quinta-feira, maio 18, 2006

85.ª etapa



QUE O SPORTING E O FC PORTO SE LHES JUNTEM DEPRESSA

O Benfica vai anunciar hoje a reactivação da sua Secção de Ciclismo de Estrada. A notícia vinha ontem nos jornais “Record”, em metade de uma coluna, mas com chamada na 1.ª página, e “A BOLA”, em ¾ de página, adiantando ambos os jornais que a nova equipa de Ciclismo do Benfica será autónoma e sustentada por um (talvez mais que um) sponsor, não sendo difícil de adivinhar que, pelo facto de na Conferência de Imprensa de logo à tarde e anunciada pelo próprio clube, ir ter a presença de João Lagos este possa estar ligado, de alguma forma, ao ressurgir da modalidade no clube “encarnado”.

Sou, desde sempre, apologista de que a presença de equipas do Benfica, do Sporting e do FC Porto no pelotão é a forma mais fácil e segura de revitalizar o ciclismo em Portugal. Hoje é o Benfica que volta... fico à espera de notícia semelhante em relação aos outros dois grandes emblemas. Certo é que vai haver mais gente na estrada. Vai haver mais gente a seguir as transmissões televisivas. Vai, em relação a todos os patrocinadores, estar muito mais gente, clientes/consumidores alvo, atenta ao fenómeno ciclismo. Vai haver maior garantia de retorno, isto já para não falar que, com Benfica e, espero que muito em breve, Sporting e FC Porto no pelotão, os próprios Órgãos de Comunicação Social vão passar a olhar para o ciclismo com outros olhos.

Em relação ao Benfica, já o havia comentado, estranho era que a Direcção do Clube, apostada em aumentar o número de sócios, ignorasse a potencialidade do ciclismo como meio de, por essas terras de Portugal, principalmente as que ficam longe dos dois grandes centros urbanos, venderem os famosos
“kits”. Na altura até referi algo que é, ainda hoje, constatável. Embora o camião-loja só tenha andado dois anos na estrada (em 2001 ainda apareceu em algumas corridas, mesmo sem equipa a correr) há mais equipamentos de ciclismo do Benfica envergados por cicloturistas e utilizadores de bicicletas do que, por exemplo, da Maia, pese embora aqueles três anos de prestações inolvidáveis que recuperaram para o ciclismo alguns milhares de adeptos.

Ora, com uma equipa no pelotão, com os seus apaniguados a juntarem-se nas partidas e chagadas... quantos dos tais
“kits” se podem vender num ano? Acham impossível chegar-se, pelo menos, às dezenas de milhar? Eu não.

Mas voltei a ler comentários mais ou menos jocosos em relação à notícia.

É verdade que, depois de 2000 assistimos aos
“flops” NettiSport, de Guerra Madaleno, e do projecto, que nunca o chegou a ser verdadeiramente, de Natalino Lopes. O primeiro caso segui-o de ponta a ponta e rapidamente deu para perceber que dali, dificilmente sairia algo. Basta consultarem a colecção de A BOLA. Estive na Av. dos Combatentes, num luxuoso edifício de serviços onde Guerra Madaleno me deu uma entrevista. Sempre que o assunto “caia” para o dinheiro, ele replicava que estava tudo arranjado, “bastava” vender um monte de papéis (acções, obrigações, títulos de não sei quê...) que tinha numa qualquer “off-shore”. Mas... e dinheiro? Tudo se vai arranjar, era sempre a resposta. Claro que não havia dinheiro. Ainda se fizeram umas fotos, com o Joaquim Gomes e uma bicicleta emprestada...

No caso de Natalino Lopes, sem por em causa a sinceridade das suas intenções, as bicicletas apareceram antes dos corredores. E até apareceu um director-desportivo. Bicicletas de alta gama, o que não era de estranhar dado que ele era (é ainda?) representante para Portugal das melhores marcas. E expo-las, numa conferência de imprensa, em Montes Claros (Monsanto). Ganhou espaço nos jornais, principalmente n’A BOLA, sempre com bicicletas por perto. Anunciou a realização de uma corrida a integrar no calendário nacional. Nunca chegou a haver corrida alguma e, de repente, o ciclismo do Benfica virou-se para o BTT. Quantos benfiquistas terão comprado bicicletas para si, ou para os filhos, levados na onda de poderem ter máquinas iguais às dos futuros atletas da “sua” equipa?

Percebo o “torcer” do nariz por parte de muita gente. Não há duas sem três, poderão pensar. Mas ficam três factos, que pauto de muito importantes e que mereceriam um mínimo de respeito por parte de todos.

1.º, parece que o sentimento dominante é o da negação de credibilidade em relação a dois jornais que são dos que mais vendem em Portugal e em relação aos jornalistas que puseram os seus nomes nas notícias. Será por serem profissionais?

2.º, desta vez não foram elementos externos ao clube que anunciaram o regresso, foi a própria Direcção do Benfica. Luís Filipe Vieira nunca antes – exceptuando as promessas eleitorais - manifestou publicamente qualquer intenção de reactivar a secção, mas prometeu que o Ciclismo voltaria. Ei-lo.

3.º, negar credibilidade a uma acção à qual está ligado o nome de João Lagos parece-me extremamente insensato. E injusto. Não há indício sequer que o empresário tenha alguma vez envolvido o seu nome sem que tenha sido para levar a cabo algo... em grande. Pôs Portugal no mapa do ténis mundial; salvou a Volta a Portugal; salvou o Estoril-Praia e voltou a pôr Portugal no mapa quando trouxe para cá o mítico Dakar. Só pensar que vai dar a cara por um projecto falacioso é ofensivo.

quarta-feira, maio 17, 2006

84.ª etapa



MAS PROTESTAM CONTRA O QUÊ?

Continuam a subsistir grandes dúvidas quanto ao acordo assinado entre a União Ciclista Internacional (UCI) e a Associação Internacional de Jornalistas de Ciclismo (AIJC) – cuja existência há até quem ponha em causa (ver www.aijc.info) – e que visa tão somente entregar a jornalistas especializados em Ciclismo a cobertura das principais provas do Calendário Internacional, as do ProTour e as HC dos Calendários Continentais. O objectivo não é, nunca foi, outro do que assegurar a quem gosta de ciclismo uma informação avalizada. Que os leitores dos Jornais leiam Crónicas, Opiniões e Entrevistas feitas por quem, legitimamente, está profissionalmente preparado para tal; quem ouve Rádio escute entrevistas objectivas, para o que o jornalista terá de ter os conhecimentos necessários para as fazer e não apenas colar o microfone, recolhendo sons e opiniões que ele não faria, porque para tal não tem conhecimentos. Na TV isto não acontece, pelo que passamos à frente.
Ora, até agora, a palavra que mais vezes escrevi foi: Jornalista.
Para quem não sabe o que é ser jornalista, aqui fica:

: Estatuto do Jornalista(Lei n.º 1/99 de 13 de Janeiro)
A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, para valer como lei geral da República, o seguinte:
:: CAPÍTULO I
:: Dos jornalistas
:: Artigo 1.º
:: Definição de jornalista
1 - São considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação informativa pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por outra forma de difusão electrónica.

Tenho a certeza (não, não vou repetir o exemplo caricaturado que já usei várias vezes), que qualquer profissional em qualquer outra área compreende e aceita um regime em tudo idêntico para a sua profissão.

Nenhum advogado pode sentar-se no cadeirão do Juíz; nenhum enfermeiro passa receitas; nenhum agente da PSP comanda o Posto; nenhum soldado raso comanda uma Companhia; ninguém sem carta de condução pode (legalmente) conduzir; nenhum assistente de bordo pode pilotar um avião; o Chefe-da-Casa-Civíl do Presidente da República não promulga leis; nenhum cliente, por muito que saiba de culinária, chega a um restaurante e vai ocupar o lugar do Chefe de cozinha... nenhum contínuo no meu jornal escreve notícias.


Tenho a certeza que toda a gente nem pestaneja, quanto mais por em causa estes casos. Em relação aos Jornalistas... venho a observar reacções do género “deus nos acuda!”. Mas porquê? Será menos nobre a nossa profissão? Será isso?

É que todos os argumentos “passam por cima” da definição de Jornalista, ignorando-a (em muitos casos, porque são pessoas até com formação académica) esse ignorar vem eivado de má-fé.

Esta discussão, para ser séria, terá sempre que começar pela definição de jornalista.

Depois, há o caso da Carteira Profissional. Os vários títulos disponíveis, só por existirem e estarem regulamentados e sustentados na Lei, apenas têm uma leitura: há diferenças. Porque se as não houvesse, só existia um título de jornalista. Se há meia-dúzia é porque não se podem comparar, ou melhor, podem. Comparem-se e vejam-se as diferenças.

Um director-desportivo só o pode ser se tiver um curso, e dentro deste há vários níveis e nem todos dão para se treinar uma equipa de topo. Ninguém reclama.

Depois, e creio que é uma outra parte que tem vindo a ser desonestamente ignorada, a AIJC não é um “clube elitista e fechado”. Quem tiver habilitações profissionais para ser membro, basta-lhe pedir a sua admissão. É evidente que, se não ficar demonstrado que tem, efectivamente, conhecimentos e experiência ganhos na estrada, não serão aceites.

Já uma vez o disse, os 4 jornalistas portugueses inscritos na AIJC – um deles até está radicado em Paris e é “apenas” colaborador do Jornal a BOLA* e não faz serviços em Portugal – estávamos dependentes da delegação espanhola porque não éramos suficientes para ter uma delegação em Portugal. Entretanto, vários colegas houve que, em vez de ficarem a reclamar em “forúns”, nos procuraram para saber o que fazer para se filiarem e os seus processos estão em apreciação, não tendo eu, nem o entretanto – porque vai crescer o número de sócios em Portugal – designado Delegado para Portugal, quaisquer dúvidas de que serão aceites a horas de, quando a Volta a Portugal sair para a estrada já estarem munidos do respectivo cartão.

Então... que dúvidas persistem? Que dúvidas podem persistir? Só vindas de pessoas menos bem intencionadas.

O ciclismo vive do público que acorre à estrada e é de todo legítimo que o público queira guardar uma recordação da sua ida até à corrida. Nada, repito: nada há que impeça ninguém de, antes das etapas começarem se aproximarem do local onde as equipas se concentram e tirar fotografias aos seus ídolos. Mesmo após a chegada, e uma vez que os carros das equipas estacionam algumas dezenas de metros para além do local da meta, nada impede, uma vez mais, o público de acercar-se e qualquer pessoa pedir ao seu ídolo que fique numa foto ao lado do seu rebento.

Nada impede qualquer espectador de, perto da chegada, tirar uma foto aos corredores a aproximarem-se ou a cortar a meta. Não o podem fazer, e creio que isto é tão simples que não entendo a insistência, é na zona interior das barreiras de segurança onde só os profissionais têm lugar.

No que atrás ficou escrito, onde é que sobram motivos para dúvidas?

Vê-se, perfeitamente, nos jogos de futebol – e não só – principalmente se forem à noite, os milhares de flashes a dispararem. É o público que, do seu lugar, quer registar a sua presença naquele evento. Por que cabeça passará, não sendo fotojornalista, que qualquer um pode descer ao relvado e fazer fotos junto à baliza, ou junto aos jogadores que erguem a taça?

O português, embora seja exageradamente complacente na sua condição de cidadão, na qual todos os dias é “maltratado” nada fazendo para fazer vingar os seus direitos, a não ser quando se afasta e vai falando alto para todos ouvirem, mas já de costas voltadas e a abandonar o local sem olhar para trás, não gosta de regras. Ao meu vizinho já lhe chamei a atenção “ene” vezes para não deitar garrafas vazias no contentor do lixo, até porque na rua temos um “vidrão” afastado daquele 20 metros. Um dia respondeu-me: “Não estou para fazer tudo o que ‘eles’ me mandam fazer.” Claro que se um dia for com as garrafinhas e na rua estiver algum elemento da autoridade ele vai por as garrafas no “vidrão”. É a sua forma – pouco honesta, aliás – de se considerar um homem livre. Faz o que muito bem lhe apetece. Não faz nada. Está apenas a enganar-se e a ser mau cidadão.

Este exemplo não cai aqui de “pára-quedas”. Tem a ver com o facto de o português, “manso” por natureza, esperneia e bufa contra todas as regras que lhe são sugeridas ou impostas. Estas aceita-as, não tem remédio, mas sai do local a falar alto para todos ouvirem, sem voltar as costas e apressando-se a sair dali. É cobarde.

O que está a acontecer em relação ao acordo entre a UCI e a AIJC é uma regra.

Perceberam a parábola lá atrás?

Imaginem o homem do talho do vosso bairro vestir uma bata e apresentar-se num bloco operatório de um qualquer hospital. Só porque sabe “cortar”.

* - Que fique registado que o colaborador de A BOLA, radicado em Paris e que é membro da AIJC é "só" o Bruno Santos, que há dois anos atrás recebeu das mãos do próprio Jean-Marie Leblanc uma placa alusiva ao facto de estar a cobrir o seu 40.º Tour. É obra!

segunda-feira, maio 15, 2006

83.ª etapa



ALIVE AND KICKING *




Mesmo à distância - ainda tem de ser assim - fui seguindo as incidências do 27.º Grande Prémio do Minho, que já foi Volta ao Minho e já foi Internacional, teve de dar uns passos atrás mas, pelo que me é dado constactar, mais dia menos dia poderá recandidatar-se a este estatuto. E a região minhota, terra de gente apaixonada pelo ciclismo - um abraço grande para o Manuel "Nelinho" Guimarães e para todos os responsáveis pela organização, na pessoa do Luís Teixeira - bem o merece.

E parece que tivemos, à semelhança do que acontecera há três semanas no GP Rota dos Móveis, outra grande corrida. Disputada, com as diferenças entre os primeiros a guardarem a decisão final para o derradeiro dia, facto que potencia o interesse da corrida. Mas, sobretudo, com várias equipas - outra vez as chamadas "pequenas" a intrometerem-se na luta das maiores, inevitavelmente favoritas à vitória. As vitórias de Jorge Nogaledo, do Paredes (2.ª etapa) e de Pedro Hermida (Imoholding-Loulé), na 3.ª, mais o triunfo de Cláudio Faria (Madeinox-Canelas) no prémio da montanha são disso prova.

Destaque para o triunfo final colectivo da Carvalhelhos-Boavista, com dois corredores nos primeiros 5 (e 3 no top-ten) na geral individual final e para a Madeinox, que meteu 3 homens nos primeiros 15 onde a Riberalves, a La-Liberty e o Vitória-ASC só colocaram 1, sendo que apenas os algarvios da DUJA-Tavira não aparecem neste quadro de Honra. Ainda assim, a equipa da Charneca fez 7.º, com Nuno Ribeiro, dentro do top-ten portanto, e os vimaranenses, a correrem em "casa" merecem um destaque porque o seu melhor homem foi o jovem José Martins. Tem nome de ciclista e, está a mostrar que o saberá honrar. O único homem da formação de Alcobaça, o veterano Rui Lavarinhas, aparece apenas no 13.º posto e nos 30 primeiros só vemos mais Hugo Vítor, o que poderá significar duas coisas, ou a participação na volta à Extremadura espanhola "castigou" demais a equipa, ou Vítor Gamito a poupou porque terá outros objectivos.

E só não me referi [1], ainda, à espectacular vitória de Pedro Cardoso (Maia-Milaneza), a segunda consecutiva e em duas corridas bastante semelhantes, com muita média montanha. Pedro Cardoso está ainda longe de ser um veterano e, encontrado que está o inequívoco chefe-de-fila (sei que o Manuel Zeferino nunca gostou do termo e nunca na "sua" Maia, pelo menos desde a saída de José Azevedo, em 2000, houve um líder claro) da equipa maiata, não será de estranhar que o corredor de Barcelos páre agora umas semanas para preparar-se de forma a aparecer na galeria de potenciais candidatos à luta pela vitória na Volta a Portugal. A equipa é jovem e há o búlgaro Danaíl Petrov, mais à vontade em montanhas de grau mais elevado (e também nos "cronos") pelo que a decisão tem que ser tomada agora. Pôr quem a trabalhar para quem?... e Pedro Cardoso vai precisar de fazer algum trabalho específico.

E volto à Carvalhelhos-Boavista. Pelo que já li, voltou a assumir a vontade de ganhar (aquele novo amarelo nos equipamentos ficam-lhe bem, será por isso? [era brincadeira]) e fez uma última etapa quase perfeita, lançando ataques, não só sucessivos como intencionais e, já agora, para José Rodrigues, um outro corredor com potencial reconhecido, nomeadamente na média montanha, e que tem tido uma carreira algo irregular, manifestamente por não confiarem nas suas capacidades. Tal como acontece com Pedro Cardoso - embora no caso deste a "explosão" se fique a dever mais ao facto de, finalmente, ter oportunidade de aparecer sem ser a trabalhar para companheiros de equipa "academicamente" com mais hipóteses -, José Santos pode ter descoberto o "seu homem" para a Volta a Portugal. Para já, que fique registada a postura dos axadrezados neste período da temporada, muito diferente daquilo que vinha a fazer nos últimos anos. Dois anos, pelo menos.

E que dizer da LA-Liberty? Pela segunda vez, e em pé de igualdade - porque, tal como a Maia, também não foi à Extremadura - com a sua principal rival, arranca de amarelo e depois baqueia de forma estrondosa. Até por ter começado a temporada mais tarde que os companheiros, esperar-se-ia, nesta altura, um Cândido Barbosa mais... mandão. Que mais não fosse, para marcar a sua posição dentro da equipa. Apostar as fichas todas apenas na Volta a Portugal é um risco muito grande. Melhor do que ninguém, Américo Silva deve sabe-lo. Um homem apenas nos primeiros 15... sabe a pouco. "Salvou-se" Nuno Ribeiro mas, visto assim, de longe, fica a ideia de que tarda em aparecer... a equipa. E sem uma equipa forte e "mandona" - leia-se: que controla e defende o seu chefe-de-fila, principalmente se ele vai de amarelo - a Volta pode tornar-se num pesadelo.


* -- "Alive and kicking" - expressão inglesa que, numa tradução muito livre signifiva "Vivo e de Boa Saúde" e utilizei-a para vincar o facto de várias equipas estarem a mostrar-se sem medos, o que aplaudo.

[1] -- Referi, do verbo referir = aludir, contar, dizer...; o que não é o mesmo que referenciar = tomar como ponto de referência, alvejar.
(in "Grande Dicionário da Língua Portuguesa" de José Pedro Machado, edição conjunta da Sociedade de Língua Portuguesa e Ediclube, 1990)

domingo, maio 14, 2006

82.ª etapa - 2.º sector


(Nota prévia, e essencial para a compreensão do artigo anterior: Escrevi este artigo na 5.ª feira, dia 11. Um problema com o servidor do Blogspot impediu a edição desse comentário na altura e perdi todo o seu contrúdo. Não é fácil reescrever, de imediato um artigo de 6 mil caracteres, pelo que deixei passar dois dias. Ontem voltei a escrevê-lo, esforçando-me por respeitar as ideias fundamentais expostas no primeiro, que perdi. E só agora o reli e logo dei por falta de um ponto que acho importante e cuja falta até pode levar a interpretações erradas daquilo que eu queria dizer. Por isso, aqui vai a adenda.)



VOLTA A PORTUGAL.1


Na altura em que falo da dependência que a organização da Volta ainda manifesta, em relação às autarquias, deveria - como havia feito no tal texto que "desapareceu" - ter assinalado que a JLSports/PAD pode, de facto, garantir que a Volta vá àqueles dois, três pontos que todos achamos ser impossível não ter no mapa da Volta. Mesmo que, por dificuldades das autarquias ou mesmo desinteresse destas, não haja comparticipação financeira. E devia-se avançar, como fazem os espanhóis - perdoar-me-ão estar sempre a bater na mesma tecla, mas esta é a realidade que conheço - para mais soluções, em termos de chegadas em alto, instituindo uma rotatividade que só poderia ser benéfica.

Num ano chegava-se à Torre, no outro subia-se e descia-se, mas experimentava-se a recuperação de Santa Helena, por exemplo, ou o Monte Faro (Valença), ou a Serra de São Mamede (Portalegre) e há mais meias dúzia de hipóteses que poderiam ser exploradas. Veja-se como os espanhóis fazem alternar os Pirinéus, as Astúrias e a Andaluzia. Ainda com La Covatilla (Castela e Leão) como opção.

E tentar encontrar outor locais. Se necessário, construí-los, como a Unipiblic fez com o Anglirú. Esta subida, das mais duras que se encontram no ciclismo de estrada, não passava de um trilho que até de bicicleta de montanha era praticamente impossível subir. Pois bem, em parceria com as autoridades locais, o ayutamiento de La Vega, foram divididas as despesas de construção de uma estrada asfaltada e de uma plataforma, no alto, suficientemente ampla para acolher a estrutura de uma chegada. O que ganhou cada uma das partes? La Vega foi posta no mapa. Depois de 1999, quando a subida se estreou, o turismo cresceu exponencialmente naquela zona, pobre, que vivia apenas das minas, sobretudo de carvão. Pela parte da Unipublic, garantiu a "propriedade" da subida, em termos exclusivos, por algunsa anos, sete, se a memória não me atraiçoa, embora só a tenha utilizado três vezes. Continuo a confiar na memória...

Quanto ao como chegar à Torre sem a ajuda das autarquias a ela ligadas, ou ir a Santa Helena sem a Câmara de Tarouca ajudar, ou à Sr.ª do Castelo, ficando Mangualde de fora... só deixo uma pista.

Lembram-se como começou e durante vários, muitos, anos a Volta ao Alentejo fou estruturada e paga? Corrida que rapidamente ganhou o seu espaço e, entre 1996 e 2001 teve dos melhores pelotões que jamais estiveram em corridas portugesas, e vencedores de renome, como se pode constatar no seu historial?

Exactamente. Pode não ser, em termos de Volta a Portugal, tão fácil de executar, mas sempre é uma saída... O segredo está na atempada negociação e - e neste ponto fecha-se o círculo sobre o que faltou no artigo anterior - capacidade de apresentar às autarquias um produto vendável, suficientemente apelativo para justificar o esforço daquelas. Não apenas ir pedir dinheiro.

82.ª etapa


VOLTA A PORTUGAL.1




PARTE I

Daqui a 3 meses... estará terminada mais uma edição da Volta a Portugal da qual poucos saberão o que já é possível saber.
A falta de informação, tendo em conta o impacto desta que, durante décadas, foi a segunda maior manifestação desportiva em Portugal, malgrado os títulos - até mundiais - que íamos conquistando no hóquei em patins, presta-se, é bom de ver, a todo o género de especulações. Que não são desejadas. Que não devem ser desejadas. Que não deviam ser proporcionadas pela própria Organização.
Os jornais, já de si cada vez menos atraídos pelo fenómeno das bicicletas, em ano de Mundial de Futebol têm todas as baterias assestadas na Alemanha. E há uma tendência para minimizar as nossas próprias organizações. Veja-se o exemplo recente do Dakar. A notícia de que, pela primeira vez na sua história, o raide no deserto norte-africano arranca mais tarde, acabando-se a tradição da passagem de ano em vésperas de se entrar no Continente Negro, se viesse, via-agências, de Paris, teria dado matéria para uma página inteira, pelo menos. Foi em Lisboa que isso foi anunciado e, em média, lá "sacou" pouco mais do que um quarto de página em cada jornal.
Curiosamente, em solo nacional o promotor é o mesmo da Volta a Portugal.
Por ali tudo, ou quase tudo, gira em volta de um núcleo duro que não consegue despir o "blazer", o polo, as calças de linho, os sapatos estilo vela e o chá das cinco num qualquer selecto clube da Linha com vista para um campo de golfe.
Não sou ingrato, nunca fui, e não esqueço que a JlSports/PAD salvou a Volta ao comprar as dívidas desta última e ao assumir o compromisso que ela tinha para com a FPC, de qualquer modo, o ciclismo – e mesmo a Volta – continua a ser o “filho adoptivo” pobre. O ano passado a empresa que, ano após ano vem, quase a pulso mas muito seguramente, a elevar o Estoril Open, em ténis a patamares que há dez anos eram impensáveis, “adoptou” mais um evento, o Dakar, e logo se percebeu que este seria o “adoptivo” rico.
Num e noutro evento – Estoril Open e Dakar – a presença portuguesa, não que eu ache que é apenas para “decorar”, tem, malgrado os Carlos Sousas e as Elisabetes Jacinto, os Fredericos Gil e as Fredericas Piedade que são sempre motivo de interesse e lhe dão o tal toque nacional, são, na sua essência, eventos para exportar. Tudo. A começar pela imagem da entidade organizadora.
Aceito que em termos empresariais ambos sejam bastante mais aliciantes do que a Volta a Portugal, que, ao contrário dos outros dois acontecimentos, não atrai investimentos nem parecidos. Antes pelo contrário. Serve apenas para, em complemento à exposição, principalmente televisiva de alguns dos patrocinadores, estes voltarem a ter mais 10 dias de televisão. Do “bolo” total dos tais investimentos, a parte de leão já foi gasta no Estoril e guardada para o Dakar do ano que vem. A Volta tem de viver com os restos. E mantém-se refém das autarquias que, como todos sabemos, estão tão sobre-endividadas como o comum cidadão. Tecnicamente em pré-falência mesmo que algumas façam das tripas coração para poderem ter, também elas – ou os seus responsáveis – uns minutinhos na TV.


PARTE II

Achei muito interessante um artigo colocado no Cyclolusitano por um Miguel S. – que não sei quem é – no qual coloca em patamares iguais as capacidades financeiras das autarquias francesas e portuguesas, chamando a atenção para o facto de que, quem organiza manifestações desportivas do calibre de uma Volta a Portugal deveria ser capaz, não de ir apenas bater à porta das Câmaras Municipais a pedir dinheiro, mas de levarem produtos suficientemente apelativos para serem vendidos. E ninguém lhe negará, a ela Miguel S., razão quando aponta um facto que parece escapar aos observadores domésticos. Em França, o Tour acaba sempre em Paris, a capital, mas, mas outras 20 etapas... quantas são as grandes metrópoles que aderem? Poucas. Muito Poucas. Quase nenhumas. As etapas começam e acabam em pequenas localidades das quais, na maior parte das vezes nunca ouvíramos falar nem somos capazes de identificar no mapa. Terão capacidade financeira para que a sua comparticipação pesa no todo do orçamento do Tour? Também duvido. Mas a corrida vai aos pontos que, em termos desportivos, mais interessam ao espectáculo ciclismo. No Giro de Itália acontece a mesmíssima coisa. Tirando Milão, final obrigatório... quais são as grandes cidades que acolhem a prova? Qual será o segredo deles?

Eu não conheço a realidade francesa mas, pelo contrário, as seis voltas a Espanha que já fiz dão-me uma ideia de como as coisas funcionarão. É verdade que a Unipublic – entretanto comprada, tal como aconteceu à PAD, pela Antena.3 – precisa escolher de entre dezenas de localidades candidatas à partida ou chegada de etapas, mas no orçamento da prova o “income” originário das autarquias é quase residual. Dá para os extras. Porque a corrida é garantida por meia dúzia de grandes patrocinadores.

Os grandes – à nossa escala - patrocinadores que temos, a organização da Volta a Portugal atrai-os para pagarem o Estoril Open e o Dakar, oferecendo-lhe ainda, como “bónus” o ciclismo. Mas o dinheiro não estica. É público, saiu em todos os jornais e foi falado na rádio e na televisão que, como contrapartida ao facto de receber uma etapa do Dakar, o município de Portimão ganhava o direito de ver a Volta a Portugal começar ali. Por mais um punhado de euros, Portimão viu-se promovida em todo o Mundo, aquando do Dakar, e vai ter mais espaço na televisão em Agosto. Foi um bom negócio para a autarquia. Mas, e para o ciclismo?

Depois de uma temporada com etapas de 130, 140 quilómetros... na Volta o pelotão vai ter que fazer Portimão-Lisboa em duas etapas, Portimão-Beja-Lisboa, ainda por cima. Façam os cálculos da extensão de cada uma delas.

PARTE III
No artigo de Miguel S. – que à boa maneira do Cyclolusitano viu de imediato as canelas ameaçadas por inofensivos mas chatos “vira-latas” só porque, bem ou mal, mostrou que é capaz de pensar pela sua cabeça (e, afinal, parece saber mais do que alguns gurus da casa) – li outra coisa interessantíssima.
Começo por confessar que eu era um dos que não achava piada nenhuma ao “Há Volta”. Não achava, nem vou achar, a manter-se nos mesmos moldes, mas a sua chamada de atenção deixou-me a pensar. E se calhar está certo.

A televisão, com um espaço popularucho – irritam-me solenemente aqueles que acham que o ciclismo não merece mais porque é uma modalidade cujos adeptos, logo, potenciais consumidores dos produtos por ele tornados visíveis, são essencialmente das classes média-baixa e baixa – dizia eu, com aquele espectáculo popularucho, até está a fazer o seu papel e penitencio-me por não ter percebido a sua intenção. Arranja um programa que “prende” espectadores até à hora de por no ar o espectáculo. Sim, porque em termos verdadeiramente desportivos, a cobertura integral das etapas em provas de duas ou três semanas pode redundar numa coisa chata, como podemos observar agora, no Giro. Há excepções, claro que há, mas em 60% das vezes são fugas que toda a gente sabe que não vão chegar ao fim... e que só acontecem porque a TV está em directo, por causa da publicidade.

Claro que os responsáveis pelas equipas não vão concordar comigo. Eu sei que o retorno publicitário é fundamental para quem investe numa equipa de ciclismo, mas que há etapas que nos levam ao bocejo... isso há. O que interessa são os últimos 50 quilómetros, altura em que os mais cotados começam a correr, anulam as fugas, se posicionam e decidem a etapa.
Para alargar o leque de espectadores é preciso o “Há Volta”? Continuemos então com o “Há Volta”. Há coisas piores na televisão.

segunda-feira, maio 08, 2006

81.ª etapa



GLOBALMENTE... POSITIVO

Rotulo de globalmente positiva a participação das 4 equipas portuguesas na recente Volta à Extremadura espanhola. De facto, a vitória de Andrei Zintchenko no crono, curto, pouco consignante com as suas características, a regularidade de Pedro Soeiro, nas chegadas, o que lhe valeu andar de amarelo durante dois dias e, principalmente, a inesperada mas que daqui saúdo calorosamente, acutilância da formação de Loulé que, mesmo não conseguindo mais do que dar nas vistas, fez muito mais do que normalmente tem feito nas corridas domésticas, são sinais inequívocos de que a corrida - e o pelotão - foram encarados de forma muito mais aberta do que costuma acontecer por cá.

Ora, analisando o que aconteceu de 3 a 7 deste mês, em Espanha, sou levado a deduzir que, quando correm em Portugal as equipas nacionais (tomando o exemplo destas 4) mais do que respeitarem ou temerem as convidadas estrangeiras apresentam-se é constrangidas face ao escalonamento virtual das próprias equipas portuguesas que até poderá começar por ser responsabilidade da Comunicação Social (que afirma ser a A a mais forte, a B aquela que mais se lhe aproxima e a C e a D as que lhes poderão dar luta) mas que não é mais do que isso... um escalonamento virtual que, e assumindo ser verdade o que atrás deixei escrito, não passará de um exercício académico pelo que creio ser pertinente a pergunta: porque é que equipas como a Imoholding-Loulé, por exemplo, "aceita" ser "apenas" da segunda metade do pelotão e não faz, por cá, o que fez agora, quando chegou a vencer duas etapas colectivamente?

Porque é mais fácil seguir no pelotão, deixando à LA-Liberty ou à Maia, o ónus de conduzir a corrida? Não será isso negar-se a si própria a pitada de ambição que é fundamental para se chegar a alguns resultados, acção à qual se não coibiu nesta Volta à Extremadura?

E a Paredes-Beira Tâmega e a DUJA-Tavira, embora menos vistas, também me deixaram a sensação de se terem mostrado bem mais "soltas" em Espanha, neste pelotão, do que quando correm por cá. Por isso defendo a importância destas experiências além-fronteiras. Tenho a certeza que este lote de corredores que participou nesta corrida espanhola veio com uma auto-confiança reforçada, e só por isso já valeu a pena terem aceite o convite.

Em relação à Riberalves-Alcobaça não concordo com a opinião de quem diz ter perdido a corrida, ou ter, só por erro de estratégia, perdido a classificação de melhor trepador. Certo que Andrei Zintchenko e Joaquim Andrade são corredores com experiência internacional, mas a equipa no todo, mesmo depois de ter corrido na América do Sul, está a dar os primeiros passos na internacionalização, e não esqueçamos que, por exemplo - porque é o melhor exemplo que temos - a Maia falhou retundamente nas suas primeiras experiências além fronteiras. É indo lá, e aprendendo com os eventuais erros cometidos que, equipa e director-desportivo aprendem. Vítor Gamito é um estudioso do ciclismo, falta-lhe - e não será ele a negá-lo - contudo, ainda algum "calo" na estrada. Mas tenho a certeza de que, também ele, voltou bastante mais rico em experiência. Deixo-lhe (permite-mo Vítor, com um forte abraço) um desafio: afronta, no melhor dos sentidos, claro, as principais rivais, em corridas domésticas, como o fizeste agora em Espanha. Foi pena o Hugo Vítor não ter ganho a montanha (ele bem que já merecia um triunfo que lhe marcasse a carreira), mas todos compreendemos - eu compreendo - que, correndo em "casa", as equipas espanholas não facilitariam.

Como eu gostava que as portuguesas fizessem o mesmo, tivessem a mesma postura, nas nossas corridas!

Duas notas:

1.ª nota - Apesar do grande - enorme - prestação do jovem espanhol Alejandro Marque, não nos iludamos. É um jovem espanhol, que teve oportunidade de correr em Espanha e não a perdeu para se mostrar ante os seus compatriotas. Foi por demais evidente a sua motivação.

2.ª nota - Não o fiz na altura, faço-o agora. Parabéns à Carvalhelhos-Boavista pelo triunfo no Memorial Dr. Barreiro de Magalhães, ainda por cima com uma dobradinha, ainda por cima... com dois jovens corredores.

domingo, maio 07, 2006

Reflexão


PARTE I





Chegaram-me, de vários quadrantes, reacções, também elas de teor diverso, em relação a este espaço que, aparentemente, está a ser de difícil aceitação em algumas (importantes) franjas adjacentes ao mundo do ciclismo nacional.

Respeitador, como sempre fui, da opinião dos outros, o que realmente me choca - e a palavra é mesmo esta CHOCA - é o facto de, num mundo onde a comunicação se globaliza e, em todas as áreas, fugindo à standarização dos òrgãos de Comunicação Social, se consagrou a blogoesfera como espaço de intervenção dos livres pensadores, surja tanta gente a ignorar, ou a fazer que ignora o significado um Blog.

Espaço pessoal de opinião, com o meu nome, que no meio todos conhecem, sustentado pelo conhecimento - que poucos porão em causa - que tenho sobre o ciclismo luso, nunca por mim foi sequer equacionada a possibilidade de isto se tornar uma extensão do que profissionalmente exerço. Não posso aceitar que, em termos profissionais, ponham em causa a minha idoneidade. Gosto muito da minha profissão, estou perfeitamente ciente das regras pelas quais se rege e delas, se alguma vez fugi, foi inadvertidamente. Ainda assim, espero, ao fim de praticamente 20 anos, alguém me aponte UM desvio. Que não nego possa ter acontecido. Mas que nunca foi apontado, pelo que sou levado a crer que, sempre fui capaz de ser sério e honesto.

Foi preciso eu criar este Blog para perceber que, e repito a forma como comecei, de quase todos os quadrantes começou a aparecer gente a revelar-se no seu aspecto, se calhar, o mais verdadeiro, e a manifestar inequivocamente uma espécie de anti-corpos em relação às minhas opiniões.

E essas manifestações de indisfarçável... desconforto, surgiram, tanto de onde eu já contava, como de vectores jamais por mim tidos como suspeitos.

Mas isto tem a ver, começa, é gerado... num minúsculo ponto que degreda de vez para o reino do ridículo essas manisfestações, públicas ou não. Desconhecimento ou teimosa negação daquilo que um Blog é: um espaço pessoal de opinião. Desalinhada da estrutura a que se habituaram a ver o seu autor. Quando é esse o caso.

Falemos de política, de intervenção social ou de cidadania... falemos, que é o caso, de uma modalidade desportiva. Este Blog foi criado estava eu em plena actividade profissional. Ainda assim, e desde o início, creio que de logo ficou demonstrado que a minha intervenção enquanto jornalista seguiria as regras que a mim próprio impus, mas que este espaço ia ser diferente.

Volto a repetir-me, não como complemento, ou prolongamento do que escreveria ou não no jornal, mas um espaço de pensamento livre.


PARTE II


E enquanto isso, pensador livre, "varro", de uma ponta à outra, todo o espectro do universo ciclismo. Sustentando as minhas opiniões que não são, nunca foram nem nunca poderão ser mais do que isso: as minhas opiniões. Merecem as minhas opiniões que algumas "sensibilidades" se sintam feridas? Vejamos "a coisa" de outro ângulo: há motivo para que as minhas opiniões espoletem "casos", ainda que, verdadeiramente, nenhum tenha sido despoletado?

Enquanto simples observador do fenómeno ciclismo detecto, ou vim a detectar e só no Blog as refiro, situações nas quais o JORNALISTA talvez até nem tenha legitimidade para intervir mas onde, em definitivo, o membro da tribo do ciclismo, repito, enquanto observador e fazendo uso da liberdade de opinião que lhe não pode ser negada, pode manifestar-se. É o que tenho feito. E de um ponto, mas isso é já pessoal, faço qustão de honra. Se não sei, se não estou 99% certo (porque ninguém está 100% certo), não toco sequer no assunto. E a maioria das manifestações de desagrado, declaradas ou "engolidas", devem-se apenas e só ao facto de os pretensamente visados não terem sequer imaginado que... eu sabia. Que eu sei.


PARTE III


Assim como reinvidico para mim aquilo que, enquanto cidadão me é devido, que é o direito à minha opinião, aceito que, em algumas situações, a outra parte reclame o seu direito à, chamemos-lhe (adoptando uma designação tornada famosa por um político)... indignação.

No meio terá sempre que haver um espaço de discussão para que se aclarem ideias, nunca uma hostilidade primária que, irredutivelmente, fragiliza quem por esta opta.

Enquanto consumidor de informação sobre ciclismo, juntando-lhe, é evidente, o meu estatuto de observador priviligeado - porque me movimento no meio há duas décadas (quando alguns dos que me hostilizam ainda usavam fraldas) - escrevi um artigo, o imediatamente anterior a este, no qual me refiro a um equiparado a órgão de Comunicação Social. Pelo menos, tem uma secção de notícias.

Lamentei que um projecto nascido quase perfeito tenha descambado para um arremedo de pequena feira de vaidades que nada, e repito, NADA, está a acrescentar à falta de divulgação do ciclismo em Portugal. Do ciclismo português. E estou tão certo de que a minha tese se sustenta por si própria que nem volto ao assunto. Nem um dos pontos que foquei pode ser rebatido. É tudo verdade!

Agora - mais uma volta e voltamos quase ao princípio - as reacções hostis foram imediatas. E ridículas.

Ridículas ao ponto de um bom bocado do meu texto ter sido republicado (sem indicação de onde era retirado) e amputado de uma parte que ia a meio, de forma a que, lido assim, pareça aquilo que não é.
Ridículas ao ponto de, num espaço onde a secção notícias está "em coma", à espera de morrer de morte natural, outro alguém se apresse, levianamente, a DESMENTIR uma notícia que, por acaso, que este Blog não é para dar notícias, eu aqui pus "colando" uma notícia que saíra em A BOLA.

Ridículas e imperdoavelmente desonestas.

O ciclista Unaï Yus, sob pseudónimo, "lança" o tema citando um site espanhol que terá feito eco da notícia de A BOLA, site que eu não consegui encontrar, pese embora tenha "varrido" todos os que conheço. Como a notícia em causa não mereceu espaço na edição on-line de A BOLA, como terá um site espanhol sabido dela?

Depois, o António Dias, 20 minutos após o Unaï Yus ter "lançado" a pergunta... desmente em corpo 24 a notícia d'A BOLA citando como fonte... o Unaï Yus. Mais tarde, o mesmo Unaï Yus regressa com uma piscadela de olho a afirmar que o AD tem... boas fontes.

No próximo fim-se-semana, quando do Grande Prémio do Minho, tudo isto terá desenvolvimento. E o AD vai ter que desmentir mais do que A BOLA. Se calhar, se tiver coragem para isso, vai ter que desmentir... o Unaï Yus.

quinta-feira, maio 04, 2006

Cyclolusitano.2





QUE PENA!...

Tudo, e todos os meios, que sirvam para ajudar a divulgar o Ciclismo em Portugal merece a minha atenção. E aplausos, quando merecidos. Porque nada nem ninguém está acima de uma crítica, que espero seja olhada como construtiva...

O mais importante - ou o único? - site dedicado ao ciclismo em Portugal (?) estagnou. Parou. Regrediu. De há mais de um ano para cá, de repente, um sítio que era visitado e procurado principalmente por interessados na História do nosso ciclismo - e detém um acervo de valor incalculável - foi "invadido" por figuras, figurinhas e figurões que, qual tânia, se introduziram nas suas entranhas passando, primeiro, a viver à sua custa para, porque nada em contrário foi feito pelos seus responsáveis, passarem a ser eles o "Cyclolusitano".

O Fórum, aberrância que cresceu e se espalhou qual doença má, é, hoje por hoje, a "estrela da companhia" e local onde qualquer um despeja a sua ignorância e ânsia de se mostrar mesmo que isso signifique a morte da secção NOTÍCIAS, ignorada para que algumas novidades se diluam nos milhentos tópicos de uma "roda de comadres" que é iligível e espaço que não interessa, nem um pouco, a quem, no estrangeiro, procura, num site português, notícias sobre o ciclismo nacional.

Pesquise-se a Internet. Em espanhol, para além do Todociclismo - sítio de referência -, e apesar do Globeros ter sido desactivado, ainda é possível encontrar mais uma dúzia de sítios onde procurar notícias. Regionais, talvez... mas sérios. Em francês há ainda mais e em inglês, para além do "rei" dos sites sobre ciclismo, que é o australiano Cyclingnews, outros tantos. Como o belga Cycling4all. E também há em italiano, em alemão, holandês, dinamarquês... não vou fazer aqui a Volta ao Mundo em sites sobre ciclismo.

Os portugueses que vivem no estrangeiro, e à falta de destaque - que eu defendo até à morte - da modalidade nos sitios dos jornais desportivos, que são avidamente consumidos (por causa do futebol, claro), procurarão o Cyclolusitano acreditando que têm ali o seu portal do ciclismo luso. Mentira!

A última notícia - que, se a minha memória não me atraiçoa, até nem foi aproveitada pelos jornais - data de há 3 semanas!!!

Eu sei que é um site construído e mantido à custa dos tempos livres dos seus responsáveis. Que têm outros afazeres, decerto mais prementes para a sua vida pessoal. Respeito-os. Contudo, pelo menos dois dos "administradores" são presença assídua naquela caricatura de "fórum". Um deles é mesmo um dos arrivistas, que desvirtuaram aquilo que o seu (do site) criador sonhara fazer daquele espaço. Não tenho nada contra a pessoa, o homem, mas em relação ao "administrador"... vou ali e já venho.

Eu, se quisesse, ou precisasse da colecção da SuperCiclismo - um beijo grande e respeitoso à Maria João, que sei lutar com enormes dificuldades para manter em pé o projecto - mandava um mail para... a SuperCiclismo, não usaria um "fórum" - sendo, ainda por cima, "administrador" do espaço, para pedir que ma enviassem. Ou telefonava-lhe. Mas aquele "fórum" é isso mesmo. Um espaço híbrido onde se despejam as maiores aleivosidades que se possam imaginar.

Exemplo: um tal El Kito escreveu hoje (4 de Maio) - ... o serginho [Sérgio Ribeiro] faz 6º numa clássica internacional e nem duas linhas saem nos jornais...

O português não lê jornais. O português médio, com alguma formação académica não lê jornais, que se pode esperar dos outros?

Eu Sei que não se consegue ler... mas envio o ficheiro a quem mo pedir.

E os "administradores", com mais responsabilidades, também não viram. Não emendaram. Não esclareceram quem procura INFORMAÇÃO no Cyclolusitano que o El Kito... apenas NÃO LÊ JORNAIS. Embora não tenha tido a mínima vergonha de escrever que "...nem duas linhas saem nos jornais..."

Repito que estas críticas o são, em consciência, de teor construtivo. Assim o queiram entender. Move-me o desejo de ter, em português, um site de dimensão internacional. Pelo menos, um sítio onde os portugueses, onde quer que estejam, possam colher uma ideia de como vai o ciclismo português. Não que um dos "postantes" foi reformado!!! Vergonha!

E, como para além das "novidades" colhidas nos sites estrangeiros - que qualquer um pode por si procurar (o Cyclolusitano deve ser o sítio na Internet que mais notícias decalca, a nível mundial - outra vergonha) - os seus responsáveis são incapazes de as procurar noutros locais, nem que seja no jornal - num qualquer jornal - que até pode ler à mesa do café onde vai tomar a bica, se o amor que têm pela modalidade não chega para gastarem 2,10 € por dia nos jornais desportivos... não percebo essa paixão. A não ser no aspecto do proveito próprio. Eu vou vê-los a reclamar direitos iguais aos dos jornalistas profissionais quando chegar a Volta.

Espero que, quem de direito, esteja atento ao "contributo" que o Cyclolusitano está a dar para a divulgação do ciclismo português.

Já agora, como o site "sobre ciclismo" em português está cego, depois de ter ficado surdo (infelizmente, pelo caminho que leva, não há esperança de ficar MUDO), e como a Internet já é um meio previlegiado de procura de notícias, deixo esta. Com um pedido do fundo do coração: parem! Pensem. Olhem à vossa volta. Arrepiem caminho. É o que todos os que realmente gostamos de ciclismo desejamos. A bem do Ciclismo nacional. A bem do Cyclolusitano.

quarta-feira, maio 03, 2006

80.ª etapa



INFELIZMENTE... NÃO ESTAVA ERRADO!

Pois! É "apenas" uma corrida do Circuito Europeu, daquelas onde se podem somar pontos UCI.

Pois! "Só" lá estão QUATRO equipas portuguesas e, "por acaso" o 3.º na Geral e os líderes da Montanha e dos Sprints Especiais até são corredores portugueses.

E que escolheram os jornais portugueses - com a tal excepção? Ignorar.

Claro que amanhã lá virá a notícia. Feita a partir dos resultados na Internet e de dois telefonemas, no "decanso" da redacção. Mas o que é que eu esperava se nem as corridas doméstias - mesmo que a organização suporte parte das despesas - suscitam o seu interesse? Para quê?, se no fim do dia há um "press-release", com declarações e tudo, e até fotos à disposição?

E em Agosto há mais uns "prémios de bom comportamento", mesmo que por lá apareçam caras enjoadas que preferiam mil vezes estar noutro lado a suportar aquela "estopada" de se levantar cedo para aturar ciclistas e DD's, muitas vezes, também eles mal encarados. E com tanto calor!...

Se eu fosse o prof. Marcelo... era nota claramente negativa para a CS indígena.

PS: Mas, e lá volto eu a ser chato, como para a Volta se consegue sempre publicidade... lá estarão. Todos. Mesmo com cartões profissionais de "encomenda"...

79.ª etapa



SÓ HÁ DUAS HIPÓTESES: OU SE ESTÁ... OU NÃO SE ESTÁ!...

Passam 40 minutos da meia-noite, já é 4.ª feira. Acabo de ler o trabalho que daqui a algumas horas todos os que comprarem A BOLA poderão ler. Sobre ciclismo, claro. Sobre a Volta à Extremadura, corrida espanhola, que sai da portuguesíssima Castelo Branco, patrocinada - entre outras entidades - por uma subsidiada de uma empresa portuguesa e com a participação de 4 formações lusas.

Tenho de confessar que nunca pensei que a minha ausência se prolongasse por tanto tempo. Tenho que confessar que não sei quando poderei voltar. Aligeira-me essa dor que sinto cá dentro o facto de A BOLA continuar a marcar uma posição que, custe a quem custar, doa a quem doer, nem sequer tem vindo a ser posta em causa pela concorrência. No outro jornal desportivo de Lisboa li, há dias, numa "curta", que iam estar seis equipas portuguesas na corrida. Isto já depois de A BOLA ter escrito que eram 4 e de eu próprio aqui ter deixado os seus nomes.

Rebusco os recortes dos últimos 4 meses e, tirando o GP da Costa Azul e a Volta ao Algarve, sublinho o divórcio entre os outros jornais desportivos nacionais e o ciclismo.

Se calhar - secretamente ainda alimento essa esperança - daqui a algumas horas, quando tiver nas mãos os três jornais impressos, terei de vir aqui pedir desculpa. Fá-lo-ei. Mas, ao mesmo tempo, receio não poder vir a ter essa oportunidade, apenas porque não vai haver nada a rectificar neste este artigo.

Estou, contra vontade minha, afastado da redacção, mas não deixo de "sentir a camisola" e é com muito orgulho que vejo continuado (sem falsas modéstias) o meu trabalho em prol do ciclismo nacional. Fico mais socegado.

Claro que já sabia que não há insubstituíveis e que destes estão os cemitérios cheios, mas temi. Agora estou descansado. E todos os que minimiza(ra)m o esforço de A BOLA no apoio e divulgação e acompanhamento, en su sitiu, do ciclismo português bem podem limpar as mãos à parede, como se diz no meu Alentejo.

Não, não são dúzia e meia de fotos num qualquer site que só meia dúzia conhecem e onde nem todos podem entrar que "salvam" ou projectam os investimentos dos patrocinadores que mantêm vivas DEZ equipas em Portugal. Mesmo que seja só 1/4 de página... se cada um dos 150 mil exemplares postos nas bancas forem comprados e lidos por seis pessoas cada (que é, mais ou menos, o que dizem os observadores do mercado), sempre há quase 1 milhão de portugueses, aqui, em França, nos Estados Unidos... que vão sabendo novas do nosso ciclismo. Todos os dias.

Sim. Posso ir dormir descansado.

P.S.: Nada tenho contra, antes pelo contrário, os amadores que tiram fotos em ALGUMAS corridas e as põem onde muito bem lhes apetece. Todos somos poucos para ajudar, cada um na sua área, a promover o ciclismo em Portugal. Bem hajam, esses, portanto.

sexta-feira, abril 28, 2006

78.ª etapa



NÃO BASTA SER SÉRIO, TAMBÉM É PRECISO... PARECE-LO

Algo de muito estranho a conteceu hoje na Volta a Romandia. O líder da Discovery Channel - e um dos candidatos à luta pela vitória no Giro, que começa dentro de pouco mais de uma semana - fundiu-se, pura e simplesmente. Paolo Savoldelli... desapareceu nos fundos da classificação.

Problemas gástricos. Teve de parar durante a etapa.

Na Discovery Channel?

É certo que Lance Armstrong só comia o que o cozinheiro da equipa confeccionava, por causa das coisas... Mas, uma equipa desta dimensão não pode cometer erros deste calibre. Pior... na outra equipa que ficou no mesmo hotel... não houve casos de "desidratação".

Estamos a uma semana do Giro... que o diabo leve para bem longe aquilo que me passou pela cabeça. Não na Discovery...

77.ª etapa



E ESTÁ TUDO RESOLVIDO!...

E pronto, a Volta a Portugal-2005 já pode ser homologada, depois de ultrapasado o problema levantado com a participação de um corredor que, antes, tinha sido apanhado nas malhas do "doping".

O corredor foi castigado em dois anos - o que é irrelevante, dado que já tinha dado como concluída a sua carreira -, a organização da Volta pode pagar os prémios (se é que o não fez já) e este capítulo riscado da história do ciclismo português. Porque, por tudo o que se passou, não merece lá figurar.

Vamos então em frente!...

quarta-feira, abril 26, 2006

76.ª etapa



THE BRIGHT SIDE OF THE MOON

1. Embora seguindo a corrida à distância, atrevo-me a escrever aqui que o recente Grande Prémio Rota dos Móveis terá sido a corrida mais disputada e espectacular da temporada, até agora. Li o que foi escrito nos jornais, li os press-release que a organização me enviava para o meu mail e... fiquei com essa impressão.

2. Pareceu-me uma corrida muito bem estruturada. Parabéns ao Joaquim Gomes e à sua equipa. Pareceu-me que o público acarinhou a prova, mostrando-se, o que significa que o público não deixou de gostar de ciclismo, assim o pelotão lhe ofereça o que ele procura: espectáculo.

3. Pelas fotos que me foi dado ver, equipas como a DUJA-Tavira, mas também a Paredes-Rota dos Móveis-Beira Tâmega, a Imoholding-Loulé, a Vitória-ASC, a Madeinox-Bric-Canelas ou a Riberalves-Alcobaça, nunca deixaram de estar presente nas diversas fugas, ao longo da corrida.

4. A LA-Liberty ganhou a primeira etapa e lutou muito na segunda, embora não tenha sido capaz de contrariar o contra-ataque da Maia-Milaneza; a Barbot-Halcón venceu a 3.ª, com o nosso "Alessandro Valverde" - leia-se Sérgio Ribeiro, um homem para todos os terrenos que, devidamente trabalhado, dentro de dois anos poderá ser uma das grandes figuras do pelotão... internacional.

5. E só falta uma das equipa profissionais. Pelo que li, a Carvalhelhos-Boavista fez uma etapa - a última - espectacular. Mostrou estratégia, atacou com vários elementos, com a intensão de, nos últimos quilómetros, levar Tiago Machado ao triunfo. Não foi possível, mas - repito - pelo que li, o seu trabalho foi irrepreensível (e espectacular) só não tendo conseguido alcançar o objectivo dado que... nem Pedro Cardoso, nem a Maia-Milaneza, mesmo com uma equipa muito mexida e muito jovem, perderam a qualidade e a ambição que tem guiado a formação maiata nos últimos anos.

6. Justíssimo o triunfo de Pedro Cardoso. Apodado por vários cronistas de "trabalhador do pelotão", parece que se fixaram na "árvore", esquecendo "a floresta". Na "velha" Maia, Pedro Cardoso terá sido obrigado a trabalhar para companheiros julgados com melhores hipóteses, mas quem tem seguido o seu percurso desde que chegou a profissional não pode esquecer as suas qualidades naturais, nem negar o facto de ser, indesmentivelmente, o Chefe-de-Fila, "desta" Maia. Danail Petrov será uma excelente ajuda, mas - e é apenas a minha opinião - o corredor de Barcelos deverá ser o "ponta-de-lança" de Zeferino na Volta a Portugal. Claro que isto é um exercício meramente teórico. Até nem se sabe ainda quais as características, físicas, da Volta.

7. Volto atrás para sublinhar, porque o acho de todo merecido, a prestação da Carvalhelhos-Boavista. Já fui muito crítico em relação à apatia da equipa do professor José Santos na maioria das corridas, nos últimos anos, mas eis que sou surpreendido. E surpresas destas gostava eu de ter em todas as corridas. A injecção de "sangue novo", com o aparecimento de jovens cheios de "ganas", parece estar a dar resultados.

8. Por favor... dêem-me mais corridas assim. Dêem-nos mais corridas assim. E acabo como comecei. Este Grande Prémio Rota dos Móveis pareceu-me ter sido a corrida mais emocionante, até agora, nesta temporada. Os meus mais sinceros desejos de que, para o ano, a voltemos a ter no calendário.

terça-feira, abril 25, 2006

75.ª etapa



ACERTOS CONFIRMADOS

Porque hoje é feriado e as pessoas provavelmente se levantam mais tarde e já não vão a tempo de comprar jornais - e para aqueles que se gabam de não terem esse viciante hábito, que é o de ler jornais -, também para os que têm as suas preferências, as quais não passam por A BOLA, que daqui a algumas horas estará impressa, trazendo estas notícias, deixo aqui duas curtas notas:

- Afinal, sempre vão 4 equipas lusas à Volta à Extremadura (Espanha), a disputar entre 3 e 7 do próximo mês de Maio: Riberalves-Alcobaça, Paredes-Rota dos Móveis-Beira Tâmega, Imoholding Loulé e DUJA-Tavira. Entretanto, e porque no fim-de-semana de 6 e 7 de Maio estavam calanderizadas duas corridas de um dia, no Algarve, os organizadores decidiram movê-las para o fim-de-semana de 20 e 21 de Maio, servindo as mesmas corridas de "aquecimento" para a Volta ao Alentejo.

- Afinal, acabou por se resolver, a contento de todos, a situação das duas equipas que se haviam "esquecido" de responder ao convite endossado pela Organização do Troféu Joaquim Agostinho. O pelotão terá 17 equipas (mais duas do que a Organização previra): as 10 nacionais e as sete estrangeiras que, entretanto, já haviam sido confirmadas, de entre as muitas que se mostraram interessadas em correr em Portugal, naquela prova.

Fora das barreiras.2



NÃO MATEM O MENSAGEIRO!...

Vou começar pelo fim.
Passam hoje, exactamente, 32 anos sobre a data em que, e face aos acontecimentos registados e a sua posterior evolução, recuperámos a Liberdade. Há muitos géneros de liberdade mas a primeira, a mais importante, é a liberdade de cada um de nós nos expressarmos livremente. A segunda é a de respeitarmos a opinião dos outros.

Ontem fui confrontado com duas afirmação com as quais, é evidente, não posso concordar. Por isso, e porque acho o assunto suficientemente importante, transformo (já o fiz uma vez antes e disse, na altura, que o faria sempre que julgasse pertinente) aquilo que seria apenas uma resposta pessoal num novo artigo.

Cito: “... pelo facto de um jornalista ser faccioso e hábil com as palavras...” (depois foi ressalvado que a mim me reconhecem a isensão, mas ficou o “hábil com as palavras”).
Mais tarde e num outro
post volta-se ao tema. Torno a citar: “... muitas vezes as entrevistas são ‘manipuladas’ e vós jornalistas retiram muitas vezes uma frase dada num determinado contexto e colocam-na fora desse mesmo contexto deturpando a verdade.”

1.º ponto – Parto do princípio que o amigo que escreveu isto (e vem na sequência de um outro
post seu, falava... genericamente, do que presumo ter, finalmente, percebido o significado da palavra;
2.º ponto – Se eu transcrevi NA ÍNTEGRA a parte da entrevista que abordava um determinado assunto em discussão... como poderia ter tirado fosse o que fosse do seu contexto? Não escrevi uma frase solta. Transcrevi EXACTAMENTE as perguntas feitos pelo colega e as respostas dadas pelo seu entrevistado. Aliás, de tão concisas e quase telegráficas que são, seria praticamente impossível retirar fosse o que fosse do contexto.

Posto isto, sou levado a crer que, como infelizmente muitos outros, mas muitos mesmo, este amigo acha que a Guerra do Iraque não foi por culpa do Saddam e do Bush, mas dos jornalistas que a contaram... Que os atentados na Palestina e em Israel também são culpa dos jornalistas e que, se estes os não relatassem, aquela gente vivia na mais santa paz.
São coisas más, que gostaríamos de não ver entrar-nos casa adentro, seja pela TV seja nos jornais. São “manipulações” dos jornalistas.

Com isto recordei-me de um velho
cartoon (sou fã) no qual, um casal todo aperaltado e dando ares de bem colocado na vida, passam numa avenida ao lado da qual existia um Bairro de Lata. E dizia um deles: Que miséria, que vergonha!..., ao que o outro acrescentava: Pois é. Não custava nada construirem aqui um muro bem alto que nós não temos que ver coisas destas!

A grande tarefa dos jornalistas é a de evitarem que se construam muros a esconder as vergonhas e se eles forem erguidos, a de derrubá-los. E se não conseguirem derrubá-los... passar por cima deles e voltar, contando o que viram mesmo que a maioria preferisse não o saber.

E estes "muros", ou existem, ou há sempre quem queira ergue-los, seja em que sector for da Sociedade. Até mesmo no Desporto. Até mesmo no Ciclismo. Até mesmo em Portugal.

Caro amigo, aparentemente és adepto dos muros que “nos protejam” das vergonhas.
Eu estou disposto a, se for preciso, trepá-los e ir lá ao outro lado e testemunhar as pequenas desgraças ou grandes vergonhas. Para as relatar a todos os que acreditam que estes 32 anos, nos seus muitos altos e baixos, não foram em vão.

quarta-feira, abril 19, 2006

74.ª etapa



A IMPORTÂNCIA DAS CORRIDAS DE UM DIA

Depois de ter assistido hoje à Flèche Wallone - e de ter visto as últimas grandes clássicas que a EuroSport nos tem oferecido -, depois de, apesar de lá não ter estado, fisicamente, ter lido que, tanto o Troféu Sérgio Paulinho como a Clássica da Primavera (um grande abraço ao Manel Zeferino que, apesar das dificuldades, conseguiu pôr a corrida na estrada), dou comigo a pensar: mas porque é que deixámos "cair" a... como é que se chamava? Taça Nacional das Clássicas? Já não me lembro!...

É apenas coincidências este artigo vir a seguir aqueloutro que revela a vontade de as equipas do Norte não comparecerem a duas corridas de um dia que vão realizar-se no Algarve, e se só a esta hora estou a escrever é porque, depois de rever a gravação, fiquei de tal forma sensibilizado que não resisti.

Corridas únicas, nas quais só pode haver uma táctica: trabalhar para ganhar. E ponho-me na pele dos patrocinadores. Não é para isso que investem o seu dinheiro? Para ganharem?

Com um calendário de Corridas de Um Dia - desculpem lá, mas a história do nome "clássicas" é como a dos "derbies", no futebol. Um FC Alverca-UD Vilafranqense até pode ser apodado de derby pela imprensa local, mas não será, nunca, mais do que a cópia, a um determinado nível -sempre mais baixo - dos verdadeiros "derbies" que, e não sou tão purista como alguns colegas, não se resumirá apenas aos Benfica-Sporting ou vice-versa; só há três clubes em Portugal que participaram em todos os campeonatos da I Divisão, ou Liga, o que lhes queiram chamar, logo, os jogos entre Sporting, Benfica e FC Porto serão os "derbies" ao nível do futebol português porque há mais de 60 anos que se encontram entre eles.

Clássica, em Portugal, e voltando ao ciclismo, só houve uma - infelizmente posta de lado, temporariamente, desejo eu -, o Porto-Lisboa.

O resto são corridas de um dia. E fiquei muito satisfeito, o ano passado, quando a FPC decidiu organizar o Troféu Sérgio Paulinho, fugindo à malfadada (no sentido de mal empregue) "clássica". E como sou apologista de que as pessoas que se destacaram de algum modo na sua actividade, e dessa forma fugiram à nossa condição de simples mortais, tendo garantido a perpectualidade do seu nome, porque é que o CD Navais não há-de rebaptizar a sua corrida como Troféu Manuel Zeferino? Filho da terra, vencedor de um Volta a Portugal e o técnico luso com mais provas dadas além fronteiras? Claro que agora, com o Manel na direcção, aceito que não se dê esse passo... Mas bem que poderão pensar nisso.

Como a Associação de Ciclismo de Aveiro, por exemplo, podia criar o Troféu Alves Barbosa, ou irmãos Sousa Santos, ou Joaquim Andrade (pai)... e dar mais visibilidade ao nome de Fernando Mendes; como a Associação de Ciclismo do Porto podia criar o Troféu Ribeiro da Silva...; a de Braga, o Troféu José Martins... ou Coelho de Lima, um homem a cuja memória o ciclismo nunca conseguirá retribuir no justo valor àquilo que ele fez pela modalidade; a de Santarém o Troféu José Maria Nicolau e Troféu Alfredo Trindade... e o Troféu Marco Chagas; como a AC Algarve já podia ter dado o nome de Jorge Corvo a uma das suas corridas... e que não se esqueçam do meu muito querido engenheiro José Manuel Brito da Mana.

Já viram o painel de grandes campeões - e não só, e não só... - que podiam emprestar os seus nomes a uma grande competição - a tal Taça Nacional... de Clássicas (já dou isso de barato, mais pelos nomes do que por outra coisa) - homenageando anualmente ALGUMAS das principais figuras que construiram a história do nosso Ciclismo?

E dos que (ainda) vão à estrada ver passar as corridas, quem não se lembra deles?

Torres Vedras é terra de ciclismo e de ciclistas... mas o facto de a sua grande corrida levar o nome de Joaquim Agostinho não pesará muito no facto de ser umas das que conheço que mais público atrai?

Pois é...

Por enquanto, ter ideias ainda não é matéria colectável para o IRS...

Mas volto ao princípio. À Flèche Wallone que ainda há pouco acabei de rever (sem som... acrescento, por respeito à verdade). Que corrida! Outra, a somar-se às que já aconteceram. E que ponderem todos nisto: o facto de a EuroSport nos oferecer estas corridas de um dia... não levou ainda ninguém a pensar como eu? Como podíamos ter no calendário provas do género? Exigentes, duras... para que só os melhores pudessem sobressair.

Para que, quando chegássemos à Volta a Portugal, a maioria das fugas não merecesse mais destaque do que o que merecem... na maior parte, nenhum. São fugas para a televisão. E que um lugar nos primeiros 20 na Volta não servisse de objectivo a ninguém.

Com um calendário preenchido, todos os fins-de-semana, de Março a Junho, com corridas de um dia... chegados a Agosto ou se ganha a Volta (ou se luta por ela até ao último metro) ou não se é motivo de notícia. E as equipas podiam jogar diversos trunfos ao longo da temporada.

Assim, como estamos, um terço do pelotão sabe que não querem dele mais do que trabalhar para o chefe-de-fila, na Volta, e os outros dois terços só têm um objectvo: andar numa fuga num dos nove dias da Volta a Portugal. Como é que motivam estes atletas a treinarem-se meses e meses, ao sol e à chuva?

Os dois primeiros meses de competição são encarados sem pressão porque são os próprios Directores-desportivos que vêm dizer que "eles" - os estrangeiros - vêm melhor preparados (não percebendo que estão, implicitamente, a reconhecer que não quiseram, ou não souberam, preparar melhor os seus próprios corredores); a partir de Maio... os potenciais candidatos à vitória na Volta, e os seus "peões de brega", são hostensivamente resguardados para não se "cansarem" ou sofrerem lesões...

Os outros corredores de cada uma das equipas, que são a grande maioria, se verdadeiramente profissionais hão-de sentir uma tremenda frustação por nunca merecerem a confiança para, num golpe de asa, se libertarem do anonimato a que as próprias equipas os condenam.

Talvez por isso, mesmo nos treinos - e todos sabemos que é verdade - limitam-se a cumprir os "serviços mínimos"...

terça-feira, abril 18, 2006

73.ª etapa



OUTRO TRISTE EXEMPLO!...

Tenho à minha frente o Calendário Oficial, Provas de Estrada, da FPC, aprovado em Assembleia Geral.

Depois da Volta a Terras de Santa Maria (24-26 de Março), disputou-se a 2 de Abril a Clássica da Primavera - corrida de UM dia - mas as provas 1.12 calendarizadas para 9 e 15 de Abril não se realizaram!

Volta o pelotão à estrada este fim-de-semana, com o I GP Rota dos Móveis, sendo que a corrida 1.12 agendada para 30 de Abril parece que também vai "morrer na casca".

Nos 30 dias de Abril temos, pois, 5 DIAS de competição.

Parece que é curto, o calendário nacional, mas 2 a 6 de Maio (cito de memória) disputa-se a Volta à Extremadura (Espanha), corrida do Circuito Europeu (Classe 2.2) para a qual foram convidadas diversas equipas lusas e que, ao que sei, apenas a Riberalves-Alcobaça respondeu afirmativamente.

Entretanto, a 6 e 7 de Maio correm-se mais duas provas de 1 dia, ambas no Algarve e já sei que se levanta um movimento por parte das equipas do Norte (60% do pelotão "profissional") para faltarem, em conjunto, às ditas corridas.

O motivo?... A Organização marcou a corrida de dia 6 para a parte da tarde, pelo que só assumirá os encargos com o alojamento e alimentação dos participantes UMA NOITE. As equipas do Norte, ou vão para o Algarve de véspera, e assumem elas as despesas da pernoita de 5 para 6 de Maio, ou viajam no mesmo dia em que a corrida se disputa.

Má fé da Organização? Não subscrevo essa tese. Os seus responsáveis terão ponderado o melhor figurino para as duas corridas e, aprovado este, não têm que se preocupar com nada mais que seja o perfeito desenrolar das mesmas, até porque já passaram por problemas numa outra corrida por si organizada.

Cada um trata de garantir os seus interesses, e não será o organizador a ter de se preocupar nem com o quando, nem como, as equipas se deslocam. Está tudo regulamentado, cumprindo o regulamento a mais não é obrigada.

E as equipas do Norte, aparentemente, não têm orçamento para suportar UMA noite a expensas próprias. E, mais uma vez, escolhem a fuga em frente, pensando que levam tudo consigo, qual arrastão.

A cumprir-se (mais) esta ameaça, e se aquelas equipas não comparecerem no dia 6... quem está a pagar os ordenados a todo o conjunto (a todos aqueles conjuntos), pagará UM MÊS de ordenado a cada um dos elementos do grupo quando só alguns correram... CINCO DIAS! Em seis semanas!!!

Vamos começar a distribuir as culpas pelo topo.

Quem tem culpa de tudo isto é a FPC que aceitou a incrição de equipas - muitas delas - com o número mínimo de corredores e com o mínimo do orçamento possível.

Há equipas que não têm orçamento para pagarem 5 quartos e dez refeições, por UMA vez, e por isso se preparam para não comparecerem a uma prova calendarizada?

As inscrições dessas equipas não deveriam ter sido aceites.

Iam corredores para o desemprego? Não brinquemos com a situação. Os corredores não têm nada a ver com isto. Estão, à partida, ilibados. Mas há-de haver responsáveis.

Este exemplo que aqui deixo deve potenciar a "azia" com que alguns ficaram quando, num artigo anteriormente aqui escrito, referi (e não referenciei, à atenção do tal dito cujo) que nos míseros orçamentos - com os quais aceitaram trabalhar - muitos contabilizam as "derramas" por parte das organizações e até eventuais prémios que venham a ganhar.

É este o nosso ciclismo "profissional"!

72.ª etapa



DON QUIXOTE, OS MOÍNHOS, CONSCIÊNCIA E VERGONHA

Já aqui o tinha referido - e não referenciado (É VER NO DICIONÁRIO QUAL É A DIFERENÇA), como alguém com responsabilidades na divulgação do ciclismo insiste em babosear - que é com algum orgulho que vou recebendo mensagens de gente ligada ao Ciclismo, desde jovens atletas a outras pessoas com maior "peso específico" na modalidade, passando, naturalmente, por alguns colegas e amigos.

Que preferem não utilizar este espaço. Mas, e na verdade, ele não serve para que me dêem palmadinhas nas costas, mas para que DISCUTAMOS o Ciclismo. Por isso aceito o argumento de um grande amigo, pessoa que anda aí, na estrada (e não é jornalista) que, e muito bem, me disse que não contesta os meus artigos porque está de acordo com a esmagadora parte dos meus argumentos. Também não ia querer que as respostas a cada um dos artigos que aqui deixo fosse apenas para dizer: concordo. Eu sei que há quem concorde. Sei até quem concorda. Não é surpresa, pois, o ter na caixa de correio mensagens de apoio.

Este post sai à laia de resposta a um dos mais velhos e queridos Amigos que tenho no pelotão. Homem a quem o ciclismo muito deve e a quem os homens (de hoje) tardam a reconhecer o muito que ele fez, homenageando-o condignamente. Como ele merece.

Caro amigo, gostei da sua comparação. Terá esta tarefa, a que me propuz, muito de "queixotesco". Se calhar tem mesmo. Mas só quem não leu Miguel de Cervantes pode interpretar mal o termo. Caricatura de uma certa "casta" de Cavaleiros Andantes, Don Quixote não era o louco que parece ser, mas sim a consciência de todos os que preferiram ficar quedos e mudos, ante uma sociedade que mudava. Curvo-me perante a sua sapiência e só lamento a parte final da sua mensagem onde diz que está "descrente e desiludido". Não estamos todos?

Assim, acumulo os papéis do "lunático" Don Quixote e da bem mais pragmática (por retratar a voz do povo) figura do Sancho. E, se por vezes cavalgo o escanzelado Rocinante, noutras sujeitar-me-ei à bem mais segura rota da pachorrenta mula do fiel aio do Cavaleiro da Triste Figura. Ciente que, tal como quem tem o mínimo de cultura percebe a deliciosa parábola que Miguel de Cervantes nos deixou com esta obra, quem tem o mínimo de conhecimentos e paixão pelo Ciclismo perceberá contra que "moínhos" eu invisto de lança em riste.

Não me desmotiva o meu grande Amigo, antes pelo contrário. Dá-me alento. E, quanto aos resultados (leia-se influência que este espaço pode ter num eventual processo de regeneração do Ciclismo em Portugal)... a verdade é que, por enquanto, não espero nada.

Escolham uma boa peça de um excelente dramaturgo e, mesmo que o encenador seja só aceitável, se o grupo de "actores" for mau... e se forem sempre os mesmos... a peça será um fracasso. Ora, se compete ao encenador por o espectáculo em palco, terá de ser ele a correr com os maus actores e escolher melhor elenco.

Diz o Amigo que eu já deveria ter "percebido que esta luta está condenada a arraster-se..."

Tenha eu Vida e Saúde para a manter, que se arrastará até onde e quando for preciso. Não ando à "caça de moínhos". Sei, e digo-o as vezes que me apetecer, o que está mal e, pior ainda para o establishement que reina, sou capaz de ter ideias para mudar o estado das coisas. Se isso não servir para mais do que para que todos percebam quem é que controla o "sistema" - usando uma terminoligia que se tornou famosa com o futebol - então já será uma vitória para mim.

sexta-feira, abril 14, 2006

71.ª etapa


DURA LEX, SED LEX!...





TODAS as corridas Internacionais disputadas este ano em Portugal levaram, por parte dos respectivos presidentes do Colégio de Comissários (os únicos enviados pela UCI), NOTA NEGATIVA no que respeita à falta do cumprimento das novas regras quanto à cobertura das corridas, por parte dos media.

Carros (de Órgãos de Comunicação Social) a mais, na corrida; número de presenças ("acreditadas") superior às registadas pelo Gabinete de Imprensa, no primeiro dia e reconhecidas pelo delegado da AIJC - não, não é a brincar o acordo assinado entre esta associação e a UCI e aí estão as primeiras consequências...), falta de coletes identificadores dos fotojornalistas, "de facto" em serviço, e presença anormalmente congestionante, nas zonas chegadas, de pessoas que, supostamente, lá não deveriam caber.

A UCI notificou a FPC que já pediu explicações às duas organizações em causa: a PAD e a A. C. Algarve.

Quanto mais se abusar... mais o laço vai apertar... e todos sairão a perder.