sexta-feira, julho 14, 2006

152.ª etapa


DE PORTIMÃO A VISEU



Portimão-Beja, 186,5 km
Arraiolos-Lisboa, 180,6 km
Ansião-Viseu, 170,7 km

A Volta deste ano só tem 3 etapas com mais de 180 km, e duas delas acontecem nos primeiros 3 dias.

Já agora, e deixando de fora os 3
cronos disputados esta temporada (dois deles, os nacionais de sub-23 e elite), os dois contra-relógios por equipas e o crono por séries, na Volta a Trás-os-Montes, o pelotão tem 57 dias de corrida, com a etapa maior a ser a 1.ª da Volta ao Distrito de Santarém – a única que ultrapassou os 200 km – e a mais pequena, o 2.º sector da Volta ao Sotavento Algarvio e a média, por etapa é, neste momento, de 145 km. Na Volta, só a ligação Gouveia-Fundão fica abaixo desta fasquia. Para além do contra-relógio, claro.

A 1.ª etapa da Volta é a 2.ª mais longa da prova. De Portimão a Beja há que vencer a Serra do Caldeirão – 1.ª contagem para o prémio da Montanha, no Barranco do Velho – e atravessar o escaldante Baixo Alentejo. Lagoa, Guia, Loulé (MV), Almodôvar (MV) e Castro Verde (MV) verão passar o pelotão, até que a cidade de
Pax Júlia o acolha, no final do 1.º dia.

A segunda tirada traz a caravana até Lisboa. De Arraiolos passa-se por Pavia, Mora (MV), Porto Alto, Vila Franca de Xira (MV), Alverca – a minha hipótese de ver os corredores – Cabo de Vialonga, Loures, alto de Montemor (PM), Caneças (MV), Queluz, Linda-a-Pastora, Cruz Quebrada e, depois sempre pela Marginal até à Praça do Império, em Belém. Uma parte final, entre Loures e Queluz, a justificar alguma atenção.

Depois, temos a viragem a Norte, onde o resto da prova vai desenrolar-se.
No terceiro dia, até Poiares (MV) as coisas ainda serão relativamente fáceis, mas é a partir da aproximação ao Rio Mondego (antes há a meta volante em Espariz) que a montanha vai aparecer, sucedendo-se três contagens de 4.ª categoria – com a meta volante de Nelas a anteceder a última – que podem fazer com que o pelotão não chegue inteiro à cidade de Viriato.

Nestes primeiros 3 dias há 5 contagens para o Prémio da Montanha (PM).

151.ª etapa


DE VISEU À SENHORA DA GRAÇA


Viseu-S. J. Madeira, 157,3 km
Gondomar-Alto de St.ª Quitéria, 156,5
Santo Tirso-Fafe, 150,2 km
Celorico-Sr.ª da Graça, 192,7 km

A parte final da 1.ª semana de corrida é dura. Primeiro, na tirada que sai de Viseu há que passar pela Serra do Caramulo – a primeira das 6 contagens de 2.ª Cat. da corrida – mas antes disso há a primeira meta volante do dia em Oliveira de Frades. Em Águeda estará instalada a 2.ª e a 3.ª é em Oliveira de Azeméis. Esta é a primeira de duas etapas que acabam em circuito. Depois de uma primeira passagem por S. J. Madeira, ainda há a tal meta volante de Ol. Azeméis e a última dificuldade do dia, a passagem pelo Codal (PM de 3.ª Cat.) a menos de 8 km do final da etapa.

De Gondomar a Felgueiras é um salto, mas a corrida começa por rumar a Sul para enfrentar as escarpas do Douro, por isso, antes dos 40 quilómetros há logo uma contagem para o prémio da montanha. A primeira meta volante é em Castelo de Paiva e, logo a seguir, 8 km depois, nova montanha. Passa-se o Douro para Norte na barragem do Carrapatelo e começa-se a subir para a 3.ª contagem do dia para o prémio da montanha. Depois, e sempre num pequeno carrossel de sobe-e-desces, demanda-se a cidade de Paredes (MV), seguindo-se para Lousada (MV) até que se chega a Felgueiras, terminando a etapa no alto de St.ª Quitéria: 1600 metros a subir com um pendente médio de… 8%!!!

A etapa Santo Tirso-Fafe é a 2.ª mais curta da Volta mas, se começa a rolar, sem grandes problemas, passando a 1.ª meta volante do dia, em Rondufe, voltamos ao sobe-e-desce com uma contagem para o prémio da montanha de 3.ª Cat. a abrir, e depois mais dois de 2.ª Cat., com as metas volantes de S. Bento da Porta Aberta e Vieira do Minho pelo meio. Esta etapa também termina só à segunda passagem dos corredores pela meta, na Rua 25 de Abril, sendo o circuito final de cerca de 8 km.

E vem o dia de descanso, imediatamente antes da etapa rainha, a que, sensivelmente igual à do ano passado, terá final no alto do monte Farinha, junto à Ermida da Sr.ª da Graça.

É a mais longa das 10 etapas, nos seus 192,7 km, apesar de ter menos 4,1 km que a versão de 2005. Mas lá estarão as 4 contagens para o prémio da montanha na Portela de Santa Eulália (3.ª Cat.), Barragem do Alvão, Alto do Viso e a chegada à Sr.ª da Graça, todas de 1.ª Cat.. As metas volantes estarão colocadas em Paredes do Alvão, à primeira passagem por Celorico de Basto e depois em Mondim de Basto.

150.ª etapa



DE FAVAIOS A CASTELO BRANCO


Favaios-Guarda, 166,4 km
Gouveia-Fundão, 144,1 km
Idanha-C. Branco (CRI), 39,6 km

Se a Sr.ª da Graça não tiver deixado nada ainda definido, as três etapas finais se encarregarão de por cada um no seu lugar.
A ligação Favaios Guarda, que terá uma contagem para o prémio da montanha, de 2.ª Cat., logo ao km 23,6 levará o pelotão a transpor a região do Alto Douro com passagens por Carrazeda de Ansiães (MV), Barragem do Pocinho, Vila Nova de Foz Côa (MV) e, depois de passarem ao lado de Celorico da Beira ainda há nova meta volante em Lageosa do Mondego para, praticamente aí, se começar a subir para a meta, na cidade dos 4
“efes” – Forte, Fiel, Fria e Formosa. Mas a subida em si só é contabilizada à falta de 15,4 km do risco final, espaço esse no qual é preciso vencer um desnível de 528 metros. Os derradeiros 2200 metros têm um pendente médio de 5% e os últimos 400 metros de 8%.

E chega a etapa da Serra da Estrela.
Duas contagens apenas, para o prémio da montanha e metas volantes em São Romão, Manteigas e Orjais. É, como já referi noutro artigo, uma etapa para o espectáculo, mas pode vir a revelar-se insuportavelmente falha de competitividade, no que aos homens da frente diz respeito. O que é uma pena, todos estarão de acordo. Quase que diria que, fazê-la no sentido inverso seria muito mais interessante.

Finalmente… temos o
crono final. Passará por ele a decisão quanto ao vencedor? A ver vamos. Tirando os nacionais, onde o crono para as elites teve sensivelmente a mesma distância, o único outro contra-relógio a que o pelotão foi submetido, este ano, foi o da Volta ao Distrito de Santarém que teve… 18 km. Algo se está a passar que não está certo e, sinceramente, espero que, quem de direito não seja “obrigado” a “aconselhar” as organizações de corridas a incluírem um crono nas suas provas de 5 dias. Claro que os especialistas não precisam tanto de treinar ou testarem-se todos os meses, mas aqueles corredores que andam ali na “fronteira” bem que mereciam não partir de Idanha completamente às escuras, sem saberem o que podem valer. E pode acontecer que seja mesmo alguém dentro deste espectro, e que esteja a lutar para a vitória final, a ter de pagar por falta de rodagem na especialidade da luta contra o relógio.

quinta-feira, julho 13, 2006

149.ª etapa



QUE VOLTA PODEREMOS TER?



Já escrevi que gosto desta Volta e, ao mesmo tempo, deixei expressa a crítica em relação à etapa da Torre. Parece uma contradição, mas não é. Enquanto adepto – e mesmo no exercício do meu direito à opinião, enquanto membro da
“tribo” do ciclismo, muito mais envolvido do que um simples adepto – é impossível não desejar que a principal corrida do nosso calendário, aquela que irá entronizar, pelo menos nos doze meses a seguir, um corredor como vencedor da “grandíssima” – como dizem os espanhóis – deixe de parte a única hipótese de termos uma etapa ao nível dessa grandeza, e essa foi, é e será sempre uma chegada à Torre, mais, já que “quero” escolher, escolho também a subida pelo lado da Covilhã, a mais difícil, a mais espectacular… aquela que fará sempre recordar o vencedor lá no alto.

Mas não há chegada à Torre e pronto! Isso reduz a meros exercícios de retórica aquilo que escrever sobre o assunto. Fico por aqui.

Não há Torre mas há Volta e eu, feita a ressalva que ficou atrás, já disse que gostava do traçado. Porquê?

Pois bem, porque se não há Torre – e este ano é improvável que apareça outro Efimkin (até porque a etapa da Estrela é no penúltimo dia de corrida) – e se a subida ao alto do Monte Farinha, até bem perto da Ermida da Senhora da Graça, por mais difícil e exigente que seja a etapa no seu todo, não consegue já marcar as diferenças que marcava há dez anos atrás, a Volta não pode ser ganha, nem num lado, nem no outro. Vai ter que ser ganha… ao longo dos dez dias de competição. E isso é muito mais complicado do que
“escolher” três ou quatro candidatos e esperar para ver se no dia da Estrela está ou não num… bom dia.

Olhando
“inocentemente” para o mapa da corrida, a primeira tendência será – e vamos ver, vamos ver o que se vai escrever – para a dividir da forma mais primária em: uma primeira parte para os roladores, os homens das fugas e os sprinters; uma segunda já com algumas dificuldades de permeio, preparando os candidatos para os quatro últimos dias… decisivos.

Mas aqui é que
“a porca torce o rabo”, como se diz no Alentejo.

Escolhamos um candidato. Um, à sorte.
Depois há os outros todos. Quantos? Três? Quatro? Mais?
Para se ser candidato à vitória na Volta a Portugal tem que se ser (mesmo) um corredor bastante completo. Onde é que os adversários vão tentar ganhar vantagem?
Numa fuga?
É improvável, dadas as naturais e normais marcações.
Na Senhora da Graça?
Talvez. É uma etapa dura, com uma contagem para o prémio da montanha de 3.ª categoria, ainda no primeiro quarto da jornada, e depois duas de 1.ª, já na metade final, antes da subida do Monte Farinha. Quem quer que seja candidato vai estar à espreita e vai estar à espreita daquilo que os adversários directos vão fazer.
Digamos que chegam todos em igualdade de circunstâncias a Mondim de Basto, a 8 km da meta. Quanto tempo se ganha nessa subida? 1 minuto? Mais? Menos? Quase de certeza menos para rivais que se equivalerão
E depois, onde é que se ganha mais tempo?
É difícil. A preocupação maior deverá ser… onde é que não se pode perder demasiado tempo.
Na chegada à Guarda?
É durinha, mas que diferenças – cá está, outra vez – se podem ganhar naqueles 2200 metros? Metade do tempo que se leva de perda, pensando
“sacar” o resto no crono final, se estivermos perante dois corredores com previsíveis desempenhos diferentes no esforço contra o relógio?

Aqui há um problema.
Sem oportunidade de se terem
“medido” ao longo da época (só fizeram, nesta altura, os que fizeram, dois cronos) vai ser como que uma aposta no escuro.
Estarei eu bem? Estará ele ao meu nível ou… estará melhor?
Quem poderá ajuizar em consciência?
O
crono final será, concerteza, uma etapa emocionantíssima, mas será um risco tremendo guardar a decisão para esse dia. Ninguém vai querer fazê-lo e isso só acontecerá se as circunstâncias o ditarem.

E então a Serra da Estrela?
Pois é. Mas, como já escrevi, onde é que os candidatos vão
cruzar espadas?
A caminho do Sabugueiro, quando ainda faltam 100 km para a meta?
Na subida a partir de S. Romão? Vai alguém tentar
“sacudir” os adversários lançando-se decidido a caminho da Torre quando, transposta esta ainda falta 76,6 km, uma descida exigentíssima e depois mais de 50 km a rolar até ao Fundão?
E se um atacar… que fazem os outros – partindo do princípio que por esta altura ainda há mais do que um corredor para vencer a prova? Respondem assumindo o ónus de uma perseguição em alta montanha e acreditando que, aconteça o que acontecer terão tempo de sobra para rectificar o que acontecer na subida? Ou marcarão o seu passo, confiantes de que basta minimizar os estragos de forma a poderem recuperar no
crono?

148.ª etapa



UM EXCITANTE “JOGO DE XADREZ”,
JOGADO NA RECTADUARDA



Retomemos então o exercício iniciado no artigo anterior.
Vamos continuar a imaginar.
Imaginemos que um dos potenciais vencedores até é um corredor muito forte nas chegadas em grupo. Não tem nada a ver – ou tem? se calhar tem – com o caso concreto do Cândido Barbosa.

O ano passado, depois da etapa do Fundão, o corredor de Rebordosa conseguiu, meta volante a meta volante, final após final, fazer minguar a vantagem de Vladimir Efimkin até menos de um minuto. Mas o ano passado, como se costuma dizer, o Cândido corria atrás do prejuízo e, tenazmente, lutou tudo o que pode para se chegar ao russo. Este só teve que fazer contas para chegar à conclusão de que, apenas nos sprints o português não chegava lá. Nós ignorávamos o que Efimkin valia no
crono, mas ele, Efimkin, sabia.

Pode, este ano acontecer algo parecido?
Pode um corredor-candidato desgastar-se dia após dia, após dia envolvendo-se em todos os
sprints até à 6.ª etapa para ganhar… um minuto a outro adversário que até pode ser mais forte do que ele na Senhora da Graça? Diz a lógica que não.
Uma coisa é ter a Volta perdida e correr atrás dela sendo que, se o esforço continuado passar a respectiva factura… de perdida a Volta não passava. Outra é (seria) desgastar-se a recolher segundos enquanto o(s) rival(is) rolavam calmamente no pelotão apenas para marcarem o mesmo tempo na chegada, perdendo só as bonificações.
E mais, para um corredor se fazer a todos os
sprints é preciso ter toda a equipa mecanizada e mentalizada para controlar a corrida de forma a que as chegadas sejam em grupo. O desgaste, não só do potencial-candidato, mas de todos os seus companheiros seria arrasador. E quem estaria depois em condições para o ajudar nos momentos mais problemáticos?

Então, parece que já chegámos a duas conclusões: é melhor não contar com as etapas de montanha para ganhar tempo suficiente para se chegar, primeiro à camisola amarela, depois para segurá-la, e gastar cartuchos nos
sprints, intermédios ou finais, é arriscar uma factura para a qual depois, na hora H, não há “liquidez” para rebater.

O que sobra então?
Jogar na surpresa de uma fuga que
“mate” a corrida?
Atenção. Não é credível que um candidato à vitória final consiga entrar numa fuga que chegue ao fim. Os outros não o permitirão. Mas… E se acontecer mesmo uma fuga com alguém com quem não se está a contar, que este alguém consiga amealhar uma vantagem
“engraçada” e que depois, entre o controlar a sua corrida e estar de olho na corrida dos rivais pré-conhecidos… não sobrarem forças aos candidatos-candidatos para irem buscar o “intruso”? Pode acontecer.

Vamos então abreviar.
Se a montanha pode dar em nada; se a opção de controlar a corrida para uma chegada ao
sprint, para além de desgastante para a equipa também não é garantido que ganhe o “seu” homem; se vai ser obrigatório – quer queiram, quer não – estarem todos permanentemente atentos no pelotão para não serem surpreendidos por alguma fuga… onde raio é que se pode ganhar esta Volta a Portugal, da qual eu disse que gostava do traçado e continuo a dizer (tirando a desfeita de não haver Torre)?

Nos carros de apoio!
Esta Volta vai ser ganha pelo director-desportivo que melhor souber lidar com a pressão diária que se adivinha. Que melhor estratégia traçar e que consiga que o todo da equipa respeite e cumpra a sua missão. Esta Volta vai ser ganha pela equipa que for mais coesa, tiver maior espírito de sacrifício e acreditar cegamente no seu chefe.
Vai ser uma Volta de muita luta, desgastante, quer física quer psicologicamente, quer para os corredores-candidatos, quer para os directores-desportivos que os comandam.
E vai ser tremendamente desgastantes para o colectivo que tiver no seu seio um dos candidatos.
E até deixaria aqui um palpite se pudesse rejuvenescer e trazer de volta à estrada homens como Gonçalo Amorim, Paulo Barroso, João Silva, Carlos Carneiro… Falta neste lote da equipa da Maia de 2001 e 2002 o Pedro Cardoso que, este sim, vai estar a correr, mas, arrisco (pouco, eu sei) que com funções bem diferentes das de então. A força daquela equipa, mais do que nos homens que ganharam a Volta e chegaram a fazer tremer o pelotão internacional, assentava neste bloco de trabalhadores incansáveis. Não há, actualmente, no pelotão português nenhuma com um bloco deste nível, por isso… atenção aos espanhóis da Comunitat Valenciana.

147.ª etapa



FIM DO TABÚ: AZEVEDO É O N.º 1 DA DISCOVERY



Depois das duas etapas pirenaicas ainda não consigo fazer uma leitura que possa sustentar a propósito da prestação de alguns corredores, dizendo melhor, de algumas equipas.
Hoje ficou evidente que, depois de ter ganho a Vuelta - por desclassificação de Heras, é verdade, mas disso ele não é responsável - Denis Menchov é o ponta-de-lança da Rabobank que não hesitou em pôr a equipa a trabalhar para o russo. E que grande trabalho fez Michael Boogerd, com Rasmussen também a dar uma grande ajuda. De resto, e depois de a T-Mobile (cada vez é mais evidente que a turma alemã corre de "raiva") ter iniciado as hostilidades no ataque ao Col de Portillon, na frente ficaram os candidatos-mais-candidatos. Entre eles o nosso Zé Azevedo que, contudo, estava sozinho.

Não serve isto de desculpa pois, para além da Rabobank apenas a Gerolsteiner tinha mais do que um homem na frente, e isto mostrou que era mesmo verdade o que Johan Bruyneel dizia. A equipa não tem (não tinha) um líder declarado.

Agora é preciso, e para que a corrida do possa vir a ser visível, que Bruyneel ponha toda a carne no assador - expressão muito querida do Manel Zeferino - porque mais atrasos seriam irremediáveis.

A favor, a Discovery - principalmente em relação à Phonak - tem o facto de mão ter que defender a liderança, mas Floyd Landis é um dos candidatos-candidatos, e ontem demonstrou-o.

Os próximos dois dias não vão dar em nada. Etapas sem dificuldades de maior, serão mais do que presumivelmente "usadas" por corredores já com atrasos irrecuperáveis, o que permitirá algum "descanso" aos favoritos mas com a equipa suíça a ser "obrigada" à despesa de esforços para não deixar saír ninguém que comprometa a sua camisola amarela.

Em relação à Discovery, agora que estamos a menos de uma semana de se entrar na parte realmente decisiva, vai ter que se definir. José Azevedo é já o único que pode chegar-se à frente, em termos de pódio, por isso todos os outros terão que assumir a sua defesa e mais, terão de protagonizar acções de desgaste para com os rivais.

O facto do Zé Azevedo ter, a partir de dada altura - e porque quando escrevo não sei ainda das suas explicações -, preferido meter o seu passo, pode querer significar duas coisas distintas: ou não estava mesmo em condições, ou preferiu ficar-se pela minimização dos prejuízos. Neste caso será porque tem a certeza de que vai poder fazer melhor nas próximas grandes dificuldades.

Vi (e ouvi) as declarações de Johan Bruyneel e não gostei. Pareceu-me estar a deitar, demasiado cedo, a toalha ao chão. Também isto tem duas leituras. Ou está a fazer bluff, deixando que os adversários pensam que a equipa não dá mesmo mais, ou... utilizando uma expressão que normalmente se usa - "quem está no convento é que sabe o que acontece lá dentro" - que não quis queimar já todos os cartuchos.

Não será esta equipa da Discovery capaz de fazer melhor? O atraso de corredores como Popovych ou Savoldelli terá sido apenas obra do acaso (reflector de uma insuficiência da equipa que era de todo inesperada) ou um guardar de trunfos para ocasião mais propícia?

Seja como for, Bruyneel já não tem mais que pensar quem é o homem que deve ser ajudado. Esse é o Zé Azevedo e, agora, todos os outros vão ter que trabalhar para ele. E é preciso não esquecer uma coisa. Apesar de não estar a correr, Lance Armstrong tem ainda um papel importante no seio da equipa e os seus "conselhos" serão mais do que isso. Serão ordens. E só pode haver uma ordem neste momento: levar o Zé Azevedo ao pódio. Pelo menos.

terça-feira, julho 11, 2006

146.ª etapa



A ETAPA DA ESTRELA



Teremos este ano na Volta e à imagem do que aconteceu em 2005, duas etapas que se destacam das demais, por outra coisa que não fosse, porque ambas estão associadas aos dois
“santuários” do nosso ciclismo. Principalmente dela, da Volta. A etapa da Senhora da Graça – que este ano vai ser, sensivelmente (é 4 km mais curta) igual à do ano passado – e a que passa na Serra da Estrela, este ano bastante diferente.

São muitas as opções para se
"desenhar" uma etapa que passe pelo ponto mais alto de Portugal continental, dar até vária voltas, vencendo algumas das suas vertentes e acrescentando-lhe dureza, mas jamais se encontrará uma que valha uma chegada à Torre.

Sei, sabemo-lo muitos de nós (quase todos) os que gostam de ciclismo, porque é que não se chega à Torre – já é mais difícil perceber porque é que só se sobe a Estrela uma vez por ano (???) – mas levar o pelotão, ainda por cima de uma Volta a Portugal, a passar a serra sem que a etapa termine lá no cimo é defraudante. Para os espectadores mas também para os corredores especialistas em montanha.
Tentemos antecipar esta etapa, deste ano.

Saindo de Gouveia "ataca-se" de imediato a subida em direcção às Penhas Douradas. Não se chega lá, embora a primeira das contagens para o prémio da montanha tenha essa designação. As Penhas Douradas são um pouco mais à frente, no local, a partir do qual se começa a descer essa vertente para Manteigas. Mas, vá lá saber-se porquê, não passando por lá a corrida assim se chama a contagem que acontecerá um pouco acima da Cabeça do Velho (25,2 km percorridos).

Depois vira-se para o Sabugueiro, a aldeia mais alta de Portugal, de onde se desce para Seia. Oito quilómetros a descer. A primeira meta volante é em São Romão, de onde se
"ataca" nova vertente, até à Lagoa Comprida. Dezoito quilómetros a subir, aos quais há a acrescentar mais 9, até ao cruzamento para a Torre que ficará à direita da corrida. A partir daqui, onde vai estar marcada a meta para o prémio da montanha, a 1890 metros de altitude, vai voltar-se a descer, primeiro até Piornos (Centro de Limpeza da Neve), virando-se à esquerda para uma descida bem mais vertiginosa até Manteigas de onde se rumará ao Fundão.

Do
“alto” da Torre à meta final distam… 76,6 km!!! Mais de metade do total da etapa.

Que fazem os especialistas em montanha, os trepadores? Atacam à saída de Gouveia? Para quê? Das 22 contagens para o prémio da montanha só faltam mesmo as duas desta etapa, não estará já encontrado o
“rei da montanha”? E se não, se nessa “guerra” estiver implicado um candidato ao triunfo final, caso as coisas ainda não estejam resolvidas? - e, a esta distância temporal, não creio que esta hipótese vingue no momento -, que fazem então?

"Atiram-se" à primeira montanha… ou guardam-se para a passagem junto à Torre? E aqui? Valerá o esforço dispendido nos 27 km a subir quando depois há 20 a descer e mais… 56 a rolar (!!!) até se chegar à meta?

Se o líder, na altura, não for um trepador nato, um “comboiozinho” bem articulado pela sua equipa levá-lo-á sem "estragos" de maior até ao alto e depois "caçará" sem dó nem piedade, imaginemos este cenário, o(s) adversário(s) melhor trepadores que se tenham adiantado e que, quase por definição, são menos bons a rolar em terreno mais ou menos plano. E quando se entrar na Estrada Nacional 18, os 32 quilómetros finais são completamente planos e em bom piso. Uma “pista” para os melhores roladores.

Desportivamente, esta etapa não promete nada de espectacular e só lhe vejo mesmo um, apenas um lado positivo.
É possível, aos espectadores-amantes de ciclismo assistirem à passagem junto à Torre e depois descerem, via-Covilhã, de forma a estarem a tempo no Fundão. Embora seja preciso alguma destreza a conduzir para não se perder tempo demais até à Covilhã. Mas terão de fazer menos quase 40 quilómetros (1 hora) que o pelotão.

segunda-feira, julho 10, 2006

145.ª etapa



DIFICULDADES...



Ainda há pouco li uma crítica ao Tour, no sentido de que, no final da primeira semana não ter havido uma única dificuldade para que a classificação reflectisse a realidade. É verdade.

Mas, na Volta’2006, malgrado nos primeiros dias as dificuldades sejam mínimas, a verdade é que não há uma única etapa sem montanha.

No total, teremos, em 10 dias, 22 contagens para o prémio da montanha. Assim distribuídos:

1.ª - 1 de 3.ª Cat.
2.ª - 1 de 4.ª Cat.
3.ª - 3 de 4.ª Cat.
4.ª - 1 de 3.ª Cat. e 1 de 2.ª Cat.
5.ª - 4 de 3.ª Cat., com a última a coincidir com a meta
6.ª - 1 de 3.ª Cat. e 2 de 2.ª Cat.
7.ª - 1 de 3.ª Cat. e 3 de 1.ª Cat., com a última (1.ª Cat.) a coincidir com a meta
8.ª - 2 de 2.ª Cat., com a última a coincidir com a meta
9.ª - 1 de 2.ª Cat. e 1 de Categoria Especial
De facto, na última etapa não há montanha, mas trata-se de um crono individual.

As chegadas em alto são, em Santa Quitéria, Senhora da Graça e Guarda.

144.ª etapa



GOSTO DESTA VOLTA



Primeira coisa que gostava aqui de sublinhar: gosto do traçado desta edição 68 da Volta a Portugal. Desde 1991 fiz 15 Voltas (todas) até hoje, quando tudo se perspectiva pelo pior. Vou falhar a minha 16.ª Volta consecutiva? Só o desejo enorme de ultrapassar este mau momento (em termos de saúde) ainda consegue com que eu ponha ali um ponto de interrogação. Manda a razão que acate os conselhos médicos. Quer o coração mandar tudo às malvas e que comece a fazer as malas…

Mas isto – o meu Blog – sendo assim como que um
“diário” não permite, ainda assim, “desabafos” de cunho estritamente pessoal. Passemos à frente.

Gosto do percurso desta 68.ª Volta a Portugal. Adivinho as dores de cabeça dos responsáveis da JLSports/PAD para a montar e sinto nele o dedo de um profundo conhecedor.

Não foi pacífica, como todos sabemos, a entrada da PAD na Volta. Dividiu opiniões e, nos anos que se seguiram a 2000, marcou-se, de alguma maneira, passo. Dificuldades que foram mais
“filhas” da polémica levantada então do que da vontade da nova organização. Seria de uma extrema injustiça negar a Francisco Nunes os créditos que somou ao longo de muitos, muitos anos ao serviço do ciclismo nacional.

Depois, e em boa hora – mas não por acaso, porque acredito no enorme profissionalismo que João Lagos trouxe consigo –, alguém chamou Joaquim Gomes para director-técnico das corridas JLS/PAD.

Sempre disse que, o ter-se sido bom corredor (ou jogador) não significa que venha a dar um bom treinador (ou director-desportivo)… ou responsável pelo traçado de uma Volta, por exemplo. Mas o Joaquim Gomes está a demonstrar que é a pessoa certa no lugar certo. Somos amigos – respeitando, sempre, cada um de nós, o papel do outro – mas não é por isso que lhe faço o elogio (merecido), é porque – modéstia à parte – qual
“organizador” de beira de estrada, eu me entretenho nas, infelizmente, muitas horas vagas, a “inventar” Voltas a Portugal. Depois de saber, ao pormenor, o percurso desta Volta, “rendo-me”. Eu não seria, de certeza, capaz de fazer melhor. Salvo, é claro, enquanto adepto não “aceitar” uma Volta sem chegada à Torre.

143.ª etapa



FALTAM 25 DIAS


É verdade, faltam 25 dias para que a Volta a Portugal, a 68.ª, arranque do solarengo Algarve rumo a Castelo Branco, onde os corredores chegarão, a conta-gotas (a última etapa é um
crono individual), no dia 15 de Agosto, feriado nacional.

A conta-gotas também se foram sabendo uma ou outra novidade e, a 25 dias das primeiras pedaladas, a prova ainda nem foi apresentada. Nem a Volta a Portugal do Futuro, que começa dentro de… 15 dias. Mas na próxima 6.ª feira, dia 14, lá pelas quatro e meia da tarde tudo se saberá… oficialmente.

Entretanto, alguns detalhes já são do conhecimento público. Como os locais de partida e chegada. Matéria que interessou desde cedo a um dos jornais desportivos, por isso teve de ir à sua procura, e depois mereceu a divulgação oficiosa por parte de um outro jornal desportivo (falta aqui um, não falta?). Por isso, Beja, Lisboa, Ansião, Viseu, São João da Madeira, Gondomar, Felgueiras, Santo Tirso, Fafe, Celorico e Mondim de Basto, Favaios, Guarda, Gouveia, Fundão e Idanha-a-Nova são localidades que já se sabe acolherão o
grande circo. Quem gosta de ciclismo e possa, na altura, estar livre para ver a festa, vai assinalando datas na sua agenda. Porque sendo, como é, uma grande festa, o público quer participar.

Já se sabe também que o pelotão tem, para já, 17 equipas confirmadas, mas pelas palavras do director-técnico da prova, ainda pode ser que este leque seja alargado. Era bom, por exemplo – e apesar de tudo – que se confirmasse a vinda da Astaná-Würth. É que nos dois últimos anos os portugueses não tiveram a oportunidade de ver correr Sérgio Paulinho. E gostávamos.


Quanto às equipas já asseguradas, para além das 10 portuguesas, são: a britânica Barloworld - que venceu o ano passado, com Vladimir Efimkin e este ano traz o português Hugo Sabido -, as italianas Lampre e Cheramica Flamínio e as espanholas Andalucia, Relax, Kaiku e Comunitat Valenciana.

142.ª etapa



DESATENÇÃO GENERALIZADA



Tenho lido nos últimos dias, até em jornais desportivos, que a Phonak vai abandonar o ProTour. E, a partir disto, muita gente a traçar cenários para o futuro. Inexplicavelmente, alguém caiu num erro que depois outros tomaram como coisa certa e, daí até à descoberta de uma vaga no quadro do ProTour foi... o tempo de um fósforo.

Mas existe aqui uma pequena confusão.

A empresa Phonak Earing Systems, que dá o nome à equipa, já há muito anunciara que ia dar por findo o seu ciclo, enquanto patrocinador no ciclismo. E, há pelo menos 2 meses que, pensava eu, toda a gente sabia que a sucessão de patrocinador está assegurada. A iShares - que já aparece nos calções dos corredores da formação suíça - assumir-se-á como principal patrocinador da equipa que é propriedade da ARcycling AG, detentora da licença ProTour - como a Active Bay é a empresa que tem a licença da ex-Liberty. A Liberty saiu, a Würth já anunciou que seguirá o mesmo caminho, mas a Active Bay TEM uma licença para por uma equipa a correr no ProTour e no próximo ano concerteza a apresentará. Aliás, e isto creio que todos terão lido, Alex Vinokourov já anunciou que a Astaná, não só vai continuar a patrocinar a equipa como está interessada em comprar a licença que é pertença da Active Bay.

No caso da formação helvética... sai o patrocinador actual, a Phonak, mas a ARcycling AG já tem uma marca que a vai substituir. Exactamente a iShares.

A Phonak vai deixar, não o ProTour, mas o ciclismo. A estrutura que é gerida e paga pela ARcycling AG não só tem já um novo primeiro-patrocinador como nunca anunciou qualquer vontade em abandonar o ProTour.

Por esse lado, não há mesmo vagas em aberto.

141.ª etapa



ATÉ AGORA... POUCAS SURPRESAS



Cumprida a primeira semana de Tour, e chegados ao primeiro dia de descanso, a corrida continua perfeitamente em aberto. Mas as quedas, que se esperava poderem vir a acontecer nos dois/três primeiros dias, com o nervoso do pelotão, só aconteceram um pouco mais à frente e mandaram para casa mais um dos potenciais candidatos, Alejandro Valverde, e um outro homem do qual se poderia esperar um ou outro feito, Bobby Julich. Ficaram, a Caísse d’Épargne sem o seu chefe-de-fila, e a CSC órfã de um corredor importante, depois de não ter já podido apresentar o seu às de trunfo, Ivan Basso.

De resto, se as primeiras etapas se ajustaram perfeitamente ao que delas se esperava, a sensação – a única, até agora – aconteceu no contra-relógio individual no qual um
enorme Serguei Honchar conseguiu bater por mais de um minuto o segundo classificado. Aliás, a equipa alemã da T-Mobile esteve intratável, numa demonstração de força – mesmo sem Jan Ullrich – que surpreendeu muita gente, mas terá gás para o que vem agora de seguida? Fica a questão, até porque foi por demais perceptível que houve equipas que se pouparam nessa etapa contra o relógio. Ainda dentro das surpresas, neste primeiro terço de prova, cabe a malapata (não terá só sido isso) de Tom Boonen que até andou de amarelo mas não conseguiu uma única vez impor-se nas chegadas em grupo. Aí perdeu claramente para Robbie McEwen. Curiosamente, Boonen fez um bom crono!...

Em relação ao nosso Zé, creio que nada mudou no que respeita à estratégia que Johan Bruyneel traçou para este Tour. Voltou a imprensa a tentar pôr-lhe na boca declarações que revelassem quem será mesmo a aposta da Discovery para lutar pelo primeiro posto, mas nada foi conseguido. Nem mesmo quando, na véspera do contra-relógio, terá dito que George Hincapie era candidato à vitória na etapa e, por consequência, poderia recuperar a camisola amarela e condicionar a prestação do colectivo numa hipotética defesa do primeiro lugar do norte-americano.

A Discovery fez um
crono muito calculista fazendo crer que a ordem era a de não se desgastarem os seus corredores, com cada um a fazer aquilo que… melhor achasse. Daí a aparente má colocação dos corredores do canal televisivo na etapa, com os reflexos naturais nas suas classificações na geral.

Ontem mesmo se viu que, com Floyd Landis na segunda posição da geral, a Phonak teve de arcar com as despesas da perseguição aos fugitivos do dia. Fruto do acaso, ou jogada estratégica, a verdade é que a equipa do camisola amarela, ao meter um corredor nessa fuga também descartou do ónus de ter de fazer a perseguição, e os comandados de Johan Bruyneel tiveram um dia de puro
“descanso activo”. Mesmo antes do dia de descanso real. São pequenos pormenores que podem vir, até ao final desta semana, mostrar qual foi o director-desportivo que melhor orientou a posição das suas peças neste gigante tabuleiro de xadrez. É que dos potenciais xeques… o que vale é mesmo o xeque-mate.

quarta-feira, julho 05, 2006

140.ª etapa



NADA MAIS QUE UMA FICHA



O semanário espanhol de ciclismo, Meta2Mil, traz na edição desta semana um depoimento - embora a fonte seja protegida - no qual fica praticamente "limpa" qualquer eventual ligação de Sérgio Paulinho ao famigerado dr. Fuentes.

«Del portugués sólo hay un folio [uma ficha] con su planificación de carreras para 2005. Un mero folio sin el más mínimo símbolo encriptado [cifrado] en el que dice dónde corre y dónde no corre no puede suponer una implicación en un caso como éste.», escreve o semanário que ainda refere o caso de Vicente Ballester: «Le implican por su pertenencia al equipo Comunitat Valenciana en 2005 pero nadie [ninguém] se ha dado cuenta que fue operado en 2005 e que no llegó a disputar ni una sola carrera.» E a pergunta: «Como puedes implicarle en una red de dopage si estuvo varios meses casi en silla [cadeira] de ruedas por la operación de espalda?»

O artigo diz que a sua fonte confirma que as autoridades apreenderam vários volumes de documentação, mas não organizada, sendo que, cito: «Hay gente contra la que existen pruebas muy sólidas...», mas que também haverá misturada informação que não tem o mínimo peso sem que passe por um exame jurídico «minimamente sério».

É claro que esta informação deverá chegar para que se comprove que o nome de Sérgio Paulinho apenas foi "envolvido" no caso porque terão sido arrestados todos os documentos da equipa em posse de Manolo Sáiz...

139.ª etapa



SÉRGIO PAULINHO NA DISCOVERY CHANNEL



«Para o ano vou ter dois portugueses. O Sérgio Paulinho vai fazer parte da minha equipa. Observei-o no Dauphiné Libéré, é um jovem com muitas potencialidades que precisa de ser trabalhado. Teve o azar de ficar numa equipa que não lhe convinha.»

As palavras são de Johan Bruyneel, ditas ao Bruno Santos, enviado-especial d'A BOLA na cobertura do Tour.

Agora sim, o Sérgio vai concerteza poder começar de novo. E vai ter oportunidades, tanto nas clássicas, como nas grandes voltas.

terça-feira, julho 04, 2006

138.ª etapa



AZAR DE VALVERDE




Encontro-me entre aqueles que são fãs de Alejandro Valverde. Vi-o ganhar ao sprint uma chegada a Ribamar, num Grande Prémio Joaquim Agostinho, na parte da manhã, e ser segundo, atrás de Jeker, no crono da parte da tarde. Vi-o ganhar em alta montanha. Acho-o um dos mais completos - senão o mais completo - corredor da actualidade. E ainda tem alguns anos para estar no pelotão.

O que lhe aconteceu... faz parte do ciclismo. Nem se rolava a grande velocidade, não aconteceu naqueles momentos "loucos" das chegadas ao sprint, quando se atingem velocidades impensáveis. Foi uma daquelas quedas em que não aconteceu, como muitos já vimos, o corredor "arrastar" pelo asfalto. Caiu... num metro quadrado. Caiu da bicicleta. Mais nada. E terá - ainda não sei o diagnóstico final - fracturado a clavícula. Acabou, para ele o Tour 2006. Há menos um nome sonante no pelotão.

Lindo, lindo, os milhares de pessoas que bordavam as bermas da estrada. Não juro nem aposto, mas se alguém fosse perguntar, uma a uma, àquelas pessoas se deixaram de acreditar no ciclismo por causa da Operação Puerto - ah!, o tal jornal emendou a mão e voltou a traduzir (mal) Puerto por Porto - riam-se-nos na cara. Elas - aquelas pessoas - gostam é de ciclismo. Gostam da cor, do movimento. Gostam (admiram) o esforço dos homens que escolheram ganhar a vida sobre uma bicicleta.

Há quem, pretendendo gostar de ciclismo apenas "olha" para os seus ídolos? Em Portugal acredito que sim. O curioso é que são adeptos de sofá. Em Espanha - só posso falar do que conheço - o ciclismo é sustentado, no que ao público diz respeito, em grande parte pelas peñas de algumas individualidades. Testemunhei isso várias vezes. Os de Béjar chegavam numa dúzia de autocarros para aplaudirem Heras... os manchegos, para apoiarem Sevilla e há mais uma dúzia de exemplos. Por cá falta esse espírito. Mas em Espanha as pessoas gostam de ciclismo.

Em Portugal também há quem goste. São poucos, e desorganizados. E voltamos à velha questão: falta-nos um ídolo. Claro que em Espanha é mais fácil. As pessoas juntam-se em redor de uma figura que representa a sua região. Cá isso não existe.

É excepcional a adesão do público, por exemplo, no Circuito de Torres, no Troféu Joaquim Agostinho. Por um lado é normal. Para a eternidade perdurará a figura de Joaquim Agostinho. Mas há tantos corredores daquela região... algum tem um grupo declarado de fãs? E mesmo os algarvios? Têm a equipa profissional mais antiga do Mundo, mas, ainda assim, não se vislumbra a sua assumpção como bandeira da região.

A LA, principalmente desde que sponsorizada pela Liberty marca uma diferença. Pelo menos na Volta, mas não só, mas não só, lá surge um grupeto de bandeiras azuis e camisolas a promoverem a empresa. A empresa, sim. É uma questão de marketing, mas não lhes levo a mal. A questão que deixo é esta: porque é que os outros sponsors, das outras equipas, não fazem o mesmo?

Entretanto, fugi ao assunto.

A 3.ª etapa do Tour. Abandono de Valverde à parte, a fuga "tinha" que acontecer e não daria em nada, e só um homem merece uma referência especial: Mathias Kessler. O homem é persistente - ou foi-o nestes dois últimos dias - e mereceu o triunfo na etapa. E Tom Boonen, que só quer os "frutos" - leia-se: a camisola verde - hoje ficou dono da árvore. Mas ainda falta a vitória numa etapa. E vai ter tempo para isso.

Resumindo, ninguém pode dizer que a etapa de hoje tenha sido chata. Teve fuga, teve perseguição, deixou mais um candidato de fora e... teve um público extraordinário.

Quem nos dera poder ter assim muitas etapas em Portugal. Que não fossem só as da Sr.ª da Graça e da Torre - quando lá se chega.

Ao nosso Zé Azevedo continuam as coisas a correr a contento. Mantém-se junto aos da frente, mantém-se fora das confusões... mantém as suas (?) - era melhor dizer, as NOSSAS - aspirações intactas.

Amanhã há mais.

segunda-feira, julho 03, 2006

137.ª etapa



ORGANIZEM-SE!...




A 2.ª etapa deste Tour valeu pela luta, antecipada para os sprints especiais, pela camisola amarela, mas deve realçar-se a longa fuga de dois homens - Aitor Hernandez (Euskatel) e David de la Fuente (Saunier Duval) - que largaram o pelotão logo após a bandeirada inicial e com este último, que fez ainda algumas dezenas de quilómetros em solitário depois do basco ter "rebentado", a fazer quase 200 km em fuga. Mas não deu nada.

O curioso foi que, se calhar pela "confusão" que as chegadas estão a proporcionar, Thor Hushovd e Tom Boonen terem "decidido" discutir a liderança da prova... nos sprints intermédios! Nem mais. E o norueguês conseguiu mesmo os seus intentos.

Depois de, nos últimos sete mil metros o alemão Mathias Kessler ter conseguido iludir a atenção do pelotão e ter levado o seu esforço até 400 metros da chegada e à falta - outra vez - de uma equipa que se tivesse imposto no comando do sprint final, a vitória acabou por pertencer ao aussie Robbie McEwen.

Hushovd recuperou a camisola amarela e, malgrado o corte que aconteceu a pouco menos de 2000 metros da chegada - originado por uma queda que positivamente pôs três quartos do pelotão de pé em terra, o nosso Zé Azevedo foi creditado com o mesmo tempo do vencedor. Tanto quanto sei, nada aconteceu ao dorsal n.º 1 e... entretanto passou mais um dia.

Vamos ver o que nos traz a etapa de amanhã.

domingo, julho 02, 2006

136.ª etapa



MAS É QUE ESTÁ MESMO ABERTO...



Volto a começar com uma palavra para o público (já irei à chegada) que voltou a marcar presença. O ciclismo é assim e ainda bem que é.

A primeira etapa a "rolar" não fugiu um mílimetro àquilo que dela se esperava mas, dentro desta previsibilidade houve coisas... estranhas. A corrida está mesmo aberta, não só no que respeita ao vencedor final - o que há quase um ano se perspectivava com o anúncio do abandono de Armstrong, e agora potenciada com o afastamento de alguns dos seus privisíveis substitutos - mas também, a ver pelo que hoje aconteceu, noutras áreas. Segui a emissão da RTPN e já li vários comentários à tirada, por isso não vou pretender ser aqui original. Nunca o seria porque jamais neguei que muita boa gente (isto é mesmo no melhor dos sentidos) sabe de ciclismo e é capaz de fazer leituras muito a propósito, mas o que eu ia a escrever é que, o que faltou ontem - fazendo a etapa escapar à tal previsibilidade - foi mesmo o famoso "comboio". Fosse de que equipa fosse.

E foi estranho ver os finalizadores puros "perdidos" na cabeça do grupo, sem saberem se iam ou se ficavam - caso do Boonen - ou mais ou menos desesperados sem a presença dos seus lançadores. O único que me pareceu ter entrado bem nos últimos 400 metros foi o McEwen que fez o que tinha a fazer... colar-se à roda de Boonen. Claro que quando este "desistiu" ficou obrigado a fazer-se à vida... No final, boa vitória a do Casper que "abre" ainda mais a corrida. Creio que agora TODOS podem aspirar a que a sorte lhes sorria e tentem. Pelo menos tentem.

Antes, não "valia" a pena porque Armstrong ganhava... não "valia" a pena porque as equipas especializadas dominavam as chegadas... arrisco dizer que amanhã vamos ter uma etapa "louca".

Entretanto, George Hincapie chegou ao primeiro lugar. Creio que era mesmo essa a intensão da Discovery Channel. Depois do afastamento de Armstrong, era prioritário "premiar" o homem que nos últimos sete anos esteve a seu lado.

Não para ganhar a corrida - e isso, parece-me, também ficou hoje a descoberto - mas para o seu curriculo. E merece-o. Aliás, reforça a minha teoria o facto de ontem ele ter ido a "tope" no prólogo e hoje ter lutado pela bonificação no último sprint especial. A Crédit Agrícole ainda fez o que que tinha a fazer, lançou um homem para "queimar" segundos, mas não foi suficiente para que Hushovd mantivesse a camisola amarela. Que, quanto a mim, não conseguiria, mesmo sem que tivesse aconteciso o lamentável incidente no final.

E vamos ao final.
De facto, e ao contrário do que algumas pessoas julgam, as barreiras altas nas últimas duas/três centenas de metros de cada etapa não servem para impedir os fotógrafos amadores de tirar as suas fotos. Servem para salvaguardar a integridade física dos atletas.
Quem percebe o mínimo disto sabe que aquelas centenas de metros, quando duma chegada em grupo, atingem-se velocidades entre os 60 e 70 km/hora e qualquer, mas mesmo qualquer coisinha pode atirar um corredor ao chão...

O que aconteceu ontem não podia ser evitado. Só se se interditasse aquela zona a espectadores. Depois, há largos anos que se protesta contra aquelas mãozinhas verdes da PMU. Claro que a empresa só quer que se lhe faça publicidade, mas uma "mão" maior que uma raqueta de ténis, mais dia menos dia havia de dar raia... São feitas daquela espécie de cartão canulado, mas em plástico, e podem cortar, sim.

Já li que o ferimento em Hushovd poderia ter sido causado por uma... navalhada. Sinceramente - e como todos, só muito tempo depois percebi o que acontecera ao camisola amarela - não creio. E baseio-me apenas no observado. Foi (depois de o realizador muito ter procurado) ao passar por aquela "mão" que, e isso foi imediato, o norueguês foi ferido, mas ele "passou por aquilo" e só alguns instantes mais tarde olhou para ver o que, naturalmente quente, lhe estava a escorrer pelo braço. Era sangue. Aquela "mãozinha" é segura pelas pessoas por uma pequena pega onde metem a sua própria mão, sendo facilmente "arrastada" por quem contra ela embater... como se viu. Uma navalha empunhada por alguém estaria bem segura e, de tão perto que passou, teria desiquilibrado e feito cair o corredor.

Mas pronto, lamenta-se - e talvez amanhã já não haja "mãozinhas" naquela zona - mas lá passou a primeira etapa.

Em relação ao Zé Azevedo... não se esperavam novidades e ainda bem que não aconteceram. Caramba! O ano passado eu estive na Vuelta e em meia dúzia de dias vi-me obrigado a escrever notícias de quedas dele. Teve, concerteza, um dia tranquilo, como vai ser o de hoje.
Vamos esperar.

135.ª etapa



O LONGO SPRINT DE HUSHOVD



Arrancou o Tour'2006 e a minha primeira nota positiva vai para o público. Enquanto nós, os teóricos, gastamos caracteres esgrimindo argumentos pró e contra os últimos acontecimentos, o público gosta é de ciclismo e não faltou. Isso há-se ser um incentivo muito importante para os corredores que estão, que os que não estão não cabem nestas crónicas sobre a Grande Boucle.

Depois temos a corrida em si. Um prólogo relativamente curto, sem quaisquer dificuldades físicas, propício para desenferrujar as pernas. Não creio que tenha havido surpresas por aí além. Embora com algumas intromissões, dominaram os roladores puros e os sprinters deram muito boa conta de si. Aliás, parafraseando alguém que - peço desculpa por isso - de momento não me recordo, o norueguês Thor Hushovd ganhou um longo sprint, conquistando o direito de vestir a primeira camisola amarela desta edição. Mas hoje - mais logo - vai ter que se empenhar a fundo para a manter pois adivinha-se uma chegada compacta.

Algumas outras notas: a primeira para o germânico Sebastian Lang, que estava a ver não era ultrapassado por ninguém; depois para George Hincapie que terminou em segundo e também para Alejandro Valverde e Paolo Savoldelli, dois excelentes trepadores que conseguiram, num terreno totalmente plano, ficar entre os primeiros dez. Mas qualquer deles é também um bom contra-relogista, principalmente nestes cronos curtos.

Discovery Channel e CSC meteram dois homens no top-10, mas os estadunidenses colocaram 3 nos primeiros 25 e 6 (!) nos primeiros 50, contra 2 e 5 dos dinamarqueses. A T-Mobile também meteu 5 homens nos primeiros 50, mas 4 deles ficaram entre os 25 melhores onde a Phonak teve 4 e os mesmos 5 nos 50.

Voltando a Hincapie, parece ter mesmo partido com o objectivo de ganhar o prólogo. Das duas uma: ou a intensão era a de conseguir "herdar" a camisola amarela deixada sem dono por Lance Armstrong, ele que ajudou o sete vezes vencedor do Tour em todas as sete edições, ou - mas esta hipótese gostava que não fosse a verdadeira - pretendeu "marcar" terreno, no que respeita a quem é o chefe-de-fila. Salvodelli foi o segundo homem da equipa, Popovych o 4.º e José Azevedo "apenas" o 6.º. Mas o terreno não era propício ao português.

Chego, finalmente, ao Zé Azevedo. Ninguém estaria à espera que se fizesse à estrada neste tipo de etapa para tentar ganhar e limitou-se a fazer uma corrida aligeirada de responsabilidades. Ao - e a Johan Bruyneel, se está mesmo a pensar apostar nele - convém manter-se "anónimo" nos primeiros dias, na primeira semana, até que cheguem as verdadeiras dificuldades. Que a concorrência se preocupe com o Popovych ou com o Savoldelli... que logo que o terreno seja a seu jeito e lhe abrirem um espaço, ah!, aí veremos o Zé Azevedo.
Vamos esperar.

sábado, julho 01, 2006

134.ª etapa



FORÇA, ZÉ!... (NÃO ESTÁS SOZINHO)


Irremediavelmente marcado por estes acontecimentos, arranca dentro de algumas horas mais uma edição do Tour. A maioria das projecções feitas, em relação a favoritos ou eventuais surpresas foram... “puerto” abaixo e, se desde que Lance Armstrong anunciou a sua retirada, o leque de candidatos era grande, agora esse mini-pelotão ficou reduzidíssimo, o que poderá significar o surgimento de uma grande surpresa, no próximo dia 23, em Paris, com o Arco do Triunfo como pano de fundo.

O escândalo que abalou (abala) o pelotão internacional acabou por
“recrutar” mais gente interessada em seguir a corrida. Que esta decorra sem mais “abanões”. Cheguei a temer que, o aconteceu nestes dois últimos dias pudesse ser retardado, e apanhar a prova a meio. Ia ser bem pior. O que mostra que as autoridades espanholas nada têm contra o ciclismo. Ainda bem. O mesmo não se pode dizer daquilo que as congéneres francesa e italiana fizeram há alguns anos. Aí sim, colocando toda a gente sob o mesmo manto de suspeitas.

Espero, repito, que possamos assistir a grandes espectáculos ao longo das próximas três semanas e que os corredores mostrem que escolheram uma modalidade dificílima, mas que já o sabiam, e que o que sofrerem o fazem por amor ao ciclismo.

Digo isto enquanto adepto da modalidade. No mesmo papel, mas assumindo-me como português, desejo que o nosso Zé Azevedo venha a estar ao seu melhor nível. E se estiver… pode ser que tenhamos uma grande alegria. Vamos esperar.

133.ª etapa



O DIA MAIS LONGO…


Ontem, mesmo ainda com as bicicletas encostadas aos camiões-oficinas à espera das últimas afinações, terá sido o dia mais longo do ciclismo, nos últimos anos. Dia que se esperava desde que a Guardia Civil espanhola revelou que “caçara” algumas figuras gradas, tidos como gurus do ciclismo moderno. Deuses com pés de barro que, mais dia, menos dia cairiam do seu pedestal. Soubessem eles como as coisas funcionam por cá – vide o caso “Apito Dourado” – e o senhor Eufeminiano Fuentes teria aberto os seus escritórios e “clínicas” neste paraíso do faz-que-faz-mas-não-faz-nada.

Numa resposta ao José Carlos Gomes, alguns artigos atrás, citei a única forma que as autoridades policiais tinham para poder levar em frente a sua operação – a propósito, o jornal que insistia em traduzir a operação para “porto” já emendou a mão, e até já explica que “puerto” quer dizer cume de montanha – e, se é verdade que legalmente nada podem fazer contra os corredores implicados (já se pode dizer assim porque, levantado o segredo de justiça, tudo o que é órgão de Comunicação Social espanhol, e não só, logo publicaram os seus nomes) já que não há Lei que os proíba de fazer umas transfusõeszinhas, e, apesar de o Tribunal Arbitral do Desporto ter tido o desplante de proteger a equipa do senhor Manolo Sáiz, a razia veio mesmo a acontecer, com os responsáveis por várias equipas – se calhar com muita hipocrisia à mistura – a apressarem-se a afastar os seus corredores implicados.

Sobrou a de Manolo Sáiz que, com 9 corredores nas listas inicialmente tornada pública, ainda assim, pensando que conseguira iludir as autoridades, avançou com outros nove, escudando-se no TAS e fazendo tábua rasa do desejo da ASO em os não ver nem perto de Estrasburgo. Azar… desses nove havia mais cinco numa lista que acredito tenha muito mais dos que os 58 nomes inicialmente falados, aliás, ainda faltam alguns para atingir esse número.

E, em comunicado distribuído esta tarde, a Astaná-Würth insiste que apenas se retira do Tour porque ficou sem corredores suficientes para entrar na competição. Com 14 corredores na lista negra, a explicação dada foi aquela.

E que dizer da Comunitat Valenciana (que dentro de 5 dias estará a correr em Portugal) que pôs meio Mundo a bradar contra a injustiça de, o ano passado, não ter sido convidada? Eu fui um dos que escreveu que aquela equipa merecia estar no Tour. Tem 16 corredores indiciados!

Ao longo da tarde fui tentando saber todos os pormenores possíveis acerca do desenvolvimento da situação e não fiquei nada espantado com o facto de os 198 corredores tivessem “passado” no teste do hematócrito. Ainda por cima com a chaleira ao lume, ninguém ia correr o risco de se escaldar.