segunda-feira, maio 07, 2007

520.ª etapa


PORTUGUESES SAEM POR CIMA
KOLDO VENCE COM RAÇA

Creio que esta edição da Volta às Astútias não defraudou ninguém. Houve muito, e grande, espectáculo praticamente todos os dias - o de ontem terá sido o nemos espectacular - e a Saunier Duval conseguiu levar a àgua ao seu moínho com um Koldo Gil que esteve enorme. Mesmo na falta de maior ajuda por parte da equipa. A Relax-GAM terá sido a maior derotada, mas pelo muito trabalho que fez deve ter saído de cabeça erguida, o mesmo acontecendo com as duas equipas portuguesas presentes.

A Liberty Seguros esteve várias vezes representada no pódio, incluíndo o final com o triunfo de Hernâni Brôco nos Sprints Especiais - bem que este valoroso jovem estava a precisar de um prémio destes para que não deixe de acreditar no seu valor - e com a equipa a terminar na 3.ª posição colectiva. Muito bom. Ainda conseguiu um terceiro lugar, na primeira etapa, com Pablo Urtasun e mostrou-se em várias fugas, com destaque para aquela protagonizada pelo mesmo Brôco na etapa-raínha, a caminho do alto del Acebo.

Foi nessa mesma etapa que o Benfica também obrigou a que se falasse de si e logo com José Azevedo que substituiu Brôco na frente da corrida, na segunda metade da etapa. E Danail Petrov, segundo, hoje, na meta em Oviedo, terminou também segundo na geral final da Regularidade. Aliás, o búlgaro só na etapa de ontem não esteve entre os primeiros dez a cortar a meta e o 6.º lugar na geral final - melhor posicionado dos corredores das equipas portuguesas - poderá até saber a pouco.

Os encarnados procuraram, principalmente hoje, a todo o custo um triunfo numa etapa e, metendo Petrov, mais José Azevedo e Hélder Miranda na fuga, foram eles quem mais trabalhou nos últimos quilómetros com o visível propósito de levar Petrov à vitória. Falhou por muito pouco.

Fechando este capítulo, reitero que, na minha opinião, as duas formações lusas estiveram à altura e o ciclismo português muito bem representado numa das corridas mais disputadas daquelas até agora realizadas. E creio que ficou provado que as nossas equipas têm qualidade mais do que suficiente para rodarem no pelotão europeu. Fica é por explicar porque é que se eclipsam, quando nas corridas disputadas em território nacional, mas isso fará já parte de um outro capítulo, que um dia destes aqui tratarei.

domingo, maio 06, 2007

519.ª etapa


BRUNO NEVES VENCE
5.º TROFÉU REIS EUSÉBIO

Bruno Neves parece estar a dar-se bem com os ares do Algarve na presente temporada; depois de ter ganho duas etapas e a Volta ao Concelho de Albufeira, o corredor da LA-MSS-Maia voltou agora às vitórias e impôs-se na quinta edição do Troféu Reis Eusébio hoje disputada em Loulé, numa distância de 120 quilómetros.

A corrida teve por base um circuito de seis quilómetros percorrido ao longo de 20 voltas, acabando por se formar na frente um grupo de 22 unidades que discutiria na meta a vitória e onde estavam presentes os principais sprinters do pelotão nacional, excepção feita a Cândido Barbosa, que entraria no segundo grupo.
Desta feita, o mais forte acabou por ser Bruno Neves, que se impôs ao argentino Martin Garrido e a Nuno Marta, somando mais alguns pontos para o ranking nacional.

Sérgio Sousa (Madeinox-Bric-Loulé) impôs-se nas metas volantes, enquanto David Sarreira (Fonotel/Lourinhanense) foi o primeiro entre os Sub 23. A LA-MSS-Maia impôs-se colectivamente.

Classificação final
1.º, Bruno Neves (MAI), 2.51.34 horas
2.º, Martin Garrido (DUJ), m.t.
3.º, Nuno Marta (MAD), m.t.
4.º, Cláudio Faria (MAI), m.t.
5.º, Manuel Cardoso (RIB), m.t.

Pedro Paulinho venceu nos Juniores

A categoria de Juniores disputou em Penha Garcia a primeira prova da Fase Final da respectiva Taça de Portugal, organizada pela Associação de Ciclismo da Beira Interior.
Alinharam 85 corredores para os 107,3 quilómetros da corrida, marcada pela fuga de três elementos a cerca de 15 quilómetros da meta: Pedro Paulinho, Joel Lucas e Domingos Gonçalves.
Estes três elementos rapidamente se destacaram do pelotão e, a cerca de cinco quilómetros do final, Pedro Paulinho deu um esticão na frente, deixando para trás os seus companheiros de fuga e entrando isolado na meta.

Classificação final
1.º, Pedro Paulinho (LOU), 2.42.59 horas
2.º, Joel Lucas (MAF), a 9 s
3.º, Domingos Gonçalves (PED), a 17 s
4.º, Bruno Faria (BAR), a 45 s
5.º, Fábio Silvestre (MAF), m.t.


Texto: Vivex/Fernando Petronilho

518.ª etapa


VOLTA ÀS ASTÚRIAS:
KOLDO GIL AINDA NÃO GANHOU

Apesar de a etapa raínha, aquela da qual se espera definir quase tudo nas diversas classificações, ter sido disputada ontem, a verdade é que a Volta às Astúrias parte para a derradeira etapa ainda com praticamente tudo em aberto.

Koldo Gil (Saunier Duval) lidera mas hoje teve um dia complicado. Ao que percebi, perdeu dois companheiros de equipa - que ficou reduzida a 5 elementos - e a Relax-GAM ainda não desistiu de chegar ao triunfo, com Paco Mancebo que está a apenas 53 segundos, e mesmo a FuerteVentura ainda tem David Bernabéu a menos de um minuto (55 segundos). E a etapa de amanhã é tudo menos fácil. Outra característica que me agrada, pelo menos nas provas de cinco dias. Não faz sentido terminar com a chamada etapa de consagração. O tal passeio onde, tacitamente, todos já aceitaram as suas posições.

Não vai acontecer paseio nenhum. Embora com apenas 150 quilómetros, a ligação entre Gijón e Oviedo, a capital do Principado - a chegada costuma acontecer bem junto às instalações do diário La Nueva España, um dos motores da corrida -, há quatro contagens para o prémio da monanha, e bastante distribuídas ao longo do percurso: a primeira (de 2.ª Cat.) logo aos 38 km e a última, outra vez de 2.ª Cat., a 30 km da chegada. Pelo meio uma terceira contagem de 2.ª Cat (km 70) e uma de 1.ª Cat. ao km 90. Muita coisa para que a tirada seja encarada de ânimo leve.

Quantos às equipas portuguesas, tiveram hoje um dia bastante mais discreto, embora Pablo Urtasun (Liberty Seguros) ainda tenha andado numa fuga. De resto, foi o melhor, à chegada, tendo terminado no 6.º posto. O melhor benfiquista foi José António Pecharroman (14.º) e, na geral, Danail Petrov (SL Benfica) mantém-se de pedra e cal no top-10, ocupando agora a 7.ª posição. Quem também está em destaque é o jovem Filipe Cardoso (Liberty Seguros) que, desde o primeiro dia lidera a Intervuelta.

sábado, maio 05, 2007

517.ª etapa


ENTRE A ADMIRAÇÃO E A… INVEJA

“… O Mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos de uma criança.”

A Pedra Filosofal, de António Gedeão, deve ter sido a primeira canção/poema que decorei e nem queria acreditar, já no liceu, que o autor – Rómulo de Carvalho – daquele calhamaço de Física, de capa cartonada, verde, era a mesma pessoa. Quiçá tenha essa sido a primeira manifestação de que iria sempre preferir as Letras às Ciências…

Mas a que propósito vem isto?

O parágrafo anterior… a propósito de nada. Usufruto, apenas, da liberdade de espaço.

A citação que abre este artigo, sim.

Hoje em dia – e é a prova de que se avança de tal forma rápido que as coisas depressa ficam velhas – já se podia saber, poucos minutos depois de terminadas as corridas, os seus resultados na internet. Mas o Mundo não pára. E no seu avanço, a verdade é que o melhor, por melhor nadadores que sejamos, é deixarmos que a onda nos leve.
Hoje é real algo que há se calhar dois ou três anos apenas seria pura ficção e, sentado na minha secretária, usando o mesmo computador no qual escrevo, assisto, em directo, à transmissão televisiva de uma corrida de ciclismo.
Como posso ouvir programas que nenhum receptor de rádio apanha ou ler jornais que ninguém encontrará impressos em papel. O Mundo pula e avança…

Mas não venho aqui falar de tecnologia até porque disso nada percebo.
O leit motif desta crónica tem a ver com outra coisa.

A Volta às Astúrias está a ser transmitida, em directo – e em programas de três horas/dia – por uma das DUAS estações televisivas da Região Autonómica do principado. Para o ciclismo já era bom; o facto de se poder aceder às transmissões, muito para além da fronteira natural da Cordilheira Cantábrica, via satélite, já seria muito bom… agora, ver tudo, em directo, em TODO O MUNDO, via internet, é óptimo porque não há mais superlativos.

E é isto o que eu quero dizer: se o ciclismo em Espanha já nos ia – em relação a Portugal – em fuga irrecuperável, agora só não digo que podemos deixar de pedalar porque, de facto, isso não faria sentido. Pedalaremos, isso sim, com a desconfortável sensação de que jamais recuperaremos. Restam-nos os lugares do fundo da tabela – e muito, muito atrasados – nesta corrida comparada.

E o exemplo das Astúrias nem é virgem. Há meia dúzia, um pouco mais, de semanas atrás, segui diariamente a Volta a Castilla y León, também via internet…

E aqui conjugam-se dois factores que são exemplo da distância que nos separa da vizinha Espanha.

Primeiro, que há televisões regionais; segundo, que, apesar disso – de serem regionais –, uma das primeiras coisas que preocupou os seus responsáveis, sejam lá quem eles forem (políticos ou comerciais), foi a de se apresentarem nas mais modernas plataformas tecnológicas.

E a internet é, por enquanto, aquela que lhes permite chegar a todo o lado.

E tomando o exemplo da RTPA (a diferença que este “A” faz…), a verdade é que, para todos os efeitos, os clicks e, mais do que isso, as horas que milhares de asturianos – e não só, está bom de ver – levam ligados ao seu sítio na internet contam como audiência. E muita audiência significa melhores condições para negociarem contratos de publicidade e mais contratos de publicidade significam melhores condições para melhorarem os seus serviços e quanto melhor for este serviço mais audiência têm…

Perceberam que o círculo se fecha, mas não acaba aqui?

Em Portugal parece-me que estou a assistir a uma cena já vista, há 25 anos atrás. Então, com as rádios piratas. Hoje com as televisões on-line. Pura areia que nos enche os olhos.

Clips colados – mal colados, na maioria das vezes – um round&around que acaba por nos cansar e fazer esquecer o sítio. Eu vejo meia dúzia delas, alguns segundos por mês, quando, aborrecido, resolvo redescobrir a minha listagem de favoritos.

Não são, nem sequer com a melhor das boas vontades, alternativa a nada. E provavelmente nem mais se lhes deve pedir… Só caíram aqui, neste artigo por analogia ao que podemos ver, em relação a Espanha.

Onde eu queria mesmo chegar era aqui:
o Ciclismo, em Espanha, já vinha a ser altamente beneficiado (beneficiado… dizemos nós portugueses, que sempre ficamos sentados a ver e depois invejamos o que os outros fazem a trabalhar) pelos vários governos regionais que, de há uns anos a esta parte vêm a apoiar equipas profissionais – sim, porque nos escalões amador e etariamente mais baixos isso acontece há… décadas! -, e porque, entretanto, apoiam a existência destes canais televisivos que conseguem trazer de volta – passe o pleonasmo – o retorno em relação áquilo que foi investido.

Eu já aqui defendi a criação – e respectivo apoio – de equipas de ciclismo por regiões, mas não me atrevo sequer a sonhar com um sistema parecido ao espanhol.

Avancei com as regiões de turismo, ou associações de municípios, como aglutinadoras de projectos regionais porque, primeiro, não vejo necessidade nenhuma em retalhar o País – Portugal é maior que qualquer das regiões Autonómicas espanholas –; segundo porque com esta gente que temos, e com os exemplos que temos à vista… nem íamos ter tribunais que chegassem para julgar os casos de corrupção dos (ainda mais) políticos activos, nem íamos poder continuar a ter um fim-de-semana descansados porque... seriam eleições semana sim-semana não!

516.ª etapa


CÂNDIDO BARBOSA
GANHA CIRCUITO "ALPENDRE"

Depois de um início de temporada totalmente comprometido devido a uma intervenção cirúrgica a um joelho, Cândido Barbosa reapareceu recentemente em competição e pouco a pouco parece caminhar para uma condição mais próxima do seu melhor, como o parece confirmar a sua vitória em mais uma edição do Circuito Restaurante Alpendre, tradicional competição disputada na região de Tavira, numa extensão de 154 quilómetros.

A prova foi bastante disputada, com algumas tentativas de fuga que acabaram por não singrar, sobretudo por acção da equipa do DUJA-Tavira, a correr em casa, e tudo se resolveu na chegada, com os sprinters a terem uma vez mais a palavra e desta feita Cândido Barbosa foi o mais forte, conquistando o seu primeiro triunfo na presente temporada.

"Marquei o Nuno Marta, pois sabia que ele está num excelente momento de forma", referiu Cândido Barbosa, "e acabei por passá-lo já quase em cima do risco. Foi um excelente regresso, a demonstrar que os problemas com o joelho estão praticamente ultrapassados, o que me deixa particularmente confiante. Apesar de estar com pouca competição, fiz muito quilómetros neste interregno e isso permitiu-me ter uma condição física para poder discutir o triunfo."

José Rodrigues (Vitória-ASC) venceu a montanha e as metas volantes, enquanto a Madeinox-Bric-Loulé se impôs colectivamente. Quanto aos sub-23, o melhor foi o tavirense Henrique Casimiro (Tavira-DUJA), que terminou no 7.º posto.

Classificação final
1.º, Cândido Barbosa (LSE), 3.35.25 horas
2.º, Manuel Cardoso (RIB), m.t.
3.º, Nuno Marta (MAD), m.t.
4.º, Pedro Soeiro (BHL), m.t.
5.º, Nélson Vitorino (DUJ), m.t.
6.º, Marco Cunha (MAD), m.t.
7.º, Henrique Casimiro (TAV) *, m.t.


Daniel Freitas confirmou favoritismo

A categoria de Cadetes disputou no Milharado a primeira prova da Fase Final da respectiva Taça de Portugal, organizada pela Associação de Ciclismo de Lisboa.

71 corredores alinharam para os 60 quilómetros da corrida que foi disputada quase sempre em pelotão compacto, apenas se registando um esticão mais acentuado de Renato Avelar, do Milharado, para se impor na única contagem de montanha.

A selecção de valores seria operada já com a meta quase à vista, na subida dentro da zona industrial da Charneca, e Daniel Freitas confirmou o seu papel de valor de referência nesta categoria, voltando a impor-se em mais uma corrida, batendo agora ao sprint Vitor Lopes, que já tinha sido segunda na fase de qualificação.

Classificação final
1.º, Daniel Freitas (ADR), 1.44.01 horas
2.º, Vitor Lopes (MAF), m.t.
3.º, Fábio Costa (CAN), a 3 s
4.º, Leonel Coutinho (SPB), m.t.
5.º, Hélder Ferreira (PED), a 5 s

Texto Vivex/Fernando Petronilho

515.ª etapa


CICLISMO É ESPECTÁCULO PURO.
NÃO VIRAM HOJE?

Deixem-me soltar o meu eu de adepto: Não há grandes corridas – ou aspirantes a isso – sem grandes etapas. E hoje pude ver uma grande etapa e, até porque conheço a corrida, de outras voltas, digo: a Volta às Astúrias é uma grande prova.

Não acredito que ninguém que tenha podido assistir à etapa de hoje tenha ficado indiferente. O ciclismo pode ser, É!, um grande espectáculo. Até televisivo.

E o meu eu de adepto não pede licença para se exprimir só porque largas fatias da etapa tiveram o especial sabor a Portugal. Também é por isso, mas tivessem sido outros os protagonistas e sentiria o mesmo.

Comecei a ver a reportagem com o Hernâni Brôco (Liberty Seguros) em destaque. Liderava a etapa, depois de ter sido segundo na primeira meta volante do dia e de ter ganho a Intervuelta. E venceu a primeira montanha do dia (de 1.ª categoria). Tinha – ou teve durante largo espaço – a companhia de Julián Sanchez (Relax) que, curiosamente, se manteria na frente depois de Brôco ter abdicado para passar a ter a companhia de outro português. Nada mais, nada menos que… José Azevedo (Benfica).

Mas, a meio tempo, ainda houve… tempo (!) para ver Rui Sousa (Liberty Seguros) a tentar também a sua sorte. A verdade é que ambas as equipas lusas se mostraram. Se mostraram numa etapa espectacular e que, quem a pode seguir não esquecerá tão depressa.

O Hernâni teria, no final, honras de pódio, por ter ganho a Intervuelta e porque foi considerado como o Corredor mais Combativo do dia. O prémio de José Azevedo creio que, e apesar de tudo, foi mais significativo ainda, mostrou que o chefe-de-fila dos lisboetas – que nitidamente se adiantou para se experimentar (o resultado foi positivo) –, apesar da inesperada paragem, está aí para as curvas. Assumiu, quase sempre, as despesas da fuga, talvez porque a subir é mais forte que Fernandez e evidentemente porque, naquela descida meio louca é preferível rolar na frente, preocupando-se apenas com a estrada, do que ir na roda tendo de manter vigilância constante sobre o homem que vai na frente. E, ao contrário que os comentadores da RTPA – ambos corredores profissionais, o Carlos Barredo (Quick Step) e o Samuel Sanchez (Euskaltel) – disseram por mais do que uma vez, o Zé é muito bom a descer.

No que ambos têm razão é que, para se descer bem convém conhecer muito bem a estrada, mas aí, e tirando alguns corredores asturianos, o desconhecimento da descida seria generalizado. E o Zé não desceu mal. Antes pelo contrário.

Tanto que, se ao coroarem a meta de montanha os fugitivos levavam pouco mais de um minuto e dez segundos de vantagem, no final da descida o avanço superava o minuto e meio. Também é verdade que a descer se desce melhor em pequenos grupos que em pelotão.

José Azevedo ainda ganhou a segunda meta volante do dia, na cidade de Cangas de Narcea, mas nessa altura já o primeiro dos grupos em que o grande pelotão se fragmentou trazia os fugitivos à vista. E, mais uma característica desta montanha do Acebo, a subida final – com cerca de dez quilómetros – inicia-se ainda dentro da malha urbana da cidade.

A partir daqui há outra história para contar. Com os principais favoritos a marcarem-se em cima e com a Saunier Duval e a Relax-GAM em completa guerra aberta, se a formação de Fuenlabrada jogara aberto, lançando Julián Sanchez – o que dispensava a equipa de fazer qualquer perseguição – a de Torrelavega teve noutro jovem, Alberto Fernandez um trunfo inesperado. Sendo que, como o provou, Koldo Gil está mais forte que Oscar Sevilla. Ou gastou menos pólvora em tiros em seco que o manchego que desde a subida Al Naranco tem insistido em mostrar-se. Mostrou-se demais e pagou hoje a factura.

Para fechar com chave de ouro, esta etapa proporcionou-nos ainda a possibilidade de testemunhar o quão diferente é esta modalidade. Mesmo – ou principalmente? – no aspecto humano.

Com Sevilla atascado lá atrás e sentindo-se com forças suficientes para o abater de vez, Koldo Gil, que esticou, esticou, esticou até… partir, alcançou o seu jovem companheiro na frente da corrida, puxou por ele, falou-lhe – a incentivá-lo, com certeza – e levou-o nos braços até à meta, dando-lhe a primeira vitória enquanto profissional. Dirão os menos emotivos… pois, mas já tinha a camisola amarela garantida! Pois tinha, mas que foi lá acima ajudar o companheiro, isso foi.
...
Só um post-scriptum...
... lembram-se daquele completo desconhecido que ganhou o Prémio da Montanha na última Volta ao Alentejo? John-Lee Augustyn (Barloworld)? Pois é, foi o terceiro, hoje, no alto del Acebo. E tem 20 anos. Faz 21 no próximo dia 10 de Agosto..

quinta-feira, maio 03, 2007

514.ª etapa


VOLTA ÀS ASTÚRIAS
BOM ARRANQUE DOS PORTUGUESES

Não correu nada mal aos portugueses, antes pelo contrário, a primeira etapa da 51.ª edição da Volta às Astúrias. A Liberty Seguros esteve mesmo em destaque ao fazer terceiro lugar na etapa – com Pablo Urtasun – e metendo sete dos seus oito corredores nos primeiros… 41 (num pelotão de 139). Mais, os comandados de Américo Silva mereceram rasgados elogios ao longo de toda a tirada, na RTPA, e não foram elogios de favor.

Na grande fuga do dia, com 28 elementos, a Liberty tinha… metade da equipa (Nuno Ribeiro, António Jesus, Jordi Grau e Pablo Urtasun).

O Benfica metia nessa fuga os seus dois ases: Danail Petrov e José Azevedo.

Entretanto, e ainda antes desta incidência, já a equipa de Vítor Paulo Branco tinha garantido um lugar no pódio com o jovem Filipe Cardoso a ser o primeiro na meta Intervuelta (*). Depois viria a conseguir o terceiro lugar na etapa, com o navarro Pablo Urtasun que, para meu espanto – e tenho de admitir que é um erro nas classificações disponíveis na internet – aparece como segundo na classificação por Pontos (regularidade). Não pode.

Ou então somou pontos em alguma das duas metas volantes, o que não consta dos mesmos resultados disponíveis na internet.

António Jesus, ao ser o segundo a passar na primeira contagem para o prémio da Montanha do dia, é o terceiro na respectiva classificação geral e a Liberty Seguros é a terceira posicionada na geral colectiva.

A tudo isto, e como referi, a juntar à publicidade feita ao longo da transmissão, Filipe Cardoso teve honras de entrevista em directo na RTPA.
Está, pois, de parabéns, a formação da Charneca do Milharado.

Quanto ao Benfica, também esteve muito bem. Adivinhando que a coisa – leia-se: a etapa – podia já dar cortes significativos, Orlando Rodrigues meteu os seus dois principais homens na frente e, tanto Danail Petrov – 5.º na meta – como José Azevedo, que só perdeu cinco segundos para os primeiros continuam na corrida.

A etapa de amanhã, a cumprir entre Llanes e Avilés é nitidamente mais fácil e só uma equipa, a Relax-GAM – a do vencedor da etapa de hoje e camisola amarela, Angel Vicioso – vai sentir verdadeiros problemas. Para a controlar, claro. Porque está ainda tudo em aberto.

(*) – Deu-me para fazer esta àparte pela analogia entre esta Intervuelta e o institucionalizado Intergiro, na Volta a Itália. Não tem – pelo que vejo – nada a ver. O Intergiro, que ao longo de cada uma das etapas parece não ser mais do que outra uma meta volante, soma diariamente o tempo real de passagem de cada corredor dando, dia a dia, uma ideia do que seria a classificação geral individual se a etapa tivesse acabado… sensivelmente a meio.
Aqui não, é mesmo mais um Sprint Especial… com 3, 2 e 1 pontos atribuídos aos três primeiros a passar. Achei que seria curiosa esta comparação.
...
Só uma pequena curiosidade/brincadeira. Ele há-de desculpar-me... O Filipe Cardoso esteve tão bem no seu portunhol que até puseram a bandeirinha de Espanha antes do seu nome, no oráculo que apareceu no écran...

Nota à parte (com pedido de desculpas)

Começo por pedir desculpa aos meus habituais leitores, concerteza desportistas e que nada têm a ver com este assunto, mas como o meu "AlôVidiguêra" está ainda hibernado... vai mesmo aqui.

Leio hoje duas notícias em jornais diferentes.
No Record, na página que dedica à informação geral - repescada ao que o seu irmão Correio da Manhã escreve - leio: "... o Ministério das Finanças divulgou que em 2006, só em impostos, a venda de tabaco no nosso país rendeu ao Estado mais de 1,4 mil milhões de euros (280 milhões de contos)... receita seis vezes superior à contabilizada em 2001 - na altura, o montante recebido foi de 213,4 milhões de euros (cerca de 43 milhões de contos).../... Para este ano, o Orçamento de Estado prevê uma nova subida de receita do IT [Imposto sobre o Tabaco] de cerca de 7 por cento."

A manchete do Diário de Notícias diz: "Multas do tabaco duas vezes mais caras que as da droga" e no texto respectivo, avança: "... de acordo com a nova lei do tabaco ontem discutida no Parlamento [as multas] são o dobro daquelas que estão definidas para os consumidores de drogas. Ser apanhado em falta com um cigarro custará entre 50 e mil euros, enquanto consumir drogas apenas resulta numa coima entre os 25 e os 403 euros, que pode ser substituída por tratamento de desabituação."

Vou mudar para as drogas!
A multa sai mais em conta e, ao mesmo tempo, páro de ajudar o Estado que enche os cofres com o meu dinheiro.

513.ª etapa


AH!, POIS É...

Há apenas alguns dias atrás - 384.ª etapa - escrevi, aqui no VeloLuso, o seguinte (extrato):

É evidente que a Operação Puerto deixou todos de pé atrás mas… se ela não teve consequência alguma, em termos desportivos, se a esmagadora maioria [referia-me aos patrocinadoes] continuou a investir no Ciclismo, como é que encararão o acto discriminatório em relação a alguns corredores que a organização do Tour ameaça levar a cabo?

E, um pouco mais abaixo, na cadeia lógica da organização das equipas, que farão os directores-desportivos? Abdicam de corredores que seriam, à partida, indispensáveis nas suas estratégias? Ou levam-nos a França, apesar de tudo?
E essa coisa, meio esquecida – ignorada mesmo – que, no Direito Europeu consagra o direito ao trabalho de qualquer trabalhador?

E os Corredores não são, não podem ser, excepção.

Arriscará a organização do Tour sair com a corrida para a estrada tendo de enfrentar uma provável providência cautelar pedida pelos vetados e levantada por qualquer tribunal?

Na sua edição de hoje, o diário espanhol El Mundo (www.elmundo.es) traz uma entrevista com o senhor Patrick McQuaid .

Transcrevo-a a seguir.

PAT MCQUAID, PRESIDENTE DE LA UCI
'Legalmente no podemos impedir ir al Tour'
a los implicados en la 'operación Puerto'
EUROPA PRESS

COPENHAGUE - El presidente de la UCI, Pat McQuaid, considera que el organismo no podrá evitar que los ciclistas implicados en la 'Operación Puerto' puedan competir en el Tour de Francia de este año, ya que, si se hace público un informe de 6.000 páginas no tendrían tiempo de estudiarlo.
McQuaid cree que el informe saldrá pronto, pero que necesitarían todo el año para saber qué corredores deberían ser sancionados. "No hay forma de que tengamos ojos para estudiar estas 6.000 páginas y determinar quién es culpable y quién está involucrado de una u otra forma", explicó en Copenhague.
"No hay forma de que podamos acabarlo antes de final de año. Hay temas prácticos que lo hacen complicado, incluso con los mejores deseos del mundo", añadió. Los organizadores del Tour de Francia y de otras grandes carreras han estado presionando para averiguar qué ciclistas están implicados y McQuaid ha pedido al Gobierno español que les ayuden a identificarlos.
El diario italiano 'Gazzetta dello Sport' anunciaba ayer a otros 49 corredores implicados, pero el presidente de la UCI recalcó que ignora sus nombres, ya que no ha visto los informes. "No sabemos qué hay ahí, no sabemos si hay 49 nombres, o hay forma de saberlo hasta que el juez español decida".
Las opciones de que la información sea procesada antes del comienzo del Tour el 7 de julio son pocas, aunque quizá sería posible "poniendo a un equipo de abogados en ello". Además, cuestionado sobre si la 'Operación Puerto' dificultaría el Tour de este año, contestó que "sí". "Legalmente no podemos pararles, los ciclistas pueden correr, pero moralmente coincido con el Tour y creo que sería mejor que los implicados no estén", destacó.

Ah!, pois é...

512.ª etapa


NÃO CUSTA NADA, FUNCIONA
E AINDA POR CIMA ESTÁ BEM FEITO

Já por meia dúzia de vezes pensei em referir-me aqui a esta situação mas, por um motivo ou por outro, só agora materializo essa intenção.

Regularmente, sempre antes de cada uma das provas, a equipa do Gaia Clube de Ciclismo que corre com o nome de Barbot-Halcon faz chegar aos jornalistas - eu recebo sempre e não acredito que mereça nenhum tipo de exclusividade - um curto mas preciso comunicado onde resume a corrida e avança com o nome dos corredores escolhidos pela equipa técnica. Preciosa ajuda, mesmo que nos jornais (naconais) falte espaço e que, sem ser nos jornais, esta informação provavelmente nem seja aproveitada.

Mas mais, e é esta parte que me motivou a escrever este pequeno artigo. Nesse mesmo comunicado é indicada, ou são indicadas a(s) unidade(s) hoteleira(s) onde a equipa vai ficar alojada ao longo da prova em causa, com números de telefone e fax.

Falta-nos uma publicação especializada em ciclismo que poderia fazer uso desta informação para, fora das horas de "ponta" - as partidas e chegadas das etapas - poderem fazer interessantes reportagens. Mas, apesar de saberem disso, os responsáveis da GCC, terminam sempre os comunicados com um convite. Cito: "... local onde nos poderá agraciar com a sua presença".

Em termos de relações públicas está perfeito. Mas serve também para quem lá possa ir para trabalhar. Sem querer dizer que não se é bem recebido por outras equipas - a mim nunca me aconteceu - quando há a necessidade de acorrer aos locais onde estão temporariamente alojadas, o GCC vai mais longe, convida-nos a ir visitá-los e esclarece que seremos (falando sob a perspectiva de jornalista) bem vindos.

Parabéns ao presidente Manuel Pinto e ao director-desportivo Carlos Pereira, extensível aos seus colaboradores.

Recupero o título deste texto. Não custa nada, funciona e, ainda por cima, está bem feito.
Um abraço.

quarta-feira, maio 02, 2007

511.ª etapa


QUE ESQUISITOS, ESTES JORNALISTAS!...
PORQUE É QUE NÃO FICAM EM CASA?

Claro que é irónico o título deste artigo. Tem a ver com a última informação que recebi, hoje, da parte da Associação Internacional e Jornalistas de Ciclismo (AIJC) - é verdade, eles existem... - e que me reporta as conclusões de uma reunião que uma sua delegação teve com a ASO, organizadora do Tour de França.

Só dois exemplos: primeiro, uma vez que se situa dentro da área que vai estar fechada a TODO o trânsito automóvel, foi rejeitado pela AIJC um local designado para albergar a Sala de Imprensa no final de uma das etapas porque fica a mais de 350 metros da zona chegada.

Dirão os do costume... 350 metros? Mas os jornalistas não podem andar 700 metros a pé?

Os jornalistas estão a trabalhar, fazem parte do todo da estrutura do Tour e, como todos os outros, têm o direito às melhores condições possíveis para a feitura do seu trabalho. E como, quase de certeza, nem os senhores comissários, nem os corredores, nem ninguém mais teria que fazer os mesmos 700 metros a pé (a correr, provavelmente porque o tempo urge, e sob o calor de Julho) a AIJC vetou aquele local para Sala de Imprensa.

Querem apostar como a ASO vai resolver o problema?

O segundo exemplo: foram vetados mais dois locais previamente apontados como Sala de Imprensa porque... não dispõem de espaço suficiente para aparcamento das viaturas dos jornalistas.

E lá volto eu a bater na mesma tecla...

Como, e principalmente na Volta a Portugal, dois terços da caravana de "jornalistas" são de veraneantes, nem sequer com as qualificações mínimas para o exercício da nossa profissão... (a Alta Autoridade para a Comunicação Social prometeu por termo a isto; o CNID chegou a reconhecer não ter - e não tem - autoridade para certificar profissionalmente seja quem for como jornalista mas, entretanto, recuou pois os acordos que tem com algumas entidades desportivas devem ir mais além do que apenas a aceitação dos "jornalistas" que só têm aquele cartão para apresentarem) que força temos nós, os profissionais, para impôr à organização que respeite aquilo que seriam as condições mínimas para o desempenho do nosso trabalho?

Mas o facto de se ter conseguido sensibilizar a AACS foi um passo em frente.

Como é, pelos regulamentos da UCI, obrigatório ouvir o delegado da AIJC... espero, agora, que a JLSports/PAD não ignore isso. Não é a empresa que é contratada para tratar das Salas de Imprensa e Apoio aos Jornalistas que é a responsável, é a Organização, logo... a JLSports/PAD!...

É que, se é verdade indismentível que somos obrigados a repartir espaço com "jornalistas" sazonais... NÓS fazemos parte do evento. E como todos os outros elementos a ele ligados, não temos apenas obrigações, temos também direitos.

510.ª etapa


MEMÓRIAS VOLTA ÀS ASTÚRIAS – III
TENHO SAUDADES…


E pronto… como a edição das entradas é feita ao contrário, este que devia ser o último comentário é aquele que estão a ler primeiro.

Tenho saudades das Astúrias. Entre a corrida local e as seis vueltas que já fiz, estive mais de dez vezes nesta Região Autonómica de Espanha, que é, pois, a que conheço melhor. E gosto de tudo.

E, falando de memórias, não esqueço que foi ali, nas Astúrias, que assisti à primeira vitória de um corredor de uma equipa portuguesa numa etapa da Vuelta. Foi em 2000, quando Andrei Zintchenko venceu nos Lagos de Covadonga.

Como não sou capaz de por legendas nas fotos, explico-as aqui.
Neste artigo podem ver o Bruno Castanheira e o Pedro Lopes, então, como hoje, companheiros de equipa. Então na LA-Pecol-Alpiarça, hoje no Benfica; o Pedro Lopes a alguns anos de distância já equipado de… vermelho! (venceu a classificação da Regularidade, nesse ano); o Paulo Silva, na então Porta da Ravessa-Milaneza e o Fernando Emílio com um amigo comum, o José Enrique Cima, contemporâneo (chegou a ser seu colega de equipa) do nosso Joaquim Agostinho, hoje respeitado jornalista do diário de Oviedo La Nueva España.

Para o Fernando, que está nas Astúrias: se abrires esta página, dá um abraço meu ao Enrique Cima…
E há um outro José Enrique Cima no pelotão desta Volta às Astúrias. É o dorsal 98 e corre com as cores da Selecção de esperanças de Espanha. Será filho do Enrique? Vê lá isso Fernando...

509.ª etapa


MEMÓRIAS DAS ASTÚRIAS – II
DE PEDRO SILVA A DAVID BERNABÉU


Curiosamente, a memória mais antiga que tenho das Astúrias, da Volta às Astúrias, não a presenciei e não consigo dar-lhe uma data. Talvez algum dos amigos o saiba e mo possa dizer.

Eu estava ainda n’A CAPITAL e, num fim de tarde, buscando entre os velhinhos papeis de telex fui dar com uma notícia estrondosa. Para a altura. Pedro Silva, então na Recer-Boavista, tinha ganho uma etapa na Volta às Astúrias batendo, no sprint final um senhor chamado Laurent Jalabert. É verdade.

Depois, e felizmente, tive oportunidade de assistir, presencialmente, a várias outras. Do Andrei Zintchenko, na bonita avenida junto ao porto de Gijón; do Pedro Lopes, em Avilés e em Oviedo… Não pude foi ver o triunfo de Fabian Jeker, no alto del Acebo, quando, pela primeira e única vez até hoje, uma equipa portuguesa, no caso, a Maia-Milaneza, venceu a prova. Nesse ano não fui.

Mas assisti à tremenda escalada feita por David Bernabéu, ainda ele estava na Carvalhelhos-Boavista, numa subida discutida ao palmo com Leonardo Piepoli, Oscar Sevilla e Joseba Beloki. Bernabéu foi segundo.
Grande etapa fez o David Bernabéu nessa tarde

Nesse ano, só estávamos nas Astúrias A BOLA e a Rádio Nacional, o Fernando Emílio desencantou, sabe-se lá como, quase hora e meia de directo, a partir do alto del Acebo. Hora e meia a falar e a relatar as contingências da etapa até que acabei promovido a comentador, só para que, enquanto eu dizia meia dúzia de frases feitas – não tenho muito jeito ara falar, por isso gosto tanto de escrever – ele pudesse respirar e beber um gole de água. Estava uma tarde de Verão, naquele autêntico descampado a 1200 metros de altitude. Mas atenção que há várias rampas de 12% e, já no último quilómetro chega a haver uma pendente de 14,2% e a 200 metros da chegada ainda é preciso vencer uma inclinação de 11,4%. Uma das médias montanhas – chamemos-lhe assim – mais duras que conheço. Ao nível de uma Serra da Estrela, na zona logo a seguir à Covilhã.

508.ª etapa



MEMÓRIAS DAS ASTÚRIAS - I

A EXPLOSÃO DO ZÉ AZEVEDO

Tinha prometido que aqui viria partilhar algumas das minhas memórias ligadas à Volta às Astúrias, pois bem, vamos a isso.

Foi a primeira de muitas provas no estrangeiro, que depois somei ao serviço d’A BOLA (já tinha, contudo, coberto a Vuelta de 1997, mas ainda pel’A CAPITAL) e foi também a corrida no estrangeiro que juntou o maior contingente de jornalistas portugueses a acompanhá-la.
Com a excepção dessa Vuelta de 97 que começou em Lisboa com quase todos os OCS portugueses mas que, depois da etapa que terminou em Huelva, ficaram reduzidos aos três desportivos, o Correio da Manhã, A CAPITAL, o JN e a Rádio Comercial.

Na Volta às Astúrias de 2000 estiveram os três desportivos – eu pl’A BOLA, o Nuno Pombo (Record), o João Araújo (O Jogo), o Guita Júnior (Correio da Manhã) e o Fernando Emílio (Rádio Nacional). Também havia quatro equipas portuguesas no pelotão, o Benfica, a Maia, a LA-Pecol e a Porta da Ravessa.

E a primeira e mais forte das minhas memórias asturianas tem data: 12 de Maio de 2000.

Era a 4.ª etapa, que saíra de Gijón para estrear uma nova subida, o alto del Viso, a cerca de 5 km de uma pequena vila chamada Salas.
Não foi descrença nossa, mas porque a subida foi restringida, dado não haver condições lá no alto para albergar as viaturas de todos os acompanhantes, deixámos que os colegas espanhóis decidissem entre eles quem é que subia. Não nos metemos na “guerra” e, juntamente com os (ainda alguns… mais do que nós os cinco) jornalistas espanhóis preparámo-nos para assistir ao final da etapa a partir da Sala de Imprensa que estava instalada num velho edifício recuperado, edifício de pedra com paredes de meio metro de espessura onde não entrava o mínimo pingo de rede que alimentasse os telemóveis. E ficava a pouco menos de 300 metros do ponto onde, abandonando a estrada principal, os corredores viravam à direita, passavam uma ponte antiga, estreitíssima e… ali se iniciava a subida que terá um pendente médio de 8%, com muitos pontos a 10%, a 3,5 km da meta uma rampa de 11,6% mas cujo ponto vital estava no último gancho que antecedia o pano dos 4 km para a meta: 18,8% de inclinação. Claro que posso, agora e passados todos estes anos, ser tão preciso porque guardo religiosamente o livro oficial da corrida!

Lembro perfeitamente é que os rádios a pilhas que alguns de nós levávamos não apanhava nenhuma estação que nos falasse da prova e foi, surpreendidos, agradavelmente surpreendidos, que vimos na frente, ligeiramente à frente do pelotão já muito alongado, o nosso Zé Azevedo. Foi ele o primeiro a entrar na subida, mas até isso era um mau sinal… resistiria até onde, aos ataques que se esperavam?

Em passo de corrida voltámos à Sala de Imprensa para seguir os últimos quilómetros pela televisão e ficámos suspensos, os cinco, de olhos pregados no écran, testemunhando uma das mais bonitas vitórias do Zé, e, porque não dizê-lo? do nosso ciclismo. Os espanhóis, que sempre se estiveram a rir da nossa ansiedade, impossível de esconder, tiveram que se calar ao grito dos cinco, em uníssono. Um grito que o Zé não pode ouvir mas terá sentido.

Depois de terminada a etapa o Manel Zeferino trouxe o Zé até junto a nós e foi num pequeno espaço, tipo parque infantil, que ele falou aos jornalistas portugueses e não só, porque, de repente, os espanhóis acabavam de o descobrir.
No final dessa época o Zé transferiu-se para a ONCE. Já o escrevi mais de uma vez mas insisto. Aquela vitória, naquela etapa – ah!, e o Zé vestiu a camisola amarela, que perderia no dia seguinte na alto del Acebo, para Joseba Beloki – marca a maioridade do Zé Azevedo, enquanto ciclista e abriu-lhe, em definitivo, as portas para os sucessos que posteriormente conseguiu.

507.ª etapa


VENHA DE LÁ ENTÃO A VOLTA ÀS ASTÚRIAS!...

Continuando a respeitar os mesmos parâmetros que usei no artigo anterior… a prestação dos portugueses não foi… nem boa, nem má.

Por favor, leiam-me sempre portugueses como os corredores que representam equipas nacionais. E isto faz-me lembrar que, há aqui uns anos, um colega da concorrência – leia-se de A BOLA – numa cobertura da Volta a Espanha, e instruído para dar destaque aos portugueses, ao fim do 4.º dia de prova desabafava comigo: “Mas se já falei com TODOS os portugueses…”.

A Maia tinha nove corredores mas o rapaz levou à letra aquilo dos tugas!... –

Claro que é de destacar o lugar entre os dez primeiros de Danail Petrov… Claro que é de destacar o 3.º lugar por equipas da Liberty Seguros… Mas nestas provas de um dia… só conta quem ganha.

Eu ontem, quando falei da Subida del Naranco estive para escrever isto mesmo mas, pesadas as eventuais consequências… levantei o dedo.

Não mudei – não mudarei – de opinião em relação a esta corrida que, insisto, é das mais bonitas provas de um dia que conheço.
As Astúrias são uma região linda de se ver.

Mas tentem seguir o meu raciocínio: o que está em jogo é mesmo uma prova de cinco dias que começa amanhã. Repararam, os que viram a transmissão televisiva, que no primeiro quarto da corrida três atletas foram vítimas de quedas mais ou menos feias?

Pois é… Ou se ganha, pelo seguro, uma posição que possa permitir discutir a vitória – e, tanto o Benfica como a Liberty Seguros conseguiram pôr homens bem perto da frente – ou, a partir de dada altura, o mais aconselhável é levantar o pé e garantir, antes de mais, que não se corram riscos desnecessários.

Mas pronto, e porque hoje não tive, de facto, muito tempo para aqui me estender neste sempre enriquecedor exercício da escrita – preciso manter-me em forma que o regresso está próximo – na verdade parece-me que não há muito mais a dizer.

Seis dos portugueses que chegaram ao fim fizeram-no entre os 25 primeiros. Excelente! Venha a Volta às Astúrias.

Ah!... Vai chover de certeza.
Lembro-me de um ano em que lá estive que, no final da etapa, a alcadesa de Gijón fez questão de notar que nas Astúrias só chove duas vezes por ano.
Uma da parte da manhã… outra da parte da tarde.
Todos os dias.

terça-feira, maio 01, 2007

506.ª etapa


JOSÉ MARTINS (VITÓRIA-ASC) REI
DA MONTANHA NA VOLTA À BRETANHA

Sejamos pragmáticos… não fora a envolvente em que acabou por cair, e a prestação da Vitória-ASC, na Volta à Bretanha não teria sido… nem boa, nem má.

É preciso conhecer-se como se corre nestas provas “open” francesas para se poder ajuizar em consciência. Pergunte-se aos responsáveis do Tavira – e no Boavista também hão-de estar ainda recordados – o quão singulares são estas corridas. Ainda mais para as equipas convidadas, pouco ou nada habituadas à forma como as formações francesas – elite (não-profisionais), é verdade – se degladiam, triturando tudo o que seja corrida tactica.

Já sei o que os “puristas” estão a pensar…
… mas ganhou uma equipa Continental UCI.
Pois ganhou.
E se não sabiam a diferença que há, a nível europeu, entre o que são equipas Continentais (como a Rabobank.3) e aquilo que nós “adaptámos” como “situação”… então não percebem nada de ciclismo.

Mas nem é aí que situo a “malapata” da Vitória-ASC.
A verdade é que os comandados de José Augusto Silva tiveram o “azar” de estarem, lá fora, a competir ao mesmo tempo que, noutra latitude, o ciclismo português “esmagou” – vá lá, mas a mim não me serve de compensação, em relação, por exemplo, à Volta ao Alentejo! – os espanhóis na Volta à Extremadura.

De qualquer modo, os vitorianos conseguiram – sempre com Pedro Costa – chegar várias vezes no grupo da frente e hoje mesmo o Pedro foi 5.º na etapa, com Micael Isidoro (8.º) a terminar também no top-10.

No entanto (e para além do facto de terem podido rodar e ganhar experiência internacional) o que há a destacar desta participação da Vitória-ASC na corrida gaulesa foi que – depois de lá ter andado perto, depois de ter perdido terreno e ter conseguido recuperar – José Martins terminou como Rei da Montanha.

É pouco? No enquadramento marcado pela Volta à Extremadura até pode parecer que sim, mas não deixa de ser um triunfo de um corredor português numa prova além fronteiras.
Parabéns, pois, ao Pedro Costa (por ter sido o mais regular) e ao José Martins por ter “alindado” o seu palmarés com esta vitória no prémio da Montanha da Volta à Bretanha.

505.ª etapa


FÁBIO BENTO (FONOTEL-LOURINHANENSE)
VENCEU TAÇA DE PORTUGAL EM SUB-23


Fábio Bento, da Fonotel-Lourinhanense, foi o vencedor da Taça de Portugal de Sub-23, impondo-se na final hoje realizada, em setúbal, numa organização da associação de ciclismo local.

Para a prova, com partida e chegada à cidade do Sado, na distância de 134,2 quilómetros, alinharam 83 corredores em representação de 12 equipas.
Como se previa, as duas subidas à Serra da Arrábida acabaram por provocar uma natural selecção de valores, menos significativa quando da primeira passagem, uma vez que ainda houve possibilidade de muitos corredores recolarem, mas o mesmo já não aconteceu em relação à segunda, com o pelotão a fragmentar-se e a não permitir o seu reagrupamento até à chegada.

Em evidência esteve a equipa da Fonotel, que meteu dois corredores seus na tentativa que acabaria por singrar e que permitiu a Fábio Bento vencer a Taça de Portugal de 2007. Na segunda posição terminou César Fontes (SM Feira), enquanto o colega de equipa do vencedor, David Sarreira, fechou o pódio.
O pelotão viria alguns segundos depois, comandado por Edgar Pinto, do Benfica.


Classificação final
1.º, Fábio Bento (Fonotel-Lourinhanense), 3.34.16 horas
2.º, César Fonte (SM Feira-E. Leclerc-Moreira Congelados), a 2 s
3.º, David Sarreira (Fonotel-Lourinhanense), a 3 s
4.º, Edgar Pinto (SL Benfica), a 13 s
5.º, Mário Figueiredo (Sintra-Viv. Vitor Lourenço), m.t.
6.º, Bruno Pinto (Sintra-Viv. Vitor Lourenço), a 14 s
7.º, Carlos Sabido (Casactiva-Q. Arcas-Madeilongo), m.t.
8.º, Sérgio Ruas (Crédito Agrícola-Pombal), m.t.
9.º, José Mendes (SL Benfica), a 15 s
10.º, Luís Romão (Fonotel-Lourinhanense), a 16 s

504.ª etapa


TAÇA DAS NAÇÕES SUB-23
RUI COSTA VENCE GIRO DELLE REGIONI
(Portugal subiu ao 2.º lugar)


Depois de Vítor Rodrigues se ter imposto na primeira prova da Taça das Nações (categoria de sub-23), corrida em Felgueiras, foi agora a vez de Portugal inscrever pela segunda vez um corredor seu no palmarés da competição, com Rui Costa a conseguir um brilhante e sofrido triunfo na 32.ª edição do Giro delle Regioni, que hoje se concluiu em Itália, cumprida que foi a derradeira etapa corrida em Artena, numa distância de 130,5 quilómetros, em nove voltas a um circuito de 14,5 km.

"Uma etapa complicada, para a qual parti algo nervoso, pois senti o peso da responsabilidade. Mas acabou por correr tudo bem, sobretudo depois de anulada uma fuga que fez perigar a minha posição. E quando entrei nos últimos cinco quilómetros percebi que o triunfo já não me escapava", confessou no final um radiante Rui Costa.

E o corredor do Benfica acrescentou: "A etapa decisiva acabou por ser a de ontem, que me permitiu chegar à liderança, tendo partido para ela com essa firme intenção. Trata-se de uma vitória muito importante, pois tive um difícil início de temporada, com algumas lesões, e agora recuperei a confiança."

Para José Poeira, seleccionador nacional, trata-se de "um triunfo de grande importância para o ciclismo português, pois foi obtido numa prova de referência para esta categoria e demonstra que, entre nós, existem valores que nada ficam a dever aos mais conceituados atletas estrangeiros em sub-23, fazendo aumentar o nosso prestígio internacional."

Para além de Rui Costa, também Vítor Rodrigues e Márcio Barbosa concluíram a prova, enquanto António Amorim e Cláudio Apolo desistiram depois de terem controlado grande parte da etapa de hoje.

Classificação da última etapa
1.º, Bem Swift (G.B.), 3.13.48 horas
2.º, Simone Ponzi (Ita), m.t.
3.º, Vitaliy Buts (Ucr), m.t.
27.º, Rui Costa (PT/SLB), m.t.
70.º, Vítor Rodrigues (PT/LSE), a 1.07 m
102.º, Márcio Barbosa (PT/SLB), a 9.58 m
Classificação Geral Individual Final
1.º, Rui Costa (PT/SLB), 22.52.21 horas
2.º, Dennis van Winden (Hol), a 3 s
3.º, Gasper Svab (Esl), m.t.
47.º, Vítor Rodrigues (PT/LSE), a 9.42 m
106.º, Márcio Barbosa (PT/SLB), a 41.56 m
Classificação (actual) da Taça das Nações
1.ª, Eslovénia, 89 pontos
2.º, Portugal, 67
3.ª, França, 64
4.ª, Dinamarca, 55
5.ª, Federação Russa, 33
Serviço Vivex/FP
(Obrigado, Fernando)
...
NOTA: Para quem, por deficiência - ou ignorância pura, que seria ainda pior - só pensa em futebulês... esta vitória do Rui Costa é exactamente equivalente ao triunfo da nossa selecção de futebol, em esperanças... e Rui Costa (o sacana até tem nome de futebolista!) é o João Moutinho das duas rodas...
(eu já imagino o espaço que isto vai ter amanhã nos jornais...)