terça-feira, abril 17, 2007

471.ª etapa


PODEM, OU NÃO, AMADORES
FAZER CORRIDAS PARA PROFISSIONAIS?
E HÁ OU NÃO PROFISSIONAIS E… “PROFISSIONAIS”?


Desiludam-se os que esperavam uma crítica assassina.
Eu acho que sim, que podem.
Desde que respeitem as regras do jogo instituídas.

Por amadores, considero aqui aqueles que “não fazem da organização de corridas a sua actividade principal”.

São todos, em Portugal, menos a estrutura da João Lagos Sports/PAD.

Não reconheço, no nosso panorama velocipédico, nenhuma organização amadora – e estou a falar das corridas principais, aquelas que contam, de facto, para manter em actividade o pelotão profissional – que não esteja cingida a… uma corrida por ano.

Têm muito tempo para pensar nela.

Se, por mero acaso isso não está a acontecer – e eu, sinceramente, ignoro-o – separem de vez as funções de quem tem de cuidar da corrida em si, de quem tem de tratar do seu financiamento.

E proponho que os segundos dêem algum tempo aos primeiros para apresentarem um projecto, desportivamente competitivo, e a estes (os primeiros) que trabalhem com a antecedência necessária a que os segundos possam depois garantir a exequibilidade das suas ideias.
Parece-me tão simples.

Mas nunca esqueçam uma coisa: as corridas de ciclismo têm de, garantidamente – e qualquer desvio a isto poderá ser penalizado – partir do princípio que o mais importante são os ciclistas. Qualquer outro espectáculo nem terá uma hipótese sequer de ir em frente se não garantir as condições mínimas aos seus actores principais.

E a mim parece-me que, por vezes – mesmo nesta última Volta ao Alentejo – há tanta gente sedenta de protagonismo que se esquece que os que têm de derramar o seu suor são os corredores.

Por isso reitero: não vejo mal nenhum que amadores tratem de arrumar o palco no qual Profissionais terão de actuar.

Agora… convinha que os segundos não saíssem prejudicados por falta de capacidade dos primeiros.

Naquelas discussões, mais ou menos académicas, quase de tertúlia, que temos antes ou depois de cada etapa, nós, os profissionais da escrita ou da palavra, que mais não temos do que relatar o que se está a passar, às vezes medimos mal os passos que damos.

Por exemplo:
Dizer que a chegada a Odemira era – perdoem-me o termo – quase assassina, depois de terem chegado três horas antes dos corredores a Odemira, é um puro exercício de mal dizer.
Tivesse esta denúncia sido feita antes da etapa, e quem a tivesse feito capitalizava credibilidade. Vincá-lo depois apenas revela a face mais desprezível daquilo que é informar. A crítica é fácil quando o criticado não tem hipóteses de emendar a mão.
Quantos “jornalistas” perceberão isto?

É que ser “jornalista” não significa sentarmo-nos no – pretenso – alto do nosso estatuto e, quando as coisas já aconteceram, malhar forte e feio.

Ou então – e é a única alternativa que antevejo – seria preciso que houvesse coragem para por em causa, desde o princípio, a organização.

Seria – indecentemente – fácil a nossa contribuição.

Deixar fazer mal e depois criticar.
Por aí não vou.
Jamais.

Há uma máxima que diz que os Corredores têm que se adaptar às estradas por onde correm. Nada de mais certo. O mero (sem desprimor) funcionário público tem de trabalhar com o computador desactualizado que lhe põem à frente e com a fotocopiadora que pode avariar a qualquer momento. Os Corredores não são diferentes.

E tenho a certeza de que há mais funcionários públicos que não escolheram a profissão do que Corredores. Partindo do princípio que só é Corredor que o quer ser.

Isto deixa de fora também as “estradas estreitas” ou as cheias de “buracos”. A estrada é IGUAL para todos e isso garante a VERDADE DESPORTIVA.

Que mais querem?

Os mineiros – que trabalham debaixo do solo – ou os montadores de cabos eléctricos, que trabalham pendurados dos postes, também têm uma vida difícil.

E, provavelmente, não a escolheram. Foi o que foi possível arranjar.

Mas, a verdade, é que não ouvi – nem li – quaisquer protestos vindos dos corredores.

De alguns directores-desportivos… sim. Mas não dos corredores.
Há estradas estreitas na Serra de São Mamede? Claro que há.

Porque raio haveríamos de ter uma “auto-estrada” na serra?
E quem se queixou das estradas estreitas da serra… porque não aproveitou os troços das IP’s por onde o pelotão rolou?

Quem se ficou na primeira etapa?

Quem não teve forças ou vontade para tentar fezer melhor?

Quem, com uma enorme falta de respeito por organizadores e público que não regateia o seu apoio – à chuva ou sob a torreira do Sol –, parte para determinadas corridas sem o mínimo de ambição? Só para dizer – e tentar disso convencer os patrocinadores – que está presente?

Eu acho que há quem não se importava, desde que lhe pagassem os 12 meses, de correr apenas a Volta a Portugal.
E isso é desonesto.

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