terça-feira, junho 03, 2008

II - Etapa 89

POR ISSO SOU COMPLETAMENTE
VICIADO EM JORNAIS

(EM TUDO O QUE TENHA LETRAS)

Só hoje – que já é ontem – tive oportunidade de passar pela minha caixa de correio e recolher, entre outras coisas que para aqui não interessam, o Jornal Ciclismo e o Meta2Mil da semana passada.

É assim qualquer coisa, espécie de formigueiro que me vem de dentro quando me apercebo que colegas de profissão confessam que nas folgas e nas férias não lêem jornais. Não compram jornais.

Não sou capaz. Confesso a minha fraqueza.
E não sou capaz de comprar um jornal. Preciso – mas é que preciso mesmo, no sentido de poder ler mais do que uma versão dos acontecimentos – comprar mais do que um.

Como sou jornalista desportivo, é evidente que compro os três desportivos.

Compro mais dois generalistas.
Compro os dois semanários.
Assino jornais e revistas estrangeiros…

Este canto de relaxe, mas também de trabalho, aqui em casa, tem tanto papel que, mesmo que não fizesse mais nada até ao fim da minha vida não ia ser capaz de ler tudo.

Compro compulsivamente livros. Mesmo sabendo que não tenho tempo para os ler.

Compro, principalmente, biografias ou relatos de viagens.
As que sonhei fazer e nunca fiz. Apesar de já ter feito algumas.
Quero saber.
Preciso saber.

Não sei se os vizinhos ficam ou não irritados mas quando vou para o duche levanto o som da televisão, sempre ligada num dos canais só de notícias para conseguir ouvir, mesmo com a água a correr. Se aconteceu alguma coisa, quero ser dos primeiros a saber.

Antes de me deitar, não desligo o PC antes de dar uma última olhadela aos sites que mais me interessam. A maioria de jornais. Portugueses e estrangeiros.

Desculpem lá esta entrada tão grande e… aberta.

Tem o seu porquê, e provavelmente já terão percebido qual.

Voltemos então atrás.

Só hoje, que já é ontem, pude ler os dois jornais especializados em Ciclismo que assino. E não fui defraudado. Cada um dos dois fez uma abordagem diferente sobre o mesmo assunto. O assunto do momento.
Curiosamente – permitam-me a imodéstia, mas eu também sei de coisas – só o estrangeiro me deu novidades. Pode parecer estranho, mas é verdade.

Falo, é evidente, do caso LA-MSS.
À minha modesta escala tenho, também eu, gasto alguma tinta escrevendo sobre o assunto, mas é bom saber o que pensam outras cabeças. E se já critiquei, e é mais do que certo que voltarei a fazê-lo, ou um ou o outro, não deixo de aceitar que outros pensem de maneira diferente daquela que eu penso. Reservo-me é o direito de concordar ou não. E de emitir a minha própria opinião. Creio que não é crime...

(Continuo é a achar que há quem insista em misturar opinião pessoal em artigos que o leitor espera e quer de informação pura. Mas esse é outro assunto.)

No jornal português leio o que já li em todos os jornais portugueses.
Tendo como base apenas um lacónico comunicado da Polícia Judiciária, onde nada se diz, quase todos acrescentaram depois um ponto ao conto.


Até me terem feito ler sobre bolsas de sangue – que não vi na reportagem de televisão -, embalagens de EPO – que não descortinei na reportagem de televisão -… isto é, por cá montámos um caso sobre o diz-que-se-diz e, com cada um a acrescentar um bocadinho para parecer mais bem informado que o outro, criámos um monstro sem nome que, como sempre aconteceu e sempre haverá de acontecer, logo que a verdade se saiba ficará órfão de pai e mãe.

Ninguém assumirá que disse mais do que sabia mas que, com o que disse, marcou uma posição. Quando tudo se esclarecer… ninguém disse nada.
Só ouviu dizer que alguém disse.

No jornal espanhol, para além de uma abordagem muito mais sóbria, porque têm mais experiência, porque têm outra escola, porque, para o bem e para o mal, a Imprensa, em Espanha, tem um peso que a nossa ainda não conseguiu atingir, no jornal espanhol, dizia eu, leio então novidades.


Que, como é evidente, fui confirmar antes de começar a escrever este artigo.

Para além de todas as interpretações que cada um achar que deve e pode fazer, em relação ao final – anunciado – da formação do Póvoa Cycling Clube, final, entretanto, adiado, suspenso... de uma coisa alguém se esqueceu (mentira minha… todos se esqueceram).
E é isto:


Quando a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim e os principais patrocinadores, a LA Alumínios (o LA é de Luís Almeida) e a MSS Construções (MSS é de Marcelino da Silva Santos), se apressaram a anunciar o cancelamento do compromisso que haviam assinado com o clube – sim, com o clube, o Póvoa Cycling Clube, que é a entidade empregadora de todos os assalariados que se apresentam na estrada com o nome de LA-MSS-Póvoa – deixaram em maus lençóis… quem? Adivinhem!...

Para além dos profissionais que corriam e ainda correm o risco de ficarem sem emprego se vier a provar-se alguma coisa contra si (mas será que, na hipótese de alguma coisa vir a ser provada, incriminará todos? Duvido…); escrevia eu, aquele manifesto de intenções (que, ok, condescendo… ainda não foi concretizado oficialmente) deixará em maus lençóis os responsáveis pelo clube, entidade com quem, de facto, os profissionais assinaram contrato.

E quem é o Póvoa Cycling Clube?
Eu digo:
Presidente: Luís Almeida
Vice-presidente: Joaquim Silva Santos
(administrador e filho do homem que dá o nome à empresa)
Director: Aires Pereira
(vice-presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim)

Entenderam?


É o Meta2Mil que o explica!...

Outra coisa que li, esta no jornal português, é que a equipa da Póvoa não pode neste momento correr - não é bem assim que lá está escrito mas, concretamente, é isto mesmo e nem terá a ver com eventuais faltas de convites por parte dos organizadores -, não pode correr porque o não pode fazer sem ter os seus atletas segurados e a companhia de seguros com a qual a equipa havia contratado esses mesmos seguros terá renunciado o contrato mal se soube do raid da PJ.

E qual era a companhia de seguros, sujo nome o jornal pudicamente omite?
É a... Liberty.

Por um lado, e conhecendo-se a intransigência daquela marca/empresa em relação a putativos envolvimentos com o doping, não é de estranhar que tenha denunciado o contrato; pelo outro, e isto é, de facto, um dado novo, ao denunciar o contrato que tinha com a LA-MSS retira de cena um dos principais rivais da equipa que ela própria patrocina.

É uma situação, pelo menos incómoda.
Que deveria ter sido prevista.
Claro que, deslindado o caso, a LA-MSS há-de encontrar uma outra seguradora e voltar à estrada.

A Liberty Seguros é que não mais vai conseguir, por melhores condições que ofereça, contratar com outras equipas de ciclismo.
(E se calhar até está a segurar mais alguma, ou mais algumas..., isso, confesso, não sei.)

1 comentário:

Nuno Inácio disse...

ora aqui está uma bela informação...
Que eu por acaso não vim em NENHUM JORNAL, mas que só por acaso ouvi numa daquelas rádios que "NUNCA" deveria acompanhar o ciclismo...