sábado, junho 14, 2008

II - Etapa 99

DESUMANO, VERGONHOSO,
INSENSATO... INDESCULPÁVEL

O telefonema de um amigo alertou-me, vinha eu a caminho de casa, para uma notícia - que não ouvi - que passou esta tarde da Antena 1, Estação Pública de Radiodifusão integrada na agora genericamente chamada RTP - Rádio e Televisão de Portugal.

Não vou comentar a "investigação" que deu origem àquele minuto e 13 segundos de peça. Embora, para trabalho de investigação, onde não se identifica um único testemunho, o que desde logo me faz torcer o nariz, tenha que admitir o notável poder de síntese.

Mas, como disse, não vou comentar a notícia, até - e sem falsos corporativismos - porque conheço há muitos anos o jornalista que assina a peça, que é um bom rapaz, um bom jornalista...

Mas disse-me esse tal amigo, ao telefone, que - uma vez que eu não ouvira, podia aceder à referida notícia no site da Antena 1. E foi logo avisando que eu não ia gostar de ver...

E não gostei mesmo, apesar de, entre o momento em que ele a viu, e depois, um pouco mais tarde, eu próprio vi, os responsáveis pelo site mudaram pelo menos uma fotografia. Havia duas, disse-me ele. Quando eu fui ver, na "chamada" à notícia já estava a foto de um pinhão de carretos de bicicleta.

Abrindo a notícia é que encaramos com isto...


Isto é...

... DESUMANO, porque carrega fundo na ferida ainda aberta em todos os familiares e amigos do Bruno Neves, e faz doer;

... VERGONHOSO, porque sem o mínimo de dados que o sustentem, ligam de forma infame a imagem de um jovem atleta que morreu na estrada, e porque morreu não se pode defender, a uma notícia que fala de doping apreendido;

... INSENSATO, porque, independentemente do atleta que aparece na foto, esta mostra uma marca que identifica uma empresa que não é tida nem achada neste caso particular (muito sinceramente, se eu fosse responsável pela Madeinox a esta hora os meus advogados já estariam a tratar de um processo a apresentar na justiça e a reinvidicar grossa maquia de indemnização por danos morais e não só; tratando-se de uma marca com produtos à venda no mercado, calcularia o prejuízo material que advirá da associação da marca a um caso que está a ser tratado pela justiça e quereria ser ressarcido por isso também);

... INDESCULPÁVEL, porque estamos a falar do mais importante OCS do País. A RTP, em ambas as versões, Rádio e Televisão.

Acima de tudo, e baixando a fasquia tudo quanto posso, só acrescentaria que é de um profundo e lamentável MAU GOSTO.

Podem - devem - emendar, mas o mal que tinham a fazer já o fizeram.

sexta-feira, junho 13, 2008

II - Etapa 98

ESTOU FELIZ, SÓ ISSO...

Há cerca de dois anos, estava eu de baixa médica, numa notícia "apanhada" num Jornal Regional dava eu aqui, no VeloLuso, conta da abertura de uma nova estrada de acesso à zona da Torre. Sei que um amigo comum chamou a atenção do Joaquim Gomes para o artigo que eu aqui deixara, e falei, depois disso, com o Joaquim.

Não fui eu quem descobriu a subida.
Não reinvidico tal coisa.

Mas fico satisfeito por podermos ter uma nova subida até (perto) do ponto mais alto de Portugal Continental.

É para subir hoje, na 2.ª etapa do GP Correios de Portugal-CTT.

Entre Alvôco da Várzea, km 79 da etapa, e a Lagoa Comprida, distam 28 quilómetros mais 700 metros. Alvôco da Várzea está 278 metros acima do nível médio das águas do mar; a Lagoa Comprida a 1680 metros.

Em percentagem média não dá mais do que 5% de pendente... mas nós sabemos que não é bem assim...

E, sem querer - nem por sombras - reinvidicar créditos, hão-de lembrar-se (ou então puxem as mensagens atrás até encontrarem) que eu aqui defendi que, antes da Volta - e que melhor local que não a Serra da Estrela? - o Benfica devia ter na equipa os seus três putativos candidatos à vitória na Volta a Portugal, e que o Orlando deixasse ir cada um por si. Só para acabar com as teimas...

Vamos lá ver o que é que dá a etapa de hoje.
Sendo que, terminando em Seia, quem quiser aquilitar das forças de cada um que se foque apenas na ordem de passagem pela Lagoa Comprida.

E quem tem oportunidade de assistir, no local, à corrida, que no-la conte tal e qual aconteceu.

II - Etapa 97

PERDOEM-ME!...

Perdoa-me Cristina; perdoa-me João... perdoem-me os seus pais, a sua companheira... os seus amigos.

Não é intenção minha magoar-vos.
Sabem que não!


Perante esta foto, e tomando como presumível que a equipa não tivesse sido "castigada"... falta-me uma figura nesta chegada!

Não necessariamente na frente, pelo que não sinto necessidade de pedir perdão ao Francisco José Pacheco - que já é o mais vitorioso corredor do pelotão português.

Mas falta ali uma figura.
A tua, meu amigo.

Eu sei que desculpas todas estas fraqueza e, onde quer que estejas, adivinho-te o sorriso.
O teu eterno sorriso.

quarta-feira, junho 11, 2008

II - Etapa 96

FIQUEM DESCANSADOS QUE, QUANDO ERRO
VENHO AQUI E DOU O BRAÇO A TORCER

Eu devia ter desconfiado - não, não da informação que me fizeram chegar, muito menos de quem ma passou -, devia ter desconfiado porque, são por de mais os exemplos que estas más notícias correm céleres, quase sempre nas mesmas asas, sem dúvidas nenhumas vindas sempre do mesmo ninho.

Dois casos positivos de doping e... um manto de silêncio à sua volta?
Ainda por mais, tratando-se de corredores de duas equipas não protegidas?

Não me chateiem com pedidos de explicação porque toda a gente sabe do que eu estou a falar (obrigado pela deixa, Octávio Machado!).

Afinal, a notícia que estou a reescrever - mas não vou apagar a original, até para que os comentários entretanto acrescentados façam sentido e quem comentou, não tem culpa do meu erro - estava ferida de inverdade.
E eu, quando erro, venho aqui e dou o braço a torcer.
Errei.

Antes de mais nada, peço desculpa aos dois Corredores em causa (não, não sei quem são e mesmo que o soubesse têm a minha garantia de que os vossos nomes jamais seriam divulgados aqui, no VeloLuso.
Nunca.
Por acaso não sei. Mas se os soubesse, calar-me-ia.
De qualquer modo, acho que vos devo um pedido de desculpas.

Então... como é que eu escrevo, sem ter a certeza, que há dois casos positivos de doping entre a élite do Ciclismo nacional?
Porque é assim que a situação está a ser tratada. Como dois casos positivos mas... à luz dos regulamentos que fazem equivaler uma falta a um controlo surpesa a um positivo.

Recordo que este é um dos pontos que os Corredores querem ver alterados no regulamento. Legalmente, todos têm 24 horas para se apresentarem voluntariamente no caso de terem falhado um controlo inopinado; para ser exactamente preciso, passe o pleonasmo, por não terem sido encontrados, no local que indicaram, pelos médicos ou técnicos do CNAD.
E, é evidente que eu lhes dou razão.

Já basta ter que lhes dar a morada, o número de telefone e avisar quando se ausentam por períodos mais prolongados - indicando para onde se ausentarem - o que mais faltava era que (e é só um exemplo, nada mais do que isso e muito provavelmente nem se encaixará em nenhum dos casos concretos de que aqui falo), em dia de comemoração do aniversário de casamento, para os casados, ou do aniversário do início do namoro, para quem ainda namora, e decidindo à última hora que era giro ir comemorar a data com um jantar romântico, a dois, antes disso tivessem que se preocupar em avisar os senhores do CNAD.

Tipo...
"Eu faço hoje dez anos de casado, os miúdos já são crescidos, a casa é pequena e resolvi, para comemorar, levar a minha esposa a jantar fora, depois vamos ver uma peça de teatro e esta noite, porque dez anos são dez anos, ficamos num hotel. Façam V. Excias o obséquio de me procurar no Hotel X, Quarto Y, que não vão interromper nada. Estejam descansados."
Ou...
"Os pais da minha namorada foram para fora e esta noite vou ficar com ela em sua casa."

Tenham dó!...

Pois o que aconteceu, e esta é mesmo a realidade, foi que dois corredores não terão estado no local que há três meses indicaram como aquele em que podiam ser encontrados e, porque não estavam, foi-lhes marcada falta injustificada, com equivalência directa a... controlo positivo.
E foi só esta última parte que eu percebi.

Mas já aqui gastei tinta suficiente na defesa dos mais elementares Direitos dos Cidadãos, que os não perdem - porque não perdem, porque não podem perder -, só pelo facto de serem Corredores de Ciclismo.

E não me venham para cá com a maldosa insinuação de que, em 24 horas se pode mascarar aquilo que presumivelmente terão tido receio de vir a acusar.
Caramba!
Isso é, definitivamente é, olhar para os Corredores, não como potenciais "criminosos", mas como "criminosos" mesmo.
E aí atropela-se, outra vez, os mais elementares direitos de qualquer cidadão, que é o de poderem provar que estão inocentes.
O do direito á presunção de inocência porque, por acaso o Direito, no chamado Mundo Ocidental, com o significado de Civilizado, onera a acusação com a demonstração de prova.

Então, e resumindo tudo numa só frase. E para terminar.

Com a cegueira a que já nos habituou - e que apenas revela uma total ausência de escrupulos e uma tendência patologicamente doentia, persecutória, que raia, às vezes, uma indisfarçável vontade de promover públicos linchamentos - o CNAD (mais a FPC) - insistem em tratar os Corredores como Cidadãos de segunda ou terceira... ou sem direito a serem considerados cidadãos de um País que assenta num Estado de Direito.

Curiosamente, num curto espaço de tempo que não terá sido separado por mais de quatro, talvez apenas três dias, em dois canais de televisão distintos, em dois filmes distintos, pude ver duas histórias com tanta semelhanças entre elas que pareciam um "original" do MST em que - mais do que seria de aconselhar - aparecem passagens vergonhosamente "copiadas" por autores de outros livros escritos... antes.

Qual o assunto dos filmes? Para que vocês, os que viram , pelo menos um, possam compreender...
Um bando de milionários que, para aliviarem o stress de uma vida marcada pelos negócios e altos e baixos das bolsas de valores, pagavam para "caçar" um ser humano.
No primeiro, porque estava tremendamente cansado, não sei como a história - de um jovem negro, sem ter onde caír morto e por isso foi escolhido como "presa" - acabou;
no segundo, que vi ontem (4.ª feira) mesmo, o azar dos "caçadores" era que o "caçado" era o Claude Van Damme. Se não viram, imaginam... Cabeças cortadas, setas envenenadas, cobras venenosas, o cenário destruído, pistolas de 12 tiros a despejarem balas durante um minuto inteiro...
Ganhou o Van Damme!

O CNAD, e por arrastamento, a FPC (não acredito que não tenha nada a ver...), em vez de tentarem, num diálogo consciencioso onde todos os interessados pudessem participar com sujestões de forma a criar um regulamento aceitável e aceite por todos, faz-me lembrar aqueles multimilionários que, para descarregarem o stress de uma vida agitada, pagam milhões para caçar um ser humano.

No fim desta lenga-lenga toda, o que mais interessa é que, por enquanto, os Corredores vão tendo quem lhes mostre o caminho, que é como quem diz, quem os aconselhe e defenda.
E claro que recorreram da stressada sentença dos stressados "caçadores de cabeças".
Por isso, ainda vai correr alguma água sob as pontes até que os casos se resolvam...

Era esta a explicação que devia aos meus leitores;
é por isto que, uma vez mais, peço desculpa aos Corredores visados.

(Texto editado pela 1.30 horas, do dia 13 de Junho de 2008)


Como referi no início, não apago texto original, que deixo aqui por baixo:

Vem aí "bronca".
Para além dos dois casos que envolvem Corredores da LA-MSS, por causa de terem sido identificados produtos passíveis de serem dopantes na revista que a PJ fez a suas casas, não mais do que isso, nenhum deles acusou positivo em nenhum teste, há - infelizmente há - dois casos positivos de doping envolvendo dois corredores de duas equipas diferentes e nenhuma delas é treinada pelo Manel Zeferino.

Mantendo-se a rigidez dos padrões aparentemente fixados... será que iremos ter equipas portuguesas na Volta a Portugal?

Nota

Não podemos ser sempre solidários...
(*)

EXTRA


terça-feira, junho 10, 2008

II - Etapa 95

NÃO! NÃO TENTEM EXPLICAR-ME QUE,
MEIO PARVO COMO SOU,
PROVAVELMENTE NÃO IA PERCEBER

Parte desta história já a conhecem, mas eu começo desde o princípio.
No seguimento de uma - que não foi uma, foram pelo menos duas, o que não quer dizer que não tenham sido ainda mais – denúncia, a Polícia Judiciária, munida de um mandado de busca assinado por uma juíza de Lisboa, revistou e apreendeu seringas, uma máquina centrifugadora que serve para o controlo interno, da equipa, das taxas de hematócrito dos seus corredores (e todas as têm), mais os tais frasquinhos, frascos e frascões – aliás tenho a informação e não tenho porque duvidar dela, de que todas aquelas “pastilhas” mostradas em mais uma das habituais cenas montadas pela PJ, seja com armas, droga ou dinheiro falso para, com a conivência (e ignorância e falta se senso) das televisões, não passavam de Voltaren, ben-u-ron, outros analgésicos ou anti-inflamatórios que foram expostos fora das embalagens originais, impedindo a sua identificação -, apreendeu, escrevia, uma mão cheia de nada na sede, carros, camiões e residências de técnico, corredores e outros elementos da LA-MSS-Póvoa.

Eu sei que foi nada!

Aos que não podem ter tanta certeza deixo um desafio: porque é que a PJ não disse nunca o que tinha, exactamente apreendido?
Em nada – antes pelo contrário – prejudicava esta investigação em particular, ou quaisquer outras que tenha preparado.

Não disse o que apreendeu porque cairia no ridículo de admitir que em casa de Corredores com filhos pequenos encontraram caixas de aspirinas-sabor-a laranja.

Avancemos...
A ligeira brisa, que teria sido a visita da PJ às instalações daquela equipa, transformou-se em super-furacão que abalou de alto a baixo o Ciclismo português.
Até porque os três principais suportes (financeiros) da equipa, poucas horas depois de as televisões terem garantido que havia sido apreendido material passível de ser proibido, se apressaram a saltar do barco, anunciando o corte imediato do patrocínio à equipa.

O que nunca chegou a acontecer e que agora, já se sabe, não acontecerá.

Permitam-me uma maldadezinha. Com todo o respeito. Principalmente, com todo o respeito pelo adepto anónimo que, sempre que pode, acorre à berma da estrada ajudando a dar colorido à grande festa que é o Ciclismo.

Aqui vai a maldadezinha: fosse o povão capaz de interpretar aquele sair de fininho por parte dos patrocinadores e, aí sim, seria quase irreversível a perda de credibilidade da equipa. Vale-nos que o amor é cego e os amantes do Ciclismo querem é saber da festa e, embora fiquem tristes com os casos de que, de quando em vez vão aparecendo, não deixam de o amar.

Lá me alarguei eu outra vez no intróito.
Vamos ao que interessa.
Primeiro… ainda não sei quem denunciou a LA-MSS-Póvoa mas gostava de saber;
Segundo… não foram só os patrocinadores que se precipitaram, a FPC fez o mesmo e reunindo o Conselho de Estrada conseguiu parir uma deliberação – ainda que travestida de… conselho – que convidava as organizações (estão representadas no CE pela PAD/JL Sports) a não convidarem a LA-MSS enquanto o caso não se esclarecesse.


E tinham, bem à mão, um argumento de muito maior peso, indesmentível e incontornável.
A LA-MSS-Póvoa não podia mesmo correr porque ficou sem seguros já que a companhia Liberty Seguros – levada na mesma onda, que varreu tudo naquele dia – se apressou a denunciar o contrato que tinha com os poveiros.

Sem seguro, a LA-MSS-Póvoa não podia mesmo correr!
E aqui aconteceu o primeiro tiro no pé por parte da FPC que fica indelevelmente marcada por ter aconselhado ao não convite da formação de Manuel Zeferino.

Eu explico ainda melhor:
Sem seguros, a equipa não podia, pura e simplesmente correr.
E a FPC perdeu a oportunidade de ficar de fora da polémica com a estória do Conselho de Estrada e do... conselho a que não a convidassem. Desnecessário...

Só desnecessário? Eu acho que não e escrevi-o...
Está regulamentado que as organizações são obrigadas a convidar todas as equipas Continentais portuguesas. E o que vale mais? O RGTC ou... um conselho, vindo de um Conselho de Estrada, órgão apenas consultivo e sem poderes de deliberação?


Ok, vou terminar…
Hoje, que já é ontem, a FPC acusa a recepção da nova apólice de seguros enviada, como eu já tinha aqui escrito, pelo Manuel Zeferino, e como não há nada, quer em termos judiciais, quer a nível desportivo que o impeça, a equipa não pode deixar de ser convidada.

Dúvidas?

Vamos lá desfazê-las.
A FPC, que… aconselhou as organizações a não convidarem a LA-MSS-Póvoa, reconheceu hoje (que já é ontem) que não tem, em termos jurídico-desportivos, forma de penalizar a equipa pelo que esta, regularizada a questão do seguro,irá a participar na única corrida que se disputa sob a égide directa da FPC (ainda que montada pela PAD), os Campeonatos Nacionais.

Agora já não serei eu a dizer.
Só deixo perguntas no ar…

A FPC abre as portas à LA-MSS-Póvoa para que esta participe nos Campeonatos Nacionais. Com que direito é que pode manter o conselho para que as outras organizações não convidem a equipa? E estas? Que vão fazer?

Acatam a ordem – perdão, o conselho – do presidente da FPC (e se se é vice-presidente?)
Podem fazê-lo, mas o povo amante do Ciclismo não lho perdoará.

E pode a PAD escolher deixar de fora uma equipa portuguesa contra a qual nada de concreto pesa, isto quando ainda o ano passado o seu Director Técnico, o Joaquim Gomes, dizia que mantinha os convites às equipas espanholas – que correram a Volta – porque não pesava qualquer acusação legal sobre os seus corredores?

II - Etapa 94

ELE SAI-ME CÁ CADA UM!...

Um amigo meu – não, este não vai dizer que mal me conhece, até porque ainda se lembra de quando copiava os pontos de História pelos meus, conseguindo até ter melhores notas, isto no 1.º ano do Ciclo, lá bem para trás, em 1971; e ainda há pouco mais de uma semana falámos disso, frente a um prato de caracóis -, escrevia eu, um amigo meu, dragão empedernido (muito mais empenhado que o célebre Emplastro) e invejoso – toma lá que é para saberes! – porque, amante do Ciclismo, o seu ÊfeCÊPê nunca mais volta à estrada, hoje veio azucrinar-me a cabeça (não perde oportunidade para fazê-lo) dizendo que as últimas notícias que têm ocupado o noticiário de Ciclismo nos jornais – acerca da equipa da Póvoa – só servem, e passo a citar (livra-te de me desmentir!): “Para branquear a imagem desbotada que o [meu] Benfica deu nas voltas à Baviera e ao Luxemburgo.”

segunda-feira, junho 09, 2008

Nota

A SORTE DE NÃO TER ESCOLHIDO O CICLISMO...

Quem viu ontem o Rafael Nadal "humilhar" apenas... o Roger Federer?
Normal!
Parece-vos?

Sorte a de Nadal a de não ter escolhido o Ciclismo como profissão.

Sorte a dele, o facto do poderosissímo lobby da ATP (como o da Fórmula 1, como o da NBA) não permitir veleidades, nem a escribas a sério nem aos que pensam que o são. Uma coisa e outra.


Não sou particular fã de nenhum destes... desportos.
Mas tenho que lhe tirar o chapéu... doutor Fuentes!

PS: Não sei, mas não me admiraria nada se o Federer fosse (ou seja) cliente do mesmo médico que desenhava os treinos da Phonak, também ela helvética...

domingo, junho 08, 2008

II - Etapa 93

PARA MEMÓRIA FUTURA...

Cito:
Decorrendo a fase de contratação de Equipas para participarem no Troféu Joaquim Agostinho-31.º Grande Prémio Internacional de Ciclismo de Torres Vedras vimos informar que endereçámos o convite à equipa LA Aluminios-MSS em 6 de Março, a qual confirmou a sua presença em 1 de Abril.

Face aos acontecimentos recentes que envolveram a equipa, ao Comunicado da UVP-FPC de 23 de Maio, e à informação da UCI de 30 de Maio, esta Organização enviou uma carta registada à citada equipa, em 3 de Junho, a informar que lamenta mas o Convite para participação neste ano "...deverá ser considerado nulo e sem efeito".

Neste momento iniciaram-se os contactos com uma equipa do pelotão internacional a fim de colmatar esta ausência.

Ainda, foi dado conhecimento desta tomada de decisão à UVP-FPC e UCI.
A Organização

Pergunto...
Que Comunicado da UVP-FPC?
No seu site oficial vejo um Comunicado com a data de 20 de Maio (Troféu RTP-Terras de Sicó) e depois, logo a seguir, um de 27 de Maio (Campeonato Nacional de Veteranos).
Pelo meio... nada! Rien, népias...

Onde é que a UVP-FPC divulga os seus Comunicados, preterindo a sua página web Oficial onde há - havia à hora em que escrevo - TRÊS datados de dia 6 de Junho.
O que significa que, tendo ontem sido sábado, o site está actualizado.

Pergunto...
Que Comunicado da UCI?
Qualquer um pode aceder ao sítio desta instituição e digam-me... o que é que encontram?
Pois, nada!

Se estes comunicados - a existirem - são apenas Circulares Internas, como é que com elas se justificam perante a equipa para a não aceitar nas corridas?

Pergunto eu, que às vezes sou meio parvo!

II - Etapa 92

LA-MSS JÁ TEM NOVOS SEGUROS

Não foi tarefa fácil, sei-o, mas o Manel Zeferino conseguiu re-segurar a equipa tendo, antes do fim-de-semana, enviado a documentação comprovatória necessária para a FPC.
Enquanto isto, e já é do domínio público, tanto a PAD/João Lagos Sports, que organiza o Grande Prémio Correios de Portugal/CTT, como a União Desportiva do Oeste, organizadora do Troféu Joaquim Agostinho, neste meio tempo descartaram a possibilidade de a equipa da Póvoa de Varzim poder correr estas provas...

Entretanto, pelo menos uma rádio do Norte do País e um dos jornais locais da cidade da Póvoa de Varzim já noticiaram que não é verdade que a autarquia tenha retirado o apoio à equipa. Tal como acontece com os dois principais patrocinadores que fazem, ao mesmo tempo, parte dos Órgãos Sociais do Póvoa Cycling Clube.

Todos estão à espera do resultado das análises feitas aos corredores, quando da... investida - por denúncia(s) - da PJ, devidamente autorizada por uma juíza de Lisboa, esclareça-se, na qual foi acompanhada (!!!) por médicos ao serviço do CNAD que efectuaram as recolhas.

Tinha a informação, vinda de duas fontes diferentes e claramente distantes uma da outra, que antes do início da 2.ª etapa do Grande Prémio Abimota, na sexta-feira, na Murtosa, a Polícia Judiciária voltara a entrar em acção, tendo revistado caravanas e carros de apoio de, pelo menos, duas equipas.
Entretanto, chegou-me uma informação diferente. Que sim, o camião da Barbot-Siper foi mandado parar, mas pela Brigada de Trânsito da GNR.
Mantém-se o dado de que nada foi apreendido.

Tanto quanto se sabe - e não deixa de ser estranho tão prolongado silêncio - a PJ ainda não demonstrou que o que foi apreendido à LA-MSS é, ou não, material ou produtos passíveis de serem alvo de sanção criminal.

sexta-feira, junho 06, 2008

II - Etapa 91

NÃO HÁ-DE ACONTECER NO MEU TEMPO...

Ontem à tarde quando, porque agora passei para a esfera do futebol, dei uma espreitadela num dos mais conhecidos Blogs com notícias frescas e escaldantes (eu sei que não faz sentido, mas é mesmo assim… notícias – ou pistas para notícias – fresquinhas, quase na hora, e quase sempre escaldantes), reparei que nele, no Blog, havia uma hiper-ligação (link) para um outro Blog, este de Ciclismo.

Claro (perdoem-me a imodéstia mas já verão como… não tinha como ignorá-lo) que esse Blog já o conheço há muito e conheço e sou amigo – não foi ele, de certeza, que, tanto quanto mo foi contado, muito recentemente e, tomando como credível a fonte, parece que bradou para quem quis ouvir, que eu o tratara como “amigo”, aqui no VeloLuso, vincando que não estivera comigo mais do que três ou quatro vezes e amigo… só se eu sou um daqueles que ele não conhece, mas se querem fazer passar como tal (volto já, já a este tema) – dizia eu, Blog que já conheço há muito, de cujo responsável sou amigo e até tem, aqui ao lado, uma hiper-ligação.



Sim, o autor é um amigo mas porque da última vez que falámos, me disse que preferia manter o anonimato, vou continuar a respeitar a sua vontade.

.....................................................................
Volto então àquilo que me foi transmitido.
Não há muito tempo, no decurso de uma corrida, juntos num almoço (ou jantar, não sei)… alguém a quem eu aqui, no VeloLuso, chamei de amigo, terá aproveitado para dizer bem alto e para quem o quis ouvir, que não falara comigo mais de quatro vezes e que – é o que se depreende – o eu tê-lo chamado de amigo seria abusivo.

Ainda não identifiquei este… amigo.

Mas vou fazê-lo.
Eu não chamo amigo a um qualquer, e se chamei a este…

(calma! Será melhor confirmar antes de dizer o que me vai na alma)…


..................................................................................

Mas pronto, esqueçamos este aparte e regressemos ao tema que aqui me trouxe, um texto que esse amigo escreveu no seu Blog.

É um texto de ficção. Será?
Ele, este amigo, é uma pessoa reconhecidamente culta, sabedora, inteligente e intelectualmente superior.
E se o seu texto, sobre o qual me vou debruçar, não for ficção, mas apenas… antecipação?

Deixo aqui um cheirinho:
“O vencedor foi consagrado após 30 dias de competição - média final de 55 quilómetros/hora - e seis mil quilómetros percorridos numa corrida que se pode considerar um sucesso planetário, muito graças ao fabuloso GPS anti-doping, que, acompanhado de uma micro-câmara permitiu acompanhar, pela internet 3.0, as 24 horas de cada atleta em videogramas de alta resolução. Com o famoso GPS, a fuga aos controlos anti-doping surpresa tornou-se também impossível sendo de assinalar…" (*)

Peço-vos que não se esqueçam do facto de ser um texto puramente ficcional.
Mas serve-me à medida para aqui reiterar a posição que aqui, no VeloLuso, assumi desde sempre.

E volto a sentir a necessidade de deixar uma coisa bem sublinhada: NÃO, EU NÃO SOU ADEPTO DAS VITÓRIAS A QUALQUER PREÇO, DO RECURSO AO DOPING, DO ATROPELO À VERDADE DESPORTIVA.
Não sou!

(*) - Repararam no pormenor dos 30 dias de corrida, 6000 km (dá 200/dia) à média, no final dos 30 dias, de 55 km/h, provavelmente subindo os Himalaias (!!!). Mesmo na ficção não se abdica de exigir tudo (de mais) aos corredores. Terão as bicicletas motor, ou a lista de substâncias proíbidas mudará radicalmente? Ok, ok... se fui eu mesmo que avisei que estamos perante um exercício de ficção...

Sou, e isso é definitivo, inapelavelmente defensor dos direitos de qualquer cidadão.
Ande ele de bicicleta ou não.
Temos que ser. E temos que dar o peito às balas já, agora, mesmo que não sejam os nossos (pessoais) direitos que estão a ser ameaçados, mas para que estes não o venham a ser.

O meu caro… (já ia escrever o teu nome!...)
O meu caro amigo fez, e eu percebi-o e até o acho engraçado, um exercício de pura ficção projectando - e tendo por base algumas coisas que, de facto, já hoje é possível fazer - num cenário, algures no futuro, aquilo que (será? será mesmo?) ele gostaria que fosse já realidade.

Já aqui deixo uma hiper-ligação ao texto em causa.
Tenham calma!...
Pronto!... Está aqui.

Chegou o momento de eu voltar a sublinhar que – julguem-me e condenem-me, se isso vos aprouver – entre a caça ao homem (disfarçada de luta contra o doping) e os direitos fundamentais deste, eu não tenho a mínima hesitação.

Ninguém, em nome de nada, seja lá o que for, tem autoridade para indiscriminadamente atropelar a primeira Lei do País. Aliás, sustentada pela Carta Universal dos Direitos do Homem, da ONU.

E não há verme que me convença, nem monstro que me assuste.
Não abdico.
Jamais abdicarei.
Até porque, com o caminho que, vejo, as coisas estão a levar, tenho mesmo que entrar já em acção, dando a cara por terceiros, para salvaguardar a minha própria liberdade e direitos que, não tardará, serão, também eles postos em causa.

Não é difícil, na conjuntura que atravessamos.
Até por isso deixarei no final deste texto uma hiper-ligação para outro escrito meu, num outro Blog que, creio, quase todos saberão que mantenho.

… Permitiu acompanhar, pela internet 3.0, as 24 horas de cada atleta em videogramas de alta resolução…

Isto é o esvaziamento total e completo de um dos mais inalienáveis – se é que há uns mais inalienáveis do que outros, no que eu discordo – Direitos do cidadão enquanto Homem. E está protegido pela Carta Universal dos Direitos do Homem.

Se viermos a chegar àquele ponto, isso significa que o indivíduo deixou de ser o núcleo da célula que é a Sociedade.
Que há manipulação genética.
Que uns quantos – e não creio que venham a ser eleitos – detêm um poder supra-natural sobre os restantes da nossa espécie.

Sem deixar de sublinhar que compreendo o texto enquanto exercício, quiçá caricaturado, de uma realidade futura extrema, só vejo nele um facto que me deixa aliviado: não acontecerá antes que eu morra.

Monitorizar, 24 sobre 24 horas um homem – mesmo que este seja um (ai, ai… que hei-de eu escrever?) Corredor -, roubar-lhe o mais inalienável dos direitos, que é o do direito a ser como é, salvaguardando a sua privacidade… é mais do que pernicioso. É criminoso.
Mas, na verdade, sabemos lá o que pode vir a acontecer no futuro...

Em 2050 já cá não estarei.
Se qualquer coisa de parecido vier a ser implementado antes de eu cumprir a minha parte nesta vida, de uma coisa eu vos garanto: resistirei.
Serei contra.
Morrerei na defesa dos meus direitos.

........................................................................
(X)

terça-feira, junho 03, 2008

II - Etapa 90

CONSEGUEM PERCEBER O PARALELISMO
COM A INCONFESSADA ÂNSIA DE VER
OS CORREDORES SOFREREM?

Este escrito exige mesmo duas explicações prévias para que mais facilmente entendam onde quero chegar.

1. Escrever é a minha paixão e ser jornalista a concretização de um sonho que nunca ousei sonhar porque sou terrivelmente crítico para comigo mesmo. Mas, apesar do paradoxo, consegui ser jornalista. Nem mau, nem bom. Apenas um dos que realmente gosta do que faz. Mas não gosto - e por isso não os releio, como escrevi dois artigos atrás - daquilo que escrevo porque sempre acho que podia estar mais bem escrito.

E tenho, é evidente, ídolos, quase gurus espirituais, se for possível adaptar isso à escrita.

No que respeita ao jornalismo, definitivamente houve alguém que me marcou profundamente. Alguém que nunca cheguei a conhecer, mas cujos escritos eram de tal forma... simples, despojados de qualquer ornamento e, ao mesmo tempo, tão profundos, tão... como hei-de dizê-lo?, tão humanistas, que sempre me apaixonaram.

Falo do Carlos Pinhão.

Isto a propósito do facto de a sua filha, a Leonor Pinhão - que também não conheço pessoalmente -, talvez por ser filha de quem é, se ter, também ela, transformado naquilo a que chamaria de "estrela" que procuro no céu e me ajude a encontrar o meu caminho.

2. Parece que vou contradizer-me, mas não. A verdade é que raramente gosto do que a Leonor Pinhão escreve n'A BOLA. Leio. Como leio todos os outros colunistas porque estou, e sempre estarei consciente de que só sei que nada sei, e que estou em permanente fase de aprendizagem. Por isso, e porque escrevo, obrigo-me - o que não é um sacrifício, antes pelo contrário - a ler todos aqueles que com quem eu acho que posso aprender.

Repito, não gosto - normalmente não gosto por aí além - dos escritos de página inteira da Leonor Pinhão n'A BOLA. Mas delicio-me com as suas curtíssimas crónicas no Correio da Manhã, onde consigo quase ler... o Carlos Pinhão.

Uma escrita objectiva mas um pouco condescendente; quase cruel, mas tão cheia de sentimento... breve, mas tão completa; olhando o acontecimento de longe, mas envolvendo-se tanto que quase se mistura com ele...
Imperdível.

E o que é que, para além de parecer que estou a fazer publicidade ao Jornal onde trabalho, eu quero afinal dizer? E, mais do que isso, o que é que tudo isto tem a ver com o Ciclismo, ou com o espírito do VeloLuso?

Abstenham-se - façam, por favor, esse exercício, de forma a não confundirem as coisas - , escrevia, abstenham-se do momento actual que se vive no Ciclismo português.
Não tem nada a ver!

Pelo contrário, tentem lembrar-se do que já, e por mais de uma vez, aqui escrevi neste espaço, em relação à inegável atracção pelo abismo que a esmagadora maioria dos adeptos do Ciclismo têm sendo que, com isto quero dizer, o que eles, os adeptos, gozam quando lhes é dada a oportunidade de ver um Corredor a sofrer.
Numa daquelas duríssimas etapas de alta montanha, por exemplo.
Lembram-se?

Quando eu chamei a atenção para o facto de quem aparecia a condenar publicamente os Corredores por, alegadamente, recorrerem a produtos ou práticas não permitidas, eram/são os mesmos que exigem que eles dêem espectáculo.

O que, decifrado quer dizer: que sofram até ao julgado humanamente impossível, puxando à força das pernas um corpo que já ultrapassou o limite da exaustão, olhos vidrados, espuma na boca, corpo inclinado para enganar rampas de 12, 15, 17, 23 %...
Lembram-se?

Não sei se leram esta crónica da Leonor Pinhão, ontem, no CM, mas podem lê-la agora. Basta clicarem na imagem que ela abrirá numa outra janela perfeitamente legível.

Digam-me, percebem agora o título deste artigo?

II - Etapa 89

POR ISSO SOU COMPLETAMENTE
VICIADO EM JORNAIS

(EM TUDO O QUE TENHA LETRAS)

Só hoje – que já é ontem – tive oportunidade de passar pela minha caixa de correio e recolher, entre outras coisas que para aqui não interessam, o Jornal Ciclismo e o Meta2Mil da semana passada.

É assim qualquer coisa, espécie de formigueiro que me vem de dentro quando me apercebo que colegas de profissão confessam que nas folgas e nas férias não lêem jornais. Não compram jornais.

Não sou capaz. Confesso a minha fraqueza.
E não sou capaz de comprar um jornal. Preciso – mas é que preciso mesmo, no sentido de poder ler mais do que uma versão dos acontecimentos – comprar mais do que um.

Como sou jornalista desportivo, é evidente que compro os três desportivos.

Compro mais dois generalistas.
Compro os dois semanários.
Assino jornais e revistas estrangeiros…

Este canto de relaxe, mas também de trabalho, aqui em casa, tem tanto papel que, mesmo que não fizesse mais nada até ao fim da minha vida não ia ser capaz de ler tudo.

Compro compulsivamente livros. Mesmo sabendo que não tenho tempo para os ler.

Compro, principalmente, biografias ou relatos de viagens.
As que sonhei fazer e nunca fiz. Apesar de já ter feito algumas.
Quero saber.
Preciso saber.

Não sei se os vizinhos ficam ou não irritados mas quando vou para o duche levanto o som da televisão, sempre ligada num dos canais só de notícias para conseguir ouvir, mesmo com a água a correr. Se aconteceu alguma coisa, quero ser dos primeiros a saber.

Antes de me deitar, não desligo o PC antes de dar uma última olhadela aos sites que mais me interessam. A maioria de jornais. Portugueses e estrangeiros.

Desculpem lá esta entrada tão grande e… aberta.

Tem o seu porquê, e provavelmente já terão percebido qual.

Voltemos então atrás.

Só hoje, que já é ontem, pude ler os dois jornais especializados em Ciclismo que assino. E não fui defraudado. Cada um dos dois fez uma abordagem diferente sobre o mesmo assunto. O assunto do momento.
Curiosamente – permitam-me a imodéstia, mas eu também sei de coisas – só o estrangeiro me deu novidades. Pode parecer estranho, mas é verdade.

Falo, é evidente, do caso LA-MSS.
À minha modesta escala tenho, também eu, gasto alguma tinta escrevendo sobre o assunto, mas é bom saber o que pensam outras cabeças. E se já critiquei, e é mais do que certo que voltarei a fazê-lo, ou um ou o outro, não deixo de aceitar que outros pensem de maneira diferente daquela que eu penso. Reservo-me é o direito de concordar ou não. E de emitir a minha própria opinião. Creio que não é crime...

(Continuo é a achar que há quem insista em misturar opinião pessoal em artigos que o leitor espera e quer de informação pura. Mas esse é outro assunto.)

No jornal português leio o que já li em todos os jornais portugueses.
Tendo como base apenas um lacónico comunicado da Polícia Judiciária, onde nada se diz, quase todos acrescentaram depois um ponto ao conto.


Até me terem feito ler sobre bolsas de sangue – que não vi na reportagem de televisão -, embalagens de EPO – que não descortinei na reportagem de televisão -… isto é, por cá montámos um caso sobre o diz-que-se-diz e, com cada um a acrescentar um bocadinho para parecer mais bem informado que o outro, criámos um monstro sem nome que, como sempre aconteceu e sempre haverá de acontecer, logo que a verdade se saiba ficará órfão de pai e mãe.

Ninguém assumirá que disse mais do que sabia mas que, com o que disse, marcou uma posição. Quando tudo se esclarecer… ninguém disse nada.
Só ouviu dizer que alguém disse.

No jornal espanhol, para além de uma abordagem muito mais sóbria, porque têm mais experiência, porque têm outra escola, porque, para o bem e para o mal, a Imprensa, em Espanha, tem um peso que a nossa ainda não conseguiu atingir, no jornal espanhol, dizia eu, leio então novidades.


Que, como é evidente, fui confirmar antes de começar a escrever este artigo.

Para além de todas as interpretações que cada um achar que deve e pode fazer, em relação ao final – anunciado – da formação do Póvoa Cycling Clube, final, entretanto, adiado, suspenso... de uma coisa alguém se esqueceu (mentira minha… todos se esqueceram).
E é isto:


Quando a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim e os principais patrocinadores, a LA Alumínios (o LA é de Luís Almeida) e a MSS Construções (MSS é de Marcelino da Silva Santos), se apressaram a anunciar o cancelamento do compromisso que haviam assinado com o clube – sim, com o clube, o Póvoa Cycling Clube, que é a entidade empregadora de todos os assalariados que se apresentam na estrada com o nome de LA-MSS-Póvoa – deixaram em maus lençóis… quem? Adivinhem!...

Para além dos profissionais que corriam e ainda correm o risco de ficarem sem emprego se vier a provar-se alguma coisa contra si (mas será que, na hipótese de alguma coisa vir a ser provada, incriminará todos? Duvido…); escrevia eu, aquele manifesto de intenções (que, ok, condescendo… ainda não foi concretizado oficialmente) deixará em maus lençóis os responsáveis pelo clube, entidade com quem, de facto, os profissionais assinaram contrato.

E quem é o Póvoa Cycling Clube?
Eu digo:
Presidente: Luís Almeida
Vice-presidente: Joaquim Silva Santos
(administrador e filho do homem que dá o nome à empresa)
Director: Aires Pereira
(vice-presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim)

Entenderam?


É o Meta2Mil que o explica!...

Outra coisa que li, esta no jornal português, é que a equipa da Póvoa não pode neste momento correr - não é bem assim que lá está escrito mas, concretamente, é isto mesmo e nem terá a ver com eventuais faltas de convites por parte dos organizadores -, não pode correr porque o não pode fazer sem ter os seus atletas segurados e a companhia de seguros com a qual a equipa havia contratado esses mesmos seguros terá renunciado o contrato mal se soube do raid da PJ.

E qual era a companhia de seguros, sujo nome o jornal pudicamente omite?
É a... Liberty.

Por um lado, e conhecendo-se a intransigência daquela marca/empresa em relação a putativos envolvimentos com o doping, não é de estranhar que tenha denunciado o contrato; pelo outro, e isto é, de facto, um dado novo, ao denunciar o contrato que tinha com a LA-MSS retira de cena um dos principais rivais da equipa que ela própria patrocina.

É uma situação, pelo menos incómoda.
Que deveria ter sido prevista.
Claro que, deslindado o caso, a LA-MSS há-de encontrar uma outra seguradora e voltar à estrada.

A Liberty Seguros é que não mais vai conseguir, por melhores condições que ofereça, contratar com outras equipas de ciclismo.
(E se calhar até está a segurar mais alguma, ou mais algumas..., isso, confesso, não sei.)

segunda-feira, junho 02, 2008

II - Etapa 88

CLAMEMOS,
PORQUE A ELA TEMOS DIREITO,
PELA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA

Faz exactamente hoje 15 dias que, numa operação cujos contornos ainda permanecem nublosos, que a Polícia Judiciária, a partir de uma denúncia concreta (de quem? não importa?), conseguiu que uma juíza de Lisboa assinasse os necessários mandados de busca válidos para a sede do Cycling Club da Póvoa [de Varzim], da residência do técnico da equipa e de alguns Corredores.

Os inspectores da PJ, que se fizeram acompanhar por médicos (pelo menos especialistas em análises, acho eu!) do CNAD, apreenderam uma pafernália de frascos, frasquinhos, frascões, seringas e, presumo, montes de algodão, que fizeram questão de expôr naquelas habituais sessões de demonstração para que, apesar de pedófilos apanhados em flagrante serem libertados horas depois, a PJ existe.

Passo-me com estas pornográficas exibições de onanismo, mas que posso eu fazer?

Toda a história foi mal contada desde o início.
Mal contada porque ninguém se deu ao trabalho de aprofundar as razões e os motivos.
A começar pela presença dos médicos do CNAD.

Que não estavam lá para avalizar o conteúdo da "montra" de frasquinhos e seringas que a PJ nos "convidou" a ver, isso deduzimos nós, os que estão mais por dentro da modalidade.

Aliás, eu escrevi-o aqui. Não faria sentido.
Aliás, eu escrevi-o aqui, nem sequer foi a Polícia Científica a fazer a operação.
O que é que isto significa?

Que os inspectores da PJ, da DCICCEF - Direcção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira - preparados para buscar e encontrar provas relativas a eventuais, como o nome do próprio departamento indica, crimes de corrupção, criminalidade económica e financeira, perante uma pafernália de frascos, frasquinhos e frascões sabiam tanto o que tinham em mãos como... eu, no lugar deles.

Mas aqui entra o indigno da coisa.
A ter sido - e ainda não li nada em contrário, pelo... contrário - uma denúncia de terceiros, relativamente à possibilidade de a PJ poder vir a encontrar produtos dopantes... porque é que a PJ mandou agentes especializados em corrupção?

NINGUÉM se pôs esta pergunta a si próprio.

Antes pelo contrário. Todos seguiram, enfileirados qual rebanho de cordeiros, o caminho que a PJ indicou.

O drama aqui nem foi o da clara manipulação da PJ em relação a todos os OCS; foi o esta, ter admitido - ao não fazer perguntas - que sabe menos de Ciclismo que uma Brigada contra a Corrupção, blá, blá, blá, blá... da PJ.

E a verdade é que a PJ não fazia a mínima ideia do que tinha apreendido.
Vitaminas. Apenas vitaminas.
Coremos de vergonha. Todos.

E o que é que as brigadas do CNAD estavam a fazer junto com os inspectores da PJ especialistas na luta contra a... corrupção?
Eu digo...

Estavam para fazer - e fizeram - recolhas de urina e sangue aos Corredores visitados.

Um normal controlo fora de competição. Não fora terem sido enquadrados, os enviados do CNAD, por elementos do departamento de luta contra a... corrupção da PJ.

Porquê da luta contra a Corrupção?
Porque não a Polícia Científica que identificaria de imediato os produtos apreendidos?

Porque é que alguém me mandaria a mim, com o Curso de Letras, corrigir testes de matemática se eu de matemática não sei mais do que a regra de três simples?

Pensem nisto.
E fechemos este capítulo.

O que vem a seguir não deixa de ser tão, ou mesmo mais misterioso do que este.

Porque é que, sendo verdade que as brigadas do CNAD recolheram amostras de sangue e urina aos Corredores visitados, ninguém soube disto?

Mais... porque é que a FPC usando a figura do Conselho de Estrada aconselhou as organizações a absterem-se de convidar a LA-MSS para as suas corridas?

O que é que a FPC sabe que se nos escapa a todos nós?
E porque ninguém lhe perguntou?
Se a Direcção da FPC sabe - e terá que saber alguma coisa para "suspender" assim, de uma forma muito pouco ortodoxa, uma equipa - porque não sabemos concretamente as razões? Se é por suspeita, caramba! Alto aí!... Não se impede duas dúzias de chefes-de-família de poderem ganhar o seu pão só sustentado numa suspeita. E se há algo mais que uma suspeita, acuse-se claramente eventuais culpados, acelere-se o processo disciplinar e extraia-se o "cancro" antes que ele se espalhe e "mate" o paciente.
Um médico deve perceber o que quero dizer.

Algum Corredor da LA-MSS foi apanhado com um controlo positivo?
Cá, em Portugal, ou nas corridas que fez em Espanha?
Não!...

Passaram, entretanto, 15 dias e ainda não se sabe nada dos resultados das análises às amostras recolhidas aos Corredores no passado dia 19.

Então, pergunto eu, porque é que a FPC aconselhou os organizadores de corridas a não convidarem a LA-MSS, incorrendo, aliás, e como já aqui escrevi, num atropelo ao Regulamento da própria FPC que obriga todos os organizadores a convidar para as suas provas, todas as equipas continentais portuguesas?

Repito: sabe a FPC alguma coisa que está a escapar-se-nos, a nós, meros adeptos?
Então não o divulga porquê?

A PJ - que, estou ciente disso, pode ter sido levada ao engano - há oito dias que, com bandeirinha pregada com fita-cola na parede e uma mesa cheia de frascos, frasquinhos e frascões e um montão de kits de seringas, chamou os jornalistas para mostrar... serviço.

Que serviço foi é que nem a própria PJ será capaz, agora, passados oito dias, de explicar.
Já devem ter percebido que foram.... embrulhados.
Por quem?
Porquê?
E porquê a LA-MSS?
E porquê há 15 dias?

Ninguém se interessa por tentar procurar respostas a estas questões?
Que gato será este que se julga escondido, mas cujo rabo, tão grande, todos vemos de fora?

Porque é que ainda ninguém se deu ao trabalho de nos explicar o que, de facto, foi apreendido à LA-MSS?

Ou querem que pensamos que, tratando-se de produtos proíbidos, e depois daquela cena toda que fomos obrigados a ver, agora a PJ está a fazer caixinha?

E porque é que ainda não saíram os resultados das análises feitas aos tais sete corredores?
E porque é que, sendo o LAD um dos poucos laboratórios europeus credenciados pela AMA, as análises - como li - estarão a ser feitas em Espanha?
Porque o LAD não é capaz de detectar EPO numa amostra de sangue?
Eu sei que não é verdade, mas foi o que li.

Que alguém montou todo um cenário tão rebuscado que não consegue deixar de ser inverusímel, só quem não quer é que não vê.
A pergunta que fica no ar é esta:
Porquê?
Instigado por quem,
e com que finalidade.

Alguém acredita que as análises feitas aos Corredores da LA-MSS dêem outra coisa que não... limpas?
Então como é que a FPC vai descalçar a bota, por ter aconselhado os organizadores a não convidarem mais a equipa para as suas provas?

Digo-o de outra forma.
Nem que desta vez tivesse que ser a FPC a solicitar a intervenção da PJ, nem que fosse da brigada dos cães pisteiros, não acham todos que operações similares deviam já ter acontecido junto de outras equipas?
De todas as outras equipas?

No que é que a LA-MSS é diferente?
Digo mais... e se, de facto, as análises aos sete Corredores da LA-MSS pudessem acusar positivo, quem é que estaria disposto a fechar os olhos e aceitar que as outras equipas não passem - já agora, e porque quem não deve não teme - pelo mesmo crivo?
Porquê?
Porque razão?

Pior ainda, vindo a confirmar-se que as amostras nada mostram, de que cofres irão sair as indemenizações que - se fosse comigo não deixaria de as reivindicar - os responsáveis da LA-MSS podem e devem pedir?

Não será de Interesse Público desmascarar - fosse esse o caso - uma equipa pelo uso indiscriminado de doping?
Não será algo de prioritário?

Não se devia investigar, escarafunchar (por mais feio que seja o termo) de modo a que a verdade fosse, o mais rapidamente possível, revelada a toda a gente?
Então?!!!!

Eu sei que tudo isto vai dar em nada.
E não posso deixar de manifestar a minha indignação pelo facto de, sustentado pela mais alta instância da modalidade, uma equipa, só uma equipa, estar a ser escandalosamente penalizada.

Tanto quanto sei, até agora nenhuma organização impediu a equipa de correr, esta é que, ante o conselho da FPC nem sequer se candidatou. É estranho o silêncio da equipa? É. Mas não custa a entendê-lo. Conseguem perceber?

Quando, principalmente as televisões - porque o impacto é bem maior - mostraram aquela cena habitual das nossas polícias que parece precisarem de se auto-promover por terem apanhado droga, armas, notas falsas ou... seringas e frasquinhos (não existem para isso? Então porquê publicitar o seu trabalho?), os patrocinadores, também pressionados pelo impacto mediático daquelas imagens, apressaram-se a fazer sair comunicados pondo-se a salvo. Mas a verdade é que, oficialmente, a equipa não acabou. Os corredores continuam a treinar todos os dias... só não voltaram a correr desde o GP Rota dos Móveis.

O que está a acontecer é que se está a deixar que uma inverdade, por repetida, tome contornos de caso consumado.
Não é!...

II - Etapa 87

NOVA PUBLICAÇÃO
ESPECIALIZADA EM CICLISMO

Li, há minutos atrás, que hoje mesmo - 2.ª feira - estará à disposição dos amantes do Ciclismo mais uma publicação especializada.

Chamar-se-á, aliás, chama-se porque não será mais do que a versão portuguesa de um título - Ciclismo a Fondo - que aqui ao lado, em Espanha, é dos mais respeitados, em termos de informação sobre a modalidade. Desde há muitos anos. Muitos mesmo.

Já fui assinante. Agora só a compro de vez em quando porque o dinheiro não estica. E para me manter actualizado com o Ciclismo Ibérico, sou assinante do Meta2Mil.

Mas o que interessa é que a partir de hoje - pese embora a periocidade do novo título à nossa disposição nas bancas ser, muito dificilmente, passível de cativar incondicionais -, dizia, a partir de hoje e para quem gosta mesmo de Ciclismo, há mais uma fonte de notícias.

Aliás, de entre os meus leitores muitos haverá que recordam que, embora pontualmente, tivemos várias edições exclusivamente em português dessa grande revista, francesa, de futebol, que é a ONZE.

O engraçado foi, não ler em si o que escreveu, mas perceber o que sente e não foi capaz de escrever, o editor da, actualmente, única publicação exclusivamente dedicada ao Ciclismo que temos em Portugal.

Não contando com o Anuário do Ciclismo que não é mais do que isso, a colecção do que aconteceu no ano anterior, logo, totalmente vazia de noticias.

Mas escreveu a irrepetível figura que a nova publicação "não será mais do que o complemento" do jornal pelo qual é responsável.

Se não abrir com desavergonhados plágios, nem que seja por isso, já valerá mais do que o título que ele se apressou a vir defender em público, mesmo antes de se saber se a Ciclismo a Fondo é, ou poderá vir a ser, concorrente do seu jornal.

II - Etapa 86

VITÓRIA DE CONTADOR
É DERROTA DOS "TEÓRICOS"

A vitória de Alberto Contador (Astana) no Giro que ontem acabou em Milão, devia ser olhada, por quem realmente gosta de Ciclismo, como a grande derrota dos teóricos que de Ciclismo só sabem que se pratica em cima de uma bicicleta e dando aos pedais.

E eles andam por aí... os teóricos.

Bombardeado por eles - os teóricos - logo que ganhou, o ano passado, o Tour; escapando para seu desespero - o dos teóricos - à onda de suspeições levantadas de imediato; extemporâneamente afastado do Tour, da possibilidade de mostrar, na estrada, que é um dos melhores, senão o melhor Corredor da actualidade; aceite à última hora no Giro... fez aquilo que há quinze anos ninguém fazia.

Em duplicado.

Fez agora 15 anos que aconteceu que o vencedor do Tour repetisse a vitória no Giro, embora, na altura, Miguel Indurain tivesse ganho primeiro a corrida italiana - aliás, repetindo o triunfo do ano anterior -; e há 15 anos que um espanhol não ganhava o Giro.

Aliás, nos últimos 13 anos, Contador foi o primeiro não italiano a ganhar o Giro.

De certeza que não convenceu os tais... teóricos, pese embora não tenham por onde lhe pegar - mas o que conta é que ganhou.

II - Etapa 85

BEM VINDO DE REGRESSO ÀS VITÓRIAS NUNO

Vencedor, surpresa, talvez, mas com toda a justiça, da Volta a Portugal de 2003, depois de ter ganho a etapa da Torre - subida pela Covilhã, que é a verdadeira etapa da Torre -, o Nuno Ribeiro (Liberty Seguros) ganhou ontem a Volta a Trás-os-Montes num regresso às vitórias que lhe fugiam desde que, em 2005 - no tal ano em que começou a temporada na Liberty espanhola, foi considerado inapto para o Giro, despedido liminarmente pelo señor Sáiz e, de regresso a Portugal, ganhou o Circuito do Bombarral.

Parabéns ao Nuno.

Um rapaz simples, como a esmagadora maioria dos Corredores de ciclismo, a quem em Agosto de 2003 tive o prazer de entrevistar, na sua condição de vencedor da Volta a Portugal, sentados, ambos, num banco de jardim, em frente à Junta de Freguesia do Sobrado, com cerca de duas dezenas de de vizinhos e amigos seus a fazerem um semi-círculo à nossa frente e de onde, de quando em vez alguém mandava calar quem estava a falar mais alto.

"Schiuuu!... Ele está a dar uma entrevista à BOLA!..."

Um abraço, Nuno.

sábado, maio 31, 2008

II - Etapa 84

1. Tirando uma fase, no passado, em que um qualquer engraçadinho, sempre a coberto do anonimato, spammava (também posso contribuir para o novo acordo ortográfico, ou não?) os comentários em todos os artigos que eu aqui deixava; e de uma outra vez que, embora assinado com o nome verdadeiro (eu sabia quem queria pôr o comentário), o achei despropocionado, tendo, contudo, pedido ao signatário que o reformulasse de modo a evitar ataques directos e então, sim, não teria problemas em o publicar, acabo de, pela promeira vez na história do VeloLuso, apagar um comentário - interessante, reconheço-o - apenas e só porque nele constavam acusações concretas.

Na verdade, não o apaguei.
Guardei-o no limbo do Blog.

Se a signatária - que não conheço, mas também não conheço a esmagadora maioria dos amigos que fazem o favor dr colaborar com o VeloLuso - me disponibilizar provas reais daquilo que indiciava, o comentário, não só voltará a aparecer onde estava, como merecerá da minha parte um sublinhado de apoio. Porque não há gente mais merecedora de ser exposta na praça pública do que os bufos. Essa raça que julgava morta e enterrada há 34 anos mas que, e infelizmente com exemplos recentes e indesmentíveis, ainda por cima com o incentivo de um governo que se esconde atrás de uma bandeira Socialista, parece ter voltado e em força.

Entretanto, acusações claras - porque todas as que fiz as poderei sustentar seja em que barra de tribunal fôr - são um privilégio meu.

Por isso este Blog tem um nome, o meu, e até lhe acrescento, quando de um puro artigo de opinião se trata, a minha própria fotografia.
Espero que a cara Mafalda entenda as minhas razões.

2. Também em comentário à mesma Etapa (a 82.ª), o meu caro Cyclomaníaco discorre sobre o tema do artigo, que é o Benfica.

Cyclomaníaco, concordo com algumas coisas que escreve mas discordo de outras tantas.
Não vejo mal nenhum em o Benfica ter criado estruturas para poder vir a ter uma equipa (forte) a médio prazo. E fê-lo, logo desde o início quando conseguiu contratar quase todos os jovens sub-23 cuja qualidade está acima da média.

E é aí que os benfiquistas devem ancorar as suas esperanças. A falta de resultados tangíveis, dizendo de outra forma, consequentes, por parte da equipa principal é algo de somenos se essa falta de resultados não puser em causa todo o projecto.

Se há coisa que nós, latinos em geral, e portugueses em particular, não temos, é paciência.

O artigo que eu escrevi, e que é - não pretendia eu outra coisa ao escrevê-lo - crítico em relação ao balanço que qualquer não iniciado seria capaz de fazer a estas duas temporadas da equipa principal não tem nada a ver com o projecto, que sei foi traçado a médio prazo.

Só o peso do nome Benfica pedia um pouco mais do que aquilo que tem feito.
Fosse uma equipa de marca, e a maioria das críticas nem sequer surgiriam.

Já repararam nos resultados espectaculares que alguns jovens, mesmo no seu primeiro ano de profissionais, têm conseguido para o Benfica?
Haja calma e serenidade que, na sua essência, o projecto não está a defraudar ninguém.

Creio que seja do conhecimento de todos que o Benfica chegou a ser pensado para nascer nos sub-23 para, tal qual está a acontecer, usando os melhores do pelotão nacional, construir uma equipa que daqui a dois ou três anos dificilmente terá rival dentro do mosso pelotão.

Mas o Benfica, por ser o Benfica - e o mesmo se aplica ao Sporting ou ao Porto - não podia aparece "só" com uma equipa de esperanças.
Até para poder potenciar os resultados dessa equipa de sub-23 era sempre necessário apresentar-se no pelotão principal.

As coisas não estão a correr bem.
Não tenho a mínima dúvida de que os primeiros a reconhecer isso, e a lamentá-lo, são o Orlando Rodrigues e o Justino Curto.

Mas, ao contrário daquela anedota que pretende fazer o retrato do futebol, no ciclismo não são onze contra onze e no final ganha a Alemanha!

Caro Cyclomaníaco, porque é que o Benfica não pode ganhar a Volta a Portugal?
Eu sei que fui o primeiro a questionar essa possibilidade, mas só mesmo a morte é definitiva.
O que eu aqui deixei foi um artigo de análise crítica.
E só desejo que os resultados demonstrem que eu não tenho razão. Para bem do Benfica mas, sobretudo, para o bem do Ciclismo.

Em relação à estória da não ida à Vuelta, aí sou eu quem diz que a história está mal contada. Isto enquadra-se nos tais previlégios que guardo para mim próprio.
Ainda hei-de saber toda a verdade. E quando isso acontecer... podem ficar certos de que aqui a contarei.

3. Já em relação à Etapa 83, o meu caro Duarte Ladeiras - não sabia que também eras alentejano! -, talvez por... defeito profissional, fez agulha para o sítio errado.

Nenhum de nós pode fazer - mais do que deixar a sua opinião - grande coisa pelo Ciclismo e pelas Leis que o regem e/ou comprometem.

Não compliquemos Duarte.
A grande, e única verdade - porque verdade há só uma - é que a legislação portuguesa não prevê a situação do doping. Como diz o senhor Procurador-geral - e aqui exageraste ao dizer que não conhece a própria Lei - não existe ainda forma de enquadrar, no campo jurídico-criminal, o acto de dopagem.

Com algum esforço, e como está na notícia de O Jogo, encontrar-se-á na Lei portuguesa um enquadramento que castigue presumíveis instigadores do doping.
Mas não há maneira, a não ser o flagrante delito, de a eles se chegar.

E o facto de, mesmo que comprovado um acto de auto-dopagem por parte dos Corredores, isso não será jamais suficiente para os incriminar judicialmente porque esbarrará sempre com o constitucionalmente salvaguardado direito de cada um fazer o que lhe aprouver, desde que com isso não esteja a atentar contra a Sociedade no geral.
Não contra eventuais adversários desportivos.

E, desportivamente, também está indiscutivelmente claro que não existe a figura do "culpado por suspeita".
Ou o atleta é apanhado com um positivo num controlo, ou então... nada!

Ainda fica uma situação a baloiçar entre o que pode ser, ou não, abrangido pela legislação desportiva.
A posse de produtos presumivelmente dopantes chegará para castigar disciplinarmente um corredor?

Com o pouco que sei... não pode.

Eu até posso ser indiciado e levado a tribunal por posse ilegal de arma de fogo. Mas não me prenderão por isso.
Se eu nunca disparei um tiro, não posso ser disso acusado.

O mesmo, tente compreender, aconteceria se um Corredor fosse apanhado com presumíveis produtos dopantes. Se garantir e não fôr provado o contrário, que não os tem para fornecer a terceiros - o que se enquadraria na Lei do incentivo ou concretização de acto dopante - só o facto de os ter está fora do âmbito criminal. Logo, a Justiça Comum nada pode fazer contra ele.

Quanto á Justiça Desportiva... far-lhe-ão testes e se estes derem nada...
NADA SERÁ O RESULTADO.

Todos - e também eu, é evidente - gostaríamos de ver o Ciclismo livre desta, já não é núvem, é borrasca mesmo que, por causa do doping está a matar a modalidade lentamente.

Agora, já alguém se perguntou - sejam sinceros -, já alguém se perguntou porque é que, e não é só em Portugal que isso acontece, são universalmente dúbias as Leis judiciárias a respeito do doping?
E será que isso acontece por causa do Ciclismo?

Eu digo que não.

E acrescento que, se não há Lei consistente, que puna exemplarmente, seja o atleta, seja o treinador, seja o médico, seja o dirigente, não é por causa do Ciclismo.
Ai não é não!

Deixemo-nos de querer ser mais papistas que o papa.
Se não foi apanhado dopado... está, definitivamente e até provado o contrário, limpo.

sexta-feira, maio 30, 2008

II - Etapa 83

TANTA COISA QUE AINDA NÃO SABEMOS...

Pomo-nos - e eu incluo-me no lote - tantas vezes a perorar, com a melhor das intenções, acredito (e falo por mim), mas... tanta coisa que ainda não sabemos.
Resultado: tudo não passam de bitaites!