sexta-feira, agosto 18, 2006

210.ª etapa



VOLTA - RESCALDO IV


E só resta falar alguma coisa da organização. Já aqui lhe deixei algumas críticas que, espero, sejam olhadas pelo lado construtivo, mas ainda falta falar de alguns outros aspectos.

Começando pelo princípio.
O traçado. Já disse que gostei dele. A história da chegada à Torre tem que ser resolvida, mas sei que a principal responsável por não haver na Volta a rainha das subidas não é a Organização. E como Joaquim Gomes explicou, ainda antes da corrida, a PAD não se pode dar ao luxo de arcar com todas as despesas inerentes a uma chegada. Como ele explicou muito bem, para ser a PAD a “pagar” a chegada à Torre teria de desviar para essa etapa 10% dos ganhos nas outras nove etapas e se ele diz que não há hipótese é porque mesmo as outras chegadas estarão ela por ela, no que diz respeito ao ganho e gasto. Não sobrará muito dinheiro. Não o suficiente para pagar essa tal chegada sem um forte patrocinador local.
O estranho é que seria possível juntar quatro autarquias (Gouveia, Seia, Covilhã e Manteigas) mais uma Região de Turismo para, com a contribuição de todos, se chegar à verba necessária. Mas, como já disse, o problema é mais complexo. Contudo, se o Joaquim Gomes praticamente assegurou que em 2007 há chegada na Torre é porque as negociações estão no bom caminho.
De resto, ficou demonstrado que os traçados das etapas foram, desportivamente, os correctos e proporcionaram uma Volta brilhante.

Só estive numa chegada, a de Lisboa, mas deu para perceber que reina por ali – no seio da Organização – alguma confusão, ao que não é alheio o facto de a “feira” ser armada no mesmíssimo local da chegada. Na Vuelta também há “feira”, mas se às vezes à partida não há grande preocupação em separar as duas coisas, essa separação é respeitada nas chegadas onde só há lugar para uma classe de artistas: os corredores. Escolhe-se sempre um outro local da cidade – e reconheço que em Lisboa não daria muito jeito, o que já fica mais fácil nas outras localidades, mais pequenas – para essa realização que, como já escrevi, é paralela à corrida em si, logo, jamais se deviam encontrar. É a definição de paralela. Até porque naquela zona há vários monitores pelos quais se pode seguir a corrida e a maioria dos “colunáveis” nem tem intenção de se misturar com o “povão” tentando ganhar o seu espaçozinho junto às barreiras.
É bom que esta iniciativa continue, que a organização tente alcançar uma maior visibilidade, oferecendo outra espécie de “atracções” que, não duvido, acrescentam um maior leque de potencial material informativo, mas já completamente à parte da corrida. Não “joga” esta mistura entre desporto, que é a corrida, e social.

Outra coisa que precisa mesmo ser mudada. Não se compreende o porquê de, para além das três rádios nacionais que cobriram o evento, tenham sido acreditadas mais… preparem-se: 33 estações locais. Se cada uma levar três pessoas – e há várias que levam mais – no final havia mais gente da Comunicação Social do que corredores.
É preciso adoptar-se em Portugal aquilo que a UCI e a AIJC aconselham.
O problema está mesmo em separar quem, eventualmente e pelo trabalho que mostra, possa vir a ter permissão para acompanhar a Volta e quem ali não tem lugar porque só lá vai passear o microfone. A cobertura da Volta acaba por ser um negócio rentável para essas rádios, e só por isso lá vão.
Mas a questão mais pertinente é mesmo: qual a da necessidade de rádios de Freixo-de-Espada à Cinta, de Alguidares de Baixo e de Alcabideche de Cima andarem na Volta? A maioria limita-se a por os microfones à frente dos corredores, não conhecem os corredores, não fazem mais qualquer espécie de tratamento informativo a não ser intervenções nos noticiários e depois “directos” das chegadas. A difusão da Volta, via rádio, está mais do que garantida com as três rádios nacionais que cobrem todo o País. Os outros não acrescentam mais nada, antes pelo contrário. Então, se não estão lá só para mostrar os microfones, andam a passear-se, mostrando os carros. Estão a auto-promover-se usando para isso a Volta. Não é esse o objectivo da Comunicação Social. Disse eu que fazem apontamentos nos noticiários… Pois! A maioria delas à hora certa põe no ar os noticiários, ou da RDP, ou da RR, ou da TSF. Podem, e devem, fazer o mesmo no ciclismo. Nomeadamente na Volta.
Com mais de 90 (!!!) jornalistas de rádios locais, aos quais há a acrescentar os da Imprensa, nacional e regional… em Bruxelas (foi enviado para a sede da AIJC o relatório obrigatório) vão ficar boquiabertos. E se fosse eu, pensaria: Caramba… os portugueses que não são empregados de mesa nas centenas de restaurantes no Algarve… são jornalistas!

Há ainda a questão de não se estarem a cumprir na íntegra os regulamentos para uma corrida internacional da Classe HC.
No Livro Oficial, e sendo que a tendência é para que se retirem os jornalistas da corrida, até porque o departamento de apoio à Imprensa funciona, falta a indicação de uma rota alternativa (a mais curta, ou mais rápida) de ligação entre a partida e chegada. Falta, no “mapa” das chegadas, a localização das Salas de Imprensa – eu tenho aqui duas dúzias de Livros Oficiais de corridas em Espanha, na Bélgica, em França e em Itália, posso mostrar –; falta um segundo livro com a listagem dos hotéis onde ficam as equipas, também ele com as plantas das cidades e a localização exacta dos hotéis. Para distribuir às equipas mas também aos jornalistas.
Houve falhas no posicionamento das “bandeiras amarelas” – viu-se na televisão –; foi grave o que aconteceu no “circuito" de Fafe, com os pórticos de aproximação à meta; quando uma corrida de bicicletas passa pela meta antes de a etapa terminar, funciona a regra das corridas em circuito: tem de ser assinalada, com um placarde e com um aviso sonoro – uma sineta – que falta uma volta para a etapa estar cumprida; os receptores de televisão, na Sala de Imprensa, têm que estar sintonizados ANTES de os jornalistas chegarem; tem que lá estar, em permanência, um técnico habilitado para resolver na hora eventuais problemas; as folhas dos Comunicados Oficiais TÊM de ser em papel de cores diferentes para o filme da etapa, para os resultados da etapa e para as classificações gerais; os comunicados são entregues às equipas, na noite anterior à etapa, DEVIAM ter a previsão meteorológica para o dia seguinte.
E o Fernando Emílio escreve hoje (ontem, que já é sexta-feira a esta hora) que devia haver um circuito de vídeo-conferência. Hoje em dia isso até já nem é tão difícil assim.
Na Vuelta, quando chego à Sala de Imprensa, às vezes antes ainda de a etapa ter começado, já se está a testar o circuito directo para a vídeo-conferência. Os jornalistas na Sala de Imprensa ouvem as perguntas dos colegas que vão à chegada, ouvem as respostas e podem fazer perguntas…
Enfim… há ainda uma série de coisas a fazer, e urge que sejam concretizadas. Algumas delas são tão fáceis de solucionar.

E pronto. Fico por aqui nesta análise, atrasada, é verdade, mas que, por isso mesmo, espero ter sido mais ponderada, àquela que foi a Volta mais espectacular dos últimos 16 anos.
Parabéns a TODOS os corredores, a TODOS os DD. Parabéns à Organização por aquilo que de bom já consegue mostrar. Deixei algumas críticas, é verdade. Tomem-nas como uma tentativa da minha parte para colaborar para que a Volta seja melhor a cada ano que passa.
Para o ano lá estarei.

quinta-feira, agosto 17, 2006

209.ª etapa



SEGURANÇAS(?)


Sou do tempo em que ainda não era preciso haver "seguranças" na Volta. Havia, isso é verdade, uma meia dúzia de figuras contratadas - pelo menos pelo seu aspecto - no cais da estiva do porto de Leixões, de volumosa barriga fora da camisola suja e transpirada que, mais pelo aspecto e pelo cheiro do que por outra coisa, afastavam as pessoas das "portas" de entrada na zona de chegada. Até essa porta, a uma boa centena de metros da meta, corríamos - não me excluo porque também fiz isso - então atrás dos corredores para, sem lhes dar tempo sequer a respirar querermos à viva força uma declaração que, naquelas circunstâncias, nunca passava do "foi duro e difícil mas estou contente..."

Já no fim da era JN a segurança chegou a ser feita por um grupo de pára-quedistas. Era mais funcional. Os portugueses sempre respeitaram (e temeram) as fardas.

Agora as coisas são diferentes, mas contratar uma empresa de segurança até nem é original. A primeira vez que isso aconteceu, ainda no tempo do JN - creio até que seria a mesma empresa que fez a segurança este ano, pelo menos, tanto quanto me lembro, os uniformes eram semelhantes - e no primeiro ano, quem comandava a equipa na Volta era o pai do corredor Paulo Ferreira.

Só estive uma tarde na Volta. Foi em Lisboa. Apesar de ser o jornalista da escrita, em actividade, com mais voltas feitas, de nos últimos 16 anos ter coberto mais de uma centena de corridas e de toda a gente me conhecer, quando cheguei ao recinto da chegada, e apesar de levar colocada uma "pulseira" azul a dizer VOLTA-LISBOA-6 DE AGOSTO, ainda foi preciso o Fernando Petronilho, responsável pela montagem e organização das Salas de Imprensa e pelas informações oficiais da corrida, para os jornalistas, dizer ao senhor da "porta" que «é um convidado, tem acesso aonde quiser ir...»
Dali passei!

Mais à frente, junto ao camião de onde trabalham as rádios, já não me foi permitida a passagem. O Joaquim Vieira, o Alex, o João Carlos Garcia tiveram de vir cá fora e debruçar-se no varandim para me abraçarem. Para eu os abraçar. A minha última intenção seria a de prejudicar os colegas que estavam a trabalhar, mas...

Depois, tive, de facto, acesso à zona VIP onde pude estar com alguns dos muitos amigos que tenho no ciclismo, e foi aí que vi a etapa, num dos vários monitores de televisão. Até tive direito a uma garrafa de água, mas podia ter pedido qualquer outra coisa, que era à borla. Mas eu agora estou a água.

Mais tarde, já depois da etapa terminada, o Fernando Petronilho combinou comigo - tinha ido com ele e regressaria com ele à Sala de Imprensa, que ainda ficava longe - encontrar-mo-nos junto ao camião onde funcionava a sala das Conferências de Imprensa. Para lá me desloquei mas não pude entrar. Apesar de vários colegas terem tentado dizer ao segurança que eu podia entrar, o home foi inflexível: «Aqui... só jornalistas!»
Jamais eu faria uso dos meus documentos para entrar ali. A não ser, se ele mos tivesse pedido para ver se me deixava entrar ou não. Não o fez. Mas tudo bem. Se não tinha o "crachat" ao pescoço é porque não pertencia ali.

O mesmo aconteceu na entrada para a zona do pódio, onde ainda fiz intenção de entrar mas da qual me afastei ao ver que o centro de todas as atenções era o senhor José Castelo Branco. A esse não barraram a entrada, como me fizeram mais tarde, já depois da cerimónia de pódio e quando só queria ir ter com os meus companheiros de A BOLA que cobriam a corrida. Acabei por entrar, sim senhor, mas porque o Joaquim Gomes deixou a pessoa com quem estava a falar e me veio buscar quando eu já me afastava.

Ao contrário do que possam estar a pensar, EU não sou a personagem desta história e os exemplos atrás até são de reconhecimento pelo trabalho dos homens da segurança. Dizem-lhes: «Aqui e ali só entram estes...» e eles cumprem. Óptimo. Nada contra.

Toda esta lenga-lenga para chegar aonde quero. Ao objectivo desta crónica.
De entre os vários homens que compõem a equipa de seguranças, deu para ver na televisão que há dois com uma missão bem específica: escoltar o vencedor da etapa, afastando-o dos chatos dos jormalistas. Ok. Já escrevi lá atrás que também eu corri atrás deles, mas hoje mudei de ideias e acho perfeitamente disparatado o querer-se que um corredor, depois de 180 km e de um sprint a 70 à hora, diga seja o que fôr com o mínimo de discernimento. Até porque depois há um espaço para uma conferência de Imprensa. E que interesse terá, seja para quem fôr, ouvir um corredor que apenas rolou no pelotão mas porque, sendo o que está mais à mão, não escapa ao microfone quase a esborrachar-lhe o nariz?

Agora é que vem a verdadeira questão. Aquilo que originou este artigo.

Dizem aos homens: «Vocês vão a correr (e eles vão) apanham o vencedor e trazem-no para aqui e não deixam ninguém chegar ao pé...»
E eles querem fazer isso mesmo. São funcionários da empresa, querem fazer o que lhes é mandado para que o chefe, e depois o próprio patrão, não tenham nada a dizer do seu trabalho. Pudera. Não é fácil arranjar emprego nos dias de hoje.
Mas, por exemplo, na etapa do Fundão, o pobre do Nentcho Dimitrov, técnico adjunto da DUJA-Tavira e búlgaro como Krassimir Vasilev, o vencedor da etapa, quase não conseguiu abraçar o seu corredor, ainda que usasse um equipamento da formação algarvia vestido. Caramba! Para obedeceram ao SEU chefe, os seguranças não deixavam nem um dos CHEFES do corredor cumprimentá-lo. Nem os companheiros de equipa que vinham dar-lhe os parabéns. Também, não levem a coisa tanto à letra.
Para "salvarem" o corredor do sufoco dos jornalistas, "sufocam-no" eles os dois sozinhos!!!
Não era mais fácil por mais uma barreira, ao fundo da zona de desaceleração, com uma porta por onde os corredores passassem? Os corredores e os seus massagistas, que em algumas etapas mal conseguiram chegar ao pé deles? Os jornalistas não passavam dali e pronto!

Algumas chegadas foram "adornadas" destas cenas caricatas. Nem os massagistas, que sempre estão depois da meta para receberem os corredores, dar-lhe uma água, qualquer coisa que eles necessitem, podiam tocar no vencedor da etapa que os dois seguranças se mostraram - creio que eram sempre os mesmos dois - demaziado zelosos.

E dei comigo a pensar "que falta de sensibilidade, se os mandassem tirar a chucha a um bebé eles faziam-no". Sem pensarem. Aquela cena da chegada ao Fundão não me sai da cabeça. Se os homens pudessem andar armados de pistola, ai não sei... mas o pobre do Nentcho, que só queria abraçar o SEU corredor, o seu amigo, o seu compatriota... ainda via uma pistola apontada ao nariz. E houve corredores, que por serem de estatura maior, se viram e desejaram para pedalem ao ritmo da corridinha dos seguranças porque iam todos atrofiados debaixo dos seus braços. Pareciam ladrões apanhados em flagrande delito. E os seguranças polícias.

Revejam lá essa postura. Se fizerem favor.

quarta-feira, agosto 16, 2006

208.ª etapa



NÃO POSSO FAZER SÓ... UM BALANÇO


Despido da minha função de jornalista, olhando para a corrida apenas como espectador, não sou capaz de, na divisão do “ter&haver” apontar derrotados.

Vou explicar.
Todos os observadores foram unânimes em reconhecer que esta Volta foi completamente aberta. Todos os dias ganhou um corredor diferente – ok, à excepção do David Blanco, para ser preciso – TODOS os dias mesmo houve mudança de líder, todos os dias houve fugas e nem todas “pegaram”, todos os dias houve luta e empenhamento, ora, isso abrangeu todas as equipas. Houve só uma, e a isso não posso (nem quero) fugir, que, de facto, não mereceu estar neste pelotão: foi a Relax-GAM. Não fizeram absolutamente NADA. Não se tinha notado se cá não tivessem estado e isso diz tudo.

De resto, dizer que esta ou aquela equipa esteve abaixo do que delas se esperava… é um pouco redutor. De todas se espera que FAÇAM a corrida, e qual delas (principalmente entre as portuguesas) o não fez?

Ah!... ganhar é outra coisa, mas isso já eu dissera: com 17 equipas e só dez etapas, muita gente vai ficar de fora dos pódios. Ainda assim, só houve UMA equipa portuguesa que nunca subiu ao pódio. Se não me falha a memória que eu escrevo isto de coração, sem a preocupação de ter a meu lado todos os papéis da corrida. Mas já agora… vou confirmar!

É… só uma não subiu ao pódio.

Mas, já agora, puxamos o “filme” todo até ao princípio, mesmo ao princípio, ao arranque para a temporada, e procuremos aí um “culpado” para algumas exibições menos “coloridas”. Estão a seguir-me? Ok…

A que conclusão chegaram?

A mesma a que eu cheguei? Não?

De quem é a “culpa” de em Portugal ser possível inscrever equipas só com 9 ou 10 corredores? Depois, chega-se à Volta e usando como “desculpa” a míngua dos seus plantéis – sujeitos a lesões e abaixamentos de forma, claro que sim, que isso é incontrolável – ou da juventude da equipa, justifica-se, tanto a falta de resultados como a corrida menos “visível”.

Pronto! Chegados a este ponto, a “culpa” só pode ser da Federação Portuguesa de Ciclismo! Ou dos seus regulamentos, o que vem dar na mesma coisa.

Demos mais um passo em frente neste “descascar da cebola”. E se a FPC – ou os seus regulamentos – não fossem tão permissivos… quantas equipas teríamos no pelotão?

(Não estou a falar daquilo que eu penso, que sempre disse que acho termos equipas a mais…)

Quem perdoaria à FPC não ter aceitado uma, duas… três equipas porque só inscrevia 9 ou 10 corredores, sendo alguns deles, neo-profissionais? Eu ajudo: seria o aqui d’el rei, que a federação está CONTRA o ciclismo.

A federação estabeleceu um número mínimo de corredores, como um orçamento mínimo, como um número de auxiliares mínimo, em cada uma das equipas. Se estas se cingem pelo “mínimo”, ainda por cima, sabendo que o barómetro da temporada é a Volta, que só aparece em Agosto, sabem que podem ter em mãos um (ou mais) problema(s). Corredores lesionados, corredores cansados – porque correram todas as corridas da temporada -, corredores em baixa de forma, isto porque o facto de terem na Volta ciclistas inexperientes, isso foi opção – talvez “obrigada” sim pelos pequenos orçamentos – mas foi opção dessas equipas! Ou não?

Quem “joga” só para não “descer” não pode ser julgado pela mesma bitola de quem arranca para vencer o “campeonato”. Esta é outras das situações que não pode ser ignorada num balanço à Volta.

Como é que vou aqui escrever que a Vitória-ASC fez uma corrida baixo do que se esperava… se já não esperava nada desta equipa? Abaixo de nada não há… nada!

Custa-me muito apontar a dedo que esta ou aquela equipa não acrescentam coisíssima nenhuma ao pelotão, mas… se existem é porque garantiram ter as condições mínimas para correr. Ora, entre quem tem 300 mil euros de orçamento e quem tem 950 mil… há um espaço no qual caberiam três equipas iguais à primeira.

Mas há que acrescentar aqui ainda mais um dado. Ninguém pode responsabilizar a FPC por manter demasiado baixa a fasquia daquilo a que é preciso responder no que respeita aos regulamentos. Não cabe à FPC a responsabilidade de traçar objectivos para as diversas equipas. Todos nós aceitamos que é a Volta o que mais interessa à maioria das equipas, mas a FPC não tem, não deve nem leva isso em conta. Eu posso querer fazer uma equipa com 300 mil euros com mil e uma intenção. Se for para cumprir todo o calendário e ainda chegar a Agosto para fazer alguma coisa que se veja… isso é responsabilidade minha.

Resumindo: o ideal era que se subissem os parâmetros dentro dos quais seria necessário apresentar o projecto de uma equipa profissional. O que acontece agora é que TODAS as equipas cumpriram o obrigado pelos regulamentos, logo… foram aceites. A partir daí a FPC não é tida nem achada. Mas é ela a responsável por não condicionar, de uma forma mais realista, a inscrição das equipas. Só íamos ter 4 ou 5? Se calhar só. Mas não serei eu a responsabilizar-me pelas dezenas de pessoas que ficavam desempregadas. Isso é que não.

Há regulamentos, são cumpridos… ok… força, para a frente.

207.ª etapa



GOSTEI MUITO (NA GENERALIDADE) DA COBERTURA DA VOLTA


Afastado do terreno, fiquei estes dez dias agarrado à televisão e aos jornais. E assim fui complementando as minhas ideias muito próprias.
É verdade! Confesso que nunca sintonizei a rádio. Não sei porquê… normalmente são ajuda preciosa mas, talvez porque não me era prioritário saber que ganhara esta ou aquela meta intermédia… e porque no fim tinha as declarações dos principais personagens na TV… não liguei a rádio.

(Mas aproveito para daqui enviar um estreito abraço ao “Quim” Vieira e ao Alex, da Renascença – que pude cumprimentar quando fui à chegada a Lisboa – e ao João Carlos Garcia, da Antena 1, com quem também troquei um abraço. Não cheguei a descortinar a equipa da TSF. A propósito… que saudades Carlos Severino… quantas voltas fizemos? E o Jorge Gabriel, hoje figura pública graças à TV… foi meu companheiro de muitas jornadas na Volta de 1992…)

Em relação aos jornais, li todos os dias os três desportivos – hábito enraizado e que não tenho intenção de mudar – e algumas vezes também os outros, os generalistas.

No que respeita aos desportivos, não sei quantas mais pessoas têm por hábito ler os três, diariamente, o que notei e aqui sublinho é que, se calhar pela primeira vez, sendo que a parte da crónica da etapa, mesmo vista por olhos diferentes não fogem muito umas das outras, no resto complementaram-se muito bem. Gostei.

Lendo os três, ficava todos os dias com uma visão abrangente. Quer ao tratamento do noticiário, com as declarações dos “homens do dia”, quer com os trabalhos feitos à margem da Volta.

Mesmo n’A BOLA – que tínhamos sido o Jornal Oficial nos dois últimos anos, logo, com mais espaço, mas também com a quase obrigatoriedade de, para fazer um retrato do País, encontrar reportagem fora do pelotão – este ano achei a reportagem bem mais… coesa no seu conteúdo.

O Record também encontrou “escapatórias” bem interessantes à simples narração da etapa, e O JOGO prendeu-me todos os dias com as diversas rubricas fixas.

Creio que, em termos de desportivos, o público ficou muito bem servido. E no fundo, também acabei por gostar dos trabalhos publicados no JN, no Diário de Notícias e no Correio da Manhã. Acho que o público não se pode queixar da cobertura da Volta. Pena é que, nas outras corridas, estes sejam completamente ausentes e, mesmo entre os desportivos, só A BOLA fez todas as corridas.

Quanto à televisão…
Quanto à televisão, temos que dividir as coisas em duas partes. Três, talvez…
Dividamo-la em três.

A primeira, a realização.
Quase sem mácula, digo eu.
De facto, creio que não ficou nada por mostrar. E muitas (mas muitas) vezes com imagens de uma qualidade que não ficou nada a dever às realizações das grandes corridas internacionais. A RTP não faz mais nenhuma corrida em directo, por isso faltam referências. Mas, só como exemplo, refiro uma pequena passagem a que pudemos assistir na etapa da Torre.
A dada altura Nélson Vitorino faz com insistência o sinal de que precisa de beber. Logo a moto que o seguia nos deu uma imagem preciosíssima: no quadro da sua bicicleta os suportes para os bidons de água estavam vazios. Melhor do que mil palavras.

Aqui, se calhar, é preciso dizer que os operadores de câmara e os motards são os da empresa que faz o Tour.


(Já agora, nas "empresas" que nasceram que nem cogumelos e vão vendendo os seus serviços às diversas organizações ao longo da temporada, para realizarem aqueles resumozinhos que passam no sábado a seguir ao fim da corrida, já vi - vi, não o podem negar - "operadores" de câmara montados na moto... ao contrário, de costas, de frente para a corrida o que é ABSOLUTAMENTE PROÍBIDO por todas as regras de trânsito e mesmo da corrida - aqui não entra a tal coisa de o espaço da corrida ser neutralizado. Os cameramen têm de montar a moto regularmente, agora, se não são capazes de filmar sem ser virados de costas... se calhar bão são profissionais!)

Voltando atrás, não acredito que o operador de câmara (francês) tivesse percebido os comentários do estúdio, na chegada, mas a verdade é que, na altura exacta, as imagens mostraram aquilo que se dizia. O corredor estava sem água. O operador é experiente e sabe de ciclismo.

A segunda parte vai para o João Pedro Mendonça e o Marco Chagas.
Estiveram à altura daquilo a que nos habituaram. O Marco sempre bastante sóbrio, sem, uma vez que seja, fazer um comentário que não fosse explicado, naquilo a que o João Pedro ajuda de uma maneira que já é quase imagem de marca. Nenhuma das questões que o João Pedro põe “cai” do ar sem justificação…
E não duvidem que ele sabe perfeitamente as respostas, mas ali tem o papel de fazer as perguntas que os espectadores fariam. Perfeito. Muito bom.
Qualquer deles deixa perfeitamente claro que faz aquilo com muito “gozo”, e o resultado final não é bom, não é óptimo: é “bótimo”. Sem nunca se arvorarem em estrelas.
Toda a gente sabe que o Marco venceu quatro Voltas a Portugal, mas são raríssimas – a não ser em algumas respostas ao João Pedro – as vezes em que ele diz que foi corredor. E quando o faz marca as distâncias. Quase sempre lá vem o… «no meu tempo!...»

A terceira parte, nesta análise ao trabalho da RTP, tem a ver com as intervenções dos outros “pivots”. Primeira nota para que não fiquem dúvidas: nenhum deles era estreante. Antes pelo contrário.

Um deles cometeu demasiados erros para escaparem nesta análise.
Desde o Manuel “Severino”, logo no dia de apresentação das equipas, ao “David Blanco fez menos 4 segundos que o seu compatriota…”, quando ELE ERA OBRIGADO A SABER que o Martin Garrido é argentino e não espanhol… foi um rosário de… imprecisões. O grave nisto foi o ter ficado plenamente provado que a maior parte desses erros foi devido à falta de… ter feito o “trabalho de casa”.
Algumas das suas “tiradas” foram de exemplar mau gosto.

(Estou a rever o resumo de todas as etapas.)
Ainda agora disse que o Lizuarte Martins “teve a oportunidade de passear a camisola amarela perto de casa”. Fosse o Lizuarte, fosse qual fosse o corredor, merece um pouco mais de respeito. Que ele não seria o vencedor da Volta… ok, qualquer um diria, mas naquele dia ninguém mais do que ele quereria manter a camisola e não a envergou apenas para… a passear.
Mas pronto. Está dito, está dito… já passou.

A 4.ª parte (eu tinha dito que eram só três!...) tem a ver com o Há Volta.
Eu sei e compreendo a razão da sua existência.
Quando vende uma chegada a uma autarquia a PAD junta como “bónus” um espaço – que a PAD comprou à RTP, que também cobra pela transmissão – na televisão. Um espaço onde o senhor presidente e os senhores deputados municipais podem aparecer, mostrando as coisas bonitas que fizeram. Juntam-se-lhe uns nomes da música pimba (que, afinal de contas, é o que o povo gosta) e um ou dois grupos da terra, mais uns concursos e está a festa montada.
Agora, começarem o Há Volta num canal ao qual todos têm acesso, à hora em que num outro canal da própria RTP começam a transmissão em directo da etapa… faz algum sentido? Quem fica em casa para ver o ciclismo e tem os dois canais nem sequer hesita.

Que audiência terá então o Há Volta? Alguma, acredito. Há uma série de diásporas dentro deste regtângulozinho e há gente de Beja e Viseu, e Guarda e Castelo Branco um pouco por todo o país, nomeadamente nos grandes centros urbanos onde, afinal de contas, a audiência é medida. Até confesso que numa chegada a Serpa eu era capaz de fazer um “zappingzinho” e ir alternando as imagens em directo da corrida com algumas imagens da minha terra, de onde saí menino e moço…
Mas porque é que esse programa não é retirado do horário em que coincide com a transmissão da corrida em directo? Lembro-me de, há uns anos atrás, uma Grande Prémio Telecom ter tido direito a… directos e, logo após o términus da etapa ia para o ar um País, País – que agora se chama Portugal em Directo – emitido da localidade onde a etapa terminara e com os mesmos autarcas e ranchos folclóricos… Ideia genial. Porque foi posta de parte em favor deste formato que não me parece seja o mais adequado?


Volto atrás com um pequeno pormenor.
Em Portugal (para elém da teimosia de alguns em não perceberem que, quando nos referimos aos espanhóis, termos de ter em conta que o apelido usado é o penúltimo, não o último), até porque somos, de facto, bons para as línguas estrangeiras, às vezes cometemos erros convencidíssimos de que "sabemos tudo".
Logo que vimos escrito pela primeira vez o nome da equipa Kaiku, logo "decidimos" que a sílaba tónica seria a primeira. Daí termos sempre falado na Káiku... Valeu-nos a experiência em Espanha do Orlando Rodrigues - que se calhar até teve de comprar alguma vez aquela marca de leite - para sabermos que a sílaba tónica é a segunda, pelo que Kaiku se deve ler - e dizer - Kaíku. O contrário aconteceu - e acabo de ouvir nos resumos das atapas que estou a rever - com o colombiano Feliz Cardenas. O nome do homem diz-se "Cardênas" e não "Cárdenas"...

Isto leva-me a lembrar uma das tais conversas (verdadeiras lições) que antigamente podíamos usufruir nos longossssssssss jantares após a etapa terminada e o trabalho posto nas redacções, assunto que o Fernando Emílio chamou à sua crónica pessoal na passada terça feira.

É verdade. Ficávamos se não todos, pelo menos muitos, à mesa, a ouvir as "estórias" dos mais velhos e aprendendo a admirá-los. E lembro-me muito bem de uma vez o Fernando Correia (agora na TSF, quem não conhece?) - um dos "monstros" da nossa rádio, com o qual ainda fiz algumas voltas - ter compartilhado connosco isto, que tento agora recuperar:

Contou, nessa noite, o Fernando Correia que, estando num estádio português, prestes a iniciar o relato de mais um jogo internacional, foi surpreendido por um colega do país da outra equipa que lhe pediu que lhe explicasse a pronúncia correcta dos nomes dos jogadores da equipa portuguesa. E ele fê-lo, tendo o outro colega reescrito a composição da equipa, agora tendo em conta a sua pronúncia correcta.

Nós temos a mania que sabemos tudo. Óbikwelu, Obikwélu, Obikwelú... estamo-nos nas tintas. Cada um diz à sua maneira. E bastava perguntar ao atleta como se diz o seu nome. E, se no futebol, não sendo impossível, não é fácil falar com todos, no ciclismo isso é a coisa mais fácil que há. Há dúvidas? Procure-se o corredor em causa e pergunte-se-lhe. Perguntar não ofende.

E deixemos de chamar DANIEL ao Danaíl Petrov, por exemplo.

206.ª etapa



CURIOSIDADES E OUTRAS COISAS... QUE NÃO INTERESSAM A NINGUÉM

David Blanco ganhou a Volta. Não foi grande surpresa, foi, isso aqui eu posso dizê-lo “contra” a vontade de grande parte de nós que, confessadamente, assumíramos que era importante para o nosso ciclismo a vitória de um corredor português na Volta. O pior é que, ao contrário do ano passado, quando nos ficou a ideia de que faltou “só um bocadinho assim…”, este ano nem essa ilusão nos ficou.
Ganhou o David Blanco e ganhou Bem. Ponto final. Também, apesar de ter nascido na Suíça, o rapaz até é galego – o que quer dizer: quase português! - começou a correr cá e até representou equipas portuguesas de Norte ao Sul do País… Vamos “nacionalizá-lo”!!! Então? Se o Obikwelu e o Deco podem…
Estava a brincar.

O pior é que nos últimos dez anos só dois portugueses – Vítor Gamito (2000) e Nuno Ribeiro (2003) – ganharam a Volta. Nesses mesmos dez anos, é a quarta vez (segunda consecutiva) que o vencedor é de uma equipa estrangeira. Mas, com tantos jovens que deixaram bem demonstrado o seu valor… vamos ter esperança de que a tendência destas duas últimas edições seja contrariada. Já em 2007.

Vamos a algumas curiosidades desta Volta.

Apesar de não ter conseguido o seu objectivo, Cândido Barbosa conseguiu feito digno de destaque. Foi o único corredor que, do primeiro ao último dia esteve no top-10, na classificação geral, e só não esteve todos os dias no mesmo top-10 das chegadas, devido à tal desqualificação, em Lisboa. Mas, graças à “pressa” da organização em despachar a cerimónia, esteve TODOS os dias no pódio (em Lisboa chegou a envergar a faixa de vencedor da etapa); andou três dias de amarelo – contando com o primeiro – e os demais de branco, símbolo da regularidade, embora na 3.ª etapa a tivesse usado... “emprestada”.

O segundo corredor mais regular, dentro dos dez mais (final de etapa), dia-a-dia, foi Danaíl Petrov que esteve lá no final de 5 das etapas. Manuel Cardoso, Pedro Cardoso, Ruggero Marzoli, David Blanco e Christian Pfannberger estiveram no mesmo top-10 quatro dias. Neste no top-10, relativo a cada uma das chegadas, estiveram 49 corredores, embora 24 deles tivessem estado apenas uma vez. A LA Alumínios-Liberty, graças a 5 dos seus corredores, teve 16 vezes homens nos dez mais da etapa, mais duas que a Maia-Milaneza (com 5 corredores também), com a Carvalhelhos-Boavista na terceira posição com 4 corredores a garantirem 10 lugares entre os primeiros dez de cada etapa, o que, estatisticamente, podia ser convertido em um homem nos dez-mais todos os dias. As equipas estrangeiras com mais presença no mesmo grupo foram a Comunitat Valenciana e a Lampre, com sete lugares nos dez mais, os mesmos que a Madeinox-Bric e menos um que a DUJA-Tavira.

No que respeita aos primeiros dez primeiros na classificação geral individual, dia-a-dia, Cândido Barbosa fez o pleno – foi o único – 2x no 1.º lugar; 2 nos 2.º, 3.º e 4.º lugares e 2 no 6.º posto. Nunca baixou daí. O seu companheiro de equipa, Rui Sousa foi o segundo mais assíduo neste top-10, com 7 presenças, mas a sua melhor posição na tabela foi o 5.º lugar, à 5.ª etapa. Danail Petrov (melhor lugar: 5.º), Pedro Cardoso (4.º) e David Blanco… o vencedor final, estiveram seis vezes nos dez melhores.
Contabilizando por equipas, a LA Alumínios-Liberty, com 4 corredores esteve 23 vezes no top-10 da classificação geral individual, a Maia-Milaneza, também com 4 corredores, esteve 18 e a Barloworld, com três corredores, 11 vezes.

Voltando ainda ao Cândido, uma curiosidade: só venceu uma das 27 metas volantes da prova. Foi a de Manteigas, na 9.ª etapa, a última que tinha metas volantes. David Blanco ganhou duas: a primeira, na terceira etapa, em São Miguel de Poiares, e a 2.ª na oitava etapa, em Lageosa do Mondego, de onde arrancou para a vitória na Guarda (e quem sabe… na Volta).

Em termos de domínio quase total, temos a LA-Liberty, que comandou a classificação por equipas em 9 das dez etapas (só a DUJA-Tavira se intrometeu na sua liderança), e Cândido Barbosa que foi durante 9 dias o líder dos pontos (só perdeu o primeiro lugar na chegada a Lisboa, em favor de Manuel Cardoso).
A classificação do Prémio da Montanha teve 5 líderes e a da Juventude, quatro.

Com 148 corredores à partida, este foi o décimo maior pelotão de sempre, na Volta (o maior foi o de 2000, com 179 corredores). Houve 44 abandonos (o ano passado só 29) e 17 (38,6%) aconteceram na etapa da Senhora da Graça. Na jornada para a Guarda ficaram pelo caminho mais 9 corredores e a etapa da Torre “só” fez 6 baixas…

LA Alumínios-Liberty e DUJA-Tavira foram as únicas equipas que chegaram ao fim completas. Carvalhelhos-Boavista e Maia-Milaneza foram as outras equipas que não sofreram desistências. A baixa nos axadrezados ficou a dever-se à expulsão de Hélder Magalhães (na etapa da Senhora da Graça), e a dos maiatos à eliminação de Bruno Lima, na etapa da Guarda.
No pólo oposto, as mais dizimadas foram a Vitória-ASC e a ELK, que terminaram só com três corredores, mas a equipa portuguesa alinhou com 9, à partida, e a austríaca apenas com sete.

Uma curiosidade nas 15 equipas que sofreram baixas: em nove delas o seu último corredor, o que tinha o dorsal a terminar em 9 (em 8, no caso da Relax, e 7, na ELK) não chegou ao fim… e só três perderam o seu número 1.

As outras curiosidades foram “batidas” todos os dias por toda a Comunicação Social: em 10 etapas houve 9 vencedores – só David Blanco bisou – e nove líderes, só Cândido Barbosa vestiu por duas vezes – ainda que não consecutivas – a camisola amarela. Portanto, todos os dias a amarela mudou de dono.

Classificação final dos nove líderes:
1.º, David Blanco
3.º, Cândido Barbosa
4.º, João Cabreira
8.º, Carlos Pinho
9.º, Ricardo Mestre
17.º, Christian Pfannberger
49.º, Lizuarte Martins
53.º, Gustavo César
e
93.º, Manuel Cardoso

O último classificado, Pablo Urtasun, perdeu 2.14.17 segundos.
Se “agarrássemos” nele e o colocássemos na estrada, por exemplo, na etapa que acabou em Lisboa, quando o pelotão chegou à meta estaria ele ainda à saída do Porto Alto, a 86 quilómetros da Praça do Império!!!

terça-feira, agosto 15, 2006

205.ª etapa



SÓ PODE SER UM HOMEM DO NORTE, CARAGO!


É delirante o "Editorial" de ontem n'O JOGO. Quando não há assunto, ou quando o mais "quente" do momento é o abandono do treinador da equipa de futebol do FC Porto, mas não convém "bater" muito no estranho facto de nas últimas épocas, depois da saída de Mourinho, a equipa já ter conhecido quase meia dúzia de técnicos e, por duas vezes, ter ficado sem treinador durante a pré temporada, enquanto se assobia para o lado lá se descobre um tema para preencher a coluna.

Pois o articulista em causa resolveu "implicar" com a mancha de bandeiras... vermelhas, que dão colorido às zonas de partida e chegada da Volta. Só fala das dos CTT, mas por acaso a EDP também coloca nesse espaço muitas meninas vestidas de... vermelho!

Bem, o homem não o faz por menos e vai buscar, para exemplo, as bandeiras da mesma cor, com as esfingies de Lenine, Mao Tsé Tung e Estaline (esqueceu-se dos Kmher Vermelho), desenterrando algo que a memória colectiva já quase não recorda.
Quem se lembraria de ver na festa de cor, na Volta, retratos das "manifestações" cumunistas de Leste?

Ele lembrou-se. E só viu as bandeirinhas dos CTT, pelo menos só falou nelas - no final justifica o texto com a preocupação sobre o dinheiro gasto pela empresa pública naquelas bandeirinhas -, mas já deve ter reparado também nas fatiotas das meninas da EDP.

Ora, o vermelho é a cor institucional de ambas as empresas, como o é de muitas, muitas mesmo. Desde a Vodafone, por exemplo, até à cadeia de hiperes do Continente do mui nortenho Belmiro de Azevedo.

Olhando para o pódio, o vermelho é predominante e até há duas equipas no pelotão que vestem de vermelho. Deve ser uma tortura para o homem, se segue as etapas da Volta.

Mas porquê implicar com as bandeirinhas vermelhas? Só vejo uma explicação:
Aquele coração só tem UMA cor. O azul-e-branco, claro! :-)

204.ª etapa




PRATA FOI HÁ DOIS ANOS


15 de Agosto de 2004, cerca das 5 e meia da tarde. Sentados nos seus sofás, milhares de portugueses, fãs do ciclismo, emocionámo-nos com o que vimos através da televisão. No segundo degrau do pódio, de medalha de prata ao pescoço estava Sérgio Paulinho que minutos antes se sagrara vice-campeão Olímpico de ciclismo, em estrada, prova de fundo, só batido pelo então consagradíssimo italiano Paolo Bettini.

O nosso sonho começara pouco depois da entrada na última volta quando Bettini atacou no grupo da frente e só Sérgio Paulinho o seguiu. Havia que vencer ainda a difícil subida que marcava o percurso e, por momentos, Paulinho desapareceu das imagens. «Já foi bom ter aparecido assim na frente», pensámos muitos de nós, mas no tempo que levou termos este pensamento, o Sérgio recolava à roda do italiano. E não se limitou a segui-lo. Revezaram-se na frente, dividindo esforços, até poucas centenas de metros do risco final. Axel Merckx vinha na terceira posição mas já sem hipóteses de chegar aos dois corredores da frente. Apesar de ciente da força do adversário, Sérgio Paulinho portou-se com galhardia e foi ele quem lançou o ataque à meta. Bettini bateu-o com relativa facilidade, mas a medalha de prata era do português.

Faz hoje dois anos. Parece que já foi há tanto tempo… Para que não esqueçamos esse momento, dos maiores do ciclismo luso, aqui fica a recordação.

203.ª etapa



FC PORTO JUNTA-SE AO BENFICA NO PELOTÃO


E pronto, estou neste momento em condições de divulgar a concretização do regresso do FC Porto ao pelotão nacional, juntando-se assim ao Benfica. A notícia sai na edição de hoje de A BOLA depois de devidamente autenticada.

É um regresso que daqui saúdo.

A nova formação será dirigida pelo Manuel Zeferino, com o seu velho e querido mestre, Emídio Pinto, integrado na estrutura dirigente, uma dupla que torna a reunir-se depois de o segundo ter orientado o primeiro naquela que seria a única vitória na Volta a Portugal do ainda técnico da Maia. Isto em 1981.

Pela parte da Madeinox, a aproximação ao projecto – que foi mantido no mais completo segredo por parte do clube das Antas – resultou do desentendimento entre o patrão da empresa e o CR Canelas, que acolhia a equipa, mas há muito também que eu tinha indicações de que a Milaneza seria parceira dos “dragões” neste regresso à estrada.

Recordo aqui o que escrevi no passado dia 27 de Maio, na 96.ª etapa
:

(…) a intenção de João Lagos, de forma a fazer aumentar o número de adeptos nas provas de ciclismo, era a de ter, já em 2007, Benfica, Sporting e FC Porto na estrada. O Sporting terá recusado a ideia e, quanto ao FC Porto... Lagos já terá chegado atrasado (…/…) os "dragões" já têm negociações bastante avançadas com um patrocinador (…/…) Eu acrescento que a marca em causa já patrocinou, há alguns anos, uma equipa sedeada em Setúbal e mais não digo porque a isso não estou autorizado (…)

Se tivesse escrito que essa marca patrocina ainda uma equipa sedeada… na Maia, estava claramente a dizer qual era, mas lembrar-se-ão, concerteza, que a Milaneza aparece pela primeira vez no ciclismo co-patrocinando a… Troiamarisco, de Setúbal!

segunda-feira, agosto 14, 2006

202.ª etapa



PRÉMIO MERECIDO E DUAS RECORDAÇÕES DE SINAL DIFERENTE


Com 36 anos cumpridos no último dia 30 de Julho, Carlos Pinho, que se estreou entre os profissionais há 16, conseguiu hoje o feito mais relevante da sua longa carreira ao vestir pela primeira vez a camisola amarela numa Volta, prova na qual não ganhou nunca qualquer etapa. É um prémio justíssimo para este corredor pequenino e levezinho, o que o caracteriza como aquilo que é, um dos melhores trepadores do nosso ciclismo na última década e meia, tendo ganho por duas vezes, em 1993 e 1994, o prémio de “rei” da montanha na principal corrida do nosso calendário.
Trabalhador abnegado, sofredor, muito reservado, quase sempre arredado das luzes da ribalta, Carlos Pinho merecia este prémio. É dos poucos corredores do nosso pelotão que ainda lá se mantém desde que eu comecei a fazer ciclismo. Somos “do mesmo ano”. Ele a pedalar, eu a escrever. Talvez por isso tenha “sentido” de uma maneira muito especial aqueles momentos em que ele, no pódio, envergava a camisola amarela.
Já ontem o tinha destacado aqui, hoje renovo o forte abraço e deixo expressa a minha alegria por ter podido ver o ciclismo, num ano em que a Volta correu à rédea solta, permitir que este homem de uma dedicação extrema e profissionalismo intocável ver, desta forma, sublinhada a sua carreira.

E nem de propósito. Passam hoje exactamente dez anos – foi a 14 de Agosto de 1996 – que também testemunhei a única vitória numa etapa de outro grande corredor, enorme no seu papel de sempre, que foi o de ser, mais do que um trabalhador de equipa, o homem de confiança do seu chefe-de-fila. Curiosamente, sempre o mesmo durante praticamente toda a sua carreira de muitos anos também sobre a bicicleta. O corredor em causa é o José Rosa, e o chefe-de-fila o Joaquim Gomes – actual director de corrida - que nunca abriu mão de o ter a seu lado nas diversas equipas que representou.
Era a 10.ª etapa da Volta’96, longa de 214 quilómetros, corrida entre Abrantes e Sintra. A dada altura, José Rosa viu-se numa fuga juntamente com dois italianos – que por esses finais da década de 90 vinham a Portugal para ganhar quase tudo.
A história dessa fuga, na sua parte final, foi o próprio Joaquim Gomes que ma contou. Habituado a estar sempre ao lado do seu “chefe”, José Rosa não sabia muito bem o que fazer e foi Joaquim Gomes quem “teve” que ordenar-lhe que ganhasse a etapa.
Assim aconteceu. Aproveitando a marcação individual que os italianos se faziam, mutuamente, José Rosa arrancou a poucas centenas de metros da linha de chegada e deu à então recém criada LA Alumínios uma vitória importantíssima na Volta, E uma vitória que, à imagem do que aconteceu hoje com Carlos Pinho, consagrou toda uma carreira.

Do Zé, a última vez que pude falar com ele soube que estava radicado em Viseu. Espero que esteja tudo bem com ele. É um dos muitos amigos que fiz no pelotão.

Fala-se no pelotão, fala-se em amigos, recuei dez anos no tempo para lembrar este momento de glória para o Zé Rosa e… lembro que estão quase a cumprir-se dez anos sobre a morte de um outro grande corredor, técnico e jornalista com o qual, em todas estas vertentes, tive o privilégio de contactar.

Nessa mesma Volta, quatro dias depois, ao princípio da madrugada e quando regressava ao hotel, em Faro, onde pernoitava a equipa de reportagem de O JOGO, José Santiago encontrava, prematuramente – tão prematuramente!!! - a morte.

Conheci-o como corredor… do Tavira (ele há coisas!). Da então Bom Petisco-Tavira, treinada por João Marta, com José Marques como director-desportivo e ainda com o engenheiro Brito da Mana em boa forma.

(A propósito, são jovens, eu sei, se calhar alguns nem o conhecem, mas não o podem esquecer: ainda não ouvi nenhum corredor do Tavira a dedicar uma das suas vitórias ao PAI da equipa, ao homem a que ela deve a existência e o não ter acabado pelo caminho, ao ponto de hoje ser a mais antiga do Mundo. Vidal Fitas, Jorge Corvo… não se esqueçam do engenheiro Brito da Mana!)

Mas, escrevia, conheci o Zé Santiago como corredor da formação algarvia. Já na altura escrevia uma coluna de opinião n’O JOGO.

Em 1993 arrancou com o projecto da União Ciclista da Maia, de quem foi, em 1994, o primeiro director-desportivo para, no ano seguinte se dedicar apenas ao jornalismo, como colaborador, nos quadros de O JOGO.

Enquanto corredor, aos 19 anos sagrou-se, em 1985 - ao serviço da Selecção Norte - pela primeira vez, “rei” da montanha na Volta a Portugal. Título que recuperaria em 1987 para depois o conquistar também em 1988, 1989 e 1990, quatro anos seguidos – o que ainda é recorde – estes ao serviço do Boavista.

Nesse ano de 1996, quis o destino, ficámos sempre nos mesmos hotéis, quando da Volta ao Alentejo, aquela que teve Miguel Induráin como grande protagonista, e foi nesses fins de noite, em conversas sempre interessantes para a minha formação enquanto jornalista de ciclismo, que estreitei laços de amizade com o Zé Santiago que depois reencontrei noutras provas, até à Volta a Portugal.

A última vez que o vi foi na escola secundária (ainda não tinham sido inventadas a C+S) de Loulé, no final da 13.ª etapa. No dia seguinte era o contra-relógio final, mas a Volta tinha o vencedor há muito encontrado, era o Massimiliano Lelli.

Na manhã do dia 18, saí do hotel, na Quarteira, entrei no carro conduzido pelo meu fiel amigo José Correia, liguei o rádio e ouvi o Rui Almeida, de voz embargada, a dizer que o Zé tinha morrido. Gelou-se-me o sangue. O Carlos Florido e o João Araújo ficaram muito maltratados no mesmo acidente de viação, na famigerada EN 125 e passaram vários dias hospitalizados no Hospital Distrital de Faro. Nessa mesma tarde, na Sala de Imprensa o ambiente era de um enorme pesar pela perda de um companheiro. De um amigo. Cumprem-se dez anos, na próxima sexta-feira. Dez anos de enorme saudade. Mas o Zé Santiago será sempre lembrado como uma das figuras mais proeminentes do nosso ciclismo, como ciclista, como mentor de uma Maia que chegou onde chegou e como jornalista, crítico contundente mas, acima de tudo, grande conhecedor da modalidade.

Até sempre Zé.



(Nota: Ao contrário do que escrevera, de memória (ou com falta dela???), Carlos Pinho venceu duas vezes o Prémio da Montanha na Volta a Portugal. Eu escrevera que nem isso ele conseguira na prova maior do nosso calendário. Estava errado. Ao Carlos Pinho, e aos que, entretanto, já tinham lido este artigo e sido levados "ao engano" pela minha burrice... peço desculpas. O texto já está emendado.)

201.ª etapa



AINDA SEM VENCEDOR FINAL DEFINIDO, A DUJA-TAVIRA GANHOU HOJE A SUA VOLTA


Nova etapa, novo vencedor, novo líder e mantém-se intacta a luta pelo triunfo final. Esta ligação entre Gouveia e o Fundão, com passagem pelas imediações pelo meio, envergou, perfeitamente, a roupagem que tem caracterizado a Volta.

O austríaco Christian Pfannberger não conseguiu aguentar o ritmo imposto, sempre pelos homens da LA Alumínios e, tal como todos os anteriores líderes, não manteve o “trono” mais do que 24 horas. O novo líder, e penúltimo – isso é quase certo – é o veterano Carlos Pinho, da Barbot-Halcon. Um justo prémio para esta formiguinha de trabalho que sempre soube dar o melhor de si a todas as equipas por onde passou. É quase um prémio carreira, isto de amanhã sair de amarelo.

Do facto de a Torre não ter sido final de etapa já se falou o suficiente e, tudo o que agora se dissesse era “chover no molhado”. A Volta está desenhada há já algum tempo, e era ESTE o percurso a vencer pelos corredores.

Com muita coisa ainda por decidir – o vencedor do Prémio da Montanha, por exemplo – o pelotão só tinha que ultrapassar estes 144,1 quilómetros e os grandes vencedores do dia foram, sem margem para quaisquer espécie de dúvidas, os algarvios da DUJA-Tavira.

Brilhante a estratégia montada por Vidal Fitas - a confirmar que temos técnico - ainda que com uma pontinha de sádica. Livre de quaisquer marcações porque não punha em perigo as pretensões dos mais fortes, não foi difícil – o que não lhe retira nem um miligrama de valor – a Nélson Vitorino escapar ao grupo principal e adiantar-se a caminho do cimo da Estrela e rapidamente ficou claro que Hélder Miranda, “tábua de salvação” improvisada para evitar o “afundamento” da Riberalves-Alcobaça não era mesmo a opção mais acertada para lutar por este prémio. Ao contrário, a DUJA-Tavira que garantiria para si o título de “reis” da montanha só com o Nélson Vitorino, ainda teve a “desfaçatez” de, a algumas centenas de metros do topo fazerem sair o jovem Ricardo Mestre – que arrebataria o prémio – coadjuvado pelo “rei” deposto: Krassimir Vassilev. Três tavirenses na frente, nas imediações da Torre e Nélson Vitorino a continuar a servir de “engodo” na descida, quase até Manteigas, para, um pouco mais à frente, Krassimir Vassilev arrancar rumo à terceira vitória em etapas para a DUJA. Brilhante.

Se é verdade que as nove etapas tiveram nove vencedores diferentes, a equipa de Tavira arrecadou um terço dessas vitórias e só poderá ser igualada pela LA Alumínios, se for desta equipa o vencedor do “crono” final.

LA que voltou a assumir o estatuto que tem – é a mais forte equipa neste pelotão – e, muito à custa de um trabalho quase perfeito dos inexcedíveis Nuno Ribeiro e Rui Sousa logrou o seu principal objectivo: colocar Cândido Barbosa o mais a jeito possível para atacar amanhã a vitória final. Muito graças ao esforço dos seus dois companheiros, o corredor de Rebordosa amealhou seis segundos de bonificação nas três metas volantes e, malgrado a fuga de Vassilev, que “queimaria” os dez segundos de bonificação à chegada, só não recortou ainda mais a sua desvantagem para o primeiro lugar porque, já a meio caminho entre a Covilhã e o Fundão um trio composto por José Rodrigues (Carvalhelhos-Boavista), Pedro Cardoso (Maia-Milaneza) – o responsável pela iniciativa – e Juan Gomis (Comunitat Valenciana) logrou adiantar-se e segurar a curta vantagem até à meta. Mas o Cândido viu reduzida a sua diferença em relação ao seu grande objectivo de 1.28 minutos para os 54 segundos. Será o suficiente? Será pouco? Isso só amanhã saberemos.

Neste momento, e quando só faltam 39.600 metros para terminar a Volta, distância essa que cada um dos corredores cumprirá em solitário, há 2.08 minutos a separarem o 11.º (Claus Möller) do 1.º, Carlos Pinho, curiosamente, ambos companheiros de equipa na Barbot-Halcon. Com todo o respeito, o 12.º, que é o Nuno Ribeiro (a 2.34), já não conta, nem para a etapa, nem para a classificação final, no que respeita aos primeiros.

O vencedor do “crono” fará um tempo muito próximo dos 53 minutos e, sinceramente, não creio que mais do que 5 corredores façam a etapa entre os 55 minutos e aquela fasquia que calculei. O que significa que as diferenças serão bastante grandes. Claro que há que contar com a falta de motivação de 4 quintos do pelotão, uma vez que já muita pouca coisa há em jogo, passe a heresia de dizer isto quando não se pode sequer apostar num vencedor da Volta. O mais regular está encontrado, é Cândido Barbosa; o rei da montanha também, mas Ricardo Mestre ainda pode somar outra camisola à azul, a da juventude. Há apenas 19 segundos entre ele e Tiago Machado nessa segunda frente de luta ainda ao rubro.

Entre o vermelho e o amarelo… vamos ver quem verá acender-se a luz verde para o triunfo.

200.ª etapa



CHAMEM O JOÃO PINTO!!! (PROGNÓSTICOS, SÓ NO FINAL!)


Em relação à etapa de hoje…
Bem, no estado em que as coisas estão, já me parece mais fácil acertar no Euromilhões!
A etapa está claramente dividida em duas partes, com a passagem pela Torre a servir de meridiano. Só que daí até à meta ainda faltam 76,6 km, dos quais 21,2 são em descida quase constante. Sobra muita corrida, depois da grande dificuldade do dia.

Ficou provado hoje que Cândido Barbosa não atira a toalha ao chão. O seu objectivo – ganhar a Volta – mantêm-se intacto e, como disse, a equipa hoje teve alguns momentos para “descansar”, pelo que não me admiraria nada que amanhã a LA pusesse a “carne toda no assador”. Falta saber o do que é capaz Pfannberger. O camisola amarela tem feito pela vida sozinho. Devagar, aproximou-se da frente e hoje chegou mesmo ao ponto mais alto do pódio. Vai, concerteza, “agarrar-se” ao grupo que lhe der maior garantias de o levar até ao Fundão, sendo que, a acontecerem cortes significativos no pelotão – o que acontecerá quase de certeza – no grupo onde for o Cândido não o vão querer. E David Blanco será outro das “persona non grata” num eventual grupo da frente, junto ao Cândido.

A Barbot-Halcon ainda sonha com a possibilidade de levar Claus Möller o mais perto possível – até ao minuto, minuto e pouco – da frente, pois o dinamarquês é um dos mais sérios candidatos a vencer o contra-relógio de terça-feira. Carlos Pinho, que está a fazer uma Volta espectacular – é o segundo, coisa que, se a memória não me atraiçoa, nunca conseguiu ser, a dois dias do final, nas muitas Voltas que já fez –, amanhã, na subida estará certamente com os da frente mas não tem a mínima chance no “crono”.

Falta a Maia-Milaneza. Rogério Batista e Afonso Azevedo são cartas fora do baralho. Se Manuel Zeferino quiser dar-lhes a oportunidade de completarem a sua primeira Volta a Portugal, terão que fazer a sua corrida no tal “autocarro” que por certo se formará logo na primeira abordagem à Serra da Estrela. Se os usar na estratégia que irá montar para se reaproximar do primeiro lugar… não chegam ao Fundão. Sobram, para além dos desgastadíssimos Bruno Castanheira e Pedro Andrade – que deverão ser os primeiros a protagonizar uma eventual reacção maiata ao que hoje aconteceu – e depois Danail Petrov, Bruno Pires, Pedro Cardoso e João Cabreira. Petrov e Cabreira são os que têm melhores hipóteses no contra-relógio, por isso não será de estranhar que os outros três, todos muito bons trepadores, assumam as intenções da equipa a partir de São Romão, depois da descida do Sabugueiro para Seia e quando se inicia a subida para a Torre.

Vai ser aí que a etapa se vai desenhar. Agora, no meio de tantas surpresas, quase que diria que não acontecer nenhuma amanhã seria… a grande surpresa desta Volta. Que está linda de se ver.

Vença quem vier a vencer, já ganhou o ciclismo português. E, sem querer “beliscar” o excelente trabalho que a RTP está a fazer - e de passar a Volta na RTPInternacional -, digam-me, não teria sido muito, mas muito interessante se a Eurosport estivesse a mostrá-la a toda a Europa?

(A RTP não sairia nada beliscada, pois as imagens seriam sempre as suas…)

Pessoal da organização… pensem nisto. Que grande propaganda teria sido para o ciclismo nacional. Podíamos era “perder” alguns dos jovens valores para equipas estrangeiras, mas, pelo que já li, pelo menos a equipa que a Galiza vai apresentar para o ano no pelotão Profissional já andou cá a espreitar. E a Comunitat Valenciana – que vai ter que encontrar outro patrocinador – até anda cá na corrida.

domingo, agosto 13, 2006

199.ª etapa



PORQUE É QUE ESTA VOLTA ME FAZ LEMBRAR O "JOGO DAS CADEIRAS"?


E esta Volta não pára de nos surpreender. Sempre pela positiva, o que se saúda. Ao oitavo dia… oitavo vencedor de etapa e, tal como aconteceu até aqui, com um novo líder. Pois é… o tal Pfannberger de quem ninguém tem a real noção do valor… Mas, mantendo-se a tendência, marcante, até aqui, o mais certo é ainda nos falte descobrir mais dois vencedores de etapas e… mais dois líderes diferentes, o que deixaria de fora destas “contas”, que há oito dias pareceriam surrealistas, todos os que já ganharam etapas e andaram um dia de amarelo. A ver vamos o que nos trazem estes dois dias finais.


Tenho seguido esta Volta como simples espectador. Atento, é verdade, mas só nessa condição o que me livra de ter de explicar aos leitores que não assistiram à tirada o que nela se passou. É que está, a cada dia que passa, mais difícil “ler” a corrida. Interpretá-la e contá-la.

Como é que, quando tudo está ainda indefinido, acontece uma fuga onde vão seis ou sete dos corredores do
top-10 e o camisola amarela fica no pelotão? Porque é que a equipa do líder mete dois homens na fuga, em vez de optar por manter os seus corredores mais consistentes no grande grupo de forma a ajudar o (apesar de tudo) inexperiente João Cabreira? Porque é que a LA deixa no pelotão o seu corredor melhor classificado, que estava a menos de 50 segundos da liderança, e mete na fuga o Cândido que estava a mais de 2 minutos e quando no grupo iam três corredores melhor posicionados do que ele na geral individual? Porque é que a DUJA-Tavira (com três!!! homens na fuga) “tirou” tanto? (Já agora, e porque esta expressão do “tirar” é muitas vezes empregue nos comentários da TV, pelo menos pelo Marco Chagas, e para quem está menos familiarizado com o jargão do ciclismo, “tirar” é a expressão espanhola para… puxar. No sentido de comandar, impondo o ritmo, seja no pelotão, seja numa fuga.)

Como vêem, são tantas as perguntas para as quais não encontro resposta convincente que… ainda bem que não tenho de explicar a etapa no jornal.

A única coisa que
“bateu certinho” na etapa de hoje foi mesmo o facto de o austríaco Christian Pfannberger não ter perdido a oportunidade de ir na fuga e depois se ter mantido bem quietinho, ciente de que, chegando o grupo na frente da corrida a camisola amarela seria dele.

Mas se a corrida, ela própria, me proporcionou tantas interrogações, eu ainda consigo encontrar mais algumas. Se a intenção do Cândido Barbosa era mesmo atacar o primeiro lugar, porque é que não se fez acompanhar de mais um ou dois companheiros de equipa? Mantém a confiança com que começou a Volta e conta amanhã dar o
“golpe” final, sendo que hoje “fez descansar” os seus peões de brega? Pode ser.
E porque é que no grupo ninguém perseguiu o David Blanco, 10.º à partida, mas já não foram tão complacentes em relação ao Claus Möller, bem mais atrasado?

É. Estas
“confusões”, que não é habitual acontecerem, são o que estão a fazer da corrida qualquer coisa de inesperadamente bonito. Normalmente, há uma equipa que impõe o seu domínio, coloca um homem na frente e, a acontecerem mexidas, em termos de tempo, são quase sempre no sentido de o líder ser cada vez mais líder à medida que se aproxima o fim. Este ano não. Todos os dias as coisas se complicam, no que à classificação geral diz respeito, há mexidas relevantes no final de cada etapa, houve líderes que ninguém pensava pudessem chegar ao primeiro lugar e essa “anormalidade” que é o facto de em 8 etapas terem existido outros tantos ganhadores.

Entretanto, para quem ainda duvidava, ficou demonstrado que Manuel Zeferino teve sempre razão ao não querer
“destapar” a equipa antes da hora. No único dia – até agora, é bom de ver – que teve a camisola amarela, e depois daquela estranha opção de por o Danail Petrov e o Bruno Pires na fuga, cá atrás só Pedro Cardoso conseguiu dar alguma ajuda ao seu jovem companheiro que levava a camisola amarela. Pelo menos na altura mais difícil, que foi quando foi necessário acelerar de forma a recortar a vantagem dos fugitivos. Mesmo assim, o Pedro Cardoso teve que descair de uma posição intermédia onde seguia para recolar ao pelotão, pois tanto Bruno Castanheira como Pedro Andrade já tinham dado o que tinham para dar e os três mais jovens da equipa foram os três últimos na etapa com Bruno Lima a chegar mais de 40 minutos atrasado e, por isso, foi eliminado.

Mas aquela do Cândido ter ido sozinho – com um pormenor curioso, não sei se repararam – de ter
“levado consigo” o seu primeiro carro, quando, normalmente, são os segundos carros que avançam para as fugas para que o técnico principal fique para tomar as decisões nos momentos mais “quentes” da corrida. Se dúvidas houvesse, creio ter ficado perfeitamente claro que nesta LA é o Cândido e… mais oito. Mas o Cândido só recuperou 44 segundos em relação ao primeiro lugar, continuando a ter cinco corredores à sua frente na geral.

De qualquer modo, embora de uma forma
“menos visível”, a verdade não escamoteável é que o Cândido Barbosa é o único corredor deste pelotão que chegou TODOS OS DIAS nos dez da frente, para ser mais preciso, a pior posição do corredor da LA numa chegada é o 9.º lugar na Senhora da Graça. Claro que não contabilizo aqui a desqualificação na chegada a Lisboa. Foi uma penalização técnica mas, a verdade é que o Cândido até foi o primeiro a cortar a meta. Depois é que foi desqualificado. Ainda assim, nesse dia não perdeu tempo para o primeiro. Uma corrida à altura daquilo que dele se esperava. O que não se esperava de todo era uma corrida destas…

Falta só deixar aqui uma palavrinha para o vencedor da etapa, o galego David Blanco, corredor que já fez cinco ou seis Voltas a Portugal, a maior parte delas em equipas portuguesas sendo, por isso, um perfeito conhecedor das nossas estradas. É o tal homem que chegou a deixar o ciclismo para ser corrector da Bolsa, e que, depois de regressar à estrada, ainda “geria” os investimentos de alguns colegas do pelotão. Apenas uma curiosidade, que tipifica o vencedor desta 8.ª etapa da Volta a Portugal que, em boa hora, recuperou a chegada, sempre difícil, à cidade mais alta de Portugal.

sábado, agosto 12, 2006

198.ª etapa




PODEM TENTAR EXPLICAR... MAS EU NÃO VOU PERCEBER!



A Volta a Portugal vem a crescer em alguns aspectos - se fui eu próprio quem o escreveu!!!... - mas noutros continua a ser pequenininha. Não pretenda a Organização "dormir sobre os louros" que ainda tem muito que fazer e há coisas que, hoje em dia, já não é possível aceitar.
Podem tentar explicar... mas eu não vou perceber!

Em nenhuma grande corrida se vê o que por cá parece ser impossível evitar: ter carros na estrada e ter os corredores, em solitário ou em pelotão, a necessitarem de golpes de rins para evitar carros mal estacionados; ver camiões tamanho de um comboio parados numa curva, onde os corredores procuram encurtar o mais possível a sua trajectória; ver carros, ainda que pela berma, "ganhar" alguns metros - como se disso dependesse a vida do seu condutor - mal o batedor da GNR sai do campo de vista do seu retrovisor...
Mas isto só acontece porque há carros no percurso da corrida. O que não acontece, no Tour, por exemplo.

E se me disserem que no Alentejo, de Castro Verde a Beja, por exemplo, é difícil encontrar uma alternativa tão rápida quanto o IC2... ainda aceito. Mas no Norte? Onde há estradas e caminhos numa rede onde qualquer um que não conheça se perde, mas que leva sempre aos mesmos sítios?

E lá volto eu à... Vuelta! Que querem? Se o exemplo é bom... usemo-lo até à exaustão, se tal for preciso.

Para além de não ser impossível, é OBRIGATÓRIO "dar" aos corredores TODA A ESTRADA.
Sem carros em movimento, sem carros estacionados. Claro que, se o que se faz é mandar parar o trânsito na cabeça da corrida, três, quatro quilómetros à frente, no máximo, pode-se encontrar de tudo. Até um camião parado bem na parte de dentro de uma curva como ontem vimos. Ah! tinha os quatro "piscas" a funcionar. Ok... mas estava no caminho mais curto para os corredores. Isso ninguém o negará.

Estamos a ter, desportivamente, uma das mais belas corridas - contando com Giro e Tour - a que este ano já podemos assistir, mas há estes pequenos pormenores. Meus senhores, no Tour - que é aquele que está mais fresco na nossa memória - também se anda por estradas secundárias com casais, quintas, quintinhas, pequenas aldeias à sua beira. É impossível controlar todas essas entradas na estrada? Os franceses parece que são capazes!
Vêem carros na estrada?

E, nesta Volta, já vimos carros arrumadinhos, bem estacionados em parqueamentos... na aproximação a uma meta volante. É um exemplo. Em Espanha, na Vuelta, não estariam lá e o pelotão teria todo o asfalto para si.

Os portugueses são maus cidadãos. É verdade. Não respeitam as ordens da polícia. É verdade. Mas ponham uma brigada de "sweepers" a trabalhar na madrugada que antecede a chegada a qualquer localidade e logo vêem. É assim que se faz lá fora. 48 horas antes colocam-se sinais a "convidar" os automobilistas a não usarem aquele lugarzinho de estacionamento no dia da passagem da corrida e, antes de a corrida ter partido no local A, já no local B, na chegada, os reboques da polícia estão a trabalhar. E a verdade é que não há carros nos arruamentos de aproximação à meta. Porque a polícia, lá, manda. E porque as autoridades cívis mandam a polícia "limpar" tudo. Sem olhar a quem.

Cá... não se pede à polícia para não chatear, não se pede às autarquias para não obrigar os autarcas a parecerem os "maus da fita"; por sua iniciativa, a polícia não quer "limpar" tudo, porque no "tudo" estão os carrinhos de gente importante que não querem "incomodar"... e anda-se nisto. Falta UMA VOZ de comando. Quem mande mesmo.

Por isso continuamos pequeninos. Por isso continuamos a ter chegadas em descampados - como em Beja - apesar de as pessoas, na sua paixão pelo ciclismo lá terem chegado. Porque ali não se "imcomoda" ninguém e por mais uma nova razão, que só traz mais uma voz a "mandar"... em seu proveito. Não se fazem algumas chegadas que seria espectaculares porque não "cabe" lá a estrutura da RTP. Ok... faça-se a Volta à vontade de todos, menos dos principais interessados. Os corredores e o povo que, com o seu calor, justifica o esforço dos primeiros.
Louvem-se as autarquias como São João da Madeira ou Fafe que fazem questão de receber o pelotão no seu coração. Por acaso... cabem lá as estruturas de toda a gente.

A organização devia escolher a melhor chegada e fazer ver às autarquias que ERA ALI que a etapa TINHA que chegar. Estas só teriam que "limpar" a zona e todos os outros adaptarem-se às condições oferecidas.

Mais um exemplo espanhol. Quem conhece Cuenca? É uma cidade pequena - no parâmetro espanhol - com uma zona histórica bem delimitada, de ruas estreitas e... vejam só, com uns paralelos e umas subidinhas que dão alguma emoção à etapa. Adivinhem por onde passa o pelotão...
O ano passado, depois de passarem a placa que marca a entrada na cidade, até à meta, que fica mil metros - pouco mais - à frente, o pelotão faz cerca de 8 km passando por 32 (TRINTA E DOIS) arruamentos COMPLETAMENTE LIMPOS E FECHADOS A QUALQUER ESPÉCIE DE TRÂNSITO. O ano passado, quando lá estive, pude ler que TODOS os efectivos de todos os ramos das forças policiais locais e nacionais tinham sido mobilizados... quase 300 polícias para a quase centena e meias de cruzamentos dentro do perímetro urbano.

A raia não é apenas perceptível pelo restolho e mato, do lado de cá, e o verde do semeado, do lado de lá...

Eu sei, eu sei... por acaso nunca procurei saber quanto custam estas operações policiais à organização. Se calhar pouco mais do que cá... se calhar... nada! É outra realidade.

197.ª etapa



AINDA LONGE DO "XEQUE-MATE"



Não, não cumpri, tal como o pelotão, um dia de folga. Aconteceu que ontem a minha linha telefónica ficou "muda". Por isso não tive acesso ao mundo global. Pior era ter partido uma perna, mas que não gostei que da PT me tenham dito que só era possível consertar a avaria na… 2.ª feira (???). Pelos vistos valeu a pena a berraria que fiz. Infelizmente. Sim, infelizmente. Porque depois da “peixeirada” do início da última madrugada, e de ter de provar que sou jornalista, hoje de manhãzinha já tinha a linha disponível. E se não o fosse? E os que não são? Então… a empresa que mais vale na bolsa não tem piquetes de serviço 24 horas por dia? Ou só servem para “casos especiais”? Sinto-me envergonhado por ela, a PT. Nunca tinha tido qualquer problema, mas se é assim em todas as áreas… se calhar não é só pelos preços mais baixos que as pessoas estão a mudar de operadora. No que respeita às linhas a PT mantém o monopólio porque senão, ontem mesmo eu tinha mudado.



Mas vamos à Volta que e por isso que aqui venho. Sem pretender ser original, tenho que o ser. Antes de tudo o mais, um grande VIVA à juventude… desse eterno Carlos Pinho. O homem fez 36 anos no passado dia 30 e quantos ficaram à sua frente hoje? Três. Exactamente. E foi o segundo melhor português na etapa Raínha da Volta. Daqui um apertado e forte abraço para esse sempre jovem herói da estrada que, muitas vezes, viu os seus feitos passarem ao lado das crónicas dos jornais. Parabéns Carlos!
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Amigos, que posso eu dizer desta etapa senão que foi mais uma etapa espectacular? Lembro-me de lutas titânicas, de inesperados favoritos que saíram de onde menos se esperava, assisti ao nascer de estrelas e ao ocaso de outras mas, sinceramente, não me lembro de uma Volta assim. Apesar desta leitura ser feita à distância mas até por isso não ser objecto da paixão vivida a quente.
Todos os dias fico encantado.

Foi valente o João Cabreira. Atacou e passou sozinho no alto do Viso. Recolheu ao grupo da dianteira e foi, outra vez, a grande figura na subida final, ganhando de forma imperial. Outro corredor com menos de 25 anos. Por favor… aqueles que seguem mais atentamente o ciclismo lá fora… digam-me, em que grande volta se viu assim a juventude a imperar? Portugal ciclista, tens aqui, à tua frente, o futuro. Delicia-te. Sonha com tudo o que estes jovens ainda podem fazer.
É só o que me apetece dizer…

Mas há mais a dizer.
Foi uma etapa dura. Mas tinha que ser. Uma Volta a Portugal tem que definir as fronteiras que a separam dos grandes prémios – embora não seja apologista dos grandes prémios
“só para treinar”, aqui tem toda a razão o professor José Santos quando lamenta o facto de o pelotão (jovem) não ter oportunidade de ser testado em algumas destas subidas ao longo da temporada. Contudo, também reconheço à PAD o facto de não querer “desgastar” estas mesmas etapas (como a da Torre) ao longo da época. Sobram os outros organizadores… Não se peça tudo aos mesmos.

Não é bem o
“atalho” que vem mais a propósito, mas passo já para as declarações de Cândido Barbosa, no final da etapa. Fui um dos que mais se opôs à “vontade” muito generalizada de quererem “colar” o traçado da Volta ao Cândido – escrevi-o mais do que uma vez, nunca vi corrida “traçada à medida” de fosse quem fosse – e hoje oiço, boqueaberto, o Cândido a dizer que «há gente que não quer que o Cândido ganhe a Volta»!!!
Caramba!..., mas a Volta
“era” para o Cândido?
Descontemos o calor com o qual estas palavras foram proferidas.

Escrevi-o logo assim que soube o traçado da Volta e escrevi-o antes de toda a gente. Aconteça o que acontecer – e pode acontecer ainda tanta coisa –, esta é uma Volta com um certo toque de… jogo de xadrez. Quando se move uma peça – e se quer mesmo ganhar – é já a pensar no 4.º ou 5.º movimento que se vier a fazer a seguir. Fazer
“xeques” consecutivos pode animar a malta, mas o que vale é o xeque-mate!…
Que, para mim, está longe. Há demasiadas peças ainda no tabuleiro. Se o ano passado tivemos um
“xeque pastor”, que acabou com o jogo quase no início, este ano, a isso pelo menos, escapou-se.

Mas chamemos as coisas pelos nomes que não fui eu quem traçou estratégias ou mandei pedalar. Ou pedalei.
Ainda bem que fui fazendo uma crónica diária para que não venham dizer que estou a fazer leituras parciais. O que tinha a escrever… escrevi.
Foi muito, muito estranho, ver um dos candidatos principais – se não o principal – empenhar-se em vestir a camisola amarela logo no primeiro dia. E digo-o, outra vez., agora, pelo mesmo motivo. Ainda ninguém pode dizer o que vai acontecer, por isso…
Ora, é sabido que as despesas de controlo da corrida correm – passe a repetição da palavra – por conta da equipa do líder. Então…

Já andei lá perto mas ainda não o escrevi hoje. Mas vou escrever. Logo quando soube do traçado da Volta escrevi que a vitória final ia ser jogada… atrás, nos carros de apoio. Implicíta ficou a ideia de que o melhor estratega levaria vantagem. E, pelo menos no final da etapa de hoje viu-se quem é o melhor estratega. Foi tudo perfeito.
Que haveria de haver um ataque da Maia, disso ninguém duvidaria. Ao lançar João Cabreira no Viso…
“parecia” que estava a queimar um trunfo apenas para que os adversários mostrassem um pouco o jogo. Pois é. Estavam todos errados. Manuel Zeferino “bateu” um trunfo e… na jogada final jogou o mesmo trunfo. Quando todos os outros estavam guardados por iguais seus. Leia-se: homens capazes de, na montanha, fazerem a diferença.
E repare-se nas
“parelhas” que cortaram a meta juntas. Rui Sousa com Danail Petrov – embora o Rui um pouco mais à frente – e Nuno Ribeiro com Bruno Pires. Para marcar o João Cabreira estava o Hector Guerra. E esteve muito bem. Muito bem mesmo. Mas não chegou para evitar a vitória do corredor da Maia.
E espero que a minha leitura seja bem entendida. Sem equipa, sem
sprinters para fazer frente ao Cândido… a Maia tinha de esperar pelo terreno onde mandassem, mais que o colectivo, as individualidades.
E os adversários sabiam-no.

Apesar de Cabreira ir na frente, quando vi o Rui Sousa
“a meio” caminho “li” logo a corrida. É de cátedra. Adianta-se um corredor, depois, vindo de trás, aparece o seu chefe-de-fila e já tem ali um apoio que ajuda a chegar ainda mais à frente… Rui Sousa esperou, esperou… esperou… e nada. Lá na frente o corredor da Maia já abotoava a camisola para as fotos da chegada! E, ainda agora que estou a rever a etapa em gravação, o Marco Chagas sublinha o facto de a LA estar quase toda na frente. Esteve. Menos na hora da verdade.
Depois disto vir dizer que
«... não querem que o Cândido ganhe a Volta» acho que isto é, pelo menos, desrespeitar todas as pessoas que em todas as chegadas vitoriaram o Cândido.
E estou à vontade para dizer isto porque até somos amigos.

A verdade, e cinjamo-nos aos factos, é que está tudo… mais complicado ainda. Hoje, agora, NÃO há um candidato definido e, para mim, a etapa de amanhã é a etapa-chave.
A Serra da Estrela não vai dar em nada e… sobra o contra-relógio.
Uma vez mais vai ser a última etapa a definir o vencedor da Volta. Isto é bom. Melhor do que no ano passado.

Quem sabe se na próxima 3.ª feira não há
“retoques” em alguns discursos. Para mim tudo será bom, mas aquele Pfannberger começa a fazer-me “bortoeja”, como se diz no meu Alentejo.

quinta-feira, agosto 10, 2006

196.ª etapa




SÃO FALHAS A MAIS!



Enquanto que, desportivamente, esta Volta vai somando pontos, ontem foi um dia negro para a organização e quem o não o denunciar está a ser conivente.

É inadmissível o que ontem aconteceu. Já falo do facto de os corredores da frente, à primeira passagem pela meta terem julgado que a etapa estava terminada. Embora me parece MUITO ESTRANHO que dois directores-desportivos diferentes se tenham esquecido de informar os seus corredores que a etapa não terminava na primeira passagem pela meta.

Primeiro: eu tenho o LIVRO OFICIAL e, abrindo-o na página da etapa de hoje – ao contrário do que aconteceu nas de Viseu e S. J. Madeira –, se não ler o quadro de passagens na etapa, o MAPA NÃO MOSTRA QUE A CHEGADA É EM CIRCUÍTO. Depois, É evidente que o levantamento dos
“pórticos” que marcam a aproximação à meta tem de ser feito bem cedo, mas NÃO PODIA ESTAR À VISTA que faltavam 7 km quando, na realidade, ainda faltavam 15 (!!!)… Essa informação só deveria ter sido “destapada” depois de TODOS os corredores por lá terem passado UMA VEZ.

Mais… Está estabelecido no próprio regulamento da FPC que os circuitos NÃO PODEM TER MENOS DE 8 KM e não me digam que foram somente 100 metros a menos… Já lá dizia o outro: um escudo é um escudo!

Portanto, este circuito não obedecia ao regulamentado e, numa etapa com esta dureza e com uma contagem de montanha de 2.ª categoria a apenas 20,2 km da primeira passagem pela meta – e já era a 3.ª contagem de montanha do dia – devia ter sido prevista a possibilidade de haver corredores muito atrasados pelo que, ou o circuito era maior, ou então não passariam os corredores 2 vezes pela meta. Os homens da frente dobraram pequenos pelotões de ciclistas atrasados. Quem podia controlar isso se, por exemplo, um ou dois corredores
“saltassem” da posição real que ocupavam para um outro grupo mais adiantado que os dobrava? De certeza absoluta que isso não aconteceu? Quem garante?

Mas volto atrás. Aquele pano a indicar que faltavam sete quilómetros para a chegada não podia estar a descoberto quando da passagem dos primeiros corredores. Eu sei que estes têm a obrigação de conhecer o percurso, mas caramba… passaram por baixo de um pano que os informava que estavam a 7 km da meta. Essa é a única questão. Já assisti a inúmeras corridas que terminavam em circuito e sempre verifiquei que havia o cuidado de tapar a informação nos pórticos de aproximação à meta na primeira passagem dos corredores. Mais… sendo que o pelotão passava duas vezes pelo risco de chega… havia uma sineta a informar, pelo seu badalar, que ainda faltava uma volta? Não havia, pois não? Pois também faz parte dos regulamentos. Os corredores, desgastados, quase no limite das forças, não podem – muito menos se viram, 7 km atrás, que estavam a 7 mil metros da meta - discernir que ainda lhes faltavam mais 7,900 km para correr.

Não será estranho que dois directores-desportivos diferentes se tenham esquecido de dizer aos seus corredores que a etapa não terminava na 1.ª passagem pela meta?

Mas esta organização teima em cometer desvios ao regulamentado. Repito, o mapa da etapa estava bem claro de ler. Corria-se pelo alto Minho até chegar… a Fafe. O traçado está claro e nem uma circunferência, nada, mostra no mapa da corrida que havia uma primeira passagem pela meta. O risco acaba, sem margem para dúvidas ali, em Fafe. E é um risco direitinho. Pois, há a descrição completa da etapa. Mas quem lê aquilo a não serem os populares para sabem a que horas passa a corrida na sua terra? Desde a partida que os corredores vão atrás das motos e dos carros oficiais, e da polícia. Tanto que é assim que já por várias vezes aconteceram situações de enganos. Claro que se um carro ou uma moto se enganarem… os corredores que os seguem vão atrás deles. São as referências dos corredores.

Eu estava a guardar isto para o final da Volta mas, dado o enquadramento, vai já. A organização, para além de fornecer às equipas (e a todos os acompanhantes da Volta) livros onde os mapas das etapas estão incorrectos, não distribui uns cartõezinhos individualizados com o perfil e o percurso das etapas. TODAS as grandes corridas fazem isso. Aliás, ainda no último Tour houve uma etapa em que se viu um corredor sacar desse cartãozinho e consultar a sua situação na corrida. O JN fazia isso. A PAD já fez isso. Agora, a PAD distribui livros de corrida onde, na página de cada etapa aparece o perfil com um picotadozinho e o desenho de uma tesoura que é, deduzo eu, para que aquele quadro seja recortado. Ok… Dez etapas vezes 9 corredores dá 90, mais dois carros de apoio dá… 110. A PAD entrega 110 livros a cada equipa? Não? Então? São as equipas que têm de fotocopiar aquilo? É isso?

Porque raio não vão ver como se faz lá fora? A Vuelta é em Setembro e Espanha aqui ao lado. Vão lá. Vão, por favor.

E, tanto na Vuelta como no Giro, como no Tour, é distribuída a toda a gente acreditada a listagem dos alojamentos das equipas. A PAD não o faz.

Não é obrigatório? Eu sei é que faz muita falta. Isso faz.

Preocupem-se menos em convidar os Josés Castelo Brancos e invistam mais no ciclismo. Deixem-se de avionetas às cambalhotas e tentem fazer com que NADA falte aos corredores. Como os tais cartõezinhos com o percurso da etapa de um lado e o perfil do outro.

Mas parece que há quem esteja mais preocupado com outras coisas que
“vão contra a imagem da empresa João Lagos”

Estas BARRACADAS não. Se calhar porque lhes assentam muito bem.

195.ª etapa



VIVA! VIVA! VIVA!...



Três vivas, pois! Começo a ficar sem palavras para descrever esta Volta. Está… E.S.P.E.C.T.A.C.U.L.A.R.
Sexta etapa, sexto vencedor de etapa, 5.ª mudança de líder e de camisola amarela. Só em Beja é que o corredor que saíra de amarelo, mas à condição, teve oportunidade de a luzir no pódio. Algo que, se não for inédito andará lá muito por perto.

E com os jovens a fazerem a corrida. Isso é ainda mais importante. Luís Bartolomeu a vender cara a derrota, em Lisboa, onde Manuel Cardoso foi investido como líder; Micael Isidoro, Joaquim Gregório, Hélder Oliveira, Sérgio Sousa, Gilberto Sampaio, Bruno Barbosa, Celestino Pinho, Vítor Carvalho, José Martins… Tiago Machado e Ricardo Mestre.

Quem pode ficar indiferente a esta demonstração de força da nossa juventude? O nosso pelotão tem sangue novo e sangue que ferve nas veias. Jovens atletas a mostrarem o seu valor numa das mais difíceis disciplinas que há no desporto. Viva! Viva! Viva!

Depois de uma efémera (como em todas as vezes) passagem pelo dorso de um espanhol (por acaso galego, que é nosso irmão) a camisola amarela foi reconquistada para Portugal. Por um jovem. Um jovem que já vinha a dar nas vistas, que todos já sabíamos ser bom na montanha e que hoje o demonstrou. Estou emocionado.

É mais do que certo que a Volta acabará no palmarés de um corredor mais consagrado, mas esta Volta’2006 ficará nas nossas memórias como a Volta dos
“Jovens Lobos”. Jovens lobos que, pela primeira vez, saem à caça e mostram que já não precisam da ajuda dos progenitores. Estão, quase todos eles, como ficou demonstrado na lista que escrevi, uns jovens lobos adultos. Tenham cuidado com eles.

Que boa é esta sensação de segurança que todos nós devemos sentir em relação ao futuro do ciclismo em Portugal. Com juventude como esta…

Não os percam. Não os deixem perder-se. Acho que é só o que me apetece dizer agora.

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De resto, esperava sinceramente que esta etapa fosse muito movimentada, mas esperava outros protagonistas. Em conversa que mantive com um dos meus companheiros destacado para cobrir a Volta, pouco mais de uma hora depois da partida, dizia eu que eram de esperar ataques. Não me referia à corrida que aconteceu, mas àquela que muitos esperariam. Na véspera do dia de descanso pensei que as equipas dos grandes favoritos mostrassem um pouco o seu jogo.

Dizia-me aquele meu companheiro que esses ataques só aconteceriam no sábado, na etapa da Senhora da Graça e eu, pensando que percebo alguma coisa disto, respondi-lhe que se fosse director-desportivo era hoje que punha as minhas cartas na mesa. E expliquei-lhe: no sábado não há nada que valha a pena defender. Sábado é dia para se atacar e quem já tiver um
“golitos” marcados leva vantagem. Esses “golos” teriam que ter sido marcados hoje.

Até hoje aceito que tenha havido equipas que preferiram gerir atrasos em vez de ter de defender o primeiro lugar, evitando desgastes prematuros. Mas, se no sábado ninguém tem nada para defender e que melhor atacar é quem ganha… era hoje que se deveriam ter, pelo menos, desenhado as
“desmarcações para golo”.

Nunca aconteceriam diferenças que pudessem ser consideradas seguras, pelo que no sábado tudo seria igual… com uma
“pequena” diferença. Aquela que já referi. Quem já estivesse “desmarcado” estava mais perto de marcar o “golo”. Assim… está tudo na mesma.

E atenção... não seria a primeira vez se a subida da Senhora da Graça não viesse marcar diferenças dignas de registo... Por um lado, foi dada a oportunidade para que os jovens se destacassem, mas começo a pensar que já há quem esteja a… pensar no contra-relógio.

A Volta está a ser espectacular graças à garra dos mais novos, mas isso “destapa”, de alguma forma, o calculismo dos consagrados. Excepção, honra lhe seja feita, para Cândido Barbosa que, quando não ganhou foi, pelo menos, dos primeiros do grupo onde vinha. Mesmo que já nem as bonificações estivessem em jogo.