser distribuído pelas associações distritais e o restante a ser atribuído às associações nacionais, que, ao nível do futebol, serão ainda subdivididos pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (25) e pela Liga Portuguesa do Futebol não Profissional (10).

Os restantes 30 por cento serão atribuídos à associação mais representativa dos praticantes (15) e pelas associações de treinadores e de árbitros, com 7,5 para cada.

Nas modalidades individuais, os atletas de alta competição terão representação até 25 por cento dos delegados na Assembleia Geral.

"É uma forma de garantir aos atletas um espaço e uma capacidade de decisão e influência", referiu Laurentino Dias.

Em relação ao Ciclismo... a Associação de Equipas Profissionais e a Associação Portuguesa de Corredores Profissionais, mais a associação de Organizadores - mal esta se regularize, o que ainda não aconteceu - ocuparão o seu espaço na AG da FPC.
À custa das associações regionais?
Claro que sim!
Como em qualquer outra modalidade.

A Assembleia Geral das federações passarão a ter entre 60 a 120 delegados, sendo que cada um terá um voto e que, segundo Laurentino Dias, "acabaram os votos em pacote, ninguém pode chegar a uma assembleia e dizer que representa 25 por cento de votos".

"Não alteramos nenhuma das competências próprias nem das federações, nem das associações distritais. A única diferença é que a representação de todos os organismos se modifica. Deixa de haver uma estrutura a ter uma maioria", garantiu.

Fonte: Agência LUSA

1067.ª etapa

CARTAXO APOSTA FORTE NA JUVENTUDE

Equipa de ciclismo José Maria Nicolau apresenta equipa para época 2008.
Objectivo é formar jovens e levar sub-23 o mais longe possível... (aqui)

1066.ª etapa

POIS! O QUE É QUE EU ESCREVI ONTEM?
O QUE FOI?

EFE (Madrid) - Pat McQuaid, presidente de la Unión Ciclista Internacional (UCI), calificó de "paso atrás de veinte años" la elección de equipos para el próximo Giro de Italia por parte de los organizadores de la ronda italiana.

"No lo entiendo. El organizador del Giro (la empresa RCS) dice que su prueba es una de las grandes citas de la temporada y no invita a los mejores equipos. Los dieciocho equipos del ProTour son las primeras dieciocho formaciones mundiales", señaló McQuaid a la Agencia AFP.

McQuaid estima que la decisión del Giro de dejar fuera de la próxima edición a 4 equipos ProTour, entre ellos el Astana del español Alberto Contador, "es un paso atrás de 20 años", y añade que si bien el reglamento permite al organizador invitar a quien quiera "todo el mundo sabe que hay una jerarquía, tanto de pruebas como de equipos".

En la lista de 21 formaciones anunciadas el pasado viernes por Angelo Zomegnan, director del Giro, las formaciones ProTour del Astana, Bouygues Telecom, Crédit Agricole y High Road fueron excluidas.

Sin embargo figuran invitados equipos como el suizo NGC Médical, con corredores desconocidos. "Esto es lo que pasa cuando se le deja hacer a un organizador. Tiene sus razones económicas, nacionales..., mientras que la UCI ha trabajado para establecer una jerarquía en el plano deportivo. Entramos en el terreno de la arbitrariedad", señaló McQuaid.

Al final de la pasada temporada la UCI concedió libertad total a los organizadores de las principales pruebas (Tour, Giro y Vuelta) para elegir a los equipos participantes.

"A mi modo de ver, hace falta volver a las reglas de participación. El organizador debe tener responsabilidades para las organización de su carrera, no para la participación", añadió McQuaid. El presidente de la UCI reveló que uno de los equipos incluidos para el Giro no había solicitado la condición de wild card, una invitación, requisito para que los corredores dispongan del nuevo pasaporte biológico. Esta formación sería el equipo suizo LPR, cuyos jefes de filas son dos vencedores del Giro: los italianos Danilo Di Luca (2007) y Paolo Savoldelli (2002, 2005).

"La UCI anunciará el próximo fin de semana los nombres de los equipos que tendrán la condición de invitado. Si uno de los equipos incluidos para el Giro u otra carrera grande no la tiene, será necesario que solicite su participación en el programa del pasaporte biológico a la mayor brevedad. Y será el equipo o el organizador quien asuma el gasto", concluyó McQuaid.
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Pois, pois... como explicar a quem pagou - e bem - pela inscrição quando a UCI JÁ não risca nada nas decisões das Três Grandes?
E esta de tentar acrescentar alíneas que não existem no Código do mal nascido - este é o primeiro exemplo - Passaporte Biológico, é para rir.

O que está definido é que os Corredores das equipas ProTour, mais os daquelas que se candidatariam a um dos lugares posto quase a leilão (wild card) pela UCI - ah, cobrou taxa sim; cobrou sim senhor - eram obrigados a ter o Passaporte Biológico. O que não é obrigatório para as outras Continentais Profissionais; nem Continentais.

Mas a UCI não risca, repito, nada no que respeita à vontade dos Organizadores. E se estes resolverem convidar equipas Continentais Profissionais, e se estas não são obrigadas a aderir ao Passaporte Biológico...

Não, não! Não sacudam culpas!...
Os senhores que escrevem os regulamentos da UCI que façam alguma coisa. De jeito.
E de uma vez.
Agora... piaram tarde e qualquer alteração ao já regulamentado, tendo em vista situações concretas, não só é feio como passível de ser contestado judicialmente.
Tivessem aberto os olhos.

1065.ª etapa

COMO SE DIZ CALOTEIRO EM FRANCÊS? *

Porque é verdade, e para que conste... (Aqui)

(*) - Eu sei como se diz, mas deu jeito para o título.
Obrigado!

Agradecimento


Caros Amigos, em especial, caros Vítor Paulo, Alexandre Branco e Américo Silva, agradeço, emocionado, o facto de não se terem esquecido de mim.

Infelizmente - e estou crente que o compreenderão - não poderei corresponder ao V. amável convite. Fica para o ano, talvez.

Mas aceitem um abraço e os desejos das maiores felecidades desportivas para 2008.

Manuel José Madeira

1064.ª etapa

FONOTEL CONTINUA COM O APOIO DA BRETESCAR

Afinal a equipa do Fonotel vai continuar a estar na estrada com outro nome: Bretescar Ford-Fonotel-Ventosa.

Os Corredores são: Jorge Torre, Hélder Marques, Hélder Pinto, Gonçalo Póvoa, Bruno Gonçalves, Tiago Gonçalves, João Vicente e Daniel Ferreira.

A equipa continua chefiada pelo carismático António Marta; José Crispim é o mecânico e Carlos Marta o massagista.

(Obrigado José Crispim)

terça-feira, fevereiro 05, 2008

1063.ª etapa

BENFICA MULTIPLICA-SE...
COM SOTAQUE ALENTEJANO

Foi apresentada a nova Equipa de Ciclismo da Casa de Benfica de Almodôvar.
A apresentação teve lugar no Cine Teatro local, com lotação quase esgotada.
Para a época de 2008 está prevista a participação em 17 provas nacionais e em Espanha, incluindo-se a Semana Internacional de Palma de Maiorca. (Aqui)

Foto e texto Maria João Gouveia/SuperCiclismo

1062.ª etapa

O QUE ESTÃO A FAZER AO CICLISMO?

Todas as pessoas de Boa Vontade – e sublinho o… de Boa Vontade – devem estar neste momento tão confusas o quanto eu. E com a mesma pergunta debaixo da língua: o que é que se quer, afinal de contas, do Ciclismo actual?

A mim parece-me que se está a perder o norte.
Provavelmente por falta de objectivos… objectivamente concretos.

A mim parece-me que, desnorteados, pior, aterrados com esse mesmo desnorte, há quem já dispare em todas as direcções sem que pretenda, realmente – e objectivamente – atingir alguém em concreto.

Parece-me que, aterrorizados, só querem mesmo fazer barulho de forma a que os fantasmas que visavam caçar não se aproximem.
Contra isso fazem barulho. Muito barulho.
Mas as saraivadas de disparos acabam, inevitavelmente, por fazer vítimas.

“SEU MAUZINHO, SEU MAUZINHO…

ISSO NÃO SE FAZ!…”

Desde 1998, quando do caso-Festina (e ainda antes, com o da TVM) e, apesar de tudo ter explodido com a detenção de um auxiliar técnico da equipa, o poder instituído fez aquilo que todos os poderes instituídos fazem: há uma bronca, é preciso mostrar músculo; mostrar músculo é aplicar sonoros castigos, então castiga-se o elo mais fraco da cadeia.
Os Corredores.

E, desde então, não tem havido temporada sem “casos”. Reais ou supostos.
Sempre com os Corredores como alvo.

O que mais me estranha é a atitude reinante durante todo este tempo – de 1998 a 2006 – e que foi, mais ou menos, o ingénuo transplante para a actualidade daquilo que acontecia nos anos 50, 60 e 70 do século passado.
O doping era algumas pastilhas que, individualmente, ou de forma já mais ou menos organizada por alguns, se compravam, mais ou menos livremente na farmácia da esquina.

Até rebentarem aqueles casos que referi lá atrás, o problema do doping era o de haver uma mão-cheia de corredores que se auto-dopava e que, pontualmente, fornecia a mercadoria a quem quisesse e pudesse pagar.

E foi sempre desta forma que as mais altas instâncias olharam para o problema. Não seria mais de meia-dúzia de trapaceiros, mais outra meia-dúzia de ingénuos…
Castigando meia-dúzia, entre uns e outros, dava-se o exemplo de que, quem manda, tinha na mão o controlo da situação.

E assim caíram, na última década, alguns nomes grados do pelotão.
Pantani e Heras são só dois exemplos.
E, enquanto o pau ia e vinha, descansavam as costas da UCI e da, entretanto criada, AMA.

Aliás, o caso-Festina foi da exclusiva responsabilidade do Ministério Público da República Francesa. E foi também o Ministério Público italiano que, uns anos mais tarde, viria a pôr o pelotão do Giro às avessas.
A História não se pode reescrever.

Nem num caso, nem no outro as autoridades desportivas fizeram mais do que – perdoem-me a imagem (peço sinceramente perdão, mas para dar força ao meu argumento, lá vai…) – o dono do cão que mordera o vizinho que se queixou e chamou a polícia e, quando esta já tinha o bicho preso na rede, lá de longe dizia: “Cachorro mau, cachorro mau! Isso não se faz…”
Sem tirar as mãos dos bolsos.

Foi esta a atitude das autoridades desportivas durante aqueles oito anos. Mais… desde sempre! E ainda não percebi o que é que querem agora.

TVM E FESTINA, FERIDAS INTERNAMENTE,
MAS TAMBÉM ONCE E BANESTO, POR EXEMPLO


Na consequência dos escândalos – inevitavelmente explorados – os patrocinadores TVM e Festina afastaram-se. O que se percebeu.
Mas persistem ainda hoje muitas dúvidas em relação à coincidência da pré-avisada saída do pelotão dos gigantes espanhóis ONCE e Banesto.

Quero dizer, com a dissolução do banco Banesto – melhor, a sua compra e integração, diluindo-se, noutra entidade – adivinhava-se que, findo o contrato, a marca sairia do pelotão. Só a boa vontade, e com o recurso ao eufemismo ibanesto.com (um endereço electrónico que ia dar… ao banco que o comprara), a equipa não terminou mais cedo.

Mais intrigante foi, sem dúvida, o tão previamente anunciado abandono da ONCE. Ainda a temporada não ia a meio.
O que é que os patrões da ONCE – uma fundação altamente lucrativa, a única entidade privada que pode vender cautelas, para além do Estado Espanhol – sabiam ou, pelo menos… desconfiavam?

Fiz a Volta a Espanha desse ano.
Todos os dias os jornais desportivos espanhóis traziam novidades sobre o futuro, tanto da ibanesto.com, como da ONCE.
José Miguel Echevarry e Manolo Saíz quase não seguiram a corrida, de tão atarefados que estavam em tentar assegurar o futuro das respectivas equipas.
O navarro – ia-se sabendo – andava de porta em porta; o cantábro movia-se nos corredores da UCI.

Eram as primeiras contracções que redundariam no parto do… ProTour.

Porque é que os patrões da ONCE resolveram, sem aviso prévio, anunciar o final do patrocínio à equipa? Porque é que a UCI se dispôs a reconhecer um filho do qual não era o pai? Confiava cegamente na… “mãe” e Sáiz, com total apoio do QG da UCI logra uma saída em frente.
Tenta subir e ficar acima de tudo e todos. Com o apoio directo e publicamente assumido da UCI.

Não acontecera nada.
Não acontecera nada ainda.

O que não se percebeu foi que a solução visava, mais do que tudo… com o beneplácito da UCI, fechar à volta das grandes equipas uma espécie de redoma. Um muro protector.
Grandes patrocinadores, contratos alargados, números com muitos zeros… grandes equipas acima de quaisquer outras equipas.

E contou-se – como se conta com o ovo no cú da galinha – com o incondicional apoio das grandes organizações.
Afinal de contas estavam a garantir um alargado naipe de… palhaços ricos.
À custa do quê?
Quem se importou?
Importou a UCI?
Importou a AMA?
Algum Comité Olímpico se importou?

DE UMA “MAÇÔ PODRE AO MANOLO,
O “COMPRADOR” DE… SANGUE


Mas já antes disto tudo explodira o caso-Jesus Manzano que, ressabiado, e a troco de uma choruda maquia, contou ao espanhol AS, tim-tim por tim-tim como é que havia quem andasse a velocidades diferentes no pelotão.
Quem se importou?
Importou a UCI?
Importou a AMA?
Algum Comité Olímpico se importou?

Andava todo o mundo – como dizem os nossos irmãos brasileiros – na lua.

Até que, há dois anos e – outra vez, outra vez – por iniciativa de um Ministério Público (desta feita, o espanhol) – rebenta a Operatión Puerto.

Não é por vocês que me estão a ler, é por mim. Por respeito a mim próprio. Não volto a dizer que se tratou de uma OPERAÇÃO POLICIAL, levada a cabo pelo Ministério Público do Reino de Espanha, pegando na coisa da única forma que poderia pegar-lhe: “Actividade que pode pôr em perigo a Saúde Pública.”

Entre os directamente implicados está Manolo Sáiz.
A história, contada por cronistas recém-chegados e sem conhecimentos de causa, ignoram-no. Melhor para ele.

Podíamos perguntar: mas onde é que estavam (onde é que estão) as autoridades desportivas? E os seus braços disciplinares? No quentinho de Aigle. Querem, contudo, apossar-se dos resultados do trabalho da polícia espanhola. Ok, Sáiz está inibido de dirigir ou ser treinador de uma equipa… Pelo menos isso, que mais não fizeram.

Da Operatión Puerto, que sobrava? Aqueles que sempre foram o alvo mais fácil – principalmente por quem é manipulado, qual boneco de cordas –, é evidente: os Corredores.
E na Suíça sorri-se para dentro.
Que sejam os Corredores!

Mas… hellás! O negócio do ProTour, cujo fim, por mais que isso tenha sido sempre escamoteado, visava o assalto aos dinheiros (gordos dinheiros) que as três grandes organizações factura(va)m.
Perdidos os anéis, é preciso salvar os dedos.

Manolo Sáiz é deixado cair, como se não fizesse parte de todo o esquema desde o princípio. Heins Verbrugghen prepara a sua saída do principal cadeirão em Aigle não sem antes garantir que lá deixaria um homem de mão. Ninguém sabe o que virá a seguir, por isso queima-se aquele que é mais… dispensável. Patrick McQuaid.
Mudar para que tudo fique na mesma.

CERCAR OS PUTATIVOS… “CULPADOS”

A UCI nem tanto, mas a Agência Mundial Anti-dopagem, que vive das verbas que os diversos governos disponibilizam, precisa, com alguns resultados que se vejam, mostrar serviço.
Na Suíça engole-se em seco. Também não podem ficar parados. É então que surge, aproveitando uma fraqueza da Organização do Tour – que, independentemente de o negócio correr sobre rodas, quer à viva força voltar a ver um francês no degrau mais alto do pódio – que se lembra de obrigar todos os participantes a assinarem uma carta ética (com os resultados que se sabe), a ideia do Passaporte Biológico.
Perfeito.

Monitorizados de uma forma que nenhum outro trabalhador por conta de outrem o é [ainda!... ], toda a atenção dos media vai centrar-se nos Corredores.

As corridas sem casos, por aborrecidas, terão meia coluna e os cinco primeiros classificados…
A grande página, quiçá, até a manchete, ficará pacientemente guardada para o primeiro cujo padrão registado no Passaporte Biológico se desvie um milímetro.
Tudo será líquido, não haverá questões acessórias a pôr. Passou do risco é culpado!

Sem perigo de danos colaterais.
Um caso de culpa… Um culpado!
Siga a roda!...

MAS A VIDA NÃO É PERFEITA!

O que interessa é que o ProTour ainda sobrevive. Um pouco mais condicionado, é verdade, mas sobrevive.
Os três maiores organizadores saíram… Pois!
Mas a Austrália já entrou para o Circuito. E há a África do Sul, os Estados Unidos. Quiçá… a China. A UCI faz contas: money, money, money… em chinês não sei como se diz!

A Astana, que esteve no epicentro de um dos casos mais polémicos na última temporada… trocou de corredores e de técnicos? Então é uma nova equipa e a UCI aceita-a. E aceita a taxa de inscrição. Pois!, também não sei como se diz pilim em cazaque!!!

A Telekom, depois de mui suspeitas confissões feitas em carreirinho abandona. Aparece outra equipa que se chama High Road, embora com a mesma estrutura daquela. Mas não vêem que é outra equipa? A UCI aceita-a. Venham os euros da inscrição.

Mas a vida não é perfeita.
A organização do Giro anuncia que não convidará nenhuma das duas – entre quatro que ficarão de fora – e a UCI não pode fazer nada.
Estarão a esta hora a pensar como explicar aos patrocinadores como é que aceitaram o dinheiro da inscrição, mais taxas, claro, e agora… as equipas não podem correr. E a nova Astana já está avisada: se quer ir ao Tour, é melhor não escalar o vencedor do ano passado, o espanhol Alberto Contador.

SOBRA SEMPRE PARA OS CORREDORES

Que mal fez Contador? Objectivamente, o que há contra o corredor de Pinto?
O que resta à AMA e à UCI é uma lista com algumas dezenas de pseudónimos que a Imprensa se dedicou a descodificar. E nem o facto de, nalguns casos devidamente anunciados, ter sido obrigada a confessar que estava errada, refreou a vontade que atiçar a fogueira.

A iniciativa de se avançar do zero com a criação do Passaporte Biológico é, por si só, reveladora de que nenhuma daquelas instituições tem já grandes dúvidas de que da Operatión Puerto saia alguma coisa, contudo, assistimos à vergonhosa ostracização de uma mão cheia de Corredores contra quem não há uma única prova concreta. Há concertação entre equipas – nomeadamente aquelas que ainda estão no ProTour – para os não contratar e às outras acena-se com a ameaça de não virem a ser convidadas para as principais corridas.

Corredores ainda com alguns anos de ciclismo para dar ao pelotão foram obrigados a retirar-se. E se houve quem tivesse confessado e, curiosamente, perdoados pela affición (não sei dizer em alemão!), continuaram as suas carreiras, quem não confessou - e, aparentemente, ninguém se preocupa com o facto de ser grande a possibilidade de não terem nada a confessar – vê-se, pelo menos, sob suspeita.

É ASSIM QUE SE QUER DEVOLVER

CREDIBILIDADE AO CICLISMO?

Será a maneira mais acertada para dar ao Ciclismo uma nova imagem? E esta, de tão manchada, só por si já exigiria a colaboração de todos e todos não seriam de mais...

Excomungando Corredores? Cerceando a participação de equipas, para desespero dos patrocinadores e num momento em que se percebe que não está fácil conseguir atrair novas marcas para o Ciclismo?

Deixando que acabem equipas?
Deixando que acabem corridas?
Não creio!

Todas as vontades – as boas vontades – se deviam unir e puxar o barco para o mesmo lado. Que é coisa que não está a acontecer. Pior, ainda se agitam mais as águas o que põe em risco a possibilidade de, pacificamente, se chegar a bom porto.

E o Ciclismo está mesmo a precisar de alguma bonança, de alguma acalmia, de forma a poder refazer-se. Em paz. Sem desconfianças e, se possível – porque é necessário – com algum crédito, porque pode levar algum tempo.

Mas deixo um alerta: seja o que for que queiramos fazer pelo Ciclismo, não o podemos fazer sem Corredores. E não, não são estes os verdadeiros maus da fita!

sábado, fevereiro 02, 2008

1061.ª etapa

HONRA AOS PEQUENOS QUANDO
OS... "GRANDES" AJUSTAM AS PALAS

O fim da equipa profissional do Vitória-ASC, no limite do prazo de inscrições para a temporada de 2008, deixou o carismático director-desportivo José Augusto Silva no desemprego. Desiludido com os dirigentes do clube minhoto e com alguns ciclistas a quem no passado lhes “tinha dado a mão”, o técnico mantém viva a sua grande paixão: o ciclismo.

José Augusto Silva, natural de Nogueira do Cravo, não desiste, por isso, de se manter ligado à modalidade, tendo em mãos um projecto arrojado para 2009 que passa pela criação de uma equipa profissional na região de São João da Madeira ou Oliveira de Azeméis. (.../...)


O resto da entrevista do Norte Desportivo, aqui...

Agradecimento

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008 17:29:58
Responder-Para: Gaia Clube de Ciclismo (press@gaiacc.pt)
Para:
mzmadeira@hotmail.com

O Gaia Clube de Ciclismo convida V.Exª a estar presente na cerimónia oficial de apresentação da nossa equipa de ciclismo profissional BARBOT-SIPER, a realizar no próximo dia 15 de Fevereiro, pelas 18h, no Parque Biológico de Vila Nova de Gaia.
Parque Biológico de Vila Nova de Gaia

Morada: Av. Vasco Gama, 4430-755
AVINTES
Tel: 227878120
Cordiais saudações.


Caros Amigos,
em especial, caros Manuel António Pinto e Carlos Pereira, agradeço, emocionado, o facto de não se terem esquecido de mim.
Infelizmente - e estou crente que o compreenderão - não poderei corresponder ao V. amável convite. Fica para o ano, talvez.
Mas aceitem um abraço e os desejos das maiores felecidades desportivas para 2008.

Manuel José Madeira

1060.ª etapa

OLHA!... SURPRESA! UMA BOA SURPRESA!...

São chatos os serões em casa, mas não estou habituado a outros.
Normalmente escolho um disco para ouvir. Revejo os jornais ou, se estes já estão lidos, tento iniciar a leitura de um novo livro. E há sempre a hipótese de rever um filme de culto no DVD.
Raramente vejo televisão.

Hoje fiquei ligado aturando a charopada de um programa com nome novo, com uma cara nova mas igual a outra centena e meia de programas que fui vendo nas últimas décadas. Intragável.

Aproveitei para seleccionar os recortes das notícias sobre Ciclismo que sairam ao longo da semana.

Mas porque é que o serão de hoje foi diferente dos demais?

Porque sou fã incondicional de documentários históricos ou - como é o caso - de episódios históricos ficcionados, como o do Régicídio do Rei D. Carlos que a RTP anunciara para esta noite.

Porque, para além, ou mais do que ver, quis gravar para mais tarde rever, resisti, estoicamente à xaropada anterior.
É tão mauzinho que a grande estrela convidada apareceu a cantar uma cantiga com mais de 15 anos!!!

Mas o VeloLuso não é um espaço de crítica televisiva...
Isto é um desabafo e uma "vingança" por ter ficado sugeito a ver aquilo...

Até que acabou e eu fiquei fixado no écrã da TV, comando do gravador na mão para acionar a gavação...
... e é aqui que sou surpreendido.

E é aqui que começa, verdadeiramente, este artigo.
Vem o bloco publicitário e, às 00.50 passa um spot que no final é associado ao sítio algarve.pt e que anuncia uma série de eventos a acontecer nas próximas semanas, incluíndo... a VOLTA AO ALGARVE.

Confesso, fiquei boqueaberto de espanto. Mas, menos de cinco minutos depois, repete-se o spot. Não restam mais dúvidas.

Não sei se já havia passado antes, não sei se vai continuar a aparecer, mas EU é que não deixo passar em claro esta iniciativa que aplaudo a mãos ambas.

Que me lembre, corridas de Ciclismo publicitadas antecipadamente na TV só me recordo da Volta a Portugal.
Parabéns... que digo eu?
MUITOS PARABÉNS, aos promotores.
Seja a Região de Turismo, seja lá quem fôr que é o algarve.pt.
PARABÉNS!...

E aqui fica a nota. Confesso que emocionada.

1059.ª etapa

GRANDE MISTÉRIO!...

A começar na Federação e com o beneplácito de todas as equipas, e até da Associação Profissional de Corredores Portugueses, acordou-se o texto de um documento que... parece ser sério mas não o é!
Ou então eu tenho mesmo uma mente doente!
(O que, neste caso, não levem muito em conta porque sei exactamente do que estou a falar...)

Quiz-se, antes de mais, parecer sério.
Agora vamos lá ver se vão ser sérios.
EU, nem que fosse só para provar que há um buraco no acordo, era capaz de fazer uma patifariazinha pondo a claro que nem todos os casos foram tidos em conta.

Agora, desculpem-me lá... Mais não digo.
Mas aceito palpites... ;-)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

1058.ª etapa

CORTINAS DE FUMO PARA
NOS ESCONDER A VERDADE, ISSO NÃO!


Não há fundamentalismos bons. Esta é uma verdade irrefutável.
O exemplo leiam-no na etapa anterior.

Os fundamentalistas são irracionais e, passe a publicidade, mesmo tendo aparecido antes, os paladinos na luta contra o doping no Ciclismo (e no resto das modalidades? Sim, no resto das modalidades?...) ameaçam o estatuto meteoricamente conseguido pela ASAE.

Voltemos atrás.
Com todas as certezas de que o pelotão português está “atascado” em produtos proíbidos – É grave a acusação? Põe toda a gente sob suspeita? É… mas não fui eu quem o disse – exigia-se uma intervenção musculada.
Se há – e, pelo que li, há e não são muitos nem poucos, são todos – batoteiros, quem pode manda. Ou devia exercer o poder que tem e mandar que todos, um a um, se apresentasse a controlo… ontem.


Sei lá, fazer-se um Dia-Nacional de despiste de produtos dopantes a todos os Corredores inscritos para a próxima temporada.

Apesar de se manter, em relação a mim, a inibição de colocar comentários no CycloLusitano, fazem o favor de – ao contrário do que aconteceu antes – me permitirem o acesso ao Fórum.
Posso ler, mas não posso exprimir-me…
(Não se queixem, pois, por eu transferir para aqui alguns temas que li lá…)

E não há muitos dias ainda – mesmo que à revelia – transcrevi aqui (na 1048.ª etapa) um “diálogo” entre duas pessoas que eu admiro. Um, o meu caro Paulo Sousa, vulgo, Paulão; o outro o António Dias, que já não sei se ainda é meu amigo…

Ambos profundos conhecedores do Ciclismo, com uma pequena diferença. Um deles vive-o na estrada, à chuva, ao Sol. É testemunha de alegrias incontíveis e de destroídoras tristezas… Está no terreno.
E , até pode ser que sim, mas eu duvido… o Ciclismo é uma modalidade que é para ser vivida, não é teorizável. Definitivamente, não é teorizável.

Dou um exemplo, o meu caro colega – no Jornal A BOLA – Luís Freitas Lobo é, reconhecidamente, aquilo a que se chama um crânio, na teorização do futebol…

Dêem-me um exemplo no Ciclismo.
Não há.

Ninguém, lendo diariamente uma pilha de jornais e consultando, via net, dezenas de sítios, consegue falar de ciclismo – seja de tácticas, seja lá do que for – como uma pessoa que, nem que tenha sido por uma vez, tenha estado na estrada. Tenha, antes de uma qualquer etapa, apalpado as ilusões com que todos partem e depois, no final, tenha ido compartilhar a alegria de quem a quem as coisas correram bem, ou a profunda desilusão de quem falhou.

O Ciclismo não é teorizável.
E não é, a partir do visto através da televisão numa sala de imprensa que se consegue introduzir nos textos os sentimentos que explodem, mal se corta a meta.
Por isto o Ciclismo é diferente de quase todas as outras modalidades.
Há, o que não existe em qualquer outra disciplina, um factor não negligenciável que é o do sentimento.
E esse tem que se sentir.
Não se pode fingir que se sentiu.

Nessa tal etapa – a 1048.ª – transportei para aqui o “diálogo” entre duas pessoas que respeito mas, e tendo em conta a sua experiência vivida, separo sem margens para dúvidas.

O curioso é que o mais… teórico, o mais… intelectual, se espalha ao comprido.
Traz-nos uma pseudo declaração de um Corredor que não identifica e em relação á qual todos podemos desconfiar. Houve alguém que, de facto, tenha dito aquilo? Nem digo que tenha sido propositadamente… só que se deixou levar por uma informação falha de consistência.

Diz que se disse… é a única opção não utilizável em comunicação social.

Mas esse amigo – e, por mim, não guardo rancores – insiste numa posição radical.
Ferida de morte porque, de facto, não faz a mínima ideia do que está a falar.
Teoriza e aceita como válida a teoria.

E ele defende que sim, que o Corredor é o primeiro culpado nos casos de doping.
Porque – segundo ele – não pode ser obrigado a…

Ai, pode pode!... Pois pode.

Mas ele fala a partir do fofo conforto do sofá da sua sala.
Sabe o que lê – aceita como certo o que lê – mas não tem a menor percepção da realidade.
Aliás, há um colega jornalista de um jornal dos chamados de referência – jornal não desportivo – que tem vindo a construir uma “carreira” sem que alguma vez tenha convivido de perto com o pelotão…

As pessoas – e tenho razões para pensar assim – como o António Dias, interessam-se, lêem, lêem tudo mas como lhes falta a tal aproximação à realidade, conseguem ser cegos que nem uma mula de palas nos olhos. Só vêem para a frente.

Não é tão linear assim o problema do doping. E não nasce no Corredor. Já não nasce no Corredor, o que há três décadas atrás até podia ser verdade.
E seria interessantíssimo que – não lhes negando a opção de serem… fundamentalistas – pudessem apresentar casos concretos.
O que, na realidade, não podem.

A guerra que – e este texto, que já vai longo é um exemplo disso – há muito declarei aos que têm o coração ao pé da boca, ou, dizendo de outra maneira… tendem a condenar os Corredores mesmo que não saibam as regras do jogo, não terá fim enquanto desse lado insistirem em ver o universo como um ponto apenas.
Não é…

E deixo aqui um repto.

Há dois ou três dias deixei aqui, mais ou menos explicito, que o Acordo Concertado – ou lá como se chama – apresenta brechas significativamente importantes que podem revolucionar o princípio agora aprovado.
Revolucionar e… inverter.

Sabem qual é?
Claro que eu sei.
Mas como não sei se, mesmo os que escreveram a Lei se aperceberam disso, não avanço mais nada.
Mas foi deixada uma “janela” através da qual se pode mandar para o brejo todo este trabalho…

Eu, se fosse Director-desportivo, já me teria posto em campo…
E se calhar já há alguns que o fizeram.
Sem querer ser mauzinho… era quase capaz de adivinhar quais.
Fica a promessa que, daqui a uns meses, se se concretizar o que estou a pensar, eu venho aqui revelar tudo.

1057.ª etapa

COM "PIADAS" DESTAS QUEM É QUE
OS PODE LEVAR A SÉRIO?

A rapaziada da minha idade deve lembrar-se ainda das gloriosas tardes das sessões-duplas nos velhos cinemas de Lisboa, como o Politiema, o Eden, o Monumental e o Satélite, Império e o Estúdio… o Royal, na Graça, ou o Paris, ali à Estrela, a caminho de Campo de Ourique.
Por 7$50 entrava-se na sala às 2 da tarde e saía-se às seis, com direito a ver dois filmes. Um deles era, inevitavelmente, uma cowboiada das antigas.
Vi tantos!...

E de tantos ver nunca mais me esqueci de uma frase repetida vezes sem conta, uma espécie de ditado popular, quando os bons se referiam aos maus e sustentavam que era preciso dar-lhes caça até os exterminar porque, diz o tal ditado, rattle-snakes don’t commit suicide.

Creio que já aqui usei esta expressão, embora, com certeza, num outro contexto. E voltei a lembrar-me dela ao ler uma notícia que hoje saiu no Record.

Um tal Ettore Torri, que parece ser o responsável, no Comité Olímpico Italiano (CONI), pela luta contra o doping disse uma baboseira de tal calibre que me puxou um sorriso.

Querem ver que as cascavéis, afinal de contas, sempre comentem suicídio?

Depois das declarações alegadamente produzidas pelo signore Torri, até os mais acérrimos defensores das mais impensáveis medidas de controlo sobre um universo de profissionais que só é descriminado por serem Corredores de Ciclismo, devem ter corado e desejado encontrar um buraquinho por onde se meterem.

Não foi um tiro no pé!, foi uma descarada tentativa de suicídio.

Abrir o leque dos controlos-surpresa às 24 horas? Isto é… vale tudo, vale sempre, sejam lá que horas forem?

Quatro e meia da manhã, um médico com insónias e sem nada para fazer lembra-se de… ah!, vamos lá fazer um controlo surpresa aí a um Corredor qualquer. E a meio da madrugada vai bater-lhe à porta?

O pior é que, segundo o texto, isso já aconteceu, embora a equipa visada estivesse concentrada em estágio. Mas imaginam o que é um Corredor estar deitado na sua cama, com a sua esposa, com os filhos pequeninos e a meio da madrugada serem acordados pela campainha da porta?

Aliás, voltando atrás… Ou eu não sei ler, ou o que é exigido é que os corredores, individualmente, forneçam às autoridades competentes, as suas moradas ou locais alternativos onde possam ser encontrados. Não li nada acerca de as equipas terem de anunciar que vão estagiar para aqui ou para ali...

Talvez em Itália a Lei seja ainda mais parva que a nossa.

Mas isto não anula o que pretendo dizer com este artigo.
É de loucos alguém, instituição desportiva, tribunal, seja o que for, achar-se com o direito de, a meio da noite invadir a casa de seja quem for.

Aliás!, nem a polícia, mesmo com mandado de busca e/ou prisão assinado por um juiz o pode executar entre as 20.00 (ou 21 horas) e as 8.00 horas da manhã seguinte. Não pode entrar nem em casa da pior espécie de bandido durante a noite.

E aquele signori quer fazer controlos surpresa aos Corredores profissionais de Ciclismo… quando lhe der na real gana?

Exemplos destes ferem profundamente as – acredito – boas intenções de quem, seriamente, se quer empenhar na luta contra o doping. E com mais declarações deste tipo, qualquer dia deixa de valer a pena eu vir aqui defender os direitos dos Cidadãos Corredores profissionais de Ciclismo.

As pretensões dos seus “caçadores” serão tão ridículas que rapidamente ninguém mais os levará a sério.

1056.ª etapa

DE NOVA IORQUE À CALIFÓRNIA.
VEM AÍ A VOLTA AOS ESTADOS UNIDOS?


A notícia trá-la o META2Mil desta semana. Uma sociedade estadunidense que dá pelo nome de Aqu. Inc. propõe-se avançar com aquilo a que, à boa maneira dos súbditos de Bush, não tem pejo em chamar… Volta à América. Que são os Estados Unidos, é bom de ver. Que para eles o resto do Mundo é paisagem.

Está tudo preparado. Falta a bênção da UCI. Talvez falte mais alguma coisinha, pormenores. Como, por exemplo, conseguir que as principais equipas entrem na aventura até porque as datas escolhidas coincidem com… a Vuelta.
Em Espanha desconfia-se, pelo menos. Para já.

É que se a coisa for por diante, e com a Vuelta fora do circuito ProTour, aos espanhóis deparar-se-lhes-á um pequeno… problema.
Como tudo o que fazem, os estadunidenses não se ficam por meias tintas e o total de prémios que oferecem ascendem aos… DEZ MILHÕES de dólares. Em Euros será um pouco menos, mas que é tentador, lá isso é!...

De estranhar é que – com as guerras abertas com o Tour, primeiro com Lance Armstrong e depois com Floyd Landis – os promotores desta nova Grande Volta não tenham escolhido as datas da corrida francesa. O que prova que a ASO ainda é respeitada como adversário de peso pouco menos que imbatível…

A história contada pelo META2Mil diz-nos que a ideia inicial de um senhor – a alma desta iniciativa – de nome Frank Aroklasmy, era fazer uma corrida com… 30 dias e 7.000 quilómetros!
Depois admiram-se que um simples ser humano recorra a produtos e/ou práticas menos conducentes com o… espírito desportivo!

Mas pronto, a organização desta possível corrida recuou e dimensionou-a à imagem das Três Grandes europeias (se calhar vamos ter que passar a chamar-lhes assim…). 21 etapas e dois dias de descanso, que servirão, afinal de contas, para ultrapassar longas neutralizações.

E já fizeram contas. Estimam uma audiência televisiva na ordem dos 25 a 30… milhões de telespectadores.

Por enquanto – a não ser que já decorram negociações que a Imprensa desconhece (pelo menos a europeia) – tudo parece ser ainda e só um projecto. Mas se a UCI já esticou o ProTour à Austrália… uma Volta aos Estados Unidos, como diz o META2Mil, não seria de desprezar na tal nova ideia de… mundializar o Ciclismo.

Que já há fumo, já há. Agora basta procurar onde está o fogo.

Segundo o META2Mil, o Tour de América estará assim desenhado:
(etapa; data; partida; chegada; km)



1.ª, 6 Set. – Central Park (NY)-Philadelphia (PA), 195 km
2.ª, 7 Set. – Philadelphia (PA)-College Park (MD), 216 km
3.ª, 8 Set. – Olnay (MD)-Frederick (MD), 48 km (CRE)
4.ª, 9 Set. – Winchester (VA)-Morgan Town (WV), 222 km
5.ª, 10 Set. – Fairmont (WV)-Athens (OH), 227 km
6.ª, 11 Set. – McArthur (OH)-Cincinnati (OH), 200 km
7.ª, 12 Set. – Greenfield (IN)-Indianapolis (IN), 43,2 km (CRI)
8.ª, 13 Set. – Casey (IL)-St. Louis (MO), 228 km
9.ª, 14 Set. – St. Louis (MO)-Columbia (MO), 214 km
15 Set. – Neutralização (viagem de avião para Denver, Colorado)
10.ª, 16 Set. – Denver (CO)-Buena Vista (CO), 192 km
11.ª, 17 Set. – Poncha Springs (CO)-Pagosa Springs (CO), 216 km
12.ª, 18 Set. – Farmigton (NM)-Gallup (NM), 188 km
13.ª, 19 Set. – Window Rock (AZ)-Winslow (AZ), 200 km
14.ª, 20 Set. – Cameron (AZ)-Williams (AZ), 180 km
15.ª, 21 Set. – Kingman (AZ)-Las Vegas (NV), 176 km
16.ª, 22 Set. – Las Vegas (NV)-Las Vegas (NV), 56 km (CRI)
23 Set. – Neutralização (viagem de avião para Barstow, Califórnia)
17.ª, 24 Set. – Ridgecrest (CA)-Whitney Portal (CA), 147 km
18.ª, 25 Set. – Big Pine (CA)-Yosemite (CA), 188 km
19.ª, 26 Set. – Harden Flat (CA)-Sacramento (CA), 203 km
20.ª, 27 Set. – Napa (CA)-Santa Rosa (CA), 64 km
21.ª, 28 Set. – Santa Rosa (CA)-Palo Alto (CA), 171 km


E os prémios…

Vencedor final – 1.000.000 de dólares
Prémio mínimo para que terminar a corrida – 5.000 dólares
Vencedor do Prémio regularidade – 250.000 dólares
Melhor Equipa – 250.000 dólares
Vencedor das Metas Volantes – 100.000 dólares
Vencedor do Prémio da Montanha – 100.000 dólares
Vencedor do Prémio da Juventude – 50.000 dólares
Vencedor de cada uma das etapas – 100.000 dólares
TOTAL – 10.000.000 dólares


Não foi fácil “adivinhar” o traçado da corrida, mas será algo mais ou menos assim:



1055.ª etapa

ALGUNS ESCLARECIMENTOS
QUE ACHO NECESSÁRIOS

Em relação à etapa anterior…

… desculpem, antes disso quero, sinceramente, pedir desculpa por trazer aqui pormenores que não vos interessarão em nada. Ninguém tem culpa de eu estar doente, de eu passar tardes inteiras no Hospital. Não voltará a acontecer. Espero que me desculpem.

Em relação à etapa anterior, a Cooperativa formada pelo colectivo da equipa espanhola da Extremadura – que não vai contar com o patrocínio da Spiuk – tem um nome e é esse nome que vai aparecer nas suas camisolas sob a “marca” Extremadura.
Chamaram-lhe… Ciclismo Solidário.
A imagem, de fraca qualidade, admito, que junto, copiei-a do META2Mil…

Ainda em relação à etapa anterior…

Quando digo que o Doutor Artur Lopes terá esgotado o seu prazo de validade enquanto presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, faço-o baseado em factos reais.
O dr. Artur Lopes foi o homem certo, num certo momento que estava a ser atravessado pelo Ciclismo Português. Fez muito por ele.

Para os mais jovens, ou para os mais distraídos, devo aqui recordar que foi já no seu consulado que Portugal entrou para o mapa do Ciclismo mundial. Foi já no seu consulado que, primeiro, a Volta a Portugal e depois todas as outras provas que ainda hoje constam do Calendário (agora) Europeu, foram internacionalizadas.

No meio tempo, o dr. Artur Lopes conseguiu, galgando degraus na estrutura da UCI, um Campeonato do Mundo de Estrada para Portugal e, aqui e ali, foi safando algumas equipas de situações complicadas que, provavelmente, nem lhe competia a ele descomplicar.
Mas fê-lo.
Logo, o dr. Artur Lopes já conquistou o seu lugar na história mais recente do nosso Ciclismo.

A sugestão – que reafirmo, porque não tenho razões para mudar de ideias – de que chegou a hora de, mantendo (porque isso é importante para o Ciclismo português) o seu lugar na Comissão Executiva do Ciclismo de Estrada da UCI, pode – para não dizer… deve - libertar o lugar de presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo sustenta-se em duas situações não passíveis de discussão.

Passo a explicar.
Quando o presidente da FPC – tomando como certo que o que li foram, de facto, declarações suas – afirma que o Ciclismo português está materialmente e, na sua opinião, sem margem para discussão, mergulhado no doping e ele nada faz mais do que dizê-lo – ainda por cima quando essa sua opinião é contestada pelo Doutor Luís Horta, responsável pelo Laboratório Nacional Anti-dopagem que refuta a ideia e avança com números nunca antes alcançados de controlos, quer em competição, quer fora dela, sem que o número de casos positivos tenha aumentado …

… quando o presidente da FPC, entidade que regula, aceita e autentica as inscrições das equipas, diz – pelo menos foi o que li – que tem pena que tenhamos tantos corredores espanhóis implicados na Operação Puerto nas nossas equipas, e se é mesmo isso o que pensa… e quando, se tivesse razão, lhe bastava negar a inscrição desses corredores – o que não pode porque, à luz da Lei, nada pesa sobre eles -, então, se se está a ver obrigado a sancionar situações com as quais não concorda… podia sempre abdicar do lugar, em nome da sua consciência.

Ao tentar fazer – terá mesmo sido isso, ou fizeram-lhe o favor? – passar a mensagem de que tudo isto lhe desagrada, eu não oiço (não leio) o presidente da FPC; leio e oiço um elemento da Comissão Executiva da UCI.

Por isso escrevi que pode estar na hora de o Doutor Artur Moreira Lopes se centrar nos objectivos da UCI e deixar o lugar de presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo.
Nem sempre o mesmo rabo se pode sentar em duas cadeiras… se é que me faço entender.

E pegando no comentário do Paulo Sousa [Paulão], apesar de não, não ter sido minha intenção abrir, ou tomar partido em putativas campanhas eleitorais – nem sei, de momento, quando serão as próximas eleições – concordo com ele numa coisa.
Actualmente, o nome mais presidenciável que podemos encontrar no universo do nosso Ciclismo é mesmo o do Joaquim Gomes.

Acho que sim...