segunda-feira, dezembro 31, 2007

1022.ª etapa

A MORTE LEVOU-NOS MAIS UM HOMEM
APAIXONADO PELO CICLISMO


Este artigo,

escrevo-o em memória de um jornalista.
Um jornalista que muito deu ao Ciclismo.


Soube há pouco que perdemos mais um companheiro. Já retirado, é verdade, mas um companheiro a quem o Ciclismo ficou a dever muito. É sempre penoso falar de alguém que partiu, mas – e já perceberão mais à frente – o falecimento do Homero Serpa deixou-me mais triste ainda porque… nunca conheci o Homero!

Vi-o, e creio não me enganar, uma vez. Uma única e vez e nunca falámos.
Em frente à redacção de A BOLA há uma livraria (que nem sempre está aberta) - os livros e a literatura eram a sua outra paixão - e uma tarde, aproximava-me eu para começar mais uma jornada de trabalho, vi-o a atravessar a Travessa da Queimada, a entrar no edifício de A BOLA mas ele subiu as escadas sempre à minha frente e perdi a oportunidade de falar com ele. Também, confesso-o, não me seria fácil chegar-me junto a ele e ser eu a meter conversa. Acho que não seria capaz.

Interpretem-me como quiserem. Estou a ser totalmente honesto.
Aconteceu-me antes, com outros grandes nomes do jornalismo, ligados ao Ciclismo. Sou de carácter reservado. Envergonhado. Tímido. Já não mudo.
Custou-me ainda um bocado estabelecer alguma relação profissional com alguns outros grandes jornalistas.

Não era fácil chegar assim, perto de quem era meu ídolo, e aparecer a apresentar-me – o que, com a minha forma de ser, seria sempre qualquer coisa de… impertinente – quase impossível.

Acabou por ir acontecendo, com os que ainda estavam em actividade.
Os passados eram quase inacessíveis. Eu sei que estou a exagerar.
Aliás, e em relação ao Homero Serpa, nem seria assim tão difícil, embora não o tenha sabido mais de duas ou três vezes n’A BOLA, até porque o Vítor serviria sempre como ponte… Esperei de mais e perdi a oportunidade.

Há aqui, sei lá… quatro anos, um dia o João Bonzinho chamou-me para me dizer que o seu pai – entretanto também já falecido – preparava um encontro de homenagem ao Homero e pediu-me para o ajudar. Mas o meu querido Boaventura Bonzinho assumira decididamente a iniciativa e a minha participação diluiu-se. Ainda por cima, esse encontro aconteceu durante uma Volta ao Alentejo, que eu cobria para A BOLA, o que me impediu de estar presente.

Parecia que estava destinado que eu não haveria de poder estar um bocado a falar de Ciclismo com uma das minhas referências.
Era leitor do Homero. Há muitos anos, muitos, mas mesmo muitos antes de eu chegar ao Jornal onde ele tinha encerrado a carreira.

A BOLA, que está fortemente ligada ao Ciclismo, terá como primeiro nome – aquele que as pessoas mais depressa se lembrarão – o do Carlos Miranda, por causa do Tour e do Joaquim Agostinho, e o mítico chefe-de-redacção, Vítor Santos foi, durante anos, o homem da Volta a Portugal.

Mas o Homero Serpa terá sido o mais abrangente, aquele que colocou no mapa – porque sobre elas escrevia, procurava informações e divulgava – um incontável número de corridas. Das mais sonantes, porque levavam os principais nomes do pelotão nacional, a outras que só n’A BOLA tinham alguma divulgação.

Se o Vítor Santos é ainda o Homem-da-Volta; se o Carlos Miranda será para sempre o Homem-do-Tour-e-do-Agostinho, o Homero Serpa foi o primeiro Homem-do-Ciclismo de A BOLA. No sentido em que, nos seus escritos, coube sempre TODO o Ciclismo.

Morreu hoje, enchendo-nos a todos, os que amam o binómio jornalismo-ciclismo, tristes e mais pobres. E a mim, pessoalmente, eternamente frustrado porque nunca cheguei a sentar-me com ele e ouvi-lo.

Que descanse em Paz!

sábado, dezembro 29, 2007

1021.ª etapa

QUE OS ORGANIZADORES ACOMPANHEM
O ESFORÇO FEITO PELAS EQUIPAS


Não sei se posso dizer que em 2008 vamos ter o melhor pelotão de sempre – pelo menos, das últimas décadas – no que se refere às equipas portuguesas. O que todos sabemos é que, em quase todas as equipas há figuras. Grandes figuras. E é de figuras que o Ciclismo se alimenta. São elas que vão proporcionar o espectáculo, são elas que vão atrair a atenção dos apaixonados pela modalidade.

Reforço – e porque a época por que passamos é tradicionalmente de paz e concórdia, peço desculpa aos puritanos – que me estou nas tintas para o facto de o reforço do nosso pelotão ter sido feito muito à custa de corredores espanhóis, alguns deles de primeiríssimo nível, que, vítimas da nova inquisição, só encontraram forma de continuar a exercer a profissão que escolheram mudando-se para Portugal.

A História é uma ciência que precisa que passe algum tempo para poder ser escrita com maior rigor. Dêmos-lhe tempo.

A verdade é que vamos ter um bom pelotão. Quase todas as equipas se reforçaram e cultivo a legítima esperança de, mesmo que estrangeiro, ver a maioria das corridas a disputar no nosso país ganhas por corredores de equipas portuguesas. Também passa por isso o desenvolvimento da modalidade entre nós.

Depois da abertura demonstrada pelas equipas, convinha que os organizadores aproveitassem a boleia. Isto é, que as corridas – sem que isto esteja manchado por qualquer laivo de chauvinismo (o Ciclismo será a última das modalidades onde isso pode acontecer, tal a forma descomplexada como, mesmo a nível mundial, se misturam no mesmo plantel atletas das mais diversas origens) –, escrevia eu, que as corridas fossem pensadas de forma a poderem cair mais para o jeito das características das equipas nacionais.

Por isso, fiquei agradado com a notícia avançada ontem por A BOLA, de que a Volta ao Algarve terá um contra-relógio individual com mais de 30 quilómetros e hoje, ao ver a página da Rádio Voz da Planície, de Beja, quando li que também a Alentejana vai ter um crono com três dezenas de quilómetros. Porquê? Porque é essa a porta por onde as equipas portuguesas podem entrar, contrariando, principalmente na corrida algarvia, a superior qualidade dos sprinters das equipas estrangeiras. Que se adivinha.

Juan Gomis e David Blanco (Tavira), José Azevedo, Cândido Barbosa e Rubén Plaza (Benfica), Hector Guerra (Liberty), Tiago Machado (Boavista), Paco Mancebo (Paredes), Xavier Tondo (LA-MSS) – são só alguns exemplos – poderão, em cronos com 40 minutos de estrada, limpar as bonificações – no caso de as haver – somadas pelos sprinters puros. E, no caso da Alentejana, defenderem-se – alguns deles – dos estragos que a terrível subida ao alto de São Mamede vai com certeza fazer.

Com tantos bons contra-relogistas no pelotão doméstico, manda a lógica que as corridas tenham contra-relógios. É claro que sim. E no caso da Volta ao Algarve… permito-me discordar da opinião de outro analista credenciado, o Fernando Emílio. Porque é que um crono de 34 quilómetros é “demasiado longo para início de temporada” e, em anos anteriores as duas subidas ao Alto do Malhão (na mesma etapa) não foram demasiado duras para início de temporada?

Termino com um velho e desgastado “chavão”:

São os Corredores que fazem a corrida mais ou menos dura.

1020.ª etapa

"ALENTEJANA" TERÁ EM 2008
UM "CRONO" DE 30 KM

A edição 26 começa em Ferreira do Alentejo e termina em Évora, regressando à Serra de São Mamede (subida dos Emissores). A aldeia de Nossa Senhora das Neves recebe a partida da 3.ª etapa da Volta ao Alentejo em Bibicleta, um contra-relógio individual, que terá a cidade de Beja, como final, numa corrida que vai começar em Ferreira do Alentejo.

Um contra-relógio de 30 quilómetros ligando Neves a Beja, será uma das novidades da edição de 2008 da Volta ao Alentejo em Bicicleta, que terá um início inédito, em Ferreira do Alentejo e os regressos a Ourique, passada mais de uma década e da Serra de São Memede, junto às antenas, que recebeu, pela única vez a corrida em 2000, com vitória de Claus Möller.
A 26.ª edição da Volta ao Alentejo em Bicicleta disputa-se entre 9 e 13 de Abril, realizando-se o contra-relógio na sexta-feira, 11 de Abril. A “luta” contra o cronómetro, num percurso longo, regressa à “Alentejana” seis anos após a realização das famosas tiradas que ligavam o Redondo a Évora e que consagraram como vencedores da prova Melchor Mauri, Lajos Bodrogi e Joaquim Andrade.

Este ano Beja recebeu pela primeira vez o final de um contra-relógio, com partida de Salvada e com pouco mais de 15 quilómetros, ganho pelo russo Vladimir Karpets da equipa Caisse d'Épargne. O percurso do próximo ano, com partida de Neves, terá passagens pela Vila Azedo, Padrão, cruzamento de Quintos, e a partir da rotunda de Salvada, terá o mesmo traçado de 2007, com o final na Avenida Condes da Boavista, junto ao Pax-Júlia Teatro Municipal.

Além desta etapa, a volta do próximo ano tem um início inédito, tendo como local de partida Ferreira do Alentejo, que há mais de uma década tinha recebido a partida de uma etapa. Outro regresso à “Alentejana” é a chegada a Ourique, na 2.ª etapa, facto que acontece volvidos mais de 10 anos.
Um terceiro retorno e o mais mediático tem a ver com o final da quarta etapa que vai ter final na Serra de São Mamede.

Conhecida como a “Subida dos Emissores”, com 1025 metros de altitude, o local mais alto do Sul do País, foi final de etapa uma única vez. Corria o ano de 2000, que marcava a chegada ao ciclismo português e o regresso à competição do dinamarquês Claus Möller, que venceu a etapa e alcançou o triunfo na volta.

O final da primeira etapa, em Odemira, o início da segunda, em Zambujeira do Mar e o início e terminús da derradeira etapa, em Évora, repetem o figurino da última edição.


Teixeira Correia,
in-Rádio Voz da Planície

sexta-feira, dezembro 28, 2007

1019.ª etapa

ANDRÉ CARDOSO REGRESSA
À FERCASE-PAREDES-ROTA DOS MÓVEIS

Gorada a possibilidade de ingressar numa equipa estrangeira (tinha acordo com a Relax mas esta equipa não vai integrar o pelotão internacional), André Cardoso rubricou, a meio da tarde de hoje, novo vínculo que o liga à formação da Fercase-Paredes-Rota dos Móveis para a poróxima temporada.

Depois de assegurar o concurso de Paco Mancebo, Eládio Jimenez, Vergílio Santos e Edgar Anão, entre outros, a formação liderada por Mário Rocha vê, assim, garantida a permanência de um jovem valor do ciclismo nacional o que a torna ainda mais forte e homogénea.

As conversações já duravam há dias e era clara a vontade de ambas as partes em chegar a acordo. Afinal de contas, André Cardoso apenas deixou de fazer parte dos planos da Fercase-Paredes-Rota dos Móveis porque não é tradição do clube impedir o “crescimento desportivo” dos seus atletas e a chamada de Espanha abria perspectivas bastante aliciantes para o ciclista.
Hoje, a meio da tarde, foi finalmente rubricado o acordo que liga o corredor, de 23 anos e natural de Gondomar, ao clube que sempre representou.


“Fico contente por saber que fiz grandes amigos que não se pouparam a esforços para que eu voltasse (continuasse) a vestir as cores da equipa por mais um ano”– admitiu André Cardoso.

Um pouco desiludido por ver esfumar-se a possibilidade de encetar uma carreira além fronteiras, André reconhece, contudo, que “é muito bom poder ficar numa equipa que tem corredores do gabarito do Mancebo e do Gimenez. Acredito que vou ter oportunidade de aprender muito e, só o facto de ir trabalhar com eles já é um grande desafio”.

Sobre o que poderá ser a época que se avizinha, o último reforço da Fercase-Paredes-Rota dos Móveis não esconde que “são todos muito bons pelo que passamos a ter mais opções para apostar em vitórias. O objectivo que me foi proposto é a equipa andar na frente e ter ainda mais notoriedade que este ano. Temos responsabilidades acrescidas e a obrigação de discutir todas as provas, respeitando sempre o valor dos nossos adversários”.

Visivelmente satisfeito, Vasco Pinto (à esquerda, na foto; à direita está o vice, Alexandre Almeida), presidente do Clube de Ciclismo de Paredes, ia “deitando contas à vida” até porque “contratar o André significa mais sacrifícios e a necessidade de angariar mais apoios para fazer face a este encargo acrescido”.

Uma contratação ditada um pouco pelo coração até porque “uma vez que não conseguiu vingar a aposta no estrangeiro não podíamos deixar de acolher um homem da casa. No mais, somos uma equipa formada por corredores de reconhecido valor mas que está consciente que terá de provar na estrada isso mesmo. Não há campeões nem vencedores antecipados” – concluiu.

Texto Jorge Gonçalves
(Obrigado, amigo Jorge)

1018.ª etapa

CASACTIVA-Q.ta DAS ARCAS-MADEILONGO-UCS (*)
CUMPRE SEGUNDO ESTÁGIO
NOVOS CORREDORES COM ADAPTAÇÃO FÁCIL

A Casactiva-Quinta das Arcas-Madeilongo-UCS efectuou o seu segundo estágio de pré-época com a duração de três dias, desta feita já com a utilização das bicicletas de estrada, que serviu para aperfeiçoar o trabalho técnico colectivo, pois a equipa conta com seis caras novas. Sob a orientação do preparador físico Valter Sousa, os ciclistas cumpriram um plano que incluiu ainda uma caminhada, treino de ciclismo indoor e natação.

Naturalmente que a integração dos novos corredores assume importância de vulto, tanto mais que a aposta feita aponta no sentido do reforço da equipa com o intuito de entrar em todas as provas para ganhar, nomeadamente o Troféu RTP e a Volta a Portugal do Futuro. Por isso estes estágios servem, para lá da especificidade dos treinos, para que o grupo fortaleça os laços de amizade, no intuito de que a sua adaptação se processe de forma fácil, aliás, como tem vindo a acontecer.

Marco Cunha (ex Madeinox-Bric-Loulé), de 20 anos, foi profissional nos dois últimos anos, o que equivale a dizer que já correu duas voltas a Portugal, mas encara com naturalidade este seu novo desafio num conjunto do escalão Sub-23.

“Já sabia que a Casactiva-Quinta das Arcas-Madeilongo-UCS era uma das formações mais fortes do pelotão, por isso foi com muito agrado que recebi o convite dos José Barros. Estes dois estágios foram muito importantes, pois nota-se que há organização e um grande companheirismo”, referiu o vigoroso sprinter nascido em Paços de Brandão, naturalmente ansioso por dar nas vistas para tentar de novo o ingresso numa formação profissional.

Jorge Teixeira (ex ERA-Mortágua-Siper), de 21 anos, garante ter uma “sensação muito boa” quando perspectiva o futuro, ele que terá de fazer valer os seus dotes de trepador nas etapas mais duras.
“Está tudo a correr muito bem, a adaptação tem sido fácil, e já deu para perceber que dispomos de uma equipa homogénea, possivelmente até a melhor das que irão compor o pelotão Sub-23”, sustentou o jovem corredor natural de Paredes.

Luís Moreira (ex ERA-Mortágua-Siper), de 20 anos, revelou-se também “muito satisfeito” com esta sua nova experiência, salientando a importância do colectivo.
“Já conhecia a equipa e sei que aqui há condições para se trabalhar bem. Creio que o grupo está muito unido, o que é importante para chegar ao êxito. Sou mais um para ajudar a equipa e, se puder, não deixarei de tentar o sucesso pessoal”, deixou bem vincado o jovem corredor natural de Penafiel.

Hélder Magalhães (ex Riberalves-Boavista), de 24 anos, é um ciclista já bem mais experiente por ser da categoria Elite – face aos regulamentos é permitida a utilização de dois ciclistas com mais de 23 anos -, e que, tal como acontece com Marco Cunha, já participou em duas voltas a Portugal.
“Este pode ser um ano importante para o meu futuro. Ingressei numa equipa muito coesa, forte e ambiciosa, e por isso as expectativas são enormes”, referiu o credenciado corredor nascido em Vila Flor, que irá tentar afirmar-se em pleno como exímio trepador.

Bruno Silva (ex ERA-Mortágua-Siper), de 19 anos, tem no seu currículo o prémio de melhor ciclista jovem na edição do Troféu RTP da época transacta.
“Esta equipa é formada por excelentes corredores e vai para a estrada com a ideia de vencer muitas corridas, sabendo que os adversários também têm muito valor. Estou aqui para dar o meu melhor em prol do conjunto e crescer como ciclista, pois gosto muito da modalidade”, referiu o jovem rolador nascido em Paredes, em quem estão depositadas fundadas esperanças.

Joel Lucas (ex ACD-Milharado), de 18 anos, é o benjamim da Casactiva-Quinta das Arcas-Madeilongo-UCS. Natural de Torres Vedras, cidade com fortes tradições no ciclismo, é na equipa de Sobrado que irá tentar começar a demonstrar mais a sérios as suas características de rolador. “Estou a gostar muito desta nova experiência e os meus colegas tem sido extraordinários, o que é sempre bom para a união do grupo. A equipa é muito boa e cá estou para ajudar naquilo que puder, sabendo que tenho ainda de aprender muito”, sublinhou o jovem corredor da formação sobradense.

VALTER SOUSA:

"NOTEI QUE HOUVE TRABALHO DE CASA"

A preparação de uma equipa de ciclismo requer uma planificação cuidada, tanto mais que os corredores, oriundos de vários pontos do país, não estão sempre juntos, mesmo até nos períodos que antecedem as várias competições. Cumpridos dois estágios – o primeiro ocorreu em finais de Novembro e já está programado mais um para meados do próximo ano -, a nota do prof Valter Sousa é positiva, sinal de que os corredores estão a corresponder ao que deles se exige.

Contratado para planificar a temporada que se avizinha, Valter Sousa foi o responsável pela elaboração dos dois estágios já efectuados, bem como do plano de treinos que os ciclistas têm fazer durante o dia-a-dia.
“Desta feita tive a oportunidade de conhecê-los melhor e, pelas indicações dadas, notei que houve trabalho de casa, sinal de que os ciclistas estão a trabalhar bem. Claro que há correcções a fazer e todos eles levaram uma planificação específica, incidindo em aspectos que têm de melhorar”, explicou o preparador físico da Casactiva-Quinta das Arcas-Madeilongo-UCS.

Texto União Ciclista do Sobrado/Vaz Mendes

(*) - Esta questão vai, mais dia, menos dia, que ser equacionada e encarada de forma séria pelos responsáveis pelas equipas. Sejam elas de Sub-23 ou profissionais. É - e falo dos jornais - editorialmente impossível escrever este nome. Nas rádios ainda é pior. Em peças de 25 segundos, metade vai-se com o nome do Corredor e da respectiva equipa. É evidente que sou sensível às dificuldades em arranjar-se patrocínios e que, em muitos casos, essa dificuldade só pode ser ultrapassada somando patrocinadores. Mas prometer-lhes, a todos, ter a sua marca/empresa em letra de imprensa, nos jornais, sempre que a equipa consiga lá chegar, não é completamente honesto.
Saúdo dqui o regresso do professor Valter Sousa que já apareceu como primeiro responsável por uma equipa profissional. É um jovem discreto, de trato fácil e deixou claras indicações de competência.
E... calma aí, não leiam nisto nada que vá além desta curta frase: não está contaminado por velhos vícios do Ciclismo, que, na maioria das vezes, vêm logo desde quando se é Corredor.
Como sempre tivemos relações cordiais, daqui lhe envio um grande abraço.

1017.ª etapa

INEGAVELMENTE UM EXCELENTE CONTRIBUTO

O grande trabalho de fundo que nos é oferecido no último número do Jornal Ciclismo, e que acabei de ler com toda a atenção, podia servir de base de partida para uma interessantissima sessão de terapia colectiva no que respeita ao problema do doping.

Espero que todos o tenham lido.

Claro que, desta vez, tivemos apenas as perspectivas de um dos lados. Mas são por demais importantes para serem menosprezadas.
Fica a faltar o testemunho dos médicos das equipas porque há, de facto, métodos e processos para ajudar os atletas a recuperarem, o mais rapidamente possível, dos tremendos esforços a que são diariamente submetidos, nomeadamente nas corridas de três semanas.

Métodos e processos – reposição de sais, reforço de vitaminas e outros – que nada têm de pernicioso. É, fica a faltar ouvir um – ou mais do que um – médico que explique aos leitores do Jornal Ciclismo, tão bem quanto o doutor Artur Moreira Lopes e o professor Luís Horta o fizeram em relação às contra-indicações e consequências nefastas trazidas pelo uso insistente de doping.

E o que mais gostei foi mesmo da forma, quase diria didáctica, que ambos adoptaram e que ficou bem traduzida no trabalho. Apesar de uma ou duas acusações mais ou menos veladas que convinha fossem concretizadas de forma a que a suspeita não se estenda a todos. Todos os Corredores e todas as Equipas…

Tem sido nesta área que eu me tenho batido.
É – tem sido – fácil, assente, é verdade, em casos concretos, cruxificarem-se os Corredores. Apenas os Corredores.

Juntando este documento – que o é – que o Jornal Ciclismo nos ofereceu, a uma ou duas outras entrevistas lidas noutros jornais onde, por exemplo, ficou vincada uma certa fractura entre as opiniões destes mesmos dois entrevistados (no caso, com o presidente da FPC a ser veemente em relação ao facto de o pelotão português estar inquinado, com o director do LAB a defender a sua dama, esgrimindo que os números desmentem aquela acusação), e não esquecendo que no meio disto tudo, continua a aprovar-se legislação que esbarra, de facto esbarra, nos mais elementares direitos dos Corredores, enquanto Cidadãos, poder-se-ia chegar a conclusões que, pelo menos, minimizassem os estragos colaterais que apenas estão a ajudar a destruir o Ciclismo.
Que é o que normalmente acontece, em relação a qualquer assunto, quando se generaliza, metendo toda a gente no mesmo saco.

Mas, e sem querer imiscuir-me nas opções dos responsáveis pelo jornal, creio que depois deste trabalho é quase obrigatório e urgente ouvir o que têm os médicos das equipas.

Que são profissionais, como todos os seus colegas formados para ajudar e não para pôr em risco a saúde dos seus pacientes. Com um Código Deontológico à prova de bala e que, adivinho daqui, não terão ficado muito satisfeitos com algumas passagens deste trabalho.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

1016.ª etapa

VOCÊS TÊM UMA GRANDE RESPONSABILIDADE

Vou tentar pesar, palavra a palavra, o que a seguir vou escrever.
Por respeito.
Respeito em relação a muita coisa.
Porque, antes de tudo, devemos ser honestos perante a verdade, embora – e não serei eu a dizer o contrário – aconteçam situações em que TAMBÉM nos vemos obrigados a defender a imagem de pessoas que nos dizem muito.
Que temos como amigos.

Jamais condescerei num caso para proteger o outro…
Tentarei não ser demasiado duro para o segundo, mantendo como objectivo mais importante o primeiro.

Somos nós, os jornalistas que se entregaram de corpo e alma ao Ciclismo, quem tem o dever de o defender. Protege-lo até… em relação a arrivistas que nem sabem quantas rodas tem uma bicicleta (não, não são duas… nem lá perto) e parecem ir firmando carreira com o porfiado esforço de o destruir.

Por isso, tudo o que se diz e se escreve com a veleidade de contar a História não pode escamotear os factos.
Porque, e já escrevi isto num outro artigo lá atrás, a História não se discute.
Aconteceu.
Para o mal e para o bem, aconteceu.

Os – cada vez menos, infelizmente – jornalistas que hoje podem defender o Ciclismo, usando, para isso, não só o que estudaram mas também, e principalmente, o que tiveram oportunidade de testemunhar, não podemos ficar-nos pelas meias palavras.
Não!

Não podemos.

Digamos que é a dívida que temos a pagar por termos sido abertamente acolhidos na Família do Ciclismo.

O recém aparecido Jornal Ciclismo – pelo qual, embora alheio ao projecto, mas se for a bem do Ciclismo, estou disposto a deixar a pele – abalançou-se a contar a História do maior Corredor Português de todos os tempos.

O Joaquim Agostinho.

Começou por aceitar textos inquinados no sentido de que parecia ser uma história de raíz quando – e a prova de que estou certo (claro que estou certo, li todas as biografias do Agostinho) é que arrepiou caminho – o que nos foi dado não era mais do que um trabalho suportado por outros trabalhos já anteriormente publicados.

Jornalisticamente a forma não está incorrecta desde que, no final, se refira toda a bibliografia que foi consultada.
Incluindo artigos de jornais. Não o foi.

Por acaso e, acho eu, logo após a primeira publicação, depois de eu próprio ter chamado a atenção para isso, os textos passaram a referir onde é que o signatário ia buscar as informações.
Ainda bem.
Embora reconheça ter sido um preciosismo da minha parte.

99 % dos leitores do Jornal Ciclismo assumiria a informação prestada como da autoria de quem assinava.
Mas isso era batota.

Estendeu-se a “biografia” do Joaquim Agostinho ao longo de oito edições do jornal para terminar com… meia página.

Faz-me lembrar um anúncio de televisão que passou há uns anos e no qual uma suposta guia turística dizia: “Era um rei de cabelos compridos e um dia morreu!...”

Sem delongas e indo directo ao que importa… ninguém é capaz de resumir a história - não num espaço de 13 anos - do Joaquim Agostinho em meia página.

A culpa não é só a de quem assina o trabalho.
Eu senti-me defraudado.

E sabem os dois principais responsáveis pelo jornal como se sentiu o Xico Araújo? O português que melhor conheceu o Joaquim Agostinho?
Perguntem-lhe…

E se o Fernando Emílio barafustou a pedir mais espaço, aqui estou com ele.

Não se faz isto com o Joaquim Agostinho.
Reparem… não é por mim, não é por quem há muito segue o Ciclismo…
a vossa responsabilidade é para com os actuais fãs.
Para quem não sabe nada do Agostinho.

Terminar da forma como terminaram a sua história foi, mais do que uma falta de respeito, um erro terrível.
E se querem impõr o jornal, e se querem que tenha alguma credibilidade… prestem atenção.
Erraram!

Mas ainda sublinho mais um pormenor…
… o Jornal Ciclismo TEM que ganhar o respeito e a confiança dos adeptos do Ciclismo a quem se dirige.
Certo?

Eu sei tão bem o que é o rush do fecho de uma edição… diariamente.
Mas deixar passar isto, e cito:
“Recordo algumas palavras que me marcaram como jornalista e amigo pessoal de Joaquim Agostinho…”…
E a seguir virem citações a A Capital e de uma revista da época…

Eu, por mim, não tenho – já não tinha – dúvidas…
Há por aí grandes fraudes.

Mas a mensagem não está completa: amigos João, e Zé Carlos…
podem pedir aí a alguém que nos conte, de facto, a história dos últimos anos de vida do Joaquim Agostinho?

Não é por mim, que a sei de trás para a frente…
É para os mais novos saberem quem foi, e como foi, o nosso maior nome de sempre na modalidade…

Para que saibam, por exemplo, que no dia do seu funeral, que saiu da Basílica da Estrela, uma dúzia de avenidas de Lisboa estiveram cortadas ao trânsito…

Poucos desportistas justificaram tanto.
Mentira… nenhum.
Até hoje.

E isso não nos foi transmitido com o vosso trabalho.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

1015.ª etapa

O SPORTING, O CICLISMO E HIPOCRISIA

Na entrevista que o presidente do Sporting Clube de Portugal, Filipe Soares Franco, deu ao Record e hoje publicada, lá se volta a falar do Ciclismo.
Vai longe o tempo em que os Grandes – os três grandes – se afirmavam pelo seu ecletismo.
Hoje, a fornalha do futebol queima todos os recursos e… não chegam.

É evidente que a opinião dos associados – e muito menos a dos simples simpatizantes – há muito não conta. E isso ficou claro na entrevista...

À expressão recentemente introduzida no léxico desportivo, e que fala de clubes-empresa (vulgo sociedades anónimas desportivas - SAD), manifesta-se errada por defeito.
O correcto seria mesmo algo como SAF – Sociedade Anónima de Futebol -, tal a forma como o seu aparecimento coincidiu com o desinvestimento nas outras modalidades.

O discurso, uniformizado, é sempre o mesmo: modalidades, sim… mas auto-suficientes.

Isto é… desde que alguém assuma a responsabilidade, os clubes não se importam de capitalizar os proveitos daí advindos.

Contribuir para a inversão do processo que reduziu os grandes clubes a futebol e pouco mais é que não.

Também… com os ordenados que pagam, mesmo a “futebolistas” dos quais, após dois meses, só querem ver-se livres porque não passam de pontapeadores de bola, com as inconfessadas – porque inconfessáveis – ligações aos chamados Agentes FIFA, das quais brotam negócios que tornam estes muitíssimo ricos, os presidentes muito ricos e os jogadores… demasiado ricos, ao mesmo tempo que os clubes se afundam (algo que a maioria dos adeptos não consegue entender) e escorregam, de forma – em muitos casos – irreversível, para a falência… com o futebol a sugar tudo, e sendo que apenas com o futebol podem esperar fazer negócio, às malvas com o ecletismo.

Mas Filipe Soares Franco, mal confrontado (por ignorância de quem perguntou?) sobre o Ciclismo – porque é verdade que João Lagos, sportinguista militante, ofereceu ao clube as mesmas condições que o Benfica aproveitou –, lá foi dizendo que se algum sportinguista aparecer com vontade de fazer uma equipa de ciclismo, desde que isso não custe um chavo ao clube, até seria engraçado, porque, cito de memória, “a Volta a Portugal vai a todo o País e pode ser uma boa propaganda para o clube”.

Ninguém – muito menos a minha insignificante pessoa – porá em causa as opções do vice-presidente do Sporting, para as modalidades, o professor Moniz Pereira, que há muito descartou, sem deixar espaço para discussão, o regresso do Ciclismo a Alvalade. Mas a História não se discute.

E, apesar do Carlos Lopes, do Fernando Mamede ou de outros nomes mais recentes, pergunte-se a um sportinguista qual o atleta – que não jogador de futebol – cujo nome melhor identifica o Sporting e não creio que a resposta não seja: JOAQUIM AGOSTINHO.

Os mais velhos ou, sendo mais novos, são indefectíveis da modalidade, não se esquecerão de Marco Chagas, Leonel Miranda, João Roque, Alfredo Trindade…

O senhor-atletismo não gosta do Ciclismo.
Está no seu direito mas, como homem inteligente que é… já deve ter percebido o que toda a gente percebeu.




Cheira-me a hipocrisia a garantia de Filipe Soares Franco de que há uma modalidade que nunca acabará no Sporting: o atletismo.

Infelizmente, o professor Moniz Pereira não é eterno.
Mas os mais novos cá estarão para testemunhar o que vai acontecer um dia – que espero, sinceramente, venha ainda muito longe – em que o professor nos deixar…

Mas voltemos ao Ciclismo.

Parece que em Alvalade – aliás, como aconteceu com o Benfica – só voltará se alguém der um passo em frente.
Que apareçam então as vontades.
De quem queira trabalhar, e de quem queira investir.

Eu sempre defendi que Benfica, Sporting e FC Porto são imprescindíveis para que o nosso Ciclismo dê um pulo qualitativo. Falta de Corredores profissionais no mercado não será desculpa…

Embora para 2008 já seja tarde, ninguém perde nada se alguém, de coração de leão, aparecer já a pensar numa equipa para 2009.
E que o dragão não se fique…

E não tentem contradizer-me com o argumento de que os grandes clubes de futebol europeus não têm Ciclismo.
Pois não!

Mas nem Real Madrid, nem Barcelona, nem Liverpool, Arsenal ou Chelsea, Bayern de Munique ou Juventus ou Milão ou Inter devem um avo da sua popularidade, nos respectivos países, ao Ciclismo…

Benfica, Sporting e FC Porto já não podem dizer o mesmo.
Pois não?!...

segunda-feira, dezembro 24, 2007

A Melhor Prenda de Natal

Meus caros amigos, que melhor prenda de Natal podia eu desejar?

Há alguns minutos atrás, algures, no Mundo, alguém clicou no endereço do VeloLuso e fez rodar o conta-visitas para os seis dígitos.



Cem mil visitantes, em pouco mais de dois anos. Isto não é um site... é apenas um Blog, ainda por cima, muito específico.

Aqui escreve-se sobre Ciclismo.

Em menos de 26 meses... 100.000 visitas.
Que melhor prenda de Natal podia eu desejar?
Obrigado a todos.
E um Bom Natal.

1014.ª etapa

A NOTÍCIA QUE NÃO NOS FOI DADA A LER

Esgrimem-se argumentos, cada uma das partes acena com diferentes leituras de um mesmo documento, bate-se continuamente nas mesmas teclas e, às vezes, traz-se à luz do dia notícias que caiem sempre para o mesmo lado.

Mas eis que descubro uma que não nos foi dada a ler, na altura.
Refere-a o Público, na sua edição de ontem, e aqui a cito:

"Quando a FPC ordenou aos ciclistas profissionais para preencherem o formulário de localização do Conselho Nacional Antidopagem (CNAD), através do qual devem ser comunicados trimestralmente os locais de treino ou estágio, a APCP apresentou queixa junto da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), que multou a federação em quatro mil euros, por antecipadamente não ter feito um pedido para recolher os dados."

Afinal... havia uma ilegalidade!
Quem sabia?
É que, quanto maior fôr o número de dados na nossa posse, melhor podemos discutir um problema. Seja ele qual fôr.
E sem beliscar opiniões... mas sem cartas escondidas.

domingo, dezembro 23, 2007

Boas Festas

A todos os leitores e amigos
aproveito para desejar uma quadra feliz.

Um Bom Natal
e um Melhor Ano Novo.

Àqueles que já me fizeram chegar os seus votos de Boas Festas,
agradeço e retribuo, com um grande abraço.

Obrigado...
Guita Júnior
PMG
Paulo Couto
José Augusto Silva
José Azevedo
Vivex
Ana Luisa Jesus
Clube de Ciclismo de Tavira
Tomé Gomes
Paulo Sousa "Paulão" (2W)
Nuno Veiga (ElvasPress)
Equipa do Crédito Agrícola
Fernando Mota
Maria João (SuperCiclismo)
Sérgio Ribeiro
Rui Quinta (Ciclismo Digital)
Armando Ferreira
Carlos Barreiros
e Elisabete (Anuário do Ciclismo)
João Fonseca
Paula Martins (Comissária Internacional)
e Fernando Gregório (Rádio Oeste)

1013.ª etapa

DEPOIS DE UM ESTÁGIO EM MACAU
CRÉDITO AGRÍCOLA INICIOU HOJE
A VOLTA AO MAR DO SUL DA CHINA

A Volta ao Mar do Sul da China conta, na sua edição de 2007, com a presença da equipa Portuguesa Crédito Agrícola. Depois de uma primeira fase de adaptação, ontem a equipa treinou em Coloane (Macau), local onde será disputada a ultima etapa, e por esta hora já terá terminado a primeira etapa, disputada em Hong Kong.

A primeira equipa nacional a estar presente nesta zona do globo, encara esta prova como um autêntico desafio.

A alimentação, a diferença horária e a língua, são dificuldades que a equipa terá de ultrapassar. Para Sérgio Ruas “o mais difícil é a alimentação, mas com certeza que é uma experiência única e espero adaptar-me o mais rápido possível”.

A prova conta com um pelotão de 120 ciclistas, repartidos por 19 equipas, a equipa Crédito Agrícola participará agregada à selecção de Macau e terá como principais adversários a equipa profissional de Hong Kong a Discovery/Marco Polo, as Selecções Sub-23 de Austrália, Dinamarca, Suiça e Rússia.


Obrigado, Fernando Mota

1012.ª etapa

OLHA!... SÃO BONITOS!

Afinal os equipamentos da nóvel LA-MSS-Póvoa de Varzim não são tão azul-carregado, como parecia (a partir do primeiro modelo mostrado);

afinal o azul é menos agressivo e tem mais cores;

afinal... são bonitos, os equipamentos, aqui lusindo no corpo do capitão Pedro Cardoso, numa foto SuperCiclismo, tirada pela Maria João Gouveia.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

quarta-feira, dezembro 19, 2007

1011.ª etapa

SE É QUE EU PERCEBO
ALGUMA COISA DE CICLISMO…
O ANDRÉ CARDOSO NÃO PODE FICAR SEM EQUIPA


Quem é que já se esqueceu da última Volta a Portugal? Quem é que não se lembra daquele jovem, de uma equipa pequena que, visivelmente esvaziado, ainda foi buscar um sopro de vontade e sprintar para pontuar numa meta de montanha, o seu objectivo na corrida?

É jovem? É!
É inexperiente? Será…
Mas é Corredor? Definitivamente… SIM!

André Cardoso mostrou ter aquilo que é preciso para vingar enquanto profissional de Ciclismo… um enorme espírito de sacrifício. Aquela coisa que os não iniciados não conseguem interpretar. Não conseguem perceber.
Quando um homem atinge os seus limites físicos mas, porque é a cabeça que manda, das tripas faz coração e alcança os seus objectivos.


É assim o André Cardoso, um jovem, de 23 anos apenas…

Um jovem que – tal como o escrevi na altura – fez bem em apostar no salto, em termos de ir correr numa equipa estrangeira. Olhando ao histórico do ciclismo luso, não foram assim tantos os que tiveram essa coragem e foram ainda menos os que conseguiram impor-se.

O André cabia neste pequeno grupo.


Demonstrou-o na última Volta a Portugal.

Porque para ser-se Corredor profissional é preciso um grande, um enorme espírito de sacrifício… e quando se tem apenas 23 anos e nele se lê claramente ser credor de toda a confiança possível, não é por acaso.

Mas o André Cardoso – com os problemas na Relax – corre o risco de ficar sem equipa.
Seria um crime lesa-Ciclismo.

Atirem-me à cara com o que seja que fôr.

Que é que eu percebo disto?
Percebo alguma coisinha. Pouco, mas percebo…

Percebo, por exemplo, que um jovem assim, voluntarioso, capaz de sofrer, capaz de se agarrar a um objectivo, merece uma oportunidade extra.
Percebo que, voluntarioso e capaz de sofrer, pode ser um Bom Corredor de Equipa.

O Benfica precisa de mais um corredor para o lugar do Pecharroman. Um corredor com o perfil do André. E quase de certeza não sairia mais caro que o espanhol.


Desculpa lá Orlando eu estar a meter-me onde não sou chamado.
É por defeito. Em caso de dúvida, sou sempre pelo… Ciclismo.

Mas o André – que não conheço pessoalmente e que não me encomendou nada – é um corredor que encaixa perfeitamente naquilo que o meu grande amigo Manel Zeferino gosta. Alguém com espírito de sacrifício e que seja capaz de por os interesses da equipa acima dos seus próprios interesses…

Sinceramente… espero que o André Cardoso não seja obrigado a retroceder, em termos de carreira. Mais do que isso… espero que não tenha que cumprir um ano sabático.


O seu agente, o António Vaquerizas, há-de estar a tratar do seu futuro…
Quem puder – porque eu sei que as coisas não estão fáceis – por favor, não se deixem ficar como simples cúmplices de um abrupto corte de carreira de um jovem pleno de potencial.

1010.ª etapa

JOSÉ MANUEL BRITO DA MANA
MORREU HOJE UM HOMEM BOM


O Ciclismo português ficou hoje mais pobre. Muito mais pobre.
Só o soube há pouco e, embora a notícia fosse esperada, não deixou de me tocar profundamente. Morreu o Senhor Engenheiro.

O eng.º Brito da Mana, durante vários anos director do Ginásio Clube de Tavira para o ciclismo, quando a colectividade se decidiu pela extinção da secção, em 1979, fundou, juntamente com outros tavirenses, o Clube de Ciclismo de Tavira que, ininterruptamente tem vindo a fazer parte do pelotão nacional, ostentando o título de mais antiga equipa profissional do Mundo. E até há quatro anos sempre sob a sua direcção.




Natural de Loulé, onde nasceu a 4 de Janeiro de 1937, mudou-se para Tavira quando terminou o curso de engenharia agrária e foi na cidade do Gilão que se dedicou – como poucos – ao Ciclismo. Mas foi uma entrega quase total, com paixão. Uma paixão que lhe traria, ao longo dos anos, nomeadamente nos últimos do Século passado, muitas amarguras e, digo-o sem qualquer espécie de hesitação, se o Clube de Ciclismo de Tavira ainda existe a ele o deve. Apesar de, já nessa altura, ter evidentes e muito limitadores problemas de saúde.

Sempre senti pelo Senhor Engenheiro um carinho muito especial. Na verdade, a minha carreira enquanto jornalista de ciclismo arranca exactamente com uma pequena entrevista ao eng.º Brito da Mana, em 1991, ali para os lados da Terrugem, durante uns nacionais de júniores, ou cadetes, já não me recordo.
Poucas semanas antes do I Grande Prémio A Capital – jornal onde eu então trabalhava –, para a cobertura do qual já tinha sido escalado, confessando que não sabia nada de ciclismo, o chefe mandou-me cobrir aquela prova de miúdos e a única pessoa que reconheci foi o eng.º Brito da Mana, por isso mal o vi, lá fiz a pequena entrevista.

Depois fiquei militante do Ciclismo e vimo-nos muitas vezes, aliás, ainda n’A Capital durante cinco ou seis anos fui de propósito a Tavira fazer um trabalho de pré-temporada. Só fazíamos a Sicasal, que ficava aqui perto de Lisboa, e o Tavira, quase por tradição.

Nunca fomos íntimos, é evidente – até porque, e sem falsas modéstias, sempre me senti pequenininho ante aquele grande homem, em todos os sentidos –, mas cultivámos e mantivemos uma boa amizade ao longo dos anos.
Para mim, o eng.º Brito da Mana é, foi-o e merece ser lembrado como isso, o Senhor-Ciclismo.

Sofria muito com as dificuldades que a equipa experimentava, ano após ano e a partir de dada altura – quando a marca Bom Petisco abandonou –, mas o seu nome e o seu reconhecido empenhamento lá iam conseguindo abrir portas de forma a que a equipa, embora pobrezinha, acabou por se aguentar e ultrapassar essa fase difícil.

Até que ponto essas constantes preocupações, essa necessidade imperiosa de não poder deixar de estar, não contribuiu para uma progressiva debilidade física? Mas ele não era homem para abandonar a sua equipa. Chegou mesmo a sofrer um acidente feio, durante uma corrida, acidente que o atirou, mais ao Zé Marques, para o hospital. Numa outra altura, outro acidente, no hotel – fracturou uma perna após uma queda – voltou a afastá-lo, mas por pouco tempo, da equipa, em plena Volta a Portugal. Voltaria antes do fim, apoiado num par de canadianas. Entretanto, a doença minava-o.

No início de 2003 deixou o cargo de presidente do Clube de Ciclismo de Tavira, que sempre ocupara, mas não de andar por perto da equipa.
Lembro-me de vê-lo numa Volta ao Algarve, há dois ou três anos, no seu velho carro, a aparecer em quatro ou cinco pontos estratégicos de cada uma das etapas. Ele que conhecia todas as estradas, caminhos e atalhos.

Creio que foi a última vez que falámos.

O desfecho, conhecido hoje às 9.30 da manhã, adivinhava-se há já algum tempo, mas não deixou de ser com inegável constrangimento que tomei conhecimento da sua morte.

Como ainda há alguns – poucos – meses eu aqui escrevia, adiar uma verdadeira festa de homenagem a este grande homem do ciclismo nacional significava poder já não o ter entre nós quando, finalmente se lembrassem disso. Infelizmente… eu tinha razão.

Não que ele, tanto quanto julgo tê-lo conhecido, se tenha importado muito com isso. Foi sempre um homem de dar muito, e habituado a pouco receber.
Em 1991 foi agraciado pela Associação de Ciclismo do Algarve, pela Câmara Municipal de Tavira e pelo Estado, que o agraciou com a medalha de Mérito Desportivo, mas faltou o tal reconhecimento concreto, tangível e inegavelmente merecido, por parte da Família do Ciclismo.

Hoje, claro, multiplicaram-se as palavras bonitas…

Eu curvo-me, respeitosamente, ante a sua memória e daqui envio, à família e ao Clube de Ciclismo de Tavira, os meus mais sentidos pêsames.

Embora acredite que o Eng.º vai continuar bem vivo para todos os que realmente amam esta modalidade.

terça-feira, dezembro 18, 2007

1009.ª etapa

SERÁ A ISTO QUE SE CHAMA
"A FORÇA QUE O BENFICA TEM"?

O telejornal da hora de almoço, na estação pública, surpreendeu-me hoje - e não terei sido só eu o surpreendido - com um trabalho sobre... Ciclismo.
E não era um caso de doping!!!

A RTP1 enviou uma equipa para fazer um pequeno trabalho com o Cândido Barbosa.
Uma manhã de treino, que para os Corredores não há férias na praia.
O defeso coincide com o Inverno, mas não há, nem frio, nem sacrifícios que os impeçam de trabalhar.
O Cândido é, definitivamente, um ícone do nosso Ciclismo e conseguiu o feito que eu mal me atrevia a sonhar: motivar uma reportagem... por nada.
Apenas pela força do seu nome, da importância que tem no nosso pelotão e... ok, pronto, porque vai correr no Benfica.

Apesar de equipado com as cores da Liberty Seguros, à qual está ligado até ao dia 31 de Dezembro - curiosamente, o dia do seu aniversário -, pelo que não pode, contratualmente, vestir ainda de vermelho, o Cândido falou do Benfica e dos seus projectos, derramando simpatia. Gerindo exemplarmente a sua imagem.

Uma pedrada no charco!
Um triunfo pessoal do Cândido?
Não, uma tão inesperada quanto saborosa vitória do Ciclismo.

Não dou os parabéns à RTP porque acho que não fez mais do que o seu papel.
O Ciclismo não pode ser só a Volta a Portugal.
E aquele bocadinho foi trilhentas vezes mais interessante que ouvir, diariamente, a cassette-que-toca-sempre-o-mesmo das declarações dos técnicos e jogadores de futebol, depois dos treinos matinais.

domingo, dezembro 16, 2007

1008.ª etapa

CRÉDITO AGRÍCOLA-POMBAL
NA XXII VOLTA AO MAR DO SUL DA CHINA

A convite da Associação de Ciclismo de Macau, a equipa de ciclismo Crédito Agrícola vai participar de 23 a 30 de Dezembro na 22.ª Volta ao Mar do Sul da China.
A prova será repartida por 3 sectores - Hong-Kong, Cantão e Macau - num total de oito etapas.

Para esta participação, Fernando Mota treinador da equipa, escalou os ciclistas Sérgio Ruas, Fábio Ferreira e Nélson Sousa.
Apesar de reconhecer que a altura da realização da prova "não é a mais indicada", Fernando Mota sublinha que "esta é uma oportunidade unica de intercâmbio desportivo, vamos confiantes em conseguir boas prestações, mas o mais importante é que a nossa participação possa abrir caminho a outras equipas”.

A Crédito Agrícola viajava hoje pois, para além da necessária adaptação ao diferente fuso horario, a equipa marcará presença no dia 20 de Dezembro nas comemorações do dia da RAEM (Região Autonoma Especial de Macau).

A 22.ª Volta ao Mar do Sul da China terá as seguintes etapas:
Etapa 1

Hong–Kong - Hong-Kong
Etapa 2
Shenzhen - Shenzhen
Etapa 3
Dongguan - Dongguan
Etapa 4
Guangzhau - Guangzhau
Etapa 5
Foshan - Foshan
Etapa 6
Zhongshan - Zhongshan
Etapa 7
Zhuhai - Zhuhai
Etapa 8
Macau - Macau

(Obrigado, Fernando Mota)

1007.ª etapa

QUEM ESTARÁ A PREJUDICAR QUEM?

Não é por nada, mas eu próprio já aqui escrevi – perdoem-me a imodéstia – que, mais dia, menos dia, mesmo que ninguém pense, ainda, a sério nisso, poderemos vir a ter uma segunda entidade a supervisionar o Ciclismo de Alta Competição.
Isto face à teimosia da União Ciclista Internacional que insiste no cada vez menos credível ProTour, uma ideia que até poderia ter sido engraçada mas que nasceu torta.

E quem torto nasce…

A verdade é que, de há três anos para cá, ao invés de ter acontecido alguma evolução na modalidade, é que temos vindo a assistir ao fim de corridas – algumas delas com muitas décadas de história – e à fragilização do pelotão, com o desaparecimento de várias equipas.
E os problemas de doping não explicam tudo, embora tenham vindo a ser aproveitados exactamente para desviar a atenção de problemas tão preocupantes quanto aquele.

À guerra, antecipadamente perdida, com os três mais fortes organizadores, pretende a UCI fugir em frente e já se fala de corridas para o calendário ProTour na China, nos Estados Unidos, na África do Sul ou na Malásia, isto quando no próximo ano já iremos ter uma na Austrália.

Ninguém parece ter-se ainda preocupado com o facto de que a esmagadora maioria das formações ProTour são europeias. As marcas que as sustentam são europeias. Interesar-lhes-á um obrigatório aumento de orçamentos – as viagens serão muito mais longas e implicarão deslocações de material logístico via-aéria – para mostrar-se em mercados que não são os seus?
Com isto a UCI parece não se preocupar.


É preciso é haver um Grupo ProTour, receber as superiores taxas de inscrição e poder ter uma boa fatia do lucro que cada organização consegue.
A verdadeira razão pela qual ASO, RCS e Unipublic deixaram o tal quadro de élite.

Por isso a UCI, que ainda não atreve a ameaça, advertiu, por carta, seis federações europeias, acusando-as de tentativa de secessão.

“Ao mesmo tempo que argumentam estar a proceder em nome da defesa da unidade do ciclismo, assinam, à nossa revelia, acordos de cooperação que levarão à amputação do quadro federativo e histórico uma parte importante do património do ciclismo e preparam uma saída da UCI, negando-se a reconhecer e a aplicar os seus regulamentos”, diz, em certo passo a missiva assinada por Patrick McQuaid e dirigida aos presidentes das federações da Áustria, Bélgica, Espanha, França, Itália e Luxemburgo.

E lança uma farpa aos franceses quando escreve: “Esses acordos visam retirar parte do património ciclista à família do ciclismo para, mais tarde, colocar toda a família sob a tutela da ASO”.

Podem ler a notícia completa no espanhol El Mundo.

sábado, dezembro 15, 2007

Nota

EU TAMBÉM FALHO E OUTRAS "ARGOLADAS"

É óbvio que eu também falho, mas neste caso, ainda bem.
Melhor assim.
Mas o artigo que aqui estava (1007.ª etapa) deixou de fazer sentido.
Oxalá falhasse mais vezes...

Já agora, até porque a coincidência não deixa de ser curiosa, no Diário de Notícias de hoje, na página do Provedor, contam-se duas estórias que emparelham na perfeição com a minha argolada.

1. Num pequeno jornal de aldeia, ainda practicamente artesanal, a necessidade de entregar na gráfica, também ela artesanal, o material para o próximo número, que sairia para a rua no dia seguinte às festas da terra onde pontuava, todos os anos, uma grandiosa procissão, o director/editor e único jornalista (tudo a mesma pessoa) decidiu arriscar e descrevia de forma eloquente como fora bonita a festa. Apontou os nomes das autoridades civis e eclesiásticas presentes, como estavam bonitas as janelas enfeitadas por colchas bordadas e a fé que juntara tanta gente na procissão. Ora bem... no dia da festa caiu uma tempestade do outro mundo e não houve a mínima hipótese para que a procissão saísse. Mas no dia seguinte "ela" lá vinha "contada" ao pormenor...

2. Esta reporta a apenas um argumento de um filme inglês. Mas também vale. Um crítico de teatro, na ânsia de ser o primeiro a sair com a crítica a uma peça que estreava uma dada noite, e porque tinha visto o ensaio geral, resolveu também antecipar-se e entregou no jornal para o qual trabalhava o trabalho no qual elogiava tudo e todos. Nem reparou na balbúrdia que ia pela redacção. Nem se preocupou. Nem os editores, no rush do fecho ligaram as coisas e no dia seguinte na primeira página vinha a notícia do terrível incêndio que devorara completamente o teatro - onde a tal peça deveria ter sido representada - enquanto nas páginas interiores lá estava... a crítica à peça que não fora estreada.

A minha 1007.ª etapa falava do estágio que a Fercase-Rota dos Móveis fez, à imagem do ano passado, em Tancos, com o agrupamento pára-quedista e que hoje terminou. O ano passado a equipa nem publicitou este estágio mas este ano mandou um press-release a comunicá-lo e a dizer que haveria um dia aberto à CS. Foi ontem, e hoje, tanto A BOLA como o Record fazem disso notícia de abertura de página quando eu... criticava os jornais por não darem importância ao acontecimento.
Estava enganado. Peço desculpa. Desculpas que reforço em relação aos que ainda leram o texto. Que me sirva de lição!...
Manuel José Madeira

sexta-feira, dezembro 14, 2007

1006.ª etapa

UM SUBLINHADO E UMA PREOCUPAÇÃO

Mais duas notícias – felizmente vai havendo notícias sobre Ciclismo, e nem todas são negativas – que hoje nos são oferecidas pelos desportivos merecem-me uma pequena reflexão. No primeiro caso, aliás, não é mais do que sublinhar o que já antes tinha escrito, mas antes que a habitual turma de vigilantes se ponha em campo quero reforçar a minha opinião de que é bom para o Ciclismo português podermos ter no pelotão corredores com o estatuto de Koldo Gil, Oscar Sevilha ou Paco Mancebo. Melhor ainda quando estes atletas, já sem nada para provar, se espalham por equipas diferentes.

Concretizando-se as novidades hoje avançadas por A BOLA, e não havendo, por alturas da Volta a Portugal, problemas físicos a atormentarem nenhuma das principais figuras do novo pelotão nacional, já repararam que poderemos ter quatro equipas, pelo menos, com capacidade para lutar, por exemplo, onde o espectáculo é sempre maior, na subida da Torre?

E continuo a defender que toda a gente é inocente até que um tribunal reconhecido prove o contrário. Mais… tendo, por que razão fosse, contas com a justiça (desportiva, ou outra) mas cumprida a sua pena, toda a gente merece uma segunda oportunidade. E em Portugal, e no Ciclismo, nunca isso foi sequer questionado.

Ou é preciso relembrar que dois dos maiores nomes que deixaram marca indelével na história do nosso Ciclismo, na última década – ambos ganharam a Volta a Portugal –, vieram para o nosso país depois de terem cumprido penas disciplinares, no âmbito desportivo?
E se um deles, até pelo feitio muito… singular, talvez nem tenha conseguido conquistar totalmente o coração dos adeptos, do outro despedimo-nos este ano com enorme e justificada saudade. É um grande homem, foi um enorme corredor e, depois do deslize que cometera em finais da década de 80 do Século XX, não mais teve problemas do género.
E foi profissionalmente um exemplo para os mais jovens.
Antecipando-me à confirmação oficial da notícia, daqui envio as boas vindas ao Oscar Sevilha e ao Paco Mancebo.

A segunda notícia, confesso-o desde já, fez-me franzir o nariz.
Certo que a equipa em causa tem um plantel recheado de grandes valores e que os seus responsáveis terão ponderado a temporada com um único e bem definido objectivo: ganhar. Ganhar o mais possível.
Mas ao ler que “o Vítor Rodrigues será resguardado”, porque será que me vêm, de imediato à memória uma frase gémea, só que com o nome de Luís Pinheiro no lugar do Vítor?

O Luís Pinheiro veio para a Charneca do Milharado muito jovem, é verdade, mas com predicados que o colocavam a um nível bastante superior aos Corredores da sua idade e parecia que bastava ganhar o essencial calo para se bater de igual para igual com os mais velhos para, rapidamente atingir um estatuto de primeira figura.
Exactamente o que acontece com o Vítor Rodrigues.

Ao fim de meia dúzia de anos – apesar de algumas vitórias, mas em provas de segundo plano – o Luís Pinheiro foi dispensado, deixando por cumprir todas as expectativas que nele todos depositáramos.
Que o Vítor Rodrigues possa vir a ter mais sorte.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

1005.ª etapa

DEPOIS DE EXPLICADO...
TIREM AS VOSSAS CONCLUSÕES


Um dia destes eu vou vir aqui explicar qual é a diferença entre o NÚMERO de uma LICENÇA DESPORTIVA e o CÓDIGO UCI dado a cada um dos Corredores do pelotão internacional.

Acho é estranho que o Secretário-Geral da Real Federação Espanhola de Ciclismo o não saiba!... Isso acho!
Confesso...



Mas depois explico.
Tudo!...

Não há nenhuma licença - nem em Espanha, nem em lado nenhum - identificável como ESP19780616 (isto é o Código de Identificação UCI)... A licença do Corredor em causa é identificável pelo número... 5678853, da Real Federação Espanhola de Ciclismo, do mesmo modo que a licença do José Azevedo é a número 8885, da Federação Portuguesa de Ciclismo... O Secretário-geral de uma federação não cometia um erro tão primário!...

1004.ª etapa

O MINHO PRECISA
DE UMA EQUIPA PROFISSIONAL

Vou repetir-me. Com as reconhecidas dificuldades que, ano após ano, a maioria das equipas tem em conseguir garantir, atempadamente, os necessários apoio de forma a que os respectivos projectos saiam para a estrada minimamente consistentes, uma solução - para não ser drástico e dizer: A SOLUÇÃO - passa pelo arregimentamento, em termos regionais, quer seja dos apoios autárquicos, quer seja na malha empresarial dessa mesma região.

Minho Verde ou Alentejo Dourado; Terras de Feira ou Região Oeste, como nome da equipa.

Em vez de dois patrocinadores a darem 200 mil euros cada... 20 parceiros comerciais a darem 25 mil euros cada (o que somaria 500 mil euros)...

Vem isto a propósito à sempre dolorosa despedida de uma equipa do pelotão.

Não sei quanto o Vitória Sport Club de Guimarães investiu nestas duas últimas épocas no Ciclismo. Sei é que a empresa ASC vinha a ser sobrecarregada. Não tinha possibilidade de manter a sua própria equipa... mas viu-se quase sozinha a suportar... o Vitória. Saiu.
É pena.



E, tal como eu já aqui avançara, antes de acabarem com a equipa, alguém - seu eu soubesse exactamente quem, colocava aqui o seu nome - se apressou a afastar o único homem que se mexia, de forma a tentar encontrar uma solução para salvar... o seu emprego? Também, porque não? Mas salvaria o de mais 20 pessoas.

Agora estão todos no desemprego.

Oiçam aqui as suas palavras.

terça-feira, dezembro 11, 2007

1003.ª etapa

CONTUDO, SE NÃO HÁ DINHEIRO…

Enfiarei as “orelhas de burro”; aplicar-me-ei o respectivo castigo de ficar duas horas sentado virado para a parede, sem falar com ninguém e até confessarei publicamente que “sou mais ingénuo que uma criança de 2 anos de idade!”.

Porquê?
Passo a explicar.

Li, hoje, a, interessante, como sempre foram as anteriores, notícia que ontem saiu no Público e onde se insiste que, e cito: “[O] ciclismo português sob suspeita de manipulação sanguínea”.

Esta ideia é defendida, nada mais, nada menos, que pelo presidente da União Ciclista Internacional, o senhor Patrick McQuaid, em declarações ao próprio Público.

No artigo fala-se do que é a hemoglobina e o que são os reticulócitos e volta a sublinhar-se que Corredores portugueses e espanhóis fogem aos padrões estipulados, o que os coloca sob suspeita. E, apesar dos múltiplos problemas que tem entre mãos, a primeira figura do Ciclismo mundial assume ele próprio a preocupação em relação a este assunto particular. E está de olho nos Corredores ibéricos, só não sabe [o senhor Patrick McQuaid] é se os registos irregulares recentes (?) – quais?, de quem?, recentes de… quando? – estão ligados ao médico Eufemiano Fuentes que, héllas!... se suspeita ter-se mudado de Espanha para… Portugal!

Só que no meio de todo o longo folhetim que envolve o galeno canário se foram perdendo dados. À memória dos homens não se pode fazer um upgrade nem acrescentar bites… mas eu recordo que, na fase quente da Operação Puerto, logo quando a coisa rebentou, na primeira acção material da Guardia Civil espanhola, o senhor Manuel Sáiz, que alegadamente ia às compras foi apanhado com uma maleta onde havia dinheiro que quase dava para cobrir o orçamento de cada uma de meia dúzia de equipas portuguesas.

E depois há a questão dos ordenados que se pagam em Portugal. Isto apesar de eu próprio ter escrito aqui, transcrevendo declarações de um Corredor que para o ano vai representar uma equipa portuguesa – vindo de uma espanhola – e que confessou que vinha ganhar mais do que ganharia em qualquer das espanholas que se tinham mostrado interessadas no seu concurso. Ainda assim.

O que me anda a chagar os miolos é uma questão muito simples: com ordenados médios que não fugirão muito aos 1500 euros mensais (eu disse médios), como é que os Corredores portugueses recorrerão ao doutor Fuentes? Ou este anda a fazer promoção nos seus serviços? Se calhar tem um acordo com a Caixa…

É que, e isso saber-se-á dentro de poucas semanas, iremos ter a maioria das equipas portuguesas com orçamentos a rondar os 400 mil euros… para um plantel de 10 corredores, um só técnico, dois mecânicos e dois massagistas, se o dinheiro fosse só para vencimentos e se todos ganhassem o mesmo, dava… ora, 400 mil… a dividir por… façam as contas…

Não, não sou o Guterres, e já fiz as contas, dava 2.222,22 euros a cada um, por mês.
Só que o dinheiro não é só para pagar ordenados, pois não? Quanto é que sobrará para isto? Dois terços? Então aquele número baixa para os 1.481,48 euros mês… como eu referi que será a média no pelotão nacional.

Quando assisto ao desaparecimento de equipas, quando percebo que outras vão sair (sairão?) para a estrada sem patrocínios... quando todos sabem de prémios em atraso - de ordenados não se fala, mas não ponho as mãos no lume -, pergunto-me: serão de borla as transfusões ou manipulação do sangue?

É que não se diz: há quatro ou cinco Corredores portugueses sob suspeita; a coisa é generalizada e de dimensão tal que parece ser o primeiro problema do presidente da UCI…

1002.ª etapa

MÁ SORTE SER-SE PORTUGUÊS

Dois pesos... duas medidas;
São todos iguais... mas há uns mais iguais que outros,
ou simplesmente...

... má sorte ser-se português?
(X)

segunda-feira, dezembro 10, 2007

1001.ª etapa

E CORAGEM PARA IR ATÉ AO FUNDO DA QUESTÃO?

Duas notícias, em dois dias consecutivos, com a segunda a parecer um simples decalque da primeira: o Vitória-ASC ficou pelo caminho

O meu grande – e fiável – amigo António da Silva Campos já há muito me tinha dito que, nos moldes em que a equipa funcionou esta temporada não estaria disponível para continuar a investir no Ciclismo.
A sua empresa agarrou na sub-23 do Guilhabréu há uma meia dúzia de anos (não estou certo do número, mas isso é irrelevante, aqui…) e, com Sérgio Paulinho como figura de proa, trilhou o caminho na direcção da profissionalização.


Investiu muito.

Para os mais esquecidos, lembro aqui que, a então equipa de Vila do Conde venceu por dois anos consecutivos uma das mais importantes provas do calendário espanhol para Elites, o Circuito Montanhês, na Cantábria.

Da freguesia de Guilhabréu – através do seu clube mais representativo – arriscou e apostou mais alto. E apareceu o Clube de Ciclismo de Vila do Conde.
E logo a seguir, a profissionalização da equipa.




A camisola amarela na Volta a Portugal, com o Victoriano Fernandez, em 2003, depois de uma chegada a Castelo Branco (2 dias); depois, outra vez a liderança da Volta, em 2004, com o Cláudio Faria (1 dia), numa chegada a Viseu, e a vitória na primeira etapa da Volta a Portugal de 2005, com o colombiano Jeobany Chacón que levou a Camisola Amarela até ao Fundão, ao quarto dia, quando Vladimir Efimkin a conquistou para não mais a despir, mantiveram a equipa da ASC no noticiário do ciclismo luso durante três épocas consecutivas.

Quantas equipas portuguesas podem disto fazer bandeira nos últimos cinco anos?
Eu sei!... Nenhuma!



Mas, e ainda assim, a ASC, do António da Silva Campos, viu-se e desejou-se para conseguir um parceiro suficientemente forte de forma a poder continuar no Grande Pelotão.
E encontrou, há dois anos, o Vitória Sport Clube, de Guimarães.


Mas, e tanto quanto julgo saber, as coisas sempre funcionaram mais num sentido que no outro. Descodificando… o Vitória ganhou visibilidade, a ASC perdeu dinheiro.

Mas, e porque é uma questão inultrapassável, recuemos até 2000.
Quem é que andou de amarelo nas primeiras sete etapas da Volta?
Um espanhol completamente desconhecido chamado Miguel Manteiga, então ao serviço do Paredes!

E quem era o director-desportivo do Paredes então?
E quem era o director-desportivo da ASC (com os diferentes parceiros) quando a equipa de Vila do Conde andou de amarelo na Volta a Portugal?

Pois!...

Entretanto, e aqui há uns dias, escrevia eu aqui mesmo, no VeloLuso, que a equipa de Vila do Conde/ou Guimarães, parecia ter herdado a malapata do “velho” Tavira que, durante uma década bem medida sempre nos apareceu na corda-bamba. Sai ou não sai?

Sempre o Zé Marques conseguiu, de uma forma ou outra, arranjar os meios necessários para que a turma algarvia não tivesse deixado de estar entre os grandes. Mesmo que tenha havido um ano em que apareceu como amadora, num pelotão de profissionais.

E quando escrevi aquilo sabia que o Zé Augusto Silva estava a fazer o papel do Zé Marques. Era ele, e só ele, quem tentava, de todas as formas possíveis, encontrar uma solução para a equipa.

Três meses – disse-me ele, aqui há uns dias quando falámos –, três meses a correr de porta em porta a apresentar o projecto em que acreditava. Só ele acreditava, é a conclusão a que chego agora.

O António da Silva Campos já decidira que, sem outro parceiro que “entrasse”, pelo menos, com tanto quanto ele investia, deixava cair o projecto.

Ciente de que estavam em causa mais de dezena e meia de famílias, cujo sustento vinha apenas da equipa de ciclismo, o Zé Augusto não desistiu. E todas as semanas, três ou quatro vezes por semana, lá conseguia entregar o seu “dossier” a algum potencial investidor.
Depois… era aguardar.

No sábado, um jornal desportivo escrevia que o Vitória-ASC acabava.
Ontem, domingo, outro jornal desportivo “copiava” quase ipsis verbis a notícia que o outro publicara.

Nenhum deles, aparentemente – o que escreveu a notícia no domingo, de certeza que não, até pelo próprio texto da notícia –, sabia nem fez nada para saber que AQUELE DIRECTOR-DESPORTIVO de que falei lá atrás… já estava no desemprego antes do anúncio do fim da equipa.

ANTESatenção que isto é importanteANTES de deitarem a toalha ao chão e virem publicamente reconhecer que a equipa não vai poder sair (ainda não consegui falar com o António da Silva Campos, atenção…) em 2008, os directores do Vitória de Guimarães já tinham descartado o anterior DD e colocado outro no seu lugar.

Quem?
O Paulo Barroso, que ainda o ano passado era corredor da equipa.

Ao, a partir dessa decisão, ex-DD, foi-lhe proposto o lugar de… massagista!

Mas fica uma pergunta no ar...
... a associação (fraudulenta e desonesta) na Comunicação Social (todos sabem do que estou a falar...) da imagem da equipa a problemas com o doping - que a mesma não justificava - quanto terá pesado para o facto de não ter conseguido um co-patrocinador que a mantivesse no pelotão?
E quantas cabeças se dobrão, hoje, reconhecendo o mal que fizeram?

domingo, dezembro 09, 2007

1000.ª etapa

MIL "ETAPAS"... MIL OPINIÕES
(Nunca pensei chegar tão longe!...)

O Ciclismo português sempre foi uma pequena "quinta" onde só alguns debitavam as suas opiniões. E onde sempre houve quem se achasse aquilo que, afinal de contas, não deixava de ser: o "rendeiro" dessa quinta.

Disposto, antes de mais, a defender "superiores" interesses...

O VeloLuso apareceu para inverter essa tendência profundamente enraizada.

Apareceu como uma voz situada no contra, às vezes, mas sempre, sempre, com um único objectivo: defender, dar o peito, em prol do Ciclismo português.
Desculpem-me a imodéstia.
Acho que consegui os meus desideratos.

999.ª etapa

UM MUI SENTIDO OBRIGADO AO SENHOR
CLAUS MICHAEL MÖLLER


Chegou a Portugal em 2000 e, confesso, era para mim um perfeito desconhecido. Veio para a Maia. Aconteceu num ano extraordinário para mim, em termos profissionais e de ligação – cimentação – em relação ao Ciclismo. Contas por baixo, nesse ano somei mais de 150 dias de Ciclismo. Cinco meses na estrada. Nas últimas duas décadas acho que só o Fernando Emílio fez mais.

Logo no ano em que chegou à Maia, o Claus Möller somou sete vitórias e foi segundo na Volta a Portugal, atrás do Vítor Gamito. E ganhou a Volta ao Alentejo numa festa que foi feita junto ao Rossio de S. Brás.


Bem em frente do hotel onde mais vezes dormi.
O D. Fernando.

Em 2001 o Claus proporcionou-me um dos mais emocionantes momentos da minha carreira, ao qual só comparo a vitória do Zé Azevedo (ainda na Maia), na etapa que acabou no alto do Viso (na Volta às Astúrias) quando vestiu a camisola amarela e, claro, o triunfo de outro nome que já abandonou as estradas, o de Andrei Zintchenko (LA-Pecol), no mesmo ano de 2000, quando venceu nos Lagos de Covadonga, na Vuelta.

Em 2001 o Claus ganhou uma das etapas mais difíceis da Vuelta, com meta no alto de Aitana.




Provavelmente (quase de certeza) já aqui escrevi sobre isso, mas nunca será de mais relembrar aquela tarde, ali, para os lados de Alicante, em Espanha, quando o Claus ganhou essa etapa. Feito que só foi testemunhado, no local, pelo Teixeira Correia e por mim.



O Teixeira lá fora, na estrada, correndo uns bons quilómetros para aceder às declarações.

Eu, sozinho na Sala de Imprensa – montada numas instalações militares, com soldados de metralhadora à ilharga (o ataque ao WTC, em Nova Iorque, tinha acontecido meia dúzia de dias antes), gozando com o desespero dos colegas jornalistas espanhóis por nem Heras, nem Sevilla… ninguém, ter conseguido evitar a vitória na etapa de um corredor de uma equipa… portuguesinha.

Em 2002, o Claus volta a deixar indelevelmente marcada em mim mais uma “estória”.


Quando ganhou a Volta a Portugal, no crono final, em Sintra, quando destronou o maiorquino Joan Horrach, seu companheiro de equipa.
Aliás, nesse ano a Maia fez o pleno no pódio, com o Rui Sousa a ser terceiro.

Mas volto atrás.
O Claus é um rapaz extraordinário, humilde, que sempre se apresentou despojado de qualquer tique de vedetismo.
E volto a recordar a forma como me concedeu a entrevista no dia seguinte à vitória em Aitana, dia que era de descanso. Os dois sentados no lobby do hotel, em Alicante, as constantes interrupções – o seu telemóvel não parava – e ele a desmultiplicar-se em desculpas.


Mas, tanto da Dinamarca – e era perceptível, porque eu não percebia nada do que ele dizia – como, inclusivé, de jornais portugueses directamente concorrentes de A BOLA – o único jornal português que acompanhou a corrida (e ele fez questão de me avisar a dizer que pediria para lhe ligarem mais tarde) – foram mais do que muitas as solicitações…

Mas o Claus tinha combinado comigo uma entrevista de fundo, logo a seguir ao almoço da equipa, e cumpriu religiosamente o prometido. Com as tais duas ou três interrupções para falar em… dinamarquês.
Que eu entendi perfeitamente.

Ainda com as cores da Maia, ganhou em 2001, o GP da Região de Lisboa e a Subida al Naranco (Astúrias, em Espanha). E foi 8.º na geral final da Vuelta.

E em 2003 ganhou a Volta ao Algarve.



Depois acelerou-se a queda da equipa da Maia e ele saiu para a italiana Alessio para, em 2005, regressar a Portugal, pela mão do Carlos Pereira. Para a Barbot.

Nesse ano ainda ganhou o crono final, na Volta a Portugal.

Agora, creio que se decidiu, em definitivo – fez 39 anos em Outubro –, pelo fim da carreira.

A História é escrita por homens vulgares, na maioria das vezes. De certeza, sempre menos importantes que os historiados. Por isso aqui estou eu a sublinhar, dentro daquilo que me é possível, a carreira portuguesa de um grande Corredor e de um excepcional ser humano.

Tenho 17 anos de pelotão (mesmo que tenha estado de fora nos dois últimos anos) e só encontro, em termos de corredores portugueses, dois nomes que podem equiparar-se – no que respeita às relações com a CS – com o Claus.

São o Joaquim Gomes e o Orlando Rodrigues.

Mas houve tantos Corredores os que correram com o Claus que, espero sinceramente, o seu exemplo não tenha caído em saco roto.

Entretanto, Claus, daqui te envio um forte e apertado abraço.

Não será possível escrever a história do Ciclismo em Portugal, nos seus últimos 10 anos, sem que se fale do teu nome.