
Recebi, por "portas travessas", utilizando uma expressão muito do povo, um curioso "recado".
Segundo algumas das primeiras figuras deste teatro (e não deixa de ser) que é o Ciclismo, este espaço de opinião - que criei, tem o meu nome e onde já sublinhei que tudo o que está escrito é a minha opinião que pode, a qualquer altura, ser contestada - que este espaço, escrevia eu, se orienta mais para DESTRUIR o Ciclismo do que para o apoiar.
Destruir o Ciclismo? Eu? Pese embora reconheça que a apetência pela comunicação via-net é cada vez mais apelativa, eu? destruir o ciclismo, neste cantinho que não tem pretensões a ser mais do que é: apenas um espaço onde posso escrever opinião livremente, sem estar sujeito à ditadura dos caracteres que estrangula e oprime, no que respeita aos jornais?
Já me movimento no meio velocipédico nacional há tempo suficiente para, sem falsas modéstias, achar que posso ter direito a uma opinião. É o que tenho feito. E tento sustentá-la.
Repito-me, não sendo isto um Fórum - que não deixa de o ser se recuperarmos a etimologia do termo, que significa Espaço de Debate (ou para Debate) - nada impede NINGUÉM que, sustentando a sua opinião nos factos (que todos podem observar, e já não são todos parvos), a rebata.
Digam, por favor, que, por A+B, eu não tenho razão.
Venho a limitar-me (e continuarei a fazê-lo) às questões meramente desportivas. Não tenho nada a ver nem com orçamentos curtos, nem com eventuais promessas e (ou) desculpas que, previamente cada um já fez ou tem preparadas para justificar a falta de andamento seja de que equipa for. Que são pequeninas (a começar na ambição), ah!... isso já se percebeu.
Ora, se a televisão se limita a passar cassetes gravadas pelas organizações, nas quais é fundamental (e prioritário, mais do que o esforço dos corredores) que apareçam os placares e os panos com o nome dos patrocinadores; se as rádios nacionais ignoram olimpicamente o calendário nacional, com a excepção da Volta (à qual, tudo o que é cão e gato acorre, como se fossem passar 12 dias de férias) e se os jornais não dão espaço às modalidades - com o ciclismo a ter de sprintar, ombro a ombro, com outras que já têm o seu espaço e o não querem perder -, falta, de facto, um local onde se apontem as pechas mais gritantes do actual ciclismo português.
Foi nisso que pensei quando criei este Blog.
E pensei que as pessoas, público anónimo, colegas jornalistas, directores-desportivos e corredores, não se coibissem de vir aqui discutir ideias.
Mas nada!...
Que o lêem, disso tenho a certeza, mas como, e eu dou o exemplo, é preciso dar a cara (eu sei que não é só por isso) ficam a remoer o que eu escrevo e o melhor que encontram para justificar (?) a sua ausência nesta discussão é dizerem que o objectivo deste espaço é "dizer mal" do ciclismo.
Não é.
Mas isto não é um espaço de notícias, onde se destaque o 1.º lugar de A, ou o 10.º de Y, pese embora eu até já o tenha feito.
O objectivo deste espaço é fazer crítica, que não é exactamente o mesmo que criticar.
Parece que só me debruço sobre as prestações (ou falta delas) das equipas? Calma. Há muito que quero dizer sobre as organizações e sobre toda a cadeia que, inexoravelmente, nos levará até à cúpula, que é a Federação Portuguesa de Ciclismo.
Não, não uso palas nos olhos, como os burros, e sou capaz de olhar para todos os lados. E pretendo ser imparcial.
Agora, atentem: isto não é a história do ovo e da galinha. Ninguém terá a coragem de vir dizer que sem corredores (e equipas) não há organizações. Seria a risota geral. São as equipas (e os corredores) que precisam que haja organizações. Que não existiriam pura e simplesmente se não houvesse equipas, mas a culpa não seria das pessoas que ainda se põem a montar corridas.
O que pretendia, com as análises críticas que tenho vindo a fazer, era tentar sacudir o marasmo em que se caiu, e têm que ser os corredores (e as equipas) a dar o peito e a cara ao vento. É isso o Ciclismo, dar a cara e o peito ao vento.
Por razões estritamente pessoais, este ano ainda só tive três dias de ciclismo ao vivo e apenas como mero espectador. Mas, como é evidente, não perdi os meus contactos e sei, quase tão bem como se lá andasse, o que é que se vai passando. E leio e oiço o que todos os meus colegas escrevem e dizem, como sempre fiz. Na parte da escrita tem-se descurado algumas partes da reportagem (dar voz aos técnicos - mas para explicarem o quê? que trabalham com orçamentos baixos? não aceitaram fazê-lo?), mas as páginas dos jornais não esticam!...
(E falo por mim, nos últimos anos evito fazer entrevistas quando sei que não terei espaço para publicá-las, não ando cá para enganar ninguém.)
Agora, há falhas das organizações (ou de algumas organizações)? Há sim senhor. Há falta de equipamento que, hoje em dia é completamente indispensável para que a verdade desportiva prevaleça? Há sim senhor. Há falhas ou hesitações por parte dos juízes de corrida? Há sim senhor. A Comunicação Social pauta pelo ignorar a modalidade (sabem de quem eu estou a falar)? É verdade sim senhor. A FPC mantém velhos vícios e revela-se lenta a tomar certas decisões? É verdade sim senhor...
Agora, se quem faz andar isto (o Ciclismo) tudo, que são os corredores e as equipas, não se esforçarem por - que mais não seja preservarem o seu ganha pão ou a sua continuidada, conforme o caso - por cumprir o seu papel, que é o de darem espectáculo, não será o facto de os dorsais terem 3 dígitos, ou de o photo-finish não funcionar, ou de os percursos estarem mal sinalizados ou a quilometragem das etapas não baterem certo com o que está no livro da prova que vai desviar a atenção de quem quer apenas e só uma coisa: ver Ciclismo espectáculo.
E quanto melhor for o espectáculo melhor se vende; e quanto mais se vender mais dinheiro rende; e quanto mais dinheiro se ganhar maiores serão os orçamentos...
Não queiram tapar o sol com uma peneira. Não é este espaçozinho sem pretenções que está a fazer mal ao ciclismo nacional. Não é, pois não?
Já agora, um convite. E faço-o formalmente.
Que todos os que intervêm no espectáculo Ciclismo não se coibam de discuti-lo. Pode ser aqui, neste espaçozinho...
Façam o favor.
Post Scriptum:
Considero ofensiva a insinuação de que não sigo mais do que os ensinamentos pretensamente adquiridos com um "professor".
Não tive professores. Comecei a fazer ciclismo n'A CAPITAL. Não conhecia NINGUÉM!
Terei muitos defeitos, mas de um ninguém me pode acusar: sempre fiz tudo para ser um bom profissional, na minha profissão. E devo ter conseguido porque não fui bater a porta nenhuma à procura de melhor emprego. Se, ao fim de 9 anos apareço n'A BOLA foi porque alguém com capacidade e autoridade para isso, me convidou.
Nesses 9 anos fiz inúmeras corridas. Caladinho, como gosto de estar. Li. Muito. Observava as grandes figuras do jornalismo de então. Humildemente.
Bebi influências em muitas fontes. E aprendi.
Assinei publicações estrangeiras que devorava "alarvemente". Apareceu, por essa altura, a Internet e terei sido dos primeiros a publicar rankings e a fazer trabalhos sobre figuras internacionais.
Cultivei amizades em todos os quadrantes da modalidade. E fiz aquilo que muitos não saberão fazer porque gostam de se ouvir. Escutei.
Fui aprendendo.
Impedi-me a mim próprio de escrever opiniões durante seis ou sete anos (ao contrário do que hoje vejo, quando alguém que faz a primeira corrida de ciclismo já se acha capaz de criticar) e construí, devagar mas solidamente, a minha carreira.
Desde 1991 até hoje não falhei uma Volta a Portugal; fiz dezenas de outras corridas; fiz a minha primeira Vuelta há quase dez anos e depois disso fiz mais seis; em Espanha terei duas dúzias de provas que acompanhei, relatando o que as formações portuguesas - Matesica, Barbot, Boavista, LA, Maia - iam conseguindo fazer lá fora; cobri três Mundiais...
Sempre aprendendo. Com os mais velhos... e mesmo com alguns mais novos.
"Professores" nunca tive.
Mas, desde que os velhos lobos da rádio e dos jornais se reformaram, a família dos jornalistas ficou irremediavelmente bipolarizada: os que sabem alguma coisa de ciclismo e os que andam a passear carros nas provas.
É evidente que os primeiros - cada vez menos - têm de ser críticos. E se há mais do que um que critica as mesmas coisas, não se preocupem com "escolas", preocupem-se em tentar - que muitos há que não são, intelectualmente, capazes de mais do que isso, tentar - perceber porque é que são quase sempre os mesmos os motivos das críticas.
Roubar-me a identidade, seja apenas por insinuação de que sigo uma "escola" é chamar-me estúpido; é negar-me capacidades que já demonstrei, sem favores, possuir.
"Professores" há muitos.
Mas eu não aceito lições de ninguém!
Sem comentários:
Enviar um comentário