segunda-feira, janeiro 14, 2008

1033.ª etapa

DINASTIAS INTERROMPIDAS

Na sua edição de há um mês (17 de Dezembro), o semanário espanhol dedicado exclusivamente ao Ciclismo, o Meta2Mil, ofereceu-nos um trabalho conscientemente limitado – e disso nos avisa nas primeiras linhas – sobre actuais corredores (actuais… pedindo-nos que sejamos flexíveis até há três ou quatro anos atrás) filhos, eles, de antigos corredores.

Gaizka Lasa (filho de Miguel Maria Lasa), Julen Zubero (Luís Zubero) e Iván Molero (Carlos Molero), são os três primeiros exemplos. Aliás, Molero deu ainda outro filho ao Ciclismo, Oscar, de seu nome, que em 2001 correu em Portugal defendendo as cores da Jodofer-Abóboda…

Embora eles [filhos] tenham debutado em equipas diferentes, os seus pais foram figuras de uma das maiores equipas da História do Ciclismo mundial: a KAS dos anos 70.

A mesma onde correu o nosso José Martins.
Na mesma altura
.

Depois o Meta2Mil fala de José Florencio que, em 1970 e ao serviço da Coelima, foi 3.º na Volta a Portugal.

Porquê?
Porque deu três filhos ao Ciclismo profissional.
Jusep (Florencio era, ou é ainda, espero… catalão de Terragona), Núria e Xavin…

Mais recentes são os casos de David Munõz (filho de Domingo) que até ganhou uma etapa da Volta a Portugal, em 2002, ao serviço da Kelme;

e David Belda… filho de Vicente Belda que, esqueçamos as mais perniciosas conotações mas que foi um grande Corredor.
Imaginem aquele metro e pouco mais que cinquenta a bater-se contra os grande nomes da altura!...
Tinha que ser bom.

E porque é que fui eu vasculhar na montanha de jornais que está aqui atrás de mim?

Por causa do artigo do (para mim, sempre amigo!) Fernando Emílio que hoje saiu n’A BOLA. É pertinente a peça, mas despida de enquadramento.
O que não significa que não tenha sido, até agora, a única peça jornalística a denunciar a onda de desemprego que se abateu sobre o pelotão português.
Vale por isso.

A ligação que faço entre os dois factos – o artigo do Meta2Mil e o de hoje, de A BOLA – assenta na particularidade dos Corredores filhos de antigos Corredores.

Curiosamente, não há muitos exemplos em Portugal.
O primeiro, e mais paradigmático, é o do Joaquim Andrade que, espero, possa vir a estar ainda connosco este ano.
Ele que é filho de… Joaquim Andrade, nome grande do nosso pelotão, há 30 anos atrás.

Mas confesso que o que motivou este meu artigo, este mesmo, que estão a ler, é a lamentável coincidência de ambos os filhos – Gilberto e Lizuarte - desse enorme Corredor que foi o José Martins (o de Fafe, sim…) terem sido atirados para o desemprego.


E aqui junto mais um nome, o de José Martins, primo dos primeiros, sobrinho do segundo.


E há ainda o caso do Gilberto Sampaio, filho do João Sampaio, sobrinho do Joaquim Sampaio e do malogrado Manuel Abreu.

Não tiveram sorte estes jovens. Um bem mais jovem que os outros… mas todos Corredores que, aproveitados, poderiam ter garantido a continuidade da respectiva dinastia.

Sou muito amigo do Gilberto – que ainda não sei porque falhou na Maia – e o Lizuarte até foi líder da Volta a Portugal há um ano atrás… o José é um jovem cheio de potencialidades…
Porque é que não têm lugar no nosso pelotão?


Porque os espanhóis, este ano, saem mais baratos?, como diz o trabalho do Fernando Emílio? Provavelmente!...
E porque o nosso calendário é pobre, como se pode ler na mesma peça onde se reconhece que uma equipa não precisa de ter mais do que… dez corredores.
É verdade!

Soluções? Claro que há…

O abaixamento de metade das nossas equipas profissionais à condição de elite porque não têm, de facto não têm, condições para serem profissionais e a fusão do nosso calendário de elites (que não existe) com o espanhol.
Custa tanto ir do Porto (ou Gaia) a Zamora ou Valladolid como ir ao Algarve.

Mas todos querem ser profissionais
Estou gago de bater nesta mesma tecla.

7 comentários:

Rui disse...

O Jorge Piedade deu-me o nome do Gilberto Martins como membro do plantel, a RP da equipa deu a toda a CS o nome do Gilberto e está entre os inscritos da equipa no site da FPC. Penso que ele não está desempregado.

Houve algumas trocas, pelo que sei, e sairam pelo menos 3 listas de ciclistas que fariam parte da equipa de Loulé. O Gilberto estava de fora da segunda mas nas outras duas aparece lá.

;)

mzmadeira disse...

Caro Rui,
neste momento (ainda) sou apenas leitor... e há coisas que não li. Pronto! Não tenho razão.
Mea Culpa...

Entretanto, e assim sendo... emendo o meu artigo.
Obrigado a ti.
Um abraço.

cristina neves disse...

pedro costa ASC, com 2 filhas com 3 e 5 anos e mais um BEBÉ que nasce em maio se Deus quiser, vencedor de uma volta a portugal do futuro entre outros premios, tambem atirado para o desemprego sem qualquer "obrigada pelos momentos bonitos que deste ao ciclismo" doi...
cristina neves

mzmadeira disse...

É dramático Cristina. Lamentável.
Um grande abraço de solidariedade para o Pedro.
Manuel José Madeira

Teixeira Correia disse...

O que a notícia do meu "padrinho" Fernando Emílio não fala é das razões do desemprego entre os corredores portugueses e o aumento de espanhóis.
Nada tenho contra os corredores de Espanha, entre eles tenho muitos amigos.
O que está em causa é o poder que alguns empresários têm no ciclismo Nacional.
Existem algumas va(queriças)cas sagradas meio e há pessoas que não pode mexer no assunto, visto pelo lado do "poder" dos empresários.
Tal como no futebol, também no ciclismo se fazem notícias para agradar e promover, de forma encapotada, os empresários falando dos ciclistas por si representados.
Precisamos de um processo "Bicicleta Dourada" no ciclismo para dar verdade à modalidade.

Teixeira Correia

mzmadeira disse...

Há uma coisa que preciso dizer, porque é o que penso.
Nestas circunstâncias, que todos conhecemos, não aproveitar reforços com provas mais do que dadas seria... insano.

O drama do desemprego fica a dever-se (muito) à falta de coragem dos responsáveis do Vitória de Guimarães - cujos associados mostraram estar também com o Ciclismo -, e reforço, dos responsáveis, não do Zé Augusto que eu sei ter corrido Seca e Meca para garantir a equipa na estrada.

Depois... bem, depois o rosário de "culpas" tem de ser repartido por toda a gente. Precisamos de mais corridas, não podem ser mais corridas internacionais precisamos de um calendário de elite - não confundir com os sub-23 -, precisamos de equipas de elite (que sim, podem ter 10 Corredores), insistir num profissionalismo que o é apenas por parte dos Corredores, é um dos problemas.

Portugal, ou em Portugal, alguém tem de ter a coragem para pôr ordem nisto.

Quatro equipas profissionais, para correr o calendário profissional, cá dentro mas também, por exemplo, em Espanha. E este ano o pelotão profissional de Espanha ficou bem "desbastado" e tem apenas - digo-o de memória, emendem-me - mais uma equipa profissional que Portugal, sendo que três delas são ProTour.

Olhem para o mapa de equipas elite em Espanha. Olhem para o seu calendário.

Por tudo isto sou frontalmente - e honestamente - contra uma Liga de Equipas Profissionais, mas apoio a Associação de Equipas. E esta devia, de uma vez por todas, "sair da casca", fazer-se ouvir na AG da FPC - atenção que o peso das Associações vai ser diminuido - tentar coordenar-se com os organizadores... Discutirem a melhor maneira de todos puderem ter o retorno que é necessário para que todos sobrevivam.

O problema dos empresários existe, não o escamoteio, mas já foi bem mais pernicioso do que pode ter acontecido este ano.

Sei eu, sabe o Fernando - não sei se também saberá o Teixeira Correia - que já tivemos exemplos aberrantes, de termos "pernas de pau" a tapar jovens portugueses só porque vinham a custo zero para equipas portuguesas, com os empresários a assumirem o pagamento dos seus ordenados. Ainda assim, essas equipas desapareceram num piscar de olhos.

Finalizando, volto ao princípio.
Não "aproveitar" o Paco Mancebo, o Eládio Jimenez, o David Bernabéu, o Tino Zabala, o Rubén Plaza... isso seria imcompreensível.

Voltarei ao assunto mas deixo um repto. Quando é que alguém tem a coragem de patrocinar o encontro que há muito deixei aqui no VeloLuso: chamem-lhe congresso, colóquio, reunião... almoço de iguais entre pares, mas deixem que se discuta o Ciclismo. Façam com que se discuta o Ciclismo.

Alguma coisa sairá dessa reunião.

mzmadeira disse...

Ah!... Em relação a, mais ou menos encapotados, "favorzinhos" a certos empresários, nem é preciso dizer que sim, existem, ou existiram.

Estão escritos em letra de Imprensa e na Biblioteca Nacional há a colecção de todos os jornais que qualquer cidadão pode consultar.