(e a sensação é a de que tudo está
armadilhado e isso magoa)
É a principal arma de quem sabe que é detentor do poder - seja em que área for -, embora algumas vezes se irrite com factos com os quais não é capaz de lidar, porque são factos, não desmentíveis, não manipulávéis...
Mas como podem, têm (quase sempre) trunfos guardados para, se isso for necessário, tentar, pelo menos tentar, virar o jogo a seu favor.
Digo pelo menos tentar porque, na verdade, poucas vezes o têm que fazer por falta de oposição, de quem consiga o contraditório.
Nos últimos tempos, e isso é constatável, têm-se precavido. Sabem que, a qualquer momento podem ser contestados e, como disse, guardam trunfos. Na manga. Como todos os batoteiros.
No passado dia 27 de Junho, quando, e todos os que seguem o processo o sabiam, publiquei aqui esta imagem:

Foi o único artigo que li - que que não quer dizer que outros OCS o não tenham feito, dos que li, este foi o único - e que marcava a data do final das suspensões preventivas de Corredores, técnico, massagistas, presidente do Clube e médico do PCC.
Não escrevi, na altura, que o artigo estva perfeito... Fiquei-me pelo facto de ter sido o único artigo que nos recordou o acontecimento.
Na altura não o escrevi, mas, confesso agora, fiquei preocupado com algumas passagens.
Por exemplo, cito as declarações do presidente da FPC:
«É um processo enorme, com diversos volumes, que terminou à [sic] - devia der... há - cerca de mês e meio e que deverá ser, assim espero, alvo de apreciação pelo Conselho de Disciplina até ao final do próximo mês [Julho]. O CD tem por hábito ser rápido nas suas decisões e estou em crer que até ao termo de Julho a sua decisão será conhecida, não obstante eventuais recursos poeteriores.»
Antes disto, e saído da pena do autor do artigo - sem que o sustente em factos de direito - lê-se, a abrir a peça, e volto a citar:
«Quando as justiças não se encontram - penal e desportiva - surgem desfechos incomuns como os de hoje [26 de Junho, data da publicação do artigo em causa], os protagonistas do "caso LA-MSS", corredores e dirigentes, completaram o prazo máximo de um ano de suspensão preventiva imposto pela FPC e podem regressar à competição.»
Comecemos por aqui de modo a que os adeptos percebam o que, de facto, se passou. Se está a passar...
- A FPC não impôs um ano de suspensão a ninguém;
É um caso de conhecer os Regulamentos.
Os factos nos quais os presumíveis implicados - e recordo que na Língua Portuguesa, esta palavra tem dois significados, o primeiro arrola-os como DE FACTO protagonistas provados; o segundo significa que, mesmo sem nada provado contra eles são IMPLICADOS por simples suspeita de terceiros - poderiam vir a ser castigados enquadravam-se num castigo disciplinar de DOIS anos sendo que os Regulamentos têm claro que uma suspensão preventiva NÃO PODE IR ALÉM DE METADE DO TEMPO da eventual concretização do castigo.
A FPC não impôs uma suspensão de um ano... Previa que, até hoje, tivesse conseguido o castigo máximo de DOIS ANOS a todos os que arrolou como... "culpados".
Passou um ano, tal não aconteceu... a suspensão preventiva deixa de ter efeito, para além de, como escrevi na altura, ter ROUBADO uma ano de vida a todos os envolvidos.
Segunda falha no texto original.
Não há, de forma alguma há qualquer ligação entre justiça penal e desportiva.
Logo, o atraso da primeira não justifica o da segunda.
Que fique claro.
E o motivo da minha preocupação...
O senhor presidente da FPC fala em, cito: «Não obstante eventuais recursos posteriores».
Descodifiquemos tudo isto.
A Justiça Desportiva teve mais do que tempo para decidir.
De forma não admissível, esticou todos os prazos à espera de uma decisão Judicial, pese embora dela poucos proveitos pudesse vir a tirar. Mas serviu de argumento para prolongar o martírio destes homens impedidos de exercer a sua profissão.
Depois, adivinha-se o arquivamento do processo cível.
Por falta de enquadramento legal.
Há quantos meses eu escrevi aqui isto?
Porque ninguém se interessou em seguir a pista?
A seguir, porque não será mais sustentável segurar a decisão desportiva, os resultados serão os mesmo mas, seja a FPC, seja qualquer outro organismo empenhado neste caso... pode recorrer.
O que significará que a via sacra daqueles homens será prolongada.
Mais... dois deles, pelo menos dois, têm já equipa para poderem correr a Volta a Portugal.
Só que, com a FPC a arrastar a divulgação das suas decisões até final deste mês... quando elas vierem a público virão coladas com os já anunciados recursos, o que não irá dar tempo a que os Corredores possam recorrer desses recursos a tempo e participar na Volta.
Esta história mete nojo.
É uma perseguição pessoal e não tem nada a ver com prosaicas lutas anti-doping.
Tal como à mulher de César não se pedia que fosse séria, mas que parecesse que o fosse, os verdadeiros protagonistas de todo este processo - que não são os implicados, mas os implicadores - já podiam ter encenado uma acção semelhante, visando qualquer outra equipa, mesmo avisando com 15 dias de antecedência para haver tempo de resguardar as tais caixas de medicamentos sem nome e máquinas de medição do hematócrito.
O povão até tinha "engolido" a história da "vontade da defesa da verdade desportiva".
Nem nisso conseguiram ser inteligentes.
E volto um pouco atrás...
É o mal dos "governos absolutistas".
Não sentem necessidade de parecer sérios...