segunda-feira, julho 09, 2007

645.ª etapa


APRESENTAÇÃO DA VOLTA A PORTUGAL

É hoje a apresentação da póxima edição da Volta a Portugal e, antes de tudo, quero agradecer à Organização o simpático convite que me enviaram. Não vou poder estar. Ninguém tem mais pena do que eu...

Uma vez mais, o traçado agrada-me. O Joaquim Gomes tem vindo a tentar desenhar percursos que possam agradar à maioria - porque nunca se pode agradar a todos - e, uma vez mais, ficou muito perto da perfeição.

O regresso da chegada à Torre aplaudo-o a mãos ambas, e há aquela surpresazinha da chegada a Santo Tirso que não será bem na cidade, mas que nos vai oferecer uma chegada nova e, pelo que jé li, uma chegada nada fácil.

Vai levar ao fraccionamento do pelotão mas se este, como é mais do que previsível, chegar mais ou menos junto ao início da subida final, as diferenças entre os principais candidatos serão mínimas.

Segundo o sítio Ciclismo Digital, são estas as etapas, aliás... são mesmo estas as etapas, uma vez que a própria organização já o confirmou em anúncio de página inteira que saiu num dos "desportivos" de Lisboa, integrada num destacável da responsabilidade da João Lagos Sports.

Havia, no início, uma dúvida. Seria o prólogo um crono colectivo ou individual? Dúvida académica e facilmente desfeita com a leitura dos regulamentos.

O Prólogo TEM de ser um crono individual. Mas a leitura dos regulamentos parece-me ter vindo a ser bastante... ampla, até porque eu já assisti, presencialmente, a prólogos da Vuelta que foram... cronos colectivos.

Outros zumbidos que se fizeram sentir avançaram com a possibilidade de ser um crono individual, sim, mas por séries. Um zig-zag que - outra vez - contorna o regulamento, uma vez que não está previsto. Mas também não o exclui. Mas é justificável se o perímetro não der para ter todos os concorrentes na estrada dentro do limite máximo de tempo previsto (um minuto entre cada corredor, para a partida).

Vamos esperar mais umas horas para ver.
Mas, pela primeira vez, aqui fica o traçado avançado pelo Ciclismo Digital:

4/8: Prólogo: Portimão - Portimão
5/8: 1.ª etapa: Portimão - Beja
6/8: 2.ª etapa: Vila Viçosa - Castelo Branco
7/8: 3.ª etapa: Idanha-a-Nova - Gouveia
8/8: 4.ª etapa: Guarda - Santo Tirso
9/8: 5.ª etapa: Felgueiras - Fafe
10/8: Descanso
11/8: 6.ª etapa: Celorico de Basto - Sr.ª da Graça
12/8: 7.ª etapa: Lixa - Gondomar
13/8: 8.ª etapa: Aveiro - São João da Madeira
14/8: 9.ª etapa: Oliveira do Bairro - alto da Torre
15/8: 10.ª etapa: Viseu - Viseu (cr-individual)
.

Por mim, este traçado é, outra vez, bastante competitivo e tem tudo para proporcionar um grande espectáculo. Que é o que o público quer.

O resto... são meros exercícios académicos onde cada um puxa a brasa à sua sardinha.

domingo, julho 08, 2007

644.ª etapa


OS BRITÂNICOS NÃO LÊEM JORNAIS...

É evidente que não vou aqui escrever “crónicas de etapas”, mas é o Tour. A maior corrida do Mundo; o terceiro mais importante evento desportivo a que podemos assistir.
E vejo. Vou ver sempre que puder.
E vou escrever – também quando puder – algumas notas soltas.
Para manter a flexibilidade nos dedos…

Os britânicos – no caso de Londres temos, obrigatoriamente que considerar o facto de que será, a par de Nova Iorque, a cidade mais cosmopolita do planeta, pelo que, não me admiraria que todas as nacionalidades dos corredores que arrancaram para mais uma edição do Tour tenham tido… adeptos especiais; seus concidadãos –, mas escrevia… os britânicos não devem ler jornais desportivos. Não devem perder tempo a ler editoriais.

Não me admiraria muito. Primeiro, porque na Grã-Bretanha não há a figura de “jornal desportivo”, depois, porque, em termos de interesses, o Ciclismo não estará entre as primeiras opções. Devem, por isso, ignorar toda a negra onda de notícias que tente a submergir o próprio Ciclismo, enquanto modalidade desportiva.

A alternativa é que o público, o “povo”, as pessoas que realmente gostam de Ciclismo não o deixa cair.

Dizem os jornais de hoje que ontem terá estado cerca de um milhão de pessoas espalhado ao longo dos 7,9 quilómetros do percurso do Prólogo. Hoje, outra vez muita gente à beira da estrada e, se no caso de ontem, em Londres, ainda se poderia dizer que podiam estar 500 mil de cada lado da avenida… à espera para poderem atravessar para o outro lado, hoje essa teoria já não seria aplicável.

A minha teoria é a de que o público, o “povo”, continua a amar esta modalidade única e ama-a aquilo que, especialmente nós, os portugueses, não somos capazes de ver: o espectáculo.

E não poupam aplausos. Querem lá saber se o Basso, o Ullrich, o Petacchi… por aí a fora, não estão e porque não estão!
Gostam é de Ciclismo, por isso acorrem a aplaudir… os que estão.
Todos os que estão.

Vimos hoje, pela televisão, algo que é de todo anormal no Tour. Uma queda, que se ficou a dever a alguma desatenção, é verdade, mas numa situação quase única: um obstáculo não assinalado, bem no meio da rota do pelotão. Preciosa a explicação de Marco Chagas, ainda e sempre sem rival em termos de comentador, pelo tanto que sabe de Ciclismo.
Ao contrário do que acontece em Portugal, no Tour são os próprios polícias quem tem a tarefa de assinalar, com a tradicional bandeira amarela e o apito, os obstáculos daquele género. Ora, enquanto na Grã-Bretanha, os gendarmes não podem cumprir essa tarefa. E não havia ninguém.

Isto leva-me a fazer aqui um pequeno grande destaque, direitinho para os motards que, em Portugal, quer sejam pagos pela organização, quer sejam voluntários, têm essa tarefa. De uma importância enorme, no que respeita à segurança da corrida.

Normalmente, ninguém fala deles. A não ser que aconteça algum acidente… por “culpa” deles. Daqui um abraço apertado para todos, nas pessoas de dois dos mais carismáticos motards que fazem as corridas em Portugal, o Carlos Santos e o Paulo Sousa. Paulão, para os amigos…

Outra das notas que não podia ignorar respeita ao facto de, a dada altura termos visto… um comboio parado na passagem de nível à espera que passasse o pelotão. Normalmente, este é que tem de pôr o pé em terra.
Claro que não era um comboio qualquer e o que vimos foi apenas… folclore. Mas foi giro.
O apito do sacana do comboio é que era irritante!

Também reparei que ontem, no Prólogo, a Discovery Channel se apresentou com um novo visual, onde o verde aparecia em proporções significativas no equipamento. Não é inédito, a antiga US Postal chegou a alinhar com um equipamento diferente na última etapa, quando foi para consagrar Lance Armstrong. Contudo, hoje lá estavam de volta as camisolas que a equipa apresenta este ano, mas nos calções ainda havia algum verde.

E por falar em cores… estranhei – e apressei-me a tomar nota, mas o Marco Chagas também o não deixou escapar – o facto de a Saunier Duval se apresentar com o seu equipamento habitual: amarelo. Ok, é significativa – estou a repetir-me!!!!! – a proporção do branco nas camisolas, mas nunca (*) antes a organização havia permitido camisolas amarelas no pelotão.

Por isso, a ONCE tinha de mudar, e usou, muitas vezes, o rosa como alternativa e, pelo menos um ano, correu de preto.
(*) - Este nunca é relativo, porque, confesso, me falta informação em relação aos primeiros anos da corrida. Como por exemplo foi exagerado o que li, algures (não me lembro e não interessa), e que dizia que PELA PRIMEIRA VEZ não havia dorsal n.º 1 no Tour. A verdade é que a "moda", primeiro, e a obrigação, depois, de se usar um dorsal apareceu muito DEPOIS de 1903, quando se disputou o primeiro Tour, pelo que, de certeza, este não é o primeiro ano que o Tour não tem o dorsal n.º 1. Houve mesmo muitos em que não havia... dorsais!

Terminando por hoje…
Gostava de se mosquinha e poder ouvir os comentários daqueles que, não raro, erguem a voz contra as condições das estradas portuguesas em algumas provas. Aconteceu hoje e vai voltar a acontecer, mesmo depois de se chegar a França, o pelotão rolar por estradas onde tinha que se “comprimir” de tão estreitas que aquelas eram.
Que sirva para se aceitar que os Corredores correm nas condições que se lhes apresentam. Não é obrigatoriamente necessário que o seja por vias rápidas.

643.ª etapa


PÚBLICAS VIRTUDES QUASE SEMPRE
ESCONDEM VÍCIOS PRIVADOS

E volto aqui só para dizer que os adeptos do Ciclismo deveriam, no seu colectivo, ser, em definitivo, propostos para um Nobel qualquer.
Se ainda não foi inventado… que o seja.

Não é uma crítica, no sentido duro da palavra – e não sei se perceberão o que isto quer dizer – mas os adeptos do Ciclismo que vou lendo em blogs e forúms estão ao nível de um… Mahatma Gandi.
Quer dizer… não sei bem, porque alguns comentários se enquadram numa pura perspectiva de agressão. O que Gandi deplorava e combatia.

Nunca gostei de radicalismos.
Fosse qual fosse a sua polarização.
Nada, olhado com os olhos de hoje, e na posse das informações a que tivemos acesso, difere entre Hitler e Staline, e tentem convencer-me que George Bush é diferente daqueles dois.

Onde é que quero chegar?
Que, quando se olha com olhos “enramelados” – seja lá por que razão fôr –, de uma coisa estamos certos, não se vê bem!
Ponto.
Ponto final.
Parágrafo!

E há um dito popular – “quando a esmola é grande o pobre desconfia” – que pode ser perfeitamente “desmontado” e (não sou eu que sou perverso… é contra essa perversão que me bato) que eu consigo “colar” à autêntica cruzada anti-ciclismo que vivemos actualmente.
Claro que o significado rodar 180 graus.

Parece-me estar a ver pequenos “bandos” – que não foram, não são nem nunca serão passíveis de uma “colagem” que deles surgisse um GRANDE BANDO (são, numa palavra: insignifcantes) – de “pecadores” que querem, à viva força, expiar os seus “pecados” zurzindo no Ciclismo.
“Defeitos meus, culpa tua.”

E quanto mais energia se despender na “luta” conta a culpa de terceiros, mais leve fica a sua própria consciência no que respeita a “culpas” próprias.

Não há igual.
Há doping no futebol, mas os adeptos estão-se marimbando para isso; há doping no basquete… no râguebi… no atletismo… no halterofilismo… nas damas… no xadrez…

Comparativamente, em relação ao número de controlos feitos/positivos encontrados, o ciclismo até vem mediocramente classificado mas – e isso só podia se “comandado” por consciências pesadas – o adepto do Ciclismo salta à perna, ferra o dente e… não larga.
Bom exemplar de cão de caça, portanto.

Metade dos discursos debitados ao longo das quatro longas horas dedicadas ontem ao prólogo do Tour não saiu do mesmo sítio!
Falou-se mais de quem não estava – e que não estava devido a alegados problemas com o doping (porque nem todos foram – ainda – apanhados) – do que de quem está.

Com adeptos (olhados como… amigos) destes… quem é que precisa de inimigos?

Mal, mal, esteve – e já nem é de espantar – um comentador que nunca mais aprende a perceber de ciclismo, ante as imagens de Bjarn Riis que via na sua frente.

E quase armou ali um escândalo digno de uma Lili Caneças confrontada com a presença da sua empregada-a-dias na mesma festa.
Aliás, disse-o e eu tenho gravado, “que faz ali sabendo que está a ser filmado?”

Primeiro: porque é que NÃO podia estar ali?
Segundo: QUEM disse que ele SABIA que estava a ser filmado?
Vi-mo-lo de perfil, e depois de costas… A realização descobriu-o por entre os espectadores e, naturalmente (contra isso… nada a dizer), fixou-o e pô-lo no ar…

Nem foi o que se disse.
Foi COMO se disse.
Parece que o homem é qualquer coisa assim tipo… SERIAL KILLER!

Caramba!, mesmo que tenha ganho uma corrida de bicicletas recorrendo a produtos ou praticas proibidas… NÃO FEZ MAL A NINGUÉM!!!

Não é para estar preso, muito menos isolado...

Pode apresentar-se onde, como e quando quiser.

Qual é a parte que não conseguem perceber?

Os fundamentalistas, no que respeita ao Ciclismo, estão a ficar pior que o Bush em relação aos “que são terroristas PORQUE SIM!”

Enoja-me isto.

642.ª etapa


TESOURINHOS "DESENTERRADOS" - XVI

Nesta grande família – com particularidades muito vincadas, não serei eu a contradizê-lo – do Ciclismo, desde o início que me sinto mais ou menos isolado. Hoje, 16 anos depois de ter chegado, ainda não sei, e cada vez é mais difícil percebe-lo, se sou o último dos Velhos… se o primeiro dos novos.
Nestes não me revejo.
Àqueles não ouso comparar-me.
Deus me livre!, digo eu que sou assumidamente agnóstico.

Lembro-me de, com os meus 12, 13 anos, ir ali, à beira da Estrada Nacional 10 ver passar os contra-relógios – foram dois ou três (já repararam que não almejo a perfeição, bastava-me virar na cadeira, apanhar o livro do Guita Júnior e ver em que anos é que se realizaram…) – que saíram de Vila Franca para terminarem em Alvalade. Lembro-me do ano em que o Firmino Bernardino (sou benfiquista, mas ninguém é perfeito) ganhou a Volta… Mas as minhas memórias recuam bastante mais no tempo.

À passagem da Volta por Ferreira do Alentejo. Vila onde vivi e que foi sede de uma equipa que ganhou a Volta. Claro que de cor não sei o ano (mais foi, seguramente, mais de 20 anos antes de eu ter nascido), mas sei que foi o César Luís, dos Leões de Ferreira do Alentejo. Equipa nascida depois de o Sporting ter extinguido a secção e que, por vontade de um dos seus directores, se ter transferido, toda, na sua orgânica, para o Alentejo.

A memória mais antiga que guardo do ciclismo é mesmo a de uma passagem da Volta por Ferreira, a caminho do Algarve, creio…

As outras têm a ver com a Rádio.
Com os relatos do Fernando Correia, do Abel de Figueiredo, do Fernando Emílio… Não sei porquê, ouvíamos mais o velhinho Rádio Clube Português. Moram aqui as raízes da minha ligação ao Ciclismo.

E porque é que vim ter à Rádio?
Porque este Tesourinho TEM a ver com a Rádio.

Há 35 anos a televisão não chegava ainda a 50% dos lares portugueses, contando com as grandes zonas urbanas de Lisboa e Porto. O que quer dizer que no restante do país… no Alentejo, nomeadamente, nem chegaria a cinco por cento…
Mas recupero a questão, porque é que vim ter à Rádio?

Retomei a arrumação dos recortes – a matar… que seja o tempo! - e fui dar com este, que reproduzo.

Conheci o colombiano Alfredo Castro pela mão do Fernando Emílio numa das primeiras Vueltas que fiz. Nessa altura ele fazia parelha com outro camarada, mas nos últimos anos, por dificuldade financeiras da sua Estação – já lá vou!... – vinha a Espanha sozinho, pagando as viagens do seu bolso e contando com a boa vontade da organização que lhe suportava o alojamento. Aliás, a foto que reproduzo – e creio não estar a cometer nenhum crime lesa-profissionalismo – mostra-o no locutório (era – que já não funciona assim – um explendido autocarro flexível da Telefónica com 24 cabines pessoais de transmissão), ouvindo a Rádio Volta e repetindo as informações ouvidas, mas com todo um folclore – no melhor dos sentidos da palavra – acrescentado que nos deixava… completamente seduzidos.

Eu próprio – confesso – fiquei por ali alguns minutos só a ouvir.
Que só ouvi-lo era um autêntico espectáculo.

“Inventava”?
Claro que inventava… pois se não tinha mais do que a informação crua e seca do Rádio Volta!…
Mas os seus relatos faziam arrepiar os pelos dos braços.

Santiago Botero era, na altura, o colombiano mais importante do pelotão internacional.

E era até candidato à vitória na Vuelta… Ah!, e outra coisa! A diferença dos fusos horários punha o bom do Alfredo Castro a relatar num ritmo vertiginoso as chegadas das etapas da Vuelta quando eram… 10 da manhã na Colômbia.
Mas tinha um auditório fiel e, sobretudo, com algum peso. Por isso, durante anos, a… Rádio Caracol (é mesmo esse o nome da rádio!) conseguiu patrocínios para estar em França, no Tour, ou em Espanha, na Vuelta.

“Desde España, Rádio Caraaaaaacoooooooooooooooooooooooool! En directo!”

Quantas vezes ouvi eu este grito! Exagerado, mesmo gritado... ao bom estilo sul-americano...
Não sei que é feito do Alfredo Castro!
Os colombianos deixaram de aparecer no pelotão internacional…

O que não aconteceu, por exemplo, com os portugueses.
E toda esta associação de ideias serve para lamentar não termos nenhum OCS no Tour, a acompanhar o Sérgio Paulinho. Que se passará com o meu querido Bruno Santos?!

Se ao menos o Sérgio fosse uma hipotética contratação para as equipas de futebol do Benfica (sai na frente porque ele é, assumidamente, benfiquista), do Sporting ou do FC Porto…

Mas é um simples Corredor.
Ainda por cima… Nunca acusou positivo em nenhum controlo!...

Mas, volto atrás porque este Tesourinho tem mesmo a ver com o… Alfredo Castro.
Por onde andará a Rádio Caracol?

sábado, julho 07, 2007

641.ª etapa


ULTRAPASSAR O ZÉ AZEVEDO É MUITO DIFÍCIL...
CHEGAR-SE PERTO DE AGOSTINHO... IMPOSSÍVEL

Não começou mal o Sérgio Paulinho na sua estreia absoluta no Tour. 37.º no prólogo não é nada mau, antes pelo contrário... tenhamos presente a real dimensão - apesar de tudo - deste pelotão e ficar nos 40 melhores é MUITO BOM.

Mas não vai ser fácilo a tarefa de Sérgio Paulinho.
Logo a começar pelo facto de, na história do Tour, termos já amealhado onze lugares no top-ten. Não fiz contas, mas tirando o top-five mundial, por países - e tirando Lance Armstrong que, só por ele conseguiu... sete primeios lugares para os Estados Unidos - que engloba França, Espanha, Itália, Alemanha e Holanda/Bélgica... provavelmente não há mais nenhum país com onze presenças no top-ten final.
É um exercício a desenvolver mais tarde.
Mas pronto!, o que espera o Sérgio?

Isto: o Zé Azevedo, o pior que fez foi um 30.º lugar.
E Agostinho foi duas vezes terceiro.

Muito difícil ultrapassar o desempenho do primeiro... literalmente impossível fazer o mesmo que o grande Campeão de Brejenjas.

Mas repito: para arranque, não foi nada mau.
Por isso, daqui envio um abraço de solidariedade para o Sérgio.
Afinal de contas, ele é o Corredor mais premiado de sempre no ciclismo português.
E isso não aconteceu por acaso.


Classificação GERAL dos portugueses no Tour
3.º, Joaquim Agostinho (1978 e 1979)
5.º, Joaquim Agostinho (1971 e 1980)
5.º, José Azevedo (2005)
6.º, Joaquim Agostinho (1974)
6.º, José Azevedo (2002)
8.º, Joaquim Agostinho (1969, 1972 e 1973)
10.º, Alves Barbosa (1956)
11.º, Joaquim Agostinho (1983)
12.º, José Martins (1976)
13.º, Joaquim Agostinho (1977)
14.º, Joaquim Agostinho (1970)
15.º, Joaquim Agostinho (1975)
16.º, José Martins (1977)
18.º, Fernando Mendes (1973)
19.º, José Azevedo (2006)
22.º, José Martins (1978)
25.º, Ribeiro da Silva (1957)
26.º, José Azevedo (2003)
27.º, Fernando Mendes (1977)
30.º, José Azevedo (2005)
33.º, José Martins (1977)
33.º, Orlando Rodrigues (1997)
41.º, Marco Chagas (1980)
45.º, Herculano de Oliveira (1973)
54.º, Orlando Rodrigues (1996)
61.º, Acácio da Silva (1992)
61.º, Fernando Ferreira (1975)
64.º, Joaquim Andrade, pai (1973)
64.º, Acácio da Silva (1987)
65.º, Alves Barbosa (1960)
76.º, Alves Barbosa (1958)
77.º, Marco Chagas (1984)
82.º, Acácio da Silva (1986)
83.º, José Amaro (1975)
84.º, Acácio da Silva (1989)
87.º, Orlando Rodrigues (2000)
92.º, Acácio da Silva (1988)
94.º, Manuel Zeferino (1984)
108.º, Acácio da Silva (1990)
118.º, Eduardo Correia (1984)
119.º, José Xavier (1984)
122.º, Carlos Marta (1984)

Desistiram: Alves Barbosa (1957), António Batista (1958, 1959 e 1960), Sousa Cardoso (1959), Joaquim Andrade, pai (1972), Fernando Mendes (1972 e 1975), Herculano de Oliveira (1974), Firmino Bernardino (1975), Joaquim Carvalho (1975), Manuel Silva (1975), Joaquim Agostinho (1981), Benedito Ferreira (1984), Paulo Ferreira (1984), Orlando Rodrigues (1998)

640.ª etapa


AH!... VAI HAVER "ESPECTÁCULO", VAI SIM. PREPAREM-SE!

Sai hoje para a estrada mais uma edição do Tour.
Li, atentamente, o que a Imprensa publicou e, no tempo que tive (foi pouco, confesso), tentei espreitar os sítios – em português – de referência. São titulados por amantes do Ciclismo. Nem me atrevo a pôr isso em causa. São-no.

Espraiam-se pelo mapa da prova e tentam antecipar onde é que poderá haver… espectáculo. Continuam a exigi-lo. Pois é…
Na frase anterior, recorda-se o penoso momento pelo qual a modalidade passa. Na seguinte, volta a bater-se na mesma tecla. “Limpo”, sem… “batotas”, “deixando de fora as vergonhas do passado recente…”
E outra vez… “etapa com cinco contagens de montanha, espera-se espectáculo…”

Zurze-se forte e feio no “palhaço” e logo a seguir espera-se, sentados, em casa, com ar condicionado ou simplesmente uma ventoinha, uma bjeca à mão e a tarde por conta, que os façam… “rir”!

Há uma semana, mais dois dias, menos três, aplaudiu-se a mãos ambas a decisão cozinhada entre a Associação de Equipas – com os responsáveis destas a assumirem o papel de virgem sucessiva e permanentemente enganada – a UCI e a ASO (organizadora do Tour).

No que tive oportunidade de ler, sucederam-se as declarações dos Corredores que deixaram bem marcada a sua posição: assinaram, mas contrariados. Obrigados. Algumas equipas, em bloco, fizeram-no sob protesto e, pelo menos uma, juntou ao documento exigido um outro, com as assinaturas dos Corredores reconhecidas em notário (com a força que disso lhes vem) deixando claramente expresso que assinavam coagidos.

Nem uma palavra, nem uma linha, a este propósito, por parte dos corredores de sofá. Assobiaram para o lado. Fingiram que não leram.

Chegada a hora de, cada um à sua maneira, projectarem o que, afinal de contas, QUEREM, o que EXIGEM dos Corredores… lá está. ESPECTÁCULO.

Não sei o que andam a fazer os habituais e privilegiados observadores. Não acreditaram nas razões dos Corredores e alinharam pela chapa 4.

Ok. Cá estou eu, com a minha mania de me posicionar do outro lado.
Eu disse que voltava, e volto com o mesmo espírito.
Não sei se vai acontecer hoje no prólogo.
Não sei se vai acontecer na primeira etapa em linha, se se vai esperar pelos primeiros dias de montanha.

SEI que os Corredores não vão perder a oportunidade de marcar a sua posição.

Ah! Não contaram com isso!...
Mas vão.
Não me perguntem como sei.
Só sei.

Se calhar, se despissem o fato de mero observador, mais ou menos especialista, ou de simples adepto, mais ou menos ignorante – e alguns são-no porque se recusam a ver a realidade – e, por um momento, curtito que fosse, se imaginassem na pele dos profissionais que têm sido achincalhados, humilhados, maltratados… vistos como reles “batoteiros”, se tivessem sido capazes de fazer esse simples exercício, e reflectissem no que sentiriam pondo-se no lugar deles… teriam percebido como é que eles vão reagir.

Ninguém foi capaz de fazer isso.

E se o prólogo for corrido a 35 à hora?
E se na primeira etapa o pelotão parar antes da partida, em protesto contra as acções contra ele movidas, sendo que, de facto, todos os que partem são, em termos de justiça desportiva - que existe e só ela devia valer, não palpites ou pressuposto - inocentes uma vez que essa mesma justiça desportiva nada tem contra eles?

E se nas grandes etapas de montanha… que todos, de cú incapaz de estar quieto no fofo do sofá, esperam que sejam a rasgar… o pelotão decidir subir a 30 à hora… juntinhos, esperando pelos menos habilitados nesses terrenos? Se os habituais "autocarros" se transformarem num único e imenso... "comboio"?

Não pode acontecer? Seria a grande vergonha?
Pode acontecer sim. E a grande vergonha já aconteceu.

Talvez este Tour fique na história pela revolta dos “palhaços”. Aqueles a quem todos condenam, mas de quem todos esperam que se matem para seu gozo pessoal.

Tomem nota aí onde não percam: vão acontecer coisas giríssimas neste Tour.
E eu vou estar atento às reacções dos “defensores da verdade”. E, como de costume, não vou deixar de dizer. Nem mandar dizer por terceiros. Será escrito aqui. Com as letrinhas todas.

Claro que lamento. A diferença é que eu venho a lamentar desde o início a “santa cruzada” contra os Corredores. E não só vou perceber, como apoiarei as medidas que estes vierem a tomar ao longo da corrida.
Serei impulsivo, serei… maluco, alguma coisa se avariou no meu “sistema” nestes últimos meses, tudo isso, ou qualquer uma das opções, mas sou coerente.

Não me podem acusar do contrário.
E aposto que… o último a rir é o que vai rir com maior gozo.

639.ª etapa


MAS HÁ ALGUMAS DIFERENÇAS, NÃO HÁ?

O que toda a gente diz:
O Ciclismo está podre. Cada vez é mais difícil acreditar nesta modalidade.

O que (muito) pouca gente diz:
Tráfico humano no futebol português
Antoine, 19 anos, senegalês, chegou a Portugal para jogar futebol. Um empresário prometeu-lhe uma oportunidade, uma vida nova. Nunca a teve! Foi abandonado e se hoje não é marginal deve-o a um amigo que lhe vai dando dinheiro para sobreviver.
Leia na edição de
A BOLA deste sábado a primeira de três reportagens que mostram o outro lado do futebol. O dos jovens que partem em busca de um sonho e apenas encontram o pesadelo.

quarta-feira, julho 04, 2007

638.ª etapa


LEIAM, PENSEM... SEJAM HONESTOS.
OIÇAM O QUE VOS DIZ A VOSSA CONSCIÊNCIA

Vou ter, mandam os médicos, que me “recolher” por três dias. Por nada.
São precisos mais exames.
Por isso hoje (ontem – a confusão é que ainda não fui para a cama, apesar de ter de me levantar cedo) tive de deixar escritos os artigos que tinha preparados para ir deixando, dia apoós dia.

Mas, maldita disfunção profissional – sim, profissional!!! Não pensem alguns arrivistas que eu deixei de ser profissional, muito menos que há lugares para preencher… Ainda não morri!!! – antes de desligar isto tudo, vejam com o que fui deparar…

Por mais de uma vez aqui deixei, coração nas mãos, a humilde confissão de que não estava a ser capaz de tratar com esta questão do “eu dopei-me, tu dopaste-te… eles com certeza que se doparam”.

Prende-me ao Ciclismo uma paixão desinteressada.
Só porque gosto mesmo desta modalidade.
Não ando nela pelos “patrocínios” de almoços e jantares, nem mendiguei nunca um cêntimo que fosse.
Pude estar, estive.
Muitas vezes não estive, mas nunca colei autocolantes de produtores de laranjas no carro, apesar de estar a ser pago (por outra entidade) para lá estar.

E doía-me, e dói-me, o não ser capaz – já antes o confessei – de explicar o suficientemente claro o que, de facto, sinto pelo Ciclismo.
Como explicar que esta modalidade não é, como a pintam, um antro de malfeitores.
Há casos de doping?
Pois há.
Assim se soubessem, com a mesma facilidade, os casos que há nas outras.

Mas, dizia eu, há instantes, antes de desligar tudo pelos próximos três dias, num rebate de consciência ainda fui dar uma vista de olhos nos sítios mais credíveis deste mundo infidável que é a Internet.
E, no Todociclismo dou de caras com um texto que eu adoraria ter escrito.
Não fui capaz.
Culpa minha.
Não tenho perdão.

Para todos aqueles que, dizendo-se amantes do Ciclismo nele mais não vêem que as maçãs podres… deixo, sem mais comentários, o que acabo de ler naquele sítio.
Não traduzo porque estou cansado.
Desiludido.
Farto.
Perto de lançar a toalha ao chão.
De desistir.

Mas todos compreenderão, mais ou menos, o que a seguir transcrevo na íntegra.

Voltarei, daqui a três dias.
Sem que nada de mais me tenha acontecido.
Mas, já agora e para todos vocês… façam o favor de serem felizes.
Se a vossa consciência isso vos permitir.
Não é um adeus.
Ainda não.
Eu vou voltar…

Eis o texto que “piratei” do Todociclismo.

Subir en bicicleta el Galibier, el Tourmalet o el Aubisque, a casi cuarenta grados de temperatura, después de dos semanas de esfuerzos diarios a más de cuarenta kilómetros de media durante unas seis horas al día, debe de ser difícil, muy difícil. Pero eso no es ahora mismo lo más complicado del ciclismo. O al menos, no es lo único complicado. Hay corredores que lo tienen difícil incluso para correr. Hay managers contrastados que no encuentran sponsors. Hay carreras que cierran por falta de patrocinio. Aficionados que no pueden ver por Televisión algunas de las pruebas más importantes. Incluso escribir o hablar sobre el ciclismo resulta difícil si no es para hacerlo sobre sospechas masivas de doping, escándalos dentro y fuera de las carreras o conflictos entre los distintos estamentos relacionados con el que no hace mucho tiempo era considerado el segundo deporte tras el futbol. No hace muchos años era costumbre en muchas empresas o grupos de amigos, hacer “porras” cada vez que comenzaba el Tour o la Vuelta. Unos iban con el Kas y otros con El Fagor, unos con Fuente y otros con Ocaña, eran los sustitutos de quienes en su día se dividían entre seguidores de Bahamontes o de Loroño, y los predecesores de quienes luego fueron del Banesto o de la Once como si el Real Madrid o el Barcelona se trataran. Años en los que el ciclismo se vivía intensamente en tertulias, pueblos, medios de comunicación y en los que las escuelas ciclistas abundaban casi tanto como las futbolísticas. Algunos explican el fenómeno de manera simple: Era Indurain, dicen. El campeón navarro fue una figura irrepetible, es cierto, pero ganando mucho menos que él, corredores como el mencionado Fuente, el mismo Perico Delgado, El Chava Jiménez, Beloki y otros muchos hicieron vibrar a muchos aficionados y a otros que se convirtieron al ciclismo al verles competir durante las sobremesas de gran parte del año. Luego llegó el doping y todo entró en crisis. Ante los escándalos, la falta de normativas claras, los múltiples intereses cruzados, las informaciones interesadas y el silencio de los cómplices, todo el mundo parecía tener una solución “mágica” para el declive evidente del ciclismo. Personas mucho más expertas que quien esto escribe son las encargadas de limpiar un deporte, probablemente no más sucio que otros muchos, pero que por razones difíciles de explicar se ha convertido en el epicentro de la necesaria lucha por desterrar al doping del mundo del deporte. Quizás una de esas razones consista en el hecho de que en el ciclismo no hay seguidores partidistas de éste o aquel equipo, sino amantes del ciclismo en general. En el fútbol ocurre lo contrario. La gente es del Real Madrid, del Sevilla, el Barça o el Athletic de Bilbao y la fidelidad a su equipo está por encima de su amor al futbol en general. Eso explica que un caso como el de Gurpegui sea tomado en Bilbao como una afrenta al club, mientras que hay ciclistas que sin condena alguna y sólo a base de rumores, se encuentran con que nadie les defiende. Nadie se daría de baja de un club de futbol por la existencia del dopaje en su seno. Un equipo ciclista, sin embargo, desaparecería. Por eso propongo desde esta tribuna, que me parece la más idónea, algo que creo puede ayudar a ir cambiando esta coyuntura. Algo tan sencillo como “hablar de ciclismo”. Cuando termina la temporada futbolística no se deja de escribir, ni discutir sobre el futbol. Aparecen los rumores, los fichajes, las pretemporadas. En el ciclismo al terminar la Vuelta, un día para el Mundial y nada hasta marzo. No hay manera de enterarse de quién ficha por qué equipo, no hay entrevistas, no se generan expectativas que creen ídolos, amor por unos colores, afición en una palabra. Los medios se olvidan, los equipos, los primeros interesados en fomentar el seguimiento hacia la marca que los promociona, tienen páginas web que dejan de alimentar y en la que pasan meses enteros sin nada nuevo.Esta página web es una de las escasas oportunidades para crear esa base sobre la que recuperar el amor por el ciclismo que lo puede volver a colocar como un deporte con seguimiento masivo. Por eso propongo a los aficionados a este bello deporte que recuperemos algo tan sencillo como “hablar de ciclismo”. ¿Es mejor Contador o Valverde? ¿Anton o Mayo? ¿Es Karpets el tapado de Unzue? ¿Quién es el mejor Director? ¿Es Valverde más corredor para una vuelta por etapas o para las clásicas? ¿Cuáles deben de ser los miembros de los equipos españoles en el Tour? ¿Unzue debe de llevar a Joaquin Rodriguez o a Arroyo o a Efemkim? ¿Puede Pereiro ganar la Vuelta? ¿Es Carlos Sastre nuestro único hombre Tour? En fin... hablemos de ciclismo, discutamos y apasionémonos como antes. Aunque sea tan difícil como ganar la París-Roubaix en un día de lluvia y granizo.


Gerardo Oroz
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Como eu gostava de ter escrito isto!
Como aqui está traduzido o que eu sinto...
E, como eu, muitos mais amantes do Ciclismo.
Já não me atrevo a dizer a maioria, ante a sucessão e opiniões que tenho vindo a ler...

Mas foi em boa hora que ainda consegui descobrir este texto. Vou mais ou menos em paz. Num "click"... descobri que, afinal, não estou sozinho. Mesmo que o único que me acompanhe seja o signatário deste texto.
Sim... um espanhol o que - eu sei - para muitos significa... não tão credível assim...

Pense o que quiserem!...

Nota


SÓ PARA QUEM NÃO REPAROU...

Completam-se hoje, precisamente, 23 anos desque que o primeiro corredor português (e único!), ao serviço de uma equipa nacional, venceu uma etapa na Volta a França.

Foi ele, Paulo Ferreira (Sporting-Raposeira).
Têm toda a história duas ou três "etapas" atrás.

Não digam que não partilho convosco as histórias que sei.


(E pronto... porque o tratamento assim o exige, vou ter que abandonar o meu PC. Antes de sábado não posso voltar aqui. Saúde para todos.)

terça-feira, julho 03, 2007

637.ª etapa


O TRIUNFO DOS QUE SE VENDEM

Eu já tenho idade para ter juízo e não me envolver nestas discussões… académicas.

Mas custa-me, sinceramente custa-me que, apesar das boas vontades patenteadas, que ninguém lhes nega, que meros observadores (sem nada de perjurativo) se elevem à condição de comentadores e deixem opiniões… desconcertantes.

O pior é que estas mesmas opiniões não se manifestam. São perceptíveis pela omissão de factos. Factos que não são – não podem ser – menosprezados. E aos quais, não dando a importância que, de facto, têm, ficam “colados”.

Já aqui escrevi isto. E não! Não tenho uma resposta, se tivesse, dava-a.

Que raio terá dado a meia dúzia de corredores alemães, mais ao Bjarn Riis, para, doze anos depois virem, em filinha indiana, um após outro, confessar que fizeram aquilo que todos os outros faziam?

Não acredito! Houve quem tivesse corado ao ler isto…
Não fazia a mínima ideia de que ainda houvesse “puras virgens” neste meio!
A sério!

Mas, a grande verdade – e, podem crer os meus amigos que, neste campo há mais do que uma verdade – é que quem confessou o fez da forma mais deselegante (para não chamar outra coisa) que pode haver.
E NINGUÉM parece ter dado o mínimo valor a isso…

O Jesus Manzano, aqui há três anos atrás deu uma entrevista de… 30 páginas (!) ao AS.

Foi um autêntico folhetim. Rasgou, de alto abaixo toda a estrutura da então Kelme.
Curiosamente, ninguém lhe prestou atenção.

Mas vamos ao que interessa…

Fê-lo por súbito arrependimento? Fê-lo em consciência? Visando a limpeza do Ciclismo?
Vá lá… “open your eyes”.
Fê-lo pelo que o AS lhe pagou.
E foi muito.
Mais do que valia o seu contrato até final com a referida Kelme.
Mais a garantia de protecção pessoal. Para si e para a sua família.

Agora surge o Jörg Jaksche, também ele… atenção… olhem bem… A TROCO DE UMA CHORUDA QUANTIA, a confessar que se dopou desde pequenino.
100.000 €, foi o que, sem hesitações, outros atiraram para a Imprensa.

Dizendo o que eu… todos vocês, diriam: por 100 mil euros, eu conto até a história da minha trisavó ter sido artista de “vaudeville”…
Pelo amor de deus - digo eu que sou agnóstico -, se não tivesse recebido os tais 100 mil euros, será que o Jaksche tinha falado?

E NINGUÉM se chocou com isto.
NINGUÉM aparece a pôr em causa declarações… pagas!
Está dito, está dito…
Se alguém quiser contrapor alguma coisa a estas declarações… se não lhes pagam porque não se VENDE… que paguem para que se publiquem.
Desculpem! É a ideia com que fico.

É tão insana a vossa propensão para o ilícito, que ignoram liminarmente as circunstâncias em que esses ilícitos aparecem em público.
Não vos interessa!
Não querem saber…

O que interessa é que MAIS um corredor “confessou” que se dopava.
Hellás!
E eu, doido, enquanto adepto do Ciclismo, procuro uma ponta da meada onde possa agarrar…

Será nas declarações de quem se vendeu por 100 mil euros?
E porque é que acreditam num vendido… e não em quem sustenta que nunca se dopou?
Claro!
Porque qualquer um de vocês, por 100 mil euros também estaria disposto a contar uma estória.
Mesmo que ela fosse verdade.

É nojo o que eu sinto.


(Já sei que, mesmo não manifestadas, vai haver opiniões diametralmente opostas à minha. Mas a questão aqui é só uma... ser "bufo" já é mau, mas que chamar a quem cobra 100 mil euros para contar uma estória? E, se o homem nunca foi apanhado... estará a falar verdade? O que é mesmo dramático... vocês acreditam nele? Então mudem para o ping-pong. Não há lugar para vocês neste ciclismo onde, mesmo passando incólume em dezenas de controlos, ainda assim se é suspeito e onde se acredita em tudo o que qualquer um, a troco de um cheque gorducho, diz. Não me questionem onde é que estará a verdade. Perguntem-se a vocês mesmos!)

636.ª etapa


A MODALIDADE ESTÁ DOENTE!

Não vale a pena tentar escondê-lo.
A modalidade está doente.
E os exemplos somam-se.
Orçamentos fictícios o que, mais cedo ou mais tarde, acaba por se reflectir em salários em atraso. E são mais do que muitos os exemplos que já poderia apontar.
Atletas escolhidos por catálogo porque são mais baratos que as jovens promessas que as canteras produzem…
Apostas que, não raro, ao fim de um mês ou dois se revelam flops completos.
Equipas com dívidas.
À segurança Social, ao Fisco…
Dívidas que tentam, a todo o custo, esconder.
E usam-se os subterfúgios possíveis e imaginários para contornar a Lei.
Equipas “B” camufladas; Atletas que assinam contrato com uma equipa, mas são “despachados” para outras que vão entrar na mesma competição...
Não chega ser sério.
É preciso parecê-lo.
Atletas que ficam de fora destas… “jogadas”. Que são usados como moeda de troca, que acabam em equipas sem expressão, contra a sua própria vontade.
Insolvências branqueadas com o recurso ao que, outra vez, torneando a Lei, usam como estratagemas que não deviam ser aceites. Ponto final.
A modalidade está doente.
Os jovens portugueses, muitos deles com provas dadas, não têm lugar nas equipas que, em desespero de causa, vão aos mercados mais inesperados e, conscientemente, compram gato por lebre, ajoelhando e pedindo aos céus que qualquer perna de pau consiga, nem que seja um dia apenas, só um dia, faça alguma coisa que possa ser usado a seu favor.
A modalidade está doente.
E ninguém parece querer, voluntariamente, proporcionar-lhe os cuidados básicos.
Aliás… em caso de morte, nem se sabe se algum padre estará disposto a dar-lhe a extrema-unção.
A modalidade está doente…
E quem gravita à sua volta enterra a cabeça na areia.
Finge que não vê; finge que não sabe…
Só duas ou três equipas tem possibilidade de aparecer com a época salva. Todas as outras estão condenadas ao desastre.
Desportivo e financeiro.
Ninguém se preocupa com isso…
A modalidade está doente.
E todos os que a ela estão ligados assobiam para o lado.
Como se não fosse nada com eles.
Incluindo os Jornalistas.
Mas a modalidade está doente.
E, se não houver coragem para pôr um travão nisto, a modalidade pode morrer.
Porque as dívidas se acumulam, porque os resultados desportivos não justificam os investimentos feitos, porque alguns dos investimentos estão, mesmo a olho nú, feridos de ilegalidades…
Um dia alguém vai pegar nisto e então… será o fim.
A modalidade está doente….

Falo do Futebol, claro.

635.ª etapa


PRIMEIRA VITÓRIA... TOTALMENTE LUSA
FOI DE PAULO FERREIRA, EM 1984

Mas, uma vez que estou com a mão na massa, vamos lá avançar com outra data que marca a História do Ciclismo Português.

Faz amanhã 23 anos – 4 de Julho de 1984 – que aconteceu a PRIMEIRA VITÓRIA DE UM CORREDOR PORTUGUÊS, REPRESENTANDO… UMA EQUIPA PORTUGUESA. A primeira e única. E parece-me muito difícil que Paulo Ferreira veja o seu feito igualado.

Já escrevi esta história meia dúzia de vezes que sei-a de cor.
Tendo decidido pôr fim à longa carreira além fronteiras, e já com a bonita idade de 42 anos, Joaquim Agostinho resolveu regressar a Portugal, mas ainda tinha um sonho: fazer renascer a secção de ciclismo do seu clube de sempre, o Sporting. E conseguiu. Claro que o peso do seu nome, mais meia dúzia de conhecimentos bem colocados junto da organização do Tour, garantiam a participação da equipa na grande corrida francesa.

Entretanto, pelo meio aconteceu o drama. A 30 de Abril de 1984 Agostinho caiu, no final de uma etapa da Volta ao Algarve. Infelizmente, não foi apenas mais uma queda. Esta levou-o à morte, onze dias depois, tempo durante o qual se manteve sempre em coma.

Mas o Sporting, patrocinado pela Raposeira, foi mesmo ao Tour.
Marco Chagas, Manuel Zeferino, Eduardo Correia, José Xavier, Carlos Marta, Bendito Ferreira e Paulo Ferreira (mais três franceses) formavam a equipa e, à 5.ª etapa, a ligação entre Béthune e Cergy Pontoise, longa, de 207 quilómetros e disputada precisamente no dia 4 de Julho acabaria por entrar, como disse, para a História do Ciclismo Português.

Paulo Ferreira, juntamente com os franceses Le Guilloux e Vincent Barteau, arrancaram para uma fuga a quem ninguém deu importância e lograram chegar a Cergy Pontoise isolados. Barteau, com a vantagem que levavam, era já o líder da prova, mas a rivalidade com o seu compatriota fez com que, querendo ambos ganhar a etapa acabassem por descurar a marcação ao jovem português que não se fez rogado.

Atacou, a resposta demorou e Paulo Ferreira ganhou mesmo a tirada (4.49.45 minutos, à média, extraordinária de 42,864 km/h, tendo em conta a extensão da etapa), embora com o mesmo tempo de Barteau. Le Guilloux perdeu um segundo e o pelotão chegou… 17.41 minutos depois.

Consequência: Vincent Barteau vestiu a camisola amarela, Le Guilloux passou a segundo na Geral, a 1.33 minutos, e Paulo Ferreira viu-se num surpreendente e inesperado 3.º posto, a 3.13 minutos do novo líder. O 4.º classificado, Van der Popel, estava 14.22 minutos do português.
Contudo, as grandes dificuldades da prova ainda estavam para vir e Paulo Ferreira acabou por desistir alguns dias depois.
Mas estava escrita História.

Nesse dia 4 de Julho de 1984, um português, correndo por uma equipa portuguesa, ganhou pela primeira vez uma etapa na prova mítica.
Uma semana apenas antes de se completarem dois meses sobre a morte do mentor da equipa. O eterno Joaquim Agostinho. Daí as lágrimas derramadas por Paulo Ferreira, à chegada.

Ainda a 4 de Julho, mas três anos depois (1987), um outro português, corredor já conhecido do pelotão internacional, especialista em clássicas, ganhava também a sua primeira etapa no Tour. Falo, é evidente, de Acácio da Silva, que corria na espanhola KAS. Aconteceu na Alemanha, na etapa (a 3.ª) que ligava Karlsruhe a Estugarda, com 219 quilómetros.

634.ª etapa


PRIMEIRA VITÓRIA PORTUGUESA
NUMA ETAPA DO TOUR FOI HÁ, EXACTAMENTE,
38 ANOS. E DE AGOSTINHO, CLARO!

E hoje é dia de efeméride outra vez. Hoje sim, comemoraríamos a primeira vitória de um português numa etapa do Tour.
Foi a 3 de Julho de 1969 – 20 anos (menos um dia) antes daquela que ontem referi –, na 5.ª tirada, a ligação Nancy-Mulhouse (193,5 quilómetros) e o vencedor foi, claro, Joaquim Agostinho com o tempo de 5.03.33 horas, 18 segundos à frente de um primeiro mini-pelotão, com apenas 18 elementos e que vinha com Ruud Altig, Roger de Vlaeminck e Eddy Merckx na cabeça. Mas vinha lá mais gente de peso. Felice Gimondi foi sétimo, Van Springel, 11.º, Raymond Poulidor, 12.º e Luís Ocaña, 16.º. O verdadeiro pelotão só chegaria 3.34 minutos depois do português que neste ano ainda haveria de ganhar uma outra etapa.
Merckx seria o vencedor desta edição da Grande Boucle e Joaquim Agostinho terminaria na 8.ª posição.

Em relação à etapa 362.ª, há que fazer uma rectificação. Melhor… duas.
Escrevi então que a última etapa ganha por um português – e que seria a 8.ª vitória de um Corredor luso – tinha sido aquela em que Acácio da Silva envergara a Camisola Amarela, em 2 de Julho de 1989. Estava errado. Em duas coisas. Esse foi o nono triunfo de um português (e não o oitavo) e, confesso que nunca contabilizara isso, mas no sítio oficial da corrida francesa são creditadas DUAS vitórias em etapa a José Azevedo.

A primeira, na 4.ª tirada do Tour de 2004; a segunda, também na 4.ª etapa, mas de 2005.

Fui ver. Foram ambas contra-relógios por equipas, em ambas venceu a US Postal, em ambas foi Lance Armstrong o primeiro na meta mas, se a organização credita essas vitórias, individualmente, a todos os componentes da equipa, então temos que passar a somar estes dois triunfos do Zé, aos outros nove alcançados anteriormente.

Vamos todos torcer para que Sérgio Paulinho consiga aquilo que conseguiu, o ano passado na Vuelta, em Santillana del Mar, e some aquela que seria então a 12.ª etapa para corredores portugueses.

segunda-feira, julho 02, 2007

633.ª etapa


A TRISTE REALIDADE...

Foi desconsoladoramente fraca a cobertura que os “desportivos” deram aos Campeonatos Nacionais, disputados este último fim-de-semana em Póvoa e Meadas (cronos) e Castelo de Vide (prova de fundo). Aliás, para quem só lê o Record será de todo novidade os nomes dos Campeões que não os de Elite. Nem uma linha, nem uma frase, sobre o desfecho dos mesmos nas outras categorias. Para quem só lê o Record, este fim-de-semana disputaram-se apenas duas corridas e Ricardo Martins é o novo Campeão de contra-relógio e Cândido Barbosa Campeão na corrida de fundo.

E pergunto-me, no próximo fim-de-semana (ainda por cima já com o Tour na estrada) será que as corridas de Júniores e Cadetes masculinos vão merecer algum noticiário? Dentro daquilo que me é permitido dizer… a Organização – a PAD/JL Sports – nem sequer pensou nisso. Espero, sinceramente, que o “desinteresse” não signifique aquilo que parece ser… os Nacionais são um “frete”!

O Jogo foi o jornal que, ainda assim – e menos seria inadmissível, enquanto “Jornal Oficial” da Organização –, proporcionou uma informação mais consistente. Pelo menos os Campeões mais… “velhos” – Elite e sub-23 (aqui só nos masculinos) – tiveram direito a uma foto. E a um pequeno texto.

A BOLA, sendo que a informação lá estava, nas classificações, em termos de texto veio tudo misturado. Mais ou menos “en passent”…
E tenho que deixar um lamento. Peço perdão a toda a gente que se sinta… “atacada” mas, uma vez mais, se minimizou o facto de os leitores das modalidades – seja qual for a modalidade – serem mais ou menos conhecedores. Logo, mais exigentes e, por acréscimo, críticos.

Mas nem é isso que interessa. O mais importante, e que foi puramente mandado às úrtigas, é a credibilidade da informação. Pensando – e aqui pode parecer que me contradigo, mas perceberão que não – nos leitores, por muito poucos que sejam, que param para ler uma página sobre Ciclismo e não estejam por dentro da modalidade… os “B.I.” apresentados roçam o ridículo.

E reforço, é um tremendo erro jornalístico se se parte do princípio que se está a escrever para “analfabetos”, porque toda a gente sabe que nem o percurso desportivo do Ricardo Martins começou na Riberalves-Alcobaça (ele até foi Campeão Nacional nas categorias mais jovens), nem o de Cândido Barbosa acabou na... Siper-F. Mota, em 1995.

E os últimos 12 anos?
E quem é que não sabe que o Cândido correu numa das mais fortes equipas internacionais, a espanhola Banesto?

Uma palavra para a Rádio Clube de Matosinhos (um abraço, Márcio!), foi através dela que tive aquele que pode ter sido o “momento” desta primeira parte dos Nacionais. Será acessório, não o discuto e aqui nem aponto nada aos jornais… é que há momentos que “são” da rádio. Foi quando o Márcio Santos entrevistou… quem estava maias à mão (também é verdade), mas deu-nos um Gilberto Sampaio emocionado, quase se “ouviam” os olhos a ameaçar derramar uma lagriminha malandra e dizendo aquilo que deveria ter sido aproveitado. Disse ele, para além do “estar muito feliz, blá, blá, blá…” que “ainda ontem [sábado] fiquei extremamente emocionado ao ver o meu tio no pódio… e hoje [domingo] vou estar eu".

O Gilberto é filho de João Sampaio (também foi corredor), irmão de Joaquim Sampaio que, aos 37 anos de idade ainda foi medalha de bronze no crono. Onze anos separam os dois.

Uma família de corredores de sucesso. Manuel Abreu - que, infelizmente, já não está entre nós -, irmão de Joaquim e João, foi um corredor enorme, também ele Campeão Nacional e segundo classificado na Volta a Portugal em 1992, terceiro em 1996 e quarto, em 1994.

Mas, para memória futura, aqui fica a lista dos Campeões, e seus lugares tenentes, apurados este fim-de-semana.

OS NOVOS CAMPEÕES NACIONAIS PORTUGUESES
Elites Masculinos
Fundo
1.º, CÂNDIDO BARBOSA (LSE)
2.º, Gilberto Sampaio (ASC)
3.º, Pedro Cardoso (MAI)
Contra-relógio
1.º, RICARDO MARTINS (FRM)
2.º, José Azevedo (SLB)
3.º, Joaquim Sampaio (RIB)
Sub-23 Masculinos
Fundo
1.º, VÍTOR RODRIGUES (LSE)
2.º, Alcides Almeida (SMF)
3.º, Bruno Pinto (SVV)
Contra-relógio
1.º, TIAGO MACHADO (RIB)
2.º, Cláudio Apolo (DUJ)
3.º, Rui Costa (SLB)
Elites Femininos
Fundo
1.ª IRINA COELHO (ATT)
2.ª, Isabel Caetano (SPL)
3.ª, Ana Rita Vigário (ATT)
Contra-relógio
1.ª, ISABEL CAETANO (SPL)
2.ª, Ana Rita Vicário (ATT)
3.ª, Ester Alves (SPL)
Júniores Femininos
Fundo
1.ª, CATARINA ANASTÁCIO (ATT)
2.ª, Sandra Pinto (SPL)
3.ª, Joana Barbosa (SPL)
Cadetes Femininos
Fundo
1.ª, CATARINA BORGES (ATT)
2.ª, Rita Moreira (ATT)
3.ª, Rita Barriga (BCB)

Legenda: LSE – Liberty Seguros; ASC – Vitória-ASC; MAI – LA-MSS-Maia; SLB - Benfica; RIB - Riberalves-Boavista; DUJ - DUJA-Tavira; SMF – E. Leclerc-Santa Maria da Feira- São João de Vêr; SVV – Sintra-Viveiros Vítor Rodrigues; ATT – Antarte-BiciCastro; SPL – SPOL-Caixanova/Alfena; BCB – Bike Clube S. Brás

632.ª etapa


ACÁCIO DA SILVA DE AMARELO NO TOUR

Dia 2 de Julho de… 1989.
Cidade do Luxemburgo.
Primeira etapa em linha da 76.ª edição do Tour de França, com partida e chegada na capital do grão-ducado, numa distância de 135,5 quilómetros.
Ganhou um homem da terra… quer dizer, criado e iniciado para o ciclismo no Luxemburgo, franco-falante, com certeza, mas nascido na mui transmontana Montalegre.
Português, portanto.
Falo, é evidente, de Acácio da Silva. Que, desde muito menino, levado pelos pais, vivia no Luxemburgo. Onde, aliás, ainda vive e tem os seus negócios.

Mas a efeméride não reporta ao triunfo de um português numa etapa do Tour. Essa sensação já antes tinha sido vivida por sete vezes e, por coincidência, esta oitava vitória lusa, em etapas no Tour foi, até agora, a última que pudemos festejar.

O que hoje se podia comemorar é o facto de, pela primeira vez um Corredor português ter envergado a Camisola Amarela na maior corrida do Mundo.

Esta edição do Tour começou e esteve três dias no grão-ducado.
No dia 1 de Julho de 1989 disputou-se o prólogo, um crono individual ganho por Erik Breukink que, naturalmente, se vestiu de líder; mas no dia seguinte, faz hoje precisamente 18 anos, Acácio da Silva ganhava a 1.ª etapa e ascendia ao primeiro lugar da Geral Individual. Lugar que manteria ainda nos três dias seguintes.

Ainda no Luxemburgo, no dia 3 disputou-se um contra-relógio por equipas, ganho pela Super U, mas que não mexeu nas contas da Geral Individual.
No dia 4 a corrida passou para a Bélgica. A ligação Luxemburgo-Spa/Francorchamps foi ganha pelo colombiano Raúl Alcalá, mas a amarela continuou de Acácio da Silva. No dia 5, ainda na Bélgica (Lège-Wasquehal), ganhou o holandês Jelle Nijdam, mas não importunou o primeiro lugar de Acácio e, só no dia 6, quando a corrida entrou em França – disputando-se um contra-relógio individual com uns loucos 73 quilómetros de extensão, ganho pelo estadunidense Greg Lemond (que viria a vncer a prova) - é que o nosso Acácio perdeu a liderança.
Mas ainda partiu para o crono de amarelo.

Foram quatro dias de líder.
A primeira e única vez que um português andou de amarelo na Volta a França.
Faz hoje 18 anos.

domingo, julho 01, 2007

631.ª etapa


OS NOVOS CAMPEÕES

Já é conhecida a grande maioria dos novos campeões nacionais, cabendo um aqui o destaque especial para o Cândido Barbosa (Liberty Seguros), finalmente o título que, aliás, lhe fica muito bem, e para o Ricardo Martins (Fercase-Rota dos Móveis), uma agradável surpresa e, claro, um prémio de todo justo.
Além fronteiras, destaque para a Caisse d’Épargne que “levou” os dois títulos espanhóis e para esta particularidade: nenhum corredor acumulou os dois títulos.

Para além da Caisse d’Épargne, também Gerolsteiner, Discovery Channel, Astana, CSC, e Crédit Agrícole passam a ter dois campeões nos respectivos conjuntos.

Mais alguns destaques: os títulos, no contra-relógio, conquistados pelos eternos Santi Botero (Colômbia) e Jaan Kirsipuu (Estónia); também por Laszlo Bodrogi (Hungria) e para um apelido famoso, na Irlanda: Nicolas Roche. Filho de Stephen Roche, vencedor do Tour há precisamente 20 anos.
O último destaque: reparem quem se sagrou campeão de fundo, na Colômbia… exactamente, Jeobanny Chacón que, há dois anos correu pela então ASC-Chenco Jeans, tendo ganho a primeira etapa, que terminou em Lisboa, e andado dois dias de amarelo. Perdeu a liderança na etapa que cruzou a serra da Estrela e foi terminar no Fundão, ganha por um tal… Vladimir Efinkin que não mais a despiria, malgrado a caça que lhe foi feita por… Cândido Barbosa.
São estes os Campeões já conhecidos:

PORTUGAL
CR – RICARDO MARTINS (FRM); Fundo – CÂNDIDO BARBOSA (LSE)
Alemanha
CR - Bert Grabsch (TMO); Fundo - Fabian Wegmann (GST)
Austrália
CR – Nathan O’Neil (HNM); Fundo – Darren Lapthorne (DPC)
Áustria
CR - Rupert Probst (RAD); Fundo - Christian Pfannberger (ELK)
Bélgica
CR - ; Fundo - Stijn Devolder (DSC)
Bielorrússia
CR - Andrei Kunitski (ASA); Fundo - Branislau Samoilau (ASA)
Cazaquistão
CR - Aleksandr Dyachenko (Elite); Fundo - Maxim Iglinskiy (AST)
Colômbia
CR – Santiago Botero (UOT) ; Fundo – Jeobanny Chacón (UOT)
Croácia
CR - Matija Kvasina (PER); Fundo -
Dinamarca
CR - Lars Ytting Bak (CSC); Fundo - Alex Rasmussen (ODE)
Eslováquia
CR - ; Fundo - Martin Riska (SWI)
Eslovénia
CR - Kristjan Koren (SAV); Fundo -
Espanha
CR - José Ivan Gutiérrez (GCE); Fundo - Joaquín Rodriguez (GCE)
Estónia
CR - Jaan Kirsipuu (Elite); Fundo - Erki Pütsep (BTL)
Finlândia
CR - Matti Helminen (DFL); Fundo - Matti Pajari (Elite)
França
CR - Benoît Vaugrenard (FDJ); Fundo - Christophe Moreau (A2R)
Holanda
CR - ; Fundo - Koos Moerenhout (RAB)
Hungria
CR - Laszlo Bodrogi (C.A); Fundo -
Irlanda
CR - Nicolas Roche (C.A); Fundo -
Itália
CR - Luca Ascani (AUR); Fundo - Giovanni Visconti (QST)
Letónia
CR - Gediminas Bagdonas (KLA); Fundo -
Lituânia
CR - Raivis Belohvosciks (SDV); Fundo - Aleksejs Saramotins (RBR)
Luxemburgo
CR - Christian Poos (CCD); Fundo - Benoit Joachim (AST)
Noruega
CR - Edvald Boassson Hagen (TMB); Fundo - Alexander Kristoff (TMB)
Polónia
CR - Łukasz Bodnar (ACT); Fundo - Tomasz Marczyński (FLM)
Rep. Checa
CR - ; Fundo - Tomás Buchácek (PSK)
Rússia
CR - Vladimir Gusev (DSC); Fundo - Vladislav Borisov (UCE)
Suécia
CR - Gustav E. Larsson (UNI); Fundo - Magnus Bäckstedt (LIQ)
Suíça
CR - Fabian Cancellara (CSC); Fundo - Beat Zberg (GST)
Ucrânia
CR - Volodymyr Dyudya (MRM); Fundo - Volodymyr Zagorodnij (OTC)