terça-feira, abril 15, 2008

II - Etapa 28

TERÁ MESMO ACONTECIDO O QUE SE DIZ QUE ACONTECEU?

E o que é que aconteceu então nessa tarde em que nem uma ténue brisa soprava e calor era de fazer derreter o alcatrão, quando da derradeira etapa da 22.ª edição da Alentejana, um crono de 25,3 quilómetros com partida do centro do Redondo, junto aos Paços do Concelho, e chegada às instalações da ACR?

Aconteceu que um tal Hector Guerra, então com 25 anos e a representar a hispano-belga Relax-Bodysol, ganhou a etapa com menos 1.28 minutos que o segundo classificado, o boavisteiro Joaquim Sampaio. Guerra fez o tempo de 30.31 minutos para os 25,3 km, o que dava uma média incrível de 49,7 km/h (este ano, para um crono com mais seis quilómetros e com o último terço a correr com forte vendo de caras, fez uma média de 44,7).

Logo, assim que cortou a meta, deixando todos surpresos e a, rapidamente, terem de fazer contas em cima do joelho, houve três ou quatro vozes que se levantaram para gritar que era impossível fazer-se um tempo daqueles. Quem era aquele Hector Guerra que ninguém conhecia?
Já nessa altura a tradição de um vencedor por edição era um dos atractivos da corrida, mas, paralelamente, era sempre esperado com grande ansiedade o momento em que ela [a tradição] fosse quebrada e um dos favoritos à vitória final, em 2004, era Joaquim Andrade (então no Tavira) que havia ganho a 20.ª edição da corrida ao serviço do Cantanhede.
Fosse como fosse, e isso só se soube quando todos os corredores chegaram, o Quim não conseguiria fazer história pois, com o resultado que fez, ficaria em terceiro atrás de Guerra e do então também ainda muito jovem Danail Petrov (Carvalhelhos-Boavista).

Ficaria em terceiro, mas terminou em segundo e o vencedor foi mesmo o jovem búlgaro, hoje corredor do Benfica.

O que é que aconteceu então? Depois dos gritos – e podem estar certo que foram mesmo gritos, a par de cenas menos dignas a que fomos todos obrigados a assistir – de que era impossível fazer-se aquele tempo, começou-se a sussurrar que havia quem tinha ouvido quem tivesse dito que houve que visse que, primeiro, Hector Guerra teria sido ajudado pelo carro de apoio (provavelmente colocando-se ao abrigo este), depois apareceu quem tivesse ouvido dizer que alguém tinha fotografado o Hector a ser ajudado por um companheiro de equipa, no caso, Moisés Dueñas que, tendo partido antes dele, terá esperado para depois o rebocar.

Essa foto não apareceu na altura. Depois, a verdade é que a prova seria de difícil aceitação uma vez que uma fotografia prende um momento, um só momento. O que é que aconteceu antes? E depois do click? Quem tirou a foto foi testemunha, mas o seu testemunho também não seria válido, à luz dos regulamentos, para interferir na decisão do CC. Só uma prova seria válida: o testemunho in loco da infracção por parte de um comissário.

Como sabem, nos contra-relógios, para além dos comissários-moto que acompanham a corrida, seguindo um determinado corredor, mas sempre com a possibilidade de se deixar descair e indo esperando por mais dois ou três, controlando, assim, a verdade da corrida, a equipa de comissários divide-se ainda, em postos fixos de observação, ao longo do traçado.

Escolhem pontos estratégicos onde, à primeira olhadela não sejam imediatamente detectados. O que obriga os corredores e quem os acompanha no carro de apoio a resistirem a tentações pois nunca se sabe se, para lá daquela curva, lá à frente, ou atrás daquele pequeno aglomerado de árvores não está um comissário vigilante.

Como o mesmo carro de apoio faz o percurso diversas vezes, acompanhando corredores diferentes, os comissários apeados mudam (ou devem mudar) de poiso porque nas primeiras passagens podem ser identificados.

E foi aí que o CC – ou um comissário por iniciativa individual, levando o Colégio a aceitar o seu depoimento – chegou à conclusão que o corredor da Relax teria mesmo tido um comportamento anti-desportivo e resolveu penalizá-lo em 2.30 minutos o que deu para que Joaquim Sampaio (Boavista) fosse declarado vencedor da etapa, com dois segundos menos que David Plaza (Paredes), e que Danail Petrov (Boavista) fosse declarado vencedor da corrida, com menos quatro segundos que Joaquim Andrade.

Quem mais barulho fez, naqueles longos quarenta e tal minutos de discussão, foram, exactamente, elementos do clã Andrade e o professor José Santos, técnico dos axadrezados. E, claro, José Maria Perez, o DD da formação hispano-belga. Uma peixeirada à moda antiga que ensombrou o final da festa. Os prémios que a formação Relax tinha conquistado ao longo da prova ficaram no chão, junto ao pódio já que a equipa se retirou de imediato, com a jura de não mais voltar a Portugal.


Voltaria no ano seguinte e até tiveram a camisola amarela na Volta a Portugal, com José Miguel Elias que ganhou a primeira etapa, com meta em Castelo Branco.

Mas eu transcrevo aqui as palavras que Hector Guerra me disse, sentado – como escrevi – num degrau das escadas de acesso à porta principal da ACR, fazendo um esforço evidente para suster as lágrimas.
«Dizem que fiz uma corrida combinada com o meu colega de equipa. É falso. Depois penalizam-me na medida justa para não ganhar a volta [teria ganho por oito segundos, não fora a penalização]. No contra-relógio de Alcobendas fiquei 4 segundos atrás do Isidro Nozal [que no ano anterior tinha arrasado na Vuelta, tendo ganho os dois cronos e só perdendo a corrida para Roberto Heras, já nas últimas etapas, junto a Madrid, e sido quarto no mundial de contra-relógio, no Canadá] e no crono da Volta a Múrcia fui segundo a oito segundos do Armstrong e fiquei à frente do Ullrich.»

Pois é!... Mas ainda há mais. Acabei por vir a saber que o comissário que «viu» a irregularidade não a podia ter visto justamente porque não estava naquele posto de controlo. Talvez devesse estar, mas não estava (fazia muito calor, a convidar a uma bebida fresca, não é?!).
E é assim que, quatro anos passados, Hector Guerra é o 26.º vencedor da Alentejana que mantém a tradição de nunca ter tido um vencedor repetido.

Mas, por tudo o que ficou aqui escrito, Hector Guerra era o único corredor que não podia, nem ter ganho este ano, nem ganhar mais esta corrida… Porque, não se podendo reescrever a História, também não podemos ignorar que há, na História, episódios que a contrariam e nunca podem ser esquecidos.

(Nota.1: Publico aqui fotos, do António Costa, a que tive acesso; não sei, nunca soube, se foram estas fotos aquelas de que se falou naquela tarde, mas continuo a sustentar que uma foto, porque fixa apenas um momento, parando-o para sempre no tempo, só nos mostra exactamente esse momento. Vemos, de facto, os dois corredores muito juntos [o Guerra é o que vem atrás]. Mesmo quem tirou as fotos, só pode ter visto os corredores durante meia dúzia de segundos. O que é que elas mostram? Que um deles alcançou o outro, ou está a apanhá-lo. Depois seguem perto durante algum tempo? Certamente, enquanto o mais forte não descolar o ultrapassado. Também há regras para estas situações. O corredor que vai ser ultrapassado deve deixar livre a melhor trajectória para o que vem para passar por ele, e depois deve manter-se no lado oposto da estrada até que a distância entre os dois já seja significativa. Só um comissário-mota, porque pode acompanhar os corredores junto deles é que pode dizer que um foi na roda do outro durante mais tempo do que o necessário para o ultrapassar. Mesmo para o comissário fixo, os corredores passam á mesma velocidade que para o público, e não dá tempo para perceber se está a ver a ultrapassagem a acontecer naquele momento, ou se a situação se prolongará, para além daquilo que a sua vista alcança, isto se não desaparecerem imediatamente do seu campo de vista numa qualquer curva algumas dezenas de metros à frente.)

(Nota.2: É claro - e creio que esta nota nem seria necessária, mas, para evitar mal-entendidos cá vai -, é claro que nem o Joaquim Andrade, nem o Joaquim Sampaio, nem o Danail Petrov tiveram nada a ver com este episódio.)

domingo, abril 13, 2008

Nota

VOLTA A PORTUGAL'2008

Comprem A BOLA de hoje para saberem as etapas da Volta a Portugal que irá decorrer entre 13 de Agosto - prólogo em Portimão - e 14 de Agosto, CRI a correr entre Penafiel e o alto de Santa Quitéria, em Felgueiras.

Não as publico aqui, por motivos óbvios, mas como entreguei o documento a quem de direito... logo, pela manhã, saberão todos os locais de partida e chegada de todas as etapas da Volta'98.

II - Etapa 27

OBRIGADO, BRUNO! OBRIGADO MANEL...

Para minha sorte, segundo o relatório diário que recebo, houve mais de 150 pessoas que leram a etapa anterior, isto até às três da tarde de ontem. Antes de se saber quem ganhara na Serra de São Mamede. De contrário corria o risco de algumas mentes mais perversas ainda aparecerem - nem que fosse nas conversas de café - a dizer que eu pusera aquela foto onde apareço junto do Bruno Pires depois de saber o resultado da etapa.

Desta vez não têm por onde me pegar.
Foi um artigo diferente, como o está a ser este.
Mesmo aqui no VeloLuso nunca arrisquei parecer ser parcial, muito menos sê-lo. E não o sou. Tenho amigos - felizmente ainda tenho amigos - em todas as formações e faço questão de cultivar a mesma seriedade que sempre me caracterizou. E assim há-de ser até ao fim.

A maioria não terá percebido a mágoa que interiormente sinto por não estar no Alentejo porque, como bom alentejano que sou, disfarço a tristeza com uma ou duas saídas que desviam as atenções.

Infelizmente - e há-de haver razões sustentadas para que medidas destas tenham sido tomadas - a partir da ligação internet do Jornal não consigo aceder às emissões on-line das rádios. Da maioria das rádios.

Ontem cheguei mesmo a pensar em levar o meu portátil pessoal com o qual e através da internet móvel, poderia aceder, por exemplo, à Rádio Voz da Planície... Acabei por não levar. Acabei por ter como informação apenas o filme da etapa. Que, permitam-me uma crítica objectiva e construtiva, é leeeeeeentinhooooooo, porra!

(Ah!, e já agora - mesmo que isso não tenha lá grande interesse porque é fácil perceber que se tratou de uma gralha - como é que hoje [leiam sábado, por favor] houve mais corredores à partida do que aqueles que terminaram a etapa de sexta-feira? Houve repescagens ou há substituições?)

Também vi há pouco o resumo da etapa na Sport-Tv e, em relação àquilo que escrevi na etapa anterior, as coisas ficaram-se pelas meias tintas. Nem foi uma jornada assim tãoooooooo espectacular, mas pronto...

Para pôr um ponto final ao meu momentâneo facciosismo, ganhou o meu compadre Bruno Pires. E ganhou de uma forma espectacular. Hoje não tive oportunidade de ler ainda crónica nenhuma, não sei qual será a leitura dos camaradas que estão no terreno, mas o alentejanito ganhou com classe. Pena é que não foi o suficiente para ganhar a volta...

Acabou aqui o puxar a brasa à minha sardinha porque a sério, totalmente a sério, é preciso reconhecer - porque o merece - que Hector Guerra fez uma grande etapa também. Aliás, exemplar, tendo em conta que era (e assim se manteve) o líder.

Desta feita, amigo Manel Zeferino, as coisas não resultaram. Eu sei que era difícil, mas tiremos o chapéu à corrida do Guerra. Tinha que se preocupar com o David Blanco, e foi isso que fez. Nota 20. Para ele e para o Américo Silva. Dificilmente - eu diria mesmo, impossivelmente - perderá esta prova. Irá ser o segundo triunfo do Américo na Alentejana, depois de já ter ganho com o russo Andrei Zintchenko.

Seria preciso acontecer uma hecatombe para que Hector Guerra perdesse esta Volta ao Alentejo. E assim se manterá a tradição. Ainda não vai ser desta vez - e disso já há a certeza - que alguém consegue bisar. 26 voltas... 26 vencedores diferentes.
Que bonita é a minha Alentejana!...

---

Para não estar a queimar artigos e porque amanhã tenho de estar cedo no Jornal e tenho que ir para o vale de lençóis, junto aqui mais um comentário. Às palavras do Orlando Rodrigues, após o crono de 6.ª feira.

Disse o Orlando - com um fino tom de sarcasmo - que a concorrência [ao Benfica] é mais forte dentro de portas do que quando corre no estrangeiro [leia-se Espanha e, para sermos precisos, Comunidade Valenciana].

Quem leu percebeu exactamente o que o Orlando quis dizer nas entrelinhas, mas, e num fim de semana aziago para as águias, quando se quer fazer passar a imagem de que alguém as está a empurrar para baixo... conseguem a proeza de, gratuitamente - no sentido do... não havia necessidade!... - cometerem hara-kiri.

Segui o filme da etapa, vi o resumo da Sport-TV e, tirando uma meta volante ganha pelo Hélder Miranda, onde esteve o Benfica?

E, já que cheguei aqui, e para terminar, deixem-me dizer... na grande fuga do dia as equipas portuguesas foram comidas. Adrian Palomares, Eládio Jimenes e aquele moço sul-africano da Barloworld eram sempre candidatos a vencer no alto. O Paredes ainda lá meteu também o André Cardoso, mas o Benfica meter o Hélder Miranda, ou mesmo a LA-MSS o Cláudio Faria... revela que não acreditaram nunca na fuga. A questão que deixo no ar é esta: porque é que levaram tanto tempo a anulá-la?

sábado, abril 12, 2008

II - Etapa 26

O QUE EU NÃO FARIA PARA PODER ESTAR AÍ!...

Depois do crono de hoje [que já foi ontem!], não é difícil adivinhar o quanto emocionante se perspectiva a etapa de amanhã [que já é hoje...].

Até pode não dar em nada. Pode. Se em vez de cada um tentar fazer a sua corrida, se preocupar mais em fazer com que o parceiro do lado a não faça, tudo pode redundar num tremendo fracasso.

Etapas destas, e numa situação destas, corridas há 15 anos atrás quando ainda não tinha sido inventado o maldito pinganillo e o Ciclismo - parafraseando palavras do Carlos Flórido - passou a parecer-se mais com um jogo de play-station, jogado pelos DD's nos respectivos carros, tinham tudo para poderem ser épicas.

Mas pronto... É assim e que havemos de fazer?

Em vez de corredores valentes, a pelejarem ombro a ombro com os seus rivais, o mais provável é que tenhamos um cerebral jogo de xadrês, onde se sacrificarão, uma a uma, todas as peças, a começar pelos peões, para no final acontecer um empate porque o rei não pode comer o rei...

Esperemos que não.

Entretanto, candeia que vai à frente ilumina duas vezes, e não posso passar sem aqui deixar os meus parabéns ao Hector Guerra e ao Américo Silva. Para já, a Liberty Seguros vai ganhando por 2-1... a uma formação de valor abaixo da média das portuguesas.

Hoje, meus senhores, é dia de pôr toda a carne no assador. Sabem quem usa esta expressão... Até prova em contrário ainda é o melhor estratega do nosso pelotão. Com provas mais do que dadas. Permitam-me ser parcial - só esta vez, e já perceberão porquê - caro amigo Manel Zeferino, tá na hora de um Alentejano ganhar a Volta ao Alentejo.

Força aí compadre Bruno!... 'tou contigo!

(Entretanto, aproveito para agradecer ao amigo Joaquim Gomes que na 5.ª feira me ligou a convidar-me para ir com ele ver o contra-relógio. Agora já não dá. Voltei às lides. Como aqui deixei muitas vezes escrito, fazia-me uma falta de morte o cheiro da redacção. Mudei de poiso, agora estou a trabalhar para o "Caderno Madeira" - não, não tenho o previlégio de ter no Jornal um caderno com o meu nome - é que A BOLA, na edição que é distribuída na Ilha da Madeira acrescenta algumas páginas exclusivamente dedicadas a noticiário local. E há sempre umas entrevistas interessantíssimas com gente de alguma forma ligada ao desporto madeirense. É isso mesmo que eu agora estou a fazer. Serve também isto para explicar aos muitos amigos porque é que não voltaram a ver o meu nome no jornal. Em contrapartida, os madeirenses já se estão a habituar às peças assinadas por um tal... Madeira!)
(Podem clicar na imagem que ela abrirá...)

II - Etapa 25

QUEM É QUE DIZ QUE AS ESTRADAS ALENTEJANAS
SÃO ESTREITINHAS E COM MAU PISO?

A primeira imagem é da Volta a Flandres;

a segunda, um troço do mítico Paris-Roubaix...

sexta-feira, abril 11, 2008

II - Etapa 24

DUAS RECLAMAÇÕES

No sentido figurado, está bom de ver...
Quem sou eu para reclamar seja lá o que fôr?

1. Proporcionei-me ao auto-flagelo de estar a ver resumos de jogos de futebol à espera do resumo da etapa do dia da Alentejana na Sport-TV. Cheguei a ver, num óraculo, que iria para o ar às 23.50. Apareceu às 00. 20. Meia hora depois. Viva o respeito pelos telespectadores que pagam, não só a TV Cabo, mas também a Sport-TV.

1 (a). Prontos, hoje já se teve uma etapa a sério.
Houve quem jogasse com o trunfo vento; houve que depois assumisse a perseguição e tudo terminou com uma - mais uma - vitória do Manel Cardoso.
Tirando o osso, vendendo apenas a carne limpa... a Liberty Seguros está a ganhar com a substituição de Cândido Barbosa por Manuel Cardoso.
E vão quatro vitórias este ano...

O Cândido parece que está com problemas de alergias...
Que se recomponha depressa.

2. Não se compreende, até porque será muito difícil de explicar, porque é que numa prova de cinco dias, com um crono - ainda por cima largo - e uma chegada em alto - ainda por cima, acima dos 1000 metros (o que em Portugal, e mais ainda na Alentejana não é muito fácil de encontrar), não há bonificações.
Estas foram inventadas para equilibrar as coisas, dando a todos as mesmas possibilidades de marcarem a sua diferença nos respectivos terrenos.

Se os contra-relogistas têm mais de 30 quilómetros para fazerem a diferença em relação aos não especialistas; se os trepadores têm uma chegada em alto - de 1.ª categoria - para, também eles, marcarem a diferença em relação aos não trepadores... como se explica o facto de, nas restantes etapas - ao jeito dos roladores e sprinters - não ter sido prevista qualquer forma de estes aproveitarem, em tempos bonificados, a sua vantagem em relação aos demais?

Eu sei perfeitamente - não me querem aproveitar como consultor? - que nos últimos anos tem reinado alguma confusão no que respeita a isto de haver ou não bonificações. Também sei de quem começou por defender que não deveria haver e depois passou a defender que devia haver e, entretanto, pelo meio, já deve ter achado que deveria haver e logo a seguir que não deveria haver.

Quando se é confuso por natureza, tarde ou nunca se... endireita.
Pronto!, estraguei um ditado popular.
Mas vocês perceberam, não perceberam?

A questão das bonificações não é, necessariamente alietória.
Terá sempre que ver com o traçado global de cada uma das corridas.

Se estamos perante uma corrida onde há etapas à medida de especialistas - os contra-relogistas, e os trepadores -, eu não tenho a mínima dúvida em defender, aqui, publicamente, que a corrida deveria ter tido bonificações.

Para que, quem, em dias como o de ontem e o de hoje, tal como em etapas como a derradeira desta Volta, pudesse ganhar um bónus por mostrar que, neste tipo de chegadas é tão bom, ou melhor, que os trepadores num final em alto ou que um especialista em cronos, na corrida solitária.

Já o ano passado - e não posso aqui desdizer o que então disse à Rádio Portalegre, a única que mo perguntou - eu defendera as bonificações.
Mas este ano o caso descamba para o incongruente.
Pelo que atrás já deixei escrito.

Há muita gente, cada um a puxar para o seu lado, não é, amigos da Organização?
Ciúmes demais para um amor que se deseja tão grande pela corrida da NOSSA terra...

Eu próprio já ouvi lamentos de uma facção e da outra.
Quem sabe vocês ainda venham a conseguir ter uma opinião despida, seja de regionalismos bacocos, seja de pretenciosismos não justificados...
Quem sabe...

quinta-feira, abril 10, 2008

II - Etapa 23

SENDO AS PRIMEIRAS INTERESSADAS
EM QUE NÃO MORRA O CICLISMO
PEDE-SE MAIS ÀS EQUIPAS

Salvaguardando as devidas diferenças, a Volta ao Alentejo'2008 começou de uma forma semelhante à do ano passado. E convém aqui lembrar que, apesar das voltas e reviravoltas que pelo meio foram acontecendo, o vencedor final foi um dos homens que, logo na primeira etapa, conseguiu ganhar tempo a um pelotão demasiado pachorrento.

Ok, estamos no Alentejo e a imagem que alguns insistem em querer passar das gentes alentejanas é essa mesmo, a de gente pachorrenta. É mentira, asseguro-vos eu.
Aliás, a vocês, os do meio, não os adeptos, mas os directamente intervenientes, digam... conhecem alguém mais... acelerado que o Teixeira Correia?
(Desculpa companheiro o estar a usar-te nestas comparações.)

Pois eu sei de antemão que não conhecem. Contudo... ele é alentejano.
Dos bons, daqueles verdadeiros. Dos sete costados, como soi dizer-se.

Vi os resultados e já li a crónica do Fernando Emílio (que poderão ler daqui a algumas horas, no jornal impresso) e, como aconteceu tantas vezes e vai, com certeza, continuar a acontecer, não podia estar mais de acordo com ele.

Permitam-me aqui um parentises.
Eu sei que o Fernando não me perdoa quase nada (ou mesmo nada!) do que, nestes últimos meses, eu, mais ou menos directamente, critiquei no seu trabalho e mesmo na sua maneira de estar. Ao fim de tantos anos de convivência, sempre esperei ver, principalmente por parte do Fernando, reconhecida a minha independência no que respeita a opiniões.
Posso estar tremendamente enganado. Mesmo que o não esteja, posso ser injustamente penalizado, mas tenho por mim a razão. A verdade. E é essa a única condição que me imponho.
Não posso, em consciência, não posso deixar passar casos flagrantes de desonestidade intelectual só porque quem fica em causa é meu amigo. Ou foi.
Para mim... é!
Desonesto será o querer cobrar favores. Isto é, reinvidicar imunidade às criticas só porque me ajudou. O drama é que eu não ficaria de bem comigo mesmo se, só por isso, me sentisse impedido de ser como sou.
As pessoas aprenderam a confiar em mim porque eu sempre fiz questão de sublinhar a minha honestidade, fosse em apreciações individuais, fosse em trabalhos mais genéricos. Sempre agi para com todos, da mesma forma como esperava que agissem comigo. Honestamente. Quando estão bem, estão bem... quando não estão, não esperem condescendência só porque somos amigos. E o que seria de todos e cada um de nós se não tivessemos amigos...

Obrigado por terem aturado este desabafo.
Voltemos ao assunto.

A etapa de hoje (que já foi ontem!...), da Volta ao Alentejo deixou a descoberto o pior que temos no nosso Ciclismo. Ok, enquanto especialista - e permitam-me auto classificar-me assim -, eu sei que, tanto o crono de Beja, como a etapa de Portalegre é que, cada uma à sua maneira, poderão definir o vencedor. Mas numa prova de cinco dias não é admissível essa coisa de que "o primeiro milho é para os pardais".

Temos equipas consistententes, com valor; temos equipas que correm em Espanha e ganham... não podemos é correr como corremos.
Estamos a regredir no tempo.
Na Volta ao Algarve é porque metade das equipas são do quadro ProTour e agora?...
De onde é que saiu esta equipa, de onde é que saiu este corredor que ganhou hoje?

Eu fico com a sensação - que é quase certeza - de que os responsáveis pelas equipas portuguesas, que não perdem uma oportunidade para malharem na Comunicação Social porque esta só dá um quarto de página ao Ciclismo, se aproveitam exactamente desse facto - o de não haver espaço nos jornais e o das rádios nacionais estarem ausentes (ou então não estarem enquadradas com a modalidade) - para conduzirem de forma descipiente a corrida das respectivas formações.

Descipiente, sim!
Caramba... o Ciclismo PRECISA que algo aconteça para rasgar espaço na Comunicação Social. Não se queixem. Mas eu, aqui, descomprometidamente, aponto o dedo sem quaisquer problemas de consciência. Se EU FOSSE PATROCINADOR não havia director-desportivo que dormisse descansado esta noite.

Se a corrida é uma prova de um dia, há quem não se preocupe porque não tem finalizadores.
Se é uma corrida por etapas, e esta tem um crono... há quem ache que não tem possibilidades, logo, não tem que trabalhar.
Se há uma chegada em alto, há quem se reserve o direito de se poupar para essa única etapa, fugindo à responsabilidade de ter que corresponder às espectativas do organizador...

Senhores directores-desportivos... não há um único, entre todos, que reconheça que sem o esforço das equipas por vós comandadas, qualquer dia não há Organizações que consigam por de pé uma corrida?

É verdade que não há corridas sem equipas, mas... e as equipas? Serão viáveis sem corridas?

Bolas! O pelotão da Volta ao Alentejo há meia dúzia de anos - para ser simpático - que, mesmo com as equipas estrangeiras convidadas, consegue ser mais fraco que alguns pelotões de corridas domésticas. Ainda assim, as principais formações nacionais conseguem, concertadas ou não, já não sei, que um qualquer Manuel Vazquez chegue aqui e ganhe.

E o pior nem é isso. O pior é que, depois de um erro cometido num ano, no outro a seguir nada se faz para impedir que o mesmo volte a acontecer...

Desculpar-me-ão a imodéstia. Parece que os DD das equipas nacionais sabem tanto de Ciclismo quanto eu, que nunca tive nada a ver com a modalidade até a ela chegar como jornalista.
Eu também vejo as grandes provas internacionais em que o pelotão deixa uma fuga ir até aos 15 minutos de vantagem. Mas depois vejo duas ou três a trabalhar seriamente para anular a fuga e aproveitá-la para ganhar velocidade na parte final.

Curiosamente, nunca li (o que, humildemente reconhece o facto de nunca o ter escrito) um facto que é evidente e que pela primeira vez (eu) ouvi de um Corredor. No magazine que passou na Sport-TV, e relativamente ao Troféu Sérgio Paulinho, o Manel Cardoso, um jovem ainda, disse esta coisa sublime - que, reforço, nunca antes ouvira e por ser tão evidente, coro de vergonha por nunca o ter escrito: "O facto de se terem mantido três corredores ligeiramente adiantados ao pelotão foi óptimo, pois levou a um aumento de velocidade do grande grupo o que, por sua vez, me facilitou a vida!"

Céus!!!... Tão óbvio.

Agora, o drama é que me parece que não há emenda para a forma de correr em Portugal.
Todas as equipas têm homens para ganhar o crono. Porque este acontece antes da etapa de chegada em alto, e aqui o lote de candidatos estreita-se, ninguém está para trabalhar nos primeiros dias. E correm o risco de serem surpreendidos por quem menos esperam.

Os patrocinadores é que eu acho que não vão perceber estas... "tácticas".
Já deviam ter percebido que o tempo do patrocinador porque sim, porque gosta de Ciclismo, acabou. Agora tudo está condicionado a estratégias de marketing. Toda a gente sabe disso... excepto os directores-desportivos.
Depois não se queixem.

A Volta a Portugal tem dez etapas e desoito equipas participantes.
Se continuam a facilitar - no que às etapas diz respeito - nas outras corridas... no final de Agosto faremos todos as mesmas contas.
Continuem a permitir que equipas manifestamente inferiores a metade do nosso pelotão ganhem etapas deste modo.

E, lá está... confiem em que os jornais não têm espaço para falar do vosso laxismo nas provas internacionais.
E depois queixem-se de que nas corridas internas só se dá uma breve.

Dentro da nossa realidade e não havendo managers nem promotores de imagem, condicionados apenas ao reduzido espaço que os jornais dão, desaproveitar uma única oportunidade de fazer um título numa página dedicada ao Ciclismo deveria ser considerado como lesa-projecto. E fazer parte do contrato de patrocínio.

Eu, se fosse patrocinador, cobraria isso.
Não estaria disposto a ser meramente um assegurador de postos de trabalho.

quarta-feira, abril 09, 2008

II - Etapa 22

CICLISMO NA TV

Vi há pouco, e pela primeira vez, confesso, o Magazine TV-Ciclismo. Também, passar Ciclismo num canal só acessível por cabo e, ainda por cima, codificado deixa muitos adeptos da modalidade sem hipóteses de o poder ver.

Não é uma crítica. Permitam-me que partilhe com todos alguns desabafos.

Crítica seria se a PGM tivesse tido a oportunidade de escolher entre vários canais interessados e tivesse optado pela Sport-TV. O que todos calculamos não aconteceu. Passa na Sport-TV porque só este canal se mostrou receptivo à oferta da PGM.

A maioria dos aficionados não o saberá e creio não estar a cometer nenhuma inconfidência ao revelar isto, mas a PGM tem de fazer tudo, colher imagens, editar, colar os comentários e garantir a entrega da casettezinha pronta a ir para o ar.

Até por isso custa a aceitar que o Canal Público, pago com os nossos impostos e que na Lei está obrigado a prestar um Serviço Público, nem assim, com a papinha toda feita e precisando apenas de encontrar um espaço de 20 minutos/meia hora onde entalar os resumos - que todos gostaríamos fossem de todas as corridas do nosso calendário, sub-23 incluídas - se mostra interessado. Devia ser obrigado. Digo eu.

Em relação ao programa em si... vi qualidades e defeitos. Mas isso acontece com tudo na vida, não é exclusivo dos resumos de Ciclismo.

Como escrevi a abrir, foi a primeira vez que o vi - não tenho assim acesso à Sport-TV tão facilmente - e gostei do esforço da produção em o fazer diversificado. Gostei de rever, ainda que apenas na televisão, o velho e caro amigo António Marta. Curiosamente, só hoje fiquei a saber que o Jorge Torre, afinal, ainda não arrumou a bicicleta e vai fazer a temporada na equipa da Ventosa. Os resumos das corridas - Troféu Sérgio Paulinho e a manga portuguesa da Taça das Nações - estavam satisfatórios e apenas no noticiário posso assinalar algumas falhas.

Não sei até que ponto, tecnicamente é viável pôr um pivot a ler as notícias, mas sempre seria melhor do que estar a ouvir que o Hector Guerra venceu o Grande Prémio de Llodio e a vê-lo a cortar uma meta com um insuflável dos CTT por trás e, mais grave ainda, a passagem de imagens - propositadamente escolhidas entre as tomadas de longa distância - mas com paisagens que, quem anda por este país, facilmente identifica. Não havia necessidade.

Ninguém exigiria à PGM que tivesse imagens da corrida. Desta, como de todas as outras que ainda estão para vir, e esperemos que seja muitas vezes notícia a vitória de corredores de equipas lusas além fronteiras. Claro que o Mundo não vem abaixo por vermos imagens de arquivo a ilustrar o noticiário, mas se fosse possível evitá-lo... melhor.

Digo eu, que não renego a minha opção puritana no que respeita à informação. Quem vê, quem ouve, quem lê, parte do princípio que está a ver, a ouvir ou a ler algo de puramente genuíno. Quando se apercebe que isto não acontece... sente-se defraudado e começa a desconfiar de tudo o que vê, que ouve ou lê.

Gostei de ver o trabalho com o Teixeira Correia. Como - repito-me - foi o primeiro magazine que vi, não sei quem é que já foi "O Homem do Dia". Por isso não posso deixar sugestões. Ainda em relação a este trabalho... houve cenas que poderiam ter sido omitidas e aproveitado o tempo para dar mais... tempo de antena ao Teixeira Correia que, certamente, teria coisas muito interessantes para dizer. Bastava tê-lo ouvido a cantar uma vez. Repetir a cena foi despropositado.

Mas é somente a minha opinião e não deixo de expressar aqui as minhas felicitações à equipa que trabalha com o Carlos Raleiras. Ah!, fiquei a saber que o André Silva - mais um alentejano na família dos jornalistas de Ciclismo - trabalha com a PGM. Boa! Força aí companheiro.

(Confirmando a opinião que muitos têm de mim... consegui ser tão estúpido que, apesar de aqui ter deixado os horários das transmissões, terminado o Magazine desliguei a televisão e perdi o resumo da 1.ª etapa da Volta ao Alentejo!!! rês dias a pão e água parece-me um castigo justo!)

II - Etapa 21

"... ALENTEJO DA MINH'ALMA
TÃO LONGE ME VAIS FICANDO"

Começa hoje a 26.ª edição da Volta ao Alentejo em bicicleta. A Alentejana, para todos os efeitos.

Estreei-me no pelotão da Comunicação Social que a acompanha em 1995. Há 13 anos, portanto. Nos últimos dois, por motivos de saúde, tive que ceder o meu lugar. Em 2006, e por causa dos tratamentos a que tinha de me sujeitar, não me foi possível aparecer, mas o ano passado - perdoai-me senhores da Segurança Social - ainda dei um saltinho lá abaixo nos dois últimos dias. Quero dizer que, nos últimos 13 anos vai ser a segunda vez que falho a corrida da minha terra, das minhas gentes...

Estas coisas não se explicam, porque não têm explicação. Há, e eu sou disso sabedor, quem vá ao ciclismo, na qualidade de Jornalista, apenas por obrigação. É somente mais um serviço.

Para mim nunca o foi, muito menos a corrida que me proporcionava regressar aos meus campos ondulados, ora verdes, se o Inverno tivesse sido generoso, ora numa meia cor de amarelo e castanho, se a chuva não tivesse embebido, nas quantidades desejadas, aquele campos de barro.

Imigrante forçado, a verdade é que só voltava regularmente ao meu Alentejo aquando da Alentejana. Por agora estou impedido de o fazer.
Só agora?
É coisa para durar?

Perguntem-me e eu responderei que dava tudo para estar aí convosco, companheiros que vão vazer a cobertura de uma prova que já foi singular, que tem vindo a perder terreno mas que, espero, consiga rapidamente, num golpe de rins à guarda-redes, recuperar todo o seu carisma.

Sei de uma estória de alguém que, em nome pessoal, escreveu à Organização impondo condições para estar presente... Botarei a boca no trombone à menor condição proporcionada. Por agora, só querio que saibam que eu sei.

Mas vamos ao que interessa.
A Alentejana sai hoje de Ferreira do Alentejo, onde eu vivi entre os sete e os dez anos de idade. Ai, tanto que gostaria de lá voltar!...

Mas não vale a pena chuver no molhado. Neste momento não posso estar, tenho se saber lidar com isso. Sejamos, pois, mais pragmáticos.

A Volta ao Alentejo atravessa - e não há ainda uma semana que pude trocar impressões com um elemento da Organização - uma fase menos boa.
É verdade que foi a primeira corrida portuguesa a atingir um nível tal, em termos de participações, que depois seria difícil de igualar... O risco era concreto.

Falo da presença de Miguel Indurain, em 1996.
Momento só equiparável à presença de Lance Armstrong, alguns anos mais tarde, na Volta ao Algarve.

Fico feliz pelo Rogério Teixeira, mas deixem-me puxar a brasa à minha sardinha... em 96, Don Miguelón não só ganhou duas etapas como foi o vencedor final da Alentejana.

Na Semana Algarvia, Lance Armstrong limitou-se a ganhar um contra-relógio. Sabem que tudo isto é relativo e que não é minha intensão minorar a presença do texano no Algarve. Mas, como referi há umas linhas atrás, deixem-me - nem que seja por facciosismo - sublinhar que o Indurain ganhou a Alentejana.

O pelotão que hoje se lança à estrada, em Ferreira, estrá a anos-luz de outros que já correram a prova. Aitor Garmendia, Chechu Rubiera, Melchor Mauri, também Marco Chagas, Manuel Zeferino, Joaquim Gomes, Fernando Carvalho ou Claus Möller, têm o seu nome na lista dos vencedorers da Alentejana que preserva uma singulariedade: em 25 edições, teve... 25 vencedores diferentes.

Parece que este ano a organização se candidata a um lugar no Guinnes Book of Records porque, tanto quanto se saiba, não há mais nenhuma corrida no Mundo que não tenha tido alguém que ganhasse, pelo menos, duas vezes.

Voltando um pouco atrás, este ano não vou poder estar.
Acredito, no entanto, que a ausência é temporária.
Porque tenho que acreditar, porque preciso acreditar...
Quero voltar...

E quando algumas coisas forem devidamente esclarecidas... não duvido que hei-de voltar.
Ninguém consegue enganhar toda a gente por muito tempo.

terça-feira, abril 08, 2008

II . Etapa 20

A PGM TRAZ ATÉ NÓS
AS EMOÇÕES DO CICLISMO NACIONAL

Esta semana no Magazine TV Ciclismo (amanhã, 4.ª feira, às 22.20 horas, na SportTV.1):

- Troféu Sérgio Paulinho: Manuel Cardoso venceu em Oliveira do Bairro na estreia da Taça de Portugal Elites
- Volta ao Alentejo na estrada até domingo: cinco etapas para coroar o 26.º vencedor da Alentejana
- “Homem do Dia”: Teixeira Correia – o jornalista, o speaker e o entusiasta da Volta ao Alentejo
- Taça das Nações: Vitor Rodrigues venceu o Grande Prémio de Portugal [nota minha: Venceu o GP de Portugal, e não a Taça das Nações como li por aí. Santas ignorâncias...]

A PGM dá-lhe mais Ciclismo na Sport TV
Volta ao Alentejo – Resumos Diários na SportTV.1
Resumo da 1.ª Etapa – amanhã, às 23.20 horas
Resumo da 2.ª Etapa – 5.ª feira, às 23.50 horas
Resumo da 3.ª Etapa – 6.ª feira, às 23.20 horas
Resumo da 4.ª Etapa – Sábado, às 00.00 horas
Resumo da 5.ª Etapa – Domingo às 00.10 horas
-
As horas de emissão são indicadas pela Sport TV.

II - Etapa 19

UM ALENTEJANO NA LIDERANÇA

O sprinter do Tavira-Palmeiras Resort, Daniel Mestre - alentejano de Almodôvar - é o primeiro líder do ranking nacional UVP-FPC de Equipas de Clube, no final do mês de Março.

No segundo posto está Ivo Fernandes, do Benfica, com os mesmos pontos que o também benfiquista Márcio Barbosa, vencedor, da segunda prova da Taça de Portugal, em Santa Marta de Penaguião.

Colectivamente, a equipa mais pontuada é a LA Sistema-SSS-Trevomar, secundada pela Casactiva-Qt.ª das Arcas-Aluvia e, finalmente, pelo SM Feira-E. Leclerc-Moreira Congelados.

Top-ten do ranking
1.º, Daniel Mestre (Tavira-Palmeiras Resort), 58 pontos
2.º, Ivo Fernandes (Benfica), 37
3.º, Márcio Barbosa (Benfica), 37
4.º, Marco Cunha (Casactiva-Qt.ª Arcas-Aluvia), 35
5.º, Tiago Pais (SM Feira-E. Leclerc-Moreira Congelados), 30
6.º, Ricardo Pereira (LA Sistemas-SSS-Trevomar), 29
7.º, Bruno Saraiva (Maia-SEC-ABB), 26
8.º, Luís Moreira (Casactiva-Qt.ª Arcas-Aluvia), 24
9.º, Marco Coelho (SM Feira-E. Leclerc-Moreira Congelados), 23

10.º, Casimiro Oliveira (Mortágua-ERA-DR Seguros), 21

Especial

ÍNTIMA FRACÇÃO

Pela primeira vez na imprensa portuguesa, um jornal tem um programa de música próprio, gratuito. Estreado por Francisco Amaral há 24 anos na Antena 1, Íntima Fracção pode ser ouvido em exclusivo no Expresso a partir de agora.

Gostos não se discutem, muito menos se impõem a seja quem for.
Gostar... é para cada um de nós como que uma impressão digital. Um acto único, que nos identifica. Mesmo que se goste das mesmas coisas, gosta-se, de certeza, de maneira diferente.
Eu gosto há quase um quarto de século de ouvir o Francisco Amaral. E há muito mais gente que gosta. Redescobri-o há cerca de um ano, depois de ter deixado as ondas da rádio (de não o terem deixado continuar).
O que não é completamente verdade, pois nessa altura ele fazia o Íntima Fracção na RUC, mas aproveitando a plataforma digital que a net lhe oferecia, disponibilizou-o a todos os seus velhos ouvintes. Onde eu me incluia. Me incluo.

Nos últimos meses o Francisco Amaral tinha voltado ao éter, nas ondas do Rádio Clube, que chega a mais gente que a RUC, mas agora, assumindo um novo desafio, regressa à plataforma digital, num exclusivo do Expresso.

Como disse lá atrás, gostos não se podem impôr, mas para quem não conhece, nunca ouviu o Íntima Fracção, eu humildemente sugiro... ouçam.

Quando a Rádio, todas as rádios, nos impingem as play-list, das quais até podemos gostar, mas não devemos ignorar que são hostensivamente manipuladas pelas empresas editoras que, à força, nos querem vender um determinado produto, poder ouvir um programa de autor - ai, que saudades, ai, ai! (como escreveu, imortalizando o desabafo, o grande Carlos Pinhão, Jornalista, um dos maiores de A BOLA e de todo o universo dos jornais portugueses) - e partilhar, porque inevitavelmente o sentiremos, aqueles mesmos sentimentos, é algo que não dispenso.
Experimentem!...
E depois, se quiserem, digam qualquer coisa...

II - Etapa 18

JOAQUIM AGOSTINHO

Consensualmente o maior nome de sempre do Ciclismo português, Joaquim Agostinho conquistou um lugar no panteão dos grandes desportistas lusos e no mesmo patamar só vejo um outro nome, o senhor Eusébio da Silva Ferreira. Este, felizmente ainda vivo e de boa saúde, desejo sinceramente.

Se fosse vivo, Joaquim Agostinho tinha completado 65 anos ontem, segunda-feira.

Daqui a pouco mais de um mês passam 24 anos sobre a sua trágica morte.

II - Etapa 17

BOM REGRESSO AO CICLISMO, AVEIRO!

Luis Filipe Lopes, do Clube dos Galitos, conseguiu o 2.º Lugar na prova de BTT de 40 km, este fim-de-semana, em Mortágua, com o tempo de 1.47.35 horas, numa prova em que participaram cerca de meio milhar de atletas.

Na prova de BTT, em orientação, realizada em Ílhavo, Miguel Lopes obteve o 2.º lugar na prova de 20 km com o tempo de 1.10.51 horas e nos Master (40 km) a dupla Manuel Ribeiro e Paulo Paulino obtive o 4.º lugar, com o tempo de 2.51.01 horas.

A participação do Clube dos Galitos em competições no ciclismo e envergando pela primeira vez, esta temporada, equipamentos com as cores do clube, 104 anos após a sua fundação, é um marco que se deve assinalar duplamente.

O Galitos começou a sua actividade desportiva pelo Ciclismo, logo no ano da sua fundação, e inaugurou, em Julho de 1904, o Velódromo do Clube dos Galitos no então “ilhote” do Cojo (onde está, hoje, o Fórum de Aveiro).

Na altura despontaram nomes de corredores míticos para Aveiro.
Como António da Cruz Bento, Manuel Ferreira Canha Júnior, João da Cruz Pericão e Francisco Pereira de Melo que arrastavam multidões entusiastas para assistirem à modalidade rainha do clube no ano da sua fundação.

Aplauda-se, aqui, o seu regresso ao Ciclismo.

segunda-feira, abril 07, 2008

II - Etapa 16

É DURO, SE CALHAR CHATO... MAS É VERDADE!
E NESTE QUADRO, QUE MAIS POSSO FAZER?

Tenho consciência perfeita de que o que deixei na Etapa 11 é duro, é chato e penalizador para uma pessoa que já foi minha amiga. Mas é verdade!

Não é uma "guerra" pessoal.
Contestei, aqui, sempre, actos e posições de outros companheiros. Dos mais diversos OCS.
E quando decido que não abdicarei do meu direito à indignação, tendo em conta a verdade, não posso, não posso mesmo, fechar os olhos só porque o alvo é (ou foi) meu amigo.
Não me peçam para ser parcial.
Não sou capaz.

Não sei qual o "retorno" que o jornal envolvido tem, mas um comentário deixado aqui, como resposta à etapa que sobre isso falava, chega-me para sustentar o interesse da rubrica em causa.

É interessantíssima.

Tendo em conta que se quebrou - e não há mais chances de a recolar - a cadeia de ligação entre os mais jovens e a História do Ciclismo português, aquela rubrica, daquele Jornal, é fundamental.

Mas é inaceitável a forma como está a ser gerida.
Quem é o responsável?
Quem escreve?
Quem edita?
Não me preocupa isso.

Virei a público, sempre que for necessário, para defender a credibilidade da Informação que é dada ao leitor.

Eu nem sequer duvido que, na próxima edição do Jornal, venha a surgir uma explicação plausível.
Sei desde o princípio que corria o risco de ver rebatidas as minhas acusações.
Mas que fomos confrontados com um descarado plágio, isso ninguém o poderá negar.
Voltar atrás e recolher justificações que até poderão ser plausíveis, é possível.
Mas essa informação teria que ter sido avançada à cabeça.

Cito de cor: "Observaremos a grafia da época..."
Ficava subentendido que o que aí vinha não seriam mais do que a citações de obras já publicadas. O que faltou foi - e já não é a primeira vez - "avisar" os leitores que o que estão a ler não é "obra" do jornalista que dá a cara, mas sim a cópia de trabalhos de terceiros, que, obviamente, detêm os direitos sobre o que escreveram.

Foi esta a leitura, a mais simples, aquela que eu fiz.
Acrescentando-lhe que nenhum Jornalista pode apresentar como se fosse seu, o trabalho de outro colega de profissão, eu tenho razão. Sempre.

Como acho que a rubrica tem interesse - mas não devia chamar-se "Opinião" -, deve o jornal em causa continuar a oferecer-no-la. Com uma nota introdutória clara, sem margem para dúvidas: que o trabalho se baseia no trabalho de outros jornalistas e assinalando sempre as partes citadas do documento original.

Se se copia tudo... então os créditos deverão ser dados a quem o escreveu originalmente. E, em vez de, no cabeçalho, aparecer por... fulano de tal, aparecer, secção coordenada por... fulano de tal, e a indicação precisa e inequívoca, em cada um dos artigos, de quem foi o seu autor original.

O que está a acontecer enquadra-se na figura de plágio.
Acto, ou tentativa, de fazer parecer que um trabalho de terceiros será da autoria de quem assume a assinatura da página.
Por isso eu reagi.
E voltarei a terreiro se nada for alterado.

domingo, abril 06, 2008

II - Etapa 15

E O VENCEDOR (*) FOI...
MANUEL CARDOSO!

(*) - da 4,ª edição do Troféu Sérgio Paulinho,

primeira das cinco provas a contar para a Taça de Portugal.

II - Etapa 14

QUATRO NOTÍCIAS BREVES

1. Esta semana, embora em Portugal poucos lhe tenham dado importância, o holandês Heins Verbruggen (presidente-sombra da UCI), confessou publicamente que a UCI perdeu - pelo menos, esta batalha - no braço de ferro com a ASO.
Isto é, o ProTour era uma grande ideia se a UCI pudesse deitar mão aos dinheiros gerados pelas Grandes Voltas, mas é aí mesmo - no dinheirinho - que sempre esteve o calcanhar de Aquiles.

Se a ASO - bem como RCS e a Unipublic - já têm as suas banquinhas montadas no mercado, se nelas vendem o seu peixinho a 10, porque é que haveriam de o vender à UCI a 7,5 para esta o revender a 15?
Quem é que nunca percebeu isto?

Entretanto, parece que a AMA já não está interessada na sociedade com a UCI.
Adivinhem qual o motivo.
Quem disse... o dinheirinho acertou.
Luta contra o doping? Sim senhor.
Perseguir e ostracizar Corredores? Também sim, embora toda a gente saiba que há muiiiiiiito mais, e com um peso específico não desprezível, para além dos corredores, está bem também...
Mas quando a coisa chegou à parte dos dinheirinhos piou mais fininho.

Na verdade, e só não vê quem não quer e só não denuncia quem não tem coragem, a palhaçada da luta anti-doping - e foi azar ter logo calhado a fava ao Ciclismo - não é mais do que... mais um tabuleiro onde entidades várias querem fazer o seu jogo, ganhar visibilidade e daí tirar os respectivos dividendos.
Em contado - como dizem os espanhóis -, claro.

2. É uma aberração e, nem quem aperfilhou o bastardo da UCI - sim, o ProTour -, se soube aproveitar. A ASO ainda não pagou a totalidade dos prémios devidos aos Corredores, relativos ao Tour de 2007.

Fosse a Volta ao Algarve, ou a Volta ao Alentejo - ou a PAD, para outra facção, facilmente identificável com o antigo organizador da Volta a Portugal e que, por mais de uma vez denunciou a falta de pago dentro dos prazos combinados - e já teria sido seria notícia.
Mas não li ainda uma linha sobre o incumprimento da ASO.

Já agora, posso adiantar que a CPA - Assossiação dos Corredores Profissionais - pondera entregar o caso à justiça, recorrendo aos tribunais, se a isso for obrigada.

3. Porque pouco ou nada sabemos sobre a realidade do Ciclismo para além da Europa, decidi aqui publicitar uma notícia que li no Jornal de Angola.
Realiza-se naquele país, entre os próximos dias 11 e 13, o I Troféu ENSA, em Ciclismo.
Terá o formato clássico de um Critério.
No dia 11, um crono de 8 km, na zona de Talatona (Luanda-sul);
no dia 12, uma etapa de 120 km com inicio no Morro Bento, passando pelos bairros de Benfica e Miradouro da Lua, viragem para a Barra Kwanza e regresso à Avenida 4 de Fevereiro;
e no dia 13, a derradeira etapa, com 30 km, partida e chegada na Avenida 4 de Fevereiro.

4. Apesar das dificuldades que aqui referi há já alguns meses, está assegurada a realização do GP Abimota (notícia A BOLA) que se disputará entre 5 e 8 de Junho.
As etapas já estão definidas e serão: Anadia-Praia da Torreira, Murtosa-Montemor o Velho, Montemor o Velho-Coimbra e Coimbra-Águeda.

II - Etapa 13

EQUIPA DE BTT DOS ESTORNINHOS FOI APRESENTADA

Há uns artigos atrás tinha aqui deixado a nova de que o Tavira e a Resort Palmeiras voltariam, este ano, a apoiar a equipa de BTT da Associação Agro-cinegética dos Estorninhos.

Pois bem, ela já foi oficialmente apresentada, e como não custa nada, mesmo com atraso, aqui fica a foto do grupo.


(Obrigado Ana Luísa de Jesús)

II - Etapa 12

TROFÉU SÉRGIO PAULINHO
ABRE TAÇA DE PORTUGAL

Corre-se hoje a 4.ª edição do Troféu Sérgio Paulinho, prova organizada pela Federação Portuguesa de Ciclismo e lançada exactamente há quatro anos para homenagear o primeiro Corredor português a conseguir uma medalha olímpica.

As duas primeiras edições disputaram-se na zona Sintra/Cascais, Cândido Barbosa, então na LA-Liberty, venceu a primeira e Danail Petrov, então na Milaneza-Maia, a segunda; tal como este ano, o ano passado o Troféu correu-se a norte, em Oliveira do Bairro, e o vencedor foi Manuel Cardoso, então na Riberalves-Boavista.

Daqui a pouco menos de uma hora saber-se-á que sucede a estes três corredores no historial da prova, como vencedor, sendo que só Manuel Cardoso poderá bisar, uma vez que os dois primeiros ganhadores – actualmente, companheiros de equipa, no Benfica – não correram a prova.
Ao mesmo tempo, arranca, exactamente com o Troféu Sérgio Paulinho, mais uma edição da Taça de Portugal - em 2001 chamou-se Taça Nacional das Clássicas e foi organizada pela PAD, mas o figurino é, em tudo semelhante - que contará com mais quatro corridas. A saber:

Clássica da Primavera
(Navais/-Póvoa de Varzim), a 20 de Abril
Clássica de Amarante
(Troféu doutor José Barreiro de Magalhães), a 11 de Maio
GP Restaurante Alpendre
(Cacela/Tavira), data ainda a definir, e
Prémio de Albergaria-a-Velha, a 22 de Junho

Já agora, não se perde nada em recordar que a Taça Nacional das Clássicas, em 1991, foi brilhantemente ganha por Nuno Marta, então na alentejana Porta da Ravessa, que venceu cinco das seis ou sete corridas (não tenho agora presente) que a compunham.

Noutro âmbito, o argentino Martin Garrido (Palmeiras Resort-Tavira), é o novo vice-campeão do seu país, na especialidade de contra-relógio, depois de na passada sexta-feira ter ficado na segunda posição, atrás de Matias Medicci. Garrido completou os 40 km do percurso em 49.20 minutos, mais 35 segundos que o vencedor.
Hoje, Martin Garrido cumprirá também a prova de fundo, com 180 km, realizada, tal como o crono, na cidade de Córdoba.

sábado, abril 05, 2008

II - Etapa 11

SEM MAIS COMENTÁRIOS!...
.
O livro, cuja capa - onde acrescento a "ficha técnica" - reproduzo aqui ao lado, foi editado em 1999, patrocinado pela FPC e escrito - bem, ou mal (e não sei o que aconteceu para que tenha sido tão mau!) - por um antigo companheiro de estrada, entretanto falecido.
Chamava-se Rodrigo Pinto.
Escreveu-o com o apoio de outros nomes que merecem o respeito de todos: Guita Júnior, Carlos Miranda e Mário Lino.

Rodrigo Pinto foi Jornalista em várias publicações, chegou a Director na extinta Gazeta dos Desportos e merecia um pouco mais de respeito por parte dos seus pares, nós os Jornalistas, aliás, ele chegou mesmo a ser presidente do CNID.

Este livro foi encomendado ao Rodrigo Pinto, ele fê-lo (temos que acreditar) o melhor que podia e não serei eu a dizer que não poderia estar muito melhor; mais, até digo que está muito fraquito.
Ainda assim, mesmo a cair para o mauzinho, ainda é objecto de um puro acto de pirataria intelectual. Foi copiado, sem qualquer referência ao autor. E é uma obra que está registada (é ainda do tempo em que não tinha sido inventada a ERC) com o número 144874/99 de Depósito Legal (era assim, naquela altura).

Como qualquer outra obra registada, só será possível transcrevê-la com a autorização escrita do seu autor (neste caso, quem detém os direitos da obra, uma vez que o autor já faleceu) e com a referência a isso mesmo (depois de autorizada... não é só transcrever e dizer que o autor foi fulano de tal.)
Mesmo que legalmente os direitos de propriedade sejam da FPC, nenhum Jornalista sério tentaria fazer passar como seu o trabalho de um companheiro de profissão.
E a questão acaba aqui!
Se não perceberem isto... nem vale a pena ir mais além.

Uma coisa é certa, seja lá quem for que patrocine uma publicação, esta tem sempre um autor intelectual.
Em relação ao que vou mostrar mais à frente, não faço mais comentários. Os actos ficam com quem os comete...
Clicando nas imagens podem vê-las maiores e lê-las sem problemas.

II - Etapa 11 (a)

ESTAS SÃO AS PÁGINAS (58 a 61) DO REFERIDO LIVRO



























































II - Etapa 11 (b)

AGORA... PROCUREM AS DIFERENÇAS!