sexta-feira, abril 14, 2006

70.ª etapa



PODEMOS CONTINUAR COM UM CICLISMO ASSIM?

Por acaso, e estou ciente que foi só por acaso, foram mais as reacções positivas do que as negativas à minha ideia de se formar uma frente que leve à constituição de UMA equipa representativa de Portugal no grande pelotão mundial.

Atenção... quem está com medo desta ideia, deve ter mesmo medo que eu (e consegui-o sozinho, vejam lá... ) tenho a "chave" para lá chegarmos, mas não posso dizer tudo aqui.

Acho que temos condições para isso e quem diser o contrário, principalmente, sendo gente de DENTRO do ciclismo, é o mesmo que reconhecer a sua incapacidade e substimar a possibilidade de esta ideia poder vir a conquistar interessados.

E aquele "por acaso, e só por acaso"... tem muito a ver com o artigo anterior. Vive-se "aninhado" no que se tem e existe falta de coragem para olhar mais longe. Principalmente, e isto SOU EU QUE ACRESCENTO, se isso puder vir a significar os lugarzinhos que muitos julgam ter assegurados.

Portugal tem 10 equipas Continentais (a III Divisão) no ciclismo mundial.

Portugal tem 92.391 km2 de superfície, divididos em 18 distritos (falo só do território continental), com 10.529.525 habitantes. E um PIB (Produto Interno Bruto) - que é o cálculo da riqueza que o país produz, a dividir por todos os seus habitantes, ao fim do ano - de 18.503 dólares americanos.

O ciclismo "profissional", em Portugal, está assim distribuído (o mapa não resultou da forma que eu desejaria, mas todos o sabem interpretar).

Falemos agora de Espanha, aqui a lado.

Tem 14 equipas profissionais (apenas mais 4 que Portugal), embora divididas pelos três escalões.

Tem 4 no ProTour (embora uma tenha sede na Suíça), 5 no segundo escalão e outras 5 no 3.º, onde estão as 10 portuguesas.

Espanha tem 504.782 km2 de área, 43.197.684 habitantes e um PIB de 23.627 dólares americanos/habitante/ano. Mais 27,8%, por habitante/ano.

Tem 17 Regiões Autonómicas - com governos próprios - mas as equipas espalham-se por apenas 9 delas. A saber:

PAÍS BASCO - 7.234 km2/2.124.846 habitantes / 3 equipas

CATALUNHA - 32.114 km2/6.995.206 hab. / 1 equipa

MADRID - 8.028 km2/5.964.143 hab. / 2 equipas

NAVARRA - 10.391 km2/593.472 hab. / 2 equipas

ANDALUZIA - 87.268 km2/7.489.799 Hab. / 1 equipa

C. VALENCIANA - 23.255 km2/4.692.449 hab. / 1 equipa

MÚRCIA - 11.313 km2/1.335.792 hab. / 1 equipa

CASTELA E LEÃO - 94.223 km2/2.510.849 hab. / 1 equipa

EXTREMADURA - 41.634 km2/1.083.879 hab. / 1 equipa

Como vemos a segir:

Portugal, como todos devem saber, é aquele bocadinho em branco no lado esquerdo do mapa.

Se naquele espaço todo que resta, à direita, só "cabem" 13 equipas... se em Comunidades quase com a mesma superfície e habitantes que o nosso País só há lugar para UMA... se, no geral, têm um PIB em quase um quarto superior ao nosso... como é que há quem defenda a existência de DEZ equipas profissionais em Portugal? Mesmo no III escalão, onde os espanhóis só têm 5.

Os espanhóis são parvos, claro! Será?

Agora consultem o site da RFEC e vejam quantas equipas amadoras (clubes) existem. Vejam o respectivo calendário... e quantos dias a mais correm que as nossas "profissionais".

NÃO!... Não estou a mandar abaixo o Ciclismo Português. O ciclismo de alguns portugueses... talvez, mas estou-me marimbando! Aqui trata-se do ciclismo português e não vou fingir que, sabendo-o em fase terminal de doença incurável, só por lhe dar umas aspirinas a minha consciência fica mais aliviada.

É preciso reconstruir tudo de raíz? Vamos a isso!...

E os mais interessados deviam ser aqueles que vivem directamente dele. Ou não?

Venham de lá esses "recados" murmurados nas minhas costas...

quinta-feira, abril 13, 2006

69.ª etapa



NÃO PERCEBO!...

1.º ponto - Este espaço é, chamemos-lhe assim, o meu diário. O meu e o da Verm, que só não tem colaborado mais porque não pode mas, tal como acontece com os meus desafios... os posts por ela colocados também ficaram sem resposta.

Não criei este "diário" para o travestir de Fórum, muito menos ao abrigo do anonimato. Aqui, porque eu o quero, quem tiver algo a dizer... assume-o. Como eu o faço.

Nenhum agente deste mundo que é o Ciclismo o pode negar. Eu escrevo as minhas opiniões... e ofereço um espaço para que outros agentes da modalidade... tentem contrariar-me. Não. Não é Soberba! É que, como já referi, não escrevo aqui nada que NÃO seja ABSOLUTAMENTE verdade.

Está, no entanto, não o nego, a incomodar-me que não parem de me chegar "recados" utilizando terceiros. TODOS os directores-desportivos de TODAS as equipas profissionais - e não só eles - têm o meu contacto telefónico. Ainda não se habituaram à ideia de que este espaço também é DELES e que só não o usam porque não querem?

Afinal existe MEDO, ou resistência, de dentro para fora, no ciclismo português...

2.º ponto - Há Blogs de todos os tipos. Eu próprio, que não tenho pretenções a ser novelista, tenho um outro blog onde escrevo ficção.

Os mais conhecidos (Blogs) e que até fazem, muitas vezes, a agenda dos noticiários, da TV, por exemplo, levam a assinatura de gente que todos reconhecem como "opinion makers"... e, de peito aberto ou não - quero dizer, pelos visados ou por um dos seus milhentos acessores - tentam contradizê-los.

Falta cultura - ora que novidade!!!!! - às gentes mais próximas do Ciclismo.

Pessoas que eu continuo a considerar como amigos, não me contradizem mas não perdem oportunidade de se "queixarem" a terceiros... Perderam o meu número de telefone? Já que não têm a coragem de aqui me contradizer?

Ando no ciclismo há mais de década e meia. Toda a gente me conhece, não são tão poucos quanto isso os que, em interesse próprio, me ligavam... Será que achavam que eu não era mais do que... um tipo que dava jeito conhecer? (Mas chamavam-me amigo!...)

Há três ou quatro com quem, porque as ocasiões o proporcionaram, já discuti o estado do Ciclismo em Portugal... Agora sou obrigado a constactar que TODOS os outros pensavam que eu não era mais do que um meio para eles chegarem aos seus fins, que era o de terem notícias das suas equipas (ou projectos) no meu jornal. Acharam-me tolo?

Nem quero pôr a hipótese. Seria um grande desapontamento, para mim...

Eram meus amigos porque pensavam que me "utilizavam"?

Não me reconhecem autoridade para constactar o que vai mal no ciclismo... com a sua própria conivência?

Pois que mo digam!...

(Há quem - mostrou-o - não seja capaz de o fazer cara a cara quando teve oportunidade para isso).

Mas digam-me...

O meu telefone é esse aí... Manuel Madeira!

Fico à espera.

E não vou parar por aqui!...

Já percebi que de dentro para fora não há quem tenha interesse em contrariar o "sistema"... far-se-á isso de fora para dentro.

quarta-feira, abril 12, 2006

68.ª etapa



MAIS VALIA ESTARES CALADO!...

Já ia "fechar a loja" por hoje quando, por deficiência profissional, ainda fui espreitar alguns sites internacionais de ciclismo. Não foi preciso ir muito longe e (confesso, nem fui ler o cyclingnews) fiquei-me pela transcrição que o todociclismo faz de uma entrevista do presidente da UCI ao site australianao.

E não posso deixar de ficar preocupado. Pelo que leio, o senhor Patrick McQuaid dá a ideia de que estaria na sua Irlanda natal e nem na TV viu a corrida.

Justifica a penalização ao primeiro trio de perseguidores - que cruzou a passagem de nível com as barreiras já em baixo - como "exemplo para os mais novos" que, na ânsia de conseguirem um lugar no pódio (quem? os mais novos ou um dos três prevericadores?) madaram os regulamentos às malvas.

Volto a frisar que assisti à corrida e que a gravei e revi esse momento meia dúzia de vezes. As imagens da televisão (tiradas de um helicópetero) abandonaram o Cancellara na longa recta e vieram atrás em busca dos perseguidores que, quando chegaram à passarem de nível, 32 segundos depois, encontraram as barreiras positivamente em baixo.

Haverá imagens do Cancellara a passar a via férrea? É que eu sei que as barreiras caiem rapidamente, mas são antecedidas de um sinal luminosoe outro sonoro... Teve o Cancellara tanta sorte que isso só aconteceu nas suas costas?

É que menos de um minuto depois, quando o segundo trio de perseguidores foi obrigado a parar... passava o comboio a alta velocidade... Terão as barreiras baixado com tão pouca diferença, em relação à aproximação do comboio? Esta dúvida não deixa de me apoquentar.

E prova aquilo que eu já escrevera: NÃO HAVIA NENHUM JUÍZ DE CORRIDA NAQUELA PASSAGEM DE NÍVEL. Nem quando o Cancellara passou, nem quando passou o primeiro trio, nem quando o segundo foi obrigado a parar por um estafeta-moto. Os comissário não conduzem motos, e o homem, com um típico fato de motard, vermelho, ainda por cima - que não são nem de perto nem de longe as cores OBRIGATÓRIAS (camisa azul e calça cinza) dos comissários - é que impediu a tragédia, repito. Os três corredores, a não pararem naquele momento teriam sido trucidados pelo comboio (eu mando a gravação a quem não viu).

E lamento contrariar a cara Cláudia Vitorino que afirmou ter o segundo trio avançado às ordens dos comissários. NÃO PODIA SER. As barreiras continuavam em baixo e NÃO VEJO NAS IMAGENS, que paro, faço andar para trás e para a frente, nenhum comissário. E se eles lá estivessem, não podiam eles ignorar os regulamentos. A passagem de nível continuava fechada.

Aliás, o senhor presidente da UCI não afina pelo diapasão da Cláudia... diz que esses três, apesar de cruzarem a passagem de nível ainda fechada, o fizeram "já depois do comboio passar e, portanto, em segurança". Às malvas os regulamentos.

Daqui a pouco tenho a fita gasta, mas vou só confirmar uma outra coisa... esperem um pouco...

Eu não mando palpites... Sei, sei!, Não tenho a certeza... verifico...

Confirmei!... Era uma via férria dupla, pelo que o senhor McQuaid ou sabe os horários de TODOS os comboios, mesmo os de mercadorias, daquela linha, ou NÃO PODE DIZER - só porque não aconteceu - que as barreiras estavam ainda em baixo porque se aproximaria outro comboio, vindo no sentido inverso...

É especulação minha? Será. Mas tudo o que se diga e escreva sobre este incidente é especulativo quando esta palavra significa exactamente... falar sem ter a certeza do que se diz.

Facto confirmado: o primeiro trio passa com as barreiras em baixo.

Facto arrepiante: o comboio surge da nossa esquerda numa altura em que os três segundos perseguidores NÃO teriam tido tempo para cruzar a passagem de nível.

Grande dúvida... : à aproximação de um comboio rápido, as barreiras só baixam a 30 segundos da sua passagem? Eu morei 12 anos junto de uma passagem de nível... logo... Cancellara não terá passado também ele com as barreiras já em baixo? Foi ao princípiozinho? Não é isso que está em causa. Ou estão... ou não.

O resto já disse no outro post relativo a este assunto.

67.ª etapa



REESTRUTURAR O CICLISMO NACIONAL

Há algumas semanas atrás deixei aqui uma ideia - que por enquanto as ideias ainda não são colectáveis no IRS - de se formar uma vaga de fundo no sentido de, com o apoio, fosse de uma instituição privada ou dos organismos de Estado competentes, podermos sonhar com 2,5 milhões de euros para podermos inscrever uma equipa representativa de PORTUGAL no principal pelotão mundial.

Modéstia à parte, não fiquei surpreendido com as várias mensagens e telefonemas a apoiar a ideia.

Mensagens por e-mail ou MSM porque, como já devem ter percebido, este Blog foi posto no INDEX por parte de gente responsável por associações de classe e até por outros bem mais pequeninos que não aconselham... proíbem!... que alguém da sua "família" ouse vir aqui discutir o Ciclismo. E não poderiam ser muitos, porque não há muitos com os conhecimentos suficientes para irem além do fazerem fila para usarem os escorregas e baloiços de um determinado parque infantil.

Reitero a minha disponibilidade para ajudar na verdadeira construção da ideia de uma reformulação do ciclismo português. Já nada, a não ser algumas contratações de estrangeiros em pré-reforma, é significativamente relevante entre a maioria - diria... 90% - das equipas continentais e das equipas de clubes. Habituem-se à terminoligia, que as continentais PODEM ter corredores sub-23, e têm-nos, e as de clube, podem ter corredores mais velhos. NÃO há um pelotão de elites e outro de sub-23... Há um de equipas continentais, chamadas profissionais, e outro de clubes... muito profissionalizados já, com algumas equipas com orçamentos superiores às primeiras. E melhores estruturas.

Acabo de ver, na tal arrumação (vão ter de ler o post anterior), que em 2003 Portugal não inscreveu NENHUMA equipa no 3.º escalão. A diferença da taxa de incrição entre GII e GIII era tão insignificativa que, com a excepção da Maia, que já era do I escalão, todas as outras se increveram no II. Dois anos depois tínhamos só uma no II escalão - a LA Alumínios-Liberty - e todas as outras no último degrau. Este ano as "profissionais" são todas do III escalão.

Vamos unir vontades para criar uma equipa no I escalão, suportada por uma grande marca nacional que tenha interesse em ver-se reconhecida por essa Europa fora. Ou não... Não somos todos inocentes.

Aceita-se quem queira "queimar" dividendos e, de uma forma perfeitamente legal, gastar o dinheiro que teria que entregar ao Estado - até porque o Estado somos nós, e nós queremos uma equipa na alta roda do Ciclismo Mundial.

Depois, uma, duas no máximo (mas já seria forçado), a inscreverem-se como Profissional Continental e ter acesso às corridas do Circuito Europeu.

Acabemos com as do escalão III.

Formemos um bom pelotão de 17, 18... 20 equipas de clubes que disputem o calendário nacional.

Ah!... Não vão poder correr as provas internacionais... nem a Volta!

Mas se, olhem as classificações, etapa a etapa da Volta do ano passado, 60% delas não acrescenta nada á Volta, queremos o quê? Uma boa Volta ou uma voltinha (como já vi defendido, se possível sem estrangeiros) que não merece a mínima referência na Imprensa estrangeira. E repito o que disse, noutro contexto, no post anterior. Se não se fala... não existe.

Haveria de se encontrar uma solução que agradasse aos patrocinadores. A mais patrocinadores, porque, fosse qual fosse a competição... seria alargada às actuais equipas de clube.

Quem já participou na Volta à Normandia ou no Cholet-Pays de Loire, só para dar dois exemplos de corridas onde já participaram equipas portugueseas, que diga como se corre, se luta... com um único fito: pontuar para a TAÇA DE FRANÇA!

Ora aí estáI...

Chamem-lhe o que quiserem, mas organiza-se uma prova que se estende ao longo da temporada, com as equipas a serem obrigadas a apresentar um número pré-definido (12, 15) de corredores que somarão pontos para uma classificação final... Em provas a realizar em todas as regiões do território nacional - e com televisão, nas principias, porque não? Isso é função da Associação de Equipas trabalhar para o conseguir - e esqueçam os 5 minutos de fuga na Volta a Portugal como objectivo máximo da temporada!

Se, à equipa do primeiro escalão não poderemos negar a possibilidade de recorrer a corredores estrangeiros (quase todas o fazem), a, ou as duas profissionais teriam de ter obrigatoriamente só corredores portugueses...

Com mais 15, 16... 18 equipas de clubes abaixo delas... imaginam a quantidade de jovens que nos escalões mais abaixo poderiam aspirar a subir de escalão?

E quantos mais subissem, mais apareciam na verdadeira formação, e os responsáveis por esta, teriam de abrir as portas a mais jovens ainda, nas escolas.

Falta dinheiro! Já sei que é essa a resposta.

Pensem. "Inventem"... e recorram (embora reconheça que não é a solução ideal) à boa vontade das pessoas.

Principalmente... não queiram alguns ganhar o dinheiro todo.

Eu até sei de corredores que já exigiram ordenados que superavam em mais de 40% aquele que o seu director-desportivo auferia!... Por acaso, agora esse corredor é director-desportivo... Ganhará menos que algum dos seus corredores? Tudo se sabe. Mais tarde ou mais cedo.

E plagiando o "enorme" Alfredo Farinha, um dos monstros do jornalismo desportivo em Portugal... eu sei tudo o que escrevo. Não escrevo é tudo o que sei!...

Será por isso que algumas figuras TÊM MEDO de escrever aqui? Se calhar é!...

66.ª etapa



É BOM NÃO ESQUECER

Passaram há poucos dias DOIS anos sobre uma reportagem-choque, que o jornal desportivo madrilenho AS deu à estampa, na qual o ex-corredor Jesús Manzano denunciava, com pormenores que só quem tenha passado por essas situações poderia saber, alguns métodos usados no ciclismo de alta competição (em algumas equipas, pelo menos, porque nos meses subsequentes foram "apanhados" mais do que um e de mais do que uma equipas) para... melhorar os índices físicos dos corredores, principalmente nas corridas de três semanas.

Afastado da minha actividade, "preso" em casa - que não, felizmente, à cama - venho a entreter-me a tentar por alguma ordem nos "quilos" de recortes que pretendo organizar em termos de arquivo. E cheguei à reportagem assinada pelo Juan Gutti tendo, como personagem principal, o dito Jesús Manzano, entretanto ostracisado por todos, quase apagado da história do ciclismo recente.

Aliás, esse trabalho, que não foi expontâneo, todos o sabem - Manzano "vendia" a estória a quem pagasse mais e foi o AS quem ficou com ela, embora a concorrência, mortinha de inveja, está bom de ver, depois de batida no "leilão" se tenha apressado a criticá-lo - parece que só serviu para duas coisas:

Primeiro, Jesús Manzano "acabou" como ciclista.

Será que inventou aquilo tudo? E as simulações que fez para o complemento fotográfico da reportagem... foram com seringas e máquinas arranjadas aonde? Não eram mesmo as que ele tinha para poder cumprir os planos previamente estabelecidos (e não posso falar de nomes, embora os saiba...) ?

Segunda consequência:

o Juan Gutti teve, praticamente que se esconder. Em 2004 não fez nem a Vuelta nem mais corrida nenhuma depois de a reportagem ter saído e, no ano passado, apesar de assinar uma crónica diária no seu jornal, voltei a não o ver na Sala de Imprensa da corrida espanhola.

O odioso da questão, branqueada pela equipa, pela federação espanhola, pela autoridade responsável pela luta anti-doping, em Espanha... mesmo pela AMA e pela UCI, ficou todo por conta do corredor e... olha que conveniente!... do jornalista que se limitou a recolher o depoimento e passá-lo a escrito. Foram 20 páginas, divididas por cinco dias, cheias de pormenores.

E passados dois anos e duas semanas da publicação do depoimento... nada aconteceu. Tirando o que já referi.

As transfusões de sangue são pura ficção... as auto-medições dos níveis de glóbulos vermelhos também, os medicamentos vaso-dilatadores igualmente e as hormonas de crescimento a mesma coisa.

E a história, bem mais recente, do uso anormal, em homens (ciclistas) de 20 e poucos anos do Viagra (que não é mais do que um vaso-dilatador que é, naturalmente, potencializado pela líbido para o efeito para o qual foi fabricado, mas que não deixa de ser um vaso-dilatador)... são invenções de quem só fala mal do ciclismo. Não existem!

Fechamos os olhos, não vemos logo, se não vemos... não existem.

Mentes menos descomprometidas poderão pensar que este texto é mais um "ataque" ao ciclismo.

Nada disso. O Ciclismo que não "deve... não teme".

Foi só para recordar que há precisamente 106 semanas ficámos todos à espera de uma verdadeira depuração naquilo que acontece nos bastidores do Ciclismo e... nada aconteceu. Com as tais duas excepções.

Manzano não voltará a ser corredor em nenhuma equipa e Juan Gutti foi obrigado a esconder-se - por pressão de quem? É uma pergunta que acho muito pertinente - atrás da sua secretária na redacção do AS. Sem ordem para sair à rua.

Ainda não há muito tempo que, a um outro nível, bem mais provinciano, responsáveis - no verdadeiro sentido da palavra - repito: responsáveis pela maioria das equipas nacionais (e não só, e não só...) também, perante uma notícia menos agradável acharam que "suprimindo" o mensageiro... a mensagem deixaria de ter valor.

Ai, Ciclismo, ai, ai...

segunda-feira, abril 10, 2006

65.ª etapa



À ATENÇÃO DA FP CICLISMO!...

Com um grandeeeee abraço para um amigo do peito que me chamou a atenção para o facto, levanto aqui uma questão curiosa. Directamente ao(s) administrador(es) do site da Federação Portuguesa de Ciclismo.

Então... se eu quiser (ou precisar, porque sou Jornalista) saber o currículo de um corredor do pelotão nacional... SÓ preciso saber o número da sua licença nacional (que não o código internacional, que esse é fácil de obter) e... o número do seu bilhete de identidade? Não se esqueceram de nada? Sei lá... o número de contribuinte... o número da carta de condução?

É RIDÍCULO.

Os curriculos dos atletas deviam ser enviados, actualizados, pelo menos, mensalmente, a todos os Órgãos de Comunicação Social... os principias interessados são os próprios atletas, mas já não peço tanto... Só um link aberto, onde quem esteja interessado possa ir confirmar dados.

Como é que eu sei o número da licença nacional de todos os corredores elite e sub-23? E como raio vou saber o seu número do Bilhete de Identidade?

A Associação de Corredores, tão lesta em saltar em defesa de uns quantos, que meta uma cunha para o bem de TODOS.

E arrumem lá isso... Os currículos dos atletas não são confidenciais, caramba!...

Desde já, o meu muito obrigado.

Manuel José Madeira

64.ª etapa



VOLTA À EXTREMADURA (ESPANHA)

Não é objectivo primeiro deste espaço, o dar notícias, mas toda a regra tem excepções.

A próxima edição da Vuelta a Extremadura (Espanha), corrida do Circuito Europeu da UCI, portanto, do Calendário Internacional, e com a Categoria 2.2, que se disputa entre os próximos dias 3 e 7 de Maio, para a qual foram convidadas, pelo menos, 4 equipas portuguesas do Grupo Continental, convite que apenas uma aceitou, vai arrancar em Portugal, na Capital da Beira Baixa, a cidade de Castelo Branco. Depois vai a Plasencia, Cáceres, Badajoz, Mérida, La Zarza e Don Benito...

Ah!... No mesmo espaço de tempo, em Portugal, temos duas corridas 1.12. Afinal parece que não faltam dias de corrida no calendário luso... Até parece que são demais, já que há equipas que nem nas provas nacionais se inscrevem. E ganhar pontos para Portugal, no ranking do Circuito Europeu também não é objectivo. Só nos queixamos que os estrangeiros têm a pouca vergonha de, em Fevereiro/Março, aparecerem por cá "melhor preparados"... e a levarem os pontinhos para os seus países. E depois vão achar "estranhíssimo" se nos próximos Mundiais só venhamos a ter direito a dois lugares!!!!

Gostava de poder deixar aqui escrito o que alguns patrocinadores - os que entram com o seu dinheiro para que as equipas possam existir - pensam... mas não posso!

63.ª etapa



GRANDE CORRIDA... GRANDE BARRACA!...

Todos os amantes de Ciclismo terão ficado extâseados com a espectacular corrida que foi, ontem, a 104.ª edição do Paris-Roubaix. Especialistas em clássicas ou não - o Bérnhard Eisel não o é, em definitivo, e fez uma corrida enorme - os corredores entregam-se à corrida com um único objectivo: dar tudo o que têm para dar. Ali não moram sentimentos do género "eu sou sprinter, só tenho que estar na frente nos últimos 350 metros" ou "eu sou trepador, lá à frente há uma contagem que me interessa, por isso não tenho que puxar agora..."

É outro ciclismo.

E foi uma corrida espectacular manchada por um erro inadmissível por parte, mais da equipa de juízes do que da organização.

Em declarações ao cyclingnews.com, um responsável da ASO, sem o dizer, lamentava o sucedido, chamando apenas a atenção para o facto de a corrida ir cerca de 15 minutos adiantada em relação ao melhor horário previsto quando esta foi "cortada" pela passagem de um comboio de mercadorias.

Grande corrida, repito, organização excelente mas, no melhor pano cai a nódoa e desta não se livra a equipa de juízes que acompanhou a prova.

Factos: A 10,32 km da chegada havia uma passagem de nível que Fabien Cancellara terá passado ainda aberta (porque as imagens o não mostraram) e que o primeiro trio de perseguidores - Leif Hoste, Peter Van Petegen e Vladimir Gusev - contornou, aproveitando o facto de ser uma passagem de nível com duas "meias-guardas". Claramente - ainda agora estou a rever as imagens que gravei - com aquelas já em baixo.

14,9 segundos depois, Tom Boonen, Juan António Flecha e Alessandro Ballan foram hostensivamente parados por um estafeta-moto (vestido de vermelho) e um outro elemento (de negro) apeado que não me pareceu poder ser um dos juízes de corrida. um décimo de segundo a seguir um comboio a alta velocidada cruzava a passagem de nível. Não acredito que nenhum dos três corredores em causa não tenham sentido um arrepio na espinha. Esteve à vista um drama de dimensões não mensuráveis.

Na altura, e pelo que vejo na gravação da EuroSport, Cancellara levava, instantes antes de atravessar a linha férrea, 32 segundos sobre o primeiro trio de perseguidores - que se esgueirou pelo meios das "meias-guardas" - e 55 segundos sobre o segundo trio que ficou parado 20 segundos, arrancando logo que o comboio passou, também antes que as guardas abrissem.

Onde estavam os juízes de corrida?

Cancellara terá passado à "queima" - não se viu e eu não sei se já passou ou não com as guardas em baixo -, com o primeiro trio perseguidor passaram uma moto da Mavic (apoio neutro) e uma outra com um fotógrafo. Ainda deu para perceber as indicações do mecânico que ia na moto de apoio que indicava, claramente, que os escapados deviam parar, mas se ninguém estava lá para os parar...

E o segundo trio foi salvo, no mais puro sentido da palavra, por aquele estafeta-moto que se pôs à sua frente e, ainda antes de Juan António Flecha, que encabeçava o grupo, por o pé no chão, já o comboio cruzava a passagem de nível. Nem quero pensar no drama que estivemos à beira de ver em directo!

Mas voltemos ao importante da questão. Onde estavam os juízes de corrida?

Cancellara passsou ou não com as guardas já em baixo? Os outros três passaram, de certeza, que isso vimos todos, olhemos então ao que dizem os regulamentos.

SE... SE... Cancellara passou ainda com as guardas abertas, prosseguiria, sem impedimentos, a sua corrida. Os outros três tinham, obrigatoriamente, que parar e, como seriam alcançados pelo segundo trio, largariam retomariam a corrida com aqueles 14,9 segundos que traziam até ali. Depois sairia o grupo de Boonen. O resto da corrida não seria afectada com o incidente, chamado isso mesmo, "incidente de corrida", previsto e regulamentado.

Mas não havia, incompreensivelmente, juízes de corrida naquela passagem de nível. Tanto que NINGUÉM mandou parar o primeiro trio e razão tem Leif Hoste que, em declarações, também ao cyclingnews.com, lamentava o facto de, nos dez quilómetros que faltavam NINGUÉM lhes tenha dito nada de nada, para depois, no final... os desclassificar!

Desrespeitaram os regulamentos, é certo. Mas o seu esforço, na tentativa de alcançarem Fabien Cancellara, também foi desrespeitado.

Enfim, como disse lá atrás, no melhor pano cai a nódoa...

Para o ano que vem já ninguém se vai lembrar do incidente mas atentem... Quem é, agora e em consciência, capaz de garantir que, arrancando do zero, o primeiro trio manteria os 23 segundos de vantagem sobre o segundo, desvantagem, para este, agravada em 20 segundos com a sua própria paragem?

E, tendo parado e esperado, mesmo que depois tivessem partido com os tais 23 segundos de avanço em relação ao grupo de Boonen, quem pode garantir que não decidiam juntar esforços na perseguição ao suíço? E com seis a puxar... teria Cancellara chegado isolado?

E em grupo? O resultado teria sido o mesmo?

Uma nota final: Tenho estado a rever a parte final da corrida e, em momento algum o comentador da EuroSport tocou sequer no facto de, como escreveu noutro site, "os 3 ciclistas não tinham aceite as ordens dadas pelos comissários da prova para pararem no local". E não devo ter sido só eu a gravar a corrida. É falsa, portanto, esta afirmação. E o "nunca pensei era que o castigo fosse a eleminação (sic)", é uma afirmação gratuíta, chamada à posteriori, pois na altura nem lhe passou isso pela cabeça.

Mas registei duas coisas: o pelotão está recheado de jovens de 25 e 26 anos - nem um com mais de 40, para amostra!!!! - e em relação ao peso dos ciclistas, o comentador está bem informado. Um ex-speaker da Volta a Portugal insistia em dizer-nos que o corredor tal calçava o 44... Este deixa-nos completamente a par do quanto pesa cada um. Há-de haver quem ache interessande, não digo o contrário. Ah!... e à enéssima vez que apareceu o nome do Fabien Cancellara antecedido da bandeirinha vermelha com uma cruz branca... descobriu que ele não é italiano. Pediu desculpa. Por mim está desculpado, ninguém é obrigado a conhecer as bandeiras de todos os países.

sábado, abril 08, 2006

62.ª etapa



CLUBES NO CICLISMO...

Depois de Vale e Azevedo, que chegou a levar as suas promessas à constituição de uma equipa de ciclismo - que depois abandonou à sua sorte - também Luís Filipe Vieira usou o ciclismo como "bandeira" da sua candidatura... e quantos votos não terá ganho com isso?

Agora é Abrantes Mendes, candidato à liderança do Sporting, quem faz o mesmo.

Não são honestos... mas também não são parvos.

E não concordo com a opinião do Diogo Miguel quando diz que "ao contrário de uma empresa, um clube não ganha dinheiro através do ciclismo"... a não ser que seja outra qualquer entidade quem está a contabilizar os lucros das vendas dos equipamentos do Benfica que, passados 6 anos,ainda vejo por aí à venda?...

E volto a não concordar com a outra afirmação do Diogo: "Não é por gastar 1 milhão numa equipa para ganhar a Volta que se leva(m) mais 10 mil pessoas ao estádio.

Visão puramente futebolística. Pode haver benfiquistas (no caso) que nem gostam de futebol... porque haviam de ir ao estádio? E voltamos à velha e eterna questão... Hoje já não se gastam mais de 4 horas de Braçança a Lisboa... mas falamos obrigatoriamente de um extracto social que tem uma profissão que lhe permite sair às 4 da tarde para às 8.30 estar em Lisboa (Luz ou Alvalade)... e os que trabalham de sol a sol, que ainda os há? Os que não têm carro, ou, pelo menos, um empregador tão liberal? O futebol vê-o na TV mas... e as camisolas ao vivo? Não num pavilhão, num jogo de basquete, de futsal, de hóquei ou de andebol, não num pavilhão que levará mil a 3 mil (com muito boa vontade da minha parte) pessoas.

Benfica, Sporting e FC Porto, porque são os clubes do povo (nobres e barões à parte) não podem deixar de ser ecléticos... e não iamos inventar nadinha! Foi assim que tudo começou. São 6 milhões os benfiquistas? Não? são 4? 2,5? Que interessa? Quantos NUNCA vieram a Lisboa. Ou se vieram nem sabem onde é a Luz (ou Alvalade)... Imaginem a alegria dessa gente toda ao ver passar na estrada as camisolas e o emblema da sua paixão...

E já o escrevi uma vez, e não era piada... quantos "kits" não se venderiam numa Volta a Portugal? E quem será capaz de negar que a (por muitos julgada estapafúrdia) ideia dos "kits"... não ia vestir outras cores? Sim... o verde e branco e o azul e branco.

Os três grandes fazem (mesmo) falta para que o ciclismo português saia desta letargia em que caiu. Quem se lembra de 1999 e 2000? Das camisolas vermelhas e das bandeiras à beira da estrada?

Se as pessoas preferem comer queijo a chouriços... qual o empresário que não optava por fabricar queijos?

Se as pessoas querem é saber dos "seus" Benfica, Sporting ou FC Porto... porque é que o ciclismo não os tem?

4.ª nota



COM A DEVIDA VÉNIA...

(à jornalista Fátima Campos Ferreira e à revista SÁBADO)

Sócrates (não "esse"... falo do filósofo grego) eternizou-se com uma simples frase:

"SÓ SEI QUE NADA SEI!..."

Isto para reforçar o facto de nunca, em toda a minha vida, me ter posto em bicos dos pés... Bebo conhecimentos seja de que fonte eles brotem, e gosto de ler. E vou aprendendo.

Ná última edição da revista SÁBADO, a jornalista Fátima Campos Ferreira responde a um pequeno inquérito no qual me revejo quase na perfeição.

Por isso, e à laia de resposta a algums mentes tacanhas que ainda julgam que "comem papas na cabeça de todos" porque a todos julgam "tolos"... transcrevo, com as necessárias adaptações.

Leiam. E meditem.

NÃO SOU MEDROSO POR NATUREZA, PREFIRO PENSAR "POSITIVO E COM CORAGEM". TALVEZ TENHA MEDO DE TER MEDO. "PORQUE O MEDO PODE AFASTAR-NOS DE ALGUMAS DERROTAS MAS AFASTA-NOS SEMPRE DAS VITÓRIAS."

NÃO CULTIVO O MEDO QUE PERTURBA A RAZÃO, A CAPACIDADE DE REACÇÃO, O CONTROLO DE UMA SITUAÇÃO, A RAPIDEZ DE UMA SOLUÇÃO, ISSO NÃO FAZ DE MIM UM SER IRRACIONAL PORQUE SOU, CLARAMENTE, UMA PESSOA DE EMOÇÕES."

"PREFIRO ACREDITAR EM MIM A TER MEDO."

"AMEDRONTRA-ME PENSAR QUE ALGUMA VEZ POSSA PERDER A MINHA DIGNIDADE OU QUE ALGUÉM POSSA DUVIDAR DELA... NÃO TER CORAGEM DE ASSUMIR O RISCO... UM NOVO DESAFIO... UMA DECISÃO..."

humildemente... subescrevo

terça-feira, abril 04, 2006

61.ª etapa



INFLAMAÇÕES... (OU DOIS TÓPICOS EM UM)

Em nome da defesa dos bons usos e costumes (porque é que isto me faz lembrar os tempos em que um senhor nascido em Santa Comba Dão mandava no País?) e do "tudo pela Pátria" - ou pelo site - e "nada contra a Pátria - ou contra o site - criaram um Index e, pelo menos um nome, por ser considerado "incómodo", foi atirado para a fogueira, mas continuo a ver por lá muitos "espalha-brasas".

Até alguém da estrutura superior se apressou a condenar uma equipa quando não estava sequer por dentro do assunto. Órfãos do alvo favorito para os ataques pessoais, agora aparecem, em sequência, os ataques institucionais. Foi aquela equipa e agora um grupo empresarial.

Esqueceu-se - ou não se lembrou quando estava a escrever - o Henrique Gomes, porque tem idade para se lembrar do facto, que o Grupo Costa Pais já andou no ciclismo. Co-patrocinou uma equipa do pelotão principal, ofereceu-lhe o que podia oferecer - nomeadamente o "luxo" de poderem ter um centro de estágio na Serra da Estrela, mas os dividendos foram... quase nada e no final desse ano ficou "queimado" mais um bom patrocinador.

Como se tem vindo a queimar outros, como a Porta da Ravessa, por exemplo, já para não falar da Sicasal, que no caso da Ambar desconheço porque deixou o ciclismo e a Coelima deduzo que tenha sido pela crise que "afogou" os nossos têxteis.

Não seria inédito uma insituição privada assumir as despesas pelo final de uma etapa - mas na Serra da Estrela, por exemplo, um outro grande grupo nacional, a Enatur, divide os interesses com a Costa Pais - contudo o problema da Torre, onde já se chegou a expensas do organizador, creio que o problema assenta mais na "guerrinha" entre municípios.

Territorialmente no concelho de Seia, acharão os responsáveis pelo da Covilhã que, se é às autarquias que a Organização pede dinheiro... que seja Seia a pagar a chegada à Torre. Só que a maioria das unidades hoteleiras, que teriam muito a ganhar, ficam no concelho da Covilhã e Seia acha que não deve pagar uma chegada de etapa para que os vizinhos da outra vertente da Serra tirem proveitos directos sem que também invistam alguma coisa. E deste jogo "do empurra" quem sai prejudicado é o Ciclismo, mas não se pode obrigar ninguém a pagar.

Defendo que se trabalhe de forma a aproximar todas as partes, mas não será, concerteza, hostilizando uma delas que lá chegaremos,

E a Região de Turismo da Serra da Estrela não pode ser isentada de responsabilidades. Eu também vi a tal reportagem em que se falou do "a Serra da Estrela estar na moda". E também não gostei.

As condições climatéricas, nos últimos anos, têm proporcionado muita procura, na Serra, tanto no Inverno como no Carnaval, mas... por essa ordem de ideias, o Algarve também não precisaria do Ciclismo, porque em Agosto difícil é arranjar alojamento lá. Há, é outra mentalidade.

Repito: para encontrar uma solução é preciso sentarem-se todos à mesma mesa. O Grupo Costa Pais não quererá assumir as despesas de uma chegada à Torre enquando o concorrente Enatur - e não só... e não só, porque há, pelo menos, mais dois grandes grupos hoteleiros a operar na Covilhã -, só iria ter lucros. O município covilhanense empurra para os vizinhos de Seia a responsabilidade de assumir os compromissos, baseando-se na realidade geográfica, e Seia não quer gastar dinheiro que depois não recupera porque 90% da caravana fica na Covilhã.

Os anos que tenho de Ciclismo, e as experiências já vividas, deixam-me perceber uma via que poderia ser explorada. A Organização assume as despesas da chegada à Torre e a Covilhã faz como se faz na Volta ao Algarve, oferece as dormidas às equipas, ficando só com o dinheiro dos extras e, claro, todo aquele que os acompanhantes - jornalistas ou adeptos - quase por certo farão, porque dá mais jeito ficar na Covilhã onde a oferta é maior (e melhor) do que em Seia. Ainda são algumas centenas a almoçar e a jantar e a pernoitar, nalguns casos, pelo menos dois dias.

Seia não tinha de pagar à Organização, mas esta não teria de pagar à Covilhã. E ambos os concelhos estariam em pé de igualdade porque a televisão ia mostrar as duas cidades. E os jornais falar delas. Querem ou não promoção? Ou acham mesmo que "está na moda"?

O único local em Portugal onde se pode praticar desportos de inverno mas que, ao primeiro nevão fica isolado, com as estradas cortadas e sem que as pessoas possam lá ir?

Mas não são os jornais desportivos (falo por mim, nunca podeia escrever isto no meu jornal) que têm de chamar a atenção para isto.

60.ª etapa



CÂNDIDO E JALABERT

Escreveu o senhor, creio que se chamará Sérgio Tereso, de forma indignada contra a uma pretensa Volta traçada a pensar no Cândido Barbosa.

Que eu saiba, e mantenho-me quase minuciosamente informado do que vai passando, quem "inventou" essa da Volta desenhada para as característica, não de um, mas de uma dúzia de corredores, fui eu. Aqui. Não foi mais do que um exercício teórico da minha parte, embora acredite naquilo que escrevi.

Achei que este tema merecia aqui ser tratado porque o seu autor foi, pelo menos é a leitura que eu faço, incongruente. Parece-me que percebi no seu texto uma crítica ao facto de os franceses nunca terem desenhado um Tour para o Jalabert (do que depreendo que seria a favor) e, ao mesmo tempo, nega ao Cândido Barbosa a mesmíssima oportunidade.

Ora, e para quem segue o ciclismo há pelo menos década e meia, olhando para a evolução do Cândido só se lembra de fazer uma comparação. Uma e só uma: com o Laurent Jalabert.

Começou por ser "apenas" um sprinter mas, ao longo da sua carreira cresceu enormemente como contra-relogista e trabalhou de tal forma que passava as piores montanhas com os primeiros. Estou a falar do Jalabert ou do Cândido? Não se percebe pois não? Porque a evolução de ambos foi exactamente a mesma. Logo, se bem percebi, se o Jalabert teria merecido que os franceses tivessem desenhado um Tour para as suas características... o Cândido também o merece.

Com um pequeno pormenor. O Jalabert explodiu como corredor completo ao serviço de uma equipa... espanhola (a ONCE) e, ao contrário do que aconteceu (e foi mesmo excepção) com o suíço Alex Zülle, nunca o Manolo Sáiz apostou num não espanhol para assumir a candidatura à vitória numa grande volta. Vê-de o caso de José Azevedo que até teve de deixar o Igor Galdeano vencer uma Volta à Alemanha depois de, na véspera do fim da corrida ter chegado ao primeiro lugar da classificação geral.

59.ª etapa



VOLTA A PORTUGAL.3

Com o seu habitual bom-humor (ou não fosse alentejano), brinca o António Costa com o facto de ainda não se conhecer, oficialmente, o traçado da próxima Volta a Portugal que estará na estrada daqui a, precisamente, 4 meses e um dia.

Ele não chega a tanto, mas podia recordar que, por exemplo, a Vuelta, que só se corre em Setembro, fez a sua apresentação em Dezembro último, mas não podemos pedir, pedir, pedir... quando em troca se dá tão pouco.

Há no ciclismo português problemas estruturais, identificados, que são bem mais graves do que o atraso da apresentação oficial da Volta. Já há-de estar traçada, acredito, mas assumem-se, por vezes, compromissos que nós, os que estamos de fora, parece que não queremos perceber.

Só espero que a JLSpots/PAD olhe bem para o calendário e não vá agendar a apresentação da Volta para o dia... da final da Liga dos Campeões, por exemplo, ou de qualquer outro evento importante. Não esqueçam de prever a agenda dos jornais de forma a poderem ter a certeza de que o evento terá cobertura consentânea com a sua dimensão.

As equipas que correm as Três Grandes, e ainda estão envolvidas (as do Protour, obrigadas a estar) em várias outras corridas. Os seus responsáveis têm plantéis de 27 a 33 corredores para gerir e, esses sim, precisam saber com muita antecedência as características daquelas corridas de forma a escolherem e proporcionar aos corredores escolhidos, planos de preparação consentâneo.

Em Portugal há (mais do que uma) equipas que nem sequer têm ainda os nove corredores para a Volta e mesmo os que têm os 9 ou dez sem problemas físicos, só os vão escolher um mês antes, porque até lá - longe vá o agouro - nenhum tem a certeza de com quem pode contar.

Então, quer-se uma apresentação da Volta em Janeiro/Fevereiro... para quê?

Sou irredutível defensor do "cada macaco em seu galho" e esta organização já deu provas de que está oleada e a trabalhar dentro do mínimo que se lhe poderia exigir. Creio, francamente, que a Volta já está delineada, parto, portanto, do princípio que ainda não foi tornado público o seu traçado por estratégia que só os seus responsáveis saberão qual é. E terão as suas razões.

Mas ainda bem que o adepto do ciclismo é exigente, ou parte representativa dessa mesma massa de adeptos é exigente. Assim fossem coerentes e aceitassem as outras regras do jogo...

segunda-feira, abril 03, 2006

3.ª nota



RECEIOS!... (?)

Chamou-me à atenção, uma das pessoas que aqui colocou a sua opinião, para o facto de o VeloLuso não ter mais participações porque - é a política d Google - não são permitidas mensagens anónimas e toda a gente terá de se registar para aqui poder escrever.

Francamente, não sei qual o receio, contudo, eu que não percebo nada de computadores, acabo de descobrir que nem sequer tenho aqui uma lista das pessoas que já colaboraram... teria de ir ver resposta a resposta. Não vos estou a convidar para virem aqui "disfarçados" - seria mau e não perceberia o porquê de uma pessoa se esconder atrás de uma identidade falsa para expresar a sua opinião - mas não tenham medo do registo que é preciso fazer...

domingo, abril 02, 2006

58.ª etapa



O MEU LADO "ZEN"

Ainda não tinha falado do meu lado zen - não, não vou escrever um tópico sobre mim, sou tudo mesmo narcisista - e pelo que me atrai nas culturas orientais. Confúcio é leitura obrigatória para quem, a dado passo, decide ganhar a sua vida a escrever e/ou a falar para uma multidão de pessoas (ainda que, na primeira hipótese, a minha, as não veja).

"Nunca digas tudo o que sabes, mas pensa bem em tudo o que dizes... antes de dizeres"

Depois de várias opiniões desgarradas, algumas naquele estilo que caracteriza o "tal" espaço, pegam numa informação aqui recolhida e começam a somar... opiniões desgarradas. Com acusações de todo injustas. Se fosse eu, apressar-me-ia a pedir desculpa aos responsáveis pela Associação Desportiva de Canelas!...

Primeiro, revelam claramente que não sabiam mesmo da história. Já agora, comentar é uma coisa, e eu posso comentar até o que a Al Jazheera diz, fazer "nossa" uma notícia que tem autor é outra. À atenção do senhor António Dias!

Que, não sabia nada e nada sabe ainda. O que não o impediu de se atirar que nem gato a bofe à equipa em causa.

Vá lá... ponham lá - como se fosse uma notícia vossa - o que acrecento agora: A equipa teve um comportamento irrepreensível no caso. Falou com o corredor, disse-lhe que não estaria nos planos para esta temporada e que ele procurasse outra equipa. E o corredor ACEITOU. Só depois de não ter conseguido colocação em mais nenhuma voltou atrás e esgrimiu com o contrato. Numa altura em que a equipa já tinha o seu quadro de corredores completo e não tinha orçamento para albergar mais um.

Provavelmente, se desde o início o corredor não tivesse aceitado o "convite" para sair... teria ficado, ou ter-lhe-iam pago a devida compensação por rescisão do contrato. O que a equipa não esperava era que, depois do SIM SENHOR, o corredor voltasse atrás e recorresse às vias judiciais para que o contrato a que ele, implicitamente, tinha aceite pôr fim, ao concordar em partir à procura do seu futuro. Se, atempadamente, ele tivesse informado que não conseguira outra equipa, aí, se não lhe quisessem pagar o devido pela rescisão unilateral, os responsáveis do Canelas teriam de ter inscrito o corredor.

Da parte da equipa foi tudo feito com lisura e num pressuposto de que todas as partes actuavam de boa fé. Não merece os ataques que lhe foram endereçados.

Porque escreveram sem saber o que estavam a escrever.

E retirem essa parte do "hoje num Blog já aqui citado, surge a informação..."

Não foi hoje, foi ontem. E o ACE que diga onde leu o que escreveu. Amuem-se à vontade comigo, mas respeitem-me.

57.ª etapa



DOIS "PEQUENOS" PORMENORES

Acabo de ver a parte final (em diferido) da Volta à Flandres e tenho duas pequenas notas a vincar. Dois "pequenos" pormenores.

Primeiro: a forma como Johaan Bruyneel e a Discovery Channel se têm esforçado - e com resultados excelentes - para mostrar que a formação estado-unidense existe para além de Lance Armstrong.

A segunda, não menos importante: repararam nas barreiras nos últimos 350 metros? Sim, é verdade, eram almofadadas. Podem não dar muito jeito aos fotógrafos de ocasião, mas o mais importante é zelar-se pela integridade física dos únicos artistas em palco. Os corredores.

Mudanças: I - O Diálogo

Apesar da sobrevivência - de uma maneira ou de outra - estar (mais ou menos) assegurada (pelo menos, para alguns), alguém terá coragem para negar que o ciclismo português precisa de mudanças profundas e urgentes?

Se calhar, o melhor até seria assistirmos uma revolução repentina e miraculosa, assim ao estilo dos enredos de Hollywood. A realidade é, contudo, "ligeiramente" diferente da maioria dos guiões dos filmes produzidos nos estúdios de Los Angeles e os momentos a que a História se encarrega de colar o rótulo "Revolução" são apenas o culminar de um longo caminho: uma lenta evolução, um agregar de pequenas mudanças, a consequência de diversas (e, muitas vezes, independentes) acções que, a certa altura, se cruzam e permitem marcar - mais definidamente - um ponto em que o "futuro" é nitidamente diferente daquilo que estava estabelecido até ali. E é importante que isso seja assimilado por algumas pessoas: não adianta esperar por milagres... é preciso criar condições para a mudança, é preciso ir dando pequenos passos numa nova direcção.

E, no ciclismo português, uma das primeiras coisas que é preciso mudar é a abertura ao exterior e ao diálogo. Infelizmente, ainda muita gente acredita que os problemas deixam de existir se ninguém falar deles: pura ilusão. E isto leva a situações verdadeiramente ridículas. Na
45ª etapa, o Madeira focou uma delas. Mas há muitos mais exemplos: de e-mails a avisar que é melhor não se exporem publicamente assuntos delicados a ameaças (as mais engraçadas são aquelas baseadas em supostas leis e regras que ou não existem ou nem sequer são aplicáveis no caso) indirectas, com recado para terceiros.

Porque é que, em vez de tentarem calar as vozes mais incómodas (sim, a verdade ainda dói a muito boa gente), esses senhores não se dedicam a procurar alternativas. Essa "via" já provou estar gasta. Se as coisas não dão sinais de melhorar é porque é preciso mudá-las. Mas essa mudança não pode ser feita com a exclusão de tudo e todos os que não fazem parte da "família", de quem tem ideias diferentes.

O facto de se dialogar com outras pessoas não implica que se aceitem cegamente todas as suas ideias e/ou sugestões. Mas parece que muita gente ainda tem medo disso e acabam por usar o mais ridículo de todos os argumentos: quem não está "lá dentro" não pode falar, porque não sabe nada. É patético e, pior, profundamente errado. Quem está "de fora" pode não ter conhecimentos técnicos, mas tem uma visão diferente e, especialmente, mais alargada das situações. E o que realmente interessa é procurar conjugar os dois lados, para se poder chegar a alternativas realistas. É importante que - na procura da mudança - se deixem de lado orgulhos patéticos e se entenda que mudar não tem que ser sinónimo de uma cedência humilhante da estratégia inicial.

Mas - e para que tal mudança seja possível - é indispensável que os interesses da modalidade sejam postos à frente dos interesses individuais (muitas vezes, mesquinhos) de cada um dos seus agentes. Será que temos um "pelotão" capaz de tal mudança de mentalidade?

56.ª etapa



VOLTA A PORTUGAL.2

Com um abraço do tamanho do Mundo para o meu amigo Joaquim Gomes e ressalvando que sou suficienemente humilde para, aqui, publicamente, reconhecer que eu era incapaz de fazer o trabalho que ele vem a fazer na PAD, gostava de falar num aspecto que tem escapado à maioria dos observadores do Ciclismo em Portugal. E acho a ideia pertinente, principalmente agora que já não temos no pelotão as grandes equipas do Circo Internacional, com algumas das suas "feras".

ATENTEM: Qual é a primeira preocupação dos italianos quando desenham o Giro? Traçar uma corrida ao jeito dos... italianos.

O que fazem os espanhóis? A mesmíssema coisa, a pensar nos Heras (já foi!), Beloki's, Valverdes e companhia...

E o que fez o Tour ao longo destes anos? Malgrada a azia, desenhava as corridas de forma a que o Induráin, primeiro, e depois o Armstrong, as ganhassem. Os franceses, mesmo com a "guerra" que fizeram, a partir de Julho do ano passado, a Lance Armstrong, preferiam mil vezes que ele ganhasse o 5.º, o 6.º, o 7.º... - e só não foram mais por decisão do próprio Armstrong - para poderem dizer que... o TOUR foi ganho pelo maior corredor da actualidade. E não por um Menchov, ou um Salvodelli qualquer - com o devido respeito que estes corredores me merecem. Isto porque há mais de uma década que nã aparece um francês com qualidades para se impôr numa corrida de três semanas. Nem nas de 5 dias!!!

Onde é que eu quero chegar?

Tracemos uma Volta para um português ganhar. Depois da "loucura" de 2003, com o triunfo de Nuno Ribeiro, e do apoio popular que o Cândido Barbosa teve o ano passado... não será por aqui que devemos começar a "reconstruir" a credibilidade do ciclismo português?

É evidente que a Volta, e porque cá não acontece como em Espanha onde a Organização gasta três meses a seleccionar quais as cidades que hão-de receber a corrida, tal é o volume de ofertas, não pode evitar a parte mercantilista (sem desprimor, porque sem dinheiro não há corrida) e isso limita o mapa de Portugal à meia dúzia de localidades que QUEREM a Volta e obriga a esgotantes negociações com outras autarquias que ficam no caminho porque não se pode fazer uma etapa entre Portimão e Castelo Branco.

Olhemos para o nosso pelotão no iníco de cada temporada, ou para os corredores que na temporada transacta deixaram sinais de que podem ser candidatos. Não... acabemos com isso dos candidatos "honnoris causa". É pelo que fazem na estrada e não pelo currículo que podemos "descobrir" um novo campeão.

Dois exemplos: etapas longas para as equipas mais pequenas mostrarem as camisolas? Riscava! E à Senhora da Graça ia só pelo público, que aquilo já mostrou que, sem uma equipa verdadeiramente forte e coesa, como a Maia de 2002, não dá mais do que uns míseros segundos de diferenças entre os principais candidatos.

E vou dizer uma autêntica heresia: uma etapa a terminar na Torre não é obrigatório.

Agora peguem nos corredores mais jovens que poderiam reconquistar o público para a paixão pelo ciclismo.

Quem temos?

O Sérgio Ribeiro... o João Cabreira... o Tiago Machado... o André Vital... o José Vaz... o Filipe Cardoso... o António Jesus... o Bruno Pires... o Gilberto Sampaio... o Rui Pinto... o Macael Isidoro... o Bruno Sá... o José Martins... Vejam só quantos! E têm quase todos as mesmas características. Não o fiz "inocentemente"...

Tracem-se etapas curtas - como os espanhóis fazem - para que não haja grandes diferenças nas chegadas (ah, pois é!... eles "inventaram" isso e deixavam que a alta montanha decidisse o vencedor), deixemo-nos de cronos colectivos que deixariam alguns deles irremediavelmente afastados da discussão pela vitória, ou cronos individuais que não chegam para diluir as diferenças ganhas numa fuga louca - ainda por cima se for de um corredor que depois tem por trás uma equipa que saiba controlar - ou de uma etapa de 190 km a terminar na Torre.

Imaginem uma Volta com etapas de 140 ou 150 km, com chegadas em pelotão quase garantidas - e com o espectáculo que isso oferece ao público que, aos homens que andam fugidos 100 km só os vemos nos resumos da televisão que quando começam os "directos" já vão a andar para trás - e com, a um ou dois dias do final, uma crono escalada (cá está a explicação para os nomes escolhidos; nem todos fazem bons cronos, mas todos sobem muito bem), por exemplo... da Covilhã para as Penhas da Saúde. Que durante tantos anos se fez.

Os estrangeiros, medianos, como os que têm vindo a apresentar-se entre nós, na Volta, iam ficar nos primeiros dois quilómetros de paralelo e - digo-o em consciência, perdoem-me a franqueza - com os corredores, cada um por si, livres da ditadura, como eu lhe chamei algumas "etapas" atrás, do auricular e dos medos dos directores-desportivos... estou já a imaginar o espectáculo que não seria.

E querem apostar que ganhava um daqueles que apontei? Com a importante conquista conseguida por esse senhor do ciclismo que é Francisco Nunes - é bom que os homens não percam a memória - de pôr a Volta sempre a acabar num dia feriado e que tira esse final do habitual domingo, já preenchido com o futebol por essa altura do calendário... com portugueses a lutar pelo triunfo final não era só o povo amante do ciclismo que acorreria a uma etapa destas, eram também os jornais, com mais espaço, livres da jornada do futebol, a potenciarem, em termos de impacto, aquilo pelo que todos nós lutamos: o Ciclismo.

Não cobro nada pela ideia.

sábado, abril 01, 2006

55.ª etapa



VOLTA A PORTUGAL.1

Estamos em Abril e não é por ser (ainda) dia 1, que se começa a especular sobre a Volta a Portugal.

Há muito que se sabe, desde as negociações para que Portimão acolhesse o final da 1.ª etapa do Lisboa-Dakar, que o arranque da Volta a Portugal estava incluído no "pacote". Que a primeira etapa ligará a cidade da foz do Arade a Santiago do Cacém e que a segunda, saindo de Grândola terminará na área metropolitana de Lisboa. Por ser um domingo, terá de fugir às zonas mais congestionadas da orla marítima pelo afluxo, normal, nessa época, às praias da Linha, pelo que a Avenida dos Bons Amigos, no Cacém, com o apoio da Câmara Municipal de Sintra, deve ser o palco escolhido. Que o contra-relógio (se houver contra-relógio), desta vez acontcerá a meio da prova, provavelmente na zona da Feira/S. J. Madeira e que a prova acabará na zona da Naturtejo, talvez em Castelo Branco, talvez em Idanha... e que não havia etapa a terminar no alto da Torre, são "novidades" tiradinhas do "micro-ondas" para parecerem quentinhas.

Mas não é para revelar o traçado da Volta que, de facto, ainda não sei, que abri este tópico.

Sou um chato. Eu sei. Sempre a falar de regulamentos, brrrrrrrrrrr.... coisa abominável, isso dos regulamentos!...

Mas achei graça a uma "afirmação" que li noutro lado, e lá fui eu ao site da UCI para confirmar, que em relação aos regulamentos, neste caso não precisei de ir ver o "canhonhe"...

A Spiuk não corre a Volta a Portugal! Pois não.

Nem podia correr por e tratar de uma equipa continental.

O que aconteceu o ano passado foi uma excepção conseguida pela FPCjunto da UCI porque nas corridas HC só podem competir equipas continentais do próprio país.

Espero, sinceramente, que a PAD este ano tenha, atempadamente, garantido o número suficiente de equipas dentro do quadro regulamentar, para que não tenhamos, outra vez, de ir de joelhos pedir à UCI que nos faça o favorzinho de fechar os olhos a uma gritante irregularirade.

Olhem... ponham equipas nacionais de sub-23!

54.ª etapa



SE TEM DE SER... QUE SEJA!

(Aviso prévio: peço desculpa por, como vão poder ver, neste tópico eu mostrar que, afinal de contas NÃO VIVO DO DIZER MAL DO CICLISMO. Há situações que apenas desgastam a imagem da modalidade e foi em nome disso que não disse tudo o que sabia. Mas...)

Li hoje, num artigo postado pelo meu caro amigo Carlos Costa - claro... num outro espaço onde se discute ciclismo :-) - que, segundo o cycling4 all (não me importo de fazer publicita quem o merece), a Madeinox-Bric-Canelas tinha inscrito o Carlos Carneiro e apresentei aqui a história do diferendo entre clube e corredor que levara à sua não inscrição no início da temporada. E invoquei os regulamentos para justificar o que disse.

Mas, e ao contrário do que doutas mentes vêm a insinuar, não me divirto a "dizer mal do ciclismo", tanto que omiti um dado que, ainda há horas atrás, achei por bem omitir. Porque é sempre mau, seja para o ciclismo, seja para que actividade for, chegar-se a este ponto.

Mas, quase que por descargo de consciência, e porque não é mentira que eu tente sempre estar certo do que digo, seguindo o book (leia-se: regulamentos), fui tentar saber o que, de facto, estava a acontecer. Podíamos ficar como estávamos e todos saíamos bem da história, mas, já o confessei, eu omiti uma pequenina parte da estória. Porque, propositadamente, não quis arrasar o ciclismo até... até ao ponto que agora vou ter de revelar, isto para que, daqui a pouco, amanhã ou nos próximos dias, não apareça algum iluminado a insinuar que eu, afinal, não sabia nada da história. Sei-o-a toda.

Tudo aquilo que escrevi é verdade, faltou dizer que o corredor recorreu aos tribunais civis para fazer valer o seu contrato. Achei que o ciclismo não ganhava nada com esta informação e nem os amantes da modalidades iam ficar mais ou menos satisfeitos por sabê-lo. Mas como sei da minha posição de "alvo a abater" - porque é que terá sido apagado, no outro tal sítio, o tópico onde várias pessoas se manifestaram contra a decisão de eu ter sido pura e simplesmente banido? -, e para que não digam que sou "anjinho", aqui fica a explicação real: o Carlos ganhou o recurso apresentado nos tribunais e teve mesmo de ser integrado, com efeitos válidos desde o início da temporada, pelo que a UCI acabou por ractificar a inscrição da equipa. Reparem na data da actualização da ficha da Madeinox no site da UCI: 31 de Março... Ontem!

53.ª etapa



OUTRA VEZ OS REGULAMENTOS

A propósito de uma notícia veículada pelo site holandês cycling4all, que dá conta da "contratação" do Carlos Carneiro pela Madeinox-Bric-Canelas, levantaram-se noutro síto na Internet, onde se fala de ciclismo, hipóteses que apenas revelam desconhecimento, primeiro, da história completa do caso - mas reconheço que a isso o grande público não poderia ter tido acesso - e depois dos regulamentos.

E, se ao mero adepto de berma de estrada não se lhe pode exigir que saiba de cor os regulamentos da FPC ou da UCI - eu também os não sei de cor, mas estão sempre à mão para tirar dúvidas - já há outras pessoas que, pelo envolvimento que mostram com a modalidade tal é quase imperdoável. Quem assume ter responsabilidade, quando se fala de ciclismo, devia ter o cuidado de tentar ser o mais concreto possível.

Dou uma dica: há muito, muito tempo, dei-me ao "trabalho" de ler e reler todo o regulamento que rege o ciclismo profissional. Não é possível decorá-lo mas, perante determinadas situações, dá para recordar que "aquilo" está definido nos regulamentos. Pego então no maço de folhas e procuro o enquadramento legal daquilo que pretendo discutir, ou refutar.

Voltando ao caso do Carlos Carneiro, ele, o ano passado, quando foi para a equipa de Canelas, assinou um contrato de dois anos. Que terminará a 31 de Dezembro deste ano. No final da pretérita temporada foi-lhe dito que, se conseguisse encontrar outra equipa, o clube dispensava-o. E não podia fazer outra coisa senão condicionar a "dispensa" ao ele encontrar outro patrão, porque o contrato que tinha era válido para 2006.

O Carlos não o conseguiu, mas tardou a comunicar aos responsáveis gaienses isso msmo, tendo, entretanto, esta fechado o quadro de corredores com os quais contaria para esta temporada e inscrito a equipa SEM o Carlos Carneiro. Que, ao não ter conseguido colocação noutro clube, regressou e fez valer o contrato, legal, e vigente, como escrevi, até ao dia 31 de Dezembro deste ano.

Portanto... nem estava prevista a inscrição tardia do Carlos Carneiro, nem este ficou de fora da equipa por qualquer problema de ordem disciplinar, relativa, por exemplo, a um eventual caso de doping e o mero aflorar deste assunto será, não duvido, incómodo para um corredor que foi duas vezes campeão nacional e deu tudo o que pode dar às equipas por onde passou.

Sem querer, que disso também estou certo, quem escreveu aquilo interferiu de uma forma pouco... pensada, no historial de um corredor ao qual nada há a apontar. É perigoso falar-se quando não se tem a certeza do que se diz.

Finalmente, e porque a maioria parece desconhecer o facto, à imagem do que acontece com o futebol, também o ciclismo tem duas épocas para se fazerem inscrições, ou antes do início da temporada, quando se inscrevem junto da FPC, ou em Junho. Ora, se o Carlos não foi inscrito na equipa inicial da Madeinox-Bric-Canelas... terá de esperar até Junho para, depois de inscrito, poder voltar à competição.

Não sei, mas o que a fonte do cycling4all terá comunicado ao administrador daquele site terá sido que ele voltou a aparecer na estrada, a treinar, está bem de ver, com o equipamento da equipa. Inscrito... não pode ter sido. Readmitido na equipa, sim! E, apesar de só poder ver a sua situação regularizada em Junho, não quer dizer que só voltasse a treinar no dia 31 de Maio. Aliás, se for - que pode não ser - opção para a Volta a Portugal... convém chegar a Agosto já com algum andamento, por isso, convém que já esteja a treinar-se para isso.

52.ª etapa



CONFUSÕES

(prolongamento da 47.ª etapa; parece-me que isto ainda vai a penalties...)

Caro Carlos Flórido,

volto a agradecer-te o facto de consegires roubar um bocadinho aos teus afazeres para me responderes. Lí, atentamente, a resposta ao texto (em epígrafe) que escrevi e, entre contradições e "fait-divers" que nada acrescentaram à discussão do Ciclismo em Portugal, só registei a enorme confusão que te vai na cabeça. E, nas entrelinhas, percebi que estás a fazer disto um assunto pessoal. Se insistires nisso, vais ficar a falar sozinho.

Nada tenho contra o Carlos Flórido, não entro nas tuas provocações. Ponto final.

Mas tenho que te responder "para esclarecer os meus leitores", como sugeriste.

1.º - Todos, eu, tú e todos os que aqui vêm - porque lhes ofereço essa oportunidade - têm direito à sua opinião. Não é, obrigatoriamente, um espaço de polémica. São pessoas diferentes, com opiniões e maneiras de pensar diferentes. Só isso.

Um Blog não é um espaço noticioso mas de comentário e eu comento o que vou sabendo. Dando-lhe um cunho muito pessoal, porque o tenho. Não sou caixa de eco.

2.º - Não identifiquei nada, o meu post 47.ª etapa, que te possa ter ofendido, daí não me sentir obrigado a pedir seja que desculpas forem. Citei o nome do JORNALISTA Manuel Flórido como já citei os do Zé Neves de Sousa, do Homero Serpa, do Carlos Miranda, do João Araújo ou do Paulo Felizes. Tudo jornalistas que, em épocas diferentes, contribuíram enormemente para a divulgação do ciclismo.

3.º - Conheço pessoalmente e tive oportunidade de falar diversas vezes com o José Miguel Echavarri; com o Manolo Sáiz, com o Vicente Belda, com o Alvaro Pino, com o Javier Minguéz... com o Johan Bruyneel. Não participei em tertúlias, mas estive várias vezes com alguns deles, em conversas com, por exemplo, o Manel Zeferino, quando acompanhei a Maia na sua saga espanhola. Mas aprendi muito a ler, sim. Desde o que pensavam outros jornalistas, a diversos técncos e dirigentes; desde planos de preparação de uma temporada, aos cuidados médicos que um ciclista precisa. Aprendi muito a ler, sim...

4.º - Sinto-me absolutamente livre para criticar, ainda por cima depois de constactar factos, critério editoriais seja de que jornal, rádio ou televisão fôr. Opiniões disfarçadas de artigos e comentários de quem nem conhece equipas e corredores... Estou na minha área. Tenho conhecimentos mais do que suficientes para saber o que é bom, suficiente ou medíocre. E sustentado em factos, posso criticar sim.

5.º - Alargas a margem das tuas insinuações ao jornal onde trabalho. Em relação ao ciclismo, e desde que tú e o João Araújo deixaram de fazer aquela que para mim foi a melhor equipa de joralistas de ciclismo na última década e meia, parece-me que não há muitas dúvidas quanto ao jornal que melhor trata o ciclismo. E vamos a todas as corridas.

6.º - Não existe má relação entre mim "e grande parte ou a maioria do pelotão". Onde ouviste essa? Ninguém me faltou ao respeito, não faltei ao respeito a ninguém... penso é pela minha cabeça e exponho as minhas ideias. Há quem não concorde, mas isso é salutar, e falamos na primeira oportunidade. Até hoje sempre saímos dessas conversas com um aperto de mão. Acho é curiosa a expresão "pelo que tenho lido aqui, atenção!".

Só se consegues ler o que não está escrito, porque, da meia dúzia de participações no meu Blog, nenhuma é de algum agente directo do ciclismo.

7.º - Para que preciso mostrar a minha valentia? Mal iria o jornalismo em Portugal se se considerasse "valente" um jornalista que denuncia irregularidades ou aponta algo que não vai bem, acrescentando sempre o que, na sua opinião, podia ser um caminho para se encontrar uma solução.

Ainda não fiz mais do que isso.

Quanto ao sujeitar-me a ouvir o que não quero, não vejo o que possa ser. Estou, sim, à espera de ouvir o que quero, que é a opinião dos tais agentes directos no pelotão e que só não usam do seu direito porque não querem. Mas eu sei porquê. E tú, que andaste cá muitos anos, também deves desconfiar.

8.º - Não fui eu quem inventou os Blogs e não tenho culpa que seja necessário que se registem e não percebo porque raio é que, quem tiver alguma coisa a dizer, não há-de dar a cara. Muitos o fizeram - e provavelmente ainda fazem - noutro espaço de discussão do ciclismo no qual saúdo a tua pesença, embora a tua opinião sobre os "Jovens Ciclistas Nacionais" enferme pela falta do conhecimento de algumas realidades mais actuais no tempo. No resto está excelente, mas outra coisa não seria de esperar de ti.

Finalmente - Reforço que me sinto honrado pela tua presença aqui, neste Blog, mas podias falar mais de ciclismo e menos de uma questíncula que já passou. Morreu. Já ninguém se lembra. Apenas para que pareça que foste violentado. Vindo aqui só e apenas numa espécie de exercício de "defesa da honra" até dá a impresão de que gostas de escrever o teu nome. Não precisas disso.