sexta-feira, agosto 31, 2007

835.ª etapa


UMA EXPLICAÇÃO,
MAIS DO QUE UMA JUSTIFICAÇÃO

Há quem me leia, há quem se abstenha de comentar – sem que isso signifique, de todo, que concorda comigo –, mas, felizmente, há quem use do seu direito à indignação. Porque, ou não percebeu bem onde eu quis chegar, ou – é capaz de ser o mais certo – porque eu não soube explicar-me.

O VeloLuso é o meu “diário”. Aquela agendazinha onde apontamos as coisas mais relevantes que nos vão acontecendo no dia-a-dia. Conotado com uma determinada fase das nossas vidas – a adolescência, por exemplo – isso não significa que não possamos manter um diário.
Um sítio palpável – como um caderno ou uma agenda – ou, lançando mão das novas tecnologias, um Blog.

Apesar de tudo, das curvas e contracurvas pelas quais o VeloLuso já passou, ele não deixa de ser o meu diário enquanto amante do Ciclismo.
Onde vou escrevendo, dia-a-dia, o que penso sobre esta ou aquela novidade. Existe, contudo, uma considerável diferença em relação aos diários convencionais.


Está aberto a respostas. Ao contraditório.
Embora também a outras manifestações muito menos… politicamente correctas.
Se, vindas de alguém a quem reconheça estatuto para o fazer, esses comentários apenas enriquecem o Blog.
Em relação aos outros comentários, é claro que vinga a minha maior ou menor pachorra no momento. E todos nós temos momentos.

Bons, uns; nem tanto outros.

E também dependendo desse estado de espírito, podem acontecer contra-argumentações mais ou menos… politicamente correctas. Para manter a mesma designação.

Ora, aqui há dois ou três artigos atrás escrevi que, ao fim de tantos anos durante os quais não foram poucas as vezes em que eu discordei publicamente das opiniões do Professor José Santos, apareci a dizer que… agora concordo com ele.

Só os burros não mudam de opinião. E eu não sou burro.

Aqui abro um parêntesis para dizer que tentei contactar o professor através do endereço de mail que dele tinha, mas que era da… Carvalhelhos-Boavista. Por isso não terá chegado ao seu destino.

Entretanto, não houve quem não tivesse perdido a oportunidade de, para o meu mail, me chamar de “vira casacas”.

Foi o termos menos ofensivo.

Porquê? Exactamente porque eu assumi publicamente – até já neste Blog – posições contra as ideias do professor José Santos. E agora apareço a dizer que concordo com ele.

O que é que mudou?
Se se recordam, esse artigo vem na sequência do facto de a UCI ter “decretado” que um determinado Corredor – o Alexandre Valverde, no caso – não será aceite nos próximos mundiais. Isto, enquanto ele anda a correr, a competir noutras provas e, outros que também constarão – mas isso só se saberá quando as autoridades judiciais espanholas libertarem os documentos – da tal mesma lista não são alvo da mesma descriminação.

E por isso, há umas semanas atrás eu escrevi aqui que… assim não dá!
A UCI não se entende com a AMA, esta não se entende com os departamentos dos diversos estados que têm no seu pelouro a luta contra o doping; a Organização do Tour não se entende com a UCI… e eu, a partir destes dados, chego à conclusão que o Ciclismo-espectáculo – que aquilo que todos querem – não terá viabilidade se se mantiver sob a alçada das federações, logo, sobre a alçada da UCI.
Não tem.

E lembrei-me de que há muitos anos o Professor José Santos fala de uma Liga Profissional de Ciclismo que, mantendo uma representação na Assembleia-geral da Federação Portuguesa de Ciclismo, a substitui em tudo o que tem a ver com o Ciclismo profissional.
Exactamente o que eu aqui defendo, numa perspectiva mais global.
Mas não seria justo insistir nisso sem recordar – a uns – e revelar à maioria que há, pelo menos seis ou sete anos que o Professor José Santos defende essa ideia.

Tentei falar com ele… mas na mudança de telemóvel perdi o seu contacto.
Tentei o tal mail… mas essa era o da Carvalhelhos…

Sei que devia ter falado com ele antes de lançar, assim, o seu nome numa “guerra” que – desta vez – não foi ele quem lançou.

Como tenho esperança de que ele leia isto, ou alguém o fala ler… voltei ao assunto.

Com a falência, em termos desportivos, das federações, o futuro do Ciclismo poderá mesmo passar pela criação de Ligas Nacionais, Profisionais que envolveriam, para além das equipas, também os organizadores.

Estou muito orgulhoso em relação à Organização da Volta a Portugal – que, por acaso, também organiza mais quatro das sete provas internacionais portuguesas – e não creio que fosse muito difícil encontrar-se uma plataforma sobre a qual construir o Novo Ciclismo.
Certo que a PAD/JLSports organiza a Volta numa concessão da FPC.

Mas… que aconteceria se esse acordo fosse denunciado e a empresa do João Lagos continuasse a organizar a Volta?
Não era a Volta a Portugal?
E quem pegaria na Volta a federação?

E as equipas, escolheriam participar em qual?
E se, em vez de equipas – como acontece, e têm, obrigatoriamente de estar filiadas na federação… surgissem Sociedades Autónomas Desportivas (sim, as mesmas SAD, como há no futebol e… no ProTour?)

A questão, indo directo ao assunto e sendo curto e grosso, é esta: as actuais equipas não conseguem mais nem melhores patrocinadores porque tudo é “arrastado” pelos múltiplos casos de falta à verdade desportiva. E, mais dia, menos dia… acabam.

A solução?
Criar Sociedades Autónomas Desportivas, numa figura jurídica diferente da dos clubes desportivos e sem a obrigatoriedade de se inscreverem na federação. E como competiam? Criava-se a tal Liga, de cujos órgãos de topo, para além dos representantes das SAD, fizessem parte as principais Organizações, escapando, também elas – e aqui não há obrigatoriedade nenhuma de se estar ligado à federação – à estrutura caduca que vai gerindo o Ciclismo, quer o Nacional, quer o Internacional.

O resto é NEGÓCIO.

O que significa que o terceiro parceiro teria que ser um operador de televisão.

Mas isto parece-me que é o mais fácil.

E qual seria a grande diferença, a maior diferença?
Não era a liberalização do doping, como os “puros” argumentarão.

Mas aquilo que já acontece. As equipas teriam de ter médicos responsáveis pela gestão atlética dos corredores. E os médicos, esses, não escapam à sua respectiva Ordem, pelo que, teoricamente, nenhum acto médico atropelaria o que os clínicos juraram quando terminaram os seus cursos.

Eu sou um ser humano normal – embora já haja quem tenha posto em causa as minhas actuais capacidades intelectuais, noutras palavras, me tenha considerado louco – e nos últimos 20 meses fiz, exactamente, 40 análises sanguíneas. Uma de 15 em 15 dias.
O meu hematócrito tem variado entre o 41 e os 43 por cento.
(Tive curiosidade de verificar isso.)

Ora, se o que a UCI/AMA definiram como limite máximo foram os 50 por cento, implicitamente deixaram a porta aberta para que, com o devido apoio médico, aquele nível fosse potenciado. Até aos 50 por cento.
E toda a gente anda no limite.

O perigo é que alguns lá chegam sem o necessário e não dispensável apoio médico.
Isto é só um exemplo.

E volto a frisar: o que interessa às televisões, sem que, com isto, esteja a transferir para elas o negativo da coisa, é que haja espectáculo.

O que, afinal de contas é o que TODA A GENTE QUER.

Se a UCI/AMA resolveram fazer do Ciclismo o bode expiatório da dopagem generalizada em TODOS os desportos de alta competição – e se não há mais casos é porque lá estarão, como devem estar, os médicos a zelarem pela saúde dos atletas – era um FAVOR, deixar àquelas entidades apenas a obrigatoriedade de controlarem… as camadas mais jovens e… as classes de veteranos, que é, no Ciclismo, onde acontecem mais casos de positivos.

O desporto associativo – que culminará sempre numa federação – deve ser o primeiro a merecer a atenção das federações, da UCI e da AMA.

Ao profissional, deixem que se preparem – devidamente acompanhados – de forma a poderem chegar a qualquer grande corrida e poderem dar o ESPECTÁCULO que dela se espera.

E deixem, de uma vez por todas, de tentar caçar os Corredores de bicicletas.

Querem um exemplo – que não posso provar, é evidente, mas sobre o qual tenho tanta certeza como aquela de que não vou conseguir fazer mais do que um acerto no Euromilhões esta noite?

Acham que aqueles pilotos que amanhã se vão exibir sobre o Douro, entre o Porto e Gaia, entram para o seu avião… limpinhos da silva? Acham? Céus!...

E o menino Jesus nasceu numa caverna numa manjedoura, e foi aquecido por um jumento e uma vaca… o que nunca mais em 20 séculos foi necessário, para a esmagadora maioria das crianças recém nascidas. Às quais basta o regaço das mães para as manter quentes…

Por isto tudo, porque, e cada vez mais me consciencializo disto, acho que o Ciclismo Profissional tem de abandonar os bafos de um jumento e mais de uma vaca protagonizados pelas associações e federações.

Por isso, recordei lá atrás, no tal artigo – porque jamais seria capaz de assumir como minha uma ideia de outrém – que o Professor José Santos tem razão.

E sabem que mais? É possível voltarmos a ter uma Volta a Portugal com três semanas.

834.ª etapa


UMA VUELTA QUE PODE ESCONDER SURPRESAS

Começa amanhã mais uma edição da Vuelta, a sexagéssima segunda.
A nossa Volta a Portugal leva-lhe sete edições de avanço.

Não vai ser uma corrida fácil. Nunca o seria, é verdade, mas já li que este é o traçado mais acessível dos últimos anos. Teóricos. Amantes do Ciclismo, não vou ser eu a pôr isso em causa… mas uma opinião de quem não sabe o que é, exactamente, o Ciclismo.

Repare-se… ao quarto dia sobe-se até aos Lagos de Covadonga; a etapa seguinte tem o Puerto de La Palombera a apenas 20 quilómetros do final… ; na 9.ª etapa escala-se até ao cimo da estação de esqui de Cerler e no dia seguinte entra-se em Andorra. Para mais uma chegada a Arcalis.
Tudo isto antes do primeiro dia de descanso.

Pelo meio, e antes de Cerler, acontece o primeiro crono.
Em Saragoça. Quase 50 quilómetros. Sob uma temperatura que rondará os 40/42 graus e, é quase certo, com um vento, sopre ele de onde soprar, nunca deixará de ser uma condicionante a ter em conta.

Não. Não é um traçado fácil.
Não há as tradicionais subidas na Comunidade Valenciana, em Aragão ou na Andaluzia?

Pois não. Mas volta a Serra de Madrid/Ávila com o alto de Abantos. A dois dias do final da corrida e na véspera do segundo crono, a disputar em Collado-Villalba.

Entram aqui – pelo que li – em contradição os “defensores” das corridas com menores dificuldades, as tais que levarão os corredores – alguns corredores – a “verem-se obrigados” a recorrer a métodos proíbidos. É que são os mesmos que defendem que as corridas não deveriam ser tão violentas que agora peroram contra a falta de dificuldades… que cavem diferenças.

É uma Vuelta muito equilibrada. Talvez a mais equilibrado desde que, em 1997 me estreei no pelotão da Comunicação Social portuguesa que já teve o privilégio de seguir, no terreno, uma Vuelta.

E, com todas as condicionantes que sabemos, a verdade é que, neste momento, tentar fazer previsões de quem é que sairá numa hipotética primeira linha de candidatos como potenciais vencedores… é um exercício académico.

Por isso eu não dou palpites.
Esperemos. Os Lagos marcam sempre algumas diferenças. Depois há o crono de Saragoça e logo a seguir as etapas de Cerler e de Andorra.

Por essa altura, não sei se já haverá candidatos assumidos à vitória final. Tenho é a certeza de que alguns dos nomes que amanhã lerei na Imprensa, findo este ciclo, antes do primeiro dia de descanso, já estarão completamente de fora.

Espero, sobretudo, que seja uma Vuelta sem casos.

Que seja uma corrida que nos ofereça grandes espectáculos… e que ganhe o melhor.

quinta-feira, agosto 30, 2007

833.ª etapa


ESTAMOS TODOS CONTIGO, MANEL...

Faleceu ontem, vítima de acidente cardio-vascular, o pai do Manuel Cardoso, essa grande esperança do Ciclismo Nacional.

O funeral acontecerá amanhã, ao fim da tarde, para o cemitério de Paços de Ferrreira.

Ao jovem Manel Cardoso deixo aqui expressas as minhas mais profundas condolências...

832.ª etapa


PROFESSOR... SEM COMPLEXOS, SEREI O PRIMEIRO
A DIZER QUE SEMPRE ESTEVE CERTO!

Há no Ciclismo – e refiro-me ao NOSSO Ciclismo – pessoas que jamais havemos de saber se delas gostamos – no sentido de concordar – ou se são, em definitivo, pessoas que hão-de sempre pertencer à facção que olhamos como de… oposição.

Claro que há-de haver quem se coloca de um lado ou do outro e que, segundo essa posicionamento… concorda ou não comigo.

Num meio onde, e apesar de tudo, não abundam os que têm coragem suficiente para expor – e, mais do que isso, defender – as suas ideias, salva-se uma pessoa.

O Professor José Santos.
(Professor, na maioria das vezes estivemos em lados opostos na barricada, mas se ler isto, ou alguém o levar a ler, concordará comigo. Burro é quem finca o pé e não abdica de uma ideia, esteja ela certa ou errada. Como tudo na vida, o Ciclismo sofre mutações e, aquilo que eu já defendi – isto numa relação directa com o que o professor defendeu – parece-me, a mim, que mudou.)

Como eu não sou burro, nem sou exactamente “apêndice” - E GOSTO MUITO DE PAGAR OS MEUS ALMOÇOS! - de ninguém… e como – e sei que o professor me reconhece isso – sou capaz de “ler” o que está a acontecer… se calhar aproximámo-nos.
Ou eu me aproximei daquilo que, sei, defende há muito tempo.

Não tenho o mínimo problema em admitir isso.

Pior seria seguir defendendo opções nas quais, nessas sim, em definitivo, já não acredito.
Falta-me apenas uma peçazinha neste autêntico puzzle.
Ou não falta… é uma questão de tentar perceber…
E essa peça seria matearilizada numa única questão: o Professor vem, desde há muito, a defender a criação de uma LIGA de Ciclismo Profissional…

SÓ contra a Federação Portuguesa de Ciclismo… ou em termos globais?

É aqui que reside a minha única dúvida.
Porque eu, desde há algum tempo, estou cada vez mais próximo da ideia da criação de uma LIGA de ciclismo profissional.

Desconfio que pelas mesmas razões e aí, o Professor leva-me vantagem.
Mas insisto… Não consigo ter a certeza de que os motivos do Prof. não se ficassem apenas pela dificuldade de relacionamento com a FPC.
Enquanto eu já estou por tudo… e digo que a UCI deixou de ter condições para gerir o Ciclismo Profissional.

Por tudo o que antes já escrevi.

E, de repente, eis que se me assoma à memória as velhas, grandes, mas sempre proveitosas, discussões que tive com o professor José Santos.

Ele poderá negá-las… se achar que não foi bem assim.

Mas porque raio vem este assunto aqui parar?
Exactamente pelo descrito…

Eu não acreditei na “visão” do Professor José Santos mas, perante a realidade que vivemos – e estou a falar agora do Ciclismo Mundial – já não consigo perceber muitas outras hipóteses que não passem por uma LIGA profissional gerida pelos principais interessados, que são equipas e organizadores, deixando às federações – e à UCI – apenas a formação.
Que foi para isso que foram formadas.

Professor, você conhece-me… já trocámos argumentos… mas sabe uma coisa?

Estou com vontade de voltarmos a “falar”… já que não poderá ser de outra forma… o Professor tem o meu mail.
(Claro que serão conversas particulares!...)

831.ª etapa


MAS QUEM É QUE TEM O DIREITO DE DIZER...
"ESSE" NÃO QUERO!

Leio que a União Ciclista Internacional (UCI) vetou a presença do espanhol Alejandro Valverde nos Campeonatos do Mundo. Isto, ao mesmo tempo que se prolonga o suspense sobre a participação, ou não, de Erik Zabel na mesma competição.
Mas a mim não me interessam nomes. Sim atitudes.

A UCI tem um Conselho de Disciplina… que é suposto analisar e julgar os casos que, putativamente, violem as regras da modalidade. Que regra violou o Valverde?

Não, não posso aceitar meras suspeitas.
Quando há uma suspeita acciona-se um processo disciplinar.
Este é tratado pelo Concelho de Disciplina e… mediante os argumentos apresentados, quer pela defesa, quer pela acusação… decide-se.

Ninguém, em pleno século XXI pode ser “condenado” por… suspeitas.
Há alguém – neste caso um organismo, ou uma secção desse organismo – que tem o dever de apurar a verdade e, só depois de ter chegado a conclusões não refutáveis… declarar uma pena.

Não aceito – e creio que a maioria dos Homens de Boa Vontade concordarão comigo – que haja alguém, sustentado por… nada, diga:

Este corredor, não! Não o queremos: esta equipa não, não a queremos.

As equipas, as do ProTour… têm 25/27 corredores. Seguindo a mesma política que levou a douta UCI a dizer não, não queremos o Valverde… a Vuelta – porque é a prova que se segue – poderia dizer… não queremos este, aquele e aquele corredor.

Não que eu concorde com estas decisões atentatórias à presunção de inocência, mas, pelo menos, não “matavam” a oportunidade de se apresentarem numa grande volta aos outros… 24 ou 25 corredores da referida equipa.

E tudo isto nasce a partir da total desorganização interna da UCI.
Eu já o escrevi aqui e não me importo nada de o repetir.
Hoje, agora, a UCI perdeu totalmente o controlo sobre o Ciclismo.
Com alguns tiros bem em cheio no próprio pé.
Em relação ao doping, desde há alguns anos que está institucionalizada outra organização, a AMA. Logo, o que a UCI teria que fazer era… pressionar a AMA para que esta mostrasse o trabalho para o qual os seus elementos são pagos.

Há dopados? Penalizem-se!...

Ficar a meio caminho, quando um corredor nunca foi apanhado num controle anti-doping e é… vetado pela sua própria federação internacional (sei lá… eu se calhar até aceitava que a AMA tivesse dito… “temos suspeitas sobre o Valverde… por isso não corre…”, se calhar – porque partiria do princípio de que estava a ser, de facto, um trabalho de investigação… credível -, se calhar eu nem dizia nada.

Agora… é assim.
Nem a AMA apanhou o Valverde para além do risco. Muito menos a UCI… então… porque é que o Valverde vai ser queimado na fogueira destes inquisidores do século XXI?

Eu só não vou mais além porque… digo eu, estas atitudes persecutórias poderiam ser discutidas num fórum que se sobrepõem a todos estes arremedos de Comissões.

E porque é que a federação espanhola fica queda e muda perante esta atitude da UCI?

Um dia destes serei desmentido por notícias concretas que penalizam, de facto, e assentes em processos judiciais normais (digo, democráticos) e que darão razão à UCI.

Estavam comprometidos os nomes vetados.
Então, e insisto, porque é que não funcionou a estrutura disciplinar interna da mesma UCI?
É uma boa questão, não é?
Mas eu não sou desta guerra.

A UCI JÁ NÃO MANDA NADA no Ciclismo.
Não vendeu a alma, foi pior do que isso… vendeu bocadinhos da alma a diversos compradores. E ficou refém deles.

Valha aos seus membros – vergonha para eles – que os deixam continuar como estão. Avença choruda e cartão de crédito ilimitado.

Porque raio haveriam de querer reendireitar o Ciclismo?

830.ª etapa


OS MAL-AMADOS CIRCUITOS

Termina a Volta mas o Ciclismo não vai de férias.
Ainda há por aí umas corridas por etapas por cumprir, mas nestas duas últimas semanas realizaram-se quatro Circuitos – todos eles já com tradição, levantados por gente anónima que o faz apenas por amor ao Ciclismo – e ainda uma corrida de dois dias, organizada pela Barbot.

Hoje em dia os adeptos indefectíveis já sabem como e onde procurar os resultados. A mesma sorte não tem quem apenas procura nos jornais ou não tem internet, ou está menos à vontade na sua utilização.

Repito, todas estas provas tiveram anunciados os seus resultados, em mais do que um sítio na rede global, mas para quem ainda não sabe como procurar, ou deixou passar a altura e para que agora não tenha que ir à busca, dia a dia, deixo aqui, no VeloLuso os três primeiros em cada uma delas.

Dia 19 de Agosto
Circuito da Malveira

1.º, Tiago Machado (Riberalves-Boavista)
2.º, Fernando Sousa (Madeinox-Bric-Loulé)
3.º, José Martins (Vitória-ASC)
Dia 20 de Agosto
Circuito de São Bernardo (Alcobaça)
1.º, Gilberto Sampaio (Vitória-ASC)
2.º, Lizuarte Martins (Madeinox-Bric-Loulé)
3.º, José Rodrigues (Vitória-ASC)
24 e 25 de Agosto
Volta a Gaia
1.º, Bruno Neves (LA-MSS-Maia)
2.º, César Quitério (Liberty Seguros)
3.º, José Rodrigues (Vitória-ASC)
1.ª etapa
1.º, Bruno Neves (LA-MSS-Maia)
2.º, César Quitério (Liberty Seguros)
3.º, José Rodrigues (Vitória-ASC)
2.ª etapa
1.º, Hernâni Brôco (Liberty Seguros)
2.º, Manuel Cardoso (Riberalves-Boavista)
3.º, Bruno Neves (LA-MSS-Maia)

27 de Agosto
Circuito da Moita (Marinha Grande)
1.º, Nuno Marta (Madeinox-Bric-Loulé)
2.º, Pedro Costa (Vitória-ASC)
3.º, Manuel Cardoso (Riberalves-Boavista)
28 de Agosto
Circuito de Nafarros
1.º, José Rodrigues (Vitória-ASC)
2.º, Tiago Machado (Riberalves-Boavista)
3.º, Cândido Barbosa (Liberty Seguros)

Entretanto, e no último domingo realizou-se nas serranias à volta de Madrid (Espanha), o também tradicional Circuito de Los Puertos (montanhas) que teve como vencedor Hector Guerra, da Liberty Seguros.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Nota.1

Não me fui embora...
Não morri (ainda)...
Só que temos dias e os dois últimos não foram grande coisa.
Tenho aqui notas sobre o que gostaria de escrever... vou guardá-las.
Mais 24 horas...
Neste tempo morto... vou-me questionando se vale a pena!...
Avolumam-se as dúvidas...

Nota

Nestes quase dois anos de VeloLuso, já tive que temporariamente condicionar os comentários por causa de alguns excessos. Mas acho que nem esses eu apaguei.

Apaguei agora dois comentários que não tinham nada de excessivo, nada de ofensivo... eram dois comentários como quaisquer outros.
Bem escritos até.

Então porque os apaguei?
Quando da última vez que senti necessidade de moderar os comentáros, ao retornar à normalidade ter-me-á escapado a desabilitação de comentários anónimos.
Foi por isso que os apaguei.
Anónimos, aqui, não!
Se eu dou o exemplo...

Eu dou a cara. Por isso, toda a gente que quiser comentar, e todos estão convidados a fazê-lo, terá também que se identificar.

segunda-feira, agosto 27, 2007

829.ª etapa


NÃO DEIXA DE SER UMA BOA QUESTÃO.
PERTINENTE (MUITO), PELO MENOS...

Estava eu a escrever o artigo sobre o Hector Guerra e, mais ou menos ao mesmo tempo, estava o Jorge a perguntar-se - tem toda a legitimidade para isso - se a aposta da Liberty Seguros, na Volta a Portugal, foi mesmo a melhor.

Pois é Jorge... terá sido?
Que foi aligeirada a responsabilidade do Américo com aquela queda do Guerra na chegada ao alto da Senhora da Assunção... isso foi.

É por isso - e perdoem-me o que a seguir vou escrever - que eu acho que falta coragem quando se discute o Ciclismo Português.

E vai já uma explicação muito minha mas que, peço desculpa, não admite contradição.
O Ciclismo Português, sendo ele estruturado como é... não admite discussões académicas em relação à nacionalidade dos corredores que compõem as diversas equipas.

E não admito, mas é que não admito mesmo e reagirei em conformidade, que me digam que a Maia, por exemplo - e é o melhor exemplo - ganhou quatro Voltas a Portugal com corredores estrangeiros e depois virem reinvidicar como vitórias "nossas" a do Andrei Zintchenko (LA) nos Lagos de Covadonga; do Claus Möller em Aitana - ambas na Vuelta - ou do Fabian Jeker na Volta às Astúrias.

Não há disso. De nacionalidades.

E seria o mesmo que confessar que o primeiro título internacional do FC Porto, em futebol, não contava, porque os golos foram apontados por um marroquino, Madjer, e por um brasileiro, Juary.

Mas voltemos à questão em discussão...

Deveria o Américo Silva ter dado liberdade ao Hector Guerra para discutir, por si, a Volta?
Poderia ele ter dado o segundo triunfo à equipa de Vítor Paulo Branco?
Não!...

Não e o problema não é do Américo Silva.
Nem será, indo a fundo na observação da corrida, de qualquer outro técnico.

O Cândido Barbosa é - quem teria a coragem de dizer o contrário?, até porque não há... contraditório - o Corredor que os portugueses QUEREM que ganhe a Volta.
O técnico da sua equipa não tem hipóteses de escolha.
Nem o Américo... nem, nenhum outro.

Por isso, e apesar dos "recados", o Cândido vai ficar na Liberty.
Porque nenhuma outra equipa com pretensões a ganhar a Volta o contratará.
Ou então o Cândido terá que ter a coragem - nunca duvidei que a tem, e não é isso que estou a querer dizer - de se passar para uma equipa de segunda dimensão.

Mas abreviando, porque, de facto - amanhã há mais uma via sacra a cumprir nos corredores do Hospital de Santa Maria - tenho mesmo que ir embora... o Cândido é neste momento o homem que todas as equipas querem ter... e que NENHUM director-desportivo quer...

Percebem o que quero dizer, não percebem?

Dúvida


Como jornalista, em part-time, acompanhei várias provas de ciclismo.
Uma dezena de Joaquim Agostinhos, duas ou três Alentejanas e uma Volta a Portugal. Por isso, até porque aos Directores Desportivos em Portugal não lhes acontece o mesmo que aos treinadores de futebol, entrevistei por diversas vezes a maioria deles.

De todos, uns mais afáveis, outros mais reservados, Américo Silva era sempre um dos mais disponíveis. Por isso, que fique bem claro que não tenho nenhuma pedra no sapato em relação ao DD da Liberty.

Mas como estou aqui como adepto, não posso deixar de deixar aqui esta minha dúvida.
Será que aposta de Cândido Barbosa para vitória na Volta foi a melhor?

Claro que é muito fácil depois do jogo terminado enviar palpites. Mas não é essa a função do adepto?

Ontem, em Espanha, Hector Guerra venceu a Clássica de Los Puertos, deixando, Alejandro Valverde a 41 segundos, na segunda posição.

Não estará Américo Silva já arrependido do excesso de nacionalismo?

828.ª etapa


HIPP, HIPP!... GUERRA!

Só uma pequena nota para sublinhar uma quase dívida de gratidão para com um Corredor.

Ele foi o "motor" do Cândido Barbosa nas quatro etapas que o de Rebordosa ganhou. Ele foi o poço de força que, na Torre, foi bem ao fundo de si buscar novas forças para - ainda que aproveitando uma boleia - voltar à frente para fazer o mesmo... travar as próprias pernas de forma a cumprir ordens superiores.
TINHA QUE SER O CÂNDIDO...

Ontem este Corredor, definitivamente acima da média - se o Benfica quer um reforço, não pensem no Cândido, pensem no Guerra! -, ganhou uma das provas de fim de temporada, em Espanha.

Daquelas que, semelhantes no seu objectivo ganham, de forma miraculosa, espaço nos jornais portugueses quando as suas congéneres portuguesas são quase ignoradas!

O que será mais importante para o Ciclismo português?

Noticiário dos circuitos da Malveira, de Nafarros (eu sei que ainda não aconteceu), da Moita... ou a Clássica de Los Puertos?

Então porque é que, na babuja do dinheiro ganho facilmente, indo buscar resultados onde TODOS os cidadão vão, que é à Internet, os COLABORADORES dos jornais não perdem um Copy&Past da net... mas não conseguem um telefonema para a Malveira?

Nem para o Hoaspital de S. José. Nem para aquele onde, ainda hoje, o Joaquim Andrade recupera do acidente?
Há-de haver uma explicação..
..............

Mas pronto, chega de lamentações. Daqui a pouco pareço um autarca a queixar-se de falta de verbas para a construção de um polidesportivo. Mesmo que as pessoas, para poderem ter uma consulta médica, tenham de ficar na rua e a partir das 5 da manhã.
Ok... entrei em terrenos perigosos.
Não há culpados.
Pelo menos enquanto autarcas e governo jogarem "ping-pong" com o que resta da vida de cidadãos que trabalharam durante 60 anos... porque no seus tempos de meninos, começava-se a trabalhar... menino ainda.
........

O que eu queria aqui destacar era a GRANDE vitória do HECTOR GUERRA (Liberty Seguros), na Clássica de los Puertos, nos arredores de Madrid.

E porque agora não posso ficar mais... - prometo voltar ao assunto amanhã - não saio sem antes lamentar profundamente a IGNORÂNCIA - e é um homem que eu conheço, um senhor já com alguma idade, daqueles a que temos vontade de chamar... avôzinho, mas um jornalista que eu RESPEITO MUITO - só que o Chema Bermejo NÃO PODIA ESCREVER, em relação ao Hector Guerra... que ele é um modesto corredor.

Os jornalistas espanhóis não descriminam apenas os corredores de outras nacionalidades. Diminuem os seus próprios compatriotas só porque... nunca antes tinham ouvido falar deles.

E o facto de ter ido aos livrinhos buscar que Guerra passou pela Mountain Bike, e nem uma referência fazer ao facto de ele ter ganho o crono final da recente Volta a Portugal e de ter sido sempre - mesmo na Torre - o fiel escudeiro de um "senhor" que se calhar lhe hipotecou as hipóteses de discutir a Volta a Portugal, apesar de o conhecer pessoalmente e de, pela sua já provecta idade, continuar a respeitar o Chema... a vontade que tenho é de lhe dizer:

Tio llegou la hora de tu jubillación. Gracias por todo... vaya a disfrutar de lo resto...

827.ª etapa


NOVAS SOBRE O QUIM ANDRADE

Não é desculpa - e começo a ficar preocupado comigo mesmo por assumir isto como... obrigação! - mas ontem não me sobrou muito tempo. Por exemplo, para dizer que o Joaquim Andrade está a melhorar das mazelas que sofreu aquando do último Circuito da Malveira.
A Liliana, a sua esposa, teve a amabilidade de responder às minhas preocupações em relação àquele que, acho eu, é o único Corredor no activo que já corria quando eu, timidamente, passei a integrar a família do Ciclismo.
De facto!

Renovo aqui os meus desejos das mais rápida melhora para o Quim...

Vais ver, tu vais voltar como novo e eu, depois de quase dois anos de ausência forçada, voltarei a fazer-te uma entrevista...
... é o que mais quero!...

(Se estavam à espera, os EDITORES, dos jornais "desportivos" que eu aqui falasse da FALTA DE EXPLICAÇÃO para um acidente como este, que aconteceu ao Joaquim Andrade - não é um Corredor qualquer, com o devido respeito pelos outros - pois já falei. PORQUE É QUE NÃO LI UMA ÚNICA EXPLICAÇÃO? O que sei foi pela televisão...)

O Joaquim Andrade - e o Ricardo Martins, CAMPEÃO NACIONAL, em título, no contra-relógio - não é (não são) exactamente uns atletas quaisquer... trabalharam, trabalham muito, para poderem estar ao seu melhor nível.

São vítimas de, pelo menos, negligência, em termos de segurança, por parte de uma ORGANIZAÇÃO - tenho pena que tenha sido a do Circuito das Malveira, mas... foi!

Eu sei que o Joaquim Andrade - um atleta como tantos outros, que já representou Portugal por diversas vezes - é "apenas" um Corredor...
... NÃO! NÃO ACEITO. NÃO RECONHEÇO NADA.

NÃO ACEITO E ACUSO: se fosse um pontepeador de bola de futebol... até a PUTA DA UNHA ENCRAVADA DAVA MANCHETE!
Não quero mais nada...

Um atleta de eleição, veterano já... - não podem dizer que não sabem quem seja - foi vítima de um acidente incomum.

Isso não interessa aos jornais "desportivos"?
Eu não posso dizer mais nada...

Porque eu sei de dezenas de milhares de quilómetros cobrados ao jornal em deslocações locais. Para irem almoçar... ou para usarem o carro alugado em proveito próprio.

(E não me queiram "comer" por parvo, senão falo das "pools" para ir para Alcovhete ou para o Seixal, apresentando, cada um, mais tarde, facturas diferentes... Sou ALENTEJANO, mão não SOU PARVO.)

O que eu queria mesmo era ver uma entrevista com o Quim.
E que os que são pelo ciclismo não se escondam e dêem a cara.
Alguém tem de ser responsável por este acidente.

Quem será o primeiro a ter coragem para ir em busca da justiça?

domingo, agosto 26, 2007

826.ª etapa


T. NAÇÕES (SUB-23), 4.ª ETAPA DO GP TELL
Irregular (35+1+0+31+2),
a Selecção perde dois lugares

Não foi possível defender o 2.º lugar no qual a Seleção de Portugal partira para esta 5.ª manga da Taça das Nações de sub-23. Uma prestação àquém do esperado levou a que fossemos ultrapassados pela França e pela Dinamarca...

Hoje, na última etapa do GP Tell (Suíça), César Fonte (na foto, de Maria João Gouveia) voltou a ser o português melhor classificado. Foi 23.º a 3.27 minutos do vencedor, o suíço Mathias Frank.

A etapa terminava com uma contagem de 1.ª categoria para o Prémio da Montanha.
Ainda não há reacções oficiais.

Classificações

Na etapa, Chur-Arosa, 137,9 km
1.º, Mathias Frank (Sui), 3.41.57 horas
(média: 37,278 km/hora)
2.º, Christopher Froome (Qué), a 1.39 m
3.º, Jakob Fuglsang (Din), a 2.05 m
23.º, César Fonte (POR), a 3.27 m
34.º, Carlos Sabido (POR), a 5.27 m
67.º, Henrique Casimiro (POR), a 16.18 m
68.º, Edgar Pinto (POR), m.t.

Geral Individual Final
1.º, Anton Reshetnikov (Rus), 14.12.44 horas
2.º, Gatia Smukulis (Let), a 1.09 m
3.º, Jakob Fuglsang (Din), a 1.41 m
19.º, César Fonte (POR), a 5.52 m
27.º, Carlos Sabido (POR), a 9.16 m
59.º, Henrique Casimiro (POR), a 29.17 m
63.º, Edgar Pinto (SLB), a 31.44 m

Geral colectiva, final
1.ª, França, 42.37.59 horas
2.ª, Suíça, a 2.23 m
3.ª Cazaquistão, a 4.41 m
11.ª, Portugal, a 31.13 m

Classificação da Taça do Mundo
(após cinco provas)
1.ª, Eslovénia, 89 pontos
2.ª, França. 85
3.ª, Dinamarca, 81
4.ª, Portugal, 69
5.ª, Rússia, 67

825.ª etapa



TAÇA DAS NAÇÕES (SUB-23) – 3.ª ETAPA
Portugueses desanimados

ou… desanimadores?

Esta é uma prova por pontos… no colectivo, e Portugal ocupava o 2.º lugar após a realização das primeiras quatro de seis corridas.
O “prémio” é um lugar na próxima edição da Volta a França do Futuro.

Sem desprimor para nenhum dos atletas chamados… qualquer não iniciado perceberia que ESTA, a que está na Suíça, não é a Selecção Nacional.

Agora, eu confesso… estes resultados na corrida suíça já não interessam?
O objectivo foi já conseguido e este grupo chamado por José Poeira foi apenas assim como que… para este seis gozar um prémio por bom comportamento?
Não sei.
E vou ficar completamente decepcionado se vier a descobrir que, afinal, esta corrida contava mas que não se lhe deu a devida importância.

Apesar de tudo, Carlos Sabido e César Fonte, os dois portugueses com melhor prestação ao fim do quarto dia de prova, até só perderam treze segundos para o grupo que chegou na frente… e Henrique Casimiro (na foto), só perdeu 1.08 minutos…
Ok… 33,3% da equipa que representava Portugal desistiu na etapa de hoje. Não foram muitos, apenas dois… em seis. Numa etapa com 147,2 quilómetros e três contagens de 3.ª categoria para o Prémio da Montanha. Numa corrida com apenas quatro etapas em linha, depois do prólogo inicial… um terço da nossa representação baixou ao carro vassoura.

É esta a real imagem dos sub-23 em Portugal?
Se é… tenho que reformular todas as opiniões que aqui já deixei.

A prova, o Grande Prémio Tell, na Suíça, chega amanhã ao fim com a mais dura de todas as etapas. Que termina com uma chegada em alto.
Que devemos esperar? Que desistam os outros quatro?

Só há uma questão que realmente vale a pena aqui pôr… numa representação Nacional não deveriam estar sempre os melhores?

Foram estes os resultados de hoje:
Etapa
Zell-Zell, 147,2 km
(cumpridos à média de 42,107 km/hora)
1.º, Clemens Fankhruser (Aut), 3.29.45 horas
2.º, Anton Reshentnikov (Rus), m.t.
3.º, Jakob Fuglesang (Din), m.t.
10.º, Carlos Sabido (POR), a 13 s
17.º, César Fonte (POR), m.t.
48.º, Henrique Casimiro (POR), a 1.08 m
71.º, Edgar Pinto (POR), a 6.58 m
- desistiram Bruno Saraiva e Cláudio Apolo
Geral Individual
1.º, Anton Reshentnikov (Rus), 10.28.39 horas
2.º, Catis Snukulis (Let), a 26 s
3.º, Jakob Fuflesang (Din), a 1.48 m
18.º, César Fonte (POR), a 4.33 m
29.º, Carlos Sabido (POR), a 5.57 m
63.º, Henrique Casimiro (POR), a 15.07 m
70.º, Edgar Pinto (POR), a 17.34 m
Geral Colectiva
1.ª, França, 31.24.34 horas
2.ª, Cazaquistão, a 2.54 m
3.ª, Itália, a 3.39 m
11.ª, Portugal, a 13.35 m


Foto editada a partir de um original
de Maria João Gouveia

sábado, agosto 25, 2007

824.ª etapa


ORLANDO RODRIGUES EXPLICA ONDE E PORQUE
A COISA NÃO FUNCIONOU NA VOLTA

Novidade entre nós – algo que é corriqueiro lá por fora, nomeadamente em relação às equipas com maiores estruturas – o SL Benfica fez chegar à Imprensa uma entrevista com o Orlando Rodrigues, entrevista na qual o director-desportivo responde abertamente às questões que lhe foram colocadas.
Mas é um trabalho encomendado a uma empresa de comunicação.
Percebem?

Mas o trabalho está bom. Tendo em conta aquele particular.
Não sei se foi o Orlando que não aceitou fazer, à imprensa especializada, o balanço da Volta, ou se todos se esqueceram disso. E era justificável. Afinal de contas, descontando as normais declarações de interesse das outras principais equipas – e até de outras muito mais suspeitas – o Benfica sempre disse, desde que o projecto foi tornado público que só tinha um objectivo para esta temporada que marcou o regresso do ciclismo encarnado às estradas: Ganhar a Volta!
E não ganhou.

Terá sido o Benfica a rechaçar eventuais pedidos para uma entrevista ao Orlando? Sem que, e voltando ao princípio, estas iniciativas são banais em sociedades desportivas – como a Abarca Sports (Caisse d’Épargne) que todos os dias encontra motivo para distribuir comunicados e/ou entrevistas com corredores seus – veja nenhum mal nisso, fica a ideia de que… se não vieram fazer a vossa entrevista, tomem lá esta.
Institucionalizada, claro!

Mas o Orlando respondeu honestamente e as perguntas nem foram todas… politicamente correctas, como costuma acontecer neste género de trabalhos.
Por isso escrevi que o trabalho está bom. Lê-se. Lê-se e dão-nos até novas perspectivas sobre alguns assuntos batidos ao longo da temporada.

E o Orlando confirmou aquilo que eu já aqui escrevera. De facto, toda a estratégia benfiquista de ataque à vitória na Volta estava montada para a etapa da Torre. E aconteceu o que aconteceu. Primeiro, não fora só ele a pensar nesse dia como o Dia D, depois porque, e ele confessa-o, acabou surpreendido com a força demonstrada pela LA-MSS-Maia (ele não cita nomes de equipas).
Pondo isto em palavras minhas, ele, o rookie dos técnicos presentes, que até teve oportunidade de mostrar que sabe muito mais do que aquilo que dele pensavam – refiro-me à etapa de Beja, claro –, pensou em tudo menos nos muitos anos de experiência e qualidade nata de um estratega acima da média que é o Manuel Zeferino. Para quem, creio que não o escrevi na altura, o melhor cenário possível era exactamente o chegar-se àquela etapa com a Volta por decidir.
Seriam tantos gatos à mesma filhós que dificilmente esta escaparia ao mais esperto, no bom sentido, claro. E isso o Manel é.
Já são muitos anos nisto. E muitas corridas importantes, mais importantes que a Volta ainda, as que já conduziu. Sem perder de vista a Volta, o que é provado pelos números. Nos últimos sete anos ganhou quatro.
Mas estou a fugir ao tema central deste artigo…

A prova de que a entrevista, mesmo tendo sido feita por uma empresa de comunicação – acho eu, que nunca ouvira falar desta Media Monitor (se calhar até estou errado!) –, dizia, a prova de que a entrevista não foi de todo soft vem logo na segunda pergunta: porque foi escalado o Benitez?
Eu também já critiquei esta opção, mas não falei com o Orlando e aceito a explicação dada. As duas primeiras etapas eram-lhe propícias e o Benfica poderia ter vestido a Camisola Amarela em Beja se o valenciano não tem furado. Ainda por cima quando na frente a equipa tentava fazer uma gracinha… eliminar alguns adversários no primeiro dia. Teria sido genial… se tivesse funcionado. Mas não funcionou não por culpa do Benfica. Nisso estou de acordo.

Perdida essa oportunidade – porque, de facto ninguém sabia como o Benitez estava – na segunda etapa deu logo para perceber que isso de coleccionar triunfos ao longo da temporada e chegar fresco à Volta é um pouco um tiro no escuro. Apesar de pouco mais de 15 dias antes o sprinter encarnado ter ganho três das cinco etapas – todas, tirando o crono e a chegada em alto – no Troféu Joaquim Agostinho.

Critiquei a opção, mas também sou capaz de dizer que, provavelmente no lugar do Orlando teria feito a mesma coisa. Imagine-se: a primeira etapa tinha sido a habitual chapa 4 e o Benitez ganhava, vestindo de amarelo. Imagine-se a festa e, mais do que isso. Como, aliás aconteceu com o Martin Garrido, não era impossível levar a amarela até Gouveia… as coisas começavam a pesar psicologicamente para os adversários.
Foi nisso, aliás, que o Américo Silva jogou. Apostou nessa chegada a Gouveia, colocou o Cândido de amarelo e terá dito de si para si “nós já ganhámos uma e já estamos de amarelo… os outros ainda não mostraram nada!”. É lógico. E uma vantagem, em termos de estabilidade emocional muito importante.

Já na questão de se ao Zé Azevedo não terá faltado apoio da equipa na Torre, não concordo com a resposta. Dizer que na montanha são os mais fortes que fazem a corrida e é cada um por si… não é bem assim. Se o Zé tivesse tido um Cabreira… Não é? Pois é!

O resto da entrevista (duas páginas de jornal) mostra-nos o Orlando que sempre conheci. Ponderado, honesto…
Sem deixar de dar valor ao terceiro lugar final colectivo – a pergunta é que foi naïf – assume que para uma equipa com as ambições do Benfica isso “foi menos relevante”. Muito bem.

Depois o trabalho entra em decrescendo.
É evidente que um projecto pensado a cinco anos não vai por água abaixo – sobretudo depois de todo o esforço feito em infra estruturas – só porque não se atingiu o objectivo traçado no início do primeiro ano. Que nunca poderia ser mais do que isso: um objectivo.

E tentar falar de reforços em concreto, numa altura destas quando até nem se pode falar nisso (se os especialistas desconhecem os regulamentos não vou penalizar o entrevistador por este pequeno deslize), terá sido apenas um descargo de consciência. Bem, outra vez, esteve o Orlando ao citar os nomes de alguns jovens da equipa de sub-23 como prováveis reforços. Isso manter-lhes-á a motivação em alto.

E não evitei um esboço de sorriso quando o Orlando diz que o plantel era curto e que para o ano – até porque se perspectivam mais e mais exigentes compromissos – o ideal ter entre 16 e 18 corredores.
Eu escrevi, no balanço à Volta, que 17 é o número ideal de corredores para uma equipa que vai ter que se desdobrar por mais de uma vez.
Não estou a auto elogiar-me. Está escrito.

O trabalho termina com a análise, um a um, dos seus homens na Volta. Só não concordo quando o Orlando diz que o Pedro Lopes, naturalmente o lançador do Javier Benitez, ficou limitado quando a equipa abdicou, por opção, de discutir os sprints. O homem do Benfica que mais vezes vi nas fugas foi o Bruno Castanheira, ora, este devia ter sido um dos resguardados para a tal etapa da Torre e o papel de fugitivo não é de todo desconhecido do corredor algarvio.
Mas pronto. Sentado no sofá, e ainda por cima à posteriori, quem é que não tem agora tácticas milagrosas?

Um abraço para o Orlando que esteve igual a si próprio. Parabéns.

(E agora fica o Luís Almeida a pensar que terá de contratar os serviços de uma empresa de comunicação para que saibamos como é que o Manel Zeferino cozinhou toda a estratégia que se revelou vitoriosa…)

823.ª etapa


POMBAL RECEBE A PRÓXIMA PROVA
DO TROFÉU-RTP (SUB-23)

Disputa-se de amanhã a oito dias, dia 2 de Setembro, a quarta edição do Grande Prémio Caixa Agrícola, em Pombal.

Com partida em Vila Nova de Anços, pelas 14.30 horas, a corrida passará por Soure, Louriçal, Pombal (15.20 horas), Redinha, Alvorge, Rabaçal, Penela e terá a meta em Espinhal onde se espera o pelotão chegue cerca das 16.40 horas.

O meu obrigado ao Fernando Mota que me fez chegar esta informação que, com muito gosto (sempre), aqui reproduzo.

sexta-feira, agosto 24, 2007

822.ª etapa



TAÇA DAS NAÇÕES (SUB-23) – 2.ª ETAPA
E tudo “virou” a leste


Em definitivo, a Selecção portuguesa de Sub-23 não está a dar-se bem com os ares da Suíça, no decurso do Grande Prémio Tell que hoje teve a sua segunda etapa, Oberkirch-Bettisholz (141,2 km), dominada, olhando para os resultados da etapa, pelos jovens de Leste.

Embora com um perfil de constante sobe-e-desce, a etapa só tinha três contagens para o Prémio da Montanha, mas pulverizou o pelotão. Se é que se pode dividir aquilo em grupos, diria que à frente, ainda assim separados por alguns segundos, chegaram seis corredores e depois… mais ONZE grupos.


O melhor português foi César Fonte (na foto), que chegou à meta 4.10 minutos depois do vencedor, marcando, ainda assim, a sua posição como o luso mais bem posicionado na geral individual.
(Assim que tiver o Comunicado Oficial da FPC, reeditarei este artigo, com as explicações do Seleccionador nacional.)


Não!... Já há comunicado mas não há... explicações!
Fiquemo-nos pelos números.

Duros e crús.

Etapa
1.º, Alexandr Pliuschin (Mda), 3.16.34 horas

(média de... 43,099 km/h)
2.º, Anton Reshetnikov (Rus), m.t.
3.º, Gatis Smukulis (Let), a 2 s
28.º, César Fonte (POR), a 4.10 m
52.º, Henrique Casimiro (POR), a 5.23 m
57.º, Carlos Sabido (POR), m.t.
80.º, Edgar Pinto (POR), a 6.08 m
83.º, Cláudio Apolo (POR), m.t.
97.º, Bruno Saraiva (POR), a 8.14 m
Geral Individual
1.º, Anton Reshetnikov (Rus), 6.59.00 horas
2.º, Gatis Smukulis (Let), a 7 s
3.º, Jérôme Coppel (Fra), a 1.33 m
21.º, César Fonte (POR), a 4.14 m
38.º, Carlos Sabido (POR), a 5.38 m
70.º, Edgar Pinto (POR), a 10.30 m
82.º, Henrique Casimiro (POR), a 13.53 m
89.º, Cláudio Apolo (POR), a 14.33 m
99.º, Bruno Saraiva (POR), a 16.45 m
Geral Colectiva
1.ª França, 20.54.40 horas
2.ª Rússia, a 12 s
3.ª, Dinamarca, a 1.28 m
14.ª, Portugal, a 12.40 m

Só deixo no ar uma questão…
Era ou não importante para Portugal ter a Selecção de Sub-23 no Tour de l´Avenir?
Então… o que é que se me está a escapar?



Foto editada, a partir de um original
de Maria João Gouveia

821.ª etapa


ESPANHÓIS REFORMULAM A SUA OPINIÃO
SOBRE O CICLISMO EM PORTUGAL

Podemos, na edição desta semana do semanário valenciano Meta2Mil, ler mais um magnífico – e importante – contributo para a divulgação do Ciclismo português em Espanha. E isso é importante, sim.
Tão perto e tão longe. Foi assim que vivemos durante muitas – demasiadas – décadas. Em todas as áreas. Incluindo, claro está, o desporto.
As coisas mudaram. Estão a mudar.

Começou com o futebol. Há 20 anos. Mais coisa, menos coisa.
Lembro-me da “estranheza” de ver partir o falecido Vítor Damas, mais o Oceano, para o Racing Santander. Mais tarde o Paulo Bento para Oviedo. Todos são ainda recordados nas principais peñas destes clubes. O actual técnico do Sporting ainda vai, quase de propósito, reencontrar velhos amigos à capital das Astúrias.

Muito tempo depois, o Figo, o Simão, o Ricardo Quaresma, no grande Barcelona.
Hoje já são tantos que nem dá para contar…

Mas no Ciclismo também tivemos emigrantes de luxo, em Espanha.

Embora tenha estado quase sempre ligado ao francês Jean De Gribaldy, Joaquim Agostinho chegou a representar a espanhola Kas, tal como José Martins, o pai dos actuais corredores Gilberto e Lizuarte Martins. Também o Acácio da Silva correu na equipa daquela marca de refrigerantes.

Fernando Carvalho, vencedor da Volta a Portugal de 1990, correu na Paternina, Manuel Zeferino na Zor, Manuel Cunha na Clas e Américo Silva foi pedra basilar na Artiach que, em 1993 veio buscar o Orlando Rodrigues à Sicasal. E como a marca de bolachas tinha interesses em Portugal – era a Royal – passou a vir correr cá. E em 1994 e 1995 fez a dobradinha na Volta exactamente com o Orlando Rodrigues.

Para mim, é aqui que começa a Era Moderna de uma ligação entre o ciclismo dos dois países.

O Troféu Joaquim Agostinho, a mais antiga prova portuguesa no calendário internacional, a princípio optou pelo convite a equipas do Leste europeu e isto tem uma explicação, é que nessa altura o Ciclismo europeu (e mundial) estava dividido entre profissional – todos os países a oeste da Cortina de Ferro –, e “amador”, representado pelos países de Leste onde não era reconhecido o profissionalismo para os desportistas.

E o Troféu estava no calendário dos amadores.

Mesmo a Volta, quando passou a internacional, privilegiava as formações italianas…
No meio tempo… Boavista e Sicasal tiveram as suas experiências na Vuelta. Destaque para um excelente 10.º lugar final do Joaquim Gomes, pelos axadrezados.

Quintino Rodrigues, na Kelme, e Vítor Gamito, na MX-Onda ou Estepona, também tiveram as suas oportunidades e depois, e todos sabemos quais as razões, as equipas portuguesas – algumas equipas portuguesas – passaram a recorrer ao excedentário mercado espanhol para reforçarem os seus plantéis.

Bem… a história não será bem assim, também é do conhecimento de todos.
A verdade assenta no facto de que, com um mercado excedentário, é verdade, em Espanha dificilmente – até por vias dos regulamentos – um jovem com 23 ou 24 anos conseguia ascender a profissional. A coisa interessava a todas as partes. Menos aos jovens portugueses que, de um momento para o outro viram tapadas as suas próprias possibilidades de abraçarem a carreira de Corredor Profissional.

Os espanhóis eram mais baratos. Alguns nem custavam nada, eram apostas para o futuro, por parte de alguns empresários que lhes pagavam, eles próprios, os vencimentos, na esperança de que, com três ou quatro resultados relevantes, em Portugal, despertassem então o interesse das grandes equipas espanholas.

E foi assim que se tornaram conhecidos e desejados corredores como Adrian Palomares, David Bernabéu, Santi Perez e mais uma série de outros que, nos últimos três anos e com o crescimento do número de equipas profissionais em Espanha, porque já rodados tiveram a oportunidade que desde sempre esperavam, no pelotão do seu país.

Aconteceu também com Joan Horrach, Vicente Reynes, David Garcia, Juan Gomis, Fran Perez, David Blanco… e tantos outros.
Aliás, nesta última Volta tivemos no pelotão um número considerável de… retornados às nossas estradas mas em representação de formações espanholas.

E há os casos de José Azevedo, que se tornou peça-chave na ONCE; de Sérgio Paulinho… e, claro, das quatro temporadas em que, em corridas espanholas, a Maia-Milaneza obrigou a imprensa espanhola a olhar para cá de Vilar Formoso.

Mas há mais… Quando em 2004 David Bernabéu venceu a Volta, fechava um ciclo de 31 anos desde que o último espanhol tinha ganho a Grandíssima – sinceramente, não sei porque os espanhóis insistem em que nós, por cá, chamamos assim à Volta!, mas é interessante – e nestes últimos quatro anos venceram-na por três vezes.
E aumentou espaço noticioso dedicado ao Ciclismo português.

Eu só vi na televisão, mas terão com certeza reparado que a própria televisão galega esteve a acompanhar algumas etapas, na peugada do David Blanco…
E, apesar do caudal de notícias ser quase imparável, em Espanha, a verdade é que nos últimos meses o semanário Meta2Mil tem sempre dedicado espaço ao que vai acontecendo em Portugal.

Assim, 4900 caracteres depois, volto ao princípio.
(O melhor é continuar noutro artigo… já a seguir.)

820.ª etapa


AS CONFISSÕES DE XAVI TONDO

Podemos, na edição desta semana do semanário valenciano Meta2Mil, ler mais um magnífico – e importante – contributo para a divulgação do Ciclismo português em Espanha. E isso é importante, sim.

É uma entrevista com o vencedor da Volta, o catalão Xavier Tondo. Nada de original, para nós, que lemos em todos os jornais entrevistas com o vencedor da Volta mas, ainda assim, com alguns pontos bastante interessantes.
A começar pelo reforço de que, em Portugal se ama o ciclismo de uma forma apaixonada. Diz o Tondo, e cito: “… corri-a [a Volta] em 2003 e logo me marcou a forma como o público apoiava, e pelo interesse que a Comunicação Social mostrava pela corrida, mas este ano, com a presença do Benfica tudo foi ainda mais incrível. Qualquer dos Corredores que participámos nesta edição da Volta a Portugal te dirá [ao entrevistador] o mesmo: sentimo-nos como autênticos heróis.”

E mais à frente, explicando porque trocou a Relax pela LA-MSS-Maia: “A oferta da Maia era melhor, mas nem foi tanto por isso. O importante, para mim, foi ter percebido desde logo que o [Manuel] Zeferino acreditava em mim. (…) O Zeferino acreditava que eu tinha condições para ganhar a Volta e essa demonstração de confiança para mim foi fundamental. Jamais esquecerei o dia em que assinei contrato com ele.”

E uma curiosa revelação, esta sim: “Depois de assinar o contrato com os directores da equipa, o Zeferino levou-me a jantar a sua casa. Pode parecer um detalhe sem importância, mas demonstrativo que, desde o primeiro minuto queria que eu me integrasse naquela família. E logo nessa tarde começou a explicar-me como são as corridas em Portugal, os percursos habituais das principais provas, a informar-me sobre as principais características daqueles que iriam ser os meus rivais directos, como seriam os meus treinos para a Volta… e estávamos a 10 meses de Agosto!”

O acontecido na 1.ª etapa também mereceu uma explicação: “Cometi um erro e apanharam-me em contra-pé num abanico. Na frente só puxava o Benfica. O Zeferino mandou parar quatro companheiros de equipa para me ajudarem a recuperar. Só o João Cabreira ficou na frente. Foi um grande risco assumido pelo Zeferino e, graças a deus, na frente houve equipas como a Liberty e a DUJA que não colaboraram com o Benfica. Acho que não acreditavam em mim como rival. Mas tenho a certeza de que se o abanico tivesse sido provocado pela Maia, o Zeferino não teria perdoado a ninguém. E os adversários nesse dia perdoaram-me aquele descuido. A partir desse dia não houve mais descuidos. O Zeferino não mais parou, em todas as outras etapas, de estar permanentemente a pressionar-nos, via-rádio. Não nos concedeu nem mais um minuto de distracção.”

Outra passagem interessante. A pergunta: “Conhecendo bem o Zeferino e vendo a subida que fizeste junto com o Eládio Jimenez, pareceu que ali havia um qualquer acordo…”
A resposta, marcada por uma gargalhada: “Bem… há tácticas que não se podem revelar assim… Mas tanto ao Eládio como a mim nos interessava atacar de longe e a tope, para romper a corrida o mais cedo possível. E sim, sou sincero, penso que sem a companhia e a ajuda do Eládio eu não teria ganho a Volta. Porquê? Porque se tenho atacado a solo, de tão longe, não teria aguentado e os outros de certo que me alcançariam. E isso aconteceria numa altura em que eu já não poderia reagir. Assim o Eládio ganhou a etapa, vestiu a Camisola Amarela… ganhámos os dois."

Depois de reforçar que, embora termine o seu contrato em Dezembro, gostaria de permanecer na Maia – “Eles querem passar a equipa a Profissional Continental.” – Tondo responde à derradeira pergunta.
“Como acontece com a maioria dos espanhóis que lá vão correr, parece que não encontras defeitos em Portugal…”

“Estou encantado. Depois do jantar, quando sais para esticar um pouco as pernas as pessoas vêm ter connosco, pedem autógrafos, reconhecem-te, incentivam-te, isto apesar de haver um ídolo inquestionável para os portugueses, que é o Cândido Barbosa. E de eu ser um dos seus principais rivais. As pessoas são muito educadas e mostram que, acima de tudo, gostam de ciclismo e respeitam os Corredores.”

Resumindo. Os milhares de leitores de a Meta2Mil, após lerem a página inteira desta entrevista só podem ter ficado com a melhor das impressões sobre o nosso país e o nosso ciclismo.
Por isso termino como comecei: E isso é importante, sim!

* - A tradução do castelhano para português é livre e de minha responsabilidade.

quinta-feira, agosto 23, 2007

819.ª etapa


ATENÇÃO AMIGOS,
O JORNAL É PARA O "POVO" VER...
OU É PARA OS ENTENDIDOS PUDEREM GUARDAR?

Olha cá estou eu com ele, ainda a cheirar a tinta fresca!
O Jornal Ciclismo, claro.
No seu número 3.
Assinante desde a primeira hora, aliás… ávido, em termos de informação sobre a modalidade… sabendo eu que a data de saída deste terceiro número – por acaso – não coincidia…; dizendo de outra forma, saindo na data certa, atrasaria quase quinze dias a análise à principal corrida portuguesa, todos compreendemos que a sua saída fosse atrasada uma semana.

O que nem todos irão compreender é que, mesmo assim, tudo teve que ter sido feito mais ou menos à pressa. Por isso, prometo aqui, que nem vou bater muito em alguns erros que só podem ter acontecido devido à pressão do fecho.
Eu sei o que é isso.

Mas, porque sei, permito-me deixar um aviso: atenção ao coração!
No fundo, no final de tudo, o que manda sempre é a razão e esta às vezes não bate com o coração.

E num jornal DESPORTIVO, quando até existe um grande motivo para um grande Editorial, que a Volta sempre o é… entrar por um terreno onde os euros valem mais que o esforço dos atletas, não tendo sido fatal, pode vir a revelar-se pernicioso. E provavelmente muita mais depressa do que aquilo que levou o director do jornal a optar por este tema.
Não tinha que…

A única coisa que fica, lido o Editorial, é um enorme, descarado e desprestigiante piscar de olho à Liberty Seguros. A empresa, não a equipa.
Contudo, se com este beija-mão não conseguirem 52 meias páginas… aí sim, serão duplamente penalizados.
Nem fama, nem glória.

Depois – embora esta parte eu perceba melhor – um projecto que eu até aplaudo desde o início, que publicitei, que tenho tentado que amigos subscrevam… ao fim do terceiro número – em 45 dias – sai-se com esta pérola: … Uma Comunicação Social que só se lembra do Ciclismo onze dias por ano!

Zé Carlos, o Jornal de Ciclismo não é o Blog “pedaladas”.
Mando-te por Correio as fotocópias de TODAS as páginas que A Bola, o Record e O Jogo, só deste ano, dedicaram ao Ciclismo… mesmo que sejam só as que dedicaram ao Ciclismo indígena.
Mando por correio… a pagar no destinatário que se aquilo pesa, pelo menos, um quilo e meio (só os recortes).
Acalmem-se!

Ofereceram muitos jornais… Ok. Ainda bem.
Se tivessem que ser vendidos teriam vendidos quanto?
Um por cento? Dois?...

Sendo um crítica é, mais do que tudo, uma chamada de atenção. EU QUERO QUE O JORNAL CICLISMO VINGUE!...
Mas se é para vingar à custa de lamber botas… ok… fica o adepto, mas o Jornalista sai de fininho para que ninguém dê por ele. Porque tem vergonha, claro!

Acho que não havia necessidade.
Já havia Ciclismo antes do Jornal de Ciclismo e vai haver muitos anos ainda depois de o Jornal de Ciclismo acabar.
Ainda vocês não eram nascidos e já havia notícias de Ciclismo.
Vamos todos morrer e vão continuar a acontecer notícias de Ciclismo.
Querer ser homem só por vestir calças compridas é uma má aposta.
E penalizadora para os seus proponentes.

A verdade é que ainda não vimos nada de… realmente novo no Jornal.

Claro que o apoio. Mas não entrem por esse caminho.
Até porque não podem.
Serão complementares às outras informações sobre Ciclismo.

Para já… não são mais do que isso.
Tenham calma, assentem os pés no chão… respirem fundo e tentem descobrir onde é que farão a diferença.
Cá estarei para aplaudia a mãos ambas.

Ok… Aceito que estejam a viver um momento de alguma euforia – eu, no vosso ligar, estaria –, aceito que o Zé Carlos tenha que ter escrito o Editorial à última da hora… em suma, aceito TUDO.
Menos inverdades.
Isso não.

Sou, serei sempre implacável.

Não será que eu também protagonizo inverdades? Ah!... eu não sou diferente dos outros. E fiquem à vontade para me criticarem de cada vez que tiverem motivo para isso.

Zé Carlos, João… vocês vão ser de alguma forma penalizados pelo facto de o projecto ter aparecido… demasiado em cima da Volta.
Que é única corrida que toda a gente vê.

Tirando o editorial, que é perfeitamente descabido – podias, Zé, ter falado de tudo, menos dos aspectos comerciais que é coisa da qual a Comunicação Social deve manter-se afastada –, não nos interessa quem ganhou mais dinheiro em publicidade.
Ou então, quando se escreve sobre isso acrescente-se-lhe o mínimo de apoio técnico…
Não, desculpa, volto mesmo atrás.
Não é assunto para a Comunicação Social. Ponto. Final. Parágrafo…

É de desporto, neste caso, de Ciclismo, que esperamos ter notícias.
Novas.
Não houve!
Este foi o pior dos três jornais que saíram até agora.

Mas eu – repito-me – até compreendo porquê.
O João tinha que fazer o trabalho para O Jogo… o Zé… tinha mil e uma coisas para resolver…
Agora – e é esta a questão que, muito sinceramente, vos ponho, e já explico porquê… – querem do Jornal Ciclismo qualquer coisa que chegue a quem sabe de ciclismo e seja crítico – no caso de haver motivo para tal – ou apenas 20 folhas para, juntas, serem compradas (já alguém quis comprar?) por adeptos em formação?

E a distribuição gratuita?
Toda a gente, desde que seja de borla aceita…
Mas quantos dos que aceitam se interessam pela modalidade?

Não é muito positiva esta crítica.
E só vai à terceira edição porque achei, em consciência, que foi a pior das três.

Já agora, e à atenção do Director do Jornal, Zé Carlos, zela para que no final do trabalho sobre o Joaquim Agostinho seja indicada a bibliografia de onde se tiraram os elementos que serviram de corpo ao trabalho.

É que não é só o Luís Filipe Menezes quem transcreve, no seu Blog, passagens das obras do Miguel Torga.
Há mais quem, pegando em trabalhos literários de terceiros, trabalhos protegidos por direitos de autor, escreva colunas em jornais que, no fim, vão assinadas por si.
E há 15 dias eu andava a ler num jornal, que por acaso é o MEU, passagens de livros que tenho aqui na minha biblioteca, assinados por colegas meus, jornalistas, mas que, ignobilmente apareciam assinados com outras iniciais.


O triste é que, ao fim de tantos anos não tenha estória pessoais para contar. Porque será?
E plagia o trabalho de terceiros.
Mas o que está em causa é a sobrevivência do vosso trabalho.


Já agora, e em relação à... "história" do Joaquim Agostinho, um pouco mais de respeito pelos factos, se fazem favor! O CAMPEÃO merece-o.

Em caso de dúvida, perguntem a quem realmente lá estava!

O Joaquim Agostinho CAIU a 30 de Abril de 1984 - e não a 1 de Maio! - em Quarteira...
(Já viram que os vossos leitores estão a ser induzidos em erro?)
À tarde havia outra etapa, por isso não foi logo levado para o Hospital. Era ele a Estrela do pelotão. TINHA que lá estar...
MORREU onze dias depois, a 10 DE MAIO.
Os últimos metros, antes de cortar a sua última meta, em Quarteira, fê-los amparados a José Amaro e a Benjamim Carvalho. Claro que mostrar fotos que atestam isto mesmo...
(Demasiados erros neste primeiro trabalho onde vou descobrir muitos mais!...)

Se nasce um novo trabalho… pois espero que no final seja referida a bibliografia que sustentou esse trabalho.
Eu tenho aqui seis obras sobre o Joaquim Agostinho.
Não me atreveria a fazer uma nova, a partir destas seis, se não deixasse bem claro que foi nestas que bebi a informação. Mas há gente para tudo!

Senão, e em vez de me incomodar com as Rádios Locais que têm, ou não, o direito de cobrir a Volta, lançar-me-ei numa campanha em nome da verdade, da deontologia, da credibilidade... da defesa de títulos de obras publicadas e com autor, contra articulistas que atentam contra o direito do autor.
Sem tréguas.

É claro que quem não cumpre as regras exigidas pela deontologia de um Jornalista… não há-de ficar contente.