sexta-feira, maio 16, 2008

II - Etapa 65

O MAL DO JORNALISMO VEM
DE DENTRO DO JORNALISMO


Até há uma vintena de anos atrás era-se jornalista por pura vocação e, se nas redacções dos principais jornais havia gente recrutada fora do meio, porque conhecedores, porque interessados, porque irrepreensivelmente formados, enquanto cidadãos, não foram raros – antes pelo contrário – os casos de quem começou como paquete, para ir levar as provas à Censura Prévia, que depois se apaixonou pelo jornalismo, a quem lhe foi reconhecido algum valor e dada, pelo menos, uma oportunidade para mostrar o que valia. E acabaram mesmo na redacção.

Até houve casos de simples (com o maior dos respeitos) tipógrafos – ainda no tempo da composição em chumbo - que, de tal forma se destacaram nas aflições de última hora, às quais, por iniciativa própria, acabavam por dar corpo de texto jornalístico aos fragmentos de informação que era possível obter já com as máquinas a bufarem vapor, que também de lá, do fundo, da casa das máquinas, alguns nomes subiram até à redacção.

Fazer jornalismo é uma coisa muito séria.
E, não sou eu quem o diz, já o li na pena de mais do que um consagrado homem dos jornais… a pior coisa que aconteceu ao Jornalismo nos últimos anos foram… os cursos de Comunicação Social.

Porque a eles foram parar quem não tinha, e não tem, a minima intuição para ser Jornalista; porque aqueles que, de facto até têm algum jeito, são sugados pela inflacção de diplomados e, muitos deles, mesmo com notas menos boas e sem cunhas nenhumas, acabam ultrapassados por quem tem padrinhos, mesmo que nunca na vida venham a ser Jornalistas.

Agora sou eu quem o diz: há hoje muito mais amadores com Carteira Profissional do que há 20 anos havia, mesmo sem ela.

(Entretanto, um jovem jornalista, licenciado, amigo verdadeiro, confrontou-me com esta minha opinião. É verdade, como te disse amigo, que esta mensagem tinha /tem um destinatário concreto, contudo... e apesar da nossa amizade, não retiro uma letrinha sequer ao que está escrito.)

terça-feira, maio 13, 2008

Nota

MORTE DO BRUNO
CHEGOU A ESPANHA

Foram vários os OCS em Espanha que noticiaram a morte do Bruno Neves.

Deixo aqui esta ligação porque, entre todas, é a que junta algumas mensagens de pesar e condolências de adeptos espanhóis do Ciclismo.

segunda-feira, maio 12, 2008

II - Etapa 64

ADEUS AMIGO BRUNO

“Não acredito poder vir a ler uma linha sequer de "lançamento" e adivinho já que nem todos "terão espaço" para dar sequer os resultados finais.”

Escrevi isto, ao início da madrugada de ontem, na Etapa 62, em relação ao Memorial Doutor Barreiros de Magalhães. Agora, não desejava outra coisa. Que esta prova, que contaria para a Taça de Portugal de Clássicas, não merecesse por parte da CS mais do que uma breve.
Que a ignorassem até…

Infelizmente, por um nefasto acontecimento, hoje os jornais dão-lhe espaço nobre. Ninguém o desejaria, mas é de todo justo. Que saibamos guardar na memória a imagem sorridente do Bruno.



Fugir ao lugar-comum, numa situação destas, é tremendamente difícil. Por mais que queiramos – mesmo noutras situações em que ela está pré-anunciada [e eu sofri isso] – não conseguimos jamais entender a morte. Pior ainda se ela nos rouba alguém que conhecemos, de quem somos amigos. Pior ainda quando esse alguém é um jovem na plenitude dos deus 26 anos.

Ninguém, em alturas destas, terá cabeça para tentar explicar-nos que aconteceu porque… assim estava traçado no destino.
Não aceitamos.
Não aceito.


Passavam poucos minutos das cinco da tarde. Ontem. Estava na redacção, tinha uma entrevista para fazer. Toca o telemóvel. Era o Paulo Sousa.
Eu tinha deixado aqui o pedido para que ele me conseguisse as classificações da prova e prometido que aqui as deixaria na íntegra. Não estava era à espera da notícia que a voz embargada do Paulo me comunicou.


“Morreu o Bruno Neves…”
E seguiu-se um silêncio. A dividir pelos dois.
Atarantado, perguntei-lhe se ele estava a correr.
Que sim. Sofrera uma queda, fora recolhido pela ambulância da prova mas…
Embargou-se-lhe de novo a voz e eu, com a cabeça vazia de pensamentos recusava-me a acreditar.



“O Bruno Neves?”
O Bruno Neves!…

Depois de o Paulo me ter contado o que, na altura podia contar, saí do meu lugar e fui queimar um cigarro. Naqueles três minutos que leva a consumir-se o vício, a minha cabeça girava.



Quando fui comunicar aos responsáveis pela edição do jornal do dia… eles já sabiam.
Tem asas, a notícia que leva desgraça. Que leva drama…

Como escrevi lá atrás, fugir ao lugar-comum, numa situação destas, é tremendamente difícil.
Espreitei os sítios na internet que falam de Ciclismo e, em todos, lá estava a notícia.
Curiosamente, o Rui Quinta (Ciclismo Digital) recorda aquilo que era, de facto, a imagem de marca do Bruno. É verdade, não me lembro de o ver sem ser com um sorriso no rosto. Curiosamente, a única vez que o vi (em fotografia) sem esse sorriso é naquela que publico nos dois artigos anteriores.

Liga-me uma amizade sincera ao António da Silva Campos (o ASC, no Ciclismo) por isso desde os tempos do Guilhabréu que tenho uma relação privilegiada com as suas equipas.
Do Guilhabréu, o Bruno passou para a ASC-Vila do Conde que não era senão a mesma equipa, mas profissionalizada.
Depois passou para a Madeinox e, em 2005, já com as cores laranja desta equipa, então orientada pelo Mestre Emídio Pinto, quando ganhou uma etapa na Volta – batendo o Cândido (em S. João da Madeira) que lutava por todos os segundos de bonificação possíveis na perseguição que já fazia ao então camisola amarela, Vladimir Efimkin – e as suas palavras, sinceras, sabemos todos os que mais de perto com ele privaram foram… “Espero que os quatro segundos que ‘roubei’ ao Cândido não venham a fazer-lhe falta…”




É feliz o Rui – no Ciclismo Digital – ao recordar (e ilustrar) que raramente o Bruno não estava com um sorriso pregado nos lábios. Eu, como disse, não me lembro. Com a excepção que apontei.

Porque sei que foi sempre um rapaz simples e humilde, não vou aqui enumerar as suas vitórias… apenas recordá-lo com o seu muito próprio ar sorridente.

Já passou o tempo suficiente para, caindo em nós, aceitarmos a indesdita.


Mas eu não consigo ainda perceber… porquê o Bruno?
Não devia… Não podia!...

Num aparte, quero aqui deixar à sua irmã, Cristina – leitora, e participante, através de comentários, do VeloLuso – um apertado abraço de amizade nesta hora tão difícil.
E que o transmitas a todos os familiares, pai, mãe…
Cristina, quero que saibas que comungo da vossa imensa dor. Claro que vocês estão a sofrer muito mais do que eu… E é difícil, por mais que soframos, tentar interiorizar a dor dos familiares.

Já sei que o Paulo te transmitiu os meus sentidos pêsames, e sei que pediste para eu não esquecer aqui o Bruno…
Jamais. Fica a promessa.
E, por favor, aceitem que junte as minhas lágrimas – que são sentidas - às vossas. Nada… nada mesmo, pode aliviar esta dor nos nossos peitos…

Meu querido Bruno, onde quer que estejas…
Primeiro, tenho que te dar um raspanete…
Quem te mandou ir embora quando estavas no teu apogeu?
Segundo, deixaste os teus amigos em lágrimas…

Onde quer que estejas… meu querido amigo, descansa em Paz…
Deixa-nos chorar a tua partida mas fica ciente que não te esqueceremos.

Desta vez não pedi autorização, mas o António Costa não levará a mal. Agradeçamos-lhes o trabalho e a paixão que nutre pelo Ciclismo

As ultimas imagens do Bruno... na RTP; na SIC... e a sua vitória no Troféu RDP-Algarve

domingo, maio 11, 2008

II - Etapa 63

MORREU O BRUNO NEVES

Ainda me tremem as mãos...
Recuso-me a acreditar!
Sinto as lágrimas que querem, à força, sair-me dos olhos...
A notícia chegou-me há minutos.
Crua.
Inaceitável.
Impossível...

Precisei de algum tempo para vir aqui deixar a triste, tristíssima notícia.

O Bruno Neves, grande amigo, bom rapaz... atleta excepcional,
participava no Memorial Doutor José Barreiros de Magalhães.
Ainda não tenho muitos pormenores.
Só que o Bruno caíu...

O Bruno... morreu!

Neste momento de vincada dôr, aqui deixo os meus sentidos pêsames a toda a família; aos amigos, à equipa LA-MSS-Póvoa.

A corrida - que os corredores queriam abandonar de imediato - contava para a Taça de Portugal de Clássicas. A camisola de líder estava no corpo do Bruno...


Não me conformo.
Até sempre amigo.

Associo-me à dor de todos os teus que neste momento sofrem a tua súbita partida.
(Ainda me custa a acreditar...)

II - Etapa 62

MEMORIAL DOUTOR JOSÉ
BARREIROS DE MAGALHÃES

Daqui a dois, três anos, não haverá já jornalistas no pelotão que saibam quem foi o Doutor José Barreiros de Magalhães. Era - É - uma obrigação nossa, dos que com ele ainda privámos, fazer com que o seu nome não se perca no nevoeiro da ignorância dos novos... jornalistas de Ciclismo.

Ainda convivi com ele alguns anos. Por acaso, não sei, talvez porque me despachava mais cedo, tive várias oportunidades de, não falar de Ciclismo com ele, não; não o ousaria... mas de o ouvir. Ouvir mil e uma estórias, qual delas a mais hilariante, qual delas a mais humanista...

O Doutor José Barreiros de Magalhães foi um Homem especial.


De certo que fazia, em termos profissionais, mais do que estar presente nas corridas de Ciclismo, mas eu só o encontrava na Volta. E no único GP Jornal de Notícias que cobri, ainda para A CAPITAL.

Quem não viveu aqueles tempos - e parece uma enormidade eu escrever "aqueles tempos", sendo que me refiro a pouco mais de década e meia, mas a verdade é que NADA do que hoje os jovens colegas possam encontrar no pelotão tem a ver com o que eu ainda apanhei (e terei sido o último) -, quem não viveu aqueles tempos, repito, não consegue sequer fazer a mais pequena ideia do que falo.

Aceitemos que o Ciclismo não mudou mais do que, afinal, toda a Sociedade mudou. Antigamente tinha-se um emprego para a vida; fazia-se a Volta até à reforma...

Hoje há os recibos verdes, o trabalho precário... e há uma "renovação" a cada ano que passa no quadro de jornalistas que, ao serviço dos mais variados OCS, cobrem o Ciclismo, e dentro deste, a Volta, que é materialmente impossível voltar a acontecer o que então acontecia.
Era uma grande família, muitas vezes desencontrada durante todo o ano mas que, ali por Agosto, se reencontrava e reforçava, ano após ano, os laços que ligavam todos.

Sou do tempo em que era inevitável o ritual de iniciação; a praxe...
Tínhamos que passar por isso, como caloiros que éramos.
No momento seguinte éramos membro oficial da grande família.
Os mais velhos preocupavam-se com os jovens companheiros recém chegados e eram eles quem se preocupava, no sentido de garantir que o novo membro não ficasse atrapalhado. Davam dicas, davam notícias... Ensinavam truques, diziam-nos como se fazia...

Mas descaí para o jornalismo, quando quero é recordar o Doutor José Barreiros de Magalhães. Não ficámos mais amigos porque o meu jeito envergonhado me impedia de aceitar aqueles braços abertos, aquela vontade de conversar, aquela vontade de ensinar.

Foi-me mais fácil com o seu filho, Manel. Que uma vez descobri, numa papelaria, em Castelo de Vide, a comprar tintas e pincéis. Foi aí que fiquei a saber da sua paixão pela pintura. Nunca mais nos vimos...

Por mais que eu quisesse, de certeza me faltaria o engenho para aqui deixar um retrato fiel do Doutor José Barreiros de Magalhães.
E tenho a certeza - não por culpa vossa - que os mais novos jamais o poderiam entender.

O Guita Júnior, os falecidos Dias Neves ou Zé Neves de Sousa, o Fernando Emílio - o único resistente dessa geração -, ou o Vítor Sequeira Martins (DN), o meu companheiro de redacção - não nos vemos há mais de dez anos e nunca nos encontrámos enquanto companheiros da mesma redacção - José Carlos de Sousa (que fez equipa, trabalhando para a Gazeta dos Desportos, com o Neves de Sousa), o Costa Santos (Record), o Martins Morim (A BOLA), o Carlos Flórido (O Jogo) e... sinceramente, não haverá muitos mais, estes (os vivos), se me lessem, saberiam do que eu estou a falar...

Mas pronto, chega de saudosismo - acho que estou já a antecipar um desgosto que ainda está para vir -, esticou-se o artigo, mas o que queria aqui pontuar, coisa que duvido os jornais desportivos tragam mais logo, é que hoje se disputa o 7.º Troféu Município de Amarante-Memorial Doutor José Barreiros de Magalhães. Terá 167,5 km, começa às 14.00 horas e tem hora prevista para término as 18.15.

Não acredito poder vir a ler uma linha sequer de "lançamento" e adivinho já que nem todos "terão espaço" para dar sequer os resultados finais.

É a terceira prova a contar para a Taça Nacional de Clássicas, que vai sendo liderada pelo Bruno Neves (LA-MSS-Póvoa), com 30 pontos, seguido de Manuel Cardoso (Liberty Seguros) e João Cabreira (LA-MSS-Póvoa), ambos com 25 pontos.

Se conseguir ter os resultados - allô, amigo Paulo Sousa "Paulão", se os conseguires, faz-me-los chegar - na próxima madrugada aqui os deixarei. Ciente que nos "desportivos", com Benfica em Alcobendas e com o Giro, se houver uma breve será de dar vivas ao rei...

II - Etapa 61

SERÁ DO NOME? CLARO QUE NÃO,
ESTAMOS PERANTE O FUTURO!...

Permitam-me o ligeiro desvio na forma como vou abordar este artigo.

Hoje, domingo, 11 de Maio de 2008 - e se nada vier a alterar-se nas próximas semanas -, os amantes do futebol, em geral (porque, creio, o nome é consensual), e os adeptos do SL Benfica, em particular, despedem-se de uma das figuras que conquistou, por direito próprio, o estatuto de símbolo do clube encarnado. Rui Costa, é o seu nome. Um senhor. Que, mal grado ter atingido o estrelato, se manteve sempre umbilicalmente ligado a nós, simples mortais. Nisso reside a diferença entre o Rui Costa e outras estrelas que - e quem lhes pode levar a mal? - subiram acima dos mesmíssimos comuns mortais, e jamais se dignaram a voltar ao nosso plano... meramente terreno.

Pronto, fica aqui - por uma vez sem exemplo - uma "entrada" diferente.

Não é novidade para ninguém que sou simpatizante do Benfica.
Nunca o escondi.
E, não gostando de futebol por aí além (e definitivamente não sou um "sofredor"), aproveitei a oportunidade para, à minha maneira, prestar esta pequena homenagem ao Rui Costa.

Mas - adivinho-vos a pensar - "este não dá ponto sem nó!".

Ok, confesso. Mas confesso, antes de mais, a péssima "ligação" que fui desencantar, isto porque, e ao nível do VeloLuso, quem eu quero mesmo destacar aqui é o... Rui Costa.
O jovem Corredor encarnado que ontem fez uma etapa - adivinho-o (estou a repetir-me) - espectacular.

Não sei de pormenores, baseio-me apenas na classificação que vi no sítio da Edosof, e isso chega-me. O Rui Costa, o jovem Rui Costa - será do nome? -, foi o 5.º no alto de Navacerrada, a 1.54 minutos de Ezequiel Mosquera, sabem quem é não sabem? Um dos muitos vizinhos espanhóis que chegaram ao profissionalismo via-Portugal; oito segundos à frente de Paco Mancebo, da Fercase-Rota dos Móveis (a outra equipa lusa a correr a prova de Alcobendas); 8.58 minutos à frente de Alexis Rodriguez, também do Paredes, tal como André Cardoso - um trepador com provas dadas (ganhou o prémio da montanha na Volta a Portugal, o ano passado) - que chegou 13.29 minutos depois. O mesmo tempo gasto por, por exemplo, Eládio Jimenez (ainda do Paredes), o homem que o ano passado ganhou, em menos de um mês, Montejunto, a Senhora da Graça e a Torre; que o sul-africano John Lee Augustin, grande revelação como trepador, o ano passado; que Adrian Palomares; que... Stefano Garzelli; que... Alejandro Valverde.

Fixem o nome: RUI COSTA.

Entretanto, e graças à também boa corrida de Mikel Pradera (10.º) e de Mário Costa (outro jovenzinho) o Benfica lidera a prova por equipas.

Disse lá atrás que sou adepto do Benfica.
Pois sou!
E sou jornalista.
E preso a minha independência e a minha honestidade.

Por isso escrevo aqui o que ninguém teve a coragem de escrever em lado nenhum:
Que bom o Benfica ser notícia via resultados desportivos.

Que pena aquela triste manobra de pura diversão - o "comunicado" que, como escrevi, foi pensado para enganar os tolos e... enganou - que, no decurso da Volta às Astúrias só teve como fito desviar as atenções dos adeptos da - com a excepção do Zé Azevedo - mísera prestação da equipa.

E com a cumplicidade (pode até não ter sido intelectual, mas foi-o materialmente) dos ignorantes do costume.

Um claro, claríssimo fait-divers, uma manobra de diversão - sustento-o eu aqui - com o nome do Benfica, relegou para segundo plano a sensacional corrida da LA-MSS-Póvoa.

E para que não me chateiem o juizo... não menosprezem a minha memória de elefante.

Só quero que saibam que eu sei... de muitas estórias!

(Por isso ia rebentando a rir - sozinho, com toda a gente a olhar para mim no comboio - quando recebi uma certa mensagem!...)

Se todos perceberam que tudo não passou de uma manobra de diversão... porque é que eu não o li em nenhum lado?
Na, na, na, na... não falhei um único jornal.

sábado, maio 10, 2008

II - Etapa 60

SAUDADES!...


Passam hoje, dia 10 de Maio, 24 anos sobre a morte de Joaquim Agostinho.
Agostinho foi – e é ainda – o maior nome do Ciclismo português, uma força da natureza que, mesmo tendo chegado tarde à competição, marcou indelevelmente a modalidade em Portugal.

Ganhou tudo o que havia para ganhar, a nível interno, e rapidamente começou a destacar-se a nível internacional, nomeadamente no Tour, onde acabou no pódio final (foi 3.º) por duas vezes…

Apesar de ter morrido na cama de um hospital, 11 dias depois do acidente que no-lo levou, quando caiu na Quarteira, a 29 de Abril de 1984, levava vestida a camisola Amarela, de líder da Volta ao Algarve.


Desde esse dia que esperamos – à imagem da lenda de D. Sebastião – por um sucessor de Agostinho.

Muitos foram os “penalizados” – é o termo – pela exigência e peso de tal responsabilidade, mas só Joaquim Gomes – pelo que fez intra-muros, e por, tal como Agostinho, ter sido um trepador nato, “safando-se” nos cronos e, mais recentemente, José Azevedo, que conseguiu resultados muito relevantes a nível internacional, nomeadamente no Tour, lograram aproximar-se do grande campeão, nascido na aldeia de Silveiras (Torre Vedras) a 7 de Abril de 1943.

Até Sempre, Campeão!

As fotos que junto a este artigo são do livro Joaquim Agostinho – Fotobiografia, da autoria de Guita Júnior.


Nesta última foto pode ver-se, lá atrás, no carro que acompanha Agostinho, outro homem bom do Ciclismo que, infelizmente, também já não está entre nós. É o Bruno Santos, muito mais jovem do que quando o conheci.


Só trabalhámos uma vez juntos, na Vuelta de 2000. Mas ainda tive oportunidade de, há quatro anos atrás, estar com ele em Paris, a cidade que escolheu para viver…
Também me inclino aqui ante a sua memória…

Até Sempre, Companheiro.

sexta-feira, maio 09, 2008

II - Etapa 59

NADA, RIEN, NICLES!...

Uma equipa portuguesa dominou e ganhou uma corrida em Espanha, andou de amarelo do princípio ao fim, meteu três corredores nos primeiros três lugares da Classificação Geral Individual, final, e venceu a Classificação colectiva com mais de seis minutos de vantagem sobre a segunda classificada.

Uma outra equipa portuguesa também deixou a sua marca nas Astúrias, vencendo a chegada a Oviedo...

Como escrevi, em comentário à etapa anterior, esperava ter visto hoje um balanço a essa corrida até porque, por exemplo, o técnico da equipa dominadora foi publicamente criticado. Merecia ter tido uma oportunidade para se explicar. E, já agora, os outros também.

Mas... nada! Rien, nicles...

Está bem!...

quinta-feira, maio 08, 2008

II - Etapa 58

PAREM COM OS TIROS NOS PRÓPRIOS PÉS!...

O Ciclismo em Portugal, numa altura em que todos os intervenientes se deviam unir de forma a, não só “aparar” a queda mas, sobretudo, tentar que fosse atingido o reequilíbrio a partir do qual se pudesse aspirar a construir algo de novo passa, afinal, por aquilo que por mais de uma vez eu aqui chamei de autofagia.

São lamentáveis algumas posições recentemente tomadas. E vindas de quase todos os quadrantes. Até, mas não deixa de ser mais grave por isso, daqueles que… não tomaram posição.

1. Vejamos. Em finais de Abril, e numa decisão unilateral – que convinha investigar, em nome da verdade – a Comissão Nacional Anti-dopagem (CNAD) solicitou ao Instituto do Desporto de Portugal (IDP) a sesseção imediata o apoio financeiro posto à sua disposição para levar a cabo um plano vital para o Ciclismo: tentar erradicar o flagelo do doping que tão má imagem “cola” à modalidade, pese embora eu seja dos que, incondicionalmente, defende que luta contra o doping no desporto, sempre… mas abrangendo TODAS as modalidades.

Tentei, aqui no VeloLuso, brincar, construindo uma parábola. Não sei se o perceberam.

Se o CNAD é a “polícia” - à qual pagamos com os nossos impostos para existir – indicada para perseguir, detectar e penalizar eventuais “batoteiros”, não tem o direito de “desistir” assim.


Como escrevi há umas linhas atrás, a primeira notícia – a seguir à que anunciou o a sua “desistência” – teria que ter sido para nos explicar o porquê.

E não me apontem a alegada “falta de cooperação” da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP).
Não tentem insultar a minha inteligência.

Tal como escrevi aqui há uns dias, se a “polícia” desiste de perseguir os meliantes porque estes levantam dificuldades à sua detenção… Espero que percebam o que quero dizer.

NÃO FOI DE CERTEZA esse o motivo para a caricata tomada de posição do CNAD. Em nome da verdade, e do respeito pelos adeptos, convinha que alguém “os tivesse” no sítio para no-lo contar.

Mais…
Sendo o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo- União Velocipédica Portuguesa membro da estrutura superior do mesmo CNAD, deveria ter feito qualquer coisa – se calhar fez, se calhar votou derrotado, mas PRECISAMOS saber isso – em nome da modalidade que tem que defender.

A ausência de notícia, em relação a isto, leva-nos – a nós, os simples adeptos - a crer que terá traído a “sua” modalidade.
Espero, sinceramente espero, vir a ser rapidamente desmentido.

Mas, se queremos – todos os envolvidos – recuperar a credibilidade da modalidade, não se pode ficar estático.
Pior, não podemos servir de correia de transmissão de interesses terceiros, ainda por cima quando mal explicados.

E recupero a imagem que já usei…
Quem entenderia uma “polícia” que deixasse de perseguir “bandidos” só porque estes não estavam na disposição de ser perseguidos?

2. Eu quando escrevo, sei o que escrevo. E ontem mesmo escrevi que a APCP podia – já que esperou tanto tempo – ter esperado mais um dia para vir a público com a sua posição face a tudo o que se escreveu na primeira metade desta semana. Mas reconheço-lhe o direito a escolher quando deve, ou não, pronunciar. E sei que “seguraram” até à última a sua aparição nesta (má) rábula de Revista à Portuguesa.
Que, sinceramente, não merecia ter que receber um “quadro” destes.

Eu sei porque a APCP ficou tanto tempo calada, e não, não foi por isso que estão a pensar. Não!

Foi porque, senhora da razão, não tinha mesmo que dar mais cor ao folclore chamado a palco pelo CNAD.
Com o presidente da FPC-UVP a querer aparecer à boca de cena e tomar a batuta ao maestro.
E esta parte sim, esta parte seria bom que alguém tivesse a coragem de tentar explicar.

Tal como escrevi – e não escrevo nada que não saiba – a FPC-UVP já foi penalizada por atropelo grave à primeira Lei pela qual este país ainda se rege: a Constituição.

Não vale a pena querer criar pequenos “impérios” particulares porque haverá sempre quem defenda o que está escrito num documento não descartável: a Constituição.
Que garante que NÃO HAJA QUEM NÃO TENHA DIREITOS.
E que impede que candidatos a pequenos ditadores possam ser tentados a pensar que estão acima dela. Da Constituição.

Eu aqui assumo que jamais me doerão os dedos para escrever contra esses projectos de ditadores.

-- Que fique claro que não estou a querer rectificar posições que tomei, ontem ainda. Pelo contrário, estou a tentar cimentar o que eu acho estar correcto.
É MESMO um artigo de opinião.
E não fugirei, nem de “raspão”, ao que ontem escrevi aqui.

3. Quem, de facto, está com a modalidade, pela modalidade e sem compromissos inconfessáveis, não pode deixar de apontar o dedo – acusador, sim – ao doutor Artur Moreira Lopes.
Somos (sei lá se somos!... Tantos que eu julgava ter como tal e que tão prontamente se afastaram) amigos e quero acreditar que uma crítica fundamentada não chegue para quebrar essa amizade que me liga ao doutor Artur Moreira Lopes.

E, ou eu não sei avaliar com quem lido, ou ele até prefere quem o contrariem, fundamentando as razões, aos caniches que o rodeiam só por uma festinha no pelo. Ou um ossito!...

Como escrevi lá atrás, não sei, ninguém sabe, se o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo tem algo a ver com a decisão do CNAD. Porque, perante um cenário não desprezível, enquanto notícia, não houve jornalista que tentasse sequer saber disso.

Condená-lo sumariamente seria despropositado. Não é isso que estou a fazer…

4. Contudo, não é difícil – antes pelo contrário – perceber como e de onde vieram as primeiras informações que ditaram a publicação do artigo que nos deu conta da “marcha atrás” do CNAD.
Não foi a primeira nem será a última vez que, por um motivo ou outro, essa correia de transmissão terá sido usada. E – no fundo – abusada!
Pelo que até pode chegar a merecer a nossa piedade.

Que tenham pena de mim será a última coisa que admitirei e quando isso estiver para acontecer… saberei que chegou ao fim a minha validade neste Mundo.

5. Escrevi antes – ontem – que a saída da notícia sobre a “abdicação” do CNAD, em relação às suas funções, veio implicar directamente a redução do espaço que a Volta às Astúrias – que foi dominada pelos portugueses – tinha prevista nos mais diversos OCS.

Na verdade – porque hoje estive de folga que aproveitei, como habitualmente faço, para reler o monte de jornais que vou acumulando aqui – a primeira notícia surgiu nas vésperas do arranque da Asturiana. Ok… mea culpa. Já o referi dezenas de vezes que não pretendo ser impoluto. Claro que podia defender-me, sendo assim tipo “rato de biblioteca”, o que podia mesmo ser porque tenho matéria arquivado suficiente para isso. Mas continuo a preferir ser espontâneo. Mesmo que me engane.

O que quero mesmo é que, quem me leia saiba que escrevi embalado na paixão que tenho pelo Ciclismo. Podia ser, mas não quero parecer uma enciclopédia. E aceito que seria muito mais fácil para mim… Mas eu nunca procurei facilidades.

6. De facto, a notícia apareceu antes de a referida corrida ter começado, mas – e só quem não seja honesto o poderá negar – acendeu rastilho que depois fez explodir a “bomba”.

Por isso, nos dias seguintes apareceram as notícias veiculadas, primeiro pela Lusa, depois pelos outros OCS que não levantam o cú da cadeira para acompanhar o Ciclismo, mas não perdem a oportunidade de, sendo negativo o teor da notícia em relação ao próprio Ciclismo, “abrir” o tema Ciclismo com elas em detrimento dos feitos desportivos.

-- Há tantos “culpados” nesta cadeia de noticiário deturpada em nome de… não sei o quê, que sobre isto não adianto mais nada.

7. Agora, que – impulsionados pela Agência Lusa – muitos OCS puseram o fait divers (porque não provado, não explorado…) do caso-CNAD/IDP à frente de resultados concretos de uma equipa portuguesa que elevou bem alto o nome do País e da Modalidade – enquanto o presidente da federação aparecia em notícias negativistas – isso não podemos chutar para canto.
Aconteceu mesmo.

E o Ciclismo Português deu mais um tiro no pé…

Nota

VAMOS VOTAR?

Eu gostava de saber colocar aqui aquela coisa das votações, mas sou alentejano e não sei...

Deixo, contudo e na mesma, a questão... Podem responder.

Antes disso...
... porque é que, depois de uma etapa ENORME protagonizada pela LA-MSS-Póvoa - e a estratégia veio a provar-se a correcta (quem estava à espera do crono - o que não acredito, porque não ditaria grandes diferenças - ou aguardando pela subida ao alto do Santuário do Acebo, bem se lixou...) -, e depois de manifestações concretas de desagrado [mais do que isso, já disse que tenho a mensagem no meu telemóvel], no dia logo a seguir aparece um artigo assente, é mais do que evidente, numa fonte escondida com UVP à mostra;
no outro... um ridículo comunicado do Benfica (que reduziu a crónica da etapa a texto de apoio), porque o Benfica, enquanto equipa Continental Profissional não tem nada a ver com o tal acordo que motivou o comunicado... [vocês acharam, que deste lado são todos parvos e... acertaram em cheio! Por isso tenho que vos dar os parabéns!];
e ontem... - tenho pena, mas não perceberam e podiam ter aguardado mais um dia - um outro comunicado da APCP teve o mesmo efeito.

Tudo junto teve o condão de reduzir [exemplo concreto: no Record de ontem, a etapa da Volta às Astúrias teve seis linhas] uma corrida no estrangeiro, onde formamações portuguesas, frente a equipas que contavam, por exemplo, com um duplo vencedor do Giro - sim o Garzelli - e dominada pela LA-MSS-Póvoa acabasse por não ser o grande acontecimento de Ciclismo desta semana.

Provavelmente, nos próximos dias, quando haveria tempo para lavar a roupa suja - e já dizia o outro, falem mal de mim, mas falem de mim... - não vai aparecer nenhuma notícia de Ciclismo.

Mas cá vai o passatempo...
-- Porque é que nos momentos dos quais se poderia tirar alguns dividendos a favor do Ciclismo português [porque consegue ganhar lá fora], sempre aparece alguma coisa a tentar denegri-lo?

Podem votar:
a) - Porque ninguém percebe de Ciclismo em Portugal...
b) - Porque, uma vez afilhado... é obrigatório beijar a mão ao "Padrinho"...
c) - Porque no Ciclismo português, a dor de cotovelo dói mais que uma queda por uma ribanceira da Serra da Estrela abaixo...
d) - Porque andam todos a brincar com o pãozinho que comem...
e) - Todas as quatro hipóteses anteriores juntas

Deixem uma mensagem dizendo em qual das hipóteses apostam.

II - Etapa 57

VOLTA ÀS ASTÚRIAS CONTINUA A SER
TERRENO ONDE OS "TUGAS" SE DÃO BEM

Olhando bem para as Corridas no estrangeiro onde Corredores de equipas portuguesas se dão melhor, não sobejarão muitas dúvidas de que muitos dos melhores resultados que conseguimos extra-muros acontecem nas Astúrias.

E, naquilo a que chamaria de passado muito recente - um período de dez anos, por exemplo -, o Principado entalado entre a Cordilheira Cantábrica e o Mar com o mesmo nome foi palco de vários feitos para o Ciclismo luso.

A começar pela histórica vitória de Pedro Silva em 1998 - passam agora, exactamente dez anos (ninguém se lembrou), na então Recer-Boavista - quando ganhou a a etapa que terminou em Avilés batendo ao sprint um senhor chamado... Laurent Jalabert. Que venceu essa edição da prova.

Depois, em 2000, tivemos o retumbante triunfo de José Azevedo, na então Maia-MSS, no alto do Viso, e a primeira (e única) vez que um português vestiu a camisola amarela nesta prova. Mas há mais exemplos. Tanto de vitórias em etapas (Pedro Lopes, Andrei Zintchenko, etc...) como triunfos finais.
Ok, foi apenas a segunda vez que ganhámos, sempre com corredores não portugueses.

A primeira foi em 2003. Ganhou Fabien Jeker, então na Maia-Milaneza dirigida por... Manuel Zeferino. Ontem conseguimos para Portugal o segundo triunfo, desta vez com Angel Vicioso, corredor na nóvel LA-MSS-Póvoa, dirigida por... Manuel Zeferino.

Mas vou deixar para mais tarde um comentário abrangente a esta corrida.

Agora, e porque é de todo justo, queria acrescentar mais um triunfo de um corredor de uma equipa portuguesa em Oviedo.
Depois de Pedro Lopes (da velha LA Alumínios), que até bisou, ontem coube a vez a Pablo Urtasun, da formação de Vítor Paulo Branco e diririgida por Américo Silva a lograr ser o primeiro na chegada à capital do Principado.

E foi, porque eu vi o que a RTPA mostrou, uma vitória mais do que justa.

Urtasun estava na fuga do dia; a longos 15 quilómetros da meta tentou a sorte em solitário; não resultou mas depois, nos últimos 500 metros, ainda teve força para numa derradeira sapatada somar mais um triunfo para a equipa da Liberty Seguros.

Repito, um triunfo plenamente merecido.

Não sei se vivido com a alegria que deveria ter acontecido, uma vez que, afinal de contas, a Corrida foi levada por um concorrente directo, a super LA-MSS-Póvoa.

E aqui não estou a fazer joguinhos de palavras tipo... «o pelotão seguia a diesel enquanto a LA-MSS parecia usar super...» [como saiu n'O Jogo], ainda por cima com o enquadramento que, inesperadamente, "emoldurou" os quatro últimos dias desta corrida.

Outro assunto a que voltarei daqui mais a pouco.

Serve este artigo para destacar, sublinhando o facto de que, afinal, não somos tão coitadinhos assim...
Que tivemos dois Corredores de equipas portuguesas a ganhar duas etapas desta Volta às Astúria e que um deles andou de amarelo do princípio ao fim.

Desafio, seja quem for, a questionar, agora, a táctica engendrada pelo Manel Zeferino. Acredito - e tenho no meu telemóvel prova disso - que tenha havido a quem custou a engolir isso. Verdade seja dita que, por esses lados arriscar é um verbo raramente conjugado.

E a verdade é que eu vi todas as transmissões das etapas, li o que pude ler da imprensa espanhola e... não identifiquei sequer sombra de maldosas insinuações em relação à etapa que a LA-MSS-Póvoa fez no primeiro dia.

Apesar daquele... "o mundo do Ciclismo em Espanha está revoltado!..."
Às vezes tomamos o nosso umbigo pelo Mundo...
Mas eu ainda sei reconhecer o que é uma dor de cotovelo.
E não me tentem provocar com mais insinuações!

Parafraseando o grande, o enorme Alfredo Farinha - um dos monstros do jornalismo desportivo português -, eu sei tudo o que escrevo, mas (ainda) não escrevo tudo o que sei.
Tenham lá calma!

Para quem não teve oportunidade de ver a chegada da etapa de ontem, a última, ganha pelo Pablo Urtasun, da Liberty Seguros, podem ver, agora, aqui (X).

(Para verem todo o écran - embora perca qualidade, é clicar no segundo icon, a contar da direira, entre o volune do som e a contagem do tempo)

É claro que na foto que aparece acima do vídeo não vemos O VENCEDOR DA VOLTA ÀS ASTÚRIAS... apenas o vencedor da derradeira etapa. Até os melhores se enganam...

quarta-feira, maio 07, 2008

II - Etapa 56

COMUNICADO DA APCP

A Associação Portuguesa dos Ciclistas Profissionais, face às notícias veiculadas nos órgãos de comunicação social, diz o seguinte:

1. A APCP contribuiu activamente para a elaboração do Acordo Comum na Luta Contra o Doping assinado em Janeiro do presente ano.

2. Esta Associação não renunciou ao Acordo firmado em Janeiro entre a UVP/FPC e demais elementos integradores do Conselho de Estrada e é com surpresa que recebe a tomada de posição do CNAD, que por um lado acusa esta Associação de falta de colaboração e por outro determinou a suspensão do protocolo dos exames de saúde aos atletas.

3. Esta Associação comunicou com correcção as suas posições tendo sempre em conta, quer a legislação nacional quer os regulamentos que regem os controlos anti-dopagem.

4. Vir invocar que esta Associação está a colocar obstáculos ao controlo dos atletas é um argumento que as entidades acima indicadas alegam, para escamotearem responsabilidades inerentes às suas funções e que têm que ser exercidas no respeito pela lei.

5. A razão fundamental para não aceitar as alterações propostas ao Acordo firmado em Janeiro, prendem-se sobretudo com questões legais e jurídicas, nomeadamente diminuir a duração de prazos estipulados na lei para o atleta se submeter a controlo antidoping e aceitar à criação de uma base de dados que implicavam o consentimento individual de cada atleta, para o qual esta Associação não está devidamente mandatada, por influir na esfera dos direitos pessoais e intransmissíveis de cada um.

6. Lamenta, a APCP, que tais entidades, que advogam que as questões devem ser resolvidas entre as partes, tenham tido a preocupação de na praça pública terem exposto as suas opiniões, deturpando a posição assumida pela APCP.

7. Esta Associação está tranquila, quanto às notícias divulgadas, que sabemos irão aguçar a curiosidade dos leitores, deturpar mais uma vez uma modalidade das mais populares no país, para escamotear um problema que é mais profundo e que é a constatação que a luta anti-dopagem terá que ser abrangente a todas as modalidades, com critérios e métodos de aplicação uniformes, tendo em linha de conta a especificidade das mesmas e sobretudo realizada com meios técnicos e humanos devidamente preparados para actuar em conformidade com a lei.

8. A posição da APCP, no respeito pela lei e correcção devidas às entidades acima indicadas, não foi mais do que o bode expiatório para cancelar a realização de análises que saíam caras ao erário público e que a conjuntura económica e de contenção de despesa não comportavam.

9. A APCP está aberta ao diálogo, não está todavia disponível para participar em cortejos onde O Rei vai nu, nem servirá interesses violadores da lei e sobretudo com desrespeito pela privacidade dos dados pessoais dos atletas, desde que não sejam devidamente autorizados pelas entidades competentes.

10. Por parte desta Associação só lhe resta cumprir os seus deveres estatutários devidamente registados e promover e assegurar os interesses dos seus Associados, que são os intervenientes de uma modalidade que continuará a ser das preferidas do povo português.

Paulo Couto (Presidente da APCP)

terça-feira, maio 06, 2008

II - Etapa 55

HÁ AQUI ALGO QUE NÃO ME... CHEIRA!

Está a acontecer algo no Ciclismo português que eu, talvez por agora estar meio por fora, não consigo entender completamente.

Mas não perdi nenhuma das minhas capacidades de análise e/ou raciocínio.

Percebo perfeitamente que, nos bastidores, se puxam cordelinhos que fazem mover os fantoches de sempre.
É puro espectáculo para a populaça que está por fora.
Mas que bem "embrulhado" até passa como coisa séria.

Aconteceu uma sucessão de notícias - inocentemente, ou... talvez não - veiculadas por meios merecedores de todo o respeito. Acima de quaisquer suspeitas.
Como a Agência Lusa, por exemplo.

Despacho da Lusa para um não iniciado é quase termo de lei.

Permitam-me...

Lisboa, 05 Mai (Lusa) - O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Artur Lopes, acusou hoje a Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP) de não estar totalmente aberta na luta contra a dopagem.

-- Quem é que se questionou, por exemplo, neste aspecto: o que será... totalmente?
Podiam ter perguntado à APCP... digo eu...

Lisboa, 05 Mai (Lusa) - O dirigente manifestou-se na sequência da decisão do Instituto do Desporto de Portugal (IDP) de cessar o apoio financeiro à realização de colheitas de sangue aos corredores em três períodos da época, no âmbito de um acordo que visava a avaliar e proteger a saúde dos ciclistas, alegando falta de cooperação da APCP.


-- Porque é que ninguém questionou a diferença entre, cito: ... avaliar e proteger a saúde dos ciclistas, e a intenção reinante que era (e é, e será) a de apanhar e castigar eventuais previricadores?
Aqui, acrescento eu, que não deixei de estar a par do legislado, os resultados eventualmente fora do normal não mereceriam, legalmente, sanção desportiva; apenas a preservação de um período fora de competição até NOVAS ANÁLISES comprovarem, ou não, os indicadores eventualmente fora dos parâmetros definidos;

Lisboa, 05 Mai (Lusa) - "Tiveram uma posição que, quanto a nós, dá indício de que querem servir-se de tudo o possível e imaginário para, pura e simplesmente, não estarem totalmente abertos na luta contra a dopagem", disse à Agência Lusa Artur Lopes...

-- O TUDO, possível e imaginário é, apertados de forma perfeitamente ilegal, os Corredores terem, através da sua associação, pedido um parecer à Comissão Nacional de Protecção de Dados e esta ter multado a FPC em alguns milhares de euros por não ter solicitado autorização para a recolha e armazenamento desses dados.


Caramba!, estas coisas, quando não se sabe... pergunta-se.

Lisboa, 05 Mai (Lusa) - "Enviámos uma carta com a situação clarificada a todos os elementos presente e à APCP. Todos responderam a dizer que estavam de acordo e a APCP enviou-nos uma carta, nitidamente redigida por uma pessoa de direito, a manifestar o seu desacordo", explicou Artur Lopes.

-- Confrontados com um vil ataque às suas liberdades, enquanto cidadãos, deveriam os Corredores, representados pela APCP, ter respondido com uma carta [esta parte é minha]... claramente redigida pelo merceiro da esquina?

(Atenção Lusa!... Três falhas, pelo menos no que respeita ao direito ao contraditório... pior, três "encaixes" comprometedores em relação à versáo de uma das partes!)

Lisboa, 05 Mai (Lusa) - "A APCP veio ameaçar a federação e até desconsiderar o CNAD sob ponto de vista jurídico, dizendo que não sabe o que anda a fazer, e que avançariam de novo com uma acção na Comissão Nacional de Protecção de Dados", disse Artur Lopes.

-- Pois é... "de novo com uma acção na Comissão Nacional de Protecção de Dados".
Faltou à Lusa indagar sobre (pelo menos) uma anterior acção e, nomeadamente, saber junto da CNPD, quem é que tinha razão...
Repito, da primeira vez a FPC foi multada...
Não se pode, não se deve, dar "notícias" deste género sustentadas apenas na versão de uma das partes... (mas assim vai o Jornalismo em Portugal...)

Lisboa, 05 Mai (Lusa) - A APCP tem também uma leitura diferente sobre as informações que, com base no acordo estabelecido, os corredores devem prestar ao CNAD sobre o seu paradeiro, o que Artur Lopes entende como uma forma de "manobrar" a situação.

-- Qual será a leitura da APCP? A Lusa ignora-o.

Eu sei qual é... Segundo o legislado, um corredor, falhado um controlo inopinado (fora de competição) tem 24 horas para a ele se submeter voluntariamente. A FPC, o CNAD... toda a família, quer fazer impôr uma sansão imediata de três meses de castigo por falta a controlo inopinado.
A Lei é clara e só veícula baboseiras quem, ou está inquinado de pura má fé ou, pior ainda, é mesmo ignorante.
Logo, não devia ter uma Carteira Profissional de Jornalista!

Mas há mais...

Lisboa, 05 Mai (Lusa) – O Benfica anunciou hoje em comunicado a "saída imediata" da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP), alegando que a instituição "está a ir contra os princípios" que a equipa defende na luta contra o doping.

Outra vez a Lusa!
Outra vez esquecendo que, na esmagadora maioria dos casos, do outro lado da linha a informação vai cair nas mãos de não iniciados.
Ignorantes, e não há mal nenhum em o dizer porque a culpa não é deles...
Não sabem. Quem os condenará?
Foi a Lusa que deu...

Usando uma comparação que, não sendo exactamente a mesma coisa, é o que de mais próximo posso usar como exemplo, quem é que levaria a sério uma notícia que dissesse que o meu patrão anunciava a MINHA SAÍDA do Sindicato dos Jornalistas?
Isso é uma decisão que só me cabe a mim, individualmente.
Nada, nem ninguém me pode impedir de ser sindicalizado.
A APCP NÃO é um sindicato, mas é uma associação de classe.
Até acredito que um patrão IMPONHA que os seus empregados não possam fazer parte da sua associação de classe, mas não o aceito.

Não percebi, nem a razão, nem o timming da equipa Benfica, para fazer sair um comunicado destes.
Quero dizer... perceber, eu percebi...
Mas é melhor fazer de conta que não percebi mesmo.

Aliás, o Benfica deveria ser a última equipa a imiscuir-se neste assunto.
Porquê?
Porque, enquanto Equipa Continental Profissional não está metida naqueloutra "guerra" que ficou exposta atrás.

Depois, porque o vice-presidente da APCP é exactamente um Corredor do Benfica;
depois, porque o delegado da CPA para as equipas europeias contimentais profissionais... é outro Corredor do Benfica.

Quer o Benfica fazer passar a imagem de intolerância em relação ao direito de associação dos Corredores? É isso?

Ou precipitou-se - induzido por terceiros - a dar o primeiro passo correndo o sério risco de ser o único a ficar mal na fotografia?
Não ponho esta hipótese de parte...
Mas assim que pôs o pé na bosta... é impossível esconder o cheiro.

AGORA... MUITA ATENÇÃO...

Vou escrever em português, embora não tenha a certeza absoluta de que venha a ser entendido...

Há um ditado que diz... À Mulher de César Não basta Ser Séria, Também Precisa Parecê-lo.

Certo?
Conhecem, não conhecem?

Mas atentem a este outro...

Quando é Que a Absoluta Necessidade de Evidenciar Publicas Virtudes Não Serve Apenas Para Esconder Inconfessáveis Vícios Privados?

II - Etapa 54

EXTRA

Com um IMENSO OBRIGADO ao António Costa, a quem deve ser creditado o trabalho (que me autorizou a usar aqui), para que, quem viu possa recordar e quem não teve oportunidade de ver o possa fazer, aqui deixo o resumo da 1.ª etapa da Volta às Astúria'08.

Digam o que quiserem, uma página da qual o Ciclismo português jamais se deve envergonhar.

Honny Soit Qui Mal Y Pense!...
.
Vejam aqui ----->>>> (x)
.
Já viram?... Vá lá!... Vejam primeiro o resumo...
Ok, já viram? 'Tá bem, eu acredito...
Tenho duas notas a acrescentar.
.
1.ª - Perguntem-me lá...
"não há meninas do pódio?
não há alcaldes à procura de aparecer na televisão?
não há políticos em permanente campanha?
não há palhaços?
não há decotes generosos a fingir que tapam o que, na verdade, propositadamente mostram?"
.
Resposta: Há! Há sim senhora...
Ok... perceberam onde eu quero chegar?
.
Estamos a falar de uma Televisão Regional...
E viram o total - 100 em 100 - respeito por quem VERDADEIRAMENTE é figura numa corrida de Ciclismo: os Corredores.
Não houve falta de tema, não houve publicidade alguma a nenhuma das empresas ou comarcas que pagaram - que PAGAM - a corrida.
Só Corrida, só Corredores... e comentadores que só falaram de Ciclismo.
Só de CICLISMO.
Para mim não foi surpresa.
.
Nós por cá fazemos questão em, mesmo a nível nacional, sermos... provincianos, mas no pior dos sentidos, a raiar o... parolo.
.
Há um ditado que diz: Só nos sobem para cima das costas se nós nos baixarmos...
.
A verdade é que (sobre)vivemos permanentemente de cócoras perante todos os poderes, sejam lá eles quais forem.
.
A segunda nota tem a ver com a parte final do resumo da RTPA quando se diz claramente que a segunda etapa é dividida em dois sectores.
.
Eu sei - provavelmente alguns dos meus leitores não o sabe, mas eu sei - que desde o ano passado a UCI acabou com as "meias-etapas" sendo que cada sector é considerado etapa por si só, sem prejuízo, contudo, de tudo o que antes estava regulamentado para os "sectores" de uma mesma etapa.
.
Isto é, se num dia há dois sectores/etapas, as contas para as classificações gerais - todas elas - só são acertadas no final do dia.
.
Isto para dizer que, AO CONTRÁRIO DO QUE LI, o Steffano Garzelli NUNCA foi líder da Corrida. E na mesma linha de razão, o Angel Vicioso NÃO RECUPEROU a camisola amarela no crono da parte da tarde de domingo, simplesmente porque nunca a perdeu.
.
Aliás, para quem está no terreno acho muito estranho que não tenha visto que o Vicioso FEZ O CRONO VESTIDO DE AMARELO.
Vimos todos!...

II - Etapa 53

A EXCELENTÍSSIMA «SENHORA CICLISMO»

A francesa Jeannie Longo é uma lenda viva! É a Senhora-Ciclismo, e ninguém se atreverá a contestá-lo. Aos 49 anos – é um ano mais velha do que eu!!! – Longo continua a acumular vitórias e já está a criar problemas aos eventuais biógrafos. Aliás, nem o seu marido e treinador de há muitos anos, Patrice Ciprelli, consegue dizer ao certo quantas vitórias soma o fenómeno. Mais de um milhar. 1020, segundo um texto que encontrei no diário espanhol Marca.

Por isso, pela grandeza dos números, pela longevidade da carreira, pela lenda que já o é, o triunfo de Jeannie Longo, ontem, domingo, no Troféu dos Escaladores, prova a contar para a Taça de França, no feminino, não pode ser descrita como... apenas mais uma.
Não! Foi mais uma.
Até porque a veterana Corredora ainda não corre para matar saudades.
Não, nada disso.
Como qualquer jovem de 19 anos, Jeannie Longo está, aos 49 anos, na estrada na perseguição de um objectivo muito concreto: ser seleccionada para os Jogos Olímpicos de Pequim.

Não sei se isto interessa ou não [claro que sei!, estou a reinar convosco], mas Longo venceu o Troféu dos Escaladores com um avanço de mais de três minutos sobre as segunda e terceira classificadas, Christel Ferrier-Bruneau (28 anos) e Magali Le Floc’h (32 anos).

Reparem que a soma das idades das três chega aos... 109 anos!!!
Hei, miudagem gaulesa, então?!!! Sem pernas para a Vovó?

domingo, maio 04, 2008

II - Etapa 52

AGORA A SÉRIO!...

1. Cadê o direito ao contraditório?

2. Espectáculo brutal, aquele que ontem - os que já sabem onde podem ver (e lendo a Marca percebi que até há espanhóis que o não sabem) - pudemos seguir!...
E não são para aqui chamadas questões de amizade!...

II - Etapa 51

DESCULPEM LÁ, MAS SE EU TIVESSE JEITO
JÁ ESTAVA A TRABALHAR PARA AS "PF"

Peço-vos, à laia de manifesto de intenção, que leiam o que vem a seguir da mesma forma como eu quis escrevê-lo [não sei se vou ser capaz].

Imaginem assim uma coisa como... como uma rábula dos Gatos Fedorentos.
É isso!
São coisas sérias ditas a brincar mas, não deixando de ser sérias, também não esqueçam que é só a brincar...

1. O chefe de uma polícia pede à entidade que supervisiona essa polícia que lhes corte o subsídio a que tinham direito para poderem agarrar uns malandrins.
E porquê?
Porque os malandrins parece que não querem ser apanhados.
Porra, que chatos!... Grrrrrrrrrr!....

A polícia queria apanhá-los, tinha o apoio do regedor do lugar, da comissão dos moradores acima de quaisquer suspeitas e ainda de mais duas ou três associações de boa vontade.
E tinham um subsídio para o fazer.
Mas, repito, parece que os malandrins saem de casa e nem avisam para onde vão...
Ai é?
Não querem ser apanhados?
Pois bem!, a polícia está-se nas tintas!
E avisa que não quer mais receber o subsídio.

(É evidente que o que se vai seguir são esperas a ver se os apanham distraídos, mas para isso, aparentemente, já não precisam do subsídio. O Zé Povinho agradece de coração nas mãos - e falta de pão para a boca - este generoso desinteresse pelos dinheiros públicos.)

2. Numa freguesia vizinha realiza-se uma fiesta que convida três bandas de três aldeias da vizinha freguesia. Logo no primeiro ensaio, uma das bandas convidadas leva a palma a todas as outras, incluindo as bandas das aldeias da freguesia que convidara as bandas da freguesia vizinha. Não soaram os sinos, mas parece que a mostarda começou a trepar a certos narizes.
Quando do primeiro concerto, já a valer, a mesma banda, da mesma aldeia da vizinha freguesia da freguesia vizinha afinou trombones e fagotes, concertinas e acordeões, adufes e pandeiretas e aquilo foi um show nunca antes visto.

E foi só o primeiro concerto...

Terão os fregueses dessa tal freguesia vizinha ficado com ganas de malhar no bombo?
Irritados por lhes estarem a estragar a festa?
Não sei.
Talvez.
É bem provável...
Mas que as primeiras queixas [Sim, recebi a mensagem!] tenham vindo de uma das outras aldeias da freguesia convidada, isso é que já me deixa a pulga atrás da orelha...

sábado, maio 03, 2008

II - Etapa 50

TERÁ SIDO UM INSPECTOR ANTI-DOPING DA UCI?

Lembram-se da [eu quase diria macabra] história que aqui há uns tempos envolveu o Corredor belga Kevin Van Impe - sobrinho do grande Lucien Van Impe, várias vezes rei da montanha no Tour, nos anos 70 e 80 do século passado -, aquela em que, quando estava no cemitério a tratar do funeral do filho que morreu poucas horas depois de ter nascido, foi abordado por um médico-inspector anti-doping da UCI que, indiferente à tragédia, não arredou pé enquanto o pobre desgraçado não mijou para o frasco?
Lembram?
Pois fiquei agora a saber que o mesmo Kevin Van Impe foi atropelado na passada 3.ª feira quando, na companhia de outros corredores, treinava numa estrada nos arredores da cidade de Oosterzele, onde vive.

O relato que transcrevo foi feito por um deles, Kevin Hulsmans.

«Circulávamos normalmente quando um carro, vindo por trás de nós, nos apanhou e atirou para a valeta. O impacto foi de tal forma violento que o Kevin Van Impe foi cair na valeta junto à berma da estrada... no sentido contrário ao que seguíamos. Valeu que não vinha a passar nenhum carro em sentido contrário, senão teria sido atropelado uma segunda vez.»

Um dos corredores - que não nenhum dos Kevin's - fracturou uma clavícula, os outros escaparam apenas com algumas... "amolgadelas" espalhadas pelos braços e pernas.
Vá lá que o condutor não fugiu. Parou no local e foi ele próprio quem pediu de imediato a ajuda dos paramédicos.

Contudo, ainda segundo o relato de Hulsmans, «considerando a velocidade a que o carro circulava e o estado em que ficaram as nossas bicicletas, completamente inaproveitáveis, tenho que dizer que tivemos muita sorte!»

Alguém, lá em cima, não gosta mesmo deste pobre Van Impe!...

sexta-feira, maio 02, 2008

II - Etapa 49

QUE CORRIDA! QUE ESPECTÁCULO!... QUE MESTRIA!
QUE VISÃO E CAPACIDADE DE ANTEVER A FORMA
COMO AS PEÇAS IRIAM MOVER-SE NO TABULEIRO!
QUE VITÓRIA PARA O MANEL ZEFERINO!...


Acredito piamente que todos os que hoje puderam assistir à 42.ª Subida al Naranco, e que percebem alguma coisa de Ciclismo, terão ficado – tal como eu – perfeitamente maravilhados.
Que Corrida! Que espectáculo!...
E, no meio de tudo isso, que demonstração perfeita de como se pode redesenhar uma corrida ao jeito que nos interessa.


Coisa só ao alcance de alguém que sabe muito de tácticas; que demonstra conhecer perfeitamente os adversários; a estrada, essa conhece-a bem, mas se esse facto ajuda, por si só não pode resolver nada.

O que resolve, e ficou demonstrado, é saber exactamente, aonde, quando e com quem manipular a corrida de forma a que esta nos saia a contento.

Nem eu quero - nem o Manel Zeferino precisa disso - endeusá-lo, mas digam-me, em consciência, a pouco mais de uma dezena de jornalistas e/ou comentadores que realmente percebe de Ciclismo, se não assistimos hoje [ontem, à altura que, por motivos que reconhecerão prudentes, este artigo estará acessível] a mais uma demonstração perfeita de como se movem, se distribuem, as peças de uma equipa para ganhar uma corrida.

Até porque o triunfo de Xavi Tondo não foi em nada facilitado, antes pelo contrário…

Comecei a ver a transmissão da RTPA a cerca de 50 quilómetros do final da corrida, iam 17 corredores escapados, entre eles o Pablo Urtasun e um outro corredor da Liberty Seguros que, nem eu identifiquei, nem a realização nos disse quem era, mais o João Cabreira, da LA-MSS-Póvoa. E ia também, nessa fuga, o homem em que os espanhóis – pelo menos os comentadores da RTPA – apostavam, o italiano Steffano Garzelli.

O Benfica não tinha ninguém nesse grupo, por isso apareceu, juntamente com mais uma ou duas equipas, a trabalhar na cabeça do grande grupo, tentando encurtar distâncias, senão mesmo anular a escapada. Não conseguiram.

Entretanto, o grupo da frente fica reduzido a 13 unidades e um pouco mais à frente a apenas cinco. Sempre com Garzelli a quem os comentadores cedo começaram por anunciar como mais que provável vencedor. Sempre com João Cabreira que eu ia “vendo” capaz de fazer um final como fez no Alto do Malhão, há dois anos atrás, ou na etapa da Torre, na Volta do ano passado…

Com uma pequena nuance que não terá passado despercebida aos conhecedores. Cabreira, vai-não-vai, era ele próprio quem esticava o grupo da frente.

Não, não era ele o trunfo do Manel Zeferino!

Senão resguardar-se-ia e jogaria com o facto de ser praticamente desconhecido dos adversários a quem poderia surpreender.

Já em plena ascensão para o alto do Monte Naranco, às portas de Oviedo, numa situação que revolveu a corrida, com os da frente a serem alcançados – que não postos fora da corrida -, apareceu outro homem da LA-MSS-Póvoa que, segundo o relato da RTPA, seria o Afonso Azevedo. Instantes mais tarde, quem ia na frente era o Bruno Pires. Em consciência, porque não é tão fácil assim seguir a transmissão via Internet, não sei, de certeza, se o Afonso apareceu por ali ou não. Se não foi logo o Bruno a aparecer e os comentadores leram mal o número do dorsal. Talvez não.

Mas já estamos numa fase em que, claramente, Bruno Pires ataca a meta final. Pensei eu e terão pensado todos, tanto que ali, por momentos, há uma entreajuda entre várias equipas para anular o avanço do alentejano do Redondo, e entre essas equipas estava a Liberty Seguros que apostava tudo em Koldo Gil – que vencera esta corrida, o ano passado, ao serviço da Saunier Duval -, mas esse esforço recolocava o italiano Garzelli na luta pela vitória.

À entrada dos últimos 1000 metros, Bruno Pires seguia isolado e podia ganhar a corrida, só que os mais directos perseguidores, empurrados pela tal conjugação de esforços por parte de mais do que uma equipa acabaram por o engolir a meio caminho. A 500 metros do final.

A emoção atinge níveis incontroláveis e o relato dos comentadores da RTPA saía dividido.


Uns que (parecia) puxavam por Garzelli, outros que ainda antes de tempo deram a vitória mais do que assegurada por Koldo Gil.

Só nos últimos metros, saindo por fora, mais pelo meio da estrada, Xavier Tondo deu a sapatada misericordiosa que acabou com a veleidade dos dois mais directos adversários, assinando uma tão clara quanto justa vitória para a LA-MSS-Póvoa.

Dois espanhóis – Tondo e Gil – nos dois primeiros lugares, mas dois espanhóis que representam equipas portuguesas… Quem diz que não temos lugar no pelotão espanhol?

Foi lindo, o final da corrida e não me cansarei de o referir. Primeiro, metendo Cabreira na fuga principal do dia; depois, soltando as lebres para que estas levassem ao engano a concorrência para, na jogada final pôr na mesa o às de trunfo – leia-se: Xavier Tondo – Manuel Zeferino mostrou, uma vez mais, que deve ser, actualmente, o técnico MUNDIAL que melhor conhece, seja o pelotão no seu todo, seja as condições físicas e anímicas dos seus próprios corredores. Tem um naipe alargado de trunfos e joga com eles todos, sem fazer bluff.

Espero que não seja só eu a ter visto – e compreendido – a forma magistral como ele conduziu a corrida de ontem.

Ai, o que o Manel faria com uma equipa de outra dimensão!
Parabéns amigo.


Um grande e apertado abraço.