PERDEU-SE A MELHOR OPORTUNIDADE PARA MINIMIZAR OS "ESTRAGOS" QUE
ESTÃO A SER FEITOS À LA-MSS-PÓVOA
A equipa da LA-MSS-Póvoa de Varzim, que ainda tem sete Corredores sobre os quais não recai nenhuma medida administrativa - que a suspensão dos outros não passa de uma medida administrativa pois, em termos disciplinares nada há contra eles, pelo menos ainda -, podia estar a correr o Troféu Joaquim Agostinho.
O Cycling Clube da Póvoa tem nos seus quadros uma Directora-desportiva com o Curso do nível II - igual ao de, pelo menos, dois colegas seus que estão neste momento na estrada a orientar as respectivas equipas -, mas que a FPC recusou liminarmente aceita-la como substituta do DD suspenso administrativamente. E assim, a equipa está, outra vez, impedida de correr.
Foi tudo cirurgicamente planeado e posto em execução.
E aqueles que se negam a aceitar a tese de cabala, das duas uma: ou não estão a perceber nada do que se está a passar, ou não perceberiam mesmo nada, mesmo que se lhes fizesse um desenho.
Mesmo afastado, já devem ter percebido que tenho olhos e ouvidos por todo o lado. Sigo este caso tão de perto como se estivesse na estrada. Na estrada, porque não é igual para todos a facilidade de movimentação dentro das quatro paredes do edifício cor -de-rosa da Rua de Campolide...
Sei que se vive um ambiente tenso, de cortar à faca, dentro do pelotão.
Que há quem ache que se há Regulamentos, estes são para ser cumpridos e que sendo todos iguais, não compreendem porque é que há uns mais iguais que outros.
Claro que publicamente não se manifestam. Está-se a andar, literalmente, no fio da navalha e ninguém se atreve a avançar um pé antes de sentir que o outro está perfeitamente seguro;
sei que, mesmo no seio da Associação Portuguesa de Corredores Profissionais, até agora foi impossível chegar-se a uma plataforma de interesse comum.
Como escrevi dois ou três artigos atrás, pela sua importância, pelo seu historial, pelo simbolismo do nome que carrega... por tudo, parte do problema que está a destruir uma equipa que é, apenas, aquela que mais visibilidade deu ao Ciclismo português (estou a falar de equipa, não de individualidades) na última década, poderia ter sido aligeirado se a UDO lhes tivesse dado uma oportunidade.
Mesmo só com sete Corredores, mesmo com uma Directora-desportiva naturalmente pouco preparada para estas andanças.
Como já há alguns dias deixei aqui escrito, este "caso" já poderia estar resolvido.
Quem manda, foi claro e pôs ao responsável financeiro da equipa uma única condição: entregar numa bandeja as cabeças do Manel Zeferino, de dois corredores e de um massagista.
Incapaz de fazer isso mas, ao mesmo tempo, incapaz de se impôr, batendo o pé e tentar, pelo menos tentar, salvar a equipa, o presidente do clube demitiu-se por carta que meteu na caixa do correio instantes antes de iniciar a viagem até à Póvoa onde o clube reuniria em Conselho de Crise. Nem aí foi capaz de ter uma ideia ou, pelo menos, dizer que não era, pura e simplesmente, capaz de ter ideias. Entrou mudo, saíu calado.
A surpresa, para os outros responsáveis pela equipa, estava guardada para a manhã seguinte quando na caixa de correio encontraram uma carta com o pedido formal de demissão do cargo de presidente do clube.
O homem nem capaz foi de dizer que estava demissionário.
Tendo estado reunido com os seus pares... fê-lo por carta, que chegou 24 horas depois ao local onde ele estivera na véspera.
Estou desiludido com a UDO. Por ser uma organização, ao contrário das Associações, independente da FPC - eu sei que estou a ser anjinho!... - poderia ter feito alguma coisa por aquele grupo de profissionais sobre os quais não pesa acusação alguma. E passou a batata quente para as mãos da PAD.
Falta pouco mais de um mês para o arranque da Volta e adivinho que todo o imbróglio, toda a teia construída, tudo menos inocentemente, para deixar a LA-MSS-Póvoa de Varzim de fora da Volta a Portugal, vai manter-se até que seja impossível, em tempo útil, à equipa participar.
Devo aqui confessar uma coisa.
Não posso deixar de admirar a figura do presidente da FPC.
Porquê?
Sai explicação: mais ninguém podia destruir a LA-MSS-Póvoa.
Mesmo com provas concretas e suficientes para afastar um, dois ou três corredores, mais o director-desportivo, o conseguiria fazer em tempo útil, dado que toda a gente tem a possibilidade de recorrer - desde que saibam do que estão a ser acusados, claro.
Nem Conselho de Disciplina nem Conselho Jurisdicional, nem sequer um Tribunal civil.
Só alguém que, apesar da estatutária separação de poderes, manda - pode, quer e manda - transversalmente em todos os órgãos sociais da FPC, pese embora, estatutariamente eles tenham que ser autónomos.
Sendo curto e grosso... é preciso tê-los no sítio para abafar tudo à sua volta, desautorizar todos e fazer vingar a sua decisão. E, claro, que todos os responsáveis pelos outros órgãos sejam uns invertebrados. Mas foram escolhidos a dedo para não contrariarem quem manda.
Não estivesse a casa construída como está, perante tamanha prepotência e atropelo dos estatutos, poder-se-ia marcar uma assembleia-geral extraordinária e decidir-se o plenário pela destituição do presidente da Direcção. Mas é mais fácil acreditar no ET...
Infelizmente.
A LA-MSS-Póvoa só tem, nem é uma bóia, é um bocado de tábua a qual poderá, por ventura, vir a ser-lhe atirada pela João Lagos Sports-PAD.
Nem vou aqui recordar a tomada de posição da empresa que organiza a Volta a Portugal em relação a um punhado de equipas espanholas, o ano passado, que não conseguiam correr no seu país devido à Operatión Puerto, mas que vieram à nossa Volta.
Sinceramente, acredito mais no bom senso e na capacidade que o João Lagos tem para fazer render os investimentos que faz. E, acreditem ou não, sair para a estrada sem a LA-MSS-Póvoa no pelotão será, certamente, penalizador para a organização.
Mas volto só umas linhas atrás...
É de uma injustiça atroz o que a FPC está a fazer à empresa LA Alumínios.
O Luís Almeida foi quem permitiu que o bloco que formava a Sicasal-Acral, em 1996 (já há 12 anos) não ficasse desempregado, o Luís Almeida, mais o Joaquim Gomes e o malogrado Manuel Branco Maduro.
Há 12 anos que a empresa deste homem, do Luís Almeida, patrocina uma equipa profissional, primeiro, depois uma equipa de sub-23 e ainda um grupo de Ciclismo para Todos.
A cegueira que move o presidente da FPC contra um homem, um homem só, fá-lo esquecer tudo o resto. E isso é desonesto. Digo-o eu.
E volto ao princípio. Os amigos, porque hão-de ser seus amigos, os de dentro e de fora da federação, mesmo os que não pertencendo à instituição se movem como se dela fizessem parte, ou o fazem porque, vá lá saber-se, se calhar fazem parte, deviam ter tentado convencê-lo - mesmo mantendo este impedimento administrativo que impôs - a não inventar mais obstáculos para que a equipa não corresse.
"Presos preventivos", sem acusação formada, é um cenário que o poder judicial está a tentar pôr cobro. Como é então possível que a FPC faça isso mesmo.
E mesmo as equipas, através da sua associação - se é que ainda funciona - deviam ter feito a sua pressão.
Caramba!, toda a gente já sabe que o raid conjunto - não sei se é legal, se é aceitável em termos legais - da PJ com a "assessoria" do CNAD só encontrou matéria susceptível de procedimento criminal (e eu, na interpretação que faço da Lei, acho que isso não poderá nunca reflectir-se no campo disciplinar desportivo porque não houve nenhum caso positivo de doping e porque o CNAD só ficou a saber do que estava escondido, graças ao mandado de busca, válido, atenção a isto, válido apenas para ser executado pela PJ) - em casa de dois Corredores.
Em que artigo do regulamento...
Mas subo, mais um pouco, em que artigo, e de que Lei, é que está explicitado o poder de uma pessoa para que, por si só, se decida pela suspensão de um determinado número de pessoas - e é impossível escamotear isto - cirurgicamente escolhidas (salvo os Corredores, onde ainda consigo dar o benefício da dúvida que tenha sacrificado três para não acusarem os dois que poderiam ser acusados se aquela acção conjunta fosse legal, o que é mais uma prova de o não foi) - para retirar uma equipa da estrada?
Nem o venezuelano Hugo Chavez!
Um dia havemos de saber tudo.
Mas já há, queiram ou não admiti-lo, vítimas de todo este processo.
Que vítimas? Que processo?
Numa frase: Numa situação exactamente igual à que aconteceu hoje [ontem] - numa chegada que ninguém teve espaço para nos explicar, a nós leitores, que ia ser como foi, se calhar também não sabiam... quem é que impede que se diga: ah!... se o João Cabreira lá estivesse!... Ou o Bruno Pires...
A vítima?, naturalmente o Danail Petrov que não tem nada a ver com esta guerra e corre o risco de haver - e há, claro que há - quem pense aquilo ali atrás. E não pode provar que ganharia na mesma a etapa, mesmo que a LA-MSS estivesse presente.
E agora imaginem o que vai acontecer na sexta-feira, no alto de Montejunto... a mesma coisa.
E na Volta a Portugal se persistir esta situação? A mesmíssima coisa, pois!
Percebem, ou é preciso fazer desenho?