sexta-feira, maio 01, 2009

II - Etapa 401

CONFIRMA-SE VOLTA A NORTE

Algumas notas prévias:

- o Ciclismo quer-se espectáculo;
- é legítimo que, até porque somos um País pequeno, todas as regiões reivindiquem a passagem do maior acontecimento desportivo - futebol, à parte - que mexe com uma maioria considerável (e não descartável) de adeptos do Desporto;
- etapas com 200 km para, depois de o pelotão permitir fugas de meia hora, as anular a cinco quilómetros da meta - e sendo que o espectáculo/Ciclismo o é, por necessitar de o ser - um espectáculo televisivo, são contra-natura;
- é a norte da linha traçada pelo Rio Tejo que se pode desenhar um percurso minimamente exigente, logo, salvaguardando, pelo menos, uma rotatividade (que, pessoalmente, nem acho ser necessário que seja anual) que leve a Volta a Sul... sempre na sua fase final e contemplando, ora a Serra do Caldeirão, ora o Alto da Fóia, mesmo que isso implique uma sempre malquista neutralização de 200 km a partir das zonas de, por exemplo, Torres Vedras ou Serra de São Mamede;

Claro que tudo isto estará sempre condicionado ao apoio das autarquias (porque não às Regiões Regionais de Turismo?) e reconheço a dificuldade, por parte do organizador, em definir anualmente o traçado. Até porque é importante a adopção dos contratos plurianuais.

A solução, essa creio que todos os interessados a conhecemos. E basta olhar para além de Valença, Melgaço, Quintanilha, Vilar Formoso, Caia ou Vila Real de Santo António.

O que falta para que atinjamos, já não digo condições iguais, mas semelhantes, ao que acontece com a Vuelta?

Esta está paga no momento em que é apresentada e não lhe é possível, em Dezembro, divulgar os locais exactos de partidas e chegadas. Por um único motivo: ainda estão a, permitam-me a expressão, em leilão. A organização tem duas, três, quatro hipóteses em estudo. As regras, em relação à quilometragem das etapas condicionam, ainda assim têm 'ofertas' não desprezíveis para equacionar as partidas e chegadas.

Há uma concorrência muito forte entre ayuntamientos, mesmo entre deputaciones regionales, a lutarem para ter um lugar na Vuelta.

É o que nos falta a nós.
As duas coisas.

A de uma meia dúzia de marcas fortes que percebam o quanto é rentável apostarem no Ciclismo, nomeadamente na Volta, que tem um retorno astronómico - assentes em números mais ou menos públicos - números que naqueles 12 dias de Volta cilindram as audiências de qualquer um Rio Ave-Trofense, Olhanense-Beira Mar, Vit. Setúbal-Estrela da Amadora e... quase todos os jogos de futebol que não envolvam os chamados 'três grandes'.

Numa altura em que não há futebol. Para contratos curtos, de um mês, contando com a necessária promoção da prova.

O Ciclismo é vendável.
Já sofreu com maus exemplos, de maus - para não lhes chamar desonestos - mediadores. Felizmente, hoje em dia a 'cara' da Volta, o Joaquim Gomes, está acima de quaisquer suspeitas e disso tem (sobre)vivido a Volta nos últimos anos.

Chamo aqui, pese embora só quem tenha Internet, e alguns conhecimentos - não técnicos, que isso não custa nada, mas sobre o que está a acontecer em termos de Ciclismo - a ela possa ter assistido, a etapa de hoje da Volta às Astúrias.

Espectáculo puro. Em todos os sentidos.

Do sofrimento - e ressalvo que não é sobre isto que o espectáculo se deve centrar - do Tiago Machado que deu uma imagem impagável do Ciclismo Português, de como pode ser excelente, de como tem Corredores de inegável valor - o Santi Perez, convidado a comentar a parte final da tirada não poupou elogios, mas também os jornalistas (conhecedores) da RTPA o frisaram - à demolidora prestação do Paco Mancebo.

Que encetou uma fuga, que puxou pelo grupo, que tentou ganhar vantagem na última descida, que se viu com os resistentes na sua roda na derradeira subida e que, a 200 metros da meta ainda teve força para marcar a diferença.

E S P E C T Á C U L O !...

Quem é que não compra isto, sabendo que há um mui razoável nicho de mercado interessado?

Só quem não pára de ler que no Ciclismo não há mais do que 'doping'. Mas nós sabemos que isso não é verdade.

Por isso, se alguém achar que este meu artigo pode ajudar, tem a minha total autorização para o usar. Sem condições.

É, dentro das limitações a que estou imposto, a minha modesta contribuição para tentar ajudar a modalidade.

Isto quando quem, institucionalmente deveria - apesar da pungente confissão de que as muitas viagens que faz o são em serviço (ao serviço de quê?), eu leio TUDO e guardo recortes! - defender a Modalidade... assiste de sofá!
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Já se esqueceram do título desta crónica!
CONFIRMA-SE A VOLTA A NORTE

Segue o que o sustenta...

(*)

2 comentários:

Feliciano da Vasa Ferreira disse...

Muita razão quando o Madeira fala em Regiões de Turismo...

mzmadeira disse...

São a solução mais viável.
Para apoiar a Volta, para apoiarem outras corridas, para apoiarem as equipas... regionalizando-as.

Sem prejuízo para as que são suportadas pelas marcas que há muito perceberam o quão rentável é apostar no Ciclismo.

Não haveria colisão de interesses, só pelo facto de, equipas apoiadas pelas Regiões de Turismo estarem a gaestar... dinheiros de todos nós.

Eu tenho a solução. E garanto que não estaríamos perante a 'protecção' de uma Modalidade. Que, mas iso são contas de outro rosário, eu acho que merece mesmo protecção.

O mal, e em Portugal isso foi potencializado ao máximo, é que de há alguns anos a esta parte se 'escolheu', ante a conivência da FPC - mas a promuscuidade que reina na 'divisão' dos lugares nas direcções dos diversos organismos para-desportivos leva a isso - o Ciclismo como 'bode-expiatório', 'besta negra' do doping.

E, nem é a subserviência da FPC, é a sua posição activa em toda e qualquer farsa que mais não serve para promover dois ou três nomes, que está a matar o Ciclismo em Portugal.

E os tentáculos desta maquiavélica e tenebrosa 'politica' abraçam os menos avisados, ou os que pensam que sabem tudo e que têm na ponta dos dedos a 'salvação do desporto'.

'Espelho meu, espelho meu... há alguém mais isento do que eu?'

Volto a chamar a atenção aqui para o lado, para Espanha.

Lá existe um jornal - com o apoio e empenho de todas as federações autonómicas de Ciclismo (mesmo que a linha editorial não dê descanso à direcção da RPEC), e eu que até conheço bem e admiro o Fulgêncio Sanchez, reconheço que ele foi sistematicamente atacado - que fala de Ciclismo, que promove o Ciclismo, que divulga a modalidade.

Por cá, num meio pequeno, onde o público-alvo de um jornal de ciclismo (por acaso o nome que ostentava), não dez mais do que denegrir os seus potenciaias compradores, e/ou assinantes.

Acabou, pois claro.

Não apresentou, uma única vez, uma única ideia para 'salvar' o Ciclismo. Mostrou-se, sempre, mais preocupado com quem, sustentadamente, apontava o que ia mal. E assumiu o papel de vítima.

Ao Ciclismo deu... NADA!

Antes pelo contrário.

Mas o Ciclismo português tem salvação. E eu sei qual é.