quinta-feira, dezembro 22, 2005

13.ª etapa


Porque esta é a minha 13.ª etapa e, apesar de não ser suprestigioso, vou aproveitá-la para contar uma história negra. Claro que não é mais que uma parábola, embora algumas semelhanças com a realidade não sejam, de todo... coincidência.

Era uma vez... (começam assim todas as histórias da carochinha)... era uma vez uma família (digamos... o ciclismo, por exemplo) que como forma de sustento só tinha os ovos que as suas galinhas punham. Para comprar as galinhas... precisava que alguém entrasse com o dinheiro, mas depois, e como havia comprador certo para os ovos, as contas equilibravam-se e quem dava dinheiro para que se comprassem as galinhas, até acabava satisfeito porque, uma ou outra vez lá dizia o comprador (e dizia a muita gente e mostrava, que isto da globalização tem que se lhe diga) que os melhores ovos eram os daquele criador específico. Ora, quem tinha avançado com o dinheiro para o tal criador ter um galinheirozinho mais ou menos jeitoso... acabava por dá-lo como bem empregue.

E o que fazia essa grande comprador com os ovos que comprava aqui e ali, um pouco por toda a parte? Omoletes, é claro! E vendia-as a bom dinheiro também... ganhando a sua parte. Que nem era má...

Até que um dia, e como em terra de ceguinhos, quem tem um olho é rei... pensou:
"É verdade que eu ganho dinheiro a vender as omoletes, mas tenho de ter cozinheiros e pagar-lhes... tenho de gastar dinheiro em frigideiras e óleos... hummmmmmm!... Vamos dar uma volta a isto!"

E se bem o pensou, melhor o fez. Como tinha a faca e o queijo na mão, ou melhor, a frigideira e o óleo... fez saber: "Meus amigos... não quero mais ovos! Mas é claro que vocês precisam vender o vosso produto... Vamos então fazer uma coisa. Em vez dos ovos... eu comprovo-vos as omoletes já feitas!..."

Preocuparam-se os criadores. Tinham na mesma as galinhas que iriam continuar a por os ovos, mas se não vendessem os ovos não arranjavam quem lhes adiantasse dinheiro para comprar mais e melhores galinhas... E como fazer as omoletes se a única coisa que tinham eram mesmo os ovos?

Pérfido, o comprador adiantou o como... que já tinha antecipadamente engendrado:

"Vão ver que é fácil. Vocês em vez de me venderem os ovos, compram-me o óleo e eu dispenso-vos as frigideiras, só têm de pagar qualquer coisinha por isso. Depois de fazerem as vossas omoletas... mandam-mas prontinhas e eu continuo a po-las à venda."

E os criadores de galinhas engoliram o isco.
- Continuaram a ter de pedir adiantado para comprar galinhas;
- Deixaram de vender os ovos;
- Tiveram de comprar o óleo e alugar as frigideiras a quem lhe comprava os ovos:
- ... e puseram, de borla (ignorando aqui o facto de lhes terem dado dinheiro para o óleo e o aluguer das frigideiras) as omoletes - mais mal feitas, a maioria das vezes, porque ELES não sabiam fazer omoletes - na mesma montra para ser vendida, em qualidade bastante inferior... aos mesmos clientes de sempre. E depois as omoletes chegavam tarde. E umas sem sal. E outras mal cozidas. E em vez de chegarem à hora de jantar... chegavam já madrugada alta... quando havia menos gente com vontade de comer omolete...

E, num piscar de olhos... começou a faltar dinheiro adiantado para comprar boas galinhas. E as galinhas assim, assim... põem ovos assim, assim... e os ovos assim, assim... dão más omoletes, ainda por cima se não se é especialista em fazer omoletes.

Resultado: os criadores estão quase sem galinhas, com muito pouco dinheiro para lhes dar de comer, sabem que os ovos não vão ser nada de jeito; para continuarem a comprar o óleo e a alugar as frigideiras... vão ter que ter menos galinhas e muitas que ainda nem sequer chegaram à idade de poedeiras... e enfrentam outra ameaça: se as omoletes continuarem a baixar de qualidade, o comprador desinteressa-se.

Quem é que ganhou alguma coisa neste meio tempo? O tal vendedor e um grupo de amigos, uns que já tinham trabalhado com ele, outros que metiam folga para sairem de propósito a levarem as frigideiras e os óleos e até a fazerem eles, lá fora, as omoletes, com os mesmos ovos que antes tinham de comprar, mas que agora tinham de borla (para além do que ganhavam com a venda do óleo e o aluguer das frigideiras)...

Custos: ZERO!
Tudo lucro. Baixou o lucro? Vais baixar ainda mais? Abandona-se o negócio das omoletes.
Há quem esteja disposto a deixar-se levar nas mesmíssimas condições nos campos dos pipis, das moelinhas, dos caracóis e de seja o que for...

Até que percebam que, se são os donos dos bons ovos, e alguém quiser ficar rico a vender omoletas... pois que lhes comprem os ovos. E a preços justos.
E voltaria a concorrência entre os criadores. E os melhores, facilmente conseguiriam quem adiantasse dinheiro para comprarem boas galinhas...

E tudo voltaria ao que foi até há uns três anos atrás...

Mas houve quem tivesse atentado contra a galinha dos ovos de ouro. Já ganhou o que tinha a ganhar... só o dono da galinha perdeu.

Um Bom Natal a Todos.

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