domingo, maio 14, 2006

82.ª etapa


VOLTA A PORTUGAL.1




PARTE I

Daqui a 3 meses... estará terminada mais uma edição da Volta a Portugal da qual poucos saberão o que já é possível saber.
A falta de informação, tendo em conta o impacto desta que, durante décadas, foi a segunda maior manifestação desportiva em Portugal, malgrado os títulos - até mundiais - que íamos conquistando no hóquei em patins, presta-se, é bom de ver, a todo o género de especulações. Que não são desejadas. Que não devem ser desejadas. Que não deviam ser proporcionadas pela própria Organização.
Os jornais, já de si cada vez menos atraídos pelo fenómeno das bicicletas, em ano de Mundial de Futebol têm todas as baterias assestadas na Alemanha. E há uma tendência para minimizar as nossas próprias organizações. Veja-se o exemplo recente do Dakar. A notícia de que, pela primeira vez na sua história, o raide no deserto norte-africano arranca mais tarde, acabando-se a tradição da passagem de ano em vésperas de se entrar no Continente Negro, se viesse, via-agências, de Paris, teria dado matéria para uma página inteira, pelo menos. Foi em Lisboa que isso foi anunciado e, em média, lá "sacou" pouco mais do que um quarto de página em cada jornal.
Curiosamente, em solo nacional o promotor é o mesmo da Volta a Portugal.
Por ali tudo, ou quase tudo, gira em volta de um núcleo duro que não consegue despir o "blazer", o polo, as calças de linho, os sapatos estilo vela e o chá das cinco num qualquer selecto clube da Linha com vista para um campo de golfe.
Não sou ingrato, nunca fui, e não esqueço que a JlSports/PAD salvou a Volta ao comprar as dívidas desta última e ao assumir o compromisso que ela tinha para com a FPC, de qualquer modo, o ciclismo – e mesmo a Volta – continua a ser o “filho adoptivo” pobre. O ano passado a empresa que, ano após ano vem, quase a pulso mas muito seguramente, a elevar o Estoril Open, em ténis a patamares que há dez anos eram impensáveis, “adoptou” mais um evento, o Dakar, e logo se percebeu que este seria o “adoptivo” rico.
Num e noutro evento – Estoril Open e Dakar – a presença portuguesa, não que eu ache que é apenas para “decorar”, tem, malgrado os Carlos Sousas e as Elisabetes Jacinto, os Fredericos Gil e as Fredericas Piedade que são sempre motivo de interesse e lhe dão o tal toque nacional, são, na sua essência, eventos para exportar. Tudo. A começar pela imagem da entidade organizadora.
Aceito que em termos empresariais ambos sejam bastante mais aliciantes do que a Volta a Portugal, que, ao contrário dos outros dois acontecimentos, não atrai investimentos nem parecidos. Antes pelo contrário. Serve apenas para, em complemento à exposição, principalmente televisiva de alguns dos patrocinadores, estes voltarem a ter mais 10 dias de televisão. Do “bolo” total dos tais investimentos, a parte de leão já foi gasta no Estoril e guardada para o Dakar do ano que vem. A Volta tem de viver com os restos. E mantém-se refém das autarquias que, como todos sabemos, estão tão sobre-endividadas como o comum cidadão. Tecnicamente em pré-falência mesmo que algumas façam das tripas coração para poderem ter, também elas – ou os seus responsáveis – uns minutinhos na TV.


PARTE II

Achei muito interessante um artigo colocado no Cyclolusitano por um Miguel S. – que não sei quem é – no qual coloca em patamares iguais as capacidades financeiras das autarquias francesas e portuguesas, chamando a atenção para o facto de que, quem organiza manifestações desportivas do calibre de uma Volta a Portugal deveria ser capaz, não de ir apenas bater à porta das Câmaras Municipais a pedir dinheiro, mas de levarem produtos suficientemente apelativos para serem vendidos. E ninguém lhe negará, a ela Miguel S., razão quando aponta um facto que parece escapar aos observadores domésticos. Em França, o Tour acaba sempre em Paris, a capital, mas, mas outras 20 etapas... quantas são as grandes metrópoles que aderem? Poucas. Muito Poucas. Quase nenhumas. As etapas começam e acabam em pequenas localidades das quais, na maior parte das vezes nunca ouvíramos falar nem somos capazes de identificar no mapa. Terão capacidade financeira para que a sua comparticipação pesa no todo do orçamento do Tour? Também duvido. Mas a corrida vai aos pontos que, em termos desportivos, mais interessam ao espectáculo ciclismo. No Giro de Itália acontece a mesmíssima coisa. Tirando Milão, final obrigatório... quais são as grandes cidades que acolhem a prova? Qual será o segredo deles?

Eu não conheço a realidade francesa mas, pelo contrário, as seis voltas a Espanha que já fiz dão-me uma ideia de como as coisas funcionarão. É verdade que a Unipublic – entretanto comprada, tal como aconteceu à PAD, pela Antena.3 – precisa escolher de entre dezenas de localidades candidatas à partida ou chegada de etapas, mas no orçamento da prova o “income” originário das autarquias é quase residual. Dá para os extras. Porque a corrida é garantida por meia dúzia de grandes patrocinadores.

Os grandes – à nossa escala - patrocinadores que temos, a organização da Volta a Portugal atrai-os para pagarem o Estoril Open e o Dakar, oferecendo-lhe ainda, como “bónus” o ciclismo. Mas o dinheiro não estica. É público, saiu em todos os jornais e foi falado na rádio e na televisão que, como contrapartida ao facto de receber uma etapa do Dakar, o município de Portimão ganhava o direito de ver a Volta a Portugal começar ali. Por mais um punhado de euros, Portimão viu-se promovida em todo o Mundo, aquando do Dakar, e vai ter mais espaço na televisão em Agosto. Foi um bom negócio para a autarquia. Mas, e para o ciclismo?

Depois de uma temporada com etapas de 130, 140 quilómetros... na Volta o pelotão vai ter que fazer Portimão-Lisboa em duas etapas, Portimão-Beja-Lisboa, ainda por cima. Façam os cálculos da extensão de cada uma delas.

PARTE III
No artigo de Miguel S. – que à boa maneira do Cyclolusitano viu de imediato as canelas ameaçadas por inofensivos mas chatos “vira-latas” só porque, bem ou mal, mostrou que é capaz de pensar pela sua cabeça (e, afinal, parece saber mais do que alguns gurus da casa) – li outra coisa interessantíssima.
Começo por confessar que eu era um dos que não achava piada nenhuma ao “Há Volta”. Não achava, nem vou achar, a manter-se nos mesmos moldes, mas a sua chamada de atenção deixou-me a pensar. E se calhar está certo.

A televisão, com um espaço popularucho – irritam-me solenemente aqueles que acham que o ciclismo não merece mais porque é uma modalidade cujos adeptos, logo, potenciais consumidores dos produtos por ele tornados visíveis, são essencialmente das classes média-baixa e baixa – dizia eu, com aquele espectáculo popularucho, até está a fazer o seu papel e penitencio-me por não ter percebido a sua intenção. Arranja um programa que “prende” espectadores até à hora de por no ar o espectáculo. Sim, porque em termos verdadeiramente desportivos, a cobertura integral das etapas em provas de duas ou três semanas pode redundar numa coisa chata, como podemos observar agora, no Giro. Há excepções, claro que há, mas em 60% das vezes são fugas que toda a gente sabe que não vão chegar ao fim... e que só acontecem porque a TV está em directo, por causa da publicidade.

Claro que os responsáveis pelas equipas não vão concordar comigo. Eu sei que o retorno publicitário é fundamental para quem investe numa equipa de ciclismo, mas que há etapas que nos levam ao bocejo... isso há. O que interessa são os últimos 50 quilómetros, altura em que os mais cotados começam a correr, anulam as fugas, se posicionam e decidem a etapa.
Para alargar o leque de espectadores é preciso o “Há Volta”? Continuemos então com o “Há Volta”. Há coisas piores na televisão.

segunda-feira, maio 08, 2006

81.ª etapa



GLOBALMENTE... POSITIVO

Rotulo de globalmente positiva a participação das 4 equipas portuguesas na recente Volta à Extremadura espanhola. De facto, a vitória de Andrei Zintchenko no crono, curto, pouco consignante com as suas características, a regularidade de Pedro Soeiro, nas chegadas, o que lhe valeu andar de amarelo durante dois dias e, principalmente, a inesperada mas que daqui saúdo calorosamente, acutilância da formação de Loulé que, mesmo não conseguindo mais do que dar nas vistas, fez muito mais do que normalmente tem feito nas corridas domésticas, são sinais inequívocos de que a corrida - e o pelotão - foram encarados de forma muito mais aberta do que costuma acontecer por cá.

Ora, analisando o que aconteceu de 3 a 7 deste mês, em Espanha, sou levado a deduzir que, quando correm em Portugal as equipas nacionais (tomando o exemplo destas 4) mais do que respeitarem ou temerem as convidadas estrangeiras apresentam-se é constrangidas face ao escalonamento virtual das próprias equipas portuguesas que até poderá começar por ser responsabilidade da Comunicação Social (que afirma ser a A a mais forte, a B aquela que mais se lhe aproxima e a C e a D as que lhes poderão dar luta) mas que não é mais do que isso... um escalonamento virtual que, e assumindo ser verdade o que atrás deixei escrito, não passará de um exercício académico pelo que creio ser pertinente a pergunta: porque é que equipas como a Imoholding-Loulé, por exemplo, "aceita" ser "apenas" da segunda metade do pelotão e não faz, por cá, o que fez agora, quando chegou a vencer duas etapas colectivamente?

Porque é mais fácil seguir no pelotão, deixando à LA-Liberty ou à Maia, o ónus de conduzir a corrida? Não será isso negar-se a si própria a pitada de ambição que é fundamental para se chegar a alguns resultados, acção à qual se não coibiu nesta Volta à Extremadura?

E a Paredes-Beira Tâmega e a DUJA-Tavira, embora menos vistas, também me deixaram a sensação de se terem mostrado bem mais "soltas" em Espanha, neste pelotão, do que quando correm por cá. Por isso defendo a importância destas experiências além-fronteiras. Tenho a certeza que este lote de corredores que participou nesta corrida espanhola veio com uma auto-confiança reforçada, e só por isso já valeu a pena terem aceite o convite.

Em relação à Riberalves-Alcobaça não concordo com a opinião de quem diz ter perdido a corrida, ou ter, só por erro de estratégia, perdido a classificação de melhor trepador. Certo que Andrei Zintchenko e Joaquim Andrade são corredores com experiência internacional, mas a equipa no todo, mesmo depois de ter corrido na América do Sul, está a dar os primeiros passos na internacionalização, e não esqueçamos que, por exemplo - porque é o melhor exemplo que temos - a Maia falhou retundamente nas suas primeiras experiências além fronteiras. É indo lá, e aprendendo com os eventuais erros cometidos que, equipa e director-desportivo aprendem. Vítor Gamito é um estudioso do ciclismo, falta-lhe - e não será ele a negá-lo - contudo, ainda algum "calo" na estrada. Mas tenho a certeza de que, também ele, voltou bastante mais rico em experiência. Deixo-lhe (permite-mo Vítor, com um forte abraço) um desafio: afronta, no melhor dos sentidos, claro, as principais rivais, em corridas domésticas, como o fizeste agora em Espanha. Foi pena o Hugo Vítor não ter ganho a montanha (ele bem que já merecia um triunfo que lhe marcasse a carreira), mas todos compreendemos - eu compreendo - que, correndo em "casa", as equipas espanholas não facilitariam.

Como eu gostava que as portuguesas fizessem o mesmo, tivessem a mesma postura, nas nossas corridas!

Duas notas:

1.ª nota - Apesar do grande - enorme - prestação do jovem espanhol Alejandro Marque, não nos iludamos. É um jovem espanhol, que teve oportunidade de correr em Espanha e não a perdeu para se mostrar ante os seus compatriotas. Foi por demais evidente a sua motivação.

2.ª nota - Não o fiz na altura, faço-o agora. Parabéns à Carvalhelhos-Boavista pelo triunfo no Memorial Dr. Barreiro de Magalhães, ainda por cima com uma dobradinha, ainda por cima... com dois jovens corredores.

domingo, maio 07, 2006

Reflexão


PARTE I





Chegaram-me, de vários quadrantes, reacções, também elas de teor diverso, em relação a este espaço que, aparentemente, está a ser de difícil aceitação em algumas (importantes) franjas adjacentes ao mundo do ciclismo nacional.

Respeitador, como sempre fui, da opinião dos outros, o que realmente me choca - e a palavra é mesmo esta CHOCA - é o facto de, num mundo onde a comunicação se globaliza e, em todas as áreas, fugindo à standarização dos òrgãos de Comunicação Social, se consagrou a blogoesfera como espaço de intervenção dos livres pensadores, surja tanta gente a ignorar, ou a fazer que ignora o significado um Blog.

Espaço pessoal de opinião, com o meu nome, que no meio todos conhecem, sustentado pelo conhecimento - que poucos porão em causa - que tenho sobre o ciclismo luso, nunca por mim foi sequer equacionada a possibilidade de isto se tornar uma extensão do que profissionalmente exerço. Não posso aceitar que, em termos profissionais, ponham em causa a minha idoneidade. Gosto muito da minha profissão, estou perfeitamente ciente das regras pelas quais se rege e delas, se alguma vez fugi, foi inadvertidamente. Ainda assim, espero, ao fim de praticamente 20 anos, alguém me aponte UM desvio. Que não nego possa ter acontecido. Mas que nunca foi apontado, pelo que sou levado a crer que, sempre fui capaz de ser sério e honesto.

Foi preciso eu criar este Blog para perceber que, e repito a forma como comecei, de quase todos os quadrantes começou a aparecer gente a revelar-se no seu aspecto, se calhar, o mais verdadeiro, e a manifestar inequivocamente uma espécie de anti-corpos em relação às minhas opiniões.

E essas manifestações de indisfarçável... desconforto, surgiram, tanto de onde eu já contava, como de vectores jamais por mim tidos como suspeitos.

Mas isto tem a ver, começa, é gerado... num minúsculo ponto que degreda de vez para o reino do ridículo essas manisfestações, públicas ou não. Desconhecimento ou teimosa negação daquilo que um Blog é: um espaço pessoal de opinião. Desalinhada da estrutura a que se habituaram a ver o seu autor. Quando é esse o caso.

Falemos de política, de intervenção social ou de cidadania... falemos, que é o caso, de uma modalidade desportiva. Este Blog foi criado estava eu em plena actividade profissional. Ainda assim, e desde o início, creio que de logo ficou demonstrado que a minha intervenção enquanto jornalista seguiria as regras que a mim próprio impus, mas que este espaço ia ser diferente.

Volto a repetir-me, não como complemento, ou prolongamento do que escreveria ou não no jornal, mas um espaço de pensamento livre.


PARTE II


E enquanto isso, pensador livre, "varro", de uma ponta à outra, todo o espectro do universo ciclismo. Sustentando as minhas opiniões que não são, nunca foram nem nunca poderão ser mais do que isso: as minhas opiniões. Merecem as minhas opiniões que algumas "sensibilidades" se sintam feridas? Vejamos "a coisa" de outro ângulo: há motivo para que as minhas opiniões espoletem "casos", ainda que, verdadeiramente, nenhum tenha sido despoletado?

Enquanto simples observador do fenómeno ciclismo detecto, ou vim a detectar e só no Blog as refiro, situações nas quais o JORNALISTA talvez até nem tenha legitimidade para intervir mas onde, em definitivo, o membro da tribo do ciclismo, repito, enquanto observador e fazendo uso da liberdade de opinião que lhe não pode ser negada, pode manifestar-se. É o que tenho feito. E de um ponto, mas isso é já pessoal, faço qustão de honra. Se não sei, se não estou 99% certo (porque ninguém está 100% certo), não toco sequer no assunto. E a maioria das manifestações de desagrado, declaradas ou "engolidas", devem-se apenas e só ao facto de os pretensamente visados não terem sequer imaginado que... eu sabia. Que eu sei.


PARTE III


Assim como reinvidico para mim aquilo que, enquanto cidadão me é devido, que é o direito à minha opinião, aceito que, em algumas situações, a outra parte reclame o seu direito à, chamemos-lhe (adoptando uma designação tornada famosa por um político)... indignação.

No meio terá sempre que haver um espaço de discussão para que se aclarem ideias, nunca uma hostilidade primária que, irredutivelmente, fragiliza quem por esta opta.

Enquanto consumidor de informação sobre ciclismo, juntando-lhe, é evidente, o meu estatuto de observador priviligeado - porque me movimento no meio há duas décadas (quando alguns dos que me hostilizam ainda usavam fraldas) - escrevi um artigo, o imediatamente anterior a este, no qual me refiro a um equiparado a órgão de Comunicação Social. Pelo menos, tem uma secção de notícias.

Lamentei que um projecto nascido quase perfeito tenha descambado para um arremedo de pequena feira de vaidades que nada, e repito, NADA, está a acrescentar à falta de divulgação do ciclismo em Portugal. Do ciclismo português. E estou tão certo de que a minha tese se sustenta por si própria que nem volto ao assunto. Nem um dos pontos que foquei pode ser rebatido. É tudo verdade!

Agora - mais uma volta e voltamos quase ao princípio - as reacções hostis foram imediatas. E ridículas.

Ridículas ao ponto de um bom bocado do meu texto ter sido republicado (sem indicação de onde era retirado) e amputado de uma parte que ia a meio, de forma a que, lido assim, pareça aquilo que não é.
Ridículas ao ponto de, num espaço onde a secção notícias está "em coma", à espera de morrer de morte natural, outro alguém se apresse, levianamente, a DESMENTIR uma notícia que, por acaso, que este Blog não é para dar notícias, eu aqui pus "colando" uma notícia que saíra em A BOLA.

Ridículas e imperdoavelmente desonestas.

O ciclista Unaï Yus, sob pseudónimo, "lança" o tema citando um site espanhol que terá feito eco da notícia de A BOLA, site que eu não consegui encontrar, pese embora tenha "varrido" todos os que conheço. Como a notícia em causa não mereceu espaço na edição on-line de A BOLA, como terá um site espanhol sabido dela?

Depois, o António Dias, 20 minutos após o Unaï Yus ter "lançado" a pergunta... desmente em corpo 24 a notícia d'A BOLA citando como fonte... o Unaï Yus. Mais tarde, o mesmo Unaï Yus regressa com uma piscadela de olho a afirmar que o AD tem... boas fontes.

No próximo fim-se-semana, quando do Grande Prémio do Minho, tudo isto terá desenvolvimento. E o AD vai ter que desmentir mais do que A BOLA. Se calhar, se tiver coragem para isso, vai ter que desmentir... o Unaï Yus.

quinta-feira, maio 04, 2006

Cyclolusitano.2





QUE PENA!...

Tudo, e todos os meios, que sirvam para ajudar a divulgar o Ciclismo em Portugal merece a minha atenção. E aplausos, quando merecidos. Porque nada nem ninguém está acima de uma crítica, que espero seja olhada como construtiva...

O mais importante - ou o único? - site dedicado ao ciclismo em Portugal (?) estagnou. Parou. Regrediu. De há mais de um ano para cá, de repente, um sítio que era visitado e procurado principalmente por interessados na História do nosso ciclismo - e detém um acervo de valor incalculável - foi "invadido" por figuras, figurinhas e figurões que, qual tânia, se introduziram nas suas entranhas passando, primeiro, a viver à sua custa para, porque nada em contrário foi feito pelos seus responsáveis, passarem a ser eles o "Cyclolusitano".

O Fórum, aberrância que cresceu e se espalhou qual doença má, é, hoje por hoje, a "estrela da companhia" e local onde qualquer um despeja a sua ignorância e ânsia de se mostrar mesmo que isso signifique a morte da secção NOTÍCIAS, ignorada para que algumas novidades se diluam nos milhentos tópicos de uma "roda de comadres" que é iligível e espaço que não interessa, nem um pouco, a quem, no estrangeiro, procura, num site português, notícias sobre o ciclismo nacional.

Pesquise-se a Internet. Em espanhol, para além do Todociclismo - sítio de referência -, e apesar do Globeros ter sido desactivado, ainda é possível encontrar mais uma dúzia de sítios onde procurar notícias. Regionais, talvez... mas sérios. Em francês há ainda mais e em inglês, para além do "rei" dos sites sobre ciclismo, que é o australiano Cyclingnews, outros tantos. Como o belga Cycling4all. E também há em italiano, em alemão, holandês, dinamarquês... não vou fazer aqui a Volta ao Mundo em sites sobre ciclismo.

Os portugueses que vivem no estrangeiro, e à falta de destaque - que eu defendo até à morte - da modalidade nos sitios dos jornais desportivos, que são avidamente consumidos (por causa do futebol, claro), procurarão o Cyclolusitano acreditando que têm ali o seu portal do ciclismo luso. Mentira!

A última notícia - que, se a minha memória não me atraiçoa, até nem foi aproveitada pelos jornais - data de há 3 semanas!!!

Eu sei que é um site construído e mantido à custa dos tempos livres dos seus responsáveis. Que têm outros afazeres, decerto mais prementes para a sua vida pessoal. Respeito-os. Contudo, pelo menos dois dos "administradores" são presença assídua naquela caricatura de "fórum". Um deles é mesmo um dos arrivistas, que desvirtuaram aquilo que o seu (do site) criador sonhara fazer daquele espaço. Não tenho nada contra a pessoa, o homem, mas em relação ao "administrador"... vou ali e já venho.

Eu, se quisesse, ou precisasse da colecção da SuperCiclismo - um beijo grande e respeitoso à Maria João, que sei lutar com enormes dificuldades para manter em pé o projecto - mandava um mail para... a SuperCiclismo, não usaria um "fórum" - sendo, ainda por cima, "administrador" do espaço, para pedir que ma enviassem. Ou telefonava-lhe. Mas aquele "fórum" é isso mesmo. Um espaço híbrido onde se despejam as maiores aleivosidades que se possam imaginar.

Exemplo: um tal El Kito escreveu hoje (4 de Maio) - ... o serginho [Sérgio Ribeiro] faz 6º numa clássica internacional e nem duas linhas saem nos jornais...

O português não lê jornais. O português médio, com alguma formação académica não lê jornais, que se pode esperar dos outros?

Eu Sei que não se consegue ler... mas envio o ficheiro a quem mo pedir.

E os "administradores", com mais responsabilidades, também não viram. Não emendaram. Não esclareceram quem procura INFORMAÇÃO no Cyclolusitano que o El Kito... apenas NÃO LÊ JORNAIS. Embora não tenha tido a mínima vergonha de escrever que "...nem duas linhas saem nos jornais..."

Repito que estas críticas o são, em consciência, de teor construtivo. Assim o queiram entender. Move-me o desejo de ter, em português, um site de dimensão internacional. Pelo menos, um sítio onde os portugueses, onde quer que estejam, possam colher uma ideia de como vai o ciclismo português. Não que um dos "postantes" foi reformado!!! Vergonha!

E, como para além das "novidades" colhidas nos sites estrangeiros - que qualquer um pode por si procurar (o Cyclolusitano deve ser o sítio na Internet que mais notícias decalca, a nível mundial - outra vergonha) - os seus responsáveis são incapazes de as procurar noutros locais, nem que seja no jornal - num qualquer jornal - que até pode ler à mesa do café onde vai tomar a bica, se o amor que têm pela modalidade não chega para gastarem 2,10 € por dia nos jornais desportivos... não percebo essa paixão. A não ser no aspecto do proveito próprio. Eu vou vê-los a reclamar direitos iguais aos dos jornalistas profissionais quando chegar a Volta.

Espero que, quem de direito, esteja atento ao "contributo" que o Cyclolusitano está a dar para a divulgação do ciclismo português.

Já agora, como o site "sobre ciclismo" em português está cego, depois de ter ficado surdo (infelizmente, pelo caminho que leva, não há esperança de ficar MUDO), e como a Internet já é um meio previlegiado de procura de notícias, deixo esta. Com um pedido do fundo do coração: parem! Pensem. Olhem à vossa volta. Arrepiem caminho. É o que todos os que realmente gostamos de ciclismo desejamos. A bem do Ciclismo nacional. A bem do Cyclolusitano.

quarta-feira, maio 03, 2006

80.ª etapa



INFELIZMENTE... NÃO ESTAVA ERRADO!

Pois! É "apenas" uma corrida do Circuito Europeu, daquelas onde se podem somar pontos UCI.

Pois! "Só" lá estão QUATRO equipas portuguesas e, "por acaso" o 3.º na Geral e os líderes da Montanha e dos Sprints Especiais até são corredores portugueses.

E que escolheram os jornais portugueses - com a tal excepção? Ignorar.

Claro que amanhã lá virá a notícia. Feita a partir dos resultados na Internet e de dois telefonemas, no "decanso" da redacção. Mas o que é que eu esperava se nem as corridas doméstias - mesmo que a organização suporte parte das despesas - suscitam o seu interesse? Para quê?, se no fim do dia há um "press-release", com declarações e tudo, e até fotos à disposição?

E em Agosto há mais uns "prémios de bom comportamento", mesmo que por lá apareçam caras enjoadas que preferiam mil vezes estar noutro lado a suportar aquela "estopada" de se levantar cedo para aturar ciclistas e DD's, muitas vezes, também eles mal encarados. E com tanto calor!...

Se eu fosse o prof. Marcelo... era nota claramente negativa para a CS indígena.

PS: Mas, e lá volto eu a ser chato, como para a Volta se consegue sempre publicidade... lá estarão. Todos. Mesmo com cartões profissionais de "encomenda"...

79.ª etapa



SÓ HÁ DUAS HIPÓTESES: OU SE ESTÁ... OU NÃO SE ESTÁ!...

Passam 40 minutos da meia-noite, já é 4.ª feira. Acabo de ler o trabalho que daqui a algumas horas todos os que comprarem A BOLA poderão ler. Sobre ciclismo, claro. Sobre a Volta à Extremadura, corrida espanhola, que sai da portuguesíssima Castelo Branco, patrocinada - entre outras entidades - por uma subsidiada de uma empresa portuguesa e com a participação de 4 formações lusas.

Tenho de confessar que nunca pensei que a minha ausência se prolongasse por tanto tempo. Tenho que confessar que não sei quando poderei voltar. Aligeira-me essa dor que sinto cá dentro o facto de A BOLA continuar a marcar uma posição que, custe a quem custar, doa a quem doer, nem sequer tem vindo a ser posta em causa pela concorrência. No outro jornal desportivo de Lisboa li, há dias, numa "curta", que iam estar seis equipas portuguesas na corrida. Isto já depois de A BOLA ter escrito que eram 4 e de eu próprio aqui ter deixado os seus nomes.

Rebusco os recortes dos últimos 4 meses e, tirando o GP da Costa Azul e a Volta ao Algarve, sublinho o divórcio entre os outros jornais desportivos nacionais e o ciclismo.

Se calhar - secretamente ainda alimento essa esperança - daqui a algumas horas, quando tiver nas mãos os três jornais impressos, terei de vir aqui pedir desculpa. Fá-lo-ei. Mas, ao mesmo tempo, receio não poder vir a ter essa oportunidade, apenas porque não vai haver nada a rectificar neste este artigo.

Estou, contra vontade minha, afastado da redacção, mas não deixo de "sentir a camisola" e é com muito orgulho que vejo continuado (sem falsas modéstias) o meu trabalho em prol do ciclismo nacional. Fico mais socegado.

Claro que já sabia que não há insubstituíveis e que destes estão os cemitérios cheios, mas temi. Agora estou descansado. E todos os que minimiza(ra)m o esforço de A BOLA no apoio e divulgação e acompanhamento, en su sitiu, do ciclismo português bem podem limpar as mãos à parede, como se diz no meu Alentejo.

Não, não são dúzia e meia de fotos num qualquer site que só meia dúzia conhecem e onde nem todos podem entrar que "salvam" ou projectam os investimentos dos patrocinadores que mantêm vivas DEZ equipas em Portugal. Mesmo que seja só 1/4 de página... se cada um dos 150 mil exemplares postos nas bancas forem comprados e lidos por seis pessoas cada (que é, mais ou menos, o que dizem os observadores do mercado), sempre há quase 1 milhão de portugueses, aqui, em França, nos Estados Unidos... que vão sabendo novas do nosso ciclismo. Todos os dias.

Sim. Posso ir dormir descansado.

P.S.: Nada tenho contra, antes pelo contrário, os amadores que tiram fotos em ALGUMAS corridas e as põem onde muito bem lhes apetece. Todos somos poucos para ajudar, cada um na sua área, a promover o ciclismo em Portugal. Bem hajam, esses, portanto.

sexta-feira, abril 28, 2006

78.ª etapa



NÃO BASTA SER SÉRIO, TAMBÉM É PRECISO... PARECE-LO

Algo de muito estranho a conteceu hoje na Volta a Romandia. O líder da Discovery Channel - e um dos candidatos à luta pela vitória no Giro, que começa dentro de pouco mais de uma semana - fundiu-se, pura e simplesmente. Paolo Savoldelli... desapareceu nos fundos da classificação.

Problemas gástricos. Teve de parar durante a etapa.

Na Discovery Channel?

É certo que Lance Armstrong só comia o que o cozinheiro da equipa confeccionava, por causa das coisas... Mas, uma equipa desta dimensão não pode cometer erros deste calibre. Pior... na outra equipa que ficou no mesmo hotel... não houve casos de "desidratação".

Estamos a uma semana do Giro... que o diabo leve para bem longe aquilo que me passou pela cabeça. Não na Discovery...

77.ª etapa



E ESTÁ TUDO RESOLVIDO!...

E pronto, a Volta a Portugal-2005 já pode ser homologada, depois de ultrapasado o problema levantado com a participação de um corredor que, antes, tinha sido apanhado nas malhas do "doping".

O corredor foi castigado em dois anos - o que é irrelevante, dado que já tinha dado como concluída a sua carreira -, a organização da Volta pode pagar os prémios (se é que o não fez já) e este capítulo riscado da história do ciclismo português. Porque, por tudo o que se passou, não merece lá figurar.

Vamos então em frente!...

quarta-feira, abril 26, 2006

76.ª etapa



THE BRIGHT SIDE OF THE MOON

1. Embora seguindo a corrida à distância, atrevo-me a escrever aqui que o recente Grande Prémio Rota dos Móveis terá sido a corrida mais disputada e espectacular da temporada, até agora. Li o que foi escrito nos jornais, li os press-release que a organização me enviava para o meu mail e... fiquei com essa impressão.

2. Pareceu-me uma corrida muito bem estruturada. Parabéns ao Joaquim Gomes e à sua equipa. Pareceu-me que o público acarinhou a prova, mostrando-se, o que significa que o público não deixou de gostar de ciclismo, assim o pelotão lhe ofereça o que ele procura: espectáculo.

3. Pelas fotos que me foi dado ver, equipas como a DUJA-Tavira, mas também a Paredes-Rota dos Móveis-Beira Tâmega, a Imoholding-Loulé, a Vitória-ASC, a Madeinox-Bric-Canelas ou a Riberalves-Alcobaça, nunca deixaram de estar presente nas diversas fugas, ao longo da corrida.

4. A LA-Liberty ganhou a primeira etapa e lutou muito na segunda, embora não tenha sido capaz de contrariar o contra-ataque da Maia-Milaneza; a Barbot-Halcón venceu a 3.ª, com o nosso "Alessandro Valverde" - leia-se Sérgio Ribeiro, um homem para todos os terrenos que, devidamente trabalhado, dentro de dois anos poderá ser uma das grandes figuras do pelotão... internacional.

5. E só falta uma das equipa profissionais. Pelo que li, a Carvalhelhos-Boavista fez uma etapa - a última - espectacular. Mostrou estratégia, atacou com vários elementos, com a intensão de, nos últimos quilómetros, levar Tiago Machado ao triunfo. Não foi possível, mas - repito - pelo que li, o seu trabalho foi irrepreensível (e espectacular) só não tendo conseguido alcançar o objectivo dado que... nem Pedro Cardoso, nem a Maia-Milaneza, mesmo com uma equipa muito mexida e muito jovem, perderam a qualidade e a ambição que tem guiado a formação maiata nos últimos anos.

6. Justíssimo o triunfo de Pedro Cardoso. Apodado por vários cronistas de "trabalhador do pelotão", parece que se fixaram na "árvore", esquecendo "a floresta". Na "velha" Maia, Pedro Cardoso terá sido obrigado a trabalhar para companheiros julgados com melhores hipóteses, mas quem tem seguido o seu percurso desde que chegou a profissional não pode esquecer as suas qualidades naturais, nem negar o facto de ser, indesmentivelmente, o Chefe-de-Fila, "desta" Maia. Danail Petrov será uma excelente ajuda, mas - e é apenas a minha opinião - o corredor de Barcelos deverá ser o "ponta-de-lança" de Zeferino na Volta a Portugal. Claro que isto é um exercício meramente teórico. Até nem se sabe ainda quais as características, físicas, da Volta.

7. Volto atrás para sublinhar, porque o acho de todo merecido, a prestação da Carvalhelhos-Boavista. Já fui muito crítico em relação à apatia da equipa do professor José Santos na maioria das corridas, nos últimos anos, mas eis que sou surpreendido. E surpresas destas gostava eu de ter em todas as corridas. A injecção de "sangue novo", com o aparecimento de jovens cheios de "ganas", parece estar a dar resultados.

8. Por favor... dêem-me mais corridas assim. Dêem-nos mais corridas assim. E acabo como comecei. Este Grande Prémio Rota dos Móveis pareceu-me ter sido a corrida mais emocionante, até agora, nesta temporada. Os meus mais sinceros desejos de que, para o ano, a voltemos a ter no calendário.

terça-feira, abril 25, 2006

75.ª etapa



ACERTOS CONFIRMADOS

Porque hoje é feriado e as pessoas provavelmente se levantam mais tarde e já não vão a tempo de comprar jornais - e para aqueles que se gabam de não terem esse viciante hábito, que é o de ler jornais -, também para os que têm as suas preferências, as quais não passam por A BOLA, que daqui a algumas horas estará impressa, trazendo estas notícias, deixo aqui duas curtas notas:

- Afinal, sempre vão 4 equipas lusas à Volta à Extremadura (Espanha), a disputar entre 3 e 7 do próximo mês de Maio: Riberalves-Alcobaça, Paredes-Rota dos Móveis-Beira Tâmega, Imoholding Loulé e DUJA-Tavira. Entretanto, e porque no fim-de-semana de 6 e 7 de Maio estavam calanderizadas duas corridas de um dia, no Algarve, os organizadores decidiram movê-las para o fim-de-semana de 20 e 21 de Maio, servindo as mesmas corridas de "aquecimento" para a Volta ao Alentejo.

- Afinal, acabou por se resolver, a contento de todos, a situação das duas equipas que se haviam "esquecido" de responder ao convite endossado pela Organização do Troféu Joaquim Agostinho. O pelotão terá 17 equipas (mais duas do que a Organização previra): as 10 nacionais e as sete estrangeiras que, entretanto, já haviam sido confirmadas, de entre as muitas que se mostraram interessadas em correr em Portugal, naquela prova.

Fora das barreiras.2



NÃO MATEM O MENSAGEIRO!...

Vou começar pelo fim.
Passam hoje, exactamente, 32 anos sobre a data em que, e face aos acontecimentos registados e a sua posterior evolução, recuperámos a Liberdade. Há muitos géneros de liberdade mas a primeira, a mais importante, é a liberdade de cada um de nós nos expressarmos livremente. A segunda é a de respeitarmos a opinião dos outros.

Ontem fui confrontado com duas afirmação com as quais, é evidente, não posso concordar. Por isso, e porque acho o assunto suficientemente importante, transformo (já o fiz uma vez antes e disse, na altura, que o faria sempre que julgasse pertinente) aquilo que seria apenas uma resposta pessoal num novo artigo.

Cito: “... pelo facto de um jornalista ser faccioso e hábil com as palavras...” (depois foi ressalvado que a mim me reconhecem a isensão, mas ficou o “hábil com as palavras”).
Mais tarde e num outro
post volta-se ao tema. Torno a citar: “... muitas vezes as entrevistas são ‘manipuladas’ e vós jornalistas retiram muitas vezes uma frase dada num determinado contexto e colocam-na fora desse mesmo contexto deturpando a verdade.”

1.º ponto – Parto do princípio que o amigo que escreveu isto (e vem na sequência de um outro
post seu, falava... genericamente, do que presumo ter, finalmente, percebido o significado da palavra;
2.º ponto – Se eu transcrevi NA ÍNTEGRA a parte da entrevista que abordava um determinado assunto em discussão... como poderia ter tirado fosse o que fosse do seu contexto? Não escrevi uma frase solta. Transcrevi EXACTAMENTE as perguntas feitos pelo colega e as respostas dadas pelo seu entrevistado. Aliás, de tão concisas e quase telegráficas que são, seria praticamente impossível retirar fosse o que fosse do contexto.

Posto isto, sou levado a crer que, como infelizmente muitos outros, mas muitos mesmo, este amigo acha que a Guerra do Iraque não foi por culpa do Saddam e do Bush, mas dos jornalistas que a contaram... Que os atentados na Palestina e em Israel também são culpa dos jornalistas e que, se estes os não relatassem, aquela gente vivia na mais santa paz.
São coisas más, que gostaríamos de não ver entrar-nos casa adentro, seja pela TV seja nos jornais. São “manipulações” dos jornalistas.

Com isto recordei-me de um velho
cartoon (sou fã) no qual, um casal todo aperaltado e dando ares de bem colocado na vida, passam numa avenida ao lado da qual existia um Bairro de Lata. E dizia um deles: Que miséria, que vergonha!..., ao que o outro acrescentava: Pois é. Não custava nada construirem aqui um muro bem alto que nós não temos que ver coisas destas!

A grande tarefa dos jornalistas é a de evitarem que se construam muros a esconder as vergonhas e se eles forem erguidos, a de derrubá-los. E se não conseguirem derrubá-los... passar por cima deles e voltar, contando o que viram mesmo que a maioria preferisse não o saber.

E estes "muros", ou existem, ou há sempre quem queira ergue-los, seja em que sector for da Sociedade. Até mesmo no Desporto. Até mesmo no Ciclismo. Até mesmo em Portugal.

Caro amigo, aparentemente és adepto dos muros que “nos protejam” das vergonhas.
Eu estou disposto a, se for preciso, trepá-los e ir lá ao outro lado e testemunhar as pequenas desgraças ou grandes vergonhas. Para as relatar a todos os que acreditam que estes 32 anos, nos seus muitos altos e baixos, não foram em vão.

quarta-feira, abril 19, 2006

74.ª etapa



A IMPORTÂNCIA DAS CORRIDAS DE UM DIA

Depois de ter assistido hoje à Flèche Wallone - e de ter visto as últimas grandes clássicas que a EuroSport nos tem oferecido -, depois de, apesar de lá não ter estado, fisicamente, ter lido que, tanto o Troféu Sérgio Paulinho como a Clássica da Primavera (um grande abraço ao Manel Zeferino que, apesar das dificuldades, conseguiu pôr a corrida na estrada), dou comigo a pensar: mas porque é que deixámos "cair" a... como é que se chamava? Taça Nacional das Clássicas? Já não me lembro!...

É apenas coincidências este artigo vir a seguir aqueloutro que revela a vontade de as equipas do Norte não comparecerem a duas corridas de um dia que vão realizar-se no Algarve, e se só a esta hora estou a escrever é porque, depois de rever a gravação, fiquei de tal forma sensibilizado que não resisti.

Corridas únicas, nas quais só pode haver uma táctica: trabalhar para ganhar. E ponho-me na pele dos patrocinadores. Não é para isso que investem o seu dinheiro? Para ganharem?

Com um calendário de Corridas de Um Dia - desculpem lá, mas a história do nome "clássicas" é como a dos "derbies", no futebol. Um FC Alverca-UD Vilafranqense até pode ser apodado de derby pela imprensa local, mas não será, nunca, mais do que a cópia, a um determinado nível -sempre mais baixo - dos verdadeiros "derbies" que, e não sou tão purista como alguns colegas, não se resumirá apenas aos Benfica-Sporting ou vice-versa; só há três clubes em Portugal que participaram em todos os campeonatos da I Divisão, ou Liga, o que lhes queiram chamar, logo, os jogos entre Sporting, Benfica e FC Porto serão os "derbies" ao nível do futebol português porque há mais de 60 anos que se encontram entre eles.

Clássica, em Portugal, e voltando ao ciclismo, só houve uma - infelizmente posta de lado, temporariamente, desejo eu -, o Porto-Lisboa.

O resto são corridas de um dia. E fiquei muito satisfeito, o ano passado, quando a FPC decidiu organizar o Troféu Sérgio Paulinho, fugindo à malfadada (no sentido de mal empregue) "clássica". E como sou apologista de que as pessoas que se destacaram de algum modo na sua actividade, e dessa forma fugiram à nossa condição de simples mortais, tendo garantido a perpectualidade do seu nome, porque é que o CD Navais não há-de rebaptizar a sua corrida como Troféu Manuel Zeferino? Filho da terra, vencedor de um Volta a Portugal e o técnico luso com mais provas dadas além fronteiras? Claro que agora, com o Manel na direcção, aceito que não se dê esse passo... Mas bem que poderão pensar nisso.

Como a Associação de Ciclismo de Aveiro, por exemplo, podia criar o Troféu Alves Barbosa, ou irmãos Sousa Santos, ou Joaquim Andrade (pai)... e dar mais visibilidade ao nome de Fernando Mendes; como a Associação de Ciclismo do Porto podia criar o Troféu Ribeiro da Silva...; a de Braga, o Troféu José Martins... ou Coelho de Lima, um homem a cuja memória o ciclismo nunca conseguirá retribuir no justo valor àquilo que ele fez pela modalidade; a de Santarém o Troféu José Maria Nicolau e Troféu Alfredo Trindade... e o Troféu Marco Chagas; como a AC Algarve já podia ter dado o nome de Jorge Corvo a uma das suas corridas... e que não se esqueçam do meu muito querido engenheiro José Manuel Brito da Mana.

Já viram o painel de grandes campeões - e não só, e não só... - que podiam emprestar os seus nomes a uma grande competição - a tal Taça Nacional... de Clássicas (já dou isso de barato, mais pelos nomes do que por outra coisa) - homenageando anualmente ALGUMAS das principais figuras que construiram a história do nosso Ciclismo?

E dos que (ainda) vão à estrada ver passar as corridas, quem não se lembra deles?

Torres Vedras é terra de ciclismo e de ciclistas... mas o facto de a sua grande corrida levar o nome de Joaquim Agostinho não pesará muito no facto de ser umas das que conheço que mais público atrai?

Pois é...

Por enquanto, ter ideias ainda não é matéria colectável para o IRS...

Mas volto ao princípio. À Flèche Wallone que ainda há pouco acabei de rever (sem som... acrescento, por respeito à verdade). Que corrida! Outra, a somar-se às que já aconteceram. E que ponderem todos nisto: o facto de a EuroSport nos oferecer estas corridas de um dia... não levou ainda ninguém a pensar como eu? Como podíamos ter no calendário provas do género? Exigentes, duras... para que só os melhores pudessem sobressair.

Para que, quando chegássemos à Volta a Portugal, a maioria das fugas não merecesse mais destaque do que o que merecem... na maior parte, nenhum. São fugas para a televisão. E que um lugar nos primeiros 20 na Volta não servisse de objectivo a ninguém.

Com um calendário preenchido, todos os fins-de-semana, de Março a Junho, com corridas de um dia... chegados a Agosto ou se ganha a Volta (ou se luta por ela até ao último metro) ou não se é motivo de notícia. E as equipas podiam jogar diversos trunfos ao longo da temporada.

Assim, como estamos, um terço do pelotão sabe que não querem dele mais do que trabalhar para o chefe-de-fila, na Volta, e os outros dois terços só têm um objectvo: andar numa fuga num dos nove dias da Volta a Portugal. Como é que motivam estes atletas a treinarem-se meses e meses, ao sol e à chuva?

Os dois primeiros meses de competição são encarados sem pressão porque são os próprios Directores-desportivos que vêm dizer que "eles" - os estrangeiros - vêm melhor preparados (não percebendo que estão, implicitamente, a reconhecer que não quiseram, ou não souberam, preparar melhor os seus próprios corredores); a partir de Maio... os potenciais candidatos à vitória na Volta, e os seus "peões de brega", são hostensivamente resguardados para não se "cansarem" ou sofrerem lesões...

Os outros corredores de cada uma das equipas, que são a grande maioria, se verdadeiramente profissionais hão-de sentir uma tremenda frustação por nunca merecerem a confiança para, num golpe de asa, se libertarem do anonimato a que as próprias equipas os condenam.

Talvez por isso, mesmo nos treinos - e todos sabemos que é verdade - limitam-se a cumprir os "serviços mínimos"...

terça-feira, abril 18, 2006

73.ª etapa



OUTRO TRISTE EXEMPLO!...

Tenho à minha frente o Calendário Oficial, Provas de Estrada, da FPC, aprovado em Assembleia Geral.

Depois da Volta a Terras de Santa Maria (24-26 de Março), disputou-se a 2 de Abril a Clássica da Primavera - corrida de UM dia - mas as provas 1.12 calendarizadas para 9 e 15 de Abril não se realizaram!

Volta o pelotão à estrada este fim-de-semana, com o I GP Rota dos Móveis, sendo que a corrida 1.12 agendada para 30 de Abril parece que também vai "morrer na casca".

Nos 30 dias de Abril temos, pois, 5 DIAS de competição.

Parece que é curto, o calendário nacional, mas 2 a 6 de Maio (cito de memória) disputa-se a Volta à Extremadura (Espanha), corrida do Circuito Europeu (Classe 2.2) para a qual foram convidadas diversas equipas lusas e que, ao que sei, apenas a Riberalves-Alcobaça respondeu afirmativamente.

Entretanto, a 6 e 7 de Maio correm-se mais duas provas de 1 dia, ambas no Algarve e já sei que se levanta um movimento por parte das equipas do Norte (60% do pelotão "profissional") para faltarem, em conjunto, às ditas corridas.

O motivo?... A Organização marcou a corrida de dia 6 para a parte da tarde, pelo que só assumirá os encargos com o alojamento e alimentação dos participantes UMA NOITE. As equipas do Norte, ou vão para o Algarve de véspera, e assumem elas as despesas da pernoita de 5 para 6 de Maio, ou viajam no mesmo dia em que a corrida se disputa.

Má fé da Organização? Não subscrevo essa tese. Os seus responsáveis terão ponderado o melhor figurino para as duas corridas e, aprovado este, não têm que se preocupar com nada mais que seja o perfeito desenrolar das mesmas, até porque já passaram por problemas numa outra corrida por si organizada.

Cada um trata de garantir os seus interesses, e não será o organizador a ter de se preocupar nem com o quando, nem como, as equipas se deslocam. Está tudo regulamentado, cumprindo o regulamento a mais não é obrigada.

E as equipas do Norte, aparentemente, não têm orçamento para suportar UMA noite a expensas próprias. E, mais uma vez, escolhem a fuga em frente, pensando que levam tudo consigo, qual arrastão.

A cumprir-se (mais) esta ameaça, e se aquelas equipas não comparecerem no dia 6... quem está a pagar os ordenados a todo o conjunto (a todos aqueles conjuntos), pagará UM MÊS de ordenado a cada um dos elementos do grupo quando só alguns correram... CINCO DIAS! Em seis semanas!!!

Vamos começar a distribuir as culpas pelo topo.

Quem tem culpa de tudo isto é a FPC que aceitou a incrição de equipas - muitas delas - com o número mínimo de corredores e com o mínimo do orçamento possível.

Há equipas que não têm orçamento para pagarem 5 quartos e dez refeições, por UMA vez, e por isso se preparam para não comparecerem a uma prova calendarizada?

As inscrições dessas equipas não deveriam ter sido aceites.

Iam corredores para o desemprego? Não brinquemos com a situação. Os corredores não têm nada a ver com isto. Estão, à partida, ilibados. Mas há-de haver responsáveis.

Este exemplo que aqui deixo deve potenciar a "azia" com que alguns ficaram quando, num artigo anteriormente aqui escrito, referi (e não referenciei, à atenção do tal dito cujo) que nos míseros orçamentos - com os quais aceitaram trabalhar - muitos contabilizam as "derramas" por parte das organizações e até eventuais prémios que venham a ganhar.

É este o nosso ciclismo "profissional"!

72.ª etapa



DON QUIXOTE, OS MOÍNHOS, CONSCIÊNCIA E VERGONHA

Já aqui o tinha referido - e não referenciado (É VER NO DICIONÁRIO QUAL É A DIFERENÇA), como alguém com responsabilidades na divulgação do ciclismo insiste em babosear - que é com algum orgulho que vou recebendo mensagens de gente ligada ao Ciclismo, desde jovens atletas a outras pessoas com maior "peso específico" na modalidade, passando, naturalmente, por alguns colegas e amigos.

Que preferem não utilizar este espaço. Mas, e na verdade, ele não serve para que me dêem palmadinhas nas costas, mas para que DISCUTAMOS o Ciclismo. Por isso aceito o argumento de um grande amigo, pessoa que anda aí, na estrada (e não é jornalista) que, e muito bem, me disse que não contesta os meus artigos porque está de acordo com a esmagadora parte dos meus argumentos. Também não ia querer que as respostas a cada um dos artigos que aqui deixo fosse apenas para dizer: concordo. Eu sei que há quem concorde. Sei até quem concorda. Não é surpresa, pois, o ter na caixa de correio mensagens de apoio.

Este post sai à laia de resposta a um dos mais velhos e queridos Amigos que tenho no pelotão. Homem a quem o ciclismo muito deve e a quem os homens (de hoje) tardam a reconhecer o muito que ele fez, homenageando-o condignamente. Como ele merece.

Caro amigo, gostei da sua comparação. Terá esta tarefa, a que me propuz, muito de "queixotesco". Se calhar tem mesmo. Mas só quem não leu Miguel de Cervantes pode interpretar mal o termo. Caricatura de uma certa "casta" de Cavaleiros Andantes, Don Quixote não era o louco que parece ser, mas sim a consciência de todos os que preferiram ficar quedos e mudos, ante uma sociedade que mudava. Curvo-me perante a sua sapiência e só lamento a parte final da sua mensagem onde diz que está "descrente e desiludido". Não estamos todos?

Assim, acumulo os papéis do "lunático" Don Quixote e da bem mais pragmática (por retratar a voz do povo) figura do Sancho. E, se por vezes cavalgo o escanzelado Rocinante, noutras sujeitar-me-ei à bem mais segura rota da pachorrenta mula do fiel aio do Cavaleiro da Triste Figura. Ciente que, tal como quem tem o mínimo de cultura percebe a deliciosa parábola que Miguel de Cervantes nos deixou com esta obra, quem tem o mínimo de conhecimentos e paixão pelo Ciclismo perceberá contra que "moínhos" eu invisto de lança em riste.

Não me desmotiva o meu grande Amigo, antes pelo contrário. Dá-me alento. E, quanto aos resultados (leia-se influência que este espaço pode ter num eventual processo de regeneração do Ciclismo em Portugal)... a verdade é que, por enquanto, não espero nada.

Escolham uma boa peça de um excelente dramaturgo e, mesmo que o encenador seja só aceitável, se o grupo de "actores" for mau... e se forem sempre os mesmos... a peça será um fracasso. Ora, se compete ao encenador por o espectáculo em palco, terá de ser ele a correr com os maus actores e escolher melhor elenco.

Diz o Amigo que eu já deveria ter "percebido que esta luta está condenada a arraster-se..."

Tenha eu Vida e Saúde para a manter, que se arrastará até onde e quando for preciso. Não ando à "caça de moínhos". Sei, e digo-o as vezes que me apetecer, o que está mal e, pior ainda para o establishement que reina, sou capaz de ter ideias para mudar o estado das coisas. Se isso não servir para mais do que para que todos percebam quem é que controla o "sistema" - usando uma terminoligia que se tornou famosa com o futebol - então já será uma vitória para mim.

sexta-feira, abril 14, 2006

71.ª etapa


DURA LEX, SED LEX!...





TODAS as corridas Internacionais disputadas este ano em Portugal levaram, por parte dos respectivos presidentes do Colégio de Comissários (os únicos enviados pela UCI), NOTA NEGATIVA no que respeita à falta do cumprimento das novas regras quanto à cobertura das corridas, por parte dos media.

Carros (de Órgãos de Comunicação Social) a mais, na corrida; número de presenças ("acreditadas") superior às registadas pelo Gabinete de Imprensa, no primeiro dia e reconhecidas pelo delegado da AIJC - não, não é a brincar o acordo assinado entre esta associação e a UCI e aí estão as primeiras consequências...), falta de coletes identificadores dos fotojornalistas, "de facto" em serviço, e presença anormalmente congestionante, nas zonas chegadas, de pessoas que, supostamente, lá não deveriam caber.

A UCI notificou a FPC que já pediu explicações às duas organizações em causa: a PAD e a A. C. Algarve.

Quanto mais se abusar... mais o laço vai apertar... e todos sairão a perder.

70.ª etapa



PODEMOS CONTINUAR COM UM CICLISMO ASSIM?

Por acaso, e estou ciente que foi só por acaso, foram mais as reacções positivas do que as negativas à minha ideia de se formar uma frente que leve à constituição de UMA equipa representativa de Portugal no grande pelotão mundial.

Atenção... quem está com medo desta ideia, deve ter mesmo medo que eu (e consegui-o sozinho, vejam lá... ) tenho a "chave" para lá chegarmos, mas não posso dizer tudo aqui.

Acho que temos condições para isso e quem diser o contrário, principalmente, sendo gente de DENTRO do ciclismo, é o mesmo que reconhecer a sua incapacidade e substimar a possibilidade de esta ideia poder vir a conquistar interessados.

E aquele "por acaso, e só por acaso"... tem muito a ver com o artigo anterior. Vive-se "aninhado" no que se tem e existe falta de coragem para olhar mais longe. Principalmente, e isto SOU EU QUE ACRESCENTO, se isso puder vir a significar os lugarzinhos que muitos julgam ter assegurados.

Portugal tem 10 equipas Continentais (a III Divisão) no ciclismo mundial.

Portugal tem 92.391 km2 de superfície, divididos em 18 distritos (falo só do território continental), com 10.529.525 habitantes. E um PIB (Produto Interno Bruto) - que é o cálculo da riqueza que o país produz, a dividir por todos os seus habitantes, ao fim do ano - de 18.503 dólares americanos.

O ciclismo "profissional", em Portugal, está assim distribuído (o mapa não resultou da forma que eu desejaria, mas todos o sabem interpretar).

Falemos agora de Espanha, aqui a lado.

Tem 14 equipas profissionais (apenas mais 4 que Portugal), embora divididas pelos três escalões.

Tem 4 no ProTour (embora uma tenha sede na Suíça), 5 no segundo escalão e outras 5 no 3.º, onde estão as 10 portuguesas.

Espanha tem 504.782 km2 de área, 43.197.684 habitantes e um PIB de 23.627 dólares americanos/habitante/ano. Mais 27,8%, por habitante/ano.

Tem 17 Regiões Autonómicas - com governos próprios - mas as equipas espalham-se por apenas 9 delas. A saber:

PAÍS BASCO - 7.234 km2/2.124.846 habitantes / 3 equipas

CATALUNHA - 32.114 km2/6.995.206 hab. / 1 equipa

MADRID - 8.028 km2/5.964.143 hab. / 2 equipas

NAVARRA - 10.391 km2/593.472 hab. / 2 equipas

ANDALUZIA - 87.268 km2/7.489.799 Hab. / 1 equipa

C. VALENCIANA - 23.255 km2/4.692.449 hab. / 1 equipa

MÚRCIA - 11.313 km2/1.335.792 hab. / 1 equipa

CASTELA E LEÃO - 94.223 km2/2.510.849 hab. / 1 equipa

EXTREMADURA - 41.634 km2/1.083.879 hab. / 1 equipa

Como vemos a segir:

Portugal, como todos devem saber, é aquele bocadinho em branco no lado esquerdo do mapa.

Se naquele espaço todo que resta, à direita, só "cabem" 13 equipas... se em Comunidades quase com a mesma superfície e habitantes que o nosso País só há lugar para UMA... se, no geral, têm um PIB em quase um quarto superior ao nosso... como é que há quem defenda a existência de DEZ equipas profissionais em Portugal? Mesmo no III escalão, onde os espanhóis só têm 5.

Os espanhóis são parvos, claro! Será?

Agora consultem o site da RFEC e vejam quantas equipas amadoras (clubes) existem. Vejam o respectivo calendário... e quantos dias a mais correm que as nossas "profissionais".

NÃO!... Não estou a mandar abaixo o Ciclismo Português. O ciclismo de alguns portugueses... talvez, mas estou-me marimbando! Aqui trata-se do ciclismo português e não vou fingir que, sabendo-o em fase terminal de doença incurável, só por lhe dar umas aspirinas a minha consciência fica mais aliviada.

É preciso reconstruir tudo de raíz? Vamos a isso!...

E os mais interessados deviam ser aqueles que vivem directamente dele. Ou não?

Venham de lá esses "recados" murmurados nas minhas costas...

quinta-feira, abril 13, 2006

69.ª etapa



NÃO PERCEBO!...

1.º ponto - Este espaço é, chamemos-lhe assim, o meu diário. O meu e o da Verm, que só não tem colaborado mais porque não pode mas, tal como acontece com os meus desafios... os posts por ela colocados também ficaram sem resposta.

Não criei este "diário" para o travestir de Fórum, muito menos ao abrigo do anonimato. Aqui, porque eu o quero, quem tiver algo a dizer... assume-o. Como eu o faço.

Nenhum agente deste mundo que é o Ciclismo o pode negar. Eu escrevo as minhas opiniões... e ofereço um espaço para que outros agentes da modalidade... tentem contrariar-me. Não. Não é Soberba! É que, como já referi, não escrevo aqui nada que NÃO seja ABSOLUTAMENTE verdade.

Está, no entanto, não o nego, a incomodar-me que não parem de me chegar "recados" utilizando terceiros. TODOS os directores-desportivos de TODAS as equipas profissionais - e não só eles - têm o meu contacto telefónico. Ainda não se habituaram à ideia de que este espaço também é DELES e que só não o usam porque não querem?

Afinal existe MEDO, ou resistência, de dentro para fora, no ciclismo português...

2.º ponto - Há Blogs de todos os tipos. Eu próprio, que não tenho pretenções a ser novelista, tenho um outro blog onde escrevo ficção.

Os mais conhecidos (Blogs) e que até fazem, muitas vezes, a agenda dos noticiários, da TV, por exemplo, levam a assinatura de gente que todos reconhecem como "opinion makers"... e, de peito aberto ou não - quero dizer, pelos visados ou por um dos seus milhentos acessores - tentam contradizê-los.

Falta cultura - ora que novidade!!!!! - às gentes mais próximas do Ciclismo.

Pessoas que eu continuo a considerar como amigos, não me contradizem mas não perdem oportunidade de se "queixarem" a terceiros... Perderam o meu número de telefone? Já que não têm a coragem de aqui me contradizer?

Ando no ciclismo há mais de década e meia. Toda a gente me conhece, não são tão poucos quanto isso os que, em interesse próprio, me ligavam... Será que achavam que eu não era mais do que... um tipo que dava jeito conhecer? (Mas chamavam-me amigo!...)

Há três ou quatro com quem, porque as ocasiões o proporcionaram, já discuti o estado do Ciclismo em Portugal... Agora sou obrigado a constactar que TODOS os outros pensavam que eu não era mais do que um meio para eles chegarem aos seus fins, que era o de terem notícias das suas equipas (ou projectos) no meu jornal. Acharam-me tolo?

Nem quero pôr a hipótese. Seria um grande desapontamento, para mim...

Eram meus amigos porque pensavam que me "utilizavam"?

Não me reconhecem autoridade para constactar o que vai mal no ciclismo... com a sua própria conivência?

Pois que mo digam!...

(Há quem - mostrou-o - não seja capaz de o fazer cara a cara quando teve oportunidade para isso).

Mas digam-me...

O meu telefone é esse aí... Manuel Madeira!

Fico à espera.

E não vou parar por aqui!...

Já percebi que de dentro para fora não há quem tenha interesse em contrariar o "sistema"... far-se-á isso de fora para dentro.

quarta-feira, abril 12, 2006

68.ª etapa



MAIS VALIA ESTARES CALADO!...

Já ia "fechar a loja" por hoje quando, por deficiência profissional, ainda fui espreitar alguns sites internacionais de ciclismo. Não foi preciso ir muito longe e (confesso, nem fui ler o cyclingnews) fiquei-me pela transcrição que o todociclismo faz de uma entrevista do presidente da UCI ao site australianao.

E não posso deixar de ficar preocupado. Pelo que leio, o senhor Patrick McQuaid dá a ideia de que estaria na sua Irlanda natal e nem na TV viu a corrida.

Justifica a penalização ao primeiro trio de perseguidores - que cruzou a passagem de nível com as barreiras já em baixo - como "exemplo para os mais novos" que, na ânsia de conseguirem um lugar no pódio (quem? os mais novos ou um dos três prevericadores?) madaram os regulamentos às malvas.

Volto a frisar que assisti à corrida e que a gravei e revi esse momento meia dúzia de vezes. As imagens da televisão (tiradas de um helicópetero) abandonaram o Cancellara na longa recta e vieram atrás em busca dos perseguidores que, quando chegaram à passarem de nível, 32 segundos depois, encontraram as barreiras positivamente em baixo.

Haverá imagens do Cancellara a passar a via férrea? É que eu sei que as barreiras caiem rapidamente, mas são antecedidas de um sinal luminosoe outro sonoro... Teve o Cancellara tanta sorte que isso só aconteceu nas suas costas?

É que menos de um minuto depois, quando o segundo trio de perseguidores foi obrigado a parar... passava o comboio a alta velocidade... Terão as barreiras baixado com tão pouca diferença, em relação à aproximação do comboio? Esta dúvida não deixa de me apoquentar.

E prova aquilo que eu já escrevera: NÃO HAVIA NENHUM JUÍZ DE CORRIDA NAQUELA PASSAGEM DE NÍVEL. Nem quando o Cancellara passou, nem quando passou o primeiro trio, nem quando o segundo foi obrigado a parar por um estafeta-moto. Os comissário não conduzem motos, e o homem, com um típico fato de motard, vermelho, ainda por cima - que não são nem de perto nem de longe as cores OBRIGATÓRIAS (camisa azul e calça cinza) dos comissários - é que impediu a tragédia, repito. Os três corredores, a não pararem naquele momento teriam sido trucidados pelo comboio (eu mando a gravação a quem não viu).

E lamento contrariar a cara Cláudia Vitorino que afirmou ter o segundo trio avançado às ordens dos comissários. NÃO PODIA SER. As barreiras continuavam em baixo e NÃO VEJO NAS IMAGENS, que paro, faço andar para trás e para a frente, nenhum comissário. E se eles lá estivessem, não podiam eles ignorar os regulamentos. A passagem de nível continuava fechada.

Aliás, o senhor presidente da UCI não afina pelo diapasão da Cláudia... diz que esses três, apesar de cruzarem a passagem de nível ainda fechada, o fizeram "já depois do comboio passar e, portanto, em segurança". Às malvas os regulamentos.

Daqui a pouco tenho a fita gasta, mas vou só confirmar uma outra coisa... esperem um pouco...

Eu não mando palpites... Sei, sei!, Não tenho a certeza... verifico...

Confirmei!... Era uma via férria dupla, pelo que o senhor McQuaid ou sabe os horários de TODOS os comboios, mesmo os de mercadorias, daquela linha, ou NÃO PODE DIZER - só porque não aconteceu - que as barreiras estavam ainda em baixo porque se aproximaria outro comboio, vindo no sentido inverso...

É especulação minha? Será. Mas tudo o que se diga e escreva sobre este incidente é especulativo quando esta palavra significa exactamente... falar sem ter a certeza do que se diz.

Facto confirmado: o primeiro trio passa com as barreiras em baixo.

Facto arrepiante: o comboio surge da nossa esquerda numa altura em que os três segundos perseguidores NÃO teriam tido tempo para cruzar a passagem de nível.

Grande dúvida... : à aproximação de um comboio rápido, as barreiras só baixam a 30 segundos da sua passagem? Eu morei 12 anos junto de uma passagem de nível... logo... Cancellara não terá passado também ele com as barreiras já em baixo? Foi ao princípiozinho? Não é isso que está em causa. Ou estão... ou não.

O resto já disse no outro post relativo a este assunto.

67.ª etapa



REESTRUTURAR O CICLISMO NACIONAL

Há algumas semanas atrás deixei aqui uma ideia - que por enquanto as ideias ainda não são colectáveis no IRS - de se formar uma vaga de fundo no sentido de, com o apoio, fosse de uma instituição privada ou dos organismos de Estado competentes, podermos sonhar com 2,5 milhões de euros para podermos inscrever uma equipa representativa de PORTUGAL no principal pelotão mundial.

Modéstia à parte, não fiquei surpreendido com as várias mensagens e telefonemas a apoiar a ideia.

Mensagens por e-mail ou MSM porque, como já devem ter percebido, este Blog foi posto no INDEX por parte de gente responsável por associações de classe e até por outros bem mais pequeninos que não aconselham... proíbem!... que alguém da sua "família" ouse vir aqui discutir o Ciclismo. E não poderiam ser muitos, porque não há muitos com os conhecimentos suficientes para irem além do fazerem fila para usarem os escorregas e baloiços de um determinado parque infantil.

Reitero a minha disponibilidade para ajudar na verdadeira construção da ideia de uma reformulação do ciclismo português. Já nada, a não ser algumas contratações de estrangeiros em pré-reforma, é significativamente relevante entre a maioria - diria... 90% - das equipas continentais e das equipas de clubes. Habituem-se à terminoligia, que as continentais PODEM ter corredores sub-23, e têm-nos, e as de clube, podem ter corredores mais velhos. NÃO há um pelotão de elites e outro de sub-23... Há um de equipas continentais, chamadas profissionais, e outro de clubes... muito profissionalizados já, com algumas equipas com orçamentos superiores às primeiras. E melhores estruturas.

Acabo de ver, na tal arrumação (vão ter de ler o post anterior), que em 2003 Portugal não inscreveu NENHUMA equipa no 3.º escalão. A diferença da taxa de incrição entre GII e GIII era tão insignificativa que, com a excepção da Maia, que já era do I escalão, todas as outras se increveram no II. Dois anos depois tínhamos só uma no II escalão - a LA Alumínios-Liberty - e todas as outras no último degrau. Este ano as "profissionais" são todas do III escalão.

Vamos unir vontades para criar uma equipa no I escalão, suportada por uma grande marca nacional que tenha interesse em ver-se reconhecida por essa Europa fora. Ou não... Não somos todos inocentes.

Aceita-se quem queira "queimar" dividendos e, de uma forma perfeitamente legal, gastar o dinheiro que teria que entregar ao Estado - até porque o Estado somos nós, e nós queremos uma equipa na alta roda do Ciclismo Mundial.

Depois, uma, duas no máximo (mas já seria forçado), a inscreverem-se como Profissional Continental e ter acesso às corridas do Circuito Europeu.

Acabemos com as do escalão III.

Formemos um bom pelotão de 17, 18... 20 equipas de clubes que disputem o calendário nacional.

Ah!... Não vão poder correr as provas internacionais... nem a Volta!

Mas se, olhem as classificações, etapa a etapa da Volta do ano passado, 60% delas não acrescenta nada á Volta, queremos o quê? Uma boa Volta ou uma voltinha (como já vi defendido, se possível sem estrangeiros) que não merece a mínima referência na Imprensa estrangeira. E repito o que disse, noutro contexto, no post anterior. Se não se fala... não existe.

Haveria de se encontrar uma solução que agradasse aos patrocinadores. A mais patrocinadores, porque, fosse qual fosse a competição... seria alargada às actuais equipas de clube.

Quem já participou na Volta à Normandia ou no Cholet-Pays de Loire, só para dar dois exemplos de corridas onde já participaram equipas portugueseas, que diga como se corre, se luta... com um único fito: pontuar para a TAÇA DE FRANÇA!

Ora aí estáI...

Chamem-lhe o que quiserem, mas organiza-se uma prova que se estende ao longo da temporada, com as equipas a serem obrigadas a apresentar um número pré-definido (12, 15) de corredores que somarão pontos para uma classificação final... Em provas a realizar em todas as regiões do território nacional - e com televisão, nas principias, porque não? Isso é função da Associação de Equipas trabalhar para o conseguir - e esqueçam os 5 minutos de fuga na Volta a Portugal como objectivo máximo da temporada!

Se, à equipa do primeiro escalão não poderemos negar a possibilidade de recorrer a corredores estrangeiros (quase todas o fazem), a, ou as duas profissionais teriam de ter obrigatoriamente só corredores portugueses...

Com mais 15, 16... 18 equipas de clubes abaixo delas... imaginam a quantidade de jovens que nos escalões mais abaixo poderiam aspirar a subir de escalão?

E quantos mais subissem, mais apareciam na verdadeira formação, e os responsáveis por esta, teriam de abrir as portas a mais jovens ainda, nas escolas.

Falta dinheiro! Já sei que é essa a resposta.

Pensem. "Inventem"... e recorram (embora reconheça que não é a solução ideal) à boa vontade das pessoas.

Principalmente... não queiram alguns ganhar o dinheiro todo.

Eu até sei de corredores que já exigiram ordenados que superavam em mais de 40% aquele que o seu director-desportivo auferia!... Por acaso, agora esse corredor é director-desportivo... Ganhará menos que algum dos seus corredores? Tudo se sabe. Mais tarde ou mais cedo.

E plagiando o "enorme" Alfredo Farinha, um dos monstros do jornalismo desportivo em Portugal... eu sei tudo o que escrevo. Não escrevo é tudo o que sei!...

Será por isso que algumas figuras TÊM MEDO de escrever aqui? Se calhar é!...