sábado, agosto 06, 2011

ANO VI - Etapa 60

Há sempre situações imprevistas que acontecem durante - e como é dela que estamos a falar - na Volta a Portugal.


Mais atento, O Jogo testemunhou o momento.

'Dramático'?!


O Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, apesar de se perceber que traz um crachat ao pescoço. Quantas vezes trazemos a fita ao pescoço e o crachat, propriamente dito, dentro do bolso da camisa, ou mesmo, ainda que inadvertidamente, dentro da camisa, principalmente quando o calor aperta e desabotoamos mais do que o primeiro botão...



Não estava lá, não sei os pormenores nem O Jogo no-los deu. So uma foto e algumas linhas. Mas a cara do senhor presidente não engana! Estava fulo. Mesmo fulo.



Porquê? Porque um elemento de uma empresa de segurança - que não é obrigado a conhece-lo, não é Doutor? - não vendo o tal crachat o tentou impedir de entrar numa área que, presumo, claro, era restrita.



A expressão facial do Senhor presidente deixa em aberto todos os tipos de leituras.


Eu acho que estava fulo e gritava com o pobre homem que, tomando por exemplo - até é da mesma companhia de segurança que trabalha connosco no Bairro Alto, se calhar não está a ganhar mais do que 15 euros por dia para suster a turba. E que o não conhecia...



Isto faz-me lembrar, e o Teixeira Correia não me deixará mentir, um momento semelhante que ambos vivemos em 2001 quando a Vuelta terminou junto à Porta de Alcalá, bem no centro da Cidade de Madrid. Estávamos os dois a menos de dez metros.



O Senhor don Enrique Franco, - infelizmente já falecido, mas que nessa altura levava mais de 25 anos como Director da Organização da Vuelta - porque aquele seria o caminho mais curto desde o local de onde se deslocava foi TRAVADO, da mesma maneira, por um elemento de uma empresa privada de segurança. Lá está... o pobre homem não tinha, obrigatoriamente que o conhecer e como ele não cumpria o definido para entrar por ali... vedou-lhe a entrada.



A cara que vejo, do dr. Artur Lopes permite-me um largo leque de reacções em relação ao que poderá ter acontecido.



Quer o dr. Artur Lopes, e todos vocês, meus fiéis leitores, saber o que aconteceu junto à porta de Alcalá?

Don Enrique Franco mandava em mais do que na organização da Vuelta.

Era um homem influente, mesmo a nível político.

Poderia até ter mostrado outros... 'salvos condutos'.



Repito que assisti a tudo de muito perto e que, naturalmente me fui aproximando. Eu estava do 'lado de dentro', com o meu crachat de Jornalista...



Don Enrique Franco nem sequer protestou. Recuou, o que achou que devia recuar para manter alguma privacidade, e fez um telefonema. Menos de cinco minutos depois o Director-técnico (subordinado, como é evidente, do Director-geral), Paco Giner estava no local.


Era a última etapa, a decorrer na Castellana. E, naturalmente, sem 'crises' o Homem forte da Vuelta entrou no recinto. Sem que o segurança tivesse sido humilhado.



São lições de vida que fui tendo ao longo da minha carreira.

Pode ser-se Grande sem 'pisar' os mais pequenos...

Ou gritar, para parecer que se é maior do que realmente se é!

4 comentários:

Paulão disse...
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Paulão disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
mzmadeira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José Luís Ribeiro disse...

Olá boa noite.
Não vinha aqui há bastante tempo pelo que começo por desejar ao Manuel Madeira os sinceros votos de que tudo corra bem consigo.
Estive em Fafe e sei o que se passou, embora não tenha presenciado a situação em concreto mas uma idêntica. Sei que não houve gritos nem berros.
Contrariamente ao afirmado na notícia de O Jogo, o segurança não teve excesso de zelo. É essa a minha interpretação e sei que o Dr. Artur Lopes também pensa exactamente o mesmo.
O segurança cumpriu a missão que lhe foi confiada, vedando o acesso a uma das várias zonas da chegada.
Ao que sei, o espanto era esse: a constatação, naquele exacto momento, de que a credencial emitida apenas permitia o acesso a uma determinada zona.
Soube, entretanto, que esse “lapso” (ocorrido na emissão de várias credenciais) foi corrigido.

Aproveito, contudo, este assunto para abordar uma outra questão que me parece pertinente.
A relação da Volta com o público e com as pessoas que, durante o ano inteiro, se dedicam ao ciclismo, sejam elas, colaboradores das organizações, treinadores, atletas, etc..
Esclareço, desde já, que não tenho razões de queixa a este nível, tendo encontrado sempre do lado do Joaquim Gomes e da Pad/LagosSport abertura e disponibilidade para solucionar algumas questões que temos colocado ao nível da ACM (no prólogo, por exemplo, conseguimos que alguns colaboradores acompanhassem ciclistas em viaturas automóveis, proporcionando uma vivência interessante que, além do mais, se revelou motivadora no relacionamento dessas pessoas com a modalidade. Da mesma maneira, jovens atletas dos nossos clubes têm estado e vão estar nos locais de partida).
Admitamos, porém, que o público não é “muito bem tratado” nos locais de chegada da Volta a Portugal, tal como se queixava há muito tempo o “costinha” (lembram-se ?).
Reconheço o esforço do Joaquim Gomes e da sua equipa, assim como as limitações com que a organização é confrontada, inclusive do ponto de vista do espaço físico onde decorrem as partidas e as chegadas.
Mas a relação do público com a Volta é uma das matérias que, na minha opinião, merece reflexão.

1Abraço,
José Luís Ribeiro