quarta-feira, outubro 04, 2006

249.ª etapa


FUSÃO DE EQUIPAS


O pelotão profissional português tem vindo a ter 10 equipas, o que eu sempre achei desenquadrado da nossa realidade desportiva e económica. Há uns meses atrás ressurgiu o Benfica. É bom – também sempre o defendi – ter, pelo menos, um dos “três grandes” no pelotão. É bom por tudo. A começar pelo facto de isso chamar mais gente à estrada. Gente que, não centrando propriamente no ciclismo a sua principal paixão desportiva, não deixará de negar ao clube do seu coração o apoio que lhe quer dar. Não podendo ir ao Estádio da Luz todos os domingos, que melhor maneira de apoiar o clube do que descer à berma de uma estrada próxima do seu local de residência, seja em que parte for do País, para acenas com bandeiras e chechecóis?

É tão difícil assim de perceber isto? Tão límpido que me parece a mim!

Com o aparecimento do Benfica teríamos então… 11 equipas!!! Mas não vamos ter. Vamos continuar com as mesmas dez porque a Madeinox deixa Vila Nova de Gaia e vai apoiar o Centro de Ciclismo de Loulé. Digamos que nenhuma das equipas acaba, apenas se juntam para formar uma, a qual todos desejamos seja mais forte ou então estaria desvirtuada a ideia de fusão. Sinceramente não sei se vai acontecer, isto com o meu evidente pedido antecipado de desculpas se vier a provar-se que estou enganado.

Numa interessantíssima discussão que, desde há algumas semanas, vem sendo “patrocinada” pelo Cyclolusitano, temos vindo a discutir esta hipótese. A de reduzirmos o número de equipas pela fusão de vários projectos. Eu acredito que o ciclismo português só teria a ganhar.

Cada equipa tem, pelo menos, dois patrocinadores mais ou menos equivalentes no que respeita ao capital investido. Olhando para os orçamentos das equipas na temporada agora finda, a média fica-se pelos 400.000 mil euros e 9 ou dez corredores por equipa. Ora, juntando duas equipas é fácil de fazer as contas. 800.000 euros a dividir por menos efectivos uma vez que 13/14 (em vez dos, pelo menos, 18) corredores mais 2/3 massagistas e 2 mecânicos significaria melhores ordenados para estes. Ia ficar gente de fora? Pois ia. Pois vai, mais dia, menos dia, mais ano menos ano… Lamento por eles. Mas estamos a falar do TODO o nosso ciclismo e a parte não pode sobrepor-se ao todo.

Mas o ciclismo português tem que ser repensado. De cima abaixo.
Na verdade, para que quereríamos 5 ou seis equipas com o estatuto de Continental? Que ganhávamos com isso? O ciclismo… nada!
Haverá, contudo, e ao nível individual quem encontre argumentos para contestar esta revolução que urge ser feita.

A solução? - e o mínimo que se pode pedir a quem avança com uma ideia deste tipo é que apresente uma solução – A mim parece-me simples. Reduzir (o que não significa nada de menorização) algumas das equipas actuais ao estatuto de Equipas de Clube e reforçar o Calendário Nacional. Aquele mesmo (as corridas .12) no qual, afinal de contas, esta mesma temporada que agora acaba foi o que mais corridas ofereceu a essas mesmas equipas. Mas íamos tentar reforçá-lo.

Depois, sobravam duas, três equipas no máximo, para competir no calendário do Circuito Europeu da UCI, o qual tem 7 (sete) corridas em Portugal. Era o suficiente para convencer alguns patrocinadores. O resto… o resto implicava acordos bilaterais entre as organizações de corridas em Portugal e Espanha.

As organizações portuguesas convidavam 3 ou 4 equipas espanholas para as suas corridas (o que, aliás, já acontece) e ficava assente que as organizações espanholas fariam exactamente o mesmo em relação às tais duas ou três (no máximo) equipas lusas.
Não parece mesmo simples?

Sete corridas em Portugal, mais seis ou sete em Espanha (e já só estou a falar de Espanha) dava 12 corridas. Volta a Portugal à parte.
Este ano tivemos 21 corridas em Portugal. Há uma diferença de 9 corridas mas há aquela situação de excepção para equipas… mistas. Que, mantendo-se (talvez com pequenas alterações, que privilegiassem sempre as equipas de clube) podia manter a maior parte dos atletas em competição ao longo da temporada.

Mas eu não faço regulamentos. E há uma Associação de Equipas e uma Associação de Corredores Profissionais… e há a federação. Sentem-se à mesa e discutam as possibilidades que podem existir. Eu só ofereço a ideia.

Partindo do princípio mui “olímpico” de que o que interessa é competir, as equipas não perdiam nada. (A maioria delas já não ganha nada de jeito cá dentro!... cala-te boca!...)

E o que se ganhava? Com orçamentos reforçados devido à tal fusão, ganhavam os ciclistas melhores condições contratuais. Com uma presença mais assídua no pelotão internacional (nem que fosse só em corridas em Espanha) ganhava o ciclismo português.

As equipas de clube continuavam – e não têm que queixar-se porque é isso que delas se espera – a formar corredores, potenciais futuras estrelas. As equipas profissionais, que pagariam, na transferência desses jovens valores das equipas de clubes, uma verba justa, devida à mesma formação, podiam depois “mostrá-los” no pelotão internacional e, com isso, tentar fazer dinheiro com uma eventual transferência.
O que há de inexequível nisto?
Não vejo nada!

Bem sei que a fusão entre a Madeinox e o CC Loulé não há ponta de relação entre as tais fusões que defendo. Mas o exemplo pode ser ponderado tendo em conta o que atrás ficou escrito.
Ou não?

2 comentários:

mzmadeira disse...

Muito grato quanto à sua participação, devo dizer que concordo plenamente que faz falta uma intervenção "a valer" naquilo a que chamamos a "base da pirâmide".
Muito bem. Contudo, notar-se-á a falta de discussão desse tema aqui, no VeloLuso.
Como você é o primeiro a abordá-lo, passo a explicar qual tem vindo a ser a minha, camemos-lhe: regra.
Estou plenamente de acordo que é necessário acompanhar e apoiar mais todo o ciclismo abaixo dos sub-23, que neste escalão, muito à custa dos responsáveis pelas principais formações, já há trabalho feito.
Então, porque é que eu venho a insistir no ciclismo ao nível do topo do nosso ciclismo, parecendo estar a esquecer-me da base?
Porque não estamos (ou não queremos, ou não desejamos) criar nada de novo. Aí sim, nesse caso não faria sentido começar a construir a casa pelo telhado.
O ciclismo já existe. O cclsmo português existe eestá aí nas estradas e eu tenho vindo a bater-me pela reformulação, tanto do calendário como do quadro de equipas porque, quando começar-mos a trabalhar a partir de baixo convinha que já existisse e estivesse a funcionar nas melhores conidições, algo no topo. Algo que pudesse ser usado como... objectivo. Como meta para os praticantes mais jovens.
Digamos que, querendo reconstruir a "casa" do ciclismo, e sendo, estamos de acordo, preciso começar por levantar o velho chão e erguer novas paredes, o que eu venho a dizer é que, vamos primeiro escorar o velho telhado para que este não se abata sobre todos.
E a "minha" pirâmide continua a ser: uma equipa no principal pelotão mundial; duas a três no pelotão europeu; todas as que for possível - desde que dêem suficientes garantias de que os seus projectossão viáveis, no pelotão nacional e, daí para baixo... tudo. Até levar ciclismo para a escola. Depois, fazendo o caminho inverso até ao "tecto", teríanos as escolas de ciclismo, os clubes que se dedicassem à formação de aletas - juvenis, cadetes, júniores -, de forma a criarem uma plataforma em que a oferta fosse suficiente para renovar os clubes de sub-23 e, aqui, que os melhores pudessem sonhar com a passagem a profissionais, quando prifissionais que pudessem sonhar com um lugar numa das equipas do pelotão europeu e, já nestas, continuarem a querer progredir para ganharem um lugar na equipa do pelotão mundial que, observando-se este esquema, seria quase a selecção nacional. Pelo menos teria os melhores corredores do País.
Repare que eu esquematizo tudo de forma a que, para os corredores, em cada um dos patamares da pirâmide sobrasse espaço para alimentarem a sua ambção de subir ao patamar imediatamente superior.

Começar agora com uma inervenção mais... palpável, ao nível da base, sem termos definidos todos os passos a dar até se chegar ao cume... estaríamos apenas a criar corredores que, depois de júniores não teriam equipas no escalão acima para encetarem uma verdadeira carreira, e não estando consolidados os dois patamares acima... lá se iam muitos deles, por falta de equipas e os que ficassem... iam encontrar o mesmo prolema ao fim de dois anos.
Por isso acho que não faz mal, neste momento, preocupar-mo-nos um pouco com o "telhado", antes de começar a "levantar" o chão.

Quanto à forma como os media seguem o ciclismo... pois. Estamos os dois de acordo outra vez.
Manifestei, aqui mesmo e logo na altura, meu desagrado por ver os "josés castelo branco" e companhia, mas depois tento perceber a Organização.

Olhe, dou-lhe um exemplo: apesar da sua grande históra, o Expresso tem de estar a oferecer DVD's de forma a não perder leitores. É lamentável, mas os seus responsáveis terão achado que sem este brinde o jornal não venderia o que costumava vender...

mzmadeira disse...

Em relação aos espectáculos musicais, eu diria ainda mais. Num País, pequeno sim, mas com tantas particulirades, tantos usos e costumes, tanta forma de se expressar, pela música, por exemplo, não deviam as autarquias - que pagam e pagam bem - aproveitar para promover o que é genuinamente seu?

Não era mais "pimba" de certeza ouvir os corais alentejanos, ver um homem a fazer um cesto com finos ramos de faia; ver e ouvir o colorido dos ranchos folclóricos... numa palavra: promovendo a terra. E justificando asim o dinheiro que gastaram e que e dos contribuintes.
Os Makaeis, as Ágatas... que contratem os seus espectáculos...