DÓI-ME CÁ FUNDO VER-VOS PARTIRAINDA COM TANTA VIDA PELA FRENTE!...
E EU FICAR...
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Aprendi que temos, sempre, que estar preparados para tudo. Já sofri o quanto basta ao perder quem amava, que era a minha Vida; depois os meus Pais... pelo meio Amigos de Infância... e Amigos que conquistei na minha outra família, a do Ciclismo! Dos mais idosos, cujo fim pressentia-mos, aos mais jovens que jamais pensara ver ´sprintar' para chegar LÁ, ONDE QUER QUE SEJA, antes de mim.
Estou por um fio. Praticamente com data marcada e, quando à noite as dores não me deixam dormir, ou me acordam até que novo comprimido faça efeito, vejo o 'filme da minha Vida' passar no tecto pardo do quarto onde eu próprio hei-de ser encontrado morto!
Não digo nomes. Tenho-os no peito porque a grande maioria deles foram tão amigos que lá viveram... até partirem!
Esta noite, quando esperava ver o NOSSO RUI COSTA vencer lá longe, no Canadá... heis que pela voz do Paulo Martins, na Eurosport, levo outro 'soco no estômago'.O Bruno Castanheira acabara de nos deixar, duas horas antes.
Procurei saber detalhes. Não encontrei muitos.
Regressando a casa, vinda do trabalho, a sua esposa encontrou-o sem vida. Grávida, e com um filhote de apenas 5 anos!
Que te aconteceu Bruno!!!!... Que maldade AMIGO!
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Quando vim para A BOLA já andava há NOVE ANOS NO CICLISMO, cobrindo todas as principais provas nacionais, e até um Campeonato do Mundo. E uma Volta a Espanha, em 1997, ao serviço de A CAPITAL!
A BOLA 'projectou-me', DEU-ME mais, muitas mais, provas internacionais para o meu Currículo - embora isso tenha vindo a ser ostensivamente ignorado, vide a 'capa' do suplemento especial para a volta do ano passado onde até o Kaká, vendedor de plásticos, aparece duas ou três vezes e de onde eu fui, pura e simplesmente apagado, num acto puramente estaliniano - mas quando me contrataram, em 2000, nem foi pelos meus bonitos olhos, nem por aquilo que, afinal, é, de facto, o que já vingava naquela altura e hoje ainda tem mais força... ser 'lambe botas'!
Fiz parte de um Conselho de Redacção, como membro suplente, só participei em três ou quatro reuniões e só numa ou duas almocei com o Director! Nunca lhe pedi para escrever o prefácio de nenhum livro, nem uma vagazinha para uma grande competição! Aliás, As Grandes Competições em que participei foram todas de Ciclismo e, sempre como 'chefe-de-fila', mesmo numa em que o meu Editor, na altura, fizesse parte da equipa!
Contrataram-me porque eu tinha a melhor 'carteira' de contactos de todos os Jornalistas acessíveis àquela altura!
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N'A CAPITAL, por sugestão minha, apresentada já devidamente planeada e sustentada, para fugirmos aos 'gigantes' A BOLA, Record e O Jogo, em 1994, aceite a proposta, passámos a cobrir as corridas de sub-21 que se realizassem na zona de Lisboa, claro. A CAPITAL, até porque era um Jornal vespertino, tinha uma área de distribuição muito delimitada que chegava do Algarve ao Porto, mas só na orla costeira.
Quantas e quantas Volta fiz que, acima de Évora nem conheciam o jornal. E eu fiz Voltas em que em dois terços da mesma não tinha a mínima ideia do que saíra no Jornal. Não havia Internet, eu escrevia - à máquina - mandava para a redacção quatro, cinco peças... e só quando a Volta acabava e voltava a Lisboa percebia que metade nem tinha sido publicada.
Mas foi nessa experiência tentada, não terá durado mais de dois anos, junto do segundo pelotão, o dos mais jovens, que conheci o BRUNO!, então a defender as cores do Paio Pires, a sua terra natal. Mas também conheci, por exemplo, o Grande Mestre Emídio Pinto e o seu Canelas, que alguns anos depois viria a chegar aos Profissionais, e tanta, tanta gente que tanto me ensinou do Ciclismo.
Em 1995 fui convidado para cobrir a Volta à Madeira, o que aconteceu, de novo no ano seguinte. E foi quando, de facto ganhei a amizade de jovens Corredores, como o BRUNO CASTANHEIRA, já no Lourinhanense, da velha raposa António Marta, do Hugo Vítor, do Marco Morais, do Pedro Andrade... Conheci e convivi de perto com o Joaquim Andrade (pai)... não consigo lembrar todos.
O BRUNO CASTANHEIRA foi o melhor de todos - embora o Marco e o Pedro também tenham feito uma excelente corrida, bem como um jovem madeirense, o José Nóbrega, que no ano seguinte viria para o continente, exactamente para o Lourinhanense, mas que não se adaptou e nunca mais soube nada dele. Não havia telemóveis! - tendo perdido essa Volta à Madeira para... o Carlos Marta, com idade para ser seu pai e cujo pai impôs que fosse ele o vencedor. A única vitória à geral que o Carlos, também bom amigo, tem no palmarés. Mas o BRUNO VENCERIA SEM GRANDES DIFICULDADES, apesar dos seus (apenas) 18 anos de idade. Vêem há quanto tempo somos amigos?
Depois, claro, acompanhei toda a sua carreira Profissional. Quase toda... que eu fui 'retirado' em Março de 2008, e jamais voltei ao Pelotão! Também foi esse o seu último ano.
Em 2004 foi declarado Campeão Nacional de fundo, após a desclassificação do vencedor original, por problemas de 'doping''... Mas somou muitas vitórias, principalmente enquanto jovem. Já sénior, foi um dos melhores 'équipiers' do nosso pelotão... e vou recordá-lo sempre com aquele seu sorriso e o... 'tudo bem chefe?', de cada vez que nos cumprimentávamos.
Descansa em paz AMIGO.
À Família, em especial à sua esposa, para além das lágrimas que não sou capaz de segurar, desejo que seja forte nesta hora de infelicidade!
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