sexta-feira, março 09, 2007

444.ª etapa

TAVIRENSES RECUPERAM LICENÇA

Acabo de ler, num site privado, que, tanto Samuel Caldeira como Daniel Petrov, corredores da DUJA-Tavira, cumpridos os 15 dias de afastamento regulamentares quando em situações idênticas às que lhes foram detectadas - um nível de hematócrito superior ao estabelecido - estão, de novo, aptos a correr. Ainda bem.

Estas situações, e para os menos esclarecidos, acontecem mais amiúde do que o suposto e, nós, portugueses, NUNCA deveremos esquecer a arbitrariedade cometida com Nuno Ribeiro, há dois anos quando, numa situação em tudo semelhante, foi liminarmente despedido pela sua equipa, então a espanhola Liberty Seguros. Feitos os tais contra-exames, 15 dias depois, como, repito, está bem claro nos regulamentos, o Nuno foi ilibado de quaisquer responsabilidades… mas ficou sem equipa.

Na última Volta ao Algarve aconteceu o mesmo com aqueles dois jovens corredores da DUJA-Tavira. Todos os jornais o noticiaram mas, por infelicidade ou desgraça, apenas um preencheu o resto da página que sobrava do texto – que foi meramente informativo, e onde se ressalvava o que veio a acontecer: 15 dias de suspensão da licença (esteve mal quem escreveu que tinham sido expulsos da corrida), novas análises e, em caso de negativo, a imediata devolução das licenças – com duas fotos desproporcionadas em relação à notícia.

Aconteceram, entretanto, duas coisas que não vão passar em claro pois eu tenho (e orgulho-me disso) memória de elefante.

Primeiro, esvaziaram alguns responsáveis da equipa o facto de que nem todos os jornalistas são “pés de microfone” ou se limitam a escrever o que se lhe diz, porque de mais não são capazes.

Nem que seja apenas por respeito ao número de anos que alguns de nós (jornalistas) já levamos de ciclismo, deveriam aceitar, sem pestanejar, que, quem gosta realmente do que faz, procura estar informado. E conhecer os regulamentos faz parte do estar informado.

Não aconteceu comigo, mas, tal como o companheiro em causa, também eu sei, desde as medidas que os rectângulos de publicidade nas camisolas devem ter, até à distância em que o risco atrás do qual os fotógrafos podem estar, numa chegada, passando, naturalmente, pelas sanções neste género de situações.

E, entendam isto apenas como (mais) uma tentativa de explicar que o “aparato” todo não se ficou a dever ao jornalista no terreno.

O que me doeu fundo, ainda por cima, vindo de onde veio, foi a reacção e senti-a como se a mim tivese sido dirigida. Porque, com uma certeza a rondar os 99%, se não tivesse sido ele a escrever aquela notícia – repito-me, 100% informativa, sem quaisquer juizos de causa – teria sido eu. Que só lá não estive em pleno, todos os dias, porque, como é do conhecimento dos responsáveis pela equipa, me encontro, por motivos de saúde, afastado do jornal.

Cumpriu-se aquilo que o jornalista escreveu. 15 dias depois, os corredores seriam sujeitos a novos exames e, caindo estes dentro dos parâmetros estabelecidos, era-lhes devolvida a licença e poderiam, como podem, voltar ao pelotão. Ainda bem que assim aconteceu. Digo eu.

Nada, contudo, apaga a vergonha do cartaz que apareceu na estrada a insultar o jornalista. Do qual estou certo porque vi fotografias.

E nada me convencerá que algum simples adepto que, de certeza, nem conhece os regulamentos, se tenha saído com aquela ideia.

O assunto morre aqui.
Mas eu não retiro uma vírgula ao que antes escrevi sobre este tema.

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