sexta-feira, março 02, 2007

435.ª etapa


ENTIDADES DO ALGARVE, A VOSSA VOLTA PRECISA DE VÓS!

Depois do artigo que serviu de abertura a este tríptico sobre a Volta ao Algarve, debruço-me agora sobre a constituição do pelotão e, principalmente, para a prestação do efectivo luso.

Ainda hoje li num jornal “desportivo” que já avançou com o nome de algumas das equipas estrangeiras que vêm correr a Volta a Portugal, que duas delas justificam o seu interesse em correr em Portugal com os interesses comerciais que os respectivos patrocinadores têm no nosso país. Ninguém terá ficado chocado. O Ciclismo é, para além da componente desportiva, um negócio. Não tapemos o sol com uma peneira.

E já alguém se deteve para pensar que as Organizações também podem ter interesse em ter cá equipas que, mesmo não sendo de primeiro plano, arrastam, com o facto de cá estarem, informação de Portugal para os respectivos países? A Volta ao Algarve conta, entre outros, com o apoio da região de turismo, entidade a quem é pedido apoio concreto. Nomeadamente, aligeirando a organização dos encargos com o alojamento das equipas (e as câmaras municipais também têm, neste aspecto, um papel preponderante). Ora, não será legítimo que procurem ter no pelotão equipas representantes do, ou dos países nos quais tenta cativar visitantes para o resto do ano? Claro que é. Qualquer discussão à volta deste tema seria meramente académica e sem proveito, no que diz respeito à realidade desportiva. Fez, portanto, bem a Organização em alargar o pelotão às equipas provenientes desses países. E não interessa para aqui quem é que faz os contratos.

Não foram as equipas nacionais que se queixaram da presença destas formações. Queixaram-se, isso sim, de a corrida ter sido “traçada para que um estrangeiro ganhasse”. Talvez por decoro, e porque sabem que nem todos são parvos, ninguém assumiu que a corrida se apresentava ao jeito de… Alessandro Petacchi. Porque alguém haveria de lhes gritar aos ouvidos que não têm hipóteses de ganhar ao Petacchi nem que este corra de “pasteleira”. Está bem, havia o Steegmans e mais dois ou três mas, se estruturam as respectivas equipas apenas tendo em vista uma prova, num calendário que acusam de curto, mas do qual ainda são capazes de “roubar “ uma corrida ou duas… “porque é preciso preparar a Volta a Portugal», ou defender alguns dos seus corredores de “possíveis” acidentes que os impeçam de estar na Volta, as queixas dos nossos directores-desportivos são mesmo para português ler. São desculpas. Só isso.

Por acaso, e tomei nota disso, nem foram os directores-desportivos quem mais se queixou, deixando isso entregue aos seus corredores mais mediáticos. Aqueles de quem a CS mais procurava uma opinião. Foi uma postura inteligente.

Não houve órgão de CS que tivesse “cruxificado” as equipas portuguesas, Antes pelo contrário, os jornalistas, mesmo os amadores, sempre “leram” a corrida de forma correcta. Com um pelotão destes, as equipas portuguesas não tinham grandes hipóteses. É verdade. Foi verdade.

Qual a vantagem – porque a há – de se iniciar a temporada enfrentando logo um pelotão que não mais terão de encontrar ao longo da temporada? É que, perante prestações como as que aconteceram, ninguém lhes cobrou nada. A outra face da moeda é a de que, se, por um rasgo de sorte, um golpe de asa, tivessem conseguido ganhar… a vitória seria sempre potenciada pelo facto de ter sido conseguida perante um pelotão desta calibre.

As formações portuguesas estiveram apagadas? Não. Nem por sombras isso foi referido. Foi – que os responsáveis sejam capazes de interiorizar isto – a corrida mais fácil que tiveram este ano. Na próxima não haverá desculpas.

Foi um bom exercício para as formações nacionais, bateram-se – mais ou menos – de igual para igual em relação a metade do pelotão Mundial, ninguém saiu vencido, muito menos humilhado. Não me digam que não foi positivo.

E a Volta a Algarve voltou a somar pontos.
A maioria das equipas ProTour presentes tentou logo, após a chegada a Portimão, garantir a sua presença no próximo ano. A Organização reconheceu que 24 equipas são de mais… e aceita, pacificamente, reduzir o pelotão para o próximo ano.

A prova foi um tremendo êxito. De Itália a França, da Bélgica à Irlanda, falou-se diariamente da Volta ao Algarve. Foi plenamente recompensado o esforço feito pelas diversas entidades. Agora, vamos começar a pensar na edição de 2008.

Alguns dos que me vão ler terão esperado até agora que eu apontasse a dedo as duas ou três falhas – algumas graves, atenção Organização! – que todos poderem testemunhar. Eu esclareço. Interferiram com o normal decurso da corrida? Não! Pode alguma equipa queixar-se delas? Não!
Foram pormenores extra-corrida. À Organização foram apontadas a dedo, sim, até por mim, que estive lá dois dias como convidado (obrigado amigo Rogério!) e tenho a certeza de que serão tidas em conta para o ano. Não são para aqui chamadas.

Voltando ao que importa, teria sido bonito ter visto um corredor de uma equipa portuguesa ter-se superiorizado a este pelotão de luxo, mas ninguém lhes exigiria isso. Ganhou um senhor do pelotão mundial. Não foi um senhor qualquer. A Volta ao Algarve foi ganha por Alessandro Petacchi. Meia Europa fez eco disso. Ganhou o Algarve. Ganhando o Algarve, pode ser que as entidades locais, de uma vez por todas, abram os braços às necessidades da Organização. Tendo esta melhores condições… montará uma Volta ao Algarve ainda melhor.

É o que todos desejamos.

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