quarta-feira, agosto 03, 2011

ANO VI - Etapa 55

E, NUM ÁPICE, PASSARAM-SE VINTE ANOS
(e como tanta coisa mudou!...)

Foi há 20 anos que cobri, para a saudosa A Capital, a minha primeira Volta a Portugal em Bicicleta.

Por esta altura já havia terminado. Acabou, na mesmíssima Avenida da Liberdade, em Lisboa, onde na edição deste ano a bandeira axadrezada será uma vez mais baixada pela última vez, no dia 15 de Julho.

Começara em Loulé, no primeiro dia desse mês e ainda era normal cumprirem-se mais do que uma etapa por dia. E foi assim que acontecei logo no primeiro dia. Um crono por equipas, de manhã, ganho pela Ruquita-Feirense, com o Jorge Mendes a vestir a primeira camisola amarela; à tarde correu-se a 1.ª etapa (de manhã havia sido o Prólogo) ligando Loulé a Tavira e o vencedor foi Luís Machado da então estreante Tensai-Mundial Confiança orientada pelo jovem Marco Chagas.

Houve ainda mais duas jornadas duplas. A 10 cumpriram-se mais duas tiradas: Costa Nova (Aveiro)-Guimarães e Guimarães-Porto. Vicente Ridaura (Royal) resistiu de amarelo, mas a sua liderança estava claramente por um fio. No dia seguinte, no segundo contra-relógio por Equipas, disputado na Cidade Invicta, venceu a Sicasal-Acral e o torreense Jorge Silva vestiu-se de amarelo e não mais haveria de despir o jersey de líder.
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No dia 12 tivemos outra vez duas etapas. Águeda-Caldas da Raínha e Caldas-Lourinhã. No dia seguinte o único crono individual e... do nada surgiu um jovem com pouco mais de 20 anos, Orlando Rodrigues, da Ruquita-Feirense (orientada por António Brás) que, para surpresa de todos - menos minha, porque não tinha a mínima ideia do que estava a acontecer!!! - venceu e se tornou um pesadelo para os homens da toda poderosa Sicasal-Acral nos dois dias que faltavam.

Mas Jorge Silva resistiu e acabou por vencer a prova não sem ver, no último dia, na chegada à Avenida da Liberdade, o mesmo Orlando Rodrigues ser o primeiro a passar o risco de chegada.
Memórias que vivem na minha memória...

Um abraço muito grande para os meus dois Companheiros de aventura e que, com a sua experiência tanto me ajudaram, o Zé Rosa (motorista) e o Carlos Alberto (repórter fotográfico).

E, como em título escrevo... e como tanta coisa mudou, lembro-me que carregava uma máquina de escrever mecânica e uma mala com duas resmas de folhas para escrever - laudas ou linguados (ainda tive que comprar mais) - que depois tinha de enviar por fax (já não apanhei a fase do telex!...) e os rolos fotográficos que o Carlos Alberto gastara ao longo do dia tinham que, o mais rapidamente possível, ser levados à estação da CP ou da rede de Expressos rodoviários mais próximos e 'despachados' para Lisboa. Na manhã seguinte um contínuo do jornal ia a Santa Apolónia ou à Avenida Casal Ribeiro buscá-los.

A Capital era ainda vespertino.

Ao Carlos Alberto escapava tudo o que fosse escolha ou edição de imagem!

Mas não era apenas o nosso - dos Jornalistas - trabalho que tinha era muito diferente.

Reparem, na foto, na estrada de paralelos; na existência de apenas uma roda pedaleira na bicicleta do Jorge Silva e... no sistema de fixação dos sapatos do Corredor aos pedais.

Esta, confesso que pesquei na última edição do Expresso: passam também agora 25 anos sobre a quarta vitória de Marco Chagas na Volta, a segunda ao serviço do Sporting.

Só mais uma nota: David Blanco, o vencedor das últimas três edições da Volta, divide com o Marco Chagas o recorde de vitórias na prova, quatro, e só ele e Joaquim Agostinho venceram três voltas consecutivas.

Eu... eu cobri a Volta durante 15 anos consecutivos, sem uma única pausa.
Em 2005 pude escrever a história de um perfeito desconhecido, o russo Vladimir Efimkin que, à segunda etapa e saindo da Figueira da Foz, para uma jornada que, passando pela Estrela (embora ao lado da Torre) terminou no Fundão, coberta de fuligem e com um ar irrespirável devido aos vários incêndios que rodeavam a cidade, ganhou a Volta. Sim. Ao segundo dia!

No ano seguinte, doente, falhei a corrida. Apenas um intervalo, pensei.
Não voltei mais!... E não voltarei...

1 comentário:

Pedro disse...
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