domingo, julho 02, 2006

135.ª etapa



O LONGO SPRINT DE HUSHOVD



Arrancou o Tour'2006 e a minha primeira nota positiva vai para o público. Enquanto nós, os teóricos, gastamos caracteres esgrimindo argumentos pró e contra os últimos acontecimentos, o público gosta é de ciclismo e não faltou. Isso há-se ser um incentivo muito importante para os corredores que estão, que os que não estão não cabem nestas crónicas sobre a Grande Boucle.

Depois temos a corrida em si. Um prólogo relativamente curto, sem quaisquer dificuldades físicas, propício para desenferrujar as pernas. Não creio que tenha havido surpresas por aí além. Embora com algumas intromissões, dominaram os roladores puros e os sprinters deram muito boa conta de si. Aliás, parafraseando alguém que - peço desculpa por isso - de momento não me recordo, o norueguês Thor Hushovd ganhou um longo sprint, conquistando o direito de vestir a primeira camisola amarela desta edição. Mas hoje - mais logo - vai ter que se empenhar a fundo para a manter pois adivinha-se uma chegada compacta.

Algumas outras notas: a primeira para o germânico Sebastian Lang, que estava a ver não era ultrapassado por ninguém; depois para George Hincapie que terminou em segundo e também para Alejandro Valverde e Paolo Savoldelli, dois excelentes trepadores que conseguiram, num terreno totalmente plano, ficar entre os primeiros dez. Mas qualquer deles é também um bom contra-relogista, principalmente nestes cronos curtos.

Discovery Channel e CSC meteram dois homens no top-10, mas os estadunidenses colocaram 3 nos primeiros 25 e 6 (!) nos primeiros 50, contra 2 e 5 dos dinamarqueses. A T-Mobile também meteu 5 homens nos primeiros 50, mas 4 deles ficaram entre os 25 melhores onde a Phonak teve 4 e os mesmos 5 nos 50.

Voltando a Hincapie, parece ter mesmo partido com o objectivo de ganhar o prólogo. Das duas uma: ou a intensão era a de conseguir "herdar" a camisola amarela deixada sem dono por Lance Armstrong, ele que ajudou o sete vezes vencedor do Tour em todas as sete edições, ou - mas esta hipótese gostava que não fosse a verdadeira - pretendeu "marcar" terreno, no que respeita a quem é o chefe-de-fila. Salvodelli foi o segundo homem da equipa, Popovych o 4.º e José Azevedo "apenas" o 6.º. Mas o terreno não era propício ao português.

Chego, finalmente, ao Zé Azevedo. Ninguém estaria à espera que se fizesse à estrada neste tipo de etapa para tentar ganhar e limitou-se a fazer uma corrida aligeirada de responsabilidades. Ao - e a Johan Bruyneel, se está mesmo a pensar apostar nele - convém manter-se "anónimo" nos primeiros dias, na primeira semana, até que cheguem as verdadeiras dificuldades. Que a concorrência se preocupe com o Popovych ou com o Savoldelli... que logo que o terreno seja a seu jeito e lhe abrirem um espaço, ah!, aí veremos o Zé Azevedo.
Vamos esperar.

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