domingo, dezembro 31, 2006

BOM 2007 PARA TODOS

A todos os amigos (já somos uma pequena família) que, regularmente vêm aqui, a este espaço - corredores, técnicos, colegas de profissão, adeptos anónimos -, a todos deixo o meu desejo de

UM ÓPTIMO 2007

378.ª etapa


AH, POIS É...!

Pois havia um leitor atento que, menos de cinco minutos depois de ter posto no ar o último artigo já me perguntava: "Isso do Figo pode ter sido assim como aquilo do Benfica não ser aceite pela UCI?"

Caro leitor (eu disse-te que não cito nomes...), eu acho que foi algo muito diferente.
No caso do ciclismo do Benfica houve mesmo um impasse (mesmo que só tenha sido por falta de documentação, num dado momento).

O Benfica (no Ciclismo) acertou o que tinha a acertar, não foi?

No caso do Figo duvido que alguma parte reconheça que deu um passo maior que a perna.
Sobra a confortável saída de que foi um clube (deve existir... existe, claro que existe!...) árabe que deu a notícia...

sábado, dezembro 30, 2006

377.ª etapa


AO MENOS QUE SIRVA PARA SACUDIR CONSCIÊNCIAS...

A notícia saiu em todo o lado nos últimos dias.

Em 2007, logo no início do ano, vamos ter - gratuitamente, em Lisboa e no Porto - um novo jornal que se chamará Jornal Desportivo.

A ideia é o ovo de colombo, desde que os seus mentores consigam (e aqui surgem as minhas primeiras dúvidas) fugir ao facilitismo que é sempre a nova contratação (de futebol) do Benfica, do Sporting e do FC Porto.

Não sei se os seus mentores pesaram isso, mas a nova publicação PODE mesmo mexer com o statuos quo da Imprensa de Futebol.

Jornal Desportivo é algo que logo me atrai.
Porque gosto do Desporto.
E porque o Desporto não se esgota numa pseudo-transferência do Luís Figo para as Arábias. Foram os árabes que inventaram a notícia?
... E se não tiverem sido?

Quantos quilos de papel se venderam nos últimos dias à custa desta notícia?
E alguém, incluindo o próprio Luís Figo, vai lamentar o facto de a notícia... não ter sido notícia nenhuma?
O pior cego é o que não quer ver.

O futebol está parado há duas semanas e ainda faltam outras duas para que regresse.

De um lado, não há interresse nenhum que se fale muito no Processo Apito Dourado...
De outro, que se fale num relvado que passou do prazo mas que não se sabe se vai ser mudado porque custa dinheiro e... dinheiro não há...
No terceiro vértice do habitual triângulo há tanta coisa...
Para já que não cheteiam muito com o caso de doping do Nuno Assis... mesmo que insistam na possível saída do Moreto ou do mexicano...

Os Jornais de Futebol preferem que não haja muitas ondas?
Mas eu não escrevi já aqui que houve um Director de um deles que reconheceu que não pode morder a mão que lhe dá de comer?
Que ficou então por dizer?

De qualquer modo...
um Jornal Desportivo, novo, que vai ter que forçar a entrada no mercado, mesmo que sendo gratuíto... não acredito que a primeira manchete não se centre em algo do futebol.

Para tentar arrebanhar leitores aos três jornais de FUTEBOL que temos no mercado.

Gostava muito, e isto digo-o sinceramente, que este novo Jornal Desportivo conseguisse ser a tal pedrada no charco que muitos dos leitores de jornais actuais, cujos leitores não tenham no FUTEBOL O PRINCIPAL INTERESSE,... esperam.

Sublinho: ESPERAM.

Mas não acredito que seja...

Ao mesmo tempo gostava que este novo jornal conseguisse vir a ter um tal impacto que levasse os JORNAIS DE FUTEBOL a olharem para dentro, para além do quadro pensado e desenhado para o futebol, e percebessem que têm, nos seus quadros, os melhores jornalistas desportivos em Portugal.

Não deixem que, num panorama sustentado por "colaboradores", mesmo que gratuíto, um jornal nascido de um tiro no escuro lhes roube a audiência.
Que, se calhar, nunca perceberam que tinham.
Que podiam ter.

A partir daqui será o salve-se quem puder.
Mas os leitores saberão onde encontrar quem mais gostam de ler.
Que as contas futuras não se fiquem apenas por números frios.
Mas inconsequentes...

376.ª etapa



NÃO FOI TÃO MAU QUANTO ISSO...

Por cá, a temporada de 2006 não foi pior do que as imediatamente anteriores. Certo que voltámos a arriscar em projectos financeiramente... mal defendidos, o que redundaria no fim de uma equipa e no já proverbial, e muito português, andar permanentemente na corda bamba toda a época, para mais duas ou três. Ao que juntarei o estranho caso que sentenciou à morte a equipa de Alcobaça…

Mas, em termos desportivos não me custa nada dizer que até é positivo o balanço geral.
Começou com uma reinventada Maia (o Manel Zeferino não pára de nos surpreender) a ganhar a Volta ao Algarve, corrida que voltou a marcar pontos e a cotar-se como uma das três melhores que tivemos este ano, no nosso país. Depois, houve, diria, que um desaceleramento. Eu sei! Com plantéis de 9 corredores não há hipóteses de se planear e cumprir, com um mínimo de equilíbrio, mesmo um calendário acessível, como é o nosso.

Essa desaceleração por parte das equipas nacionais coincidiu com a Volta ao Distrito de Santarém, que uma equipa espanhola de segundo plano ia pintando de rosa-choque e que a holandesa Rabobank, só com miúdos, acabou por ganhar.

Algumas semanas mais tarde, contudo, tudo voltou à normalidade, com, deu para o perceber, corridas muito interessantes no Minho, no GP de Paredes e na Volta a Trás-os-Montes. Pedro Cardoso sobressaiu na tal Maia reinventada, bem secundado pelo alentejano Bruno Pires, que viria a sagrar-se Campeão Nacional, em Junho, e pelo búlgaro Danail Petrov, que venceu o Troféu Joaquim Agostinho.
Pelo meio tivemos uma Volta ao Alentejo imprópria para cardíacos. À falta de dificuldades físicas de relevo, tivemos uma corrida disputada ao segundo. Nem isso, que os três primeiros da geral final terminaram… com o mesmo tempo. Ganhou-a Sérgio Ribeiro que foi, também, um justo vencedor do ranking-APCP. Isto apesar de no último terço da temporada ter estado distante da forma que evidenciou nos dois primeiros.

E tivemos uma grande Volta a Portugal. A começar pelo facto de, em dez etapas só David Blanco – o vencedor final – ter ganho duas. Dez etapas… nove ganhadores e nove homens a envergarem a Camisola Amarela. Só Cândido Barbosa, que a vestira em Beja para a perder em Lisboa, a voltou a vestir, no terceiro dia, em Viseu.

Uma Volta a Portugal marcada pela juventude. Com Manuel Cardoso, Ricardo Mestre e João Cabreira a vencerem etapas e, em sequência disso, terem usado, um dia cada, a Camisola Amarela. O algarvio viria ainda a ganhar as classificações finais da Montanha e da Juventude. Nesta, foi até ao último dia o despique com Tiago Machado.

Uma Volta a Portugal outra vez marcada pelo inconformismo de um Cândido Barbosa lutador, que não atira a toalha ao chão… cada vez mais ídolo, para uma moldura de adeptos que também tem vindo crescer.

Uma Volta a Portugal onde a DUJA-Tavira mostrou pela primeira vez aquilo que, entretanto já foi anunciado: que, escudada no apoio financeiro da empresa espanhola, já começa a sonhar com outros pelotões. Uma Volta na qual o Boavista esteve como sempre esteve, aliás, ao longo de toda a temporada: pendular. Onde a estrelinha de Mestre Emídio Pinto voltou a brilhar com mais um triunfo numa etapa e, melhor ainda: um dia de amarelo.

E 2006 ficará marcado pelo regresso do Benfica às estradas, depois da experiência de 1999/2000 que acabou mal. Do Benfica e, claro, de José Azevedo. O melhor corredor português dos últimos anos trocou aquilo que se perspectivava como (pelo menos) mais um ano na função de sapador, com a tarefa de preparar caminho para o(s) novo(s) chefe(s)-de-fila, na Discovery, pelo desafio de tentar ganhar a Volta a Portugal. Triunfo que falta no seu longo e brilhante palmarés.

Os encarnados – que estrearão Orlando Rodrigues como director-desportivo – formaram uma equipa que promete, e que vai ser, de longe, a mais forte das portuguesas. O pelotão nacional, entretanto, para o ano terá menos duas equipas. O Alcobaça ficou pelo caminho e o Loulé fundiu-se com a Madeinox. Como o Benfica só correrá as provas internacionais… de dez passámos para oito equipas.

Deixei para o fim, para que seja recordado mais facilmente, aquele que já considerei o facto do ano, no que respeita ao Ciclismo português: o triunfo de Sérgio Paulinho numa etapa da Vuelta. Já haviam passado 30 anos, desde a última vez que um português – e foi o Joaquim Agostinho – ganhara uma etapa na maior corrida espanhola. Sérgio Paulinho conseguiu-o, na chegada a Santillana Del Mar, mostrando aos que ainda não tinham percebido (refiro-me aos adversários no grande pelotão mundial e imprensa que não a portuguesa) que ali há um campeão a ter que ser considerado no futuro.

Com isto tudo… quem pode dizer que 2006 não foi um ano muito interessante para o Ciclismo Português?

375.ª etapa



NÃO DEIXEMOS QUE A ÁRVORE
ENCUBRA A FLORESTA

Na hora de esboçar um balanço à temporada velocipédica de 2006, adivinho que muitos não resistirão em pautá-la pelos acontecimentos da chamada Operação Puerto. Temos, gentes do Ciclismo, uma estranha e inexplicável atracção pelo negativismo.

Aos que me disserem que 2006 ficou marcado pela Operação Puerto retorquirei que não.
Que ficou marcado pela enorme vitória de Ivan Basso, no Giro, depois de ter feito uma corrida a fazer-nos recordar as vitórias dos grandes campeões do antigamente; ficará marcado também pela desqualificação de Floyd Landis, no Tour. O que aconteceu pela primeira vez na história da Grande Boucle cuja organização também será recordada pela hipocrisia ao fechar as portas aos principais nomes da actualidade.
Embora na altura ainda se acreditasse que, a sequência da mesma Operação Puerto muito sangue seria derramado. Passe o mau gosto da expressão.

Ficou marcado pela extraordinária demonstração de força de Alexander Vinokourov, na Vuelta. Dele e de quase toda a equipa da Astana - que havia sido impedida de correr o Tour - com o Sérgio Paulinho entre os melhores.

O ano de 2006 fica marcado pela regularidade de um Alexandre Valverde ainda um pouco curto, para as corridas de três semanas, mas vencedor do ranking UCI-ProTour.
Fica marcado pelo justíssimo triunfo de Paolo Bettini que, finalmente, se sagrou Campeão do Mundo.

E 2006 – espero eu – poderá vir a ser recordado como o ano em que, pondo os interesses do Ciclismo, em geral, à frente de outros bem mais particulares, se começou a redesenhar um mapa da modalidade, mais justo e que permita uma verdadeira evolução na continuidade. Enterrando-se de vez este modelo do ProTour que, mal nascido, está a arrastar o Ciclismo para um abismo de onde será muito difícil sair-se.

E, claro, há a Operação Puerto.

Notem onde eu a coloco num escalonamento, por importância, dos acontecimentos do ano.

Serviu para que, passando a ser argumento, se falasse de redes mais ou menos organizadas de fornecimento de produtos não recomendados e prestação de serviços em práticas médicas menos ortodoxas. Que todos sabiam que existem há muito em redor do Ciclismo, MAS NÃO SÓ, apesar de, quando o assunto foge para além do Ciclismo rapidamente ser abafado e, naturalmente, cair no esquecimento.

E vejo nisto um impressionante paralelismo com o sucedido com o livro da mais conhecida das alternadeiras cá do burgo. Só diz coisas que todos já sabiam mas, a partir do momento em que foi posto à venda, tornou possível que todos dissessem o que já sabiam mas sempre preferiram calar, usando o muito conveniente segundo o livro da senhora


(Claro que não me esqueci que 2006 foi o ano zero, pós-Lance Armstrong!)

quinta-feira, dezembro 28, 2006

374.ª etapa


SUGESTÃO VeloLuso

O VeloLuso vai-se tornando tão flexível o quanto eu achar que deva ser. Comecei por escrever apenas opinião, acrescentei-lhe o noticiário (ainda que condicionado), houve momentos de discussão - que deve continuar a haver - e, esta não é a primeira nem será a última vez que uso o espaço para revelar outros sítios na rede.

O caso de hoje é-me duplamente agradável. Primeiro, porque revelo, a quem ainda não conhece, um outro Blog dedicado ao Ciclismo - todos nunca seremos demais -, segundo, porque se trata de um Blog que serve assim como que de janela aberta para o Mundo de um clube de ciclismo do qual eu desconhecia a existência. Como haverá muitos mais.

Foram "apanhados" no relatório diário que me informa, não só do número de visitas, mas também quem acessou ao VeloLuso.

Dêem uma espreitadela em
www.clubeciclismosalvaterra.blogspot.com.
Até somos quase vizinhos e eu já sou tão ribatejano quanto Alentejano.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Uma semana de Saudade...


373.ª etapa


EXAGERADOS,
COMO SÓ OS ESTADUNIDENSES PODEM SER

Acabo de ver que a revista estadunidende, VeloNews, especializade em ciclismo, votou Floyd Landis como o Ciclista do Ano.
Sempre exagerados estes norte-americanos.
(Também... que esperar de gente que elegeu - por duas vezes - o mentecapto do Bush-filho para presidente?)

Landis não é, de facto não é, um corredor qualquer - e não se estejam a rir que eu conheço "dragões" de mais, capazes de eleger Pinto da Costa como personalidade do ano, ou "lampiões" prontos a fazer o mesmo relativamente a José Veiga... (os outros não têm mesmo ninguém para concorrer a esse nível), não se riam..., também somos muito capazes de ser irracionais - mas mandava o bom senso que, mesmo que não tivessem mais ninguém - o que não é verdade - tivessem evitado a eleição do ex-corredor da Phonak como o melhor do ano.
É um desafio aos europeus, claro que é.
No género... nós somos os maiores e estam-nos cagando para o que vocês pensam.

Até pode ser verdade. Mas, como diria o outro, não havia necessidade!...

terça-feira, dezembro 26, 2006

372.ª etapa


ILEGAL. PONTO FINAL!

Na sequência do artigo sobre a pretensão, por parte da AIGCP, de obrigar os Corredores a sujeitarem-se à recolha de amostras do seu ADN – lembram-se que escrevi não estar a par do que diz a legislação portuguesa? -, recebi a preciosa ajuda do Paulo Couto, presidente da Associação Portuguesa de Corredores Profissionais. Assim, a Lei portuguesa estabelece que a recolha [coerciva] de amostras do ADN pode constituir o crime de coacção segundo o previsto no artigo 154.º do Código Penal, que tem uma moldura penal até 3 anos de prisão (se bem que substituível por uma multa correspondente).

Os visados podem ainda alegar estarem a ser vítimas do crime previsto no artigo 192.º – devassa da vida privada – além de que, qualquer utilização abusiva de recolha de sangue poderá integrar o crime previsto no artigo 156.º (intervenções e tratamento médico-cirúrgicos arbitrários).

Mais, a recolha de ADN e a sua utilização está sujeita a pedido endereçado à Comissão Nacional de Protecção de Dados e tem que ser devidamente autorizada e justificada, conforme estabelece a Lei 67/98.

A Lei 12/2005, de 26 de Janeiro, estabelece os critérios para a recolha de ADN e proíbe taxativamente a recolha como condição de acesso ao emprego.

Posto isto, fica bem claro o quanto é ilegal as equipas sugerirem que, para assinarem contrato, era melhor que os Corredores facultassem uma amostra do seu ADN.
Tal como a proposta de que sejam os Corredores a, voluntariamente, acederem àquele pedido.
E não cabe aqui aquilo do quem não deve não teme.

Há um ditado que diz: Só podem subir-te para cima das costas se te puseres de cócoras.
O pior é que, uma vez de cócoras, quantos podem subir? E como é que nos levantamos depois, se forem muitos?

segunda-feira, dezembro 25, 2006

371.ª etapa



MAS, CICLISMO PORQUÊ?!!!...

Como é meu hábito, depois de “coleccionar”, aqui, no chão, ao pé da secretária, um montão de jornais, de vários dias, lá vem um em que me dedico a revê-los para fazer os habituais recortes e reler uma ou outra notícia. Às vezes, e não é raro, acabo por ver coisas que no dia em que os compro e leio deixei passar.

Um dos desportivos, na sua edição do passado dia 14, numa coluna de breves traz cinco notícias. Para aqui apenas interessam as três primeiras.
Vou transcrever os títulos (atentem bem neles) e o essencial da notícia.

DOPING I
A federação alemã de dança desportiva anunciou que (…) teve um controlo positivo. (…) Este é o primeiro caso de doping na modalidade naquele país.

DOPING II
(…) [O] ministro dos desportos inglês defendeu que as drogas recreativas (…) devem ser retiradas da lista de substâncias proíbidas (…)

CICLISMO
O ministério público de Dinant (Bélgica) pretende interrogar o ciclista Frank Vandenbrouck sobre o tráfico de produtos anabolizantes em ginásios.

Repararam?
Depois de um DOPING I e de um DOPING II, porque é que a terceira notícia, que se refere a um atleta que já nem está no activo, em vez de ser baptizada com o consequente DOPING III o foi como… CICLISMO?

Repararam na notícia?: (…) sobre o tráfico de produtos anabolizantes em ginásios.

Contudo, inconscientemente, acredito – e aconteceu neste jornal mas poderia ter acontecido em qualquer dos outros –, apesar de a notícia falar de um antigo corredor e reportar a um presumível acto de tráfico de anabolizantes em… ginásios, mesmo tendo, antes, usado o título repetido de DOPING e de nada impedir que ao I e aos II se seguisse um III, não, o título tinha logo que ser… CICLISMO.


Ainda um dia havemos ver, sob o título de CICLISMO, alguma coisa do género: fulano de tal, antigo ciclista, matou a rajada de metrelhadora 20 pessoas que estavam na paragem do autocarro...

sábado, dezembro 23, 2006

370.ª etapa



IGNORANDO A FORÇA DA RAZÃO
QUEREM IMPÔR A RAZÃO DA FORÇA

Duas pequenas notas só para esclarecer eventuais… más interpretações.

* Primeiro: sou, sempre fui, fiel respeitador daquilo que os mais dotados para isso decidiram que passaria a vingar, dando letra à Lei;

* Segundo: aprendi a recusar despotismos, defendendo, hoje e sempre, que, sendo a Sociedade um colectivo, ela é formada por Indivíduos e que estes não podem ser apenas um argumento para que uma elite molde, não a Lei, mas aquilo que lhes daria jeito que a Lei fosse, de forma a que os seus interesses particulares apareçam como se fossem perfeitamente legítimos.

* Conclusão: não existe, de facto, má vontade da minha parte para com a União Ciclista Internacional, ou para seja quem fôr. Já deixei a minha opinião, que é desabonatória, em relação ao ProTour (pelo menos nos actuais moldes) e a algumas posições semi-oficiais tomadas pela Associação Internacional de Grupos Desportivos Profissionais de Ciclismo (AIGPC, do francês). Como aquela de expulsarem da congregação a Discovery Channel só porque contratou o Ivan Basso. Ilibado de tudo o que sobre ele fora indiciado pelas duas estruturas italianas com autoridade para isso.


Mas passemos ao assunto desta crónica.

Na tarde do passado dia 13 (p.p.), na reunião ordinária do Grupo de Trabalho com vista a aprovar o Calendário UCI-ProTour, os representantes da AIGCP, o director-geral da Crédit-Agrícole (França), Roger Legeay, e o manager da Gerolsteiner (Alemanha), Renate Holczer, não esconderam do também presente Francesco Moser, presidente da Associação dos Corredores Profissionais (ACP), que todas as equipas – deduzo que as remanescentes, após as exclusões da Active Bay, de Manolo Sáiz (que nem equipa tem) e da Discovery Channel – do grupo ProTour tinham deliberado obrigar os seus corredores a aceitarem, por escrito, facultarem uma amostra do seu ADN.
Meio veladamente – se calhar não foi tão meio assim -, deixaram no ar que “o Corredor que resistisse a esta solicitação viria, concerteza, a ter grandes dificuldades em conseguir assinar um contrato".

Se isto não é uma ameaça clara, eu não me chamo Manuel José Madeira e, pergunto-me, o que é que poderia acontecer – aliás, deixem-me refrasear: o que é que não terá já acontecido? Quantos não terão já sido os profissionais que, para garantirem o pão para a família – e ressalvo que não estou mandatado por ninguém, mas acho que nesta guerra toda quem se lixa é, como habitualmente, o mexilhão e, com esta minha tendência endógena para ficar do lado dos mais fracos, estou com os Corredores – não assinou já o tal papel.

Contudo, Francesco Moser não perdeu tempo e contactou todas as associações filiadas na APC. A resposta da maioria – por isso eu escrevi quantos não terão já assinado – dos corredores auscultados pelas respectivas associações foi clara e diz: A DECISÃO SERÁ PESSOAL, RESPEITANDO O COLECTIVO AQUILO QUE QUALQUER UM VENHA A FAZER VOLUNTARIAMENTE mas acrescentam que NINGUÉM SE PODE VER OBRIGADO A FAZÊ-LO, SALVO NO CASO DE A LEI A ISSO O OBRIGAR.

Podíamos ficar por aqui. Na verdade, reconheço que pouco acrescentei a outros escritos sobre este tema, a não ser a parte de as equipas ProTour estarem a tentar coagir os seus corredores a aceitarem uma coisa que… NÃO SÃO OBRIGADOS A ACEITAR.

Não sou especialista em direito nem tenho, agora, aqui, nada que me possa ajudar a responder pelos Corredores portugueses. Mas tenho o importantíssimo contributo do presidente da Associação de Corredores Profissionais de Espanha, José Rodriguez.

Consultadas autoridades judiciais espanholas, José Rodriguez pode, em nome dos seus associados, recusar aquela exigência da AIGCP porque, segundo a Lei espanhola isso tratar-se-ia de um delito de coacção, punível judicialmente com uma pena de 6 meses a 3 anos de cadeia (a quem obriga a assinar) ao abrigo do artigo 172 do Código Penal espanhol, pena que pode ser acumulada com outra, com o mesmo intervalo de duração, esta ao abrigo da Lei de Trabalho, no que respeita aos Direitos dos Trabalhadores.

Por isto eu escrevi, logo no início, naquela nota introdutória, que aqui estou, para levantar a voz contra quem, fazendo tábua rasa da Lei geral, pretende impôr… Códigos de Ética, dos quais todos conseguem ficar de fora, excepto os Corredores.

Apesar de este ser um espaço de Opinião e de Comentário, posso adiantar que a APCP subscreveu, a par das associações de corredores de França, Bélgica, Suíça, Itália, Espanha e Holanda, aquele texto que leram lá atrás, em maiúsculas e numa cor diferente.


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Mas, e por isso mesmo, por ser um espaço de Opinião e porque sei que muitos Corredores me lêem, mesmo que não mo tenham solicitado digo: EU, sem hesitações, seria irredutivelmente pelo NÃO absoluto. É que isso do voluntariamente... Quer dizer, há um que não aceita assinar, mas, voluntariamente lá aparecerão cinco ou seis para o seu lugar.

E permitam-me que conte uma pequena estória que vivi na pele quando ainda trabalhava na ferrugem - porque eu não nasci com o cú virado pr'á lua e nunca tive padrinhos e tive de começar a trabalhar com 17 anos para poder pagar a continuação dos meus estudos. Mas não me envergonho do meu passado, antes pelo contrário. Tenho muito orgulho nele.

Uma certa vez, e porque as condições de trabalho eram insustentáveis, em reunião entre nós, TODOS concordámos que não o faríamos até que houvesse condições. A chefia, usando o velho truque do falar com cada um à vez, individualmente, convenceu a esmagadora maioria a voltar ao trabalho (estou a falar do início dos anos 80). Sobraram quatro irredutíveis. Aqui o MJM e mais três.
O que é que aconteceu? Todos foram colocados a trabalhar nas partes mais acesíveis. Nós os quatro levámos 4 ou 5 dias sem fazer nada! Satisfeitas as nossas exigências, os quatro fomos mandados para a parte mais dura de roer. Só nós os quatro. E uma coisa que, dividida por 20 era feita numa semana, levou-nos mês e meio a fazer. Saímos de lá todos partidos, mas com a nossa dignidade intacta.
Foi uma das muitas lições que a Vida me ensinou.

369.ª etapa


EQUÍVOCOS DESFEITOS

E pronto… afinal, o Benfica parece que sempre foi aceite como Equipa Profissional Continental – e é a segunda formação lusa a ostentar esses galões, depois de, em 2005, a LA-Liberty o ter sido – e Portugal volta a ter uma equipa no grande pelotão europeu.

Mantém-se válido tudo o que antes aqui escrevi no VeloLuso. Os objectivos dos encarnados passam, sobretudo, pela sua apresentação em corridas no estrangeiro, sendo que, como é natural, estarão também presentes nas sete corridas portuguesas constantes no Calendário Profissional do Circuito Europeu.

Recuperando a antiga divisão por escalões, voltamos a ter uma equipa na II Divisão, só com a Elite do ProTour acima. Contudo, como aquele grupo é fechado, não existem agora possibilidades de, desportivamente, a ele ascender. Mas pode ser que tudo mude, entretanto.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Ainda confuso


FOI UM ERRO DE ALINHAMENTO.
SÓ PODE TER SIDO...

Ainda estou confuso.
Procuro e não consigo encontrar um argumento que se sustente por si. Mesmo que um dia, nós, jornalistas, tenhamos mesmo que ser notícia,
em definitivo a Morte enganou-se no alinhamento.
Não devias ter sido tú ainda Leonor...

quarta-feira, dezembro 20, 2006

368.ª etapa


HOJE NADA ME MOTIVA

Hoje está mais frio do que aquilo que os termómetros marcam e parece-me sem sentido que o céu esteja tão azul. Não podia ter começado pior o dia. É duro receber a notícia da morte de alguém que nos é muito querido. Mais duro ainda quando essa pessoa não tem idade para morrer. A minha querida Leonor Colaço, jornalista da TSF, partiu e deixou muito mais vazios os corações de todos os amigos.
Não me apetece escrever. Apetece-me fechar os olhos e viajar para trás no tempo. Até 1986, quando nos conhecemos num rés-do-chão de numa pequena vivenda onde funcionava a Rádio de Alverca. Pirata, claro, mas de cuja redacção sairam vários profissionais, hoje espalhados por várias empresas de âmbito nacional.
A Leonor estava há seis anos na TSF, onde chegou ida da antiga Correio da Manhã Rádio, com passagem pela Rádio Comercial. Nestas duas rádios trabalhou também o José Carlos Cunha. O Luís Silva está também na TSF, depois de alguns anos na Rádio Renascença. O João Maltez esteve n’A Capital, até ao encerramento desta. Eu, n’A BOLA, depois de também ter passado pel’A Capital.
Separámo-nos nas andanças profissionais. Começaram a rarear os contactos mas aquele grupo que fazia a informação na piratinha de Alverca, de cada vez que nos juntávamos reforçavam-se os laços fortes de uma amizade imcomparável.
A última vez que vi a Leonor foi há pouco mais de um ano. Tínhamos combinado um jantar, jantar ao qual, por dificuldades várias, só ela, eu, o João Maltez e a Elsa, mais o João Carvalho, o actor, nosso vizinho e amigo, estivemos. Todos temos as nossas carreiras definidas, mas gostávamos de imaginar que um dia ainda nos havíamos de voltar a encontrar todos num mesmo projecto. Agora a Leonor partiu. Não é justo.
Com a sua morte, morreu um bocadinho de nós todos.
Perante tão doloroso acordar, hoje nada me motiva.
Descansa em paz amiga.

terça-feira, dezembro 19, 2006

367.ª etapa


ADENDA AOS DOIS POSTS QUE PODEM LER A SEGUIR

E pronto. Parte daquilo que pretendia dizer já o foi.
Num organogramaque aqui estou a defender – do Ciclismo nacional tem que ficar bem explicito o que é Ciclismo Profissional e não-profissional. Sendo que, para se chegar ao primeiro, convinha cumprir todo o percurso do segundo.

Eu sei.
A grande questão que se põe, chegados aqui, é… que provas é que cada um cumpre?
Mas isso está já definido.
As equipas Profissionais fazem o Calendário Continetal Europeu.
As outras o Calendário nacional.
E eis que nasce outra questão, não é?

Mas então, sendo que o Calendário nacional – como todos os calendários nacionais, em todos os países – é composto pelas corridas da classe .12… qual a diferença entre ser-se Continental ou Elite nacional?
A diferença, aquela a que, infelizmente, os projectos nacionais se têm agarradao, é que as Continentais UCI podem fazer a Volta a Portugal e as Elites FPC não.

Qual é a minha opinião?
Mas está claro que não é uma etiqueta que faz o produto.

Metade das equipas Continentais – portuguesas, claro, que as de outros países não podem fazer a Volta a Portugal – não justifica a sua presença na Volta.

Calma, calma, calma…
Eu sei o que aí vem.
Lamento muito, mas não me apanham assim desprevenido.

O pelotão português, em 2006, era todo Continental e tivemos uma das melhores voltas a Portugal das últimas duas décadas.
É verdade.

Mas, em nome de um desenvolvimento do Ciclismo português, que todos queremos – acho eu! – vamos acabar de vez com esta mentira que são as equipas Continentais em Portugal.

Querem um pouco de história?
Eu conto TODA a história.
As equipas Continentais foram criadas pela UCI para que formações Sub-23 pudessem, aqui e ali, competir juntamente com o escalão superior.
Mas nós – é impressão minha ou temos todos um pouco de ciganos? – rapidamente tratámos (com a conivência da FPC) de adulterar o espírito da regra.
Em nome da nossa periferia – caramba! como somos bons a arranjar desculpas que enganam quem está menos informado sobre a nossa tendência para sermos… espertos – conseguimos (há favores que não se devem fazer, doutor Artur Lopes) que fosse reconhecida uma situação de excepção.

Continental, meus senhores – e mordam lá os lábios à vontade (podem até fazer sangue) – era aquela equipa da Rabobank cujo corredor mais velho tinha 20 anos e que deu um baile às equipas portuguesas na Volta ao Distrito de Santarém.
E não vale a pena tentarem encontrar desculpas.
E quem as encontrou por vocês que as engula.

A FPC vai voltar a aceitar equipas Continemtais com corredores com 36 anos de idade.
Abro aqui uma linha directa para que todos os que acham bem, digam das suas razões.

Em Portugal?
Quando ignoramos tout court a categoria Elite nacional?
Ah!... Por causa da Volta a Portugal, não é?
Eu sei que é.

Mas não posso (não quero) mais pactuar com essa mentira que deve envergonhar (em consciência, deve envergonhar) todos os que querem fazer alguma coisa deste Ciclismo que temos em Portugal.

Quatro ou cinco das equipas Continentais, que vamos ter, não teriam grandes dificuldades em ser Profissional Continental. Mas nem sequer pensaram nisso porque os encargos, assim, ficam pela metade.

Já que me envolvi nisto de querer apontar um caminho de futuro para o Ciclismo português, não podia, em consciência, passar à fase seguinte sem deixar claro que sei dos truques e armadilhas que, com a aquiscência de quem de direito, estamos a semear.

Tudo o que vier a dizer a seguir será numa perspectiva virgem de pecados.

E atenção a uma coisa.

Quem, em Portugal, como a Maia fez em 2002 até 2004, aposta forte na modalidade, sai extremamente penalizado porque outros, com metade dos encargos, acabam por ter as mesmas oportunidades.

366.ª etapa


CICLISMO PORTUGUÊS, QUE FUTURO
EXPOSIÇÃO – I

Estou a chegar ao fim.
O que até aqui tentei demonstrar foi que não temos estruturas financeiras para termos um Ciclismo – ainda por cima, caseiro – que englobe 10 equipas profissionais.
Mas também tentei demonstrar que o Ciclismo não se esgota na versão profissional.
Já tenho preparadas as alegações finais mas, antes disso, acho pertinente recordar a forma como iniciei esta exposição.

Falei, insistentemente, nos jovens sendo que está claro que é na divulgação do Ciclismo junto das escolas e, posteriormente a isso, na sua devida formação enquanto potenciais atletas de alta competição, que se encontra uma das pontas deste novelo.
Uma. Porque, e como também referi, acho desnecessário mandar abaixo todo o edifício do Ciclismo Português porque é possível aproveitar algumas das paredes-mestras já existentes.
Mais… acho que não é, de todo, descabido que nos preocupemos, já agora, com o telhado.
Estou a falar metaforicamente, como todos perceberam.


E esta minha preocupação com o telhado do edifício, que se adivinha ser o topo da pirâmide, tem tudo a ver nem mais, nem menos, que com os jovens que consigamos arregimentar para o Ciclismo.

Continuando a reportar-me ao que de início escrevi – e agora perceberão porque foi aquele início –, temos que ter alguma coisa para oferecer aos jovens que venham a escolher esta Modalidade como hipótese de profissão.
E o que temos de ter pronto a servir é, nem mais, nem menos, que a possibilidade de progressão da carreira.

Como Jornalista sei de muitos – demasiados – casos de jovens que, conseguindo, com todos os sacrifícios daí inerentes, chegar aos Sub-23, vêem acabar aí as suas carreiras.

O(s) motivos(s), creio, também já ter aflorado.
Em Portugal, e sem que ninguém, até agora, tenha mostrado grande preocupação em mudar as coisas, de Sub-23 passa-se a Profissional.
Ora, como também já ficou escrito, por diversas razões – e aqui não onero os responsáveis pelas equipas profissionais com qualquer parcela de culpa (que também não sei a quem imputar) – durante anos os jovens Elite espanhóis, com 24 ou 25 anos (eram mais baratos? Naquela equação de idade/experiência/preço? Acredito que sim), foram preferidos aos portugueses de 23 anos.

A pergunta que faço, até porque sei que o Paulo Couto é meu leitor, é se a APCP tem dados concretos de quantos jovens corredores portugueses ficaram pelo caminho. Eu sei Paulo, se não chegaram a ser profissionais, a APCP não deverá ter dados, mas como eu também não tenho, qualquer ajuda é bem vinda.

As equipas portuguesas apenas se viraram para os jovens acabados de sair do escalão de Sub-23 quando, por míngua dos orçamentos, e quando, porque em Espanha aumentou o número de equipas Profissionais e Continentais que absorviam os melhores jovens locais, estes deixaram de ser opção.
É por isso que advogo o reactivamento (já foram alguma vez activas?) das equipas Elite.

Este projecto, que apresentarei ns próximas horas
, está perfeitamente dividido em duas partes (três, contando com a formação e sendo que englobo nesta o escalão de Sub-23).

Na primeira formado pelas Elites não-amadoras, que servirá, para além de tuba de maturação, como verdadeira prova final, ou peneira, como quiserem, para apurar aqueles que, na realidade, são melhores e mostrarem estar prontos para enveredar pelo profissionalismo;
na outra, o profissionalismo na sua verdadeira definição.

Não perdem nada os corredores.
Já o referi – e repito-o, agora, aqui – que, em termos contratuais, não há diferenças tão significativas assim entre uma equipa Continental UCI e uma equipa Elite da FPC.
Antes pelo contrário.

Mas não nos percamos no desfiar da linha de pensamento.
Aos jovens, ainda mesmo antes de serem engajados na formação, temos que lhes dar:
1 – Ídolos;
2 - Um programa definido de progressão na carreira;
3 - Aos melhores, e só a esses, abrir-lhes o caminho do profissionalismo.

Os ídolos vão levá-lo a escolher a modalidade.
O programa definido de progressão na carreira prepará-los para a exigência do profissionalismo.
Os melhores não vão precisar de muito mais do que de uma mãozinha e alguma paciência porque, se o profissionalismo for a sério, não vai ser fácil.


365.ª etapa


CICLISMO PORTUGUÊS, QUE FUTURO
EXPOSIÇÃO – II


Estou a chegar ao ponto crucial desta exposição.
A partir deste passo vamos fixarmo-nos apenas em dois pontos. A promoção das melhores figuras do Ciclismo Nacional a ídolos da juventude (este ponto tem que ser dividido em dois) e a consolidação de um calendário intermédio entre a categoria de sub-23 e a Profissional.
Sendo que, na minha perspectiva, o segundo item é a única saída para o nosso Ciclismo.

Então teríamos, numa primeira metade daquilo a que chamarei organograma do Ciclismo Português para o Futuro, a vertente Amadora da modalidade. Ou não-profissional.

Criadas as condições para que o Ciclismo Português pudesse fazer render os seus ídolos, logo, cativando jovens para a prática da modalidade, garantir-lhe-iamos todo um percurso aligeirado de grandes responsabilidades. Isto também ajudaria a escolhermos melhores quem seriam aqueles que, apesar de as responsabilidades não serem de maior, ainda assim não deixariam de deixar na estrada todas as suas capacidades.
Cumpriam – como cumprem – o exigido pelos escalões etários mais baixos e, chegados aos sub-23, jogariam o seu futuro.

Acima, teriam o pelotão Elite que, mal seria se assim não fosse, sendo mais curto só iria aproveitar os melhores.

Mas atenção!
Em relação ao que acontece actualmente existiria ma diferença abismal.
Pela frente teriam ainda, pelo menos, dois anos, já não digo de aprendizagem, mas de afirmação das suas qualidades. Sendo que o vínculo, não-profissional, às novas (se fosse esse o caso) equipas lhes permitiriam manter em aberto uma segunda hipótese quanto ao seu futuro enquanto cidadãos.

Para quem não percebeu: o escalão Elite, não-amador, permitiria aos jovens atletas a continuação dos estudos (ou de qualquer outra actividade que tivesse escolhido), dando-lhes uma definitiva oportunidade de perceberem se tinham, ou não, lugar na categoria profissional.
Claro que aquela mão-cheia de jovens valores que todos os anos desponta não ia suscitar quaisquer dúvidas. O que este programa ia fazer era que alguns dos que ficam pelo caminho pudessem vir a usufruir de uma segunda oportunidade.

As equipas Profissionais – já lá irei – decerto que os teriam referenciado desde cedo. Nada disto obsta a que os melhores dêem de imediato o salto. O que eu defendo é que, os que aos 20 anos/22 anos ainda não puderam mostrar realmente o que valem tenham mais uma oportunidade. Sendo que, integrados numa categoria de Elite, devidamente enquadrada, lhes dava espaço de manobra mais do que suficiente.
Porque nós temos muitos jovens de real valor. Muitos mais do que aquela meia dúzia que as equipas Profissionais, no quadro actual, aproveitam.
E os outros? Já alguém se preocupou com eles?

E, aproveitando para fazer a “ponte”, justifica a existência de um pelotão não-amador.

Até porque – e os mais cegos são os que não querem ver – há, no actual panorama, equipas profissionais que o não merecem ser.
Não há outra solução. Ou então expliquem-me qual poderá ser.

Das dez (ou nove, ou oito, ainda não sabemos) equipas profissionais que temos, eu não permitiria que metade delas o fossem.

Mas isso fica para o próximo artigo.

364.ª etapa


HOJE SOMOS MUITOS,
AMANHÃ SEREMOS MAIS!...

Foi com inegável agrado que li há pouco, no Cyclolusitano, que a minha cara amiga Maria João Gouveia está de volta. Enquanto esperamos que a SuperCiclismo regresse - como é que há tantos amantes da modalidade e se deixa acabar assim a única publicação especializada que tínhamos? - ela, definitivamente mordida pelo bichinho, está agora a colaborar com o site Ciclismo24 e no blog AllSports. Para sustentar esse vício, não é Maria João? Eu sei bem como é. Entretanto, serve esta entrada para reforçar o que ontem escrevi. Há, de facto, cada vez mais sitios na web dedicados ao Ciclismo. Sítios em português. Embora não mate (nem fira sequer) a minha paixão pelos jornais de carne e osso, de facto estamos em plena revolução na área da Comunicação. E - embora já tenha tido visto a notícia, ontem, nos telejornais - hoje pude confirmar, ao receber em casa a TIME que EU sou uma das Personagens do Ano. E na capa está mesmo a minha cara. Quero dizer... eu vejo-a no espelhinho que eles lá montaram na frame de um moniotor de computador.
Entretanto, e espero que os camaradas do AllSports não se importem - somos todos uma única família -, vi lá uma notícia que vem mesmo a propósito daquela coisa das peñas, sobre as quais escrevi no trabalho sobre o Futuro do Ciclismo em Portugal (estou quase a chegar às alegações finais).


Sabiam que está em pleno desenvolvimento
o Clube de Fãs da União Ciclista da Maia?
Aposto que já te inscreves-te Sara!...

E aqui é que vem a parte do espero que os camaradas do AllSports não se importem. Piratei-vos o desenho da nova camisola da equipa do Manel Zeferino, para 2007. Sinceramente espero que não se importem. Com um grande abraço para a cada vez maior - e mais rejuvenescida - família do Ciclismo. E um Bem Vinda à Maria João a este Mundo da Blogosfera.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

363.ª etapa


CICLISMO PORTUGUÊS, QUE FUTURO?
PRÉ-CONCLUSÃO – I


O que é que, no meu ponto de vista, se pretende então como reestruturação do Ciclismo em Portugal?

Antes, vou falar de outras duas coisas. É fundamental não perdermos o contacto com o Ciclismo que se faz por esse Mundo fora. Pelo menos pela Europa, onde mora o Ciclismo com maior impacto em nós. Quer continuando a ter corridas no Calendário Internacional, quer criando condições para que mais equipas portuguesas, e de e uma forma mais assídua, vão correr lá fora.
A segunda é a que consigo ver isto a cohabitar com uma outra ideia que sei ter os seus adeptos, adeptos que também vêm a empenhar-se nisso e que é tentar a remodelação do Ciclismo português a partir de um recuo, talvez estratégico, opção essa que significaria o fechar das portas internacionais e reduzi-lo – creio que apenas temporariamente (até porque depois haveria de haver projectos em crescendo que, naturalmente, quereriam alargar os seus horizontes) – a algo totalmente nacional.

É uma ideia que ainda não consegui interiorizar completamente.
Porque não a percebi na sua totalidade.
Fechar o Ciclismo português numa redoma já não me parece grande ideia, e fica por explicar como seria que as necessárias medidas para o revitalizar seriam levadas a cabo, uma vez que é impossível deixar de, ainda que indirectamente, estar obrigado aos regulamentos da UCI.

Então como é que eu consigo ver uma cohabitação entre estas duas correntes de pensamento? Fácil. E já o disse à pessoa com quem troquei algumas ideias. Pessoa que me merece o maior dos respeitos, a quem reconheço autoridade para opinar sobre o tema e cujo nome só não ponho aqui porque não lhe pedi permissão para isso e não sei se ele o quereria.

Eu acho que não podemos ter 10 equipas profissionais, partindo do princípio que ser-se profissional só o será na sua plenitude se poder competir com outras da mesma igualha, sejam elas de que países forem.
Ele acha que poderíamos continuar a ter 10 equipas profissionais para o tal novo ciclismo à portuguesa. Não entendo.

Creio ter percebido que o principal argumento é o de que, à esmagadora maioria dos sponsors em Portugal não aquece nem arrefece a apresentação da equipa que apoia além fronteiras porque, tomando como certo que o apoio apenas visa publicitar a sua marca, não sendo esta comercializada lá fora…

E vejo nisto – não no argumento supostamente vindo dos sponsors, mas de quem é director de uma equipa – uma inequívoca falta de ambição.

Dez equipas portuguesas – num cenário em que nenhuma teria de se apresentar lá fora, logo, sem necessidade de quaisquer reforços estrangeiros que trouxessem mais valias (para quê?) – todas mais ou menos ao mesmo nível e um calendário q.b. para que os rapazes não ficassem muitas semanas sem competir.
Onde é que isto nos ia levar?
Também não sei.

Mas há nesta ideia algo de aproveitável e eu estou a vê-lo claramente.

362.ª etapa


CICLISMO PORTUGUÊS, QUE FUTURO?
PRÉ-CONCLUSÃO – II


O Ciclismo em Portugal precisa – passe a expressão – de um chuto nos fundilhos, mas um chuto para a frente, e não num proteccionismo sem razão de ser que o feche ainda mais em si próprio.

Já percebi – navegando horas na www – que há uma nova geração de amantes de Ciclismo, geração essa que, tendo aprendido o básico sobre a modalidade, em Portugal – incluindo quem foram os seus principais artífices – tem como padrão o Ciclismo da mais alta roda.
Chegados aqui é fácil de perceber que, para não virmos a perder essa camada de apoiantes, que é ainda mais importante porque tem à sua frente uma longa vida (é o que desejo a todos), não há volta a dar. Só há uma solução: integrar, à força, se necessário, o Ciclismo Português nessa realidade.

Impossível? Não é nada!
Primeiro passo: reduzir drasticamente o número de equipas Profissionais. Não sei se quatro não seria termos já uma a mais. Seriam as mais importantes – num ponto de vista meramente de visibilidade na CS – e albergariam os nossos melhores Corredores? Mas, sem dúvida.

Três, ou quatro equipas Profissionais, com orçamentos semelhantes aos das suas congéneres europeias, com mais garra e maior ambição, porque nós somos capazes de chegar onde outros nunca chegaram. Fomos no passado e continuamos a ser. Deixemos de ser preguiçosos.
Claro que há corredores suficientes para fazermos quatro boas equipas para competir no Calendário Internacional. E não, não advogo nacionalismos bacocos. Se fosse preciso procurar reforços falantes de outras línguas… o objectivo é o de termos equipas competitivas. Capazes, já não digo de ganhar tudo, mas de lutar sempre por todas as classificações, em qualquer prova onde pudesse vir a estar, isso era o mínimo que exigiríamos.
Ah!, aquela equipa da Maia de 2002 e 2003…

O que vou a escrever a seguir faço-o com o mais profundo dos sentimentos. Como é possível, em vez de se tentar ocupar aquele lugar que tanto prestígio trouxe ao Ciclismo Português, se pode advogar um Ciclismo doméstico. Remediado. Só para salvaguardar empregos?
Queremos, exigimos, ambição.
Mas é que é uma ambição vinda de todos. Não só dos sponsors, não só dos directores-desportivos… e os Corredores? São ou não ambiciosos?
Caramba! Para terem um empregozinho certo, com ordenadozinho certo…
É que esta Modalidade é tão exigente. Pede-vos tanto. Tanto trabalho, tanto sacrifício…
O que é que paga isto?
Lutar por um lugarzinho no passeio dos famosos não vos atrai?

Mas recuperemos então a tal versão do Ciclismo preferencialmente doméstico.

Não falei dos jovens adeptos, aqueles para quem – provavelmente – o Ciclismo é o que acessam através da web – por mero acaso. E, mesmo sendo ridículo (ao pôr aqui uma pergunta que sei ninguém está a ouvir), pergunto: sabem ou não que, em Espanha, ou em França, há mais Ciclismo para além daquela meia dúzia (esticada) de equipas que vemos no Giro, na Vuelta e no Tour?
Claro que sabem.
Há as ProTour; há as Profissionais; há as Continentais… mas não acabam aqui, pois não?

Quem – eu faço-o mais por obrigatoriedade profissional – segue as Voltas à Normandia onde temos tido o Tavira, descobre equipas das quais nunca havia ouvido falar (ou lido). São as Elite francesas. Que têm um calendário extraordinário. Mas em Espanha também há.

Agora (já que fui ridículo uma vez, que mal faz sê-lo de novo?) quem é que me responde a isto: Porque é que a categoria Elite está perfeitamente diluída em Portugal? Claro que há Elites em Portugal. Integrados em duas ou três das equipas mais conhecidas dos Su-23 e noutras das quais, confessemos, nunca ouvimos falar. E a prova é que, nos Campeonatos Nacionais lá aparecem, de vez em quando, corredores – estou a lembrar-me de uma caso concreto, mas que já não sou capaz de situar no tempo – de um clube da Figueira da Foz. Que fazem tempos muito longe dos profissionais. Mas a mais não são obrigados.

Quantos Elite temos em Portugal? Quantas equipas só de Elite?
(O curioso é que aparecem alguns também nas equipas mais vocacionadas para os Veteranos)

Em França chamam-lhe Taça Nacional de França. É um conjunto de provas para Elites (as 2.12, afinal de contas) – que recebem também, para engrossarem os pelotões, equipas com corredores Sub-23 e algumas convidadas estrangeiras. Como tem acontecido com o Tavira. E o José Marques, ou agora o Vidal Fitas, que testemunhem a competitividade oferecida por essas equipas.

Não são equipas reconhecidas como Profissionais. O que só é autorgado às inscritas na UCI. O termo não-amadoras – usado no futebol, para as II e III divisões - é perfeitamente adaptável.
Se as equipas podem pagar o suficiente para que um Corredor não faça mais nada – e é o que geralmente acontece – tudo bem. Senão… naquelas divisões do futebol há estudantes e jovens com outras profissões. O Ciclismo também se corre, maioritariamente ao fim-de-semana. Como o futebol.

E é assim que eu antevejo a tal cohabitação entre projectos Profissionais e não-amadores.

Precisamos de equipas Elite. Precisamos de um Calendário definido para esta categoria (que é o actual .12) e assim teremos hipóteses de termos mais uma dúzia e equipas seniores num escalão que acho fundamental existir para servir de transição entre os Sub-23 e os Profissionais.
Ou não sabem que em Espanha são contáveis pelos dedos de uma só mão os jovens Sub-23 que saltam um degrau e se tornam logo profissionais? Aliás… leiam os regulamentos e confirmem o que vou escrever. nas equipas ProTour é que os atletas que Sub-23 passam automaticamente a Profissionais. Nas restantes Classes mantêm o seu estatuto de Sub-23, mesmo que com um contrato com uma equipa Profissional.

domingo, dezembro 17, 2006

361.ª etapa


CICLISMO PORTUGUÊS, QUE FUTURO?
FUNDAMENTOS – I


Precisamos de uma equipa que compita ao mais alto nível internacional.
Primeiro, porque temos, de vez, que deixar de ser miserabilistas. De autocomensurar-mo-nos, aceitando, sem um esboço sequer de luta, que somos uns pobres coitados, afastados do centro do Mundo. Que é este o fado que nos foi concedido e que o melhor a fazer é conformar-mo-nos. Não!...

Segundo – mas não menos importante –, porque Portugal tem, de facto, um rol suficiente de corredores de qualidade que merece mais do que andar por aqui a fazer voltinhas.

(Sem ponta de desprimor em relação a qualquer organização, seja ela qual fôr).
Apesar de a maior fatia se limitar a cumprir aquele tal fado.

O facto de sermos periféricos não pode ser desculpa para ninguém se atrever a dar um passinho maior. Antes pelo contrário, deveria fazer com que tentássemos alargar a passada. Inovar. Surpreender.
Não foi assim que nos lançámos ao Mar Oceano e acabámos por demonstrar ao Mundo que mares há muitos? E oceanos também.

Nada no meu passado me liga ao Ciclismo.
Em minha casa nunca houve uma bicicleta. É verdade!
Entrei na Modalidade… quase diria a contragosto, mas rapidamente aprendi a amá-la. Claro, para amá-la foi preciso ir conhecendo-a. Foi o que fiz. Nunca me deixei ficar pelos encontros casuais, episódicos. A partir de certo momento deixei de poder viver dela afastado, por isso, procurei formas que me permitissem uma ligação quase permanente. Claro que há.
Há livros, há jornais (novos e velhos; velhos, principalmente), há pessoas a ela ligadas há muito tempo. Fiz amigos, estreitei laços, perguntei, quis saber…
Ouvi.
Ouvi muita coisa. Tanta que, mesmo sem que nada no meu passado me ligue ao Ciclismo, consegui preencher espaços vazios e fazer, mais ou menos sólido, os meus conhecimentos sobre a modalidade.
Vale tudo.

Um recorte de jornal aqui… 15 minutos de conversa com um velho acompanhante (estou a lembrar-me do Chico Araújo) ali… E depois do surgimento da Internet, todo um manancial de informação que não me canso de consumir.

Ao Ciclismo português fui-o aprendendo com a prática, vivendo-o muito por dentro, nos últimos 16 anos. Ao Ciclismo, no geral, busquei conhecê-lo usando tudo o que estava ao meu alcance.

E porque, sem falsas modéstias, me reconheço o mínimo de autoridade para tocar no assunto, aqui está este trabalho. Quase a entrar na sua fase crucial.


Não tenho pretensões.
Nunca isso me preocupou.
Tenho dados que não muitos terão e sobre eles firmei uma opinião.
É isso que quero compartilhar.
Há quem, ciosamente, tente esconder dos demais que sabe em quantas cores se decompõe o arco-iris. Isso dá-lhes segurança. Um falso sentido de segurança. É que, ao não tentarem sequer partilhar essa informação, fugindo ao tema, acabam por ignorar que o segredo é do conhecimento de todos. Não vale um chavo, portanto.

E – estarão vocês a perguntar-se – onde é que irá encaixar mais este desvio de rota?
(É verdade que sou mesmo difícil de ler?)

Vai encaixar-se no facto de haver quem bem poderia ajudar numa pequena revolução do nosso Ciclismo mas que, porque se julgarem donos únicos – já viram a incongruência? - de determinados conhecimentos, se recusam a partilhá-los com todos. Acham que assim garantem uma certa superioridade. Coisa vã. Vazia. Que não serve para nada a não ser para alimentar os próprios egos. E isso não serve a mais ninguém. Pior. Isso não tem servidão nem para os próprios. Se sabem e não dizem, ninguém sabe que sabem.

Era bom que, quem tivesse ideias viesse a público sem medos de as apresentar. É isso o que eu estou a fazer. Daí (mais) este pequeno desvio da rota.

Mas eu não perdi o fio à meada.

Não o percam vocês também.

360.ª etapa


CICLISMO PORTUGUÊS, QUE FUTURO?
FUNDAMENTOS – II


Voltemos então ao assunto, que ficou naquela parte do malfadado fado que, por manifesto miserabilismo temos tendência em aceitar até porque, à falta de melhor, serve sempre de desculpa.
Esfarrapada. Digo eu.

Não somos nem temos que ser pequeninos e pobrezinhos.
Em nada.
Nem no Ciclismo.

Isto, que a seguir vou escrever, já o escrevi antes e melindrou meia dúzia de espíritos mais sensíveis. Lá terá que acontecer outra vez.

Portugal não precisa de ter dez (ou nove, ou oito…) equipas pobrezinhas no pelotão UCI. E o facto de que elas existem é que, ano após ano, somos confrontados com “defesas de honra” mais ou menos nestes termos: “Com o nosso orçamento e com o nosso plantel, mais não podíamos ter feito…”

Mas será que precisamos mesmo destes “sacrifícios”?
Eu digo que não.

E reentro então na tal linha inicial de pensamento.

O Ciclismo português precisa, para ontem, de uma reorganização estrutural que evite estas obrigações de se sair para a estrada sem as condições que devemos considerar mínimas.

E sou levado a olhar a questão, não pelo lado das equipas; não pelo lado das pessoas que insistem em fazer equipas, mas pelo lado de quem escolheu ser Corredor profissional. Certo que, a montante deste também há quem precise de garantir o seu modo de vida. Ok. De acordo. Mas não o façam esquecendo o artista principal. Que é o Corredor.

De que nos servem projectos efémeros? Ou de continuidade duvidosa?

E estamos a chegar ao quente da questão.

Defendo que a Federação Portuguesa de Ciclismo não deve tomar como primeira preocupação o ciclismo profissional. Mas podia – devia e, é a minha opinião, aqui TEM que – tomar uma posição.

Portugal não tem uma economia que lhe permita sustentar dez equipas profissionais de ciclismo.
Há, pelas minhas contas e, principalmente – tentem fazer o exercício – na projecção que faço do número de corredores que, ano após ano, chegam à idade de se enquadrarem na categoria de elite, material humano de sobra para termos oito, nove, dez… até mais equipas num patamar que insistimos em não preencher. Que é o de Elites não-amadores.

Qual é a diferença?

Ora vamos lá todos ler os regulamentos (que são públicos), e tratemos de ver as diferenças.

A diferença entre as Equipas Continentais UCI e as não-amadoras, Elite de Clube, são só a favor destas últimas.
Seguros obrigatórios reduzidos aos de responsabilidade civil, ausência de descontos para a Segurança Social – porque os corredores o serão na forma de prestadores de serviço, a recibo verde (o que já acontece nas Continentais) – e um calendário que, com os devidos ajustamentos (não era preciso muito, não era…), seria praticamente o actual.
Falta a Volta a Portugal.
Pois é.
Mas… hoje em dia, qualquer aldeiazinha de Portugal tem uma equipa de futebol. Fazem-na a pensar ver os seus jogos na Sport-TV? Ai não?
Então onde é que o Ciclismo tem que ser diferente?

O Ciclismo português precisa – urgentemente – encontrar quatro ou cinco projectos que, ancorados ao Calendário Internacional, lhe dêem visibilidade.

Há muito ciclismo em Espanha para além da Illes Balears, da Euskadi e da Saunier Duval. E todo ele cimenta a sua razão de existir no facto de a modalidade, focada naquelas três equipas de Topo, ser um excelente veículo publicitário. Um bom negócio.
Sem vender gato por lebre.

E eu volto a insistir na regionalização das equipas.
Vivemos numa Europa das Regiões. Verdade que aquelas que se quis impôr em Portugal logo me pareceram mais votadas a encontrar tachos para alguns elementos partidários do que para outra coisa, mas não deixei de acreditar numa divisão territorial menos centralizada.
Regiões onde o poder local fosse… mais local.
Em Portugal, se se conseguir fugir àquela tendência de encontrar lugares para os boys, não teríamos mais do que oito. Para além das duas grandes áreas metropolitanas. Minho, Nordeste, Beira Interior, Beira Litoral, Vale do Tejo, Alentejo, Oeste (para o separar da grande Lisboa) e Algarve.

Olho para isto e olho para Espanha.

Porque é que o País Basco tem a SUA equipa de ciclismo?
Porque é que a Galiza criou a sua?
Porque é que – embora os projectos tenham falhado, cada um ao seu nível – a Comunidade Valenciana e Múrcia tiveram os seus?
Porque é que a Andaluzia e a Extremadura continuam a ter?

Certo que, em todos estes casos, antes de chegarmos ao Ciclismo já há uma Economia devidamente regionalizada. É evidente que uma empresa implantada na Galiza, achando oportuno o investimento no Ciclismo como veículo publicitário, não negará o seu apoio a uma equipa de Ciclismo que nasça nessa região.
E conta, desde logo, com o apoio do consumidor, também ele arreigado do espiríto regionalista.

Mas, e, como acontece connosco, se não há regiões, como fazer?
É claro que há regiões. Estejam elas definidas em mapa ou não.
O Alentejo é o Alentejo. O Algarve é o Algarve. O Oeste é o Oeste.
Qualquer desculpa que fuja a esta realidade é mera… desculpa.

Eu vejo Portugal com uma equipa de TOPO e com três a quatro equipas PROFISSIONAIS.
E, como forma de as financiar, vejo exactamente esta questão da regionalização de paixões.

Consolidadas em equipas existentes ou a criar.
Mais à frente hei-de expor um organograma mas, antes disso, o que eu queria era que interiorizassem esta necessidade.

Espero que continuem a seguir-me.

359.ª etapa

CICLISMO PORTUGUÊS, QUE FUTURO?
DESENVOLVIMENTO - II

Onde eu quis chegar com as três peças anteriores é que acho fundamental reforçar a prospecção e ampliar a base de formação mas que tal não me parece viável se não se tiver nada para oferecer aos jovens. E o que é que se pode oferecer a um jovem que gosta de praticar Ciclismo e que, a dada altura, resolve que o que quer ser é Corredor? Chegar a Profissional, como primeira meta, para depois, provadas as suas qualidades, sonhar com muito mais?
Uma estrutura que lhe garanta uma progressão segura. Sem hiatos nem saltos no escuro. No mínimo, que lhe proporcione fazer do Ciclismo a sua profissão.

Ora, para isto, e ao mesmo tempo que se trabalha na base, é necessário redefinir o topo da pirâmide. Quero dizer, não poderemos deitar tudo (o que existe) abaixo e recomeçar a construir o edifício de raíz. Aí, agora, no momento dessa eventual medida drástica, não haveria mesmo nada que se oferecesse a quem fosse aliciado para vir para o Ciclismo.

E recupero a imagem das escolinhas de futebol.
Porque é que há tantas? Porque a procura é grande. E como é que se justifica esta recentíssima febre pelo aprender a dar os primeiros pontapés numa bola?
(É que o desabrochar espontâneo de talentos, nas peladinhas de rua é, em definitivo, coisa do passado. Já não se joga à bola na rua. Já não há aqueles campeonatos entre a Rua de Baixo e a Rua de Cima, da minha meninice.)
Os miúdos querem ir para uma Escola de Futebol porque querem ser como os seus ídolos.
E a mera hipótese de o seu rebento vir a ser um novo Cristiano Ronaldo ou um novo João Moutinho convence os pais a investirem no que, na esmagadora maioria dos casos, não passará nunca de um entretenimento – com a vantagem de se educar as crianças no sentido de gostarem de Desporto e de os habituar, cedo, a trabalharem em grupo –, entretenimento esse que, os da minha idade (e mais velhos) encontravam nas tais peladinhas de rua. No muda aos 5, acaba aos 10.

Como repararam, sublinhei a palavra ídolos, lá atrás.

Em Espanha, depois de em 1988 Pedro Delgado ter ganho o Tour e, principalmente, depois de em 1991 Miguel Induráin ter vencido o primeiro dos cinco que arrecadou, aconteceu um verdadeiro boom no que respeita ao número de jovens que, de repente, escolheram ser corredores. Queriam (sonhavam) poder um dia ser como os seus ídolos.
E depois a onda estendeu-se. Os asturianos recuperaram o mito de José Manuel Fuente e os cantábros, o de Vicente Trueba. Depois igualado por Oscar Freire, triplo campeão mundial de Estrada; os castelo-leoneses, mormente na região de Salamanca, criaram peñas (uma espécie de núcleos ou casas, como têm Sporting e Benfica, só que individualizados) de apoio a José Maria Jimenéz e a Roberto Heras. Os manchegos fizeram de Oscar Sevilla a sua bandeira.

Claro que nas suas cidades, nas suas regiões, havia ciclismo antes disso. Havia corredores que se destacavam dos demais, mas eram aqueles que apareciam na televisão, nas grandes corridas e lutando em pé de igualdade contra outros ídolos, de outras paragens, que conseguiam reunir sob as respectivas bandeiras a grande fatia de aficionados.

E a paixão destes fiéis seguidores é a valer. Lembro-me da Vuelta de 2002, a que terminou com um crono individual cuja meta foi levantada em pleno relvado do Santiago Bernabéu, quando Roberto Heras partiu de amarelo (ou dourado, como queiram) e era candidato à sua segunda vitória na prova.
Eram incontáveis os autocarros vindos de Béjar, de toda a província de Salamanca, com milhares e milhares de apoiantes. E quando Aitor Gonzalez venceu o contra-relógio e a Vuelta, foram centenas os que não conseguiram suster as lágrimas e o desalento. Tal qual acontece quando Benfica ou Sporting perdem o Campeonato ou a Taça no último dia, na última jornada, no último minuto…

Ídolos.

Temos que fabricar ídolos para, por arrastamento, dar toda uma dinâmica nova ao ciclismo.
A partir da base.

358.ª etapa


CICLISMO PORTUGUÊS, QUE FUTURO?
DESENVOLVIMENTO - III

Mas como é que se fabrica um ídolo?
Na verdade, os ídolos nascem normalmente, como todos. Depois demonstrarão que, numa ou noutra especialidade, são superiores aos demais. A parte do fabricar – devia escrever: consolidar – a figura que passará a ser amada (idolatrada) pelos apaixonados da modalidade cabe, sem dúvida, à Comunicação Social. Não desistir das figuras entre corridas, trazê-las amiúde até mais próximo dos adeptos, dá-los a conhecer de forma a que estes acabem por se identificar com ele, criando, assim, aquela empatia que leva, volto ao exemplo espanhol, à criação de peñas. Clube de fãs.
Entrevistas nos jornais, que mostrem o homem por detrás do corredor. Conversas interactivas na rádio, com os ouvintes a porem perguntas. Reportagens na televisão que mostrem aquilo que já se leu e que já se ouviu.
Isso faz-se no futebol.
Isso faz-se em várias modalidades, noutros países. Na verdade, fabricar um ídolo não é mais do que dar ao seu público matéria para que este, de alguma forma, se reveja num ou outro aspecto que caracteriza a figura que passará a idolatrar.

E, falando do candidato a ídolo, este tem de saber vender a sua imagem.
Eu sei muito bem o quão difícil será mostrar-se disponível para os jornalistas no final de uma etapa extenuante, mas são essas palavras, sejam elas de alegria ou de desalento, que os seus mais fiéis seguidores querem ouvir, ou ler no dia seguinte. É chato ter que abdicar de algum do pouco tempo livre que pode usufruir, mas ele – o candidato a ídolo – tem que o arranjar para receber os jornalistas em sua casa. Para ser fotografado a segurar o seu filho numa pequena bicicleta, a acariciar o seu cão… mostrar aquela parte da sua casa onde mais gosta de estar. E dizer o que faz nos tempos livres. Em cada um destes aspectos dezenas de admiradores vão identificar-se um pouco mais com ele.

Já para não falar no aceitar sem reservas a necessidade de se deslocar a escolas, falar com os mais novinhos. Para além de serem potenciais futuros admiradores, estes vão depois contar aos pais, que já o são. E é assim que uma figura vai conquistando a eternidade pois, enquanto formos lembrados não deixaremos de existir.

Eu sei que às vezes parece que fugi ao tema destes escritos. Não é isso. Tal como uma casa, tal como qualquer coisa que se constrói, para a erguer segura é preciso, para além dos alicerces, também a ir escorando aqui e ali. Para que não caia.
Com as ideias acontece a mesmíssima coisa.
A maioria dos que me está a ler só vai achar algum interesse ao assunto assim que eu escrever que defendo a existência de uma equipa portuguesa no pelotão de topo mundial. Só que, até lá chegar, eu vou tentando dar consistência à ideia de forma a que não seja lida apenas como um mero exercício de quem não tem mais nada para fazer.
E no final, tudo isto fará o seu sentido.

sábado, dezembro 16, 2006

357.ª etapa


CICLISMO PORTUGUÊS, QUE FUTURO?
DESENVOLVIMENTO I

Depois do Intróito que deixei escrito há alguns dias atrás, prossigo agora com aquilo que não tem prentensão de ser mais do que é: a minha opinião em relação à forma como o Ciclismo português se deveria reorganizar.

Depois do escrito na citada peça introdutória, reclamo agora que é necessário – e que é urgente que se faça – dar um corpo à estrutura da modalidade. Um novo corpo.
E quando defendo isto creio deixar claro que não acho que TUDO está mal no Ciclismo português, o que significaria que seria preciso fazer TUDO de novo. Mas algumas mudanças são inevitáveis.

E a primeira coisa a fazer teria que ser mesmo a de garantir saídas profissionais para quem, em dada altura da sua vida, escolheu o ser Corredor para profissão.
A primeira coisa a fazer é criar – ou fazer funcionar – uma cadeia de ligações naturais que possa assegurar a progressão na carreira.

Por muito mal que esteja – e está – a vida em todos os cambiantes profissionais, uma das áreas mais problemáticas é mesmo o Ciclismo. Se até aos 16 ou 17 anos ainda é possível aos atletas encararem o Ciclismo apenas como actividade complementar à principal, que será (ou devia ser) a de estudante, a partir de júnior seria bom que eles tivessem a noção clara de que, optando por uma carreira profissional, teriam a funcionar uma estrutura que lhes garantisse a tal progressão normal da carreira. Sendo que, inevitavelmente, o apertar do crivo, no que respeita à qualidade, acabaria por deixar alguns de fora. Mas isso é o que acontece em qualquer ramo de actividade. Na míngua da procura face à oferta, serão os melhores aqueles que vão ser escolhidos. O que eu constato é que actualmente não existe, de facto, uma linha contínua na estrutura do Ciclismo que possa alimentar a ambição de muitos jovens. Da grande maioria.
Por isso, chegados à idade de escolher um curso universitário a debandada é quase geral.

Claro que sobram corredores para ir mantendo viva a modalidade, mas é com os que ficam pelo caminho – e quantos são aqueles que até poderiam vir dar excelentes profissionais? – que teremos que nos preocupar.
Mas não só.

Na antecâmara do profissionalismo temos a categoria de sub-23, na qual muita coisa já mudou (para melhor) mas falta ainda pegar algumas pontas soltas.

Esta é a tal idade em que, definitivamente, muitos têm que optar.
Queriam, tinham vontade e jeito, para enveredarem pelo profissionalismo mas o futuro fecha-se-lhes na cara.

Malgrado o inverter da tendência que vinha a ser a prática, e que já proporcionou, por exemplo na temporada finda, a vários jovens com menos de 24 anos mostrarem-se na principal montra do Ciclismo indígena, o futuro, para – outra vez – a maioria deles continua a ser algo de nebuloso.
E no caso de uma temporada menos conseguida? Com que tolerância podem contar?
Às vezes nenhuma. Vejam-se os casos de jovens que, depois de um ano como profissionais ficam, num abrir e fechar de olhos, sem equipa.

Vêem o Ciclismo, enquanto profissão, fechar-lhes as portas e vêem-se, não raro, desorientado quanto ao futuro.
Que fazer? Voltar atrás e retentar a progressão académica de forma a assegurarem o futuro ou procurar desde logo outro meio de vida?

Está aqui a faltar um elo na tal cadeia de que falei.

Aos 20 anos (até aos tais 23) um jovem é perfeitamente capaz de conciliar uma actividade escolar com o Ciclismo. Como outros fazem, noutras modalidades. Pode exigir alguns sacrifícios, exigi-lo-ão, de certeza, mas – voltando pela terceira vez ao caso – havendo à sua frente um mínimo de garantias de que ser profissional depende apenas dele, do que fizer, do que mostrar vir a ser capaz de fazer – por certo pensará duas vezes antes de abandonar, de vez, o Ciclismo.

E eu venho a falar de carreiras académicas mas poderia estar a falar de outras opções.
Chegados à idade de tomarem nas suas mãos a construção da sua própria vida, o que eu defendo é que é preciso estender no tempo o período em que cada um terá de optar. Até para que o faça em consciência.

São marcantes as diferenças entre a categoria de sub-23 e a entrada no circuito profissional. Falta aqui um patamar na pirâmide do nosso Ciclismo. Uma categoria intermédia, que até possibilitasse a co-existência de uma segunda actividade, e que desse mais tempo aos candidatos a profissionais para, primeiro: por um lado, percebessem eles próprios se tinham ou não capacidades para virem a optar pelo profissionalismo; segundo: para que os futuros empregadores tivesse, também eles, mais uma oportunidade para aquilatarem das qualidades do candidato a profissional.

Os que tiverem menos problemas de memória estarão ainda lembrados que, não há muito, as equipas profissionais portuguesas preferiam ir buscar jovens espanhóis ao aproveitarem os melhores da categoria sub-23 nacional. Há dois anos, com predominância para este 2006, essa tendência alterou-se mas o motivo foi exactamente o mesmo. Antes era mais barato (numa relação qualidade/experiência/custo) ir buscar um espanhol de 24 anos do que um português de 23. Agora recorre-se mais ao produto interno, mas não estou certo que se mantenha válida aquela equação.
Creio, apesar de, aparentemente, os resultados contrariarem a minha tese, que o terceiro factor foi o que prevaleceu.

As consequências ainda não são mesuráveis. É preciso deixar correr mais uma época. No final da próxima temporada veremos quais as esperanças que ainda se vão manter no pelotão principal e quais os que, não por culpa própria – em definitivo –, vão ver-se em dificuldades para conseguirem progredir na carreira.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

356.ª etapa


O QUE OS "DESPORTIVOS"
NOS DERAM SOBRE CICLISMO

Estamos em plena época baixa, é verdade, mas, ainda assim, pus-me a contabilizar o espaço que cada um dos jornais desportivos dá ao ciclismo.

Ou que deu nos últimos 45 dias.
De 1 de Novembro até hoje.

Primeira conclusão:

é cerca de seis vezes inferior
ao espaço dos dois concorrentes
– que se equivalem – aquele que
O Jogo dedicou ao ciclismo
neste mês e meio.

Tomando como referência

o facto que, em média,
as três secções de Modalidades
– uma em cada um dos jornais –
tiveram quatro páginas diárias,
A BOLA e Record dedicaram,
diariamente, ao Ciclismo
cerca de 3,125% do seu espaço.
Com ligeira vantagem para A BOLA.
N’O Jogo essse espaço
pouco passou do…
meio por cento.

Adoptanto outros parâmetros,

A BOLA concedeu, em média,
um quarto de página/dia ao
Ciclismo, nestes últimos 45 dias.
O Record ficou ligeiramente
abaixo (muito pouco) e O Jogo
não foi além do espaço equivalente
a uma breve por dia.

Os gráficos que deixo à vossa

apreciação dão uma ideia
mais clara do espaço
que o Ciclismo mereceu
por parte de cada um
dos desportivos.
Isto vale o que vale,

apesar de as conclusões
terem assentado
na observação do espaço real
que foi dado a esta modalidade,
dia após dia.
Agora, digam vocês da vossa justiça.
Ficaram surpreendidos? Não?


(Nos gráficos, as linhas horizontais representam a média do espaço em cada um dos períodos em análise.)